20 abril 2008

Ordem, raciocínio, clareza: Matemática

Diz Nuno Crato, Professor no ISEG (Lisboa), em entrevista ao Público de hoje, que é importante saber matemática, decorar fórmulas e tirar partido de uma disciplina que, mesmo quando não a utilizamos no dia-a-dia, ajuda a organizar o pensamento. Crato é um dos mais activos adversários das ideias "românticas" em educação (ou do "eduquês"). Ouçamo-lo:

«O professor Castro Caldas tem um estudo em que mostra que as crianças que decoram a tabuada e aprendem automatismos numa fase precoce desenvolvem fisicamente certas partes do cérebro. Muitos pensam que têm de fazer musculação para desenvolver os músculos, mas não necessitam de fazer exercícios mentais para desenvolver o cérebro... Uma das conclusões desse estudo é exactamente que as capacidades do cérebro podem ser desenvolvidas. Pode-se decorar uma coisa sem importância nenhuma - os cem primeiros algarismos do número pi, por exemplo - que isso é bom. A dicotomia que se criou há uns 30 anos que considera um horror decorar a tabuada, ou as estações de comboio, e que o importante é apenas perceber, é uma dicotomia que tem sido muito prejudicial. O que é bom é decorar e compreender, e ambas se reforçam. Mais: às vezes é útil decorar alguns automatismos sem os perceber, só os vindo a entender mais tarde. Não é preciso que a criança saiba o que é a corrente eléctrica para nós lhe ensinarmos que não pode colocar os dedos na tomada. No ensino há muitas coisas assim.»


1 comentário:

Lazevedo disse...

Olá...como professora de Matemática sempre defendi que a matemática aprende-se compreendendo, explorando e investigando.
Julgo ser importante os alunos não memorizarem apenas fórmulas, como por exemplo as fórmulas das áreas, quando é possivel através de actividades investigativas serem os próprios alunos a chegarem à fórmula pertendida. Contudo, sou da opinião que no caso da tabuada, a memorização justifica-se. Insisto, porém, que esta memorização deve ser precedida pela compreensão. A ênfase do trabalho deve ser posta na construção dos conceitos. A preocupação com a memorização não deve ser obsessiva nem exagerada.
Realizo actividades em sala de aula, como o "Campeonado da tabuada" em que os alunos memorizam a tabuada mas de forma não mecanizada.Como se trata de um jogo, os alunos divertem-se, trabalham em equipa, ajudam os colegas que têm mais dificuldade na memorização da tabuada, criam estratégias e revelam maior motivação para a memorização/compreensão da tabuada.