12 maio 2008
Filha assassinada pelo pai por se ter apaixonado
"A minha filha mereceu morrer por se apaixonar" afirma o pai, do alto da sua cultura retrógrada. Há gente preocupada com a defesa dos animais. Mas quem nos defende de bestas como esta, um pai iraniano que esfaqueia a filha por falar com um estrangeiro?
Abdel-Qader Ali não tem dúvidas: o mínimo que a filha merecia era morrer. O crime da rapariga de 17 anos? Ter-se apaixonado por um dos 1500 soldados britânicos estacionados na cidade iraquiana de Baçorá. "Se eu soubesse no que ela se ia transformar, tê-la-ia matado logo que a mãe a deu à luz", garantiu este funcionário público xiita, numa entrevista ao semanário britânico The Observer.
Rand Abdel-Qasser, assim se chamava a rapariga, terá conhecido Paul, um militar britânico de 22 anos, numa acção de caridade na cidade do Sul do Iraque, em que ambos participavam como voluntários. Como qualquer adolescente apaixonada, apressou-se a contar tudo à melhor amiga Zeinab. "Ela gostava de falar do seu cabelo louro e olhos cor de mel, da sua pele branca e da sua maneira suave de falar", recordou a rapariga de 19 anos em declarações ao Daily Mail. Para as amigas, o britânico era "muito diferente dos homens de cá, rudes e analfabetos".
Estudante de Inglês na Universidade de Baçorá, Rand tinha a vantagem de poder falar com Paul sem intermediários. E rapidamente começou a usar todos os argumentos possíveis para prolongar o seu trabalho de voluntariado, que lhe dava a oportunidade de estar com ele.
Uma paixão que podia até nem ser retribuída. De facto, Rand e Paul não se terão encontrado mais de meia dúzia de vezes e sempre em locais públicos. "Ela nunca fez nada para além de falar com ele", garantiu Zeinab. Mesmo assim, esta não se cansou de alertar a amiga para os perigos desta amizade: "Disse-lhe vezes sem conta que ela era muçulmana e que a sua família nunca aceitaria que casasse com um soldado britânico cristão."
E foi o que aconteceu. Quando o pai de Rand soube que a filha se andava a encontrar com o militar, perdeu a cabeça. "Entrou em casa com os olhos raiados de sangue e a tremer", recordou ao The Observer a mãe da rapariga. Quando viu o marido a sufocar a filha com o pé, Leila Hussein chamou os dois filhos, de 21 e 23 anos, para ajudarem a irmã. Mas quando o pai lhes disse o motivo da agressão estes ainda o ajudaram.
Pauline Oliveros 2

Pauline Oliveros é uma compositora norte-americana. Nasceu a 30 de Maio de 1932, em Houston, Texas, lugar onde cresceu. Apesar de os pais serem professores de piano, Oliveros apaixonou-se pelo acordeão. A vida da artista como acordeonista, compositora, performer reflecte-se na abertura da sua própria sensibilidade e da dos outros às múltiplas facetas sonoras. Nas últimas quatro décadas, ela explorou o som e desbravou novos territórios musicais, influenciando profundamente a música americana, através do seu trabalho com improvisação, meditação, música electrónica, mito e ritual.
Em 1981, Oliveros abandonou a carreira académica para se dedicar ao trabalho como compositora/performer free-lance, ao ensemble Deep Listening Band (DLB) e à sua própria organização artística, a Pauline Oliveros Foundation, que criou em 1985. Os anos 90 tiveram início com uma carta de distinção do Centro de Música Americano, apresentada no Lincoln Center em Nova Iorque.
Grande parte do seu trabalho recente envolve a colaboração com os membros da DLB e explora o conceito de “Deep Listening” - um estado de elevada consciência auditiva – , bem como a utilização de Expanded Instrument Systems que aumentam as possibilidades expressivas dos instrumentos recorrendo a sistemas electrónicos de alteração do som, sempre observando as características do espaço de performance, considerado ele próprio um instrumento vivo.
Justus von Liebig (1803-1873)

No dia 12 de Maio de 1803 nascia Justus von Liebig. Químico alemão que criou o conceito do laboratório de química e foi um dos responsáveis pela criação de fertilizantes químicos, sabão, explosivos e alimentos desidratados, além de ser reconhecido como um dos melhores professores de química de todos os tempos.
11 maio 2008
Sensacional
Almeida Santos, presidente do PS e ex-presidente do Parlamento: "Sócrates está a ser um primeiro-ministro excepcional".
A contenção salarial é um dado adquirido. Já o mesmo não acontece com a contenção das outras despesas do Estado. Continua-se a gastar milhões em propaganda, em esquemas que beneficiam a mesma meia-dúzia de sempre. Continua-se a lesar o Estado com gestões irresponsáveis e mal preparadas. Mas vem Almeida Santos e lá está, preto no branco: excepcional.
Centenas de portugueses estão à beira do limiar de pobreza, milhares acabam de ultrapassar a barreira e, a continuar assim, mais se aproximarão do descalabro. Mas recorde-se, Sócrates é excepcional.
10 maio 2008
Parabéns Vanessa Fernandes
Miguelanxo Prado

Miguelanxo Prado é um autor de Banda Desenhada e pintor.
Diz Carlos Pessoa, um dos nossos especialistas em BD, sobre Prado: nasceu em 1958 em La Coruña (Galiza, Espanha). Publica a sua primeira banda desenhada em 1979, quando ainda estudava arquitectura, no fanzine Xofre. Dois anos mais tarde, colabora na versão espanhola da revista Creepy, iniciando em 1983 uma colaboração regular com a revista Comix Internacional. Nos anos seguintes continua a diversificar colaboração em outras publicações espanholas, como Zona 84, Cairo, Cimoc e El Jueves. Estes trabalhos serão antologiados em álbuns, como é o caso de Quotidiania Delirante e Crónicas Incongruentes.
Além das suas obras mais satíricas, em que procede a uma crítica muito cáustica do quotidiano, o artista realiza em 1987-88 a paródia policial Manuel Montano (O Manancial da Noite) e, num registo mais intimista, Trazo de Tiza-Trait de Craie (1992, Traço de Gis), publicado simultaneamente em Espanha e França.
A partir de 1989 publica histórias de pendor erótico na revista francesa L’Écho des Savanes e ilustra em 1995 Une Lettre Trouvée à Lisbonne (Carta de Lisboa, texto de Éric Sarner). Neste último ano adapta em banda desenhada Pedro e o Lobo.
A partir dos anos 90 o seu trabalho na banda desenhada torna-se mais esparso, coincidindo com a viragem para o cinema de animação e o desenho de personagens animados na televisão. É desde 1998 director do Salão e BD Viñetas desde el Atlântico (La Coruña). Em 2006 realizou De Profundis, a sua primeira longa-metragem de animação.
Carlos Pessoa entrevistou-o. Para ler aqui.
09 maio 2008
O jogo. A bola
A multidão vibrava. O jogo, cheio de ritmo, era empolgante. Mas o batedor imprimiu tal potência na bola que ela zarpou a toda a gáspea em direcção a um fervoroso adepto. Ali estava ele na bancada, com a sua luva de estimação. Ali estava ele a imaginar-se vitorioso.
Eis senão quando a bola se aproxima, zumbindo. A multidão reage em peso. Muitos fecham os olhos. Outros encolhem-se, torcem-se, desviam-se, tentam evitar o embate. Todos, não. Há ali um herói. De pé, boné azul, prepara-se para levar com a bola entre as suas.
Ali está ele com a luva bem chegada a si. Pronto para receber a dádiva.
Um pouco de cultura geral...
Em toda a história da Humanidade, apenas três homens andaram sobre as águas:
- Jesus Cristo.
- Pedro.
- Ivangivaldo Democratas.
Mas quem é Ivangivaldo, pelo amor de Deus ???
(Olha aqui para baixo)
Espartanos do Pior (2008)

Sinopse: O heróico Leónidas, que traz vestido apenas roupa íntima de couro e uma capa, lidera um grupo de 13 esfarrapados Espartanos que têm como missão defender a sua terra natal contra a invasão dos Persas. A tropa inclui o Motoqueiro Fantasma, Rocky Balboa, os Transformers e uma Paris Hilton corcunda… Ninguém está a salvo quando os Espartanos lutam contra os maiores ícones da cultura pop.
Intérpretes: Sean Maguire, Carmen Electra, Ken Davitian
País: EUA
Género: Comédia
Duração: 84 Mins
Trailer Legendado
Página Oficial
Creme de marisco

Ingredientes:
500 gr de camarão
Metade de uma embalagem de delícias do mar
3 colheres de sopa de concentrado de tomate
2 cebolas
2/3 dentes de alho
Azeite q.b.
Sal, pimenta, colorau, piri-piri
Pão torrado
Queijo ralado
Numa sertã, coloca-se um bocadinho de azeite, sal, pimenta, colorau e piri-piri, salteia-se o camarão, acrescenta-se 1 dente de alho picado. Deixa-se 10 minutos em lume brando, retira-se e deixa-se arrefecer.
Descascam-se os camarões, enquanto num tacho se coloca uma boa dose de azeite, as cebolas e os restantes alhos picados, deixa-se refogar, depois acrescentam-se as cascas e cabeças dos camarões, e mistura-se tudo.
Acrescenta-se 1,5 litro de água e a polpa de tomate, e deixa-se cozer durante 30 minutos, depois de desfazer muito bem com a varinha mágica. Passar por um passador fininho (para não deixar ir nada de casca), acrescentar as delícias e os rabos dos camarões, deixar cozer durante 10 minutos e desfazer novamente com a varinha mágica (deve ficar um aveludado). Costumo acrescentar também um bocadinho de peixe cozido para ficar mais espesso.
Colocar no fundo do prato pão torrado e servir o creme. Polvilhar com queijo ralado.
Souflé de espinafres

Ingredientes:
500 ml de molho béchamel
3 ovos
500 gr de espinafres
Cozer os espinafres em água com sal. Após estarem cozidos (não necessita ficarem muito moles), envolver no molho béchamel, adicionar a s 3 gemas e envolver bem. No final adicionar com cuidado as 3 claras batidas em castelo e polvilhar com pão ralado.
08 maio 2008
Australia by portuguese people
Lembram-se da notícia que demos em primeira mão de que a Austrália fora descoberta por portugueses? O Público chegou agora lá. Quase um mês depois. Palmas para nós (de vez em quando temos de ser nós próprios a aplaudir o nosso ego, para fazer de conta que não somos piscas).
Vertigo, de Alfred Hitchcock
São Francisco comemora o 50.º aniversário da estreia mundial de «Vertigo», um dos filmes emblemáticos de Alfred Hitchcock. As críticas iniciais foram péssimas. Mas a pouco e pouco os espectadores foram-se rendendo. Em 2007, o filme, segundo o Instituto de Cinema Americano (AFI), era um dos dez melhores jamais realizados.
O telemóvel e a guerra
Podia ser um joguito, mas não era. Era mesmo a sério. Aconteceu no Afeganistão e foi recebido em terras americanas. Stephen Phillips, de 22 anos, ligou acidentalmente para os seus pais que vivem em Oregon. A gravação não é grande coisa, mesmo assim percebem-se os disparos e gritos e insultos. Os pais não estavam em casa e aquilo ficou no atendedor de chamadas. Quando a mãe lhe pôde ligar de volta e relatou o sucedido, o valente rapaz, envergonhado, pediu encarecidamente que não dissessem nada à avó.
Os americanos são tão nossos amigos 4
Quem não deve não teme, diz-se. Porque será que os americanos querem controlar os estudos? Terão medo que se façam descobertas explosivas? Estarão a tentar ganhar tempo para se verem livres delas? Aqui ficam transcrições do Diário Insular:
Entidades independentes garantem que “os norte-americanos, tendencialmente, protelam a implementação de acções de limpeza nas bases no estrangeiro, mas são céleres na limpeza dos locais existentes no seu território”. (DI, 6 Maio 08)
Trata-se de lamas compostas por hidrocarbonetos, metais pesados e água, que resultam da lavagem dos tanques de combustível que os EUA mantêm na ilha Terceira. Conhecem-se também depósitos de aditivos de chumbo. (DI, 6 Maio 08)
…
Decidido pela autarquia da Praia e pago pelo Governo Regional
EUA impõem condições a investigação do LNEC
…
O presidente do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) recusa qualquer condicionamento por parte das autoridades norte-americanas ao estudo que a entidade venha a realizar sobre a contaminação dos solos e dos aquíferos em redor da Base das Lajes e das tubagens e tanques de combustíveis que operaram naquele concelho. Carlos Matias Ramos recusa também prestar quaisquer provas junto das autoridades norte-americanas relativamente à competência e à credibilidade do LNEC e dos seus técnicos. (DI, 8 Maio 08)
Mais uma pérola made in Maria de Lurdes Rodrigues ministério
Maria de Lurdes Rodrigues dixit: "o sistema de ensino já não é só um sistema de aprendizagem, posto que tem de responder de forma positiva a novas exigências e sinais sociais, em áreas como a saúde, o ambiente e a cidadania".
Andará a dormir ou será que isto é só mais um faz de conta? Faz de conta que está a dizer algo de novo. Faz de conta que os programas das mais diversas disciplinas não contemplam de há uns anos para cá esses sinais sóciais. Faz de conta que não estão eleições à porta.
Curiosa a ênfase na aprendizagem. Talvez queira dizer que saber ler e escrever, saber calcular e reflectir não são os eixos que ambiciona para a escola pública. A notícia não é clara. Fala de escola mais aberta. O que será isso? Partir os tectos e telhados? Partir paredes? Será que a sra. ministra acha que a escola é coutada do PCP? Há frases muito enigmáticas. Isto para não dizer disparatadas. Embora se possa dar o caso de a notícia ter descontextualizado o discurso da sra. Até porque se fala ali de autonomia. Ora se nalguma coisa Lurdes Rodrigues é campeã é precisamente na infantilização do ensino e na destruição intencional da tão propalada autonomia. Imaginam algum patrão a tratar os seus profissionais por qualquercoizecos e vir depois dizer que eles não são autónomos?
Cristina Valadas: Prémio Nacional de Ilustração 2007

A artista plástica Cristina Valadas venceu por unanimidade o Prémio Nacional de Ilustração 2007 pelo trabalho em «O rapaz que sabia acordar a Primavera», com texto de Luísa Dacosta, anunciou hoje a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas.
O júri do prémio decidiu distinguir Cristina Valadas «pela composição gráfica, simultaneamente equilibrada e livre de estereótipos» e pela «leveza e subtileza da vertente pictórica» do conjunto das ilustrações daquela obra, editada em 2007 pela Asa.
07 maio 2008
O novo filme de Pedro Almodóvar
O ornitorrinco

É, provavelmente, um dos animais mais estranhos que existe. Bico de pato, corpo coberto de pêlo, reproduz-se pondo ovos embora seja mamífero. As fêmeas não têm mamilos e as crias sugam o leite materno através dos poros existentes no meio da pelagem da barriga. Quando as crias estão dentro de um ovo, possuem um dente na ponta do bico chamado dente do ovo. Este destina-se a perfurar a casca do ovo. Pouco tempo depois do nascimento este dente cai. Falamos do ornitorrinco, que vive na Austrália e parece não pertencer a nenhum grupo de animais já que se diferencia de todos.
Descobriu-se agora que se trata de uma espécie de transição entre os mamíferos e os répteis. Porque foi agora decifrado o genoma do ornitorrinco.
A necessidade de aparecer
O Bloco de Esquerda tem fé. Acredita na escola. Há quem acredite em OVNIs. As crenças são assim. Quer Educação Sexual nas escolas. A medida é economicamente interessante, pois sempre são uns quantos empregos. Há muita escola e nível de ensino. O problema é que para a coisa ser eficaz sai muito mais barato chegar a acordo com os canais de televisão e dizer o que há para dizer em séries e em spots publicitários. Ou pagar a uma equipa de criativos para criar conteúdos próprios em sites específicos, que os alunos possam visitar em casa, na escola, no clube, seja lá onde for. Quanto ao resto, convenhamos que os horários são já pesados q.b. e que a escola é sempre o reflexo do que a rodeia, a comunidade, a localidade, a região, o país. Ou seja, não faz milagres. Não é por falta de Formação Cívica (disciplina da escola) que os comportamentos e as atitudes dos alunos são melhores ou piores. Chega de demagogia. É tempo de pedagogia.
Angola, take 3
De facto, se há coisa desagradável é, entre lagostins e outros acepipes, ver alguém a falar de miséria, não para puxar à lágrima, mas para apontar o dedo e reclamar acção. A acção de quem fala é precisamente essa: falar. Cabe a políticos e diplomatas arregaçar as mangas e trabalhar. Mas não se acredite que as grandes fortunas de Angola caíram do céu. Ainda por cima quando algumas são de rostos que há décadas gerem os destinos desse país. A distribuição de bens e riquezas é sempre um assunto incómodo. O silêncio é a regra de ouro: queres mamar um pouco, então encosta-te e 'tá caladinho. O povaço, esse, existe para justificar empregos, tachos, fortunas, o que for preciso.
Angola, take 2
Angola reagiu. Como? Largando petardos a torto e a direito, bem ao estilo que caracteriza jardins e demais democratas cujo fito é o desenvolvimento do lugar onde vivem. A gente espreita os lugares e percebe logo quem é que se desenvolve (assim ao jeito de um velho motor de combustão). Adiante. Diz o Jornal de Angola, na Edição Online n.º 2459: «Bob Geldof é verdadeiro, trata-se daquele espertalhaço que fez concertos rock para matar a fome ao mundo, mandou uns bagos de jinguba para África e o resto foi para outros bolsos mais selectos. O BES também é verdadeiro, tem largos interesses económicos em Angola e, pelos vistos, a sua administração gosta de lidar com criminosos. Pinto Balsemão também é verdadeiro, embora adore vender ilusões. A falsidade da notícia está no facto de ter reportado que o embaixador angolano, Assunção dos Anjos, abandonou a sala quando o comediante Bob disse que Angola é governada por criminosos.
Na verdade, o embaixador de Angola em Portugal nem sequer estava na sala. Ninguém de bom-senso perde tempo a ouvir comediantes de quinta categoria, ainda que convidados por banqueiros milionários e o local do espectáculo seja o luxuoso Hotel Pestana de Lisboa.»
Como se vê, enfia a carapuça, ataca o BES e Pinto Balsemão, mas nada diz sobre a riqueza dos seus dirigentes. Não, faz retórica sobre o que estão a fazer. É uma peça exemplar de propaganda, vale a pena lê-la, fala do: «esforço que o Estado Angolano tem vindo a fazer para melhorar as condições de vida das populações, expresso no asssegurar [sic] dos direitos, liberdades e garantias, nos apoios à escolaridade, nos programas escolares de alimentação das crianças carenciadas, nas reconstruções de estradas, hospitais, estações de saneamento e tratamento de águas, entre outras medidas de desenvolvimento sustentado».
06 maio 2008
Morreu a soprano francesa Eliane Manchet
Para ouvir aqui:
Corrupção
Quase dois terços dos processos de corrupção foram arquivados em Portugal, refere um estudo relativo a 2002-2003 hoje divulgado.
Segundo esse estudo, que analisou 449 processos fornecidos pelos serviços do Ministério Público, em termos globais a maioria dos processos de corrupção (55,5 por cento) terminou com arquivamento. Estamos a falar de pequena corrupção. De valores quase sempre irrisórios (tendo em conta os valores divulgados pela notícia).
A corrupção em grande, do género da que ainda recentemente se divulgou num canal de televisão, capaz de lesar o Estado em centenas de milhões de euros, essa passa despercebida. Ou, melhor dizendo, confirma a cegueira da justiça.
«A Justiça não chega à grande corrupção», disse Luís de Sousa, responsável pelo estudo do ISCTE, adiantando que essa passa por transacções sofisticadas de branqueamento de capitais e criminalidade económica e financeira com intervenientes directos e indirectos a nível internacional.
“Angola é gerida por criminosos”

Bob Geldof leva a sério o seu papel de cidadão do mundo. E de quando em quando põe o dedo nalgumas feridas. Desta vez a sorte grande saiu a Angola. Atente-se nas palavras de Geldof, transcritas tal como vêm na edição do jornal “Público”. Os dirigentes angolanos não se devem ter sentido nada bem ao serem informados dos pontos de vista deste músico.
«“Angola é gerida por criminosos”, acusou o organizador do Live Aid e do Live 8, que antes foi também um músico bem sucedido. “As casas mais ricas do mundo do mundo estão na baía de Luanda, são mais caras do que em Chelsea e Park Lane”, apontou, estabelecendo como comparação estes dois bairros luxuosos da capital inglesa.
“Angola tem potencial para ser um dos países mais ricos do mundo”, frisou Geldof, considerando que aquele país africano tem, designadamente, potencial para “influenciar as decisões da China”.
Bob Geldof desferiu o golpe na conferência sobre Desenvolvimento Sustentável organizada pelo Banco Espírito Santo e pelo jornal “Expresso”, dedicando uma intervenção de cerca de vinte minutos ao tema “Fazer a diferença”, no fim da qual o embaixador angolano, Assunção dos Anjos, abandonou a sala.»
05 maio 2008
Livros e papel higiénico
O que é uma livraria? Um espaço onde se vendem livros? Um supermercado de papel? Um lugar de cultura?
Quem tem um negócio quer lucro, não é? Se os autores exigentes não vendem bem, que se há-de fazer? Razão têm as editoras que há muito contratam gente dantes ligada às vendas de produtos de grande consumo, como detergentes. Os livros são produtos, são objectos. E se não há consumidores para tanto génio, há-os para detergentes ou para papel higiénico.
Sendo uma livraria um espaço de negócio há que rentabilizá-lo, há que pôr as editoras a pagar os lugares de destaque. E as editoras pagam, porque também elas vivem de e para o negócio. A cultura é para ricos. Ou para tolos (aqueles que não sendo ricos, nem pouco mais ou menos, desbaratam parte do seu rendimento mensal em livros ou noutros produtos colturais). O resto é o que é.
Os autores, em vez do choradinho da praxe, melhor fariam em ter a coragem de escrever para a gaveta (os que escrevem para si próprios) ou, em querendo vender, fazerem o que fazem os negociantes: prospecção de mercado. Queres disto? Pois aqui o tens.
Hugo Santos, um nome a reter

Hugo Santos presta serviço público neste endereço. A escolha de títulos e de autores a que ele empresta o fôlego de uma leitura pensada e fundamentada, é do melhor que se pode encontrar na net lusa. Hugo Santos sabe do que fala e não está ali para fazer fretes. Os seus pontos de vista são amiúde temperados por uma feroz lucidez. A lucidez tem um preço. Dá-se mais atenção àqueles que passam a vida a carpir frustrações e anseios, ou à meia dúzia que, cheia de si e terrivelmente vazia, perora por aí em blogues ou jornais de referência. E raramente se lembram dos outros. É fácil queixarmo-nos da falta de atenção que temos, mas bastante mais complicado perceber que pouco ou nada temos a dizer. Já Hugo Santos consegue dizer muito em poucas palavras. Uma amostra, do que escreveu sobre A Nossa Necessidade de Consolo É Impossível de Satisfazer, de Stig Dagerman.
«Dagerman atreve-se, aqui, a enfrentar o perigo da melancolia que define certa modernidade, de raízes porventura oitocentistas, finisseculares – «Com amargo prazer desejo ver ruir o que arquitectei e ver-me, eu também, envolto na neve do esquecimento. Mas quê? A depressão é uma boneca russa, e na última boneca estão a faca, a lâmina de barbear, o veneno, as águas profundas e o salto para um grande abismo.» (p.28). Encaminha-se, todavia, de tal maneira despojado nessa direcção – «A vida não é um problema que possa resolver-se dividindo a luz pela escuridão ou os dias pelas noites, mas sim uma viagem imprevisível entre lugares que não existem.» (p.19) – que o seu escrito redunda em avassaladora machadada no nosso conforto e relega-nos para as velhas incertezas, para o campo aberto da desolação, inebriante canto da desolação.»
Sofia Campos Soares: Ensinar português em Zagreb
A nossa língua seduz. O nosso país atrai. Querem provas? Então vejam o que diz Sofia Campos Soares ao PJ:
Josef Sudek (1896-1976)

04 maio 2008
Pobreza em Portugal, o outro lado
Também Fernando Nobre [presidente da Assistência Médica Internacional (AMI)] não prevê que a situação melhore nos próximos tempos, aliás, "só se pode agravar se os juros à habitação continuarem a subir, assim como o petróleo e os cereais. Só espero que os agricultores portugueses reajam e plantem mais cereais, para que Portugal não fique refém do mercado global", apela. Também as instituições internacionais têm de "impor regulamentos para travar o desvario a que temos assistido", conclui.
Crise? Que crise?
Como reagem os pequenos patrões?
Isto se o Governo não cumprir as suas exigências, que vão constar do caderno reinvidicativo que a associação está a preparar e que pretende entregar ao Executivo em Maio.
O presidente da associação, Augusto Morais, disse à «TSF» que em causa está a «redução imediata da despesa pública, boa adequação dos subsídios do QREN para as PME e, simultaneamente, uma flexigurança».
Se estas reivindicações não forem satisfeitas, diz o responsável, as PME têm «um trunfo a seu favor», ou sela, «não criar nem mais um posto de trabalho a partir do mês de Junho».”
Números
Por estes dados percebe-se a importância do comércio e reparação de automóveis na economia portuguesa. O sector reúne quase cem mil empresas, correspondente a perto de um terço do tecido empresarial português. E apesar da liberalização do sector energético, só 199 firmas se dedicam à produção e distribuição de electricidade, gás e água - e muitas serão públicas, na área da distribuição de água.»
Uma esmolinha pròs patrões, coitadinhos
Para ajudar à festa, o país está em crise. E a crise é tanta que há 6 mil (isso mesmo: 6000) gerentes de empresas a ganhar o salário mínimo. Feitos os descontos para a segurança social, restam 343,45 €. Pobres diabos. Como será que sobrevivem? Mais, como podem ter gente a trabalhar nas suas empresas? Elas estão lá e, claro, ganham tanto como o patrão. Outras empresas há em que os patrões recebem apenas mil euros brutos. Descontando irs e segurança social, ficam pelos 800 euros. A crise é lixada. Eu não trabalho no fisco, mas, se trabalhasse, gostava de saber como é que com salários destes há audis, bms, mercedes e outras cilindradas pesadas à mistura.
A democracia à portuguesa faz-se desta maneira. Os que trabalham pagam. Não têm maneira de fugir, excepto se derem uma perninha na economia paralela, para compor a vida e poderem sobreviver. Os que gerem, pobres pobrezinhos, deveriam receber subsídio do Estado. Um Estado que aposta tanto em choques tecnológicos, que cresce acima da média europeia, que tem feito um esforço medonho para esmagar os que trabalham, pode, deve, tem que apoiar os patrões. Eu não sei como se faz, senão punha já uma petição a correr para que o Estado dê subvenções mensais mínimas de 2500 € aos patrões portugueses que vivem no limiar da pobreza. É da mais elementar justiça social. Um país sem patrões não pode avançar. E Portugal, como todos sabemos, está desde a sua fundação no mesmo lugar. É hora de caminharmos em direcção à Finlândia. Bora lá pegar na picareta e separarmo-nos de Espanha. Depois é só pegar em remos e levar isto até à Finlândia. Há lá bastante espaço para atracar o país.
03 maio 2008
A Arte de Viver para a Geração Nova

Os americanos são tão nossos amigos 3
Em 1995 o assunto (da contaminação; da poluição) já deitava cheiro. Que foi feito? Nada. Dez anos depois o assunto fedia. Que foi feito? Nada. Os americanos defendem-se. Seleccionam e filtram a água. De borla. A população local, como é hábito, não foi tida nem achada. Para quê? São meia dúzia de almas ali no meio do mar.
No DI de hoje diz-se «relatórios norte-americanos de 1995 e 1998, (…) dão conta de vastas áreas, dentro e fora da base, contaminadas com hidrocarbonetos. Trabalhadores portugueses confirmam também terem participado em medições de fugas em pipelines, sendo que, conforme referem, as fugas “eram enormes”, mas na altura não foram reparadas.»
Os americanos têm, ou parecem ter, os portugueses na mão. O modo como as autoridades portuguesas tratam o assunto é bem o sinal disso. Diz o senhor André Bradford, representante dos Açores na Comissão de Acompanhamento do Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos, «o Governo açoriano e a autarquia da Praia da Vitória vão avançar com um estudo para apurar o verdadeiro nível de poluição e perceber como ocorreu e, caso se confirme, apurar responsabilidades». Reparem bem como o senhor falar: caso se confirme… Se a coisa está em relatórios americanos!! Trata-se é de deixar cair o assunto em saco roto. Até porque nem o senhor Bradford nem a família dele vivem na Terceira. E o emprego do senhor Bradford é precisamente esse, fazer de conta que o que os açorianos pensam, mormente os terceirenses, encontra eco. E sorte dos americanos e do senhor Bradford, em Portugal as leis são brandas e os movimentos cívicos residuais. Se isto acontecesse em terras do Tio Sam outro galo cantaria e era bem capaz de o Tio Sam ter não só que providenciar à limpeza e tratamento de tudo, como abrir os cordões à bolsa e pagar elevadas maquias de indemnizações aos lesados. É que há gado à volta da base. Há gado a ser contaminado, e não sei se não haverá por aí cancros que estão directamente relacionados com a contaminação dos solos. Quem é das Lajes saberá se o número de cancros tem ou não aumentado nos últimos anos.
02 maio 2008
Frase da semana
«Nunca desejei ter um belo carro ou qualquer outra coisa a não ser eu mesmo. Posso ir para a rua com as mãos nos bolsos e sinto-me um príncipe.»
Albert Cossery
Ana Paula Inácio

a mesa é feia e baixa, a cozinha escura e alta.
a mesa é feia e baixa, a cozinha escura e alta.
e elas? são duas, mulheres, estranhamente longilíneas.
O tampo limpo. Os copos secos. A lâmpada mal enroscada.
A roupa a bater nos vidros.
Batem à porta. Deixa entrar. É só vento. Deixa passar.
amanhã é domingo.
(Vago Pressentimento Azul Por Cima, 2000)
Olímpio Ferreira (1967-2007)

Aqui ficam alguns excertos deste belo livro de homenagem a Olímpio Ferreira
Paulo da Costa Domingos
CARPIR
Vamos lá. Vamos lá sorrir um pouco. A vida
é isto: fugir-nos como areia entre dedos;
versos soltos por uma outra manhã, ou
versos soltos aconchegando um féretro…
(…)
José Mário Silva
O. F.
(…)
ignomínia. Descemos à rua, bebemos
café, fingimos seguir em frente.
(…)
Manuel de Freitas
LES PETITS MOULINS À VENT
(…)
Só a noite pode agora responder.
Vitor Silva Tavares
UM PEDACINHO DE PÃO
(…) Noutro lugar-o-mesmo confessei ter encontrado nele aquela higiene espiritual que alio à pessoa do Zeca Afonso, cá por coisas do estar e do agir – descontadas as circunstâncias históricas e de geração. (…)
E se isto pressupõe literatura, é favor rasgar.
Cantata
01 maio 2008
O comércio, 3 mil anos antes de Cristo

Como eu gostava de ter vivido nessa época. Eu, ali, no meio da bicharada, alforge ao dependuro e um dente de marfim a segurar a ceroula, desculpem, a braga. Ali, à beira mar, a apanhar sol, à espera daqueles feiosos que vinham ora a cavalo, ora de barco para bebermos uns copos e trocarmos umas tralhas. Eles levavam ouro e uns vasos que os bacanos da tribo faziam quando não havia nada para caçar. Ah, nesse tempo… nesse tempo em que tudo era bom, puro, natural. Em que éramos todos irmãos, primos, amigos. Em que ninguém sonhava com o futuro.
O2...O2... isso é coisa aí para oxigénio

O mundo está a ficar mais ameaçador? Ou seremos apenas nós que estamos a ficar mais chatos? Se calhar é uma mistura de coisas. Por um lado, temos mais tecnologia que nos permite estudar o que nos rodeia com maior acuidade. Por outro lado, para termos essa tecnologia necessitamos de níveis de produção, consumo e poluição mais elevados que, por sua vez, contribuem para a degradação do meio ambiente.
Os oceanos estão a perder oxigénio, dizem. Diz um estudo feito por cientistas alemães e norte-americanos analisa a variação da concentração do gás ao longo de mais de quatro décadas, nas regiões tropicais do oceano Atlântico, Índico e Pacífico. E conclui que no Atlântico e no Pacífico existe uma camada de água a profundidades intermédias, com uma baixa concentração de O2, que tem vindo a aumentar de tamanho.
Da constatação passa-se à especulação: «o aquecimento global poderá estar por trás disto: se a temperatura média do mar aumentar, a quantidade de oxigénio solúvel diminui.» Mas os cientistas ainda não têm dados para relacionar os dois fenómenos. “A redução também pode ser causada por processos naturais”.
Pois então, dancemos. Dancemos que a valsa já vai avançada.
A lei da rolha nos Açores
Quando Mota Amaral deixou o Governo Regional, o arquipélago foi varrido por uma sensação de alívio. Era uma espécie de segundo 25 de Abril. Pouco tempo depois, o PS chegava ao poder e, como é da praxe, as pessoas acreditaram. Acreditaram que com eles as coisas seriam diferentes. E ao princípio eram. Os do PS ainda estavam a apalpar terreno. Ainda não conheciam todos os meandros da coisa. Mas os anos passaram e a luta pela manutenção do poder não olha a meios. Tanto que neste momento já se fazem ouvir vozes de protesto. Já há quem diga que o rei vai nu.
O sindicalista Paulo Borges é peremptório: «Os subsídios do Governo Regional estão a “silenciar” a população, os sectores e as vozes que podiam contestar as suas políticas.» E diz mais: «a falta de liberdade que sentimos é enorme.» «Temos colegas que preferem não aparecer, com receio de verem situações da sua vida complicadas».
Pois é, a democracia precisa de rotatividade. Senão dá nisto. Invariavelmente.











4 R - Quarta República









