11 dezembro 2008

O fim das borboletas


Teme-se que as mudanças climáticas provoquem grandes alterações no habitat das espécies. A ordem dos Lepidoptera (borboletas) pode ser das primeiras a reagir. As borboletas da Europa podem ter de fugir para Norte por causa do calor.

Segundo Josef Settele, principal autor do Climatic Risk Atlas of European Butterflies, a maioria das espécies vai ter de alterar radicalmente a sua distribuição. A forma como as borboletas mudam vai indicar a possível resposta de muitos outros insectos, que em conjunto totalizam dois terços de todas as espécies.

As borboletas têm vindo a ser ameaçadas por uma fragmentação progressiva das áreas onde vivem e pela introdução de monoculturas. Se forem obrigadas a fugir do seu habitat, ninguém sabe se conseguirão encontrar novos locais para colonizar, até porque muitas alimentam-se de uma única espécie vegetal.O desaparecimento destes insectos pode ter um grande impacte no ecossistema. As borboletas são importantes na cadeia alimentar, são o alimento de morcegos e de aves e são excelentes polinizadores. Se desaparecerem, a polinização pode diminuir, o que afectará o homem.

Os investigadores projectaram dois cenários. O pior, que conta com uma subida da temperatura média da Europa de 4,1 graus em 2080, prevê que 95 por cento da terra que actualmente está ocupada por 70 borboletas diferentes vai tornar -se demasiado quente para estas espécies. O cenário menos radical, com uma subida da temperatura de 2,4 graus, prevê que metade das áreas onde vivem 147 espécies de borboletas vai ficar inabitável.


Fonte: Público

Roubo e parábola


Um homem sem sucesso, este que saiu da cadeia há dias e foi detido a assaltar multibanco. Quiçá um apoiante incondicional das socráticas e marianas teses. Porque para ele as coisas são o que são e um homem tem sempre direitos (deveres não). A escola ensinou-lhe que o esforço era inútil, ao ser compensado em nome do sucesso estatístico. Ensinou-he também que "os lá cima" (os gajos que mandam) se estão nas tintas para pessoas como ele. Mas nem por isso deixam de facilitar os esquemas. De resto, aprendeu que mesmo errado, um homem deve defender os seus pontos de vista, pois isso é sinal de coragem.

10 dezembro 2008

Seis décadas de Direitos Humanos


Faz hoje 60 anos que a ONU aprovava a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Trinta artigos. Celebramos a efeméride transcrevendo alguns dos artigos:


Artigo 18°
Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.

Artigo 19°
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.

Artigo 23°
Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego.
Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.
Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social.
Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses.
Artigo 24°
Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e as férias periódicas pagas.
Artigo 25°
Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.
A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozam da mesma protecção social.
Artigo 26°
Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional dever ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito.
A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos humanos e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das actividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.
Aos pais pertence a prioridade do direito de escholher o género de educação a dar aos filhos.
Artigo 27°
Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam.
Todos têm direito à protecção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria.

Bué de fixe

O mundo está cheio de notícias lindas, bué de lindas. Por um lado é um decano da política portuguesa, homem de muitas caras mas apenas conhecido por Bochechas que fala em... coragem, quando já todos sabemos que é apenas teimosia. Mas no léxico dos decanos as coisas confundem-se (a política é a linguagem dos compromissos e das dependências) e muitos anos de toxicidade dão nisso.
Por outro lado, temos a neófita Lina Mendes que ainda tem mais córagem do que a outra Maria, pois foi capaz de mudar um ítem do enfatuado negócio burocrático a que chamam avaliação e não ter nem da parte da oposição nem dos sindicatos regionais uma resposta capaz. A política é a técnica dos acordos e quem os tem presos cala-se muito bem caladinho, pois as represálias podem ser dolorosas.
E assim vai o mundo dos negócios educativos em Portugal. Que, espera-se, venha a ser alvo de estudos sociológicos pelas futuras gerações. Por ora, umas boas gargalhadas são a melhor resposta. Já que disparates mais disparatados não há.

09 dezembro 2008

O extraordinário país de Sócrates

Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados hoje, o saldo da balança comercial atingiu um valor negativo de 5,776 mil milhões de euros contra os 4,869 mil milhões de euros do terceiro trimestre de 2007.
As importações cresceram 9,6 por cento.
Fantástico. Palmas para Sócrates.

Rai's parta a crise


Transcrevemos do CM: «Nos primeiros seis meses do ano, antes dos efeitos da crise se fazerem sentir de forma severa, os bancos a operar em Portugal lucraram 1,075 mil milhões de euros, de acordo com o boletim da Associação Portuguesa de Bancos. De Janeiro a Junho as instituições ganharam 5,9 milhões de euros por dia.

(...) A Banca nacional aumentou em mais de dois terços as provisões: em Junho do ano passado o valor era de 673 milhões de euros; um ano depois, a verba já ultrapassou os 1,1 mil milhões de euros.
Em resultado da escalada dos juros, também a margem financeira subiu cinco por cento, o equivalente a 139,7 milhões de euros. Já o valor cobrado aos clientes em comissões e serviços subiu 14 por cento, o equivalente a 146,5 milhões de acréscimo neste tipo de receitas.»

Dependências


Há quem precise de álcool para viver. Há quem esteja dependente da heroína ou cocaína ou crack ou afins. Sócrates é viciado em sondagens. O que diz a última sondagem vinda a público? Que Sócrates é o maior. Vai daí o homem mais bem vestido da Europa passou ao ataque. O próprio governo já reconheceu a cagada, mas Sócrates nem sequer olha para as latrinas, aquilo é só de Chanel para cima.

Estar viciado em sondagens tem dessas coisas. E já agora, os nossos parabéns à toilette com que o sr. José Pinto de Sousa aparece no boneco: sem aquelas gravatinhas fica muito mais moderno. Que se há coisa que queira parecer é isso mesmo: moderno.

Depois, atente-se no modo como a notícia aparece: Sua Exa fala aos deputados e a noticiazinha aparece nos jornais pouco depois (o jornal que trouxe a sondagem, também trazia uma entrevista com um especialista nestes negócios que são as notícias). A força do camarada Sócrates faz-se assim de pequenas aparições. Eu já decidi o meu voto: é no partido da rosinha. Gosto muito de meias de liga em tons róseos, cheiram a desinfectante barato... e se há coisa que caracterize o negócio suçalista é esse: fazer de conta, vender a fantasia e pôr aquele ar arrependido de capuchinho cor-de-rosa.

Blogolândia


O blogue "Voo - BPF" é feito por alunos de Vila do Conde, sob orientação de uma professora de Português. Mas não só. O "Voo - BPF" serve também de depósito on-line para os inúmeros trabalhos feitos pelos estudantes da secção portuguesa do Liceu Internacional Saint Germain-en-Laye, em França, e das escolas de Nova Bassano e da Barra do Paraí, no Brasil.

O blogue acaba de receber o terceiro prémio mundial da Microsoft "Educadores Inovadores". O projecto já tinha sido distinguido com o Prémio "Educadores Inovadores", da Microsoft Brasil e vencera a final regional da América Latina. Na Grande Final Mundial da Microsoft, realizada em Hong Kong, conquistou o terceiro lugar.

Grande Oliveira


Manoel de Oliveira tem 100 anos e conserva uma lucidez de fazer inveja a quase todos.

Rui Rio, o presidente da câmara municipal do Porto, queria colher manteiga, aparecendo no retrato ao lado do cineasta. Mas Oliveira disse que não. Recusou a distinção da entrega das chaves da cidade, por considerá-la "um aproveitamento de ocasião" vindo de uma instituição com quem tem tido algumas más experiências.

Disse que soube da proposta da autarquia pelos jornais, e deixou uma resposta clara, também através da imprensa. "Não vou receber coisa nenhuma. Nunca fui consultado para tal. Já tenho recebido tantas ofensas e provocações através do jornal".

Rui Rio, como é do conhecimento público, tudo tem feito para diminuir a vida cultural do Porto. Este oportunismo é típico de figuras como ele. Nada contribuem mas estão sempre à espera de colher louros.

A criação


Nós a pensar que nascer era algo único e afinal não é. Se não acredita, basta clicar sobre a imagem e durante uns minutinhos ver como nasce uma mulher.

O negócio multimilionário dos medicamentos e as suas guerras


A indústria farmacêutica em Portugal preocupa-se demais com a saúde dos portugueses. Tanto que nem quer ouvir falar em genéricos.

A indústria farmacêutica é muita amiga da gente. Os medicamentos em Portugal são baratíssimos, dos mais baratos da Europa. Para quê genéricos?

As margens de lucro das empresas farmacêuticas é mínima. Pobrezinhas. Deviam era aumentar o preço aos remédios.

Como é que essas empresas impedem que os genéricos sejam distribuídos pelo mercado? É muito simples: usam os tribunais portugueses.

O processo de entrada de um genérico implica duas etapas: primeiro é pedida uma autorização de introdução no mercado (AIM) ao Infarmed (que depende do Ministério da Saúde). Depois, é pedida a definição do preço à DGAE (dependente do Ministério da Economia e da Inovação). O que tem sucedido é que, mal o Infarmed concede as AIM, os laboratórios interpõem providências cautelares. E os genéricos não chegam ao mercado porque a DGAE fica a aguardar a decisão dos tribunais.

08 dezembro 2008

A esperança ao poder


A esperança tem rosto. Podia ser uma qualquer Esperanza, mas é apenas uma Alves, Laurinda. Mulher enérgica e cheia de ideias, combativa e que muito tem lutado em prol de um país melhor. Todos conhecemos a acção de Alves, Laurinda. Ela já foi... directora da revista Xis, uma das mais inspiradoras que o país teve. Ainda hoje se fazem teses de douramento pela influência dessa prestigiosa revista. Mas não só. Alves, Laurinda sucedeu a Isabel (a nova grande romancista) à frente do barco (ou seria da nau) da Pais & Filhos, outra revista fulcral no nosso país. E finalmente, Alves, Laurinda é colunista do... Público. E como todos os portugueses sabem, ser colunista no Público é sinal de que se é um génio nacional.
Ora essa mulher, cujo currículum é inspirador para todas as figuras da jet saloice aparece como a grande arma do partido que tem a esperança no nome, o MEP.
Porquê? Porque lhe "fizeram um desafio". Ter-lhe-ão dedicado alguma partida de badminton? Ou seria de swing? Não sabemos. Apenas que Alves, Laurinda aceitou comprometer-se, implicar-se e arriscar. Fê-lo depois de... ter aceitado "ponderar", que se há coisa que alguém faz antes de aceitar ser candidato pelo MEP é ponderar. Ou será que apenas ponderou o desafio que lhe fizeram?
Valerá a pena dizer que desafios desses não se fazem, lançam-se? Coisa de somenos.
Portugal é um país doce. Tão querido, tão Lili Caneças ou tão tardes da Júlia. Portugal Portugal Portugal!

Paisagem do dia


Foto de João Rodrigues

CIA, Vaticano e Wikipédia


Uma nova ferramenta da Wikipédia pôs a nu que a CIA, o Vaticano, o Partido Democrata e entidades comerciais editaram entradas da mais popular enciclopédia on line para defender interesses particulares ou para escamotear ou alterar informação.

A nova ferramenta, desenvolvida por investigadores norte-americanos, permite revelar o endereço IP dos computadores onde são editadas as entradas e assim descobrir a identidade das organizações que o fazem.

Da CIA espera-se tudo, mais não seja por cultura cinematográfica. DE outras agências americanas de informação, que investigam e vasculham a nte, também. Já quanto ao Vaticano e ao Partido Democrata não se esperava que fizessem o mesmo. Mas o tempo é mesmo assim. Mostrando que crenças, nos tempos que correm, só mesmo para os ingénuos. De resto, é o salve-se quem puder. A mentira faz parte do quotidiano, para não dizer que é soberana.
[Fonte: El País]

Porcos e porcarias


Beira interior e Alentejo têm óptimas condições para produzir gado suíno (até espécies com características que as tornam mais procuradas). No entanto, somos importadores de carne. De acordo com o Anuário Pecuário de 2006/2007, Portugal importou em 2005, da Irlanda, cerca de 690 toneladas de carne de suínos (fresca, refrigerada ou congelada). Isto para não falar da que importa de Espanha, que fornece o grosso da carne importada que os portugueses consomem (94 por cento das 142 mil toneladas que no ano passado entraram no país provenientes do estrangeiro).

O primeiro-ministro que, em tempos, foi o responsável pelo ambiente (assunto que lhe deu visibilidade num partido pouco ou nada vocacionado para o assunto) não protege os criadores de gado nacionais? Não os estimula a produzir suínos?

Estas notícias são não só deprimentes como põem a nu as fragilidades de um país que há muito tem vindo a destruir o sector primário. Por falta de visão? Por falta de votos?

Num tempo de crise não seria de repensar a política portuguesa no que respeita à agricultura e à criação de gado?

07 dezembro 2008

Novalis e Gaston Bachelard




«Vivemos ainda do fruto de melhores épocas.» (in Fragmentos)

«O homem mais sensível, mais domesticado pela vida, sonha, em certos momentos, tornar-se indomável. Respeita, admira e ama a força que lhe lança um desafio.» (in Lautréamont)

Tomás de Figueiredo (1902-1970) e Pessoa


«Quem mais não pode, que há-de fazer, que há-de? Lê, vinga-se a ler. E, lendo, imagina. Imaginando, vê. Um homem de imaginação nem a vida o cega.» (in Dicionário Falado)

«Descobri que a leitura é uma forma servil de sonhar. Se tenho de sonhar, porque não sonhar os meus próprios sonhos?» (in Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação)

António Alçada Baptista (1927-2008)


Morreu hoje António Alçada Baptista. Nascera em 1927, a 29 de Janeiro, na Covilhã. Licenciou-se em Direito, esteve ligado ao jornalismo e à edição.

Em 1971 publica o seu primeiro livro de reflexões Peregrinação Interior I. Peregrinação Interior II, seria publicado em 1982.

Seguiram-se O Tempo Nas Palavras (1973), e Conversas Com Marcello Caetano; Os Nós e os Laços (1985); Catarina ou o Sabor da Maçã (1988); Tia Suzana, Meu Amor (1989); O Riso de Deus (1994); A Pesca à Linha - Algumas Memórias (1998), um livro que se assume como uma obra de memórias, recordações, lucidez e ironia, e à qual não é alheio o profundo sentido afectivo que caracteriza a escrita deste autor e A Cor dos Dias (2003).

Frank Zappa - Willie The Pimp

Frank Zappa - Bobby Brown

Frank Zappa - Don't Eat The Yellow Snow

Frank Zappa - Watermelon in easter hay

Stendhal e María Zambrano


«A velhice não é mais que a privação da loucura, a ausência de ilusão e de paixão.» (in Lucien Leuwen)

«As verdades têm os seus precursores que pagaram em alguma prisão de esquecimento o delito de terem visto de longe.» (in A metáfora do coração)

06 dezembro 2008

ESTADO DA EDUCAÇÃO EM PORTUGAL



AO QUE CHEGAMOS...!?!?!...

Sócrates o mais bem vestido mas a farda não faz o monge


Deputados que faltam às votações deram uma má imagem do partido da oposição que pretende suceder ao PS no governo da nação. E a famigerada porcaria da avaliação dos professores voltou a assunto do dia.

Sócrates aproveitou a asneirada para obrigar o ME (Mistério da Educação) a um recuo. E o ME já veio dar o dito por não dito. Nada que não se estivesse à espera, para quem deixou há muito de depositar confiança numa equipa sem ideias nem espinha dorsal (confundir autoritarismo com exercício de poder é confundir plástico com comida a sério).

O folhetim continua. E se na tal reunião de dia 15 o ME não souber recuar, os portugueses vão continuar a ser massacrados com o blá-blá de uma gente que devia ir trabalhar em algo útil, por exemplo num desses bancos a que o governo PS dá dinheiro (CGD, BCP, BPN, BPP). Aí sim, poderiam ser muito úteis a vender ao povo a ideia de que o dinheiro dos contribuintes deve ser usado para sustentar as fortunas de Balsemão e amigos. Porque é gente capaz de dar a cara e fincar os pés por aquilo em que ninguém acredita ou quer.

Stand by

Há algo em todo este processo que cheira mal. O ministério quer a todo o custo salvar a face, embora há muito se tenha percebido que não tem face, apenas lados de uma grotesca máscara. Negociar assim é muito complicado. Mas vamos acreditar no Menino Jesus, mais não seja por estarmos na quadra dele. No entanto, conservemos a desconfiança. O ministério quer evitar formas de luta que mexam com a avaliação dos alunos. E atrasar o processo com mais algumas manobras de diversão. Já todos sabemos que a especialidade da ministra e dos secretários de Estado reside no jogo do faz de conta.
No mesmo dia em que a plataforma desconvoca greves, o ministério vem com mais jogo sujo. A data da reunião é estupenda. Dar-lhe-á mais uns dias de espaço. Depois são as férias de Natal dos alunos. Contas feitas, um mês para apurar novas técnicas de guerrilha institucional - porque se há alguém que tem feito guerra suja é a ministra. A sua formação gauche deixa-a à vontade para usar os estratagemas mais ínvios.
Entretanto nos Açores, os sindicatos ou porque estão comprometidos ou porque não possuem habilidade negocial são exemplarmente manobrados pela nova titular da Secretraria da Educação e nem tugem nem mugem. Lindos meninos.

Erik Satie - Gnossienne Nº 2

Erik Satie - Gnossienne Nº 5

Erik Satie - Gymnopédie Nº 2

Erik Satie - Gymnopédie Nº 3

Erik Satie - Gymnopédie Nº 1

Erik Satie - Gnossienne Nº 3

Erik Satie - Gnossienne Nº 4

Erik Satie - Gnossiennes Nº 1

Agustina e Manoel de Oliveira por Ana Marques Gastão




«Não será por acaso que Manoel de Oliveira vai beber à criação romanesca de Agustina Bessa-Luís, digamos que de forma algo obsessiva, sendo sete ao todo os filmes em que na ficha técnica a escritora de Sibila surge como autora da obra adaptada ou dos diálogos. Francisca (1981); Vale Abraão (1993); O Convento (1985); Party (1996); Inquietude (1998); O Princípio da Incerteza (2000) e Espelho Mágico (2005) demonstram-no.
E porquê? Talvez porque Agustina seja uma criadora de grandes enredos, que recupera a tradição da grande ficção portuguesa do séc. XIX e, de algum modo, a dimensão camiliana. (...)
Se algo se adapta à rodagem cinematográfica na sua obra é, sem dúvida, a ideia de que a narrativa dir-se-ia apenas um dos eixos do romance de Agustina. Talvez essa marginalidade agrade a Oliveira pela sua não menor tendência divagante, já que a romancista se detém em descrições obsessivas e, por meio das suas personagens, transmite, exemplarmente, uma carga de mistério e de realidade própria da sua cosmogonia.

É esse mesmo mistério, o do ser humano, do nascimento, da morte, de Deus, da natureza - nos elementos mais ínfimos ou grandiosos -, que atrai, decerto, Oliveira, bem como o sentimento da terra enquanto "infinito espiritual". São as figuras que Agustina tão bem desenha, habitadas pela fúria, arrastadas além de si próprias, que ambos os criadores delineiam com a mão firme.

A memória, essa, é a chave da criação. O despertar da natureza humana Oliveira arranca-o aos textos de Agustina, a partir da violência das sensações vindas do interior, na lentidão do movimento, numa certa harmonia trágica em que romancista e cineasta interagem. Mas será no contrato humano que as obras melhor se entrelaçam, no trato do desejo, da cobiça e do amor.

A desordem do pensamento da escritora - reconhecida, aliás, por ela própria -, a sua forma caótica de se estender, torna a "vertigem do incomunicável" em Oliveira ainda mais abissal, pois o aforismo invade os romances em detrimento dos diálogos. Na sua impossibilidade de conclusão, texto e imagem reafirmam-se no silêncio que se ergue como uma catedral e nos faz reflectir sobre o tempo e a eternidade.»
in DN

O óbvio

"A pergunta que eu faço é: porque é que andámos um ano e meio a discutir um modelo que era absurdo, que o Governo, aos poucos e poucos, teve de reconhecer que era absurdo, mas que teimosamente quis manter contra todas as evidências porque tem a maioria absoluta" - fala Paulo Portas.
Comentário: Que confiança se pode ter numa equipa ministerial tão cega?
"Temos um primeiro-ministro que diz que em 2009 vamos viver melhor devido à descida do petróleo e das taxas de juro. Mas isso não depende de nenhum primeiro-ministro do Mundo. Do que José Sócrates não fala é do que depende dele: o desemprego, a queda do poder de compra, as pensões mais baixas e as dificuldades dos jovens e das PME" - idem.
Comentário: Que confiança se pode ter num governo que trabalha em prol dos apoiantes do CDS-PP?

05 dezembro 2008

Ingmar Bergman (1918-2007)


Textos e entrevistas do realizador, muitas das quais nunca antes vistas fora da Suécia, bem como imagens exclusivas dos seus filmes estão disponíveis num livro editado pela Taschen.

Antes da sua morte, em Julho de 2007, Ingmar Bergman concedeu à Taschen e à Max Ström acesso completo aos seus arquivos na Fundação Bergman. Ambas as editoras quiseram homenagear uma carreira de 60 anos, tornando públicos os arquivos daquele que é, para muitos, um dos melhores realizadores de sempre.

O livro de 592 páginas contém uma retrospectiva da carreira de Bergman, não só no cinema, como no teatro, onde foi responsável por mais de 170 peças. Como bónus o tomo vem acompanhado de um DVD com quase duas horas de documentários raros.

Segundo Kakutani, os filmes de Ingmar Bergman tratam de desejo, dor, religião e amor. Um mundo onde “a fé é ténue; a comunicação, elusiva; e o conhecimento próprio, na melhor das hipóteses, uma ilusão”.
O próprio realizador confessava: "Eu quero fazer filmes sobre condições, tensões, imagens, ritmos e personagens dentro de mim que, de uma forma ou de outra, me interessam."

Nuno Bragança (1929-1985)



Nuno Manuel Maria Caupers de Bragança nasceu em Lisboa em Fevereiro de 1929. Frequentou Agronomia mas acabou por se licenciar em Direito na Universidade de Lisboa.
Autor de várias críticas cinematográficas, fundou e dirigiu o Cine Clube "Centro Cultural de Cinema". Foi co-autor do argumento do filme Verdes Anos, de Paulo Rocha.

Em 1968 radicou-se em Paris, trabalhando na representação permanente de Portugal junto da OCDE.

A sua crescente actividade literária aumentava paralelamente à sua arriscada acção política levando-o a aproximar-se das Brigadas Revolucionárias.

Em 1972 regressou a Portugal e foi assessor de Mário Murteira no Ministério do Trabalho a seguir ao 25 de Abril de 1974.
A publicação em 1969 de A Noite e o Riso, o seu primeiro romance, revelou-se um acontecimento no panorama literário português. Seguiram-se Directa (1977), Square Tolstoi (1981) e a colectânea de contos Estação (1984).

Após a sua morte, em 1985, foi publicada a novela Do Fim do Mundo (1990).

Pedro Tamen, amigo do autor, daria a conhecer, no número 155/156 da Colóquio / Letras de Janeiro de 2000, uma peça de teatro radiofónico, A Morte da Perdiz, que pode ser lida aqui.

A obra de Nuno Bragança é inovadora, apaixonada e desconcertante, aliando humor e fulgor para falar das cidades, do erotismo, da acção política, das relações humanas.

João Bonifácio dedica, na edição do Ípsilon / Público de hoje um artigo ao autor, a propósito de "U Omãi Qe Dava Pulus", documentário de João Pinto Nogueira sobre a vida do escritor.

O filme é editado pela Midas num pacote de quatro DVDs correspondentes a quatro documentários sobre escritores. Além de Nuno Bragança, há Carlos de Oliveira ("Sob o Lado Esquerdo", de Margarida Gil), Alexandre O'Neill ("Tomai Lá do O'Neill", de Fernando Lopes) e José Cardoso Pires ("Diário de Bordo", de Manuel Mozos e Clara Ferreira Alves).
Bonifácio define-o assim: «Aristocrata, apaixonado do boxe, revolucionário, violento e afectuoso, cristão empenhado e consciente da luta de classes, homem fascinado pelo "bas fond", homem apanhado pela vida, pelo álcool.» E explica «Bragança, sendo um aristocrata, envolveu-se com uma espécie de sub-mundo da noite (retratado em A Noite e o Riso). Mais tarde, e apesar de cristão, envolveu-se com as Brigadas Revolucionárias (Square Tolstoi), fez sair gente do país (Directa) e assistiu à morte da primeira mulher às mãos do álcool e dos comprimidos (cujo processo de dependência está em Directa).»
O poeta e professor manuel Gusmão não hesita em classificá-lo «um dos grandes narradores da segunda metade do século na Europa.» E nós só podemos concordar.

04 dezembro 2008

Bolt, o filme

Enciclopédia das Aves de Espanha


Mais de 4 mil páginas sobre 500 espécies presentes de forma habitual ou ocasional em Espanha; 1.600 fotografias; 1.200 desenhos; 370 arquivos sonoros; 200 vídeos e 400 mapas; acesso a 15 publicações de referência no domínio da ornitologia.

Tudo ao alcance de um clic.

Quando o telefone toca


O telefone toca. Ouve-se o característico som desse aparelho. Uma mulher levanta o bocal e ouve:

-... sou Barak Obama...

Instantaneamente, a mulher interrompe-o e diz:

- Lamento, mas creio que isto é mais uma partida de uma rádio... - e acto contínuo desliga.

O telefone volta a tocar e a mulher volta a atender. Deste vez é o chefe de gabinete de Obama, Rahm Emmanuel, que passa um raspanete à senhora Ileana Ros-Lehtinen, congressista republicana da Florida, por ter desligado o telefone ao presidente eleito dos EUA. E novamente a mulher zás, delsiga o telefone.

Pouco depois é um empregado seu quem lhe vem dizer que o presidente do Comité dos Assuntos Exteriores da Câmara dos Representantes dos EUA, Howard Berman, necessitava falar com ela urgentemente. Assunto: o presidente eleito precisava de lhe dar uma palavrinha.

Obama não perdeu o sentido de humor e ao ser finalmente atendido pela congressista, disse-lhe que era divertido ela ter-lhe desligado o telefone na cara duas vezes. Ao que a senhora ripostou que havia uns engraçadinhos das rádios da Florida que pregavam esse tipo de partidas às pessoas. E que ela não esperava que o presidente eleito quisesse falar com ela, pois:

- Ou você é muito generoso por querer conversar com alguém tão apartidariamente ou ficou sem ninguém com quem falar.
[Fonte: El País]

Calhandrinha, picanço e pardal: espécies em risco




[De cima para baixo: Pardal montês, calhandrinha comum e picanço barreteiro]


O pardal montês, a calhandrinha comum e o picanço barreteiro estão em risco. Porque lhes falta o habitat e alimento.


Uma ave comum é, por definição, aquela que tem populações abundantes e bem distribuídas. Mas os campos agrícolas dos quais dependem estão a mudar, causando um declínio para o qual não se prevê qualquer tipo de recuperação, segundo um estudo divulgado pela Birdlife e European Bird Census Council (EBCC).


Para aumentar a produção agrícola são destruídas linhas de árvores, sebes, bosquetes e matas ribeirinhas que serviam de locais de refúgio, alimentação e reprodução para várias espécies. O que provoca o declínio de espécies outrora comuns e que tinham funções claras de dispersão de sementes e de controlo de pragas.

Teimosa, tão teimosa


Teimosa teimosa, tem que levar a água ao seu moinho e procura estratégias para o conseguir. Ainda não percebeu que assim não vai lá, mas já reconhece que tem de mudar o modelo.

Há gente assim, primeiro diz que não e depois, a pouco e pouco, vai interiorizando que sim. Por enquanto, Maria de Lurdes Rodrigues procura salvar a face. Mais tarde veremos se foi ou não bem sucedida.
Para já, a certeza: o diálogo, para ela, é um mono. Ela fala os outros têm que dizer que sim.

São juros, senhor, são juros...

Por todo o lado a crise larga as suas cagadas, estragando aquilo que levou tantos anos a criar: a ideia de que a economia funciona por si e de que nem o Estado nem as reivindicações de quem trabalha faziam já sentido.
A crise obriga governos de diferentes países a acções bruscas, para que os efeitos não sejam tão nefastos.
Por cá, quem ouvir Sócrates, pensa que Portugal é um paraíso. Não só estamos num país onde tudo está bem, como para o ano ainda vamos estar melhor.
Porque o governo espera que... e a crença, já se sabe, é a sopa dos pobres.
Por ora, resta perceber por que o endividamento é tão grande; por que se gasta tanto em combustíveis; por que se continua a favorecer a alta finança em detrimento da vida da população de um país?

03 dezembro 2008

Sócrates é um génio

Qual filósofo ateniense qual carapuça, José é que é. Ele resolve tudo. Ora vejam só: "As famílias portuguesas podem esperar ter um melhor rendimento disponível em 2009". Porquê?
Por causa das baixas que se esperam nas taxas de juro dos créditos à habitação, nos preços dos combustíveis e na inflação.
Se o que se espera não acontecer, Sócrates aí estará para mais uma soporífera conferência de imprensa em que anunciará mais emprego.

O vaidoso Berlusconi


Silvio Berlusconi anda feliz. Em Janeiro presidirá pela terceira vez ao G -8 (que será um G -20) e quer que aí se decida a regulamentação da internet no planeta. Desde já será probida qualquer referência aos implantes do homem forte de Itália. Que é muito bom a fazer contas e negócios, diz ele que por ser um G -20 estarão representadas na reunião "80% da economia e 72% da população" mundial.

E como o homem preza muito o seu sentido de humor, convidou Obama para uma tripalhada à moda do Porto. Sócrates, comovido, já disse que serve as refeições e oferece magalhães.

Peditório

Os nossos serviços colheram os dados escola a escola e podemos dizer que a greve foi fraquinha. Mas mais significativa do que as anteriores. Donde se conclui que nós, ME, temos razão. Grande parte dos professores está do nosso lado. Por isso, senhoras e senhores, vamos realizar uma campanha de Natal de recolha de fundos para comprar almofadas e edredões para a senhora ministra que está muito cansada. Quem quiser contribuir, pode fazê-lo para a conta: 000020080003001200000 do BPN.
Obrigado.

Os 500 anos de Andrea Palladio (1508-1580)






Palladio é talvez o arquitecto mais celebrado na história da arquitectura. A sua obra, construída nos campos do Venetto, foi reflexo de uma cultura muito própria do seu tempo e do seu lugar, transportando os modelos de uma Roma ideal para a espacialidade da habitação e da cidade. Vicenza, sem Palladio, não seria Vicenza.

Apesar de ter usado sempre o dialecto local e de ter sempre trabalhado na sua região, Palladio tornou-se no mais internacional dos arquitectos.

O vigor sereno e o controle formal das suas obras, reinventadas nas páginas do seu tratado I Quattro Libri (Venezia, 1570), foram objecto de visitas e revisitas constantes das inúmeras viagens a Itália, de arquitectos, intelectuais e políticos.

Palladio pensou a arquitectura como uma organização de espaços regulados por leis matemáticas e harmónicas.

A Villa Rotonda, às portas de Vicenza, tornou-se modelo incontornável de toda a arquitectura culta e, consequentemente, de toda a arquitectura popular.

Redescobre-se Palladio nas avenidas de Washington, nas ruas da cidade do Porto. Londres, sem Palladio, não seria Londres.

De norte a sul do país: greve

Distritos onde tradicionalmente a adesão é fraca têm as escolas ou fechadas ou com um centésimo do corpo docente.
Muitos professores que nunca ou raramente fizeram greve, estão em greve. Muitas escolas onde a adesão costuma ser baixa, estão sem professores.
Aveiro entre os 76 e os 100%; Beja entre os 70 e os 99%; Braga ronda os 95% de adesão; Coimbra ronda os 95%; Évora ronda os 95 %; Guarda perto dos 100%; Leiria com média perto dos 90%; Lisboa a mesma coisa; Portalegre ronda os 98%; Viseu acima dos 90%.
Na Madeira, entre 30 e 40 % (apesar de lá estar tudo suspenso). Nos Açores ainda não há números, embora a Secretaria Regional da Educação e Formação fale em 20%.

A greve dos professores em números


Sete milhões de euros perdidos pelo dia de greve. Se o número de professores em greve for de 100 mil. Sete milhões que o governo embolsa (Sócrates bem pode comprar mais uns quantos magalhães para propaganda).

Um milhão e quatrocentos mil alunos afectados. Com os problemas que isso acarreta para os pais.

Dez mil escolas com falta de ocupação para tanto aluno.

E tudo por causa da cegueira e teimosia do ME. Que hoje, como tem sido a ser prática corrente, veio mais uma vez dar o dito por não dito dizendo que pretende aplicar o modelo simplificado de avaliação de desempenho não apenas neste ano lectivo, mas também nos próximos.

O ME agarra-se ao modelo como a uma bóia de salvação, indo cada vez mais ao fundo.

02 dezembro 2008

Especialistas e pais do lado dos professores

O clima da aula ou o clima da escola pode afectar a qualidade das aprendizagens e, actualmente, existem vários factores para que esse clima seja afectado, constata Maria Dulce Gonçalves, psicóloga educacional e professora na Universidade de Lisboa.
"Os professores estão muito cansados e preocupados, muitos estão emocionalmente afectados e os alunos são o espelho de tudo isso", explica. A investigadora sabe que os professores estão a dar as aulas, a cumprir as suas obrigações, contudo, sobrecarregados.
O psicólogo clínico Carlos Céu e Silva confirma que os professores "estão muito perturbados". Na Associação Olhar, em Lisboa, o médico acompanha vários docentes que "sofrem com a pressão da escola, dizem que se sentem desvalorizados. Os alunos são contagiados por este desânimo, são afectados no acesso ao conhecimento, porque os professores estão preocupados com outras questões que não o ensinar, porque não se sentem reconhecidos".
O clima da escola é essencial para a qualidade do ensino e para o sucesso dos alunos e tudo isto pode estar comprometido por causa dos vários problemas com que a escola pública se debate, dizem os especialistas. Esta situação preocupa os pais, que exigem que toda a "perturbação" seja ultrapassada.
[Fonte: Público]

Transporte colectivo de crianças


As leis existem (a do transporte escolar: Lei n.º 13/2006, de 17 de Abril) e a das inspecções dos veículos (Decreto Legislativo Regional n.º 40/2006/A de 31 de Outubro de 2006 ou Decretos-Leis n.os 550/99, de 15 de Dezembro, e 554/99, de 16 de Dezembro), mas nem sempre se faz a sua fiscalização. Os resultados, como o que aconteceu hoje em Lordelo (Paredes), podem ser desastrosos. E às vezes não são calamitosos por mero golpe de sorte.

Os travões deixaram de funcionar, dizem testemunhas. Como é que um autocarro que transporta crianças perde os travões? Como é que tendo em conta o ano de aquisição da viatura (tantas vezes adquiridas em segunda ou terceira mão), não se fazem revisões constantes para evitar acontecimentos deste tipo?

As leis existem, mas quase sempre para inglês ver. O negócio dos transportes escolares melhorou muito nas duas últimas décadas, mas, como se vê, ainda há muito a fazer.

01 dezembro 2008

L'acqua alta - Veneza









Desde 1979 que Veneza não via o nível de água subir tão alto. Mais de metro e meio. Por isso, a inundação espalhou-se pela cidade dos canais.

Chuvas e siroco estão na origem da subida do nível médio da água. Algo que parece entusiasmar sobremaneira os turistas, embora não possam percorrer a cidade nos famosos vaporettos, os táxis aquáticos.

Adam Neate

No dia 15 de Novembro, o pintor britânico Adam Neate, de 31 anos, espalhou pelas ruas de Londres mil obras suas, orçadas num milhão de euros. Retratos de homens sobre cartão, numerados e assinados por Neate. Os afortunados que os encontraram colocaram-nos à venda no eBay com preços que iam entre os 120 e os 1200 euros.
O artista há quase uma década que opta por deixar quadros seus nas ruas. Quem os encontrar faz deles o que muito bem entender. Desta vez resolveu pôr um anúncio na internet. Assim, quem quisesse saía de casa e ia ver se apanhava algum quadro ou, pelo contrário, deixava-se ficar a ver televisão.
Podem vê-lo a trabalhar aqui.


[Fonte:
El País]

Vítor Nogueira


CONTA

A ordem voltou à rua, após o motim
desta manhã. Feridas demasiado profundas.
Fonte de alimento dos outros.

Apesar de tudo, há sempre
uma pergunta que permanece: até que ponto
aquilo em que acreditamos faz sentido?

Tomámos café, jogámos bilhar, pedimos a conta.
A mesma emoção, o mesmo ressentimento.
Deve estar a atingir-nos agora.


[in Comércio Tradicional, Averno, 2008]

O disco riscado do eduquês


Eu que gostava tanto de dar aulas, fiz um mestrado, depois mais umas coisas e... triste de mim, deixei de leccionar no ensino básico e tornei-me consultor do ME, que me tem pago muitos giros mundo fora e para o qual tenho produzido muito eduquês.

Eu sou muito bom, sou mesmo um dos melhores do mundo nessa nova área tão importante que é aprender a aprender. Sou formador de professores.

E estou triste e descontente. Porque os meus ex-colegas não percebem como este modelo de avaliação é um must (se fui ou não responsável por ele, não é a hora nem o lugar para o revelar).

Os professores têm de perceber que ensinar já não é necessário. Agora trata-se de incluir tudo e todos. Agora trata-se de dizer que estou triste. Se eu mandasse não retirava itens nenhuns, pois como mostra a tipologia de Andy Hargreaves, um conceituado investigador canadiano, há uma cultura profissional baseada no individualismo e é preciso abrir mão do carácter individual e privado da aula. As aulas devem ser colectivas: os alunos constroem o seu saber, os professores orientam. E para que isso aconteça eu proponho que as aulas deixem de ser o que são. Isso já não faz sentido. No futuro, lindo, democrático, cheio de flores, para o qual eu tanto trabalhei, alunos e professores cantarão de braço dado o homem novo... blá... blá... blá...

O texto hilariante de uma das senhoras do eduquês pode ser lido aqui.

Sócrates, a senhora está-te a dizer que, se quiseres ministra nova, está disponível.

Notícias que alteram o mundo







O camarada Jerónimo de Sousa foi reeleito líder da CDU, digo, do PCP. No mesmo congresso onde Odete Santos disse que a sua alma anda pelo chão a chorar ("Quando há tribunais que aplicam uma justiça de classe, então a minha alma cai ao chão e chora").

As lágrimas e as almas exercem grande fascínio sobre este partido português.

Já no PSD, a maré é enciclopédica, ponto no qual Manuela Ferreira Leite tem mais pergaminhos, pelo que pode dizer a Sócrates que ele é "Uma verdadeira enciclopédia de tudo o que não se deve fazer em política".