03 outubro 2009

Assunto Portugal

Diz Vasco Graça Moura: "Portugal está cada vez mais transformado num país de analfabetos em relação ao seu próprio país. Acho lamentável que tudo isto se passe assim, com a literatura transformada numa espécie de papel higiénico e os próprios políticos a correr atrás da primeira moda com que se lhes acene".
Manuel Villaverde Cabral diz: a educação poderia ser a solução, "desde que a escola não tivesse desistido dos chumbos e dos exames e não tivesse medo de confrontar as pessoas com os seus êxitos e com os seus fracassos".

Fonte: P

02 outubro 2009

A correspondência integral de Van Gogh


Novecentas cartas divididas por seis volumes, num total de 2240 páginas: 325 euros (395, a partir de 4 de Janeiro). Edição Thames and Hudson.
Ao cabo de quinze anos de trabalho do Museu Van Gogh de Amesterdão, do Instituto Huygens e da Real Academia Holandesa de Artes e Ciências, eis a correspondência integral de Van Gogh, com mais de dois mil desenhos.

Vincent van Gogh - The Letters: The complete, illustrated edition, Van Gogh Museum/Huygens Institute/Mercatorfonds/Thames & Hudson. Thames and Hudson (UK and US), Actes Sud (France) and Amsterdam University Press (The Netherlands), Mercatorfonds (Belgium), 2,240 pages, six volumes, hardcover, over 2,000 illustrations. Price € 325 until 3 January 2010, from 4 January 2010: € 395.

01 outubro 2009

Nneka

A foto proibida


A exposição Pop Life: Art in a Material World está a causar polémica por conter uma foto da actriz Brooke Shields nua aos 10 anos.
A foto foi retirada da exposição da Tate Modern, de Londres, após a polícia ter considerado que se poderia tratar de pornografia. A imagem deveria ser exibida hoje, quinta-feira, na mostra Vida Pop: Arte em um Mundo Material. Tinha até uma sala própria - que agora está fechada.
A obra, Spiritual America, é de Richard Prince, a partir de uma fotografia de Gary Gross tirada em 1983 e mostra Brooke cheia de maquilhagem, com óleo no corpo e dentro de uma banheira.
A decisão de fechar a sala foi tomada após um encontro entre a Unidade de Publicações Obscenas da Scotland Yard e as chefias da Tate.

30 setembro 2009

Números

"Houve 3 milhões 678 mil e 536 cidadãos eleitores que se alhearam desse dever cívico [votar]. Os 36,56 por cento do PS passam para 21,75 por cento, se referidos ao número total de eleitores."

Santana Castilho no Público, edição papel

José Antonio Muñoz Rojas (1909-2009)

No dia 9 de Outubro faria 100 anos. Morreu ontem. Aqui ficam alguns dos seus poemas. Podem ler mais aqui e aqui, sítios onde fomos buscar:

De puntillas ha entrado en mi alma

De puntillas ha entrado en mi alma
sin sentirlo, ni si el alma tiene puertas,
aunque he sentido pasos, y calor,
y ese silencio que sucede.
No hay silencio como el de la soledad,
que no es tan fácil como se dice
eso de estar solo (pero eso es otra cosa,
siempre todo es otra cosa). Pero vuelvo
a la soledad que tan bien se lleva,
con ese silencio que se hace
en la soledad, y desvanece las compañías
que no son soledad, y nos hace
andar por dentro, sintiendo las resonancias
del silencio en la soledad, las olas
de la soledad en el silencio.

La dicha, qué es la dicha?

La dicha, qué es la dicha? (La palabra
no me hace feliz, dicho de paso). Yo diría
que es sencillamente ir contigo de la mano,
detenerse un momento porque un olor nos llama,
una luz nos recorre, algo que nos calienta
por dentro, que nos hace pensar que no es la vida,
la que nos lleva, sino que nosotros somos
la vida, que vivir es eso, sencillamente eso.

Tu oficio, poeta...

Para que algo quede de este latir,
para que, si alguien quiere mirarse, pueda;
para calmar quizá alguna sed, y que alguien diga
«a mí me pasó algo semejante».
Los poetas estamos para eso:
para ofrecerles tránsito a los demás,
para que se encaramen sobre nuestros latidos, y que divisen
un poco más allá, en médio
de tanta oscuridad como nos circunda.
A veces nada tiene sentido, ni siquiera
que me des la mano o esse
limón redondo tan bello en la vereda.
A veces lo que tiene sentido no tiene sangre,
ese poco de sangre por la cual se muere.
Todo es ganas de morir de otra manera,
ganas de imitar a los ríos y que la tierra vea
que hay otras aguas y otras penas, y los cielos
contemplen misericordiosamente
nuestras peregrinaciones.
Tu oficio, poeta, es contemplar,
que todo se te escriba dentro; luego,
quizá leer allí mismo, quizá decir a los otros
lo que allí mismo, escrito, tú lees.

29 setembro 2009

Do lucro e dos apêndices


A lógica do lucro é poderosa. E é-o de tal maneira que são raros os que lhe escapam. No entanto, para que esse poder seja exercido com eficácia, o lucro tem um imenso guarda-fatos e usa um imenso número de máscaras. O emprego ou a criação de emprego é um desses artifícios. Não há discurso público ou privado que não se sirva do argumento da criação de emprego para melhor alcançar o objectivo fundamental: a obtenção de lucro.
Diz-se que sem trabalho não há lucro. Dizer demasiado antigo e pouco eficaz nos tempos que correm. Obtém-se mais lucro com especulação do que com trabalho. Mas nem todas as empresas estão vocacionadas para a especulação. As regras de mercado e natureza social e estatutária das empresas, além das limitações dos empresários, impedem-nas de se movimentarem no meio da especulação e constrangem-nas a outras formas de obtenção do lucro.
O princípio mais clássico é o da exploração de mão-de-obra, havendo também a calotice (não pagar a fornecedores).
Parece que os empresários portugueses são excelentes. Há anos que ouvimos falar da baixa produtividade e de outras coisas assim, deixando sempre de fora o empresário e pondo sempre a tónica no trabalhador. É um pensamento mais fácil e socialmente muito mais bem remunerado. Pois se as pessoas começassem a duvidar das qualidades empresariais dos empresários punha-se em risco toda a lógica do sistema.
Não é que de quando em quando não venham a lume notícias reveladoras da dita "qualidade" empresarial. Por exemplo, a de que são muitos os que se servem da crise para porem em prática o seu apurado sentido predador: destruindo empresas e empurrando para o desemprego os que nelas laboravam.
Este ano já foram feitas 70 participações criminais referentes a actividades irregulares de empresas, 45 das quais por encerramento ilegal no âmbito da crise. Além dos 523 autos por infracções detectadas em incumprimento de formalidades nos despedimentos colectivos ou outras situações de lay-off.
A excelência empresarial exige, para continuar no bom caminho, que o Estado regule pouco e, sobretudo, que inspeccione ainda menos. Mas, pelos vistos, o Estado tem sido chamado a inspeccionar e a agir. Algo que deve incomodar os barões dos empresários, apesar de por ora parecerem mais preocupados com o Bloco de Esquerda e com possíveis alianças entre o BE e o PS. Pois se há coisa que incomoda os barões é sentirem-se postos de lado. E para estar nas bocas do mundo e para que o mundo perceba a excelência, o mérito, a nobreza e o requinte da classe empresarial portuguesa, nada como fazer barulho fora das coutadas, de preferência em terrenos baldios. Assim, podem continuar os seus afazeres, contribuindo para a riqueza do país (as suas próprias contas bancárias).

28 setembro 2009

Bruno Balegas de Sousa


Estudou Belas Artes durante 6 anos. E já foi projeccionista de cinema, carpinteiro, jardineiro, bagageiro e empregado de bar. Agora é carteiro. E continua a pintar e a fazer ilustrações. Tem um blog com imagens do que faz (1,2,3). O i dá-lhe a palavra. E nós tomamos a liberdade de escolher uma imagem do seu trabalho de ilustração.

27 setembro 2009

Dizem que é a "asfixia democrática"

A Madeira não é bem parte do território nacional, não só pelos ares quentes que lhe chegam de África, como também pelo modo como esses ares deformam os militantes do PSD local.
E a gente começa a perceber como é que se ganham eleições: vai desde a mais pura aldrabice (uma eleitora ao apresentar-se para votar descobriu que o seu nome já tinha sido descarregado) até ao constrangimento puro e duro (pessoas ligadas ao PSD que estavam a “condicionar o direito de voto, numa atitude pouco democrática”).
Razão tinha a nossa Manuela ao falar em asfixia democrática. Por cá, acontece mais a troca de boletins de voto (por sinal numa autarquia... PSD).

Do jornalismo


Vasco Ribeiro, docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, analisou a influência das fontes no noticiário político, produzido ao longo de 15 anos, pelo "Correio da Manhã", "Diário de Notícias", "Jornal de Notícias" e "Público". E concluiu que:
"(...) o jornalismo é, nada mais nada menos, do que o espelho de toda uma estrutura económica, social e política em que nós estamos inseridos. O jornalismo não é, nem nunca foi contrapoder."

"O problema é que o jornalismo não pensa e, infelizmente, tem vindo a pensar cada vez menos."

"Devia-se aprender nas escolas que o jornalismo é um ponto de vista, é uma informação muito efémera e evasiva... Os portugueses ainda não estão habituados a olhar para a Comunicação Social como um ponto de vista, mas como algo que é realmente verdade."

Fonte: JN

Jamie Baldridge






Mais, aqui.

O último rei, D. Manuel II

Diz Vasco Pulido Valente: "infectado por uma actriz francesa, tinha sífilis". Como se não bastasse essa doença dos devassos, "o príncipe Félix Youssoupof, o assassino de Rasputine, veladamente dissera que ele era gay e frequentava os círculos gay da aristocracia inglesa".
Haverá coisa pior? D. Manuel era o que restava de uma dinastia. Não teve filhos. Não deixou, portanto, herdeiro ao trono, mesmo que já não houvesse trono. Que sentido faz falar de monarquia em Portugal?

26 setembro 2009

José Luis Piquero

Malo

Yo soy malo. ¿Recuerdas cuando Gina
me lo llamaba -Malo-, no con esa
complicidad coqueta tras mi típica broma
cruel a costa de alguien, sino en serio
y con la gravedad de lo que es cierto
y muy triste (ya estábamos
a punto de dejarlo).

Es curioso: de niños somos ‘malos’
sin más; después ser malo
se llena de matices: eres cínico
(malo), rebelde (malo), contestón
(malo).
Llegas a adulto y las palabras
recuperan su antigua contundencia:
te miran con sorpresa y rebuscado
espanto y ¡Tú eres malo!, dice alguien
resumiéndolo todo, tus traiciones
cotidianas, tus infidelidades,
tu vicio: causar daño.
Vicios: Bichos.
Ninguna casa está libre de bichos.

En cada grieta, bajo tu colchón.
Huyen de ti, te pican, te dan miedo.
Se alimentan de ti.

[in Monstruos perfectos, Renacimiento, 1997, p.33]

Género profesor (de Teoría Literaria-Lírica)

Ser necio y tener trabajo:
eso es la felicidad.
Gottfried Benn


Nos enseñaba a odiar la poesía,
y estas fueron sus víctimas: tantísimos
tontos de facultad, muy licenciados
en cháchara semiótica.
Los logros
conseguidos (menos lectores, menos
competencia) aseguran el relevo
en la especie académica (o el pincho
de las 12 entre clase y seminario).

Suya no fue la culpa si le hicieron,
en un rapto de olvido, indispensable.

[idem, p. 20]

Oración de Caí­n

Gracias, odio; gracias, resentimiento;
gracias, envidia:
os debo cuanto soy.
Lo peor de nosotros mantiene el mundo en marcha
y la ira es un don: estamos vivos.

De quien demonios sean las sonrisas,
derrochadas igual que mercancí­a barata,
yo nunca me he ocupado.
Gracias por no dejarme ser inconstante y dulce
mientras levanta el mundo su obra minuciosa de dolor
y nos hacemos daño unos a otros
amándonos a ciegas,
con torpes manotazos.

Yo soy esa pregunta del insomnio
y su horrible respuesta.
Bésanos en la boca, muchedumbre, y esfúmate,
que estamos siempre solos y no somos felices.

Gracias, angustia; gracias, amargura,
por la memoria y la razón de ser:
no quiero que me quieran al precio de mi vida.

Gracias, señor, por mostrarme el camino.
Gracias, Padre,
por dejar a tu hijo ser Caí­n.

[in Autopsia. Poesía 1989-2004, p.186]

Mais poemas do autor aqui.

24 setembro 2009

O imenso problema do ser ou não ser poesia

Eu gosto de ler. Leio legendas de filmes, mensagens publicitárias, títulos de jornais e os rodapés que passam na TV. Passo os olhos pelo que a net me oferece. Quanto a livros, bem, tenho ser honesto e deixar vir à tona a minha educação católica: passo adiante, aborrecem-me. E não é por serem em prosa. Basta que seja livro. Os livros foram uma obrigação enquanto andei na escola. Mal saí, respirei de alívio. Libertei-me desse tormento. E não me dei mal. Evitei as questões que incomodam uma meia dúzia. Essa que de tudo gosta de fazer campo de batalha, mostrando ao mundo o que é e o que não é arte, mostrando o que é ou não é poesia. Os da prosa falam de vendas. Os da poesia falam do que é a poesia.
A poesia é um assunto nacional. Porque são milhares os que rabiscam umas coisas a que chamam poemas e porque são centenas os que juntam esses rabiscos e os publicam. De resto, os livros de poesia interessam a duzentas ou trezentas pessoas (às vezes mais, às vezes menos e nem sempre as mesmas, convém dizer). Mas que pessoas... Adoram fazer uso do indicador e, quais timoneiros da classe leitora, apontarem o caminho. Porque, quais deuses, vivem num mundo à parte, onde a VERDADE brilha com intensidade.
Eu, que não gosto de ler, mas rabisco uns versos, também sei o que é a poesia. A poesia não é. Porque a poesia é. Não é algo absoluto, embora muito ditador encapotado ache que sim. É o que cada poeta faz dela.
E o que é um poeta? Um criador. Alguém que ousa escrever contra os espartilhos de uma época, indo mais além. Pode haver quem, dado às formas, seja um esteta e procure inovar misturando as muitas formas que a poesia tem tido ao longo dos tempos. Há quem prefira entendê-la como maneira de dizer. Dizer de um modo pessoal o que é seu, mesmo que esse seu esteja altamente contaminado por tudo o que já foi dito.
O diálogo entre omelhoramigo e o rascunhonet é curioso, porque mostra duas maneiras distintas de entender a poesia. Se calhar até não tão distintas, apenas pondo em choque duas individualidades.

As escolas podem ser lugares muito perigosos


Que o digam as crianças de uma escola de Tortosendo (Covilhã). Assustadas por terem a porta da sala de aula fechada atiraram-se da janela do primeiro andar. Uma menina e um menino. Ela fracturou a bacia. Ele partiu os pulsos. Podia ser uma história de amor, mas foi apenas um momento de pânico.
O outro caso passou-se longe do nosso país, em Durban, na África do Sul. Um avião caiu no recreio da escola. O aparelho, um Jetstream 41, com 29 lugares, partiu-se em três ao tentar aterrar no recreio da escola que fica perto do aeroporto.

Fonte: JN

23 setembro 2009

José Manuel Benítez Ariza

Las amigas

Es posible que sepan demasiado
de ti, después de tantos años, cuando
vuelven a la ciudad, tienen un título
o quizá un buen empleo y te presentan

a un tipo que se esfuerza por caer bien.
Y es que de nada sirve haber cambiado,
creerte algo más listo o tener una
docena de aventuras que contar,

para contrarrestar esta penosa
sensación de que sigues siendo el mismo
muchacho al que trataban con afecto

y una cierta distancia; de que son
cada vez más hermosas las amigas
y, me temo, también inalcanzables.

[in Casa en construcción, Renacimiento, 2007, p.124]


Los amigos

Si quisiera reunirlos en una fiesta -pienso
en una despedida, por ejemplo,
antes de un largo viaje-, posiblemente apenas
hablarían entre ellos, o tendrían
muy poco que decirse; y es fácil suponer
que el espacio previsto para el baile
o la conversación acabaría
irremisiblemente separándoles,
algo decepcionados, mientras yo
insisto en presentarlos, cuento anécdotas
que no vienen al caso
y les sirvo otra copa.
Pienso en cómo
los conocí, qué parte de mi vida
les pertenece, qué saben de mí
estos buenos amigos que no tienen
casi nada en común y representan,
sin saberlo, las vidas que soñé,
las que quiero olvidar, las que esa música
de fondo que yo sólo distingo de las voces
y las risas de la celebración
convoca para mí. Cómo han cambiado.
Cómo he cambiado yo, que no sé qué decirles,
cómo pedir disculpas por haber
mezclado todas las invitaciones,
por citarlos en tiempos, en lugares distintos,
con tipos que ellos creen que soy yo.

[idem, pp.73-74]

Outros poemas do autor: aqui.

22 setembro 2009

Jordi Virallonga

He ido a por palabras al mercado

He ido a por palabras al mercado,
a que me digan: ¡hola rubio, míralo
qué guapo va! ¿has ido al peluquero?
Cuánto tiempo sin verte ¿dónde estabas?
¿y los niños? Habrán crecido mucho.
¿Y tu esposa, qué dice tu mujer,
ya te deja venir solo al mercado?
Si fuera yo no te quitaba ojo,
pero ojito lo que haces que la llamo.

Se murió, iba a decirle,
pero preferí comprarle huevos,
medio pollo y un conejo.
La vida sorprendentemente es dulce
cuando todo pasa tal si el tiempo no pasara,
como pasa en los cuentos, en la cama,
es el guiño de mis hijos al decirme que estoy feo
o en las noches que no cierran bruscamente la ventana.

[in Por vivir aquí, Bartleby, p.135]

Gratitud

Me preguntas quién soy
pero dices qué es de mí,
por qué me encuentro mal y bebo
en vez de ir al siquiatra y al gimnasio.
Sospecho que mi vida es lo que no recuerdo,
pero siento que me basta lo que he sido.

Tú me miras con piedad,
y lo agradezco.

[in Respiro]


Inocencia

No es el verdugo quien dicta ni atiende
los asuntos mundanos. Sólo hace su trabajo.
También el asesino que asesina,
la víctima que muere, los testigos
que atestiguan que sí, que no o quién sabe,
todos ellos, la gente que pasaba,
la prensa que pensaba, hacían su trabajo.

Mas no temáis. Ni ellos ni yo ni nadie
debemos responder ante la historia.
Si acaso el rey o dios, que son irresponsables,
paradigmas verbales del odio y de la gloria.

[in a media voz]