26 dezembro 2009

A criatividade... ou o negócio


Portugal corre o risco de se tornar uma anedota quando o assunto é a literatura. Não acredita? Veja o prémio que o inenarrável José Rodrigues dos Santos acaba de receber de um clube que se chama Clube Literário do Porto.
O Porto foi, em tempos, uma cidade de escritores. Actualmente é uma parvónia cheia de tiques, como todas as parvónias. Como se não bastasse essa coisa que eram os poetas do Porto (meia dúzia de medíocres ligados ao PC), há agora um clube que dá um prémio literário que visa "galardoar o autor que mais criatividade teve no domínio da ficção" ao apresentador do Telejornal.
A mediocridade também é assim, pomposa, cheia de chavões.
Talvez a gentinha desse clube confunda vendas com criatividade. Afinal, para que servem os clubes senão para passear os trapinhos e fazer e conta que se é muito culto?
José Rodrigues dos Santos é muito criativo, ah pois é. Tomara o mundo ter muitos escritores assim. Cada livro dele é uma obra-prima. Nós aqui no Pisca até estamos a pensar em criar uma petição para propor o homem a Prémio Nobel.

4 comentários:

Albino M. disse...

Cum-caraças, eu até concordo com o poste, mas vejo-o estragado com...
uma linha: "poetas do Porto, meia dúzia de medíocres ligados ao PC" (para já, o nome é PCP...).
Estamos a falar de quem? Eugénio de Andrade, Manuel António Pina, Egito Gonçalves, Fernando Echevarria?

geocrusoe disse...

Não li nada dele e portanto não conheço a sua qualidade literária e não é o facto de ser apresentador que lhe dá ou tira a qualidade que tem ou não.
Quanto ao prémio Nobel... bem... pelo que já vi, as academias daquela fundação até já dão prémios de paz a homens que a prometem e na literatura sabe-se que repartem prémios em função de causas políticas e diplomáticas. se fosse sempre pelos melhores escritores, certamente que o Brasil já teria 1 ou mais prémios, Portugal não se limitaria a Saramago e outros países menos influentes também já os tinham na sua sacola.
Portanto, de prémios estamos conversados.
Ainda bem que JRS vende, é sinal que se começa a ler em Portugal, pode não ser a suprema literatura, mas não ficam limitados com certeza ao jornal "A Bola"

pisca de gente disse...

A literatura portuguesa tem muito sainete, lá isso tem. E até daria para encher de sarna uns quantos. Ainda bem que o JSR escreve e vende muito. O único senão é a criatividade ser de segunda ou terceira categoria (cliché atrás de cliché). E o prémio lhe ter sido dado em nome da criatividade.

Poetas do Porto? Mas isso existe? O nosso Albino conhece algum? Eugénio de Andrade é da Beira, o mesmo acontece com M. A. Pina. Egito e Fernando não sabia que eram poetas, mas como escrevem livros como tal classificados são bem capazes de ser. Um vive ou vivia para as Franças, não era? E o outro publicou o que quis numa editora cuja fortuna era ter Eugénio de Andrade. Que não será tão grande poeta como muitos dizem, mas que é, pelo menos, razoável.

euexisto disse...

O José Rodrigues dos Santos se não tivesse o mediatismo que tem era um zé ninguém e considerado medíocre unanimemente.