21 março 2009

Poesia portuguesa: e isso existe?


É no mínimo curiosa a maneira como o DN aborda a edição de poesia em Portugal. Entrevista o editor menos criterioso da coisa e quase não dá a espaço a outros, cujo catálogo se define precisamente pelo contrário: pelo critério, por uma linha editorial.

O rapaz que se fartou de editar lixo, fê-lo certamente porque não perdeu dinheiro ou há muito a sua empresa estaria falida. Ninguém editou tanto como ele num curto espaço de tempo. E na minha modesta opinião, salvo dois dos livros de poesia que publicou, nada do resto terá leitores daqui a uma década. No entanto ele anda por aí, feliz da vida e opinativo como sempre. Conseguiu a proeza de se tornar uma figura num meio que se caracteriza pela mediocridade e pela incultura.

A poesia portuguesa padece desse mal geral. Se há muitos a rabiscar uns versos, poucos são os que lêem o que se edita poe cá e noutros países e, portanto, poucos são os que percebem qual é o lugar da poesia portuguesa na Europa ou no mundo.

A poesia portuguesa serve - e bem - para gentinha como esse editor se governar, além de ser pasto do que de pior há na natureza humana. O que não impede que haja por cá um punhado de excelentes poemas e um ou outro poeta de primeira água. Mas não têm, ao contrário do que acontece em países como o Reino Unido, os EUA ou Espanha, a divulgação que merecem.

As universidades onde se ministram cursos de Letras estão cheias de gente que parece nutrir um fundo ódio pela poesia e que, concomitantemente, afastam os seus alunos do que é legível, promovendo o gosto pelas elocubrações bacocas e barrocas.

Os jornais estão cheios de gente que detesta ler e adora dinheiro e que confunde arte com saldos bancários. Editores, jornalistas e recenseadores são, salvo as excepções da praxe, bajuladores e incompetentes.

As revistas ditas de livros cumprem funções comerciais e ninguém quer que o precioso espaço seja desperdiçado com produtos invendáveis.

A net é um caldeado de letras. Entre meia dúzia de poemas legíveis tem de se aturar milhares de versos intragáveis.

Restam algumas editoras que, contra todo esse marasmo, vão publicando alguns bons livros: Assírio & Alvim, Averno, &etc, Teatro de Vila Real e Relógio d'Água.

1 comentário:

Uma Escola na Amora disse...

O contributo do ensino básico e secundário na leitura de poemas pode corrigir essa mesma falha, Pisca de Gente. Eu vou dando um pequeno contributo. Tudo depende do próprio amor que temos à poesia.
Mais pobre que este género é o parente teatro e tantos textos haveria a (re)ler.
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Não posso deixar de sorrir para dentro ante a estranheza que vejo de cada vez que digo que a minha preferência vai para a poesia. :) E é mesmo.