15 novembro 2008

De manhã é não, mas à tarde já é sim


Primeiro lemos o seguinte: «A Polícia de Segurança Pública (PSP) deixou de revelar o número de participantes em manifestações por ser uma informação sem “nenhuma mais-valia”, disse o director-nacional da polícia Oliveira Pereira».

Horas depois, já mudaram de opinião: «A manifestação de professores realizada hoje em Lisboa terminou às 17h30, três horas depois de ter começado, estimando a polícia que tenham estado no protesto cerca de sete mil professores, enquanto os organizadores falam em mais de 20 mil participantes.»

Donde se conclui o seguinte:

1.º O Governo deu instruções à PSP para não revelar números. Porque estiveram muito mais de 120 mil pessoas na rua.

2.º O mesmo Governo, convicto de que hoje o número era reduzido, deu instruções para que se avançasse com números. As discrepâncias são evidentes: mais de 18 mil pessoas de diferença entre os da PSP e os da organização.

3.º Nos próximos dias algum manga de alpaca virá a público defender a tese de que os professores já estão maioritariamente do lado do Governo. Quem falar, fa-lo-á sob ordens de Sua Excelência o Senhor Engenheiro e versado em línguas Sócrates, José.

4.º Como pode a população portuguesa confiar numa polícia que mais do que cumprir a lei obedece a ordens directas dos minsitros?

1 comentário:

António Lima disse...

Cá para mim a polícia não sabe contar... ou sabe só pelos dedos e quando chega aos milhares torna-se difícil :)