09 setembro 2008

Aumentar os medicamentos por embalagem, já!


Em vários países é assim: unidose. Em países bem mais ricos do que nós. Em países onde os salários são bem mais elevados do que os que se praticam por cá. Mas isso para o sector farmacêutico constitui um ultraje e, claro, um perigo. As margens de lucro reduzir-se-ão um pouco. Dizem os desse sector que comprar apenas a dose certa de medicamento prescrita pelo médico não trará benefícios para os doentes. Vejam só a latosa dessa gente.

Como é do domínio público, a indústria farmacêutica não visa o lucro. Não, senhor.

Como é do domínio público, as farmácias também não querem nada com o lucro. Não, senhor.

Como é do domínio público, os delegados de propaganda médica são muito mal pagos. São, sim senhor.

Como é do domínio público, entre os médicos e a indústria farmacêutica não há nem nunca houve a mínima relação de proximidade - cada macaco no seu galho - pelo que as deslocações a congressos e outras prebendas pagas por laboratórios farmacêuticos é ficção e da mais pura.

Quem faz medicamentos, fá-los pro bono, ou seja, sem esperar gratificação em troca. E se há indústria com problemas em todo o mundo, é a indústria farmacêutica.

Por tudo isso, pobres de nós que apenas teremos de pagar os medicamentos prescritos pelos médicos. E quão perigoso é isso para a nossa saúde. É que os portugueses gostam de ter uma pequena farmácia em casa, composta com os restos (às vezes, restos bem numerosos) das embalagens adquiridas (sempre baratinhas, pois se há quem pense no povo sofredor é precisamente a indústria farmacêutica). E os portugueses também gostam muito de brincar aos médicos e de receitarem a familiares, amigos e vizinhos os medicamentos da farmácia lá de casa. Ora isso, com o sistema da unidose, tem os dias contados e os farmacêuticos sabem como os portugueses vão ficar deprimidos com a retirada dessa brincadeira. Vai daí avisam: Cuidado, tugas. Olhem que assim vão ficar mal servidos.

Devia fazer-se o contrário: aumentar as doses por embalagem, isso sim, é que ia deixar o povo feliz. De resto, a indústria farmacêutica tem na calha uma proposta irrecusável: distribuir os medicamentos de graça.

1 comentário:

Mário de Sá Peliteiro disse...

Convinha cada um falar do que sabe.
Sabe alguma coisa de medicamentos, de segurança, para redigir este post? Só para saber se é um texto fundamentado técnica e cientificamente ou se é mais um bitaite.