21 Novembro 2009

Quem nos visita 2

Para que não houvesse dúvidas

da finalidade da avaliação dos professores, o DN de hoje esclarece. A avaliação nunca pretendeu melhorar nada. Apenas quis poupar dinheiro ao Estado.
"A decisão de avaliar todos os professores até Dezembro terá efeitos no orçamento do Ministério da Educação. As progressões na carreira vão custar pelo menos 20 milhões de euros em aumentos salariais já em 2010. Se a isto a nova ministra da Educação juntar o fim da categoria de titular, generalizando o acesso aos escalões salariais mais altos, o impacto financeiro ainda será maior."

Escutas e face oculta


Temos passado ao lado dos acontecimentos judiciários do Portugal de 2009, porque o pó é muito e impede que se tome posição. Sem um bom conhecimento dos assuntos (ainda por cima quando o assunto é a corrupção de figuras do Estado) facilmente se cai na histeria futebolística: contra ou a favor. No entanto, os últimos acontecimentos são de tal modo inquietantes que resolvemos deixar aqui algumas interrogações.
José Sócrates não é figura pela qual tenhamos simpatia. Mas daí a alinharmos pelo linchamento vai um passo grande.
Os juízes são homens e, como tal, têm os seus apetites de poder e as suas idiossincrasias. Mas enquanto juízes têm de defender a lei. Ora no caso das escutas a Sócrates parece evidente que não só quem fez as escutas, como quem as autorizou agiu no desrespeito da lei.
Sócrates não é apenas um homem do PS, é o primeiro-ministro de Portugal. Portugal é um país que tem responsabilidades não só para com os seus habitantes como para com parceiros europeus e doutros continentes.
O primeiro-ministro só deveria ser escutado depois de ter sido indiciado pela prática de algum crime. Mas escutaram-no - durante meses - no decurso das várias campanhas eleitorais e não só sem que tal acontecesse.
Algo que desde logo obriga a que se pergunte: Com que finalidade?
Havendo hierarquias, como pode o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Aveiro desrespeitar ordens do Supremo Tribunal de Justiça?
Há algo no meio disto que não cheira bem.

20 Novembro 2009

Inquietações do presente: a gordura

Ser gordo é ser o quê? Há uma quase demonização da gordura. Mas também há quem aproveite para brincar com o assunto, escolhendo como alvo figuras pop. Isso mesmo aconteceu com algumas que foram retocadas pelo Photoshop. O resultado é este:

Cantora de sucesso


Casal maravilha


Sexy symbol


Rainha da pop


Mais fotos ao alcance de um gesto.

O homem que partiu o pénis


As fantasias à volta dos órgãos sexuais (masculinos ou femininos) é coisa para encher muitos tomos. E normalmente não passam disso, de fantasias.
O homem chama-se Francis (ou Flint, o que vai dar no mesmo) e, quiçá inevitavelmente, é americano. Diz ele que depois de ter ido ao cinema com a namorada, foram para casa cheiinhos de vontade e quando estavam a chegar a vias de facto, zás, o pénis partiu-se e ficou, diz ele, como o nariz do Gonzo, esse marreta irrepreensível.
Como o caso é insólito e a fome de protagonismo danada, veio para a net com a história. "This is where shit hit the fan." O resto é uma história banal.

Jeanne-Claude (1935-2009)



Jeanne-Claude Denat de Guillebon era a mulher de Christo Javacheff. Juntos embrulharam monumentos e paisagens um pouco por todo o mundo.
Assinavam sempre assim: Christo.

19 Novembro 2009

Quem nos visita

Dois filmes sobre extermínios

Dois filmes sobre extermínios: Katyn, do polaco Andrzej Wajda, e Shoah, do francés Claude Lanzmann. Um sobre o extermínio comunista. Outro sobre o extermínio nazi.

Katyn, de 2007, é sobre a matança de mais de 20 mil militares polacos pelo Exército Vermelho, em 1940, quando a URSS invadiu a Polónia. Narram-se os últimos dias das vítimas antes de serem enterradas no bosque de Katyn, (nas proximidades de Kiev, Ucrânia).


Shoah, de 1985, é um filme de 9 horas, que custou a Claude Lanzmann, o realizador, 11 anos de trabalho (gravou 350 horas de filme). Não tem efeitos especiais, apenas relatos e imagens dos campos tal como foram encontrados. O filme fala cruamente do engenho nazi para a morte em massa, desde os primeiros momentos, em que utilizavam os camiões como câmaras de gás, servindo-se dos tubos de escape (anidrido carbónico), até ao uso do gás zyclón, que matava as vítimas em apenas 10 ou 15 minutos.



Errata: onde está «extermínio comunista» deveria estar «extermínio bolchevique».

"Hit the Bitch"


Os dinamarqueses têm sido muito falados por causa das campanhas publicitárias que engendram e envolvem mulheres. Há tempos falámos de uma que se destinava a promover o turismo. Agora, está a dar que falar uma contra a violência doméstica.
Há um jogo que mostra uma mulher a levar bofetadas, umas atrás das outras, enquanto a pontuação da masculinidade do agressor vai aumentando. Quando atinge os 100% é classificado de idiota. A mulher cai, quase desmaiada.
Ora, se ele só é idiota no fim, que raio de publicidade é esta? Uma espécie de vingança catártica? Bate, filho, bate com força que pelo menos assim descarregas a fúria virtualmente...
Quem vai ao sítio para jogar encontra a seguinte mensagem:

"Dear non-danish visitor,

Due to an extremely high amount of traffic "Hit the Bitch" has been limited to only allow users from Denmark.
However, domestic violence is a global problem, so please support the fight against it in your local country.
Thanks for your interest.

Kind regards
Children exposed to Violence at Home"

Podem ler mais sobre o assunto indo aqui. E podem ver uma amostra do jogo a seguir.


18 Novembro 2009

Vítor Nogueira


Torre

À noite, somos todos mortais outra vez.
Para que serve uma torre de vigia?
Já se sabe que na selva é mesmo assim:
procurar lenha, acender uma fogueira,
manter os mosquitos afastados.

Contudo, à luz do dia, sobrevoar o mar largo
sem ser visto, escalar ao menos uma vez
o elevador de Santa Justa.
São pombas, nos beirais, ou são os corvos
da mui nobre cidade de Lisboa?

[in Mar Largo, &etc, 2009, p. 40]

17 Novembro 2009

Dos prémios literários


Ninguém pergunta a um gestor ou a um empresário o que vai fazer com o que ganha. No entanto, não há jornalista que não caia no chavão quando se trata de um escritor ou de um poeta.
José Emilio Pacheco, que ganhou o prémio Reina Sofía de Poesía Iberoamericana, entrevistado por Antonio Astorga, do ABC, responde à pergunta:
«A esta edad, el galardón tengo que emplearlo en gastos médicos. Si me hubiera pillado con treinta años me lo habría gastado en Ibiza».
Há poetas assim, que brilham onde outros claudicam.

Quase 550 mil desempregados em Portugal

Há 5 017 500 pessoas empregadas em Portugal. Os desempregados são 547 700. Dados hoje publicados pelo INE.

O Banco de Portugal prevê contracção económica de 2,7 por cento este ano.

A economia ressente-se. Os desempregados são muitos. Os salários são baixos. Mas...

O que é preciso é contenção. E a contenção é tanta que há empresas com lucros faraónicos, como a PT, a tal que gasta milhares de euros em publicidade a prometer custos baixos para os clientes.

Cinco mil milhões de euros só para a PT em 9 meses


A linguagem das empresas é peculiar e visa o lucro. Algumas dessas empresas usam o seu poder para passar mensagens aos accionistas e também aos clientes. Fazem-no em forma de notícia, como a que transcrevemos a seguir.
O que me incomoda sempre nesta maneira de redigir as notícias são as mensagens subterrâneas. Coitadinha da empresa, cujos lucros astronómicos não foram, neste ano, tão elevados como no ano anterior.
Os salários no nosso país são muito baixos. Mas os nossos gestores auferem vencimentos tão elevados quanto os dos congéneres estrangeiros.
Os serviços que pagamos são tão caros ou mais do que os estrangeiros.
Mas como não temos alternativa, ou pagamos ou não temos. E, como se não bastasse, ainda temos de ler notícias assim:
"A PT obteve um resultado líquido de 371,9 milhões de euros (ME) nos primeiros nove meses do ano, o que representa uma queda de 14,2 por cento face aos lucros de 433,5 ME do período homólogo, anunciou a operadora."
Repare-se: "Nos primeiros nove meses do ano, as receitas da PT atingiram os 4973 milhões de euros."

16 Novembro 2009

O bobo da corte


Cada terra com seu tolo. Cada ilha com o seu bobo.

Não sei se têm presente o cromo que tinha por hábito pôr-se por trás das pessoas quantas vezes apoiando o seu lindo queixo no ombro delas. Aparecia, seguia a câmara e tornou-se conhecido.

Na ilha da Madeira há um governante que me faz lembrar tal figura. De cada vez que abre a boca sai asneira. Consta que é muito apreciado entre os democratas tugas por ser um campeão de eleições. Papa-as todas.

Além de democrata dos quatro costados, é um expert em geografia, revelando-se também um consumidor de filmes de série B. Julga ele que o território continental português é uma ilha e designa-o por "Sicília hispânica". Às vezes, acontece: dizem-se verdades sem querer; põe-se a nu o que se anda a fazer.

Um monumento para o homem. Cada localidade deveria erigir-lhe uma estátua sob o lema: Herói Português do Século.

Capturado em cuecas e enfiado num buraco


Ser mau aluno a Matemática e a Educação Visual dá nisto: calcula-se mal as proporções e erra-se. Que o diga o romeno que ficou entalado na janela ao tentar assaltar um supermercado de Almancil, em Loulé (Algarve).
Quando o homem tentou entrar pelo postigo da cave, depois de tirar a grade que o protegia, ficou preso num supermercado com o sugestivo nome de Ali Super. Apesar da constituição estreita, o rapaz ficou entalado no pequeno espaço – que não terá mais de 40 cm – mais de 11 horas.
Por entre as várias tentativas para se soltar, terá despido as calças e assim o encontraram, manhã cedo, acabando por se tornar numa caricatura noticiosa. Mal tocava no chão com os bicos dos pés.

14 Novembro 2009

Tinariwen