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06 fevereiro 2010

José Luis García Martín

Com o título de Festival de poesía, García Martín recorda um episódio das suas andanças de trota-mundos com a poesia às costas. Só agora demos por isso. E ainda sob o efeito dalgumas gargalhadas transcrevemo-lo aqui.

«¿Nunca te han invitado al Festival de Poesía de Bogota? Pues no sabes lo que te pierdes. Pídeselo a Manolo Borras. Allí tiene mucha mano porque a todos los colombianos les ha dado por publicar en Pre-Textos. Cuando yo estuve, un empresario petrolero -o eso decía él- nos ofreció un cóctel en su casa. Allá fuimos en diez taxis. Al entrar, alucinamos: todas las paredes estaban cubiertas con enormes fotos de adolescentes desnudas. Todas, literalmente todas, incluso los baños. Había dos pequeñas excepciones. En el salón principal, las fotos rodeaban unas cartas autógrafas. Eran del presidente de la república, Álvaro Uribe. También había un pequeño grupo de fotografías en las que el presidente abrazaba al dueño de la mansión. Vestía como un gánster de película, no le faltaba ni una aparatosa cadena de oro. Cuando apareció, sin apenas saludarnos, se subió a una tarima y comenzó a declamar sus poemas. Me entraron unas ganas tremendas de reír. También Eduardo Moga y Ledo Yvo, que estaban cerca de mí, parecía que iban a estallar en carcajadas. A mí se me quitaron las ganas en cuanto vi el pistolón de un guardaespaldas. Aplaudimos mucho. Luego nos fue saludando uno a uno. “¿No es injusto que sea Gabo quien represente a Colombia en el mundo y no yo? ¡El mercantilismo de la novela siempre por encima de la pureza de la poesía!”. Yo le insinué mi asombro ante la decoración. Se quitó el puro de la boca, sonrió y dijo: “Yo he tenido más de dos mil mujeres. Esta es solo una pequeña muestra”. Cuando me dejó, me acerqué a un pequeño estante lleno de libros. El dueño, al darse cuenta de mi interés explicó: “En esta casa hay pocos libros, pero los que hay son obras maestras”. Y así era, efectivamente: se trataba de los libros que él había escrito, en ediciones normales y en ediciones de lujo para amigos. Aquel narco-poetastro –no te voy a decir su nombre, que luego todo lo cuentas y no quiero que peligre mi vida- era una mezcla de Berlusconi, Corleone y Justo Jorge Padrón.»

06 outubro 2009

Da blogolândia


Brianna Karp é uma homeless. Ou, melhor, uma das muitas desempregadas que a crise americana devolveu às ruas. Mas não é uma desempregada qualquer. Tem 24 anos, uma aparência cuidada, sem problemas de saúde, nem historial de abuso de álcool ou de consumo de drogas. Em Fevereiro, foi viver para uma caravana velha, que herdou do pai suicida e que está permanentemente estacionada num parque da gigantesca cadeia de lojas Walmart. E criou um blogue: The Girls Guide to Homelesseness. O blogue trouxe-lhe notoriedade.
O lema do blogue é: "Podes ser um sem-abrigo, mas não precisas de ser um vagabundo." Para além de relatos pessoais e de conselhos sobre como viver sem casa, Brianna relata ainda as peripécias que fizeram com que se tornasse numa minicelebridade (com direito a entrevistas em canais como a CNN) e revela a história da sua vida.
Brianna foi notícia depois de ter recebido uma proposta de um estágio na revista feminina Elle. Em Agosto, escreveu um email em que pedia conselhos a uma colunista veterana chamada E. Jean Carroll. Por baixo da assinatura, acrescentou Homeless, But Not Hopeless ("sem abrigo, mas não sem esperança"). Carroll gostou da carta e ofereceu a Brianna um estágio. À distância (Carroll está em Nova Iorque), Brianna teria de trabalhar uma hora por dia, seis dias por semana, a escrever num blogue da Ellee, no site de Carroll, e a fazer triagem de emails. A revista pagava-lhe 150 dólares por mês.

A história poderia ter passado despercebida, não fosse Matthew, o namorado, a ter contado no blogue The Homeless Tales. A agência Associated Press apanhou a história, um ou outro órgão de informação escreveu sobre o assunto, a NBC juntou Brianna e Jean Carroll no programa de informação matinal Today Show (foi a primeira vez que as duas se encontraram pessoalmente) e o caso também foi contado pela CNN. Em semanas, a blogger sem abrigo tornou-se uma quase celebridade.

Fonte: Pública

02 março 2009

Resposta a um velho livro de estilo

Ler é, de facto, complicado. A gente escreve 2 e há logo quem se ponha aos gritos a dizer que não são 5. Isso mesmo fez o autor deste blogue emrelação a este post. O autor não leu, tresleu, para concluir o que muito bem quis.
A gente tão intelectualmente honesta que podemos dizer senão que reiteramos os nossos pontos de vista, acrescentando: vai mal um país que em tempos de crise gasta tanto dinheiro a mudar algo sem primeiro conhecer a realidade que pretende alterar; vai mal uma equipa que, estimulada pelos seus tiques académicos, esquece a mundividência da população escolar - que domina muito bem a teconologia, mas domina bastante mal a língua materna, algo que se reflecte, por exemplo, na dificuldade em perceber os enunciados dos exames de matemática. Quanto a textos literários, poderão um dia entusiasmar-se com Equadores e Sei Lá, mas dificilmente com Novelas do Minho, O Primo Basílio, Húmus, Mau Tempo no Canal ou Torre de Barbela.
Relativamente ao Plano Nacional de Leitura, enferma do tique muito gauche de que ler por ler cria leitores. Ou muito me engano ou é apenas o prazer de descobrir e de aprofundar que os cria. A lista é um amontoado de obras (muitas delas bacocas) que em nada ajudarão a criar leitores.
Já agora, aproveitamos para dizer ao sr. Ricardo Nobre que aqui não se pagam comentários que não interessam. E que no século XIX apenas uma minoria endinheirada podia frequentar a escola. Embora tenha sido nesse século que se começou a falar de questões que ainda hoje debatemos: como o saber ler, escrever, contar, pensar.

09 dezembro 2008

Blogolândia


O blogue "Voo - BPF" é feito por alunos de Vila do Conde, sob orientação de uma professora de Português. Mas não só. O "Voo - BPF" serve também de depósito on-line para os inúmeros trabalhos feitos pelos estudantes da secção portuguesa do Liceu Internacional Saint Germain-en-Laye, em França, e das escolas de Nova Bassano e da Barra do Paraí, no Brasil.

O blogue acaba de receber o terceiro prémio mundial da Microsoft "Educadores Inovadores". O projecto já tinha sido distinguido com o Prémio "Educadores Inovadores", da Microsoft Brasil e vencera a final regional da América Latina. Na Grande Final Mundial da Microsoft, realizada em Hong Kong, conquistou o terceiro lugar.

22 outubro 2008

Com algum atraso chegamos lá


dos filhos da puta

texto de Fernanda Câncio


«sempre me fez muita confusão que para chamar um nome a alguém — no caso, para dizer que alguém não presta — se optasse por qualificar a respectiva mãe. ora não só me parece de manifesto mau gosto partir do princípio de que uma pessoa é má rês por alguma coisa que a mãe fez ou deixou de fazer, como não me é minimamente óbvio que o trabalho sexual deva ser associado à geração de más índoles. mas o mais curioso de tudo será a espécie de desculpabilização do facínora implícita na designação. como quem diz que o problema não é bem dele, é da mãe.
se me estivesse a dar um acesso de feminismo diria que é a velha mania, pelo menos tão velha quanto o livro do génesis, de atribuir a culpa de tudo às mulheres. como, pensando bem, se calhar não há momento nenhum em que não tenha acessos de feminismo, vou mais longe: fazer coincidir o epíteto ‘filho da puta’ com uma pessoa sem princípios é também dizer (entrando no subtexto da coisa, naturalmente) que é alguém sem pai conhecido, ou seja, fazendo um pouco de arqueologia cultural (sem grande esforço, basta mergulhar nas caixas de comentários deste blogue), alguém ’sem figura da autoridade’, assim a modos que sem ninguém que lhe explicasse o certo e o errado (coisa para a qual, como é sabido, as mulheres em geral não servem e as putas ainda menos).
aqui temos pois o filho da puta como vítima do destino, como mau por afinidade: tadinho, não podia fazer diferente, não podia ser diferente. never had a chance.
ora parece-me tal coisa uma insuportável afronta ao verdadeiro filho da puta, o escroque de primeira, que não se esconde atrás de ninguém nem pede desculpa de nada. o gajo que faz mal por gosto, por desfastio. um gajo que se pode respeitar, até. o contrário do sonso — ai, o que eu odeio sonsos e sonsices.
está pois na hora de arranjar umas palavras velhas para substituir esta desprimorosa, inexacta e facilitadora expressão. sobretudo porque estamos sempre a precisar dela, quando e onde menos se espera.
nos próximos capítulos da série, debruçar-me-ei sobre as expressões ‘vai para o caralho’, ‘vai-te foder’ e quejandas, numa aprofundada reflexão sobre o paradoxo de a linguagem venal fazer coincidir o que parece ser o desejo de (quase) toda a gente (ter sexo/foder) com o pior dos impropérios.
isto, claro, se amanhã quando acordar ainda me apetecer.»


Dias felizes


Diário de Bernfried Järvi


13 de Outubro de 1977

Manhã cedo. Levanto-me e dirijo-me à casa-de-banho. Fito o meu rosto no espelho. Olhos nos olhos. Faço um minuto de silêncio em memória de mim mesmo. Dura aproximadamente trinta e cinco anos. Pronto, está feito. Fecho os olhos e sigo para o trabalho.


04 outubro 2008

Caderninhos de Alexandra Baptista

Aula de desenho

Chama-se Caderninhos ... e «papéis digitais» e é um blogue de Alexandra Baptista. Sítios encantadores, onde o humor e as artes gráficas andam de mãos dadas.

Página de artista, portanto. Parabéns à autora. Descobrimo-la agora e já somos fãs.

18 setembro 2008

Casas espanholas


Casas espanholas onde podemos entrar e saborear um bom prato. Ou uma sobremesa requintada. Ou umas tapas à maneira. Isto sem esquecer umas parrilhadas.

Há, ainda, muitas baiucas. Esta, com laivos de aventura de papel, que oferece água del cano. Esta, que à tequilha mistura muito sal. Ou esta, para quem faz de conta que é míope. Uf.

Chamam-lhe bitácoras e divertem-se exactamente da mesma maneira que nós. Alguns com o nível a pender para norte, outros para oeste ou até para oriente. Há de tudo, que nisto de pedreiros ou albañiles uns estão a sério e outros deixam os queixos doridos de tanta carcajada.


16 setembro 2008

branco sujo

Blogues, como poetas, há-os aos pontapés. Alguns caem-nos na sopa no momento em que estamos sôfregos e, porra, babamo-nos todos. Dá dá dá (as onomatopeias piscas saem-nos assim defeituosas, que havemos de fazer?).
Já não sei como foi com branco sujo, «Um blog racista que odeia o branco e suja-o de de caracteres, ruídos e alguns bonecos.» Sei que foi por estes dias. E a minha avó, que faz as limpezas, cortou-me a mesada. Babar a roupa e a tolha, ainda vá que não vá, agora conspurcar mesa, toalha, roupa, chão e outras coisas, ah não, isso não. Estou de castigo, portanto. Escrevo isto às escondidas, muito triste. Mais triste ainda porque o costume diz que linkas para te linkarem (fica bonito o acordo ortográfico aqui, oram digam lá que não...) e o raio do José Quintas não linka ninguém. E se ele não linka eu não recupero a mesada (publicidade, caros amigos, publicidade). Mas que fazer se lê-lo me faz melhor do que tomar dois ou três antidepressivos?

15 setembro 2008

Saramago chega aos blogues

O escritor José Saramago iniciou hoje no blogue da Fundação com o seu nome uma secção pessoal em que se propõe «comentar acontecimentos, expressar opiniões, reflectir em voz alta».

Hospedaria Camões


Um lugar onde se pode dar descanso aos olhos.

Arrastão


Era uma vez um blogue chamado Arrastão. Daniel Oliveira fazia de manager e de secretário. Agora conta com Pedro Sales e Pedro Vieira para arrumar a casa e pôr a escrita em dia.

Se o Arrastão já se lia com agrado, espera-se, a partir de agora, que a parada suba e seja ainda mais agradável.

27 agosto 2008

Hi, George


Deste canto perdido no meio do Atlântico saudámos a chegada do Georginho à bloglândia.

Salut, meu caro e boas postas.

14 julho 2008

Estendal


Com a devida vénia, transcrevemos um post de Ana de Amsterdam. Literatura da melhor.

«Chega-se um homem ao pé de mim e diz assim: a menina tem um cigarro? Reparo-lhe nos olhos encovados de espectro, na pele tisnada do sol, na barba emaranhada, na boca sem dentes. Empurra um carrinho de supermercado. Deve viver na rua. Espanta-me que saiba falar. Acho sempre que quem vive na rua acaba, mais cedo ou mais tarde, por perder o dom da fala. A solidão seca-lhes a voz. Desaprendem a linguagem dos homens. Aprendem a dos bichos. Grunhem como animais. A voz deste homem, porém, é limpa. Ele sabe falar. E está a falar comigo. Não lhe respondo. Continuo a andar. O homem continua atrás de mim. O carrinho que empurra chia. Está cheio de sacos de plástico velhos. Em cima dos sacos há um urso de peluche branco e preto. Está imundo. Já não tem olhos. Da boca sai-lhe uma linguazinha de feltro cor-de-rosa. O homem repete a mesma frase. A menina tem um cigarro? Há gentileza na sua voz. Não sou menina. Trago escondido, no bolso interior da mala, um maço de cigarros que fumo às escondidas dos meus filhos. Durante a noite, quando adormecem, cansados de tanto jogarem às escondidas, sento-me junto ao estendal da varanda e fumo um cigarro. É o melhor momento do meu dia. A roupa estendida cheira bem e está fresca. Podia dar um cigarro ao homem do carrinho. Assim livrava-me dele, da sua sujidade, da sua imundície, da sua voz límpida. Mas uma mulher grávida não fuma. Não posso dar-lhe um cigarro. Continuo a andar.

Paro na montra do talho. Tenho uma atracção antiga por talhos. Gosto de ler os letreiros que certos talhos, sobretudo nos bairros pobres das periferias, ostentam. Procuro sempre os que anunciam pezinhos de porco, miudezas, testículos, bofes. Também gosto de observar os mapas que mostram como se divide o corpo de uma vaca. Aqui a alcatra, ali a pá, acolá o acém, o pombinho, o ganso. Como se retalhará o corpo de um homem? Que parte de nós será mais tenra? Mais saborosa? Observo a montra deste talho. Não me agrada a sofisticação da oferta. Num quadro preto anuncia-se que hoje há lombo de porco recheado com frutos secos e espinafres e picanha argentina. Ando devagar. Sinto-me uma tartaruga vagarosa. Daquelas que têm mais de cem anos e chegam às praias de águas tépidas para se livrarem de centenas de ovinhos. Detesto estar grávida. Sempre detestei. Perder o controlo do meu corpo. Passar a ser um mero invólucro. Uma cabaça. Um casulo. O homem do carrinho continua ao meu lado. Chia o carrinho de supermercado como se fosse um lamento. Continua a perguntar: a menina tem um cigarro? Paro. Digo-lhe Não fumo. Ele olha para mim. Escarafuncha o nariz com as unhas sujas. Fuma. A menina fuma, diz com lentidão. Depois vai-se embora.»

19 junho 2008

Caminhos da Memória


Caminhos da Memória é um blogue que pretende dar voz a diferentes formas de lembrar, de evocar e de interpretar o passado, recorrendo a leituras contemporâneas da história e da memória. A redacção é constituída maioritariamente por membros da Associação «Não Apaguem a Memória!», ainda que não possua um vínculo formal com a mesma: Diana Andringa, Irene Pimentel, Joana Lopes, Maria Manuela Cruzeiro, Miguel Cardina, Raimundo Narciso e Rui Bebiano. Conta ainda com as colaborações de José Luís Saldanha Sanches, José Medeiros Ferreira, José Vera Jardim, Nuno Brederode Santos.

06 junho 2008

Livros para a selecção nacional


Oi aí, turminha, é pra ler, n'é

Osvaldo Manuel Silvestre dedica um post à selecção nacional. Osvaldo Manuel Silvestre é professor. E quer pôr os jogadores e o seleccionador a ler.

Playstations, computadores portáteis para dvd’s, ipod’s e telemóveis. De acordo com os relatos da imprensa, aliás - benza-a Deus! - bastante detalhados, são estas as ferramentas com que os membros da selecção nacional passam o tempo e cultivam o espírito nas longas pausas do longo estágio antes e durante o Euro. Preocupados com o divórcio entre os craques e as letras – com excepção das da tríade dourada do jornalismo desportivo -, e constatando que nem a APEL nem a UEP aproveitam o evento para uma operação promocional junto dos craques (uma feirinha do livro, por exemplo, no átrio do hotel em Viseu ou em Neuchâtel…), decidimos nós, n’Os Livros Ardem Mal, contribuir para o enriquecimento do tempo de lazer dos nossos heróis, que desejamos o mais longo possível - até à final (mas sem gregos…). Segue-se, pois, a lista de sugestões de leitura, de Scolari ao suplente mais irredutível. Nos casos em que os livros estejam esgotados, remete-se para edições no idioma original; quando não tenham sido traduzidos, indica-se também a edição original, esperando que tal funcione como incitamento às editoras locais.

Bom proveito, pessoal! E porrada nos turcos!


Luís Filipe Scolari: O Homem sem Qualidades, de Robert Musil
Ricardo
: As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis
Quim
: O Eterno Marido, de Fiódor Dostoievski
Rui Patrício
: Winnie-the-Pooh, de A. A. Milne
José Bosingwa
: Pela Estrada Fora, de Jack Kerouac
Miguel
: Terna é a Noite, de F. Scott Fitzgerald
Bruno Alves
: O Trincapregos, de Albert Cohen
Ricardo Carvalho
: Um Homem de Visão, de P. G. Wodehouse
Pepe
: Os Lusíadas, de Luís de Camões
Fernando Meira
: Acédia, de Fernando Pinto do Amaral
Paulo Ferreira
: Out of Place. A Memoir, de Edwad W. Said
Jorge Ribeiro
: O Gémeo Diferente, de Luísa Costa Gomes
Petit
: Nós Matámos o Cão Tinhoso, de Luís Bernardo Honwana
Miguel Veloso
: Jaime Bunda e a Morte do Americano, de Pepetela
Deco
: A Leitura Infinita, José Tolentino de Mendonça
João Moutinho
: O Soldado Prático, de Diogo do Couto
Ricardo Quaresma
: Quaresma, Decifrador, de Fernando Pessoa
Simão Sabrosa: Napoléon, le petit, de Victor Hugo
Cristiano Ronaldo: Histórias para Meninos sem Juízo, de Jacques Prévert
Nani: Galo Cantou na Baía e outros contos, de Manuel Lopes
Nuno Gomes: Na Berma de Nenhuma Estrada, de Mia Couto
Hugo Almeida: Hamlet, Shakespeare
Hélder Postiga: Os Marcianos Divertem-se, de Fredric Brown

03 junho 2008

800 milhões vistos pelo Dragão


Saque-mate

«Tribunal Contas detecta 800 milhões em despesa pública ilegal».

Ouvido, o Ministro das Finanças disse que não "fica admirado", já que o balúrdio representa apenas "1,1 por cento da despesa total da administração pública".

Digamos que se um tipo, entusiasmado com o expediente, desatar a assaltar repartições de Finanças de empreitada, até perfazer uma módica quantia da interessante ordem dos 80.000 euros, também não deve causar qualquer espanto ou escândalo às autoridades. Escorando-se na jurisprudência, pode sempre argumentar, caso se veja, desagradavel e asperamente, catrafilado: "então, senhores, que é lá isso?! Guardem lá as algemas, baixem lá os canhangulos, acalmem lá os chavais! Afinal, isto só representa 0,01 por cento da despesa pública ilegal em 2007!..."