11 março 2009

A distracção dos dólares


Estavam três milhões de dólares falsos em ganda festa, ali pròs lados do parque de estacionamento de um hipermercado de Alfragide, quando chegou a Judite. Judite dirigiu-se à festa que tinha lugar num carro, onde milhares de pranchas já impressas de notas de 100 dólares acendiam brilhos azuliantes nos olhos de dois mânfios e não esteve com meias medidas, foi logo com as botas ou com os punhos ou com as pistolas e pronto, negócio fechado.

O director da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da PJ salientou a alta qualidade do dinheiro apreendido, referindo que a gramagem do papel (denominado papel dinheiro, por servir para fazer notas ou outros títulos fiduciários) é de qualidade, muito próxima daquela que é utilizada quando se faz dinheiro de verdade. De elevada qualidade é também a impressão offset. A afinação da máquina utilizada é quase perfeita, subsistindo apenas um ligeiro desacerto que deixa marcas, as quais poderão ser agora analisadas para apurar eventuais ligações desta rede com outras apreensões já realizadas.

O valor estimado dos dólares falsos rondaria os 600 mil euros.

Ao que a nossa reportagem conseguiu apurar, os dólares tinham-se mascarado no carnaval e ainda não tinham tomado banho, tresandando a álcool do bom. Mas se há coisa que Judite tenha é boas máscaras, nem sentiu o cheiro e acabou logo ali com a marosca.

Campo das Letras


A agricultura portuguesa há muito se evaporou, a troco de subsídios da Comunidade Europeia que, sabendo da inércia histórica dos tugas, não hesitou em dar uns dinheiritos para sossegar a gula dos ditos agricultores.

Uma editora que se chamasse Campo, sem nenhum autor sonante, mas abundante em títulos publicados, presa a ideários um tanto ou quanto datados e sem uma linha editorial clara, só poderia mesmo ter o destino da Campo das Letras: a falência.

Quem edita lixo e faz da edição de lixo um modo de vida, ganha dinheiro, mas pratica a política da terra queimada: destrói a fonte de onde provêm os seus lucros. Grupos como o Leya, que parecem por ora tão apelativos aos patos bravos da literatura tuga, têm mais uns anos de autores "consagrados", mas assim que eles baterem a bota, que fica?

Nos jornais, o espaço dos livros é residual. O número de leitores (e não de consumidores de material impresso) é demasiado pequeno para alimentar manias e taras lusas. A escola continua a afastar os alunos dos livros e os planos nacionais de leitura revelam-se inúteis, pois enquanto o Estado continuar a querer que a escola produza analfabetos que sabem assinar ou rubricar o seu nome não iremos longe.

Semear está na moda, mas só produtos ecológicos (usando bosta de plástico e compostagens que têm a sua graça para entreter meia dúzia de lunáticos).

O livro enquanto objecto de cultura continua acessível apenas a uma elite. A democracia em arte é muito gira, mas só em países que não tiveram de aturar salazares. Nós saímos do analfabetismo puro e duro para o analfabetismo do baby boom e, pelos vistos, segundo a socrática socialista sapiência, devemos ficar muito contentes por haver magalhães com erros, mas muito portugueses.

Francisco Laranjo

A falta de curiosidade e de cultura são responsáveis pelo mau estado da arte.
Quem tem convicções tem que lutar por elas, não tem que ser subserviente ou fazer o que está na moda. Quem quiser ser do seu tempo nem do seu tempo chega a ser!
Os autismos de grupos e guetos que não são, de todo, benéficos para um maior aproveitamento e bem-estar dos artistas, e essa cultura de exigência e qualidade é a que faz mais falta.

Mary Cassatt (1844-1926)





10 março 2009

Flora Danica Tab. MCVII

Jorge Barradas (1894-1971)



Jorge Nicholson Moore Barradas, o “Barradinhas” como era conhecido pelos amigos, nasceu em Lisboa em 1894. Morreu em 1971. Foi um artista gráfico de primeira linha.
Na primeira exposição do Grupo dos Humoristas Portugueses em 1912, Barradas estreia-se com oito desenhos. Tinha então 17 anos e era o mais novo de todos.
Participa em diversas publicações como as revistas ABC e Ilustração, entre muitas outras. Chega mesmo a tomar a iniciativa de fundar o seu próprio jornal humorístico, em colaboração com o escritor Henrique Roldão. A 15 de Agosto de 1919 saía o primeiro número de O Riso da Vitória, que acabaria alguns meses depois. Foi também director artístico do ABC a Rir, cedendo depois o seu lugar a Stuart de Carvalhais.
A maioria das histórias de Barradas tem sempre os mesmos protagonistas, que são os tipos alfacinhas: o mendigo, o bêbedo, o novo-rico, os jovens ardinas, as costureiras, etc. O corpo feminino era o elemento mais representado. A intenção de Barradas era fixar tipos existentes da mulher lisboeta. Eram três os mais comuns: a burguesinha, a mulher popular e a funcionária do Bristol. Os rostos permitem-lhe dar a expressão desejada. Intitula-os muitas vezes como Máscaras, com algum expressionismo. As suas capas da revista ABC revelam o paradigma feminino da modernidade desejado pelas mulheres da sociedade portuguesa dos anos 20, que se esforçavam por se manter ao corrente das modas e dos padrões europeus.
Em 1930, toma a iniciativa de relançar a sua estratégia iconográfica às províncias ultramarinas e de fazer todo o circuito africano, para colher elementos, traçar costumes, registar tipos, algo que havia feito na sua anterior viagem ao Brasil.
Dedicou-se também à cerâmica.

Afastar os espíritos com danças rituais

"Trimery", em Strumica

09 março 2009

Ringa Ringa

A maldição de Shakespeare


Ao tempo a daguerreotipia ainda não fora inventada, tão-pouco a fotografia. Por isso, para se conhecer as fuças de algum ilustre (financeiramente abonado) só através da arte do pincel.
De Shakespeare conhecem-se vários retratos, mas nenhum pintado em vida do autor. Pelo menos até há pouco. É que acaba de ser divulgado um retrato de William, com a linda idade de 46 anos, em fundo azul.
O dito cujo estive a monte entre as muitas pinturas da família Cobbe. O quadro dos Cobbe passou por um exame de raios-X, outro de infravermelhos e um terceiro centrado na antiguidade da madeira utilizada pelo retratista para se conhecer a data em que foi pintado.
Desses estudos concluiu-se que o retrato data de 1610, quando o poeta inglês tinha 46 anos, ou seja, seis antes da sua morte.
Do pintor nada se sabe, ainda que o conservador da Colecção Cobbe, Mark Broch, tenha dito que é possível "que o pintor pusesse o seu nome no marco, embora este tenha desaparecido".
O retrato agora apresentado mostra um Shakespeare com pêra, sem argola na oreja esquerda -adorno que aparece noutros retratos- e com um nariz comprido, tudo em fundo azul, sobre o qual estão inscritas, na parte superior, as palavras Principium amicitias.
As amizades são assim, íntimas e durante séculos esconderam-no muito bem escondido.

Stuart (1887-1961)



Baptizado José Herculano Stuart Torrie d’Almeida Carvalhais, o nosso ilustrador nasce em Março de 1887, em Vila Real de Trás-os-Montes, de pai português e mãe inglesa. Após vários anos em Espanha, regressa a Portugal em 1891. A sua irregular vida escolar termina após passagem pelo Real Instituto de Lisboa (1901-1903).
Além de ilustrador, Stuart foi desenhador, introdutor da banda desenhada em Portugal, fotógrafo, realizador de cinema, actor, decorador, cenógrafo, figurinista e designer gráfico.
Enquanto ilustrador, fez a ponte com a caricatura herdeira de Bordalo Pinheiro, apurada com o conhecimento de trabalhos de Corot, Seurat e Daumier, que lhe permitem ser um cronista perspicaz e cirúrgico.
Os anos 20 marcam o grande sucesso de Stuart. Em 1921, trabalha para o Diário de Lisboa e para o Batalha. Em 1922, desenha para o ABCzinho, reiterando o sucesso das suas peças nos suplementos infantis. Colabora ainda com A Corja, o Espectro, A Choldra e o Diário de Notícias, a revista Ilustração (a cuja fundação está ligado) e com o semanário humorístico Sempre Fixe. Como gráfico, soma encomendas: da ementa do Bristol Club, aos conjuntos de postais ilustrados realizados para a exposição de 1925 dos Mercados, ou à concepção da publicidade da Sassetti. É assim que, em meados da década, é o artista que contabiliza mais capas de livros e de pautas de música – trabalho gráfico em cuja investigação associa o desenho aos tipos de letra a usar e com o qual ganha dois prémios em concursos internacionais, em Itália e Espanha. Cenógrafo e figurinista de teatro (Teatro Nacional e Politeama), desenvolve actividade no cinema (em 1916, trabalha na adaptação a filme das Aventuras do Quim e do Manecas), passa pela aventura da realização (O Condenado, com Mário Huguin) e desdobra-se como actor, decorador, cenógrafo e gráfico.
Levou uma vida na qual o sucesso conviveu com o alcoolismo e a instabilidade financeira. Em termos artísticos, dedicou-se à experimentação de materiais inesperados, como papel de embrulho, tampas de caixotes, fósforos queimados (com que frequentemente traça composições).
Profundo conhecedor do basfond lisboeta, fixa a capital em manchados fundos de café ou vinho. Assim, elegante na ilustração, essencial na caricatura, cada personagem de Stuart detém, na representação, os conceitos que a ela estão associados. Negra e violenta, a miséria, como o vício ou a solidão, é caracterizada em traços rápidos e rugosos, gastos ou recortados, no contraste de preto e branco.

Morre em Lisboa em Março de 1961.

Texto adaptado a partir do de Emília Ferreira

O castigo do pão


Dois homens foram visitar uma idosa. O mais velho levava pão, pois a mulher tinha-o amamentado. A mulher tem 75 anos e é síria. Chama-se Khamisa Mohammed Sawadi e foi castigada pela polícia religiosa por causa disso mesmo, por ter em sua casa dois homens que não eram da sua família.

Castigo? 40 chicotadas, quatro meses de cadeia e deportação da Arábia Saudita, após cumprir as penas. Os homens também foram castigados. Um foi condenado a quatro meses de prisão e 40 chicotadas; o outro foi sentenciado a seis meses de prisão e 60 chicotadas.

A mulher anunciou que vai recorrer da sentença e garantiu que Fahd é mesmo filho de amamentação. Dos homens não se sabe, ainda, se pretendem recorrer do castigo.

A Polícia Religiosa tem o dever de zelar pela forma que as pessoas se vestem, a hora das orações e a segregação sexual, entre outras coisas. Face à lei saudita, que segue o Wahabismo, uma interpretação rigorosa do Islão, as mulheres sofrem muitas restrições ao nível da indumentária, precisam da autorização do marido para viajar e estão proibidas de conduzir.

Os disparates persecutórios que as religiões levam a cabo são terríveis, pois quem deles é vítima encontra-se completamente impotente. Veja o caso de uma rapariga síria de 19 anos, violada por sete homens, que foi condenada a 200 chicotadas e seis meses de cadeia por se ter encontrado com um homem não familiar. Os violadores foram condenados a penas entre 10 meses e cinco anos de cadeia.
Fonte: JN

Porcaria


Desde que começámos a separar lixo, a quantidade de sacos que diariamente iam parar à rua diminuiu substancialmente. Verificamos que o plástico e as embalagens predominam. Já quanto ao papel e ao vidro pouco os usamos.

O problema de separar o lixo é a estética interior da casa: amontoam-se os pequenos sacos das compras carregados de emblagens, pois a recolha selectiva apenas é feita uma vez por semana: cada dia par tem o seu lixo.

Segundo o Público, cada cidadão europeu produziu, em média, 522 quilos de lixo durante o ano de 2007. O português produziu um bocadinho menos, 472 quilos. Mas apesar dos esforços de sensibilização, 42 por cento do lixo europeu continua a ir para o aterro. Apenas 22 por cento é reciclado.

08 março 2009

Primeiro aniversário


Há um ano Pisca de Gente entrava de mansinho na blogosfera. Essa coisa achatada, cheia de arestas e vértices que se tornou tão comum como uma pastilha elástica.
Ao cabo de um ano, impunha-se lavar a cara. De resto, lembramo-nos de alguns versos da Tabacaria, de Álvaro de Campos:


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


(...)

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei de pensar?

07 março 2009

Sem comentários


Lê-se e não se acredita. "Neste processador podes escrever o texto que quiseres, gravar-lo e continuar-lo mais tarde", lê-se nas instruções do processador de texto - isso mesmo: "gravar-lo e continuar-lo". "Dirije o guindaste e copía o modelo", explicam as instruções de um puzzle - "dirije" com "j" e "copía" com acento no "i". "Quando acabas-te, carrega no botão OK" - "acabas-te", em vez de "acabaste". Tudo isto se pode ler nas instruções dos jogos que vêm instalados de origem no computador "Magalhães", o orgulho do Governo de Sócrates.
Se tem em casa um "Magalhães", confirme: ao iniciar o computador, escolha o ambiente de trabalho Linux (Caixa Mágica 12 Mag). No menu, vá aos jogos - por ironia, estão no ícone "Aprender". Em cada jogo, leia as instruções (o ícone é um ponto de interrogação). Foi isso que fez esta semana o deputado José Paulo Carvalho - o que descobriu deixou-o perplexo.
Os erros são às dezenas (o Expresso encontrou mais de 80, e a certa altura deixámos de contabilizar erros repetidos) e para todos os gostos. Há gralhas evidentes ("attentamente") e erros imperdoáveis. "Encontra-las" e "encontras-te", em vez de "encontra-as" e "encontraste"; "contar-los" em vez de "contá-los"; "caêm" em vez de "caem"; "contéem" em vez de "contêm"; ou ainda a incrível conjugação do verbo fazer - "fês" em vez de "fez". Num jogo somos instruídos a mover "um disco de cada vês", noutro devemos "carregar outra vês no chapéu" (no "Magalhães", "vez" tem relação com o verbo ver). No xadrez, a vez das peças brancas é o "torno dos brancos".
Ao pé destes casos, é quase pecado venial o desprezo por vírgulas e acentos. Há acentos que faltam ("historia", "sitio", "agua"...), outros estão onde não deviam (sobretudo nos advérbios de modo: "básicamente", "fácilmente"), há acentos graves onde deviam ser agudos ("á direita", "ás actividades").
Numa língua aparentada com o português, encontramos frases como esta: "O objectivo do quebra-cabeças é de entrar cifres entre 1 e 9 em cada quadrado da grelha" (nas instruções do sudoku). Ou esta, na explicação do tangram, um quebra-cabeças chinês: "Quando o tangram for dito frequentemente ser antigo, sua existência foi somente verificada em 1800". E ainda esta pérola: "Carrega em qualquer elemento que tem uma zona livre ao lado dele, ele vai ir para ela."
Este português macarrónico está nos computadores pessoais que já foram entregues a mais de 200 mil crianças do primeiro ciclo (ainda estão 150 mil à espera) e até foram oferecidos por Sócrates aos chefes de Estado e de Governo dos 22 países presentes na última cimeira ibero-americana. A 23 de Setembro, ao entregar os primeiros "Magalhães", Sócrates não escondia o orgulho: "O dever de um Governo é proporcionar uma boa educação. Foi por isso que avançámos com este projecto".
O deputado José Paulo Carvalho denuncia estes "erros grosseiros de ortografia, gramática e sintaxe" num requerimento que entregou ontem na Assembleia da República. No documento, a que o Expresso teve acesso, o ex-parlamentar do CDS (actualmente deputado não inscrito) questiona Maria de Lurdes Rodrigues sobre o que chama o "novo idioma oficioso do Ministério da Educação (ME): o 'magalhanês'".
(...)
O tradutor da versão portuguesa do software tem quase as mesmas habilitações que as crianças que utilizam o Magalhães: José Jorge tem a 4ª classe e vive em França desde os 10 anos. "O problema da tradução é que nenhum português de Portugal se dedicou a ela", lamenta o emigrante. José Jorge diz que "ninguém até hoje" reviu a versão que ele criou. O software educativo da GCompris está disponível na net e pode ser actualizado por qualquer cibernauta.


Fonte: Expresso

Que chatice, software com erros ortográficos de... português. Que raio de língua é essa?


Surpresa? Claro que é surpreendente ver como gente que já tem idade para ter juízo se delicia com brinquedos. Mais: que acredita piamente que é com brinquedos que se desenvolve a capacidade de leitura.
Os erros são um modo luso de trabalhar: traduz-se, quiçá com correctores automáticos, do inglês e fazem-se adaptações (as mais evidentes). O resultado é o que se vê.
Já dizer que se ficou surpreendido... Com quê? Com o dinheiro que se gastou num produto que pouco mais faz do que épater le bourgeois? Com o hábito de trabalhar em cima do joelho, mesmo quando está em causa a educação de um país?
São mais de 80 erros, entre os quais "gravar-lo", "puxando-las", "acabas-te", "básicamente", "fês", "caêm", e ainda textos inteiros sem sentido, que teriam como objectivo apresentar as instruções dos jogos, aparecem em vários dos jogos didáticos do Magalhães.
O que são erros? Nada. Isso é um grão de pó num vasto areal, o das asneiradas educativas deste governo de Portugal. Como diz o sr. secretário de Estado: "Uma coisa é certa, não é pelo facto de um programa de jogo didáctico ter erros, que isso diminui, em alguma coisa, a utilidade e a importância do projecto do computador Magalhães". Claro, claro. Se nós admitíssemos facilmente os nossos erros e precipitações o mundo seria um lugar muito mais aprazível e que dispensaria abencerragens como as que dominam o Ministério da Educação. Vá lá que não se lembraram de dizer que era para ver se os alunos e professores estavam atentos...
"Em relação aos computadores já distribuídos, a Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC) produziu um manual de instruções que permitirá que os professores, nas escolas, ou os pais, em casa, possam realizar a desinstalação de imediato". E não é que ficamos todos muito mais sossegados que seja assim?

Caspa, coca-cola e abdominais


Ainda há caspa no mundo? Que estranho? É que desde que me lembro, os anúncios prometem a eliminação da caspa em poucos dias. Se ainda há caspa, talvez seja porque as pessoas não usam os champôs milagrosos que existem há décadas e que ciclicamente ficam melhores (eliminam caspa, cabelo, couro cabeludo, tudo).

Por falar em publicidade, descobri que a coca-cola é óptima para desemtupir os canos. Dantes usava produtos corrosivos ou soda cáustica. Agora, depois de ver o anúncio, já sei que aquilo serve para grelhar sardinhas e desentupir canos.

Aprende-se muita coisa com os anúncios. Para quê suar, fazer exercício ou ter cuidado com o que se come? Há umas maquinetas que fazem exercício por nós e podemos, na praia, mostrar ao mundo como somos parecidos com aquela gente que aparece nos anúncios. Ginásio? Qual ginásio, qual esforço, apenas um simples cinto.

O mundo está cheio de produtos milagrosos. Por isso estranho tanto que ainda existam problemas. Quando olho para as fotos das pizzas congeladas e vejo como comer pizza é romântico, penso se estarei num outro planeta que não o nosso. Afinal, basta olhar para aquilo para ver que são poços de gordura, conservantes e lixo. Se não sabem a plástico, aproximam-se muito.


06 março 2009

Cavalos, cavalinhos, cavalicoques


Foi há cerca de 5500 anos que os povos das estepes do Cazaquistão - a cultura bopai - começaram a domesticar cavalos. Esta prática - que não serviu apenas como forma de transporte, mas também para alimentação, incluindo a utilização do leite - foi documentada por uma equipa internacional de investigadores, que recorreu a novas técnicas de análise para chegar a esta conclusão.

Com este estudo, publicado na revista Science, os cientistas demonstram que a domesticação de cavalos se iniciou um milénio mais cedo do que se pensava. Originária daquela região para lá dos Urais, esta prática só dois mil anos depois começou a ser praticada na Europa.
Fonte: DN

Como é que os empresários de sucesso vêem Sócrates?


O primeiro-ministro, José Sócrates, é "um homem muito cansado" e "está obcecado com o BE e PCP". Uma convicção manifestada pelo presidente da "holding" Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, na apresentação dos resultados da companhia referentes ao exercício de 2008.

"Somos um país pequeno, que não é famoso pela organização" e o esforço por que Portugal teve que passar na ocasião em que ambos foram governantes debilitou-os posteriormente, disse.
Soares dos Santos considerou ainda que Sócrates "está obcecado com o Bloco de Esquerda e com o Partido Comunista", além de estar "mal assessorado" no exercício das suas funções.
Destacou também que "as eleições estão a complicar" e a adiar "remodelações ministeriais" e a desviar o governo do principal problema que "é o desemprego".


Fonte: JN

Kepler: um olho electrónico para espiar o espaço



A anos-luz da Terra, algures na nossa Via Láctea, uma anónima e modesta estrela alberga um pequeno planeta, feito de continentes de pedra, oceanos de água líquida e céus azuis. Tal como a Terra, esse planeta completa uma órbita em torno do seu sol em mais ou menos um ano. Não é nem muito quente nem muito frio: tem a temperatura ideal para o desenvolvimento da vida. Quem sabe, talvez já esteja cheio de vida... O que não daríamos para o ver!
O mais provável é que isso nunca venha a acontecer - mesmo um punhado de anos-luz são milhões de quilómetros a mais para os seres humanos lá chegarem em pessoa. Mas os astrónomos acreditam que é, contudo, possível fazer algo que se aproxima disso: estudar a atmosfera de planetas como este - se é que existem -, determinar se são habitáveis e descobrir eventuais sinais da presença de vida.
É um velho sonho da Humanidade, saber se estamos ou não sozinhos no Universo. O nosso "pontinho azul", como lhe chamava o conhecido astrónomo Carl Sagan, será único, ou haverá muitos outros como ele noutros cantos da Via Láctea e até de outras galáxias? E se houver muitos outros, haverá ou não vida neles? E se houver vida neles, será vida inteligente, consciente, ou apenas vida primitiva?
As respostas poderão vir através do novo telescópio espacial Kepler que a NASA se prepara para lançar para o espaço.
O novo telescópio, baptizado em homenagem a Johannes Kepler (1571-1630), pai da astronomia moderna, pesa uma tonelada e custou 478 milhões de euros. É basicamente composto por uma câmara digital de 95 milhões de pixéis - a mais potente de sempre a ser colocada no espaço - e de um espelho com quase um metro e meio de diâmetro. A abertura do telescópio é quase de um metro.
Colocado em órbita à volta do Sol, seguirá o rasto ao nosso planeta e ficará orientado para uma porção do céu visível do Hemisfério Norte da Terra, na direcção das constelações Cisne e Lira. Ao longo dos três anos (pode chegar aos seis) que deverá durar a sua missão, vai realizar um gigantesco "recenseamento planetário", olhando fixamente e simultaneamente para mais de 100 mil estrelas nessa região da Via Láctea.
Para detectar exoplanetas, o Kepler utilizará o método dito dos trânsitos, que consiste em detectar pequeníssimas flutuações da radiação, "piscadelas" na luz emitida pelas estrelas, devidas à passagem de um planeta à sua frente. O Kepler é um aguçadíssimo olho que o homem atira para o céu.
O Kepler fará observações em contínuo, sem desviar o olho dos seus alvos e sem pestanejar, e enviará para a Terra os dados recolhidos uma vez por semana.

Fonte: Público

Watchmen, o filme

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