16 junho 2008

400 milhões para computadores, videovigilância e cartões


Continua a confundir-se maquinaria com tecnologia. A simples presença de computadores na escola não muda nada. É necessário reorientar a forma de pensar, de formar ou de recrutar professores nas áreas do design informático, da programação, da interactividade.

Quem consulta sítios educativos portugueses já verificou a pobreza e a falta de criatividade da coisa. O que está em linha é o que está no papel. Ora um computador não é uma simples máquina de escrever. Falta criatividade. A criatividade exige preparação, formação, dinheiro.

Que o governo dote o parque escolar com maquinaria é da mais elementar justiça social. Embora gastar dinheiro em câmaras de videovigilância seja próprio de novo-rico (as escolas precisam é de mais e melhores auxiliares). Passar disso para a «linha da frente tecnológica» é propaganda rafeira. Para isso é necessário que as escolas tenham liberdade de gerir meios e fundos e que as empresas e organismos estatais cooperem com as escolas. Só assim se poderão traçar algumas metas que, a pouco e pouco, permitam dar um salto para uma outra maneira de pensar a escola.

1 comentário:

Jorge Alves disse...

Contudo, nem sequer é verdade que o ME equipe convenientemente as escolas com as, assim chamadas, novas tecnologias. É só da boca para fora, pois, na realidade, as nossas escolas encontram-se obsoletas, não só sem materiais, como também sem pessoal auxiliar para fazer coisas como ir buscar giz. O ME fala muito em escolas equipadas com computadores, quadros interactivos, mas quando os há, não chegam para nada. Para os usar é necessário uma tal burocracia, que mais vale não o fazer. Quanto ao dizer o ME que os alunos foram ofertados com computadores (no 10º ano), é mentira! Nada lhes foi ofertado, foi-lhes vendido: um portátil por 150€ em troco de um contracto por 3 anos com uma das 3 grandes operadoras, por 13€ ao mês, o que faz com que o computador fique mais do que pago. Terá sido um bom negócio apenas para as operadoras. Mas feitas as contas, os meus alunos não têm computador nenhum, foi tanta a confusão na distribuição que metade ficou sem computador e a outra metade tem-no, mas não funciona ou não está ligado à net.
É mais uma das mentiras do ME e do governo. É só para Inglês ver! Areia nos olhos dos portugueses!