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08 março 2012

Transcrições

Às vezes não vale a pena acrescentar nada às notícias. Basta seleccionar e ordenar a informação. Aqui fica uma amostra:

Chineses vão receber 144 milhões em dividendos da EDP (Económico).

O Estado vai receber menos dividendos este ano. A venda de parte das posições que mantinha no capital das empresas do sector energético, acordada com a troika no âmbito do programa de assistência financeira, retirou-lhe a possibilidade de encaixar 180 milhões de euros com a remuneração accionista que será paga pela EDP e a REN. (Jornal de Negócios)

A EDP revelou hoje que teve um lucro de 1.125 milhões de euros em 2011, mais 4% do que no ano anterior, e o melhor resultado de sempre para a eléctrica. (idem)

António Mexia: “É a EDP que financia os consumidores” (Público)

As famílias portuguesas têm uma das electricidades mais caras da Europa. A conclusão é de um estudo publicado (...) pelo Eurostat, sobre os preços da electricidade e do gás praticados entre o segundo semestre de 2009 e o de 2010, que diz que Portugal é o nono país da Europa a 27 com a factura da luz mais cara, tendo em conta o valor pago e o custo de vida nacional. (Dinheiro Vivo)

O presidente executivo da EDP, António Mexia, recusa a ideia de que as receitas recebidas pelo grupo em Portugal sejam “rendas excessivas” e considera que “a existência de um défice tarifário corresponde a uma situação em que é a EDP a financiar o sistema”. (Jornal de Negócios)

BCE agrava previsões para a economia do euro (Económico)

BCE lucra mais de mil milhões com compra de dívida soberana (Jornal de Negócios)

O resultado líquido do Banco Central Europeu (BCE) cresceu 325 por cento para 728 milhões de euros no ano passado, face aos 171 milhões de euros registados em 2010, anunciou hoje a entidade liderada por Mario Draghi. (jornal i)

03 março 2012

Fala John Perkins

«Basicamente, aquilo que fazíamos era escolher um país, por exemplo a Indonésia, que na década de 70 achávamos que tinha muito petróleo do bom. Não tínhamos a certeza, mas pensávamos que sim. E também sabíamos que estávamos a perder a guerra no Vietname e acreditávamos no efeito dominó, ou seja, se o Vietname caísse nas mãos dos comunistas, a Indonésia e outros países iriam a seguir. Também sabíamos que a Indonésia tinha a maior população muçulmana do mundo e que estava prestes a aliar-se à União Soviética, e por isso queríamos trazer o país para o nosso lado. Fui à Indonésia no meu primeiro serviço e convenci o governo do país a pedir um enorme empréstimo ao Banco Mundial e a outros bancos, para construir o seu sistema eléctrico, centrais de energia e de transmissão e distribuição. Projectos gigantescos de produção de energia que de forma alguma ajudaram as pessoas pobres, porque estas não tinham dinheiro para pagar a electricidade, mas favoreceram muito os donos das empresas e os bancos e trouxeram a Indonésia para o nosso lado. Ao mesmo tempo, deixaram o país profundamente endividado, com uma dívida que, para ser refinanciada pelo Fundo Monetário Internacional, obrigou o governo a deixar as nossas empresas comprarem as empresas de serviços básicos de utilidade pública, as empresas de electricidade e de água, construir bases militares no seu território, entre outras coisas.

Há algumas centenas de anos, a geopolítica era maioritariamente liderada por organizações religiosas; depois os governos assumiram esse poder. Agora chegámos à fase em que a geopolítica é conduzida em primeiro lugar pelas grandes multinacionais. E elas controlam mesmo os governos de todos os países importantes, incluindo a Rússia, a China e os EUA. A economia da China nunca poderia ter crescido da forma que cresceu se não tivesse estabelecido fortes parcerias com grandes multinacionais. E todos estes países são muito dependentes destas empresas, dos presidentes destas empresas, que gostam de baralhar as pessoas, porque constroem muitos mísseis e todo o tipo de armas de guerra. É uma economia gigante.

(...) a boa notícia é que as pessoas em todo o mundo estão a começar a compreender como tudo isto funciona. Estamos a ficar mais conscientes. As pessoas na Grécia reagiram, na Rússia manifestam-se contra Putin, os latino-americanos mudaram o seu subcontinente na última década ao escolher presidentes que lutam contra a ditadura das grandes empresas. Dez países, todos eles liderados por ditadores brutais durante grande parte da minha vida, têm agora líderes democraticamente eleitos com uma forte atitude contra a exploração. Por isso encorajo as pessoas de Portugal a lutar pela sua paz, a participar no seu futuro e a compreender que estão a ser enganadas. O vosso país está a ser saqueado por barões ladrões, tal como os EUA e grande parte do mundo foi roubado. E nós, as pessoas de todo o mundo, temos de nos revoltar contra os seus interesses. E esta revolução não exige violência armada, como as revoluções anteriores, porque não estamos a lutar contra os governos mas contra as empresas. E precisamos de entender que são muito dependentes de nós, são vulneráveis, e apenas existem e prosperam porque nós lhes compramos os seus produtos e serviços. Assim, quando nos manifestamos contra elas, quando as boicotamos, quando nos recusamos a comprar os seus produtos e enviamos emails a exigir-lhes que mudem e se tornem mais responsáveis em termos sociais e ambientais, isso tem um enorme impacto. E podemos mudar o mundo com estas atitudes e de uma forma relativamente pacífica.»

in jornal i

Fala José Pacheco Pereira

«Portugal comprou esta semana a bala da sua execução, com alguma pompa, circunstância e uma gigantesca cegueira e subserviência aos poderosos da Europa. Refiro-me à assinatura do texto do novo "tratado" cisionista da UE, que deixa de fora o Reino Unido e a República Checa. A assinatura por si só não significa a ratificação do tratado, que tem que ir aos Governos, aos Parlamentos nacionais, passar nos tribunais constitucionais onde é caso disso, e, no caso irlandês, a referendo. Mas conhecendo os nossos costumes, para Portugal, é como se já fosse de pedra e cal, perante a subserviência de Governo, do PSD e do PS, a complacência presidencial, o olhar para o lado do Tribunal Constitucional, e a abulia da opinião pública. Mais uma vez, fomos colocados sob o signo da nova lei da inevitabilidade, para aprovar a "regra de ouro", de que é feita a bala que, destruindo tecido, osso e massa encefálica, deu a outros o instrumento para a nossa execução.

(...)

Há receitas by the book que os bons técnicos conhecem, mas duvido que percebam por que razão os países não podem ser governados by the book. Duvido que saibam o que é o "ruído" de que sociólogos como Weber teorizaram. É que se os países fossem governados by the book, seria fácil governá-los e nada falhava. É aliás esse o mito tecnocrático, o de que o saber puro, uma espécie de matemática de soluções interligadas, de modelos, quando aplicadas com rigor, dão os resultados pretendidos. Esta é, aliás, uma ilusão muito típica dos economistas que, como agora estamos no tempo deles, arrastam atrás de si a admiração embasbacada dos comuns mortais.

Talvez valha a pena lembrar que a maioria dos modelos que foram aplicados à economia mundial e nacional falhou estrondosamente e que na génese de muitos problemas actuais está uma coligação muito próxima de economistas e políticos, ambos unidos por essa redução da política ao "economês". (...)

O pequeno e imenso problema é o "ruído" do mundo. As acções humanas, sejam na economia, na sociedade, na cultura, na política, estão cheias de "ruído", que gera um enorme fosso entre as intenções proclamadas e os resultados obtidos. Quase que se pode dizer que a regra é os resultados serem muito diferentes das intenções. É a regra que Weber lembrava aos políticos de que a maioria das suas acções tem resultados exactamente opostos ao pretendido. Aplica-se também aos economistas a fazer política.

(...)

Os propagandistas do actual poder (...) têm-se em tão alta noção de si próprios que acham que estão a "mudar Portugal", a "fazer um país diferente", um típico revolucionarismo messiânico, em versão chã.»

in Público, 3MAR2012

28 fevereiro 2012

Trabalharemos com determinação

Fala Vítor Gaspar:

"Em 2013 já estaremos em período de recuperação económica". "Trabalharemos com determinação".
O desemprego continuará a crescer ainda em 2012 e no principio de 2013. A taxa atingirá 14,5% em 2012, diminuindo para pouco menos de 14% em 2013". "Trabalharemos com determinação".
"Não pediremos nem mais dinheiro, nem mais tempo". "Trabalharemos com determinação".


E assim, com tanta determinação, Portugal é um caso de sucesso. O desemprego sobe. A recessão agrava-se. As desigualdades sociais agravam-se. O assistencialismo regressa. As pessoas vão de mal a pior, com excepção de meia dúzia que continua a viver muito acima da média nacional. E ouvimos um discurso que traz ecos perniciosos: trabalharemos com determinação. Música que encanta tantos ouvidos tugas, quiçá por um saudosismo do velho Arbeit macht frei (o trabalho liberta).

Mimos de inverno com bolas de cristal

Passos Coelho já não é tão ingénuo como parecia quando debutou como chefe do governo. Agora já tem gente a trabalhar discursos e maneiras de dizer. Há que preparar a gentalha para mais austeridade. Crêem estas luminárias que a melhor maneira é fazerem assim, dizendo que não vai ser preciso mais austeridade e completar a mensagem com uma dessas frases tão do agrado dos pacóvios salões portugueses: "Não tenho nenhuma bola de cristal. Como presidente do PSD ou como primeiro-ministro não me anuncio como um profeta". E depois insistir com uma frase longa, dessas que as pessoas logo se cansam a ler ou a ouvir: "O que posso é dizer aos portugueses que não temos, como referi ainda há poucos dias, nenhum elemento que nos leve a concluir que será necessário reajustar de tal forma o cenário macroeconómico, as perspectivas de desenvolvimento ao longo deste ano em Portugal, que isso tenha de conduzir à adopção de medidas novas que, de alguma forma, corrijam esse desempenho".

27 fevereiro 2012

Haja um mínimo de lucidez

Ainda bem que há vozes que dão o seu a seu dono. Como estas que põem o ponto nos is: "Há uma teia em que diversos factores, e não apenas a crise económica, podem contribuir para o aumento da criminalidade. Por exemplo, as pessoas que vêem o crime de colarinho branco a não ser punido adquirem a percepção de que se os grandes fazem, então também podem roubar num supermercado", como diz o antropólogo Daniel Seabra.
Já o inspector-chefe da PJ, Tavares Rijo, faz questão de salientar "Quando assistimos ao retirar de direitos às pessoas e vemos outros vangloriarem-se de que nem se importam muito sobre quanto vão receber por cargos não executivos (...), temo que a revolta possa surgir e que a legitimação dessa revolta se comece a instalar".
Um mínimo de bom senso é sempre salutar.

Fonte: JN

Da asneirada

O homem fala e a coisa propaga-se. Diz ele (ele é Paul Krugman) que para reconquistar competitividade, os salários em Portugal têm de descer substancialmente: 20% a 30% em relação aos salários alemães.
Ora, ou estamos completamente doidos, ou os salários em Portugal são 35% inferiores em média ao dos alemães. O salário médio anual de Portugal antes da crise era de 12 425 euros. Na Alemanha era de 34 975 euros. Se não me falham as contas eram 35,5% de diferença. Agora a coisa ainda deve ser pior.
Por isso pergunta-se que pretende Paul Krugman com a boutade? Chamar a atenção para a sua argúcia? Ou dizer que influencia o governo português? Ou será que advoga sem ter coragem para o fazer que Portugal deve ser como a China e ter trabalho escravo?
Em Maio de 2010, o economista e professor de Princeton recomendava cortes salariais que podiam ir até 30%, dando como exemplos a Grécia, Espanha, Portugal, Lituânia e Estónia. Agora fica-se pelos 20%. Curiosamente, afirma “o que se passa na Europa e no mundo se deve em grande parte ao fracasso dos economistas”. Ele deve ser um dos tais, digo eu.

21 fevereiro 2012

Da vaidade

«Os escritores têm muita dificuldade em aceitar que tudo acaba por se esquecer. Tudo tende para o esquecimento. Mas há mais relações, o jornalista aprende com o escritor o respeito pelas palavras, sabendo que há palavras que se dão com as outras, e outras não. Não calcula o tempo que demoro a escrever aquela merda com 1400 caracteres. Leio aquilo tantas vezes... Volto atrás e vou para a frente. Só a trabalheira de arranjar assunto. Eu espontaneamente só tenho opinião uma vez por ano, agora tenho de ter todos os dias porque ganho a vida assim.»

«Os políticos tratam-me sempre bem. São umas putas velhas.»

«Eu não tenho nenhuma fé. Mas escrevi recentemente uma crónica chamada “O que fica depois do que se perde”, sobre o filme “A Palavra”, do Dreyer. É uma história sobre a fé.»

«No outro dia disse uma coisa com que concordo, nem sempre isso me acontece. Estive a reler uma entrevista minha à “Ler”, e exclamei: “Eu disse isso?” Fiquei contente. Achei que tinha dito uma coisa acertada. Nem pareço eu. A propósito do Joaquim Manuel Magalhães falar do regresso ao real, disse: “Mas há alguma coisa que não seja real? Tudo é real. O problema é que há muitas realidades. O sonho é tão real como estar acordado.”»

palavras de Manuel António Pina em entrevista ao jornal i

20 fevereiro 2012

Das dívidas

A dívida conjunta de Estado, famílias e empresas não financeiras ascendeu, no final do ano, a 715 mil milhões de euros, ou seja, 418% do PIB.

Fonte

A grande banca portuguesa

... houve um período em que os bancos emprestavam para tudo, a taxas baixas, ficando garantidos com a hipoteca do imóvel e com fiadores – na maioria, os pais –, mesmo sabendo que os seus rendimentos eram baixos. Resultado: há cada vez mais casos de idosos que, por terem avalizado os empréstimos dos filhos, vêem os seus imóveis serem penhorados.

frases retiradas daqui

15 fevereiro 2012

Fala M. A. Pina

«Segundo cálculos divulgados pelo jornal económico francês "Les Echos", a Alemanha deverá à Grécia em resultado de obrigações decorrentes da brutal ocupação do país na II Guerra Mundial 575 mil milhões de euros a valores actuais (a dívida grega aos "mercados", entre os quais avultam gestoras de activos, fundos soberanos, banco central e bancos comerciais alemães, é de 350 mil milhões).

Ao contrário de outros países do Eixo, a Alemanha nunca pagou.

Talvez seja a altura de a Grécia exigir que um comissário grego assuma a soberania orçamental alemã de modo a que a Alemanha dê, como a sra. Merkel exige à Grécia, "prioridade absoluta ao pagamento da dívida".»

Ler o artigo aqui.

14 fevereiro 2012

Lucinda Creighton vs. Miguel Relvas

Enquanto Relvas se arvora em entendido e mostra a fibra débil que o molda, dizendo que a Grécia «deve seguir o caminho» de Portugal e Irlanda, que «aplicaram as políticas correctas no momento adequado», Lucinda Creighton, ministra irlandesa dos Assuntos Europeus, põe em evidência que a formação é essencial e diz que há um dever de solidariedade, um dever que é particular entre os três países do euro intervencionados e “seria errado tentarmos demarcar-nos da Grécia ou de outro país que esteja a atravessar dificuldades”.

Previsões

"Sem o apoio mais amplo da Alemanha à Europa, Portugal será a próxima Grécia. Para mim, Portugal é a Grécia 12-18 meses depois. Olhem para a Grécia e podem traçar uma linha temporal para Portugal", diz Steen Jakobsen, economista-chefe do Saxo Bank.
Que prevê que a Grécia deve sair da zona euro antes de Junho e que, poucos meses depois, algures no terceiro trimestre, Portugal vai viver uma nova "fase crítica".

Anne-Laure Delatte, professora de Economia na Rouen Business School, não acredita que Portugal escape a um novo resgate. Caso os juros da dívida pública exigidos pelos investidores ainda estejam em "níveis superiores a 5% quando os empréstimos do FMI terminarem", Portugal vai ter de pedir mais austeridade em nome do novo empréstimo. Para já, todas as ‘yields' nacionais negoceiam acima de 13%.

Mais aqui.

13 fevereiro 2012

Problemas de seca? Chamem a Assunção Cristas

Ela tem a solução: tem "esperança que comece e chover e as coisas se possam resolver”.
Ser ministro confere o dom da esperança. E a esperança é pródiga em água, como todos sabemos.

10 fevereiro 2012

Sobre o salário dos políticos portugueses

Passos Coelho considera que os políticos não são bem pagos. E eu discordo de Passos Coelho. Olhando para o salário médio dos portugueses, os políticos são muito bem pagos.
Se quisermos aumentar os vencimentos dos servidores do Estado temos de os aumentar todos e o mesmo terão de fazer os privados. Mas para que isso seja viável, é preciso que o país se desenvolva economicamente. Ou seja, é preciso que o governo olhe para onde deve olhar: para as empresas.
É que em Portugal há sempre um discurso para baixar salários e tirar direitos aos assalariados e outro para quem se acha acima dos assalariados.
Sabemos que em todo o mundo as maiorias aceitam ganhar muito pouco para que alguns ganhem exorbitâncias. Portugal ainda é um país assim, cheio de desigualdades e de miséria. Quando certos tontos falam da «folia dos últimos anos» devem estar a ver-se ao espelho.
Passos Coelho gostava de ganhar mais como primeiro-ministro. Mas para isso, além do crescimento da economia, exige que tenha menos motoristas e que gaste o dinheiro do Estado em outras coisas que não as do costume: mordomias, assessorias, pareceres, obras megalómanas ou desnecessárias.

08 fevereiro 2012

Dos Tonis deste país

Um dos meus passatempos preferidos é ler os comentadores económicos da nossa praça. Pelo humor de que são capazes. Ou, mais prosaicamente, por serem exímios em encher chouriços com nada.
Veja-se esse ilustre escriba que dá pelo nome de António Costa. Diz ele, cheio de sabedoria e muito preocupado com Portugal, que «a discussão em torno da tolerância de ponto do Carnaval é desproporcionada face à sua real importância. É absurda.» E porque é que ele acha isso absurdo? Porque está preocupado com o país. Afirma que «Portugal dificilmente conseguirá regressar aos mercados em 2013, mesmo que faça tudo bem.»
É uma preocupação monumental. Algo que dá insónias a qualquer patriota.
O que é que o cu tem a ver com as calças, pergunta o Zé na rua. Ora, caro Zé, tem tudo a ver. A economia do país não cresce por causa dos feriados e do Carnaval. Em se acabando com essas duas pechas, a economia crescerá a olhos vistos... Ou se calhar não. Segundo o nosso Toni Costa, a solução está em «criar condições para a economia crescer e tornar a nossa dívida solvente.» Lindo, não é?
Não há uma ideia que seja no artigo que mostre aos leitores do jornal como é que a economia vai crescer, há apenas o ressentimento do Toni contra o Carnaval e o assobiar para o lado com o crescimento da economia.
Percebe-se que para ele o bem-estar das pessoas e o ânimo que possam sentir são irrelevantes. Eu pergunto-me se é assim, porque é que lhe pagam o que pagam? Não sairia mais barato ao jornal e ao país ter um comentador deste calibre a varrer ruas?

07 fevereiro 2012

Fala quem sabe

Fala Jorge Sampaio: "Porque é que os trabalhadores têm menos absentismo nas empresas bem geridas, porque é que as multinacionais bem geridas têm sucesso, porque que é que a Ford Volkswagen é citada como um exemplo de boas relações laborais?"

"A minha tese é que temos grandes capacidades, somos capazes de tudo, mas precisamos obviamente de gestão, de capacidade, de aprofundamento e de combater desigualdade sérias".

Já há quem siga a proposta do governo e emigre

O actual director artístico do Museu de Arte Contemporânea de Serralves (MACS), João Fernandes (n. Bragança, 1964), vai ser o novo subdirector do Museu Nacional Rainha Sofia, em Madrid, substituindo no cargo a australiana Lynne Cooke.

Pode ler-se em a mesma notícia no original, em castelhano:

João Fernandes (Bragança, 1964) , el hasta ahora director del Museo Serralves de Oporto, ocupará el cargo de subdirector del Reina Sofía, en lugar de Lynne Cooke.

Da pieguice do coelho a querer dar passos socráticos

Alguma alma douta e esclarecida soprou o termo à alma moldável de Passos e o coelho que há nele caçou-o e com ele fez brilharete na cerimónia do 40.º aniversário das escolas do grupo Pedago.
Há escolas com um nome que é todo um programa. Coelho deu passos de ambicioso, pondo a nu o seu coração perante tão douta e esclarecida assembleia. Mas Coelho claudicou no discurso, socorrendo-se de expressões como "enfatizar a relevância", muito ao gosto das reuniões empresariais em que a elite económica confirma (em privado) a débil formação intelectual que possui, o que não a impede, claro está, de ser altamente bem sucedida nos negócios. Passos Coelho, quiçá empolgado pelas muitas reuniões em que já participou, pôs de lado o seu ar de menino aplicado e bem comportado e ousou um pouco da soberba socrática. Como não podia deixar de ser, quem veste uma pele que não é a sua, estatela-se e dá aso a muita maledicência.
Não sejamos piegas e zurzamos com toda a força no coelho, a ver se a carne se amacia um pouco, pois é coelho velho. Sejamos exigentes e intransigentes para com o primeiro-ministro do nosso país, não deixando passar em silêncio prosápia de tão baixo calibre.

06 fevereiro 2012

Se não me engano

O porta-voz dos Assuntos Económicos da Comissão Europeia, Amadeu Altafaj Tardio, é, como o nome indica, tardio, ou seja, distraído. A distracção, em política, traz sempre água no bico. E num processo negocial destina-se a atirar areia para os olhos de alguém, na expectativa de levar a sua avante.
Diz o senhor que em Portugal o salário mínimo é de 570 euros. É, sim senhor. Acho até, "se as minhas informações são corretas" que é de um pouco mais: 485 euros. Mesmo que ele faça o jogo das médias, 14 vezes 485, a dividir por 12, fica um pouco abaixo do valor que apresenta (os arredondamentos dão jeito numas coisas, noutras são proibidos).
Tudo porque considera que 751 euros por mês, valor do salário mínimo grego, é muito elevado. O senhor Amadeu Altafaj Tardio é da estirpe de Sua Excelência, o Senhor Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, ganha pouco e poupa muito.
Uma salva de palma, por favor e não se enganem, não o apupem nem mandem prò c...