21 novembro 2011

Passos Coelho garante que não vai mexer nos salários

mas nas garantias dele já ninguém acredita. Pois garantiu a uma criança, olhos nos olhos, que era mentira que ia cortar os subsídios de férias e de natal. E foi o que se viu.
Talvez seja mesmo melhor dar como certo que o governo tem em movimento um projecto de redução de salários.
Quem assinou contratos expectando um determinado percurso salarial pode pedir aos bancos o favor de remeter as contas para Passos Coelho, Vítor Gaspar e Hélder Rosalino.

Em política o que parece é

Os portugueses, gente desconfiada mas crente, ainda supõe que o governo está a fazer tudo o que pode para nos tirar da crise.
Ainda não perceberam que o governo está a fazer mais do que era suposto fazer, a pretexto da crise, ao mesmo tempo que dá prémios aos mais gastadores.
Ora veja-se: o governo vai alterar o Orçamento de Estado de 2012 e propor uma alteração que dará mais dinheiro à Região Autónoma da Madeira e menos à Região Autónoma dos Açores.
A Madeira, como é público, contribuiu para o corte dos subsídios dos funcionários públicos, para a subida do IVA nos restaurantes, na água engarrafada e noutros produtos.
Mas nada disso importa, pois, vai receber mais dinheiro. E pode, portanto, começar já a esbanjá-lo: o Governo Regional da Madeira vai gastar mais de três milhões de euros nas iluminações decorativas de Natal e no fogo-de-artifício do fim do Ano.
E também daí não virá mal ao país, pois o governo já sabe onde vai buscar dinheiro. Basta mudar as tabelas salariais do sector público até ao final de 2012, a pretexto de "ajustar para os níveis de mercado as remunerações praticadas relativamente a outros grupos, relativamente aos quais a administração pública poderá eventualmente estar a pagar acima do que é a prática do mercado".
O governo conta com a anestesia dos seus concidadãos e com a crença que ainda vigora.
Quando os portugueses acordarem da letargia verão um país onde o número de pobres subiu exponencialmente e ricos cada vez mais ricos, numa clara política de distribuição de riqueza que tem estado a ser levada a cabo pelo governo PSD/CDS.

19 novembro 2011

A dívida do PSD

O passivo do PSD nacional, em 31 de Dezembro de 2008, era de 10,5 milhões. Quase metade (4,7 milhões) das dívidas do partido a instituições bancárias foram contraídas pela Madeira, neste caso maioritariamente junto do BANIF (3,4 milhões).
Passaram 3 anos e as contas do PSD Madeira devem estar piores. Já as do PSD nacional devem estar melhores. Quando o PSD sair do poder vamos ver como estão os números. É que mesmo com crise, o passivo vai sofrer mudanças significativas e não me espantaria que houvesse já muito dinheiro em saldo - afinal quem paga é o contribuinte e o funcionário público (que paga a dobrar).

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Para memória futura


Passos Coelho garante hoje a pés juntos: "Não podemos acrescentar ao défice". Desse modo justifica o corte do 13.º e 14.º mês aos funcionários públicos.
Segundo o Bloco de Esquerda há medidas que poderiam arrecadar 2 mil milhões de euros ao Estado: uma taxa de 0,6 por cento para fortunas superiores a um milhão de euros e uma taxa de um por cento para fortunas superiores a três milhões de euros (renderia mil milhões) e uma taxa sobre as mais valias urbanísticas geraria outros mil milhões.
Vamos ver como ficam as coisas. E sobretudo ver como é que Passos Coelho vai justificar o aumento do défice. Porque parece certo que ele vai subir (fruto da recessão).

Repare-se no que Passos Coelho diz aos jotinhas

Num discurso que parafraseia o yes we can de Obama, Passos Coelho tenta dar a volta ao pessimismo dos jotinhas dizendo-lhes que "à medida que formos ganhando a confiança daqueles com quem fizemos estes contratos, eles próprios se irão convencendo que nós não precisamos de ser aqui uma espécie de protectorado onde nos dão as ordens e as indicações sobre o que devemos e como devemos fazer". Às crianças não se mente. Usa-se um discurso enviesado que confirma aquilo que já todos sabíamos: quem governa Portugal é a troika.

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Os católicos portugueses acham que Passos Coelho não cumpre o que promete

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP, instituição da Igreja Católica) afirma que a governação dos últimos meses não corresponde ao discurso proferido pelo primeiro-ministro na apresentação do programa do Governo. Mais: a acção governativa tem-se ocupado, nos últimos meses, quase exclusivamente do défice orçamental e da dívida. Comentários sobre os outros objectivos - crescimento, emprego, equidade, bem-estar humano - são passageiros, quando existem.

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18 novembro 2011

Um estudo de mercado

Há notícias cirúrgicas. Surgem no momento certo. Até porque se trata de espalhar uma mensagem. Esta pretende mostrar que não vale a pena protestar porque quem governa é a luz e as luzes sabem sempre tudo. São os mensageiros da palavra divina na terra. Mensageiros do mercado, claro.

Aqui fica a súmula da notícia:
«Estudo revela que portugueses acham a austeridade um mal necessário

Os portugueses consideram que as medidas previstas no Orçamento do Estado para o próximo ano agravam a sua situação financeira, mas reconhecem a razoabilidade das mesmas face à actual situação do país.»

Democracia?

«Manuela Ferreira Leite escandalizou com os seis meses de suspensão da democracia. Seis meses? Upa, upa! A democracia enquanto tal está suspensa até ver. Por cá, na Grécia, em Itália, e no que está para vir.» Raul Vaz

17 novembro 2011

Do orgasmo feminino

Barry Komisaruk, investigador da Universidade de Rutgers, nos EUA, gravou as imagens da ressonância magnética feita ao cérebro de uma mulher, enquanto esta se auto-estimulava. E verificou que durante o orgasmo feminino são activadas praticamente todas as zonas cerebrais importantes.
As imagens mostram que a primeira área cerebral a ser activada, logo no início, é o córtex sensorial. A seguir, a actividade alarga-se ao sistema límbico, unidade cerebral responsável pelas emoções. Quando a mulher está prestes a atingir o clímax, a acção concentra-se no cerebelo e no córtex frontal, associado ao movimento de mãos e da face. No ponto alto, a actividade circunscreve-se ao hipotálamo, que liberta oxitocina, hormona responsável pelas sensações de prazer.
Já se sabia que a estimulação da vagina, do colo do útero e do clítoris activa três locais distintos e separados no córtex sensorial. E que a auto-estimulação do mamilo não só activa a região do córtex sensorial que esperávamos, como também activa as mesmas zonas que a região genital, o que explica por que é que algumas mulheres podem ter orgasmos através da estimulação da área mamária.

O vídeo pode ser visto aqui.

Um país que fica bem no postal


Com bacalhau e nada mais, a não ser paisagem. E golfe. Golfa-se muito e é barato. De resto vende-se como sendo bom para namorar (embora os gays pareçam excluídos dos vídeos de promoção, mesmo sendo clientes ricos) e com uns arremedos de arte (que daqui a pouco estarão reduzidos a escombros, depois do meritório trabalho de Francisco José Viegas em prol do livro-lixo), Portugal é vendido como um lugar de natureza intocável (mentir aos que cá vêm não é fazer com que nunca mais voltem?).
São campanhas, senhor, não passam disso, não vos zangueis. Portugal é de facto um imenso tédio quando envolto em plástico.

O jeito que as crises dão


Com passinhos de lã, o governo vai tentando levar a água ao seu moinho, exaurindo os solos, qual praga de eucaliptos, para que todos agradeçam a pouca água que lhes calhar em sorte. As vítimas serão, agora, os mais velhos.
O governo não gosta de velhos. Quer que os empresários os ponham a andar das empresas. São um empecilho para o Estado - ganham mais, pagam mais impostos e o Estado não quer que isso aconteça. É preciso americanizar isto tudo: pagar menos aos mais novos que produzem mais.
A protecção no trabalho tem os dias contados por vontade do PSD e do CDS/PP.
A retórica é sempre pelo lado da competência, da viabilidade e de outros méritos com que convém acenar para ir criando divisões e se poder reinar. Na prática, a ser criada a tal lei, os mais velhos que se acautelem, chegam aos quarentas e ala, borda fora. Como nessa meia idade é difícilimo arranjar emprego, sugere-se que os primeiros a virem para a rua criem empresas de suicídio assistido, pois os cidadãos tornar-se-ão desnecessários.
Que belo país o nosso.

Pelo preço de um leve dois e pague três

Estamos no primeiro pacote made in Troika e já o nosso Gasparzinho, qual pequeno fantasma, prepara a próxima partida. O novo assalto ao bolso de quem trabalha será já no próximo ano: “como mostra o Orçamento do Estado para 2012 é possível ter de tomar medidas adicionais muito consideráveis para assegurar os objectivos do programa”.
Repare-se que ele não diz que Portugal precisa de crescer para poder pagar. Não. Ele apenas sublinha nesse tom neutro que vêm aí mais cortes. E como de "gorduras" já ninguém fala (os jobs continuam, as mordomias permanecem, os interesses subsistem) percebe-se que o governo vai pôr a função pública a pão e água e o resto dos tugas não vai ficar melhor.
A pressão da austeridade sobre o Estado e os contribuintes vai continuar bem além de 2012 e do final do primeiro programa da troika.
Primeiro porque Portugal já trabalha para pedir um segundo, decidido antes das eleições, altura em que haverá momento para uma pequena folga para se voltar a ganhar eleições e continuar com os "ajustamentos muito difíceis".
O governo já usa a táctica comercial do gratuito por N euros (78 mil mais 28 mil milhões, a que se juntam juros e comissões).

A pouco e pouco expõem-se as aldrabices de certos economistas

«A ideologia reinante desde há séculos não muda. No futebol interessa quem gere a arbitragem. Na política só importa quem tem o poder da informação. Portugal é um país sempre à espera de que o Estado pastoreie as almas. Ou controlando a informação, ou tornando-a inofensiva.

O pretenso liberalismo de alguns é um estalinismo doce e crocante. As declarações de João Duque, regente de um documento que é elaborado repositório de frases feitas, são típicas de quem acha que o liberalismo é bom enquanto não se comanda o Estado. Quando se tem o poder, tudo deve ser ministrado a conta-gotas aos cidadãos.»

Fernando Sobral

Fala Helena Garrido

«Sem atacar a falta de concorrência, sem reduzir o poder dos grupos de pressão, sem haver justiça, nunca haverá mais crescimento. Teremos apenas mais empobrecimento. E um enorme risco de revolta.

O que se fez até agora para cumprir os objectivos da troika era aquilo que se tinha de fazer. Porque tudo o resto leva mais tempo. Mas, a partir de agora, é preciso acabar com o que efectivamente condenou Portugal ao colapso financeiro. É preciso criar, de facto, um mercado e acabar com a exploração de rendas, com os abusos de posição dominante e com a cultura (e realidade) geral de impunidade para quem tenha os amigos certos.

Políticas de crescimento ou agendas de transformação não são, como parece ser o entendimento de alguns, pacotes de subsídios a empresas. São medidas que expõem sectores como a energia, as telecomunicações e a grande distribuição a uma efectiva concorrência e sem acesso a favores do Estado. São decisões que não cedem ao poder de influência de um sistema financeiro mal habituado. São iniciativas muito para além do que exige a troika na justiça.

É toda esta nova actuação dos poderes públicos em defesa do interesse dos portugueses que é preciso acelerar. Umas estão previstas no Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF), outras não e devem ser assumidas pelo Governo como prioritárias.»

Fonte

Como os economistas adoram o desemprego

«Ainda é muito cedo para abrir garrafas de champanhe mas, para já, Portugal está a cumprir a sua parte, com enormes sacrifícios económicos e sociais. Os números do desemprego ontem conhecidos são mais uma prova. É com este tipo de avaliações positivas que Portugal reconquistará a credibilidade internacional, imprescindível para voltar aos mercados financeiros daqui a dois anos.» Bruno Proença

Como se dá a volta aos números

Relvas fala em 50 milhões. Ruas fala em 102 milhões.
O governo diz que vai cortar 240 milhões nos subsídios de férias e de Natal das autarquias. A Associação Nacional de Municípios diz que não, que o corte será apenas de 146 milhões de euros.
Assim anda o país alegremente a acreditar no que o governo diz.

Dívidas públicas

Dizia-se e ainda se diz que o problema de Portugal é ter vivido acima das suas possibilidades.
Vai-se ver e a Inglaterra vive astronomicamente acima das suas possibilidades. A França idem. A Alemanha aspas.
A maior parte dos países europeus são grandes gastadores. Já os EUA não ficam atrás.
Exemplo parece ser a China. Os salários são miseráveis. Os horários de trabalho correspondem aos dos escravos. Os lucros dos capitalistas do país são colossais. A população continua a emigrar massivamente.
Deve ser este o modelo que pretendem aplicar por cá.

Fala Belmiro de Azevedo

"O problema de Portugal não é um plano de austeridade, mas saber para onde vamos a seguir".
"Não se vislumbra uma estratégia que potencie o crescimento para uma verdadeira competitividade das empresas".
"Maior deve ser a desilusão do país" perante a falta de políticas estruturais de lançamento da economia.
Os "políticos são frágeis" e "facilmente substituídos em movimentos pouco democráticos".

Com a contundência que é lhe é própria BA põe o dedo nalgumas feridas. E diz, para quem o quiser ouvir, que este governo tem falta de gente capaz. Capaz de nos tirar da crise. Capaz de nos fazer crescer economicamente.

Para que a Madeira permaneça igual a si mesma

O porta-voz dos Assuntos Económicos da Comissão Europeia, Amadeu Altafaj Tardio, afirmou que os contribuintes portugueses vão pagar o "sério desvio" financeiro da Madeira.
Ele já sabe que o tio Alberto João encontrou maneira de Passos Coelho e o seu estimado ministro das finanças darem a volta à coisa de maneira a que haja mais cortes salariais para que a Madeira possa continuar o seu louvável trabalho em prol da da democracia e do rigor das contas públicas.

16 novembro 2011

Maneiras de ludibriar

Fala André Freire, politólogo: «Desde que ascendeu à liderança do PSD e até às legislativas de 2011, Passos Coelho disse sempre que não cortaria salários e subsídios, cortaria sobretudo as "gorduras do Estado". A verdade é que se propõe agora renovar o corte nos salários (acima de 1500 euros) dos funcionários públicos (FP), entre 5 e 10 por cento, e ainda os subsídios de férias e de Natal a FP e pensionistas, 2012-2013. Tais cortes contrariam os programas eleitorais de PSD e CDS e o acordo com a troika (PAEF). Mais: o corte com as despesas com pessoal é o quádruplo do exigido (de 0,4 para 1,6 por cento do PIB) (Nicolau Santos, Expresso, 22/10/11); nas "gorduras do Estado" a redução é de 89 milhões de euros, quando se previam 500 milhões, e o corte nas transferências para as regiões e municípios é de 8,3 milhões, quando se previam 150 milhões (Paulo T. Pereira, PÚBLICO, 13/11/11). Portanto, em matéria de salários e subsídios o Governo vai contra os compromissos assumidos com os portugueses e a troika; pelo contrário, no que se tinha comprometido a fazer ("gorduras do Estado"; transferências para as autarquias) fica muito aquém do prometido e do PAEF.»

«O Governo alega que corta só nos salários dos FP e nas pensões, porque se comprometeu a cortar prioritariamente "na despesa". Porém, por um lado, apenas formalmente se trata de "cortes na despesa": "É sabido por todos que a redução dos salários ou pensões a grupos específicos é um imposto." (Cavaco Silva, citado em DN, 19/10/2011; idem Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, 13/11/11.) Por outro lado, o Governo tem violado, e/ou renegociado, vários compromissos com a troika naquilo que lhe convém ideologicamente ou a que não é capaz de resistir por pressão dos lobbies.»

»As medidas de cortes de salários e de subsídios, bem como o grosso das medidas restritivas no OE afectam sobretudo os assalariados e deixam de fora as empresas e os seus accionistas, ferindo assim a "universalidade" e a "igualdade". Mais, enquanto no caso dos rendimentos do trabalho o Governo é muito escrupuloso no cumprimento do PAEF, no tratamento da evasão fiscal e dos rendimentos de capital é laxista. "O Governo renegociou com a troika um regime mais favorável para abater lucros com prejuízos", aumentando o prazo de três para cinco anos (PÚBLICO, 18/10/11), quando se sabe que, entre 1997 e 2007, cerca de 30 a 40 por cento das empresas não pagaram IRC sobretudo por causa deste expediente (PÚBLICO, 9/8/10). Ao contrário do prometido, o Governo recuou no corte das isenções fiscais e na tributação de dividendos na Madeira (jornal i, 1/11/11). Contrariando um parecer do Centro de Estudos Fiscais, o Governo despachou sobre a tributação de dividendos no sentido de "permitir a isenção fiscal de milhões de euros" (PÚBLICO, 6/11/11 e 14/11/11).»