03 fevereiro 2009

A normalidade

Um professor, normal, que corre para entregar com normalidade
os seus objectivos normais
seguido por uma horda anormal de imitadores

Claro, claro que sim. Se não é branco, é preto. Ou se calhar é cinzento... Bem, tanto faz. O que importa é que o ministério diz que sim. E se o ministério diz quem somos nós para pôr em dúvida. A frase até tem o seu encanto: "O padrão de normalidade neste momento é [os professores] terem entregue [os objectivos individuais]", afirmou o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, em declarações à Lusa. Logo, o padrão de anormalidade é não o terem feito.

E assim vão as coisas, normais. E quando a normalidade é normal tudo está bem em Portugal.

02 fevereiro 2009

Trineto de canibais ou apenas mero acto reflexo?


Um chavaleco com dez anitos não esteve com meias medidas, viu o braço da stora de Inglês e vai daí arreganhou a dentadura... não para lhe mostrar o lindo dente novo que acabara de romper, mas para fazer uso dos queixos e trilhar a pele e o músculo da senhora.
O puto anda no 5.º ano, numa escola de Faro. E tudo aconteceu numa aula de Estudo Acompanhado. Um dessas áreas que alguém achou por bem introduzir nos currícula da criançada, pois se há coisa de que eles sentiam falta era de quem lhes acompanhasse o estudo. E já começamos a perceber porquê.
Vejamos o relato dos acontecimentos: "É um aluno que tem um historial de desestabilização em várias aulas, que estava a comportar-se mal. Quando pedi para me dar a caderneta para enviar um recado ao encarregado de educação atirou-a contra mim, mas caiu no chão. Depois começou a atirar coisas para o chão e aos pontapés a elas", disse a stora Ana.
Como era uma aula de Estudo Acompanhado, estava no local a directora de turma do aluno, que interveio e pediu ao menor para apanhar os objectos do chão, "um dos quais uma folha de papel que amarrotou e atirou" contra uma colega. Entretanto tocou a campainha para o intervalo e a directora de turma decidiu castigar o aluno, não lhe permitindo sair da sala de aula, tendo ficado vigiado por uma empregada. Quando as docentes saíram, começaram a ouvir barulho causado por pontapés que ele estava a dar nas mesas e cadeiras. "O aluno fugiu depois da sala de aula, mas a directora de turma interceptou-o e agarrou-o por um braço para o levar ao Conselho Executivo. Quando chegou às escadas, agarrou-se ao corrimão e foi aí que achei que devia intervir, retirando-lhe a outra mão do corrimão. Quando se sentiu impotente com os dois braços agarrados, mordeu-me por cima de um casaco de cabedal e ainda hoje tenho uma nódoa roxa no braço". A directora de turma chamou à escola a encarregada de educação, que é representante dos encarregados de educação da turma do filho. "Ela faz muita fé no miúdo, que mente, e acusou-nos de perseguirmos o filho, mas quando entrei na sala e o confrontei, ela percebeu que as coisas eram a sério", acrescentou.
Como se pode verificar: a mãe do chavalo começou logo por pôr em causa aquilo que dizia a stora, pois o que os stores mais fazem é inventar, razão pela qual existem escolas, para todos serem cientistas, inventores ou outros génios.
E assim vai a escola e os papás. Giro, não é?

Canibalismo em Lisboa no ano da graça de 1755


Numa notícia com o apelativo título de O SISMO DE 1755 CONTADO PELOS OSSOS DAS VÍTIMAS, podemos ver as descobertas e/ou ilações dos investigadores. Vejamos algumas dessas histórias que podiam ter sido escritas por Lovecraft, yal como as grafou Pedro Sousa Tavares, no DN: «Durante alguns minutos de terror, o assassino golpeou-lhe repetidamente o crânio, sem a matar, para que falasse. Procurava ouro e prata, ou alimentos escondidos, igualmente valiosos nos dias de anarquia que se seguiram àquela manhã de 1 de Novembro de 1755, dia de Todos os Santos.
Talvez tenham ouvido os seus gritos, antes do golpe na fronte que lhe acabou com a vida aos trinta e poucos anos. Mas, depois do terramoto, das ondas de seis metros que varreram a zona ribeirinha, e das chamas que consumiram grande parte de Lisboa, quem não morrera ou fugira já só pensava na própria sobrevivência.
A história da sua morte violenta teria sido apagada sem rasto. Tal como a de muitos outros crânios com sinais evidentes de agressão, incluindo, num caso, uma marca de bala esférica. Ou ainda a surpreendente revelação de um fémur com cuidadosos cortes de uma grande faca, prova "irrefutável" de que a fome levou alguns ao recurso extremo do canibalismo.»
Local do crime: a Academia de Ciências. Ah, sim, agora (desde 1836) é isso, mas ao tempo era o Convento franciscano de Nossa Senhora de Jesus.
Misturados com terra e restos de animais, encontram-se ali ossos dispersos de centenas ou mesmo milhares de indivíduos. Sepultaras falantes. Diz um dos investigadores: "Sabemos que houve violência, enquanto não foi possível restaurar a ordem, com o recurso a julgamentos sumários e mais de 40 enforcamentos."
Descarnação e canibalismo, juntamente com crânios literalmente rebentados por temperaturas que terão chegado aos mil graus. E mais. Há quem veja no ossário uma janela sobre as doenças, as carências, o quotidiano de toda uma geração que viveu há 250 anos.
Objectos, como cerâmicas, restos de vestuário, amuletos, medalhas e moedas - algumas, de prata, com alterações cloretadas, sugestivas de que os corpos poderão ter estado em contacto com água salgada - têm também revelado importantes pistas sobre a sociedade da época.

01 fevereiro 2009

Martha Rosler, uma artista americana




Martha Rosler nasceu na cidade de Nova Iorque, em 1943. Antes de saber o que queria ser, pensou em roubar bancos, porque queria fazer algo arriscado. Como roubar bancos era demasiado arriscado, tornou-se artista.
Pioneira no uso do vídeo, fez da fronteira entre a arte visual e a arte da linguagem o seu campo de acção. Performance, fotografia, escrita são as áreas de eleição, quase sempre para questionar as estruturas de poder do género.
Enquanto professora, crítica e artista Martha reflectiu sobre a Guerra do Vietname, sobre a ocupação do Chile, sobre a guerra do Iraque e, claro, sobre o papel da mulher na contemporaneidade.


31 janeiro 2009

Para quem gosta de brincar com o futuro



Basta ter uma foto do rosto, descarregá-la no The face of the future, escolher o género e a idade e aguardar.

Natalie Imbruglia - Três canções



Natalie Imbruglia - Glorious - Shiver - Smoke


The Stranglers - Golden Brown

John Martyn (1948–2009)

John Martyn & Danny Thompson - Couldn't Love You More

John Martyn - May You Never

Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço


Quem já teve que trabalhar com instituições ou empresas sabe como há dois discursos: o da lei e o do que se pode fazer. A lei é a lei e lá está. Aos negócios compete-lhes encontrar maneiras de ir adiante, seja por cima, seja pelo meio, seja sob a lei.

A política é a arte (e manha) de chegar ao poder e o conservar. Para tanto é necessária uma amplitude mental que permita viver em paz consigo mesmo, não obstante a constante necessidade de ser um fora-da-lei.

Ser um fora-da-lei que assalta uma bomba de gasolina ou uma loja e rouba meia dúzia de euros é um grande crime, pois cria insegurança na maralha. Já ser um fora-da-lei que lesa o erário em milhões dá direito a prémio, a estátua, senão mesmo a nome de rua. E ao apreço de uma parte da maralha.

Outrora era assim. Agora é assim. E certamente assim continuará. Embora o amanhã não interesse a ninguém, pois estamos todos muito imbuídos de actualidade, de presente.

Os negócios do senhor Pinto de Sousa são os negócios do senhor Pinto de Sousa. O único senão desse excelentíssimo primeiro-ministro foi ter saltado para os holofotes mascarado de justiceiro. Cortava aos pobres para dar aos ricos. Agora vem a público o seu estatuto de pobre, de pobre que se tornou rico. Que chatice!

A culpa é da oposição. A oposição, cansada de ser o bombo da festa, deu com a língua nos dentes. oposição está bem infiltrada e descobre coisas do arco da velha.

30 janeiro 2009

Olé


Em 2007, realizaram-se em Portugal 27.650 espectáculos ao vivo. 9,8 milhões de pessoas disseram presente!
O teatro é o domínio com maior oferta, com 12012 sessões - 43,4 por cento do total -, logo seguido pela música ligeira (5660) e pela música erudita (2261).
Já em número de espectadores, a música ligeira, com quase seis milhões de espectadores anuais, ultrapassa de longe o teatro, que ainda assim atrai anualmente às salas perto de 1,8 milhões de pessoas, mais do que o triplo das que assistem a concertos de música erudita.
Nas receitas geradas por espectáculos ao vivo, a música ligeira contribui também com a parte de leão, tendo rendido, em 2007, quase 30 milhões de euros. Segue-se o teatro, com 10,5 milhões, e a tauromaquia, que, em apenas 190 sessões, registou quase 300 mil espectadores e rendeu mais de cinco milhões de euros.
E apetece perguntar: Onde está o Wally? Pois é tudo tão óbvio, tão previsível. A única novidade está nas touradas: que se revelam, de longe, a actividade com maior proficiência económica. Cento e noventa espectáculos renderam 5 milhões, enquanto para a música ligeira foram necessários cinco seiscentos e sessenta espectáculos para... 30 milhões.
O título bem podia ser: Tourada rende muito mais do que a música.
Outro dado a ter em conta é o número de visitantes de museus (incluindo zoos, jardins botânicos e aquários) é superior ao do público de espectáculos - em mais cem mil indivíduos. O circuito das galerias de arte também dá cartas: mobilizou quase sete milhões de visitantes.
Assim, se se pensar no dinheiro que as autarquias gastam com espectáculos musicais e o que gastam com museus, verificar-se-á a mentira de muito do que se diz por aí. E fica-se também com uma ideia de quão grunhos são vereadores da cultura e assessoras da área.

29 janeiro 2009

Os fugitivos

A polícia neozelandesa conseguiu capturar dois fugitivos com a ajuda de um poste. Durante a fuga, os prisioneiros esqueceram-se que estavam algemados um ao outro e tentaram passar pelo poste, um ao lado do outro.


Começa a ser demais


E tudo o que é demais enjoa. Fundamentar estudos médicos científicos em inquéritos cheira-me a magia ou a mentira, mais do que a ciência. Porque com inquéritos parece-me pouco provável que se possa despitar um conjunto de variáveis onde estão coisas tão comezinhas como a imagem que cada um tem de si, aquilo que considera relevante ou irrelevante, a percepção que tem de termos científicos e do seu significado, etc.

Não nenhum problema com a asserção: A ansiedade não dificulta uma gravidez por fertilização in vitro. Mas o que leio dá-me vontade de rir. «Uma investigação holandesa arrisca desmontar esta ideia com um trabalho baseado num questionário realizado a 400 mulheres».

Entre esta ciência e as provas da Santa Madre Inquisição parece-me haver algumas semelhanças. Talvez isso queira dizer que a Inquisição era um corpo de investigação científica, que tinha as provas, os conhecimentos, as conclusões logo no princípio. O resto era apenas uma encenação para passar o tempo.

O espírito da lei

As leis são redigidas com certos pressupostos. Os fundamentos que as sustentam podem estar errados (e muitas vezes estão), mas para que se chegue a essa conclusão há que esbarrar contra dezenas de casos caricatos.
Para lá das questões partidárias e das mil maneiras de ganhar a vida á custa do erário público, interessa-nos os impedimentos que a lei coloca a quem está em investigação. É como se investigar fosse uma doença que obrigasse as pessoas a ficar de quarentena.
O legislador, imbuído do lusitano espírito missionário, quis evitar abusos (logo ele, que mora numa casa cheia deles - se calhar por isso mesmo, castigando outros, alivia a sua consciência) e vai daí toca a criar barreiras e a evitar opções. O que acaba por redundar nisto: até os juízes infringem (e de que maneira!). A lei é dura? Não. A lei é feita para manter as maiorias nos seus covis. De resto, a lei é macia e tem muitas frestas por onde passam cáfilas e mais cáfilas.

28 janeiro 2009

The Printed Blog



Chicago e São Francisco vão acordar amanhã com um novo jornal: "The Printed Blog" (O Blogue Impresso). Sim, é isso mesmo, uma selecção de posts passados para papel, com o mesmo formato da net e a mesma aparência gráfica e apenas três ou quatro páginas.
A iniciativa pertence a Joshua Karp, de Chicago, que idealizou um periódico gratuito feito com o material de diferentes blogues e financiado por publicidade local.
Por agora, "The Printed Blog" apenas será editado em Chicago e em São Francisco. Karp espera conseguir ter uma edição em cada grande cidade americana.
Com periodicidade semanal, seleccionará conteúdos de 300 blogues, com quem já foi estabelecido contrato, não só para a reprodução de posts como para poderem beneficiar de uma percentagem da publicidade.
"The Printed Blog" deseja ter sucesso e poder sair diariamente para a rua, podendo mesmo vir a ter várias edições num só dia. Tudo vai depender da adesão dos leitores.
Além da edição em papel, há tambem uma página web, http://www.theprintedblog.com/, na qual poderão os leitores deixar sugestões e recomendar blogues.
Aos editores do jornal cabe-lhes escolher os posts que possam chegar a diferentes públicos alvo, estando já no ar a possibilidade de edições específicas por bairros ou outras.


Fontes: El País e NYT

Sexo e dinheiro


notícias quase tão disparatadas como as fontes que lhes deram origem. Nos últimos tempos têm sido às dúzias. São estudos quase sempre pontuais, de quem tem que apresentar serviço e arrisca hipóteses que os jornais transformam em conclusões.

Uma das mais recentes é esta: Os homens considerados ricos pelas suas parceiras proporcionam mais prazer às mulheres durante as relações sexuais, concluiu um estudo recém-publicado por dois cientistas da Universidade de Newcastle, em Inglaterra.
Segundo o estudo, a percepção da mulher do nível de riqueza do parceiro influencia a capacidade de atingir o orgasmo. Os cientistas defendem que, quanto maior os rendimentos do parceiro, maior será o prazer das mulheres. (...) Entre vários factores identificados como influenciadores na frequência de orgasmos pelas mulheres, a riqueza do parceiro foi a mais determinante.

Há quem ponha o sol à frente da peneira e faça disso um exercício científico.

A ambição pode sair-te cara mas é tão humana como o amor ou o ódio

La increíble historia del hombre sin sombra é uma curta-metragem de desenho animado, da autoria de José Esteban Alenda.


27 janeiro 2009

Razões


Hoje foi o dilúvio, ficamos com o cérebro empapado de água e os motores recusaram-se a funcionar. Resultado: só agora conseguimos aquecer uma pequena bateria. A luz, débil, não permite ir muito longe e os chamamentos doce do leito (chamar isto à cama sabe mesmo bem) vão-nos resgatar deste banco duro e escanado que temos diante de teclado e monitor.
Como não estamos para rodeos, vamos até Vale disso mesmo e até amanhã camaradas (hum, este termos, não sei se soa bem; por um lado é demasiado carmim, por outro tem qualquer coisa de bolorento, de deslavado, mas, à falta de energia, contentamo-nos com isso).

John Updike e os Açores (brevemente)


Gostava das ilhas, passou por aqui feito velejador, deixou umas coisas escritas sobre isso. Daqui a uns tempos, lá mais para o Verão, contamos transcever alguns desses textos .

Por ora digamos que John Updike nasceu no dia 18 de Março de 1932 e que morreu dia 27 de Janeiro de 2009. Ainda viu Obama como presidente.