14 janeiro 2012

Loucuras

"Não há luz no fim do túnel da crise. E isso está a enlouquecer as pessoas" - diz o escritor grego Petros Markaris.
Os portugueses são de outra fibra, sempre foram loucos e sabem muito bem que a luz pode ser um pau de fósforo, o coto de uma vela, um copo de tinto, meia dúzia de minis (estas modernidades) ou até um incêndio. E agora têm luz low cost, ou luz made in china, embora importada de outros lados, pois depende do petróleo e o petróleo é muito poluidor e etc que não vale a pena chatear os gregos com estas merdas e assim como assim já estão gregos.

Companheiros, toca a exportar lata, muita lata

Quando os chineses vieram cá assinar a papelada, as televisões mostraram o encontro nos exteriores entre os convidados. Pôde-se ver como Eduardo Catroga estava a representar o papel de quem está à vontade. Ou seja, não havia qualquer familiaridade entre ele e os chineses. É preciso ter muita lata para dizer que “Fiquei muito agradado com a lista. Porque a lista tinha lógica. Do ponto de vista dos chineses, além deles estavam a pôr caras que eles já conhecessem. Foi esse o critério”.
A lata é um material muito português, pelo que daqui sugerimos ao Álvaro que se exporte em regime de franchising.

A solução para a economia desse país que é Portugal

Hipótese a) em que ninguém acredita: "mais investimento e melhor organização do lado das empresas."
Hipótese b), que parece difícil: "salários mais baixos do lado dos trabalhadores."
Hipótese c) que muitos desejam: "sair do euro, regressar ao escudo e proceder a uma brutal desvalorização. Os salários caem no mínimo para metade."

Autor da proposta: Daniel Amaral

13 janeiro 2012

Atirar barro à parede

Em comunicado, o Ministério das Finanças garante que “o Governo tomou inúmeras medidas para flexibilizar o mercado de trabalho, reforçar a competitividade da economia portuguesa e aumentar o grau de abertura da economia."
Como fora de fronteiras e fora da esfera governamental europeia não acreditam nem que a economia esteja mais competitiva nem mais aberta (as nomeações para a EDP, ao jeito chinês... ou português não convencem ninguém), lixo é o patamar atribuído.

Fala um ministro do governo português

"Fazemos sacrifícios para vencer e para mudar. Mudar coisas que já deviam ter mudado há muito tempo".
Entre as mudanças contam-se: o continuar a arranjar jobs dourados para os "notáveis" do PSD e do CDS (EDP, Águas de Portugal, outros); exportar o pastel de nata; tratar o ministro da Economia por Álvaro.
Percebe-se que Miguel Macedo fale em sacrifícios. O que o homem sofreu por lhe tirarem o subsídio de alojamento em casa que já tinha. De facto, ele há sacrifícios terríveis.

O grande desempenho do governo português

O governo anda muito ufano a propagandear o grande respeito que o estrangeiro tem pelo nosso país, depois da austeridade implementada. De facto, o respeito é enorme: a Standard & Poor's cortou o rating de Portugal para 'lixo'.
A propaganda é tão doce... não tarda ainda aparece a Nossa Senhora aos dois pastorinhos, Passos & Portas.

12 janeiro 2012

15 anos de recessão na Europa

O que provoca a austeridade? Recessão. Há quem garanta que será de três lustros. Se a Europa continuar sob a dupla batuta Merkozy.

Quanto custa a saúde aos cofres do Estado?

Em números de 2011: mais de oito mil milhões de euros.
Quem ganha com a saúde?
1) as farmacêuticas e as farmácias
2) os laboratórios privados
3) os trabalhadores da Saúde
4) os fornecedores de equipamentos
5) os gestores de hospitais.
Além, dos "comissionistas" clandestinos destas operações.
«São, pois, oito mil milhões de euros que vão para bolsos de farmacêuticas, farmácias, médicos, seguradoras, gestores, hospitais, vendedores de equipamentos. Muita dessa gente está organizada em lóbis, que aproveitam o temor social para uma única coisa: negócio. As suas receitas são os nossos impostos. A saúde é um negócio para muita gente. Inclusive, não se engane, para alguns médicos. » [Pedro Santos Guerreiro]

Pentelhos há muitos, alguns bem caros

A lógica da batata é mais ou menos assim: a mim não me movem critérios materiais. Assim, vou acumular o novo vencimento com a reforma.
Se for preciso vir dizer ao Zé que ele vive acima das suas possibilidade faço-o nas calmas. A mim não me movem critérios materiais e vou acumular o novo vencimento com a reforma.
O que importa é sempre isto: Catrogas há muitos, mas tão medíocres temos este que já andou por aí a falar de pentelhos.

11 janeiro 2012

Baccio Maria Bacci (1888 - 1974) e Golgona Angel


Abro a porta.
Tenho cuidado com os vidros partidos.
Olho constantemente para o mapa
mas já não me lembro para onde queria ir.
Podia ficar aqui,
enquanto a noite respira nas janelas embaciadas.
Os móveis apagam-me os passos
em ângulos cegos
e, nessas sombras do incerto,
deixo que o cansaço me tire a peruca da paciência
assim como a noite nos tira a roupa
antes de dormir.

Isolado num cantinho da boca entreaberta,
o teu sorriso
vai contribuindo para o genocídio dos camarões
que o vinho branco torna sempre menos sangrento.
Poderia, de facto, ficar aqui
enquanto desapareces, por fim, num sono sem importância.

Vou esvaziando os copos
e começo a compilar beijos,
como quem junta, à pressa, moedas caídas pelo chão:
somos todas putas, rapaz,
com ou sem vodka.

Golgona Anghel
in Vim Porque Me Pagavam (Mariposa Azul, 2011), págs. 51-2

As preocupações da Manuela

ou os deslizes.

«A ex-ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, defendeu ontem à noite, no programa “Contra Corrente” da SIC Notícias, que os doentes com mais de 70 anos que precisem de hemodiálise devem pagar os tratamentos.
Respondendo à questão se não acharia “abominável” que se discutisse se alguém que tem 70 anos tem direito à hemodiálise ou não, Ferreira Leite respondeu que “tem sempre direito se pagar. O que não é possível é manter-se um Sistema Nacional de Saúde como o nosso, que é bom, gratuito para toda a gente. Para se manter isso, o Sistema Nacional de Saúde vai-se degradar em termos de qualidade de uma forma estrondosa. Então, nem para ricos, nem para pobres”, acrescentou.» [Notícia i].
Mesmo que tenha, depois, corrigido o que disse, por causa da chamada de atenção feita por António Vitorino, mostra que há gente que olha para as pessoas pelo dinheiro que têm. Manuela Ferreira Leite parece ser uma dessas pessoas.

Um poema colhido na Poesia Incompleta

com uma vénia e um muito obrigado pela pertinência, que enviamos daqui a Xanguito, o livreiro.


O PROFETA

Pouco antes de morrer
disse ele ao povo:
Deus te dê ira,
que paciência tens demais.

Celso Emílio Ferreiro traduzido por Pedro da Silveira
in Mesa de Amigos, Assírio & Alvim

Em terra de cegos...

Pobres de nós, país pequeno e... "pobre". No país dos pobres, a EDP cobre fortunas pela electricidade e, garante-se, não estamos a pagar o que é devido, mas quanto aos salários de topo não há quais quer problemas, paga-se muito e a bastantes.
Já no caso dos que começaram por baixo e passaram de mansinho de cargos públicos para empresas, o caso é ainda mais cómico: os vencimentos e mordomias dos ex-governantes mostra bem que vale a pena ter cartão de militante de um partido. Pena que os portugueses, por um problema notório e antigo de iliteracia não saibam intervir socialmente, reivindicando direitos e propugnando por uma sociedade menos desigual. É pena que o cada um por si redunde sistemática e repetidamente no enriquecimento de uma oligarquia que usa os conhecimentos que adquiriu na governação para serviço de privados e prejuízo da população em geral.
Os governantes são um exemplo claro de que em Portugal as pessoas ganham pouco e mal e que precisam de ganhar mais para viver melhor, mas isso só pode acontecer quando mais de seis milhões de portugueses deixarem de ser papalvos e crentes. Quem ganha 500 euros não pode viver com dignidade. Governantes que tal defendem deveriam auferir apenas 500 euros (sem quaisquer regalias, seja de transporte, de comunicações, de alimentação ou outras), já que consideram que isso é bom.
As empresas têm todo o direito de pagar os salários que muito entendem, mas a legislação deveria criar um período de uma década que impedisse a ex-governantes de saltar de cadeiras, indo do governo para as empresas.
Os governantes são legitimados por maiorias que ao votarem deveriam exigir cumprimento da lei pela parte desses governantes e, no caso em que a lei seja omissa, a revisão da mesma, no sentido de defender os interesses do Estado e não de meia dúzia de empresas.
A troika faz propostas para "melhorar" a economia, mas quem governa o país são cidadãos portugueses escolhidos pelos líderes dos partidos que se coligaram para o efeito. Um governo que se diz tão preocupado com o crescimento da economia não pode deixar que exemplos lamentáveis como os das escolhas para a EDP e a Águas de Portugal aconteçam. Ou então comprova que não se trata de crescimento da economia, mas apenas de empobrecimento da maioria das pessoas.
Como diz Mário Soares, no tempo em que recorreu à ajuda internacional, o FMI «não dava conferências de imprensa nem dizia que mandava no País», porque, e apesar de terem emprestado dinheiro, «não se tinha criado uma situação de dependência».
Que Passos Coelho, Paulo Portas e demais ministros, ou que os deputados do PSD, CDS e PS estejam tão dependentes é sinal de que o nosso país tem uma elite política débil, mal preparada, que não consegue estar à altura dos desafios. O que não espanta, claro, dada a iliteracia de tanto português. Como diz o ditado, basta ter um olho para governar. Mesmo que o país precisasse de gente que usasse os dois olhos.

10 janeiro 2012

Garantias que não valem um pintelho, parafraseando o dr. Catroga

O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, garantiu hoje que não haverá medidas adicionais de austeridade para compensar o desvio previsto no défice do ano em curso. Já as previsões do Banco de Portugal apontam para uma quebra histórica de 6% do consumo privado este ano, depois de, no ano passado, este ter caído 3,6%. Em 2013, perspectiva nova descida, de 1,8%. Durante esse período (2011 a 2013), o consumo de bens duradouros irá cair 40%, enquanto o consumo de bens não duradouros deverá também registar “uma contracção sem precedentes”.
Segundo as projecções do BdP, o consumo privado irá cair 6% este ano, em vez dos 3,6% inicialmente previstos. Isso provocará, também, uma quebra das importações superior (-6,3%, em vez de -2,8%). Já o consumo público deverá cair menos (2,9% em vez de 4,1%) e as exportações vão crescer 4,1%, ligeiramente abaixo do inicialmente previsto (4,8%).
A recessão poderá ser ainda pior se o crescimento mundial desacelerar mais e se forem tomadas medidas adicionais de austeridade, avisa aquela instituição.

Felizes coincidências

Depois da EDP, em que as escolhas recaíram sobre o PSD e o CDS (paradoxalmente), segue-se a administração da Águas de Portugal, cujas escolhas recaíram (extraordinarimente) sobre Manuel Frexes (PSD) e sobre Álvaro Castello-Branco (CDS). Milagres portugueses, senhores.

09 janeiro 2012

Quem é Rui Rio?


Uma década depois a acção de Rui Rio é clara: o Porto perdeu em todos os campeonatos. Desde que ele está à frente da autarquia o Porto tornou-se mais provinciano, perdeu população, perdeu atractividade e tornou-se um imenso vazio que Serralves e a Casa da Música contrariam porque não dependem da Câmara. O resto foi a política do vazio, do lugar comum, da mediocridade, dos espectáculos que se foram porque não havia dinheiro para megalomanias como a Red Bull e afins.
Rui Rio é um político medíocre. Que beneficiou das trapalhadas de um PS que há muito anda à deriva, sem ser capaz de romper o ciclo bolorento e estreito do aparelho (onde, de facto, não parece haver ninguém com perfil para colocar o Porto no lugar que merece: o de uma nobre cidade europeia, com pergaminhos e gente que muito pode fazer pela cidade).
Quando ele diz coisas tão bacocas como estas - "A palavra dada, a predominância do interesse público, a defesa da transparência democrática por contraposição à política perversa que se esconde em organizações secretas, a renúncia à hipocrisia e à meia verdade, a desobediência corajosa ao politicamente correcto e a honestidade intelectual são valores que têm escasseado mas que consideramos indispensáveis" - está a revelar o quão desonesto é, lambe-botas de um populismo que impediu que o Porto capitalizasse as sinergias criadas pela Porto 2001 e por outras obras que lavaram o rosto à cidade.
Felizmente, a cidade do trabalho contém tantas possibilidades latentes que só uma abécula como RR as desperdiçará.
O Porto precisa urgentemente de uma liderança que aproveite aeroporto, metro e espaços já existentes para o catapultar para a dinâmica. As possibilidades ao nível do turismo, da cultura, da indústria e do tecido empresarial são enormes.
Rui Rio? A imagem diz tudo.

Com uma vénia a Ana Sá Lopes

«O tabaco nunca fez bem a ninguém. Como o álcool, a banha, o sal, os rojões e praticamente toda a comida regional portuguesa a boiar em gordura de porco. Para azar de uns quantos, a moral médico-social vigente dirigiu a luta armada e a exultação punitiva para os malefícios do tabaco e não para os danos e prejuízos da gordura de porco.

É uma pena que o sistema médico-social em vigor não tenha sido tomado de assalto por vegetarianos obsessivos, daqueles que invocam que comer carne está na origem de quase todas as doenças arroladas no Simposium. O passo seguinte obrigatório seria o encerramento compulsivo dos talhos, ou a sua obrigatória reconversão em lojas de soja e tofu. A gordura animal seria banida à força e provavelmente o país abandonaria a linha da frente nos rankings de acidentes cardiovasculares.

Por alguma razão ninguém toca no porco. Não se proibem as famílias de dar quantidades inimagináveis de gordura às crianças e aos adolescentes. O porco é de venda livre, mesmo a menores de 18 anos, e faz parte das ementas infantis dos restaurantes e das cantinas públicas. As criancinhas de seis anos podem adquirir banha no supermercado! Incrível, não é?

Em contraste com a extraordinária protecção com que o porco é tratado pelos legisladores, o tabaco vai ser novamente alvo do ataque do governo, concertado com os porta-estandartes do conceito actual de “saúde”, que é uma coisa, de resto, excessivamente variável e que tende a mudar os seus fundamentos a cada 15 anos – é divertido comparar as normas pediátricas em vigor de ano para ano para ter uma ideia.

A mais recente proposta anti-tabaco passa agora por banir completamente o direito a fumar nos lugares públicos para, imagine-se, tornar a nossa legislação parecida com a que vigora no estado de Nova Iorque. A ideia de que isto é um assalto à restauração (para não falar de uma violação do direito de um fumador a jantar fora) não passou, pelos vistos, pela confraria anti-tabagista.»

Fonte: i

Vinte corajosos no Puôrto, carago




Mais uma vez no Porto houve cueca à mostra no metro. Há quem não goste e quem se ria. Há quem faça de conta que fica indiferente. E há os que ousam andar de cuecas à mostra.
Aqui ficam imagens:

No Pants Subway Ride @ Porto 2012 from Teresa Pacheco Miranda on Vimeo.

Ver também aqui ou aqui, ou aqui.

08 janeiro 2012

Tudo em Portugal é um bom negócio


mesmo quando se diz que o país é muito pequeno. Veja-se o caso da televisão. Segundo o Público é um negócio que já rendeu 372 milhões de euros, que vai custar muito mais de 131 milhões de euros aos portugueses (a estimativa é de 101 euros por aparelho que se tenha em casa) e que pode render muito à Meo e à Zon, pois as pessoas já não conseguem passar sem o aparelho. E há zonas do país que vão mesmo ficar sem cobertura, talvez porque para empresas como a PT há portugueses de segunda e esses não devem ter direito a nada.
Como sempre, a informação fica no segredo dos deuses, pois a ignorância gasta sempre mais e dá, portanto,mais lucro.
Portugal mais uma vez revela-se um país atrasado, adormecido, em que as pessoas não lutam pelos seus direitos.

Haja quem dê nome aos bois

«Os portugueses parecem condenados à sina do quanto melhor, pior. Quando lhes falaram do reforço da concorrência em áreas sensíveis como a energia, prometeram-lhes melhores preços e melhor serviço - uma miragem por cumprir; quando lhes anunciaram o radioso futuro da televisão digital terrestre (TDT), garantiram-lhes uma maravilha tecnológica condenada a mudar para melhor a sua relação com um dos seus aparelhos favoritos - uma falsidade. O mundo muda, a concorrência aumenta, a tecnologia facilita, mas sempre que se liberalizam mercados ou se lançam concursos, suspeita-se logo de quem ganha e de quem se arrisca a perder: os cidadãos.

(...)

uma vez que já não é possível evitar o pagamento do descodificador, gasto a que, por exemplo, uma ampla franja dos espanhóis se pouparam, que haja a compensação com uma maior oferta de canais na TDT. Já não se pedem os 43 canais do Reino Unido ou os 27 da Espanha, mas ao menos um pouco mais de possibilidade de escolha.

Já se sabe que estes pedidos acabarão por esbarrar nos labirintos burocráticos, nas limitações técnicas, na natureza do mercado ou nos direitos adquiridos. O costume. Mas, por uma vez, seria bom que os cidadãos exigissem mais. Se Portugal partilha com o resto da União Europeia o mesmo processo de migração tecnológica, não há desculpas para que os benefícios que chegam aos italianos não cheguem também aos portugueses. Se nada for feito, se os nacionais da fronteira do Minho tiverem de pagar um satélite para ter o serviço com menor oferta do que recebem de Madrid, se os mais pobres, frágeis e excluídos do interior do país forem vítimas de um apagão, se tudo continuar montado para beneficiar os canais do cabo, teremos assistido apenas a mais um esbulho de direitos patrocinado pelo Estado. E aí, a suposta modernidade do digital servirá apenas para confirmar o anacronismo dos poderes públicos, o domínio dos interesses privados e o conformismo de uma cidadania condenada a pagar facturas.»

Editorial do Público de hoje.

Uma prova de equilíbrio das contas feitas por este governo

«Até Setembro do ano passado, estava previsto que o Estado teria de pagar 860 milhões de euros pela sua participação nestes negócios. Mas (...) o fardo acabou por ser de 1.335 milhões de euros. Só nas parcerias relativas a auto-estradas, os custos a liquidar pelos contribuintes aumentaram 65% porque, dentro da lógica da original partilha de riscos, foi necessário reforçar as rendas a pagar aos concessionários por revisões efectuadas nos contratos.

O Governo estima agora que, pelo final do ano, os custos com as PPP [parcerias público-privadas] totalizem mais de 1.500 milhões de euros, valor que supera as receitas adicionais obtidas com o imposto extraordinário cobrado sobre os subsídios de Natal do ano passado. Na gíria, estes ajustamentos são apelidados de "reequilíbrio financeiro". É uma expressão susceptível de provocar espanto. Para operações em que o resultado é o Estado ter de pagar mais para que os privados recebam mais, razoável seria chamar-lhes iniciativas de "desequilíbrio financeiro".»

João Cândido da Silva

Da bonomia do PSD

O rigor em Portugal é indissociável do PSD e do modo como trabalha. Depois de cerca de 700 jobs e de uns quantos pequenos negócios, a que estão a juntar os grandes; depois de uma agenda política liberal que vai contribuir para agravar o atraso do país, há quem seja capaz de dizer, por entre um imenso sorriso, que "2011 foi o início de uma caminhada em nome do rigor das contas públicas, 2012 será o ano em que os portugueses unir-se-ão em volta de uma causa comum que é vencer a crise económica e social, para garantir um crescimento sustentável".
Com a mesma bonomia, Marco António Costa garante que o PSD e o seu parceiro de coligação [CDS] têm "conseguido construir uma solução de esperança para o país que ainda há seis meses estava sem rumo".
A esperança é linda, é quase um pôr do sol: falência das famílias, emigração, aumento brutal da criminalidade, empobrecimento geral do país.
Viva o PSD e quem sorri assim.

Jobs for the elders

Paulo Teixeira Pinto e Celeste Cardona acompanham Eduardo Catroga no conselho geral da EDP. Por mérito próprio, claro. Teixeira Pinto e Celeste Cardona são duas sumidades energéticas. Ele do PSD, ela do CDS.
Mas o que é preciso, note-se, é que não vivamos acima das nossas possibilidades.

Medina quer fazer Carreira

O paladino do governo anda há anos à procura de alguma coisa. O quê? Gosta da China. Gosta de Passos Coelho. Reconhece que se destruiu o aparelho produtivo (não diz que foi Cavaco Silva, mas isso, percebe-se, ele anda à procura de alguma coisa). Repete o que se diz por aí, por exemplo, "vender os anéis". E acaba por revelar o que é a coisa: um governo presidencial, "acima da política" (não se riam, p.f.) e que (propomos nós) dê uma assessoria ao Medina, pois ele precisa de algo para se entreter.
Vejam aqui como ainda nos podemos rir sem ir ao circo:

O discurso consoante a classe social

A empresa pode ir para onde quiser.
O dono dela pode dizer o que quiser.
Quando se dizem certas coisas, espera-se, no mínimo, que a acção seja consequente.
Houve sugestões de boicote.
A empresa apressou-se a distribuir panfletos a desmentir as notícias.
O dono foi mesmo mais longe e diz "Não sei se Portugal fica no euro". Assim como quem prepara terreno para semear.
As sementes dão fruto? Claro que dão. Em Portugal tudo é mau, quando se trata das elites. Já quando é para o pagode, a mensagem é "vivem acima das vossas possibilidades". Pudera, com gente assim que paga mal e porcamente, ter um mínimo de dignidade é, de facto, viver acima das possibilidades.

De mentira em mentira o governo mostra a sua raça

Passos Coelho ainda há dias garantia que não. Mas... «Documento do Ministério das Finanças distribuído no Conselho de Ministros do final do ano, a que o DN teve acesso, admite que são necessárias medidas adicionais de austeridade para atingir o novo objetivo e compensar um desvio de 0,3% do PIB - cerca de 500 milhões de euros. E só não são mais porque a troika aceita o pagamento das dívidas sem exigências orçamentais.»
Ou seja, ainda agora o ano começou e já as contradições andam no ar. O que espanta é a oposição não chamar a atenção para estas faltas de acerto.

Da maçonaria em Portugal

Dizia-se ainda há tempos que a maçonaria estava ligada ao PS. Afinal não está. PSD e CDS também lá estão.
Diz-se que a igreja e a maçonaria estão de costas voltadas. Não tardará muito a perceber-se que não deve ser bem assim.
O que é maçonaria? Por mais pesquisas que se façam na net a ideia com que se fica é que é um clube privado onde há mais de 4 mil pessoas e que se divide em vários ramos e obediências. Nela estão figuras públicas e certamente muitas que não o são.
Que há nela gente que esteve na origem do 25 de Abril de 1974, como já havia estado ligada à implantação da República, à criação de escolas, lares, bairros operários, bibliotecas, associações culturais.
Agora há membros da maçonaria que surgem ligada a grandes grupos económicos.
Fica-se com a ideia de que continua a exercer fascínio sobre as pessoas e que tem como divisa a liberdade, a igualdade e a fraternidade, embora a maior parte siga o rito escocês.
E certamente continua a despertar muitos ódios e ressentimentos.

06 janeiro 2012

A maçonaria e a imprensa

Sucedem-se a ritmo vertiginoso as notícias sobre lojas e facções, sobre dissidências e indivíduos.
Diz o Sol, «Grande parte dos maçons que integravam a loja Mozart 49, e que têm sido referidos na imprensa, saíram nos últimos tempos para outras lojas da mesma obediência, a Grande Loja Legal de Portugal. Muitas das saídas devem-se à discordância com a forma de funcionamento da Mozart e aos casos de repercussão pública em que esta surgiu envolvida».
Já no Público dá-se voz a Vasco Lourenço que «veio ontem denunciar quem, a coberto da "fraternidade" e das lojas maçónicas, "assume comportamentos de gangs". O general quis expor as divergências de fundo que diz existirem entre a generalidade dos maçons e as alegadas práticas ilícitas associadas a alguns membros da loja Mozart49».
No DN revelam-se mais maçons.
No Sol fala-se ainda da Opus Dei, dando espaço a Jardim Gonçalves.
Uma festa, portanto. Que nos leva a colocar uma questão: os irmãos são todos amigos ou há entre eles uma relação de mera cortesia?

Ladrões fazem aumentar preço de quadro


Colm Tóibín no livro de contos recentemente traduzido entre nós (Mães e Filhos) fala de um quadro de Rembrandt, Retrato de uma velha, que fora roubado e estava enterrado para ser vendido a uns holandeses. Mas por vicissitudes que agora não interessam, talvez venha a ser queimado. O quadro, avaliado em cinco milhões de libras, não será vendido nem regressará ao local donde foi retirado.
O quadro de hoje tem uma história diferente: “Olympia”, de René Magritte, avaliado entre 3 e 4 milhões de euros, fora roubado do museu de Jette há dois anos e foi devolvido pelos ladrões, provavelmente por não o terem conseguido vender.
O especialista de arte Janpiet Callens foi contactado há duas semanas, de forma anónima, com o objectivo de lhe ser dada a obra, para posterior devolução. Segundo o curador do museu René Magritte, os ladrões facilmente se aperceberam de que não seria possível vendê-lo porque era demasiado conhecido e preferiram livrar-se dele. "Felizmente, não o destruíram". Curiosamente, o preço de 2009 aumentou e muito, de 700 mil euros já vale 3 a 4 milhões.
Para quem dominar a língua, pode ler e ver a notícia belga aqui.

05 janeiro 2012

O bê-a-bà do negócio informativo

Transcrevem-se a seguir excertos de um texto publicado no Público, que mostram bem como há notícias que servem para distrair, criar poeira, confundir, enquanto se continua o labor em prol da manutenção do poder:

«O consultor político do Presidente da República Fernando Lima considera que "uma informação não domesticada constitui uma ameaça com a qual nem sempre se sabe lidar" e reconhece que a mediatização afecta o trabalho dos governantes.

"para governar com sucesso, um Governo tem de marcar a agenda e não deixar que sejam os media a fazê-lo". De outro modo, é arrastado pela corrente", escreve Lima. Desta forma, acrescenta, a criação da agenda diária de um político é uma tarefa que requer "cuidado e imaginação" e deve ter em conta a melhor maneira de captar a atenção dos media, pela forma ou pelo conteúdo.

"Enfim, ao poder, a qualquer poder, interessa acima de tudo a igualização da informação no contexto dos padrões que ele estabelece. Uma informação não domesticada constitui uma ameaça com a qual nem sempre se sabe lidar", refere ainda o consultor do chefe de Estado, lembrando o "antídoto" encontrado pela equipa de Reagan para "combater os desvios dos media" e manter a agenda política controlada, fazendo o que chamavam de "manipulação pela inundação".

Fernando Lima aponta ainda "o poder" como a principal fonte de notícias, distinguindo entre as notícias que assentam em factos normais, ou seja, discursos, visitas, entre outras iniciativas, e as notícias que resultam de "fugas de informação para produzir um efeito de acordo com o objectivo que se pretende alcançar".

"Já dizia o velho estrategista chinês Sun Tzu: "Geralmente, aquele que ocupa primeiro o campo de batalha e espera pelo inimigo está à vontade; o que entra mais tarde para a cena e tem que romper através do fogo é desgastado"", conclui Fernando Lima.»

Fala Domingos Ferreira

«Não é despicienda ainda a questão da fraca procura doméstica portuguesa resultante quer das sucessivas vagas punitivas de medidas de austeridade, quer da pequena dimensão do mercado interno. Neste sentido, o facto de cerca de 65% da procura nacional resultar de compras do Governo torna fácil compreeender o impacto da forte contenção orçamental na economia nacional. Se a tudo isto somarmos o fortíssimo aumento da carga fiscal, bem como os pesados cortes nos salários do sector público, o resultado é inevitavelmente uma espiral negativa recessiva.

Ironicamente, a estabilidade financeira tão desejada pelo Governo português revelar-se-á uma ilusão à medida que o país caminha inexoravelmente para uma espiral deflacionária, onde as empresas morrem ou encolhem, com as consequentes e constantes quedas na receita fiscal, agravando ainda mais o défice (mais ainda do que aquele existente antes da implementação das medidas de austeridade). Desta maneira, haverá muito poucas empresas a quem taxar. Pode-se assim concluir que a tentativa do Governo português de controlar o défice e a dívida com cortes nos salários dos funcionários públicos e na despesa e com o fortíssimo aumento de todos os impostos, tudo em simultâneo, no fim, revelar-se-á completamente ineficiente e resultará no downgrade quer dos bancos, quer da dívida pública e, subsequentemente, no aumento incomportável dos juros.»

Fonte: Público

A crise não é para todos


Ele, Passos Coelho, até compreende que as pessoas passem fome, mas mesmo assim fez 42 nomeações, entre as quais 11 motoristas e um elemento de apoio técnico, 11 assessores e 11 pessoas para o secretariado. O secretario de estado adjunto do primeiro-ministro nomeou por sua vez seis pessoas para o seu gabinete.
Coitado dele sem 11 motoristas. A crise, como se sabe, não é para quem pode, é para quem amocha e tem fé.
A isso acrescem mais 570 jobs for the boys.

E no grande negócio da EDP

Os pintelhos dão lugar à cadeira de "chairman" para Eduardo Catroga e António Mexia vai substituir António Mexia na presidência executiva da EDP.
Os milhões são óptimos lubrificantes da tolerância. Daqui a dois ou três anos se vai ver o que dizem Catroga e Mexia, quando forem corridos.

Enquanto se discute maçonaria há quem diga que

«Num conjunto de seis países, Portugal foi o que infligiu uma maior queda de rendimento nas classes mais pobres com as medidas de austeridade que adoptou. Os resultados são de um trabalho da Comissão Europeia em que se comparam os efeitos distributivos das medidas de austeridade adoptadas pela Estónia, Irlanda, Grécia, Espanha, Portugal e Reino Unido. A conclusão sobre Portugal é brutal: "Portugal é o único país com uma distribuição claramente regressiva" nos efeitos das medidas adoptadas entre meados de 2008 e meados de 2011.

(...)

A Irlanda como o Reino Unido fazem os ricos pagar a crise.

(...)

Na Grécia quem mais tinha mais pagou. Foi o país onde as medidas tiveram uma carácter de maior progressividade e é, por isso, a imagem simétrica à de Portugal. Mas isso não evitou a revolta social. Será que os pobres se manifestam menos? A correlação pode ser abusiva, mas o confronto entre o que se passa na Grécia e em Portugal convida a essa conclusão aparentemente disparatada: as classes com rendimentos mais elevados tendem a revoltar-se mais.»

Helena Garrido

O óbvio tem tendência a passar despercebido

Se a maçonaria é secreta, como vêm a público tantas notícias, imagens, emails e mais? Alguma coisa está mal contada. E certamente há imenso ressentimento à mistura. De resto, a maçonaria tem muito de mito urbano, porque há muita história que envolve maçons. E isso, goste-se ou não, atrai a curiosidade das pessoas. Mas quanta dessa curiosidade não é doentia e fabulosa? Quanto disso não é voyeurismo?
Se têm dificuldades em organizar um jantar, como parece depreender-se de um email que circula por aí, como podem influenciar isto ou aquilo? Não se dará antes o caso de os homens dessa loja se conhecerem antes e uns terem levado outros para a instituição?


04 janeiro 2012

Porque é que o mundo é redondo?

Responde Vasco Graça Moura: por causa do governo de Sócrates.
E porque é que se cortam salários a torto e a direito? Porque Passos Coelho é muito corajoso.
Vasco Graça Moura a fazer comentário político é quase tão engraçado como um bêbado a explicar porque é que Portugal é um país de merda. A diferença está apenas no nível. Vasco Graça Moura supostamente devia ser menos grunho.

Portugal é uma golden share

Há cidadãos e cidadãos. Uns pedem ao Ministério Público que abra inquéritos. Outros calam-se mesmo que lhes tirem o pão da boca.
Portugal é um país óptimo para viver. Se é mafioso, pertence a alguma tríade ou está farto da lei, venha viver para o nosso país. Aqui quem arrebita cabelo deve sofrer uma penalização. Que o diga o bobo da revolução...

Os empresários do PSI 20 de Portugal

«A família Espírito Santo tem sede no Luxemburgo. Belmiro lançou a OPA à PT a partir do Holanda. O investimento estrangeiro é feito de fora. Isabel dos Santos investe na Zon a partir de Malta. Queiroz Pereira tem os activos estrangeiros separados de Portugal. António Mota desabafa há dias que pode ter de criar uma sede fora de Portugal só para que a banca lhe empreste dinheiro. E a família Soares dos Santos tem um plano que não nos contou mas que ainda nos vai surpreender - feito com bancos estrangeiros e a partir da Holanda, que é uma plataforma fiscal mais favorável à internacionalização para fora do espaço europeu, uma vez que não há dupla tributação da Holanda para e do resto do mundo.»
Pedro Santos Guerreiro

Depois de nós a Espanha? Ou a Itália?

«O risco da dívida de Espanha está hoje a disparar, devido à notícia que indica que o Governo estará a ponderar um pedido de ajuda externa para recapitalizar a banca do país. As nações afectadas pela crise da dívida não escapam também a esse agravamento.
Uma subida dos “credit-default swaps” – instrumentos que se assemelham a um seguro contra o incumprimento da dívida – sinaliza uma deterioração da percepção que os investidores têm relativamente à dívida que protegem.» (aqui)
Ai se a Espanha cai...

A Grécia treme. Seremos os próximos?

A Grécia pode entrar em falência desordeira em Março, mas continua a cumprir os objectivos da troika. A cegueira parece recorrente. De ajustamento em ajustamento os gregos empobrecem, o país afunda-se, o governo quer agradar à troika.
«O início do ano começou com um porta-voz do Governo a advertir, ontem, para a inevitabilidade de a Grécia sair da zona euro se não conseguir dos credores internacionais luz verde para receber o envelope financeiro que lhe permite assegurar os seus compromissos. A ideia contraria o discurso mais optimista revelado em Novembro pelo primeiro-ministro, quando Papademos foi anunciado o novo chefe do Governo, e nessa altura afastou qualquer cenário de saída da Grécia da moeda única.
Mas, desta vez, deixou um outro alerta mais amargo, feito por carta às centrais sindicais e patronais gregas: não exclui um cenário de entrada em bancarrota, se o país não conseguir dos credores internacionais um acordo durante as negociações com as missões da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional.» (ver aqui)
E nós, que também temos sido muito cumpridores do programa da troika?

03 janeiro 2012

Tudo parece fácil, mas há sempre muitos ses

Fala Paulo Rangel, do PSD:

«Todos os plausíveis senhorios, sem excepção, estabeleciam uma condição para o negócio: não passar o recibo da renda.»

«Habituado por escrúpulo familiar (porque há senhorios na família), a que se passa sempre recibo, nunca suspeitei que a situação de fraude - e de fraude escancarada - atingisse as proporções que descobri em Lisboa. Apercebi-me, entretanto, por estar agora mais atento e desperto, que é situação comum no Porto e que floresce tranquila e impunemente por esse país fora.»

«A pretexto da nova legislação, já se ouviu dizer tudo e o seu contrário. Há, no entanto, dois pontos que, antes mesmo de um estudo mais aturado, suscitam séria preocupação.
O primeiro é a ausência de qualquer medida para repor no sistema - e, designadamente, no sistema fiscal - essa enorme multidão de arrendamentos clandestinos. Num momento de austeridade, em que todos são chamados a pagar com grande esforço os seus impostos, como pode lançar-se uma reforma do arrendamento, fazendo de conta que não há milhares e milhares de contratos clandestinos, através dos quais se foge gritantemente ao fisco?

O segundo é a metodologia de negociação directa entre o senhorio e o inquilino para fixação das novas rendas. (...) Temo, no entanto, talvez por conhecer bem - demasiado bem - algumas das animosidades de décadas entre inquilinos e senhorios, que se abra uma multiplicidade de frentes de conflitos e guerras vicinais, com impactos sociológicos difíceis de antecipar.»

02 janeiro 2012

Diferenças

A Grécia terá de pagar 14 mil milhões a 20 de Março. E não se sabe se tem dinheiro. Já se fala num perdão de 75% da dívida. (Recorde-se que neste país a receita imposta pela troika foi a mesma que se usou em Portugal.)
Os países da Zona Euro têm que financiar-se em 650 mil milhões de euros até finais de Abril.
O Brasil teve em 2011 um excedente comercial de 29,79 mil milhões de dólares (23 mil milhões de euros), superior em 47,8% ao de 2010.

O obscuro pecado de ser bêbado


Nixon, republicano, homem de valores republicanos (entendidos à maneira EUA), viril, combativo, instigador de campanhas sujas (Watergate ainda hoje é um mito jornalístico) era:

a) alcoólico;
b) gay (alegre, colorido, claro);
c) violento para com a mulher.

É o problema de se chamar Richard.

Quero vender um livro. Que devo fazer?

1.º Ser americano ajuda muito.
2.º Escrever sobre alguém já conhecido.
3.º Pode ser uma biografia.
4.º Ou falar de Deus e afins.
5.º Ter o costume de aparecer na televisão, mesmo que seja o "cromo".
6.º Falar de vestuário, usar bué de termos bué e saber sorrir.
7.º Ser tudo menos leitor e, já agora, também escritor. Pivot, manequim, figura de circo, deputado, jornalista, algo assim.
8.º Repetir tudo o que já foi dito e fazê-lo com a maior ligeireza.
9.º Ser namorado (a) de alguém cuja fotografia aprece regularmente nas revistas.
10.º Vendê-lo como oferta de embalagens de papel higiénico.

E depois do lucro, os discursos vazios


Cavaco Silva tem o dom de falar e dizer nada. Sempre que fala é fogo de vista. Estava contra a falta de equididade e aprovou o orçamento. Agora volta à carga com as suas preocupações. Quem tem prisão de ventre também costuma andar preocupado, mas sabe que há maneiras de dar a volta à obstipação. Cavaco Silva, esse, é há muito um gag dele mesmo. Diz coisas tão profundas e sábias como «No ano que agora começa, as dificuldades não irão ser menores. Esta é uma realidade que não pode ser iludida». Ai as ilusões... até permitem que se repitam os mais estafados lugares comuns: 2012 «Será igualmente um ano em que a fibra do nosso povo virá ao de cima». Se calhar somos feitos de plástico e não sabíamos. Obrigado, senhor presidente. Obrigado, Cavaco.

Ao lucro interessa o lucro, apenas isso


Mal a informação foi tornada pública logo o coro de carpideiras começou a zurzir a Jerónimo Martins SGPS, como se a função da empresa fosse Portugal (como diz o slogan: "sabe bem pagar tão pouco" e em Portugal paga-se tanto). Quando o senhor Alexandre Soares dos Santos andou por aí a vilipendiar um primeiro-ministro fê-lo não por questões patrióticas mas de puro negócio. O mesmo fazem os presidentes de outras companhias e empresas. O pior é que ainda há muita gente que acredita no Pai Natal e quando percebe que o barbudo é fruto da criatividade da Coca-Cola fica muito triste e desata a cuspir para onde pode. Que se há-de fazer?
Deixar de frequentar o Pingo Doce? Ou apenas exigir que em Portugal, como noutros países, a lei seja de molde a impedir tais situações?
Os consumidores podem ripostar abstendo-se de comprar naquelas lojas, mas isso será no mínimo irrelevante.
Os cidadãos podem reclamar junto do parlamento e dos meios de comunicação para que a lei impeça tais negócios. Mas será que vale a pena? Não estão governo e deputados juntos na tarefa de alimentar a cadeia que permite aos negócios de grande porte engrandecer?

30 dezembro 2011

Nobre povo?

O governo mexe na vida e no dia a dia dos pobres com afinco. Já quando se trata de comunicações, electricidade, aviação, medicamentos e outros monopólios a coisa entope. É fácil empurrar os mais fracos para trás. Mas difícil cuspir nas mãos de quem paga campanhas e garante empregos. 2012 vai ser o ano das grandes descobertas: os portugueses vão descobrir que são capazes de passar fome e saudar o governo, pois troika oblige.

Ler jornais é deprimir mais

O mundo anda aos tropeções. O país deprime-se e corre o risco de colapsar. No meio disto, a preocupação mor são os bancos. A propaganda ideológica que deforma as ideias da classe média portuguesa (seja alta ou baixa) só encontra paralelo no povo da Coreia do Norte.
E que dizer do texto pindérico do ex-director do Público? Que evidencia uma enorme falta de perspectiva? Que mostra que o capital é muito bom, mas...? Que mostra como há gente extremamente limitada, que se julga importante mas não dá uma para a caixa? Talvez um pouco das três hipóteses. Pois que dizer de um Ocidente que usa e abusa de mão-de-obra barata e depois se queixa? Ou que dizer de um Ocidente que, ávido de lucro, não olha a meios para o conseguir e depois dá por si atascado em dívidas e em aparências?
Quantos empresários portugueses não sonham com o modelo chinês? Pagar mal, mesmo mal, obter lucros colossais e sorrir com as oportunidades de negócio fácil?

28 dezembro 2011

Os portugueses, esses crentes do sul da Europa

Os tugas acreditam que vale a pena apertar o cinto para ver chegar dias melhores - afinal gostam muito mais de Mário Soares do que aquilo que confessam.
Também deve chegar o dia em que vão perceber que Sócrates era muito melhor primeiro-ministro do que parecia. O problema, por ora, é acreditarem que estes sacrifícios vão permitir o desafogo. Ainda não perceberam que todos os analistas externos ao país olham para nós como para a Grécia: como não tendo capacidade económica para pagar custos tão elevados. Recorde-se que estamos a pagar juros de agiota à troika por um empréstimo que serve para muitos enriquecerem, mas que deprime os tugas e os encosta cada vez mais ao desejo de uma ditadura.
No entanto, enquanto durar a fé, num povo que tem N. Sra. de Fátima como imagem, Passos Coelho e amigos podem continuar a esmifrar o povo. No fim, hão-de restar umas migalhas para serem reeleitos, dado que os tugas adoram levar nas trombas com austeridade.

O ano da desgraça visto por

Por exemplo por alguém que parece ter o rei na barriga e dá pelo nome de António Mexia, presidente da EDP, que prevê que "2012 vai ser, ao mesmo tempo, aquele em que demonstramos que somos capazes de fazer melhor e consolidarmos a credibilidade indispensável para que o país possa ter novamente acesso aos mercados e ajudar a resolver o principal problema da economia portuguesa, o seu financiamento."

Já outros, qual velho disco riscado, repetem a ladainha, como António Barreto: "É preciso explicar às pessoas o que lhes está a acontecer. (...) É importante para a coesão nacional e para evitar perturbações insustentáveis".

Como não podia deixar de ser, num país em que as nossas élites se limitam ao consumo de revistas de fait divers e de moda, são os poetas e arquitectos que dizem algo: "(...) há pessoas que estão a chegar ao limiar da dignidade humana", diz Souto Moura. Já M. A. Pina, poeta diz "Como ainda há pouco tempo provou o relatório da OCDE, os pobres estão cada vez mais pobres, os ricos mais ricos, há cada vez mais insegurança, cada vez mais falta de escrúpulos e cada vez mais a submissão aos ditames do dinheiro e do capital financeiro". "O 'rating' das pessoas, utilizando um termo muito em voga, está cada vez mais como 'lixo', que é o que acontece com estas políticas recessivas que têm sido adoptadas".

Não deixa de ser curioso verificar que certos economistas não hesitam em encontrar paralelismos entre o agora e o período da Segunda Guerra Mundial, como João Ferreira do Amaral: "Vão crescer tendências nacionais e europeias para uma certa forma de actuação política mais musculada. À medida que as dificuldades forem aparecendo, a reacção das autoridades será nesse sentido."

É a economia, estúpido


(...) há uma gigantesca diferença entre as “Draghibonds” e as famosas eurobonds: enquanto as “Draghibonds” funcionam como injecção de dinheiro barato nos bancos, as eurobonds fariam com que o dinheiro barato fosse injectado em países, ou nas dívidas soberanas dos países, para pôr a economia a funcionar e as pessoas desesperadas desses países a arranjar emprego.

Talvez [Mario Draghi] tenha genuinamente acreditado que, ao salvar os bancos (oferecendo-lhes dinheiro a juros de 1%), eles ficariam imediatamente disponíveis para emprestar dinheiro à economia ou aos países em dificuldades. Engano: os bancos, em cujos estatutos não consta a resolução de problemas das pessoas comuns (uma competência dos governos nacionais ou de um governo supranacional europeu, se o houvesse), preocuparam-se simplesmente com salvar a pele e, em vez de se dedicarem a fazer o bem à economia e aos países, depositaram todo o dinheirinho no BCE.

O poder dos alunos

O euro é uma moeda forte? Para que não restem dúvidas Guilherme d'Oliveira Martins esclarece: "Costumo perguntar aos meus alunos se o euro é uma moeda forte ou fraca; todos me dizem que é forte." (ver aqui)
Se os alunos dizem que sim, quem somos nós para contrariá-los?

23 dezembro 2011

A Espanha novamente de olhos postos na inquisição


Espanha vai regredir social, económica e mentalmente. O novo governo prepara-se para mexer na lei do aborto. O argumento é, como sempre, preservar a vida. A vida, como se sabe, é algo que cai do céu... milagrosamente. Alguém que engravidou e não tem condições para ter o filho, vai ser obrigado a tê-lo. Se não tiver dinheiro, não faz mal, a igreja dá uma ajuda e todos esses movimentos ditos pró-vida vão fazer o mesmo. Se a mãe morrer de fome, são coisas que acontecem. Se se suicidar fruto de uma brutal depressão, o movimento pró-vida sorrirá e com esse sorriso a alma da mãe passará da lama ao céu. Já Soraya Saénz de Santamaría, acaso seja violada e engravida carregará, em nome da vida e do amor esse fruto proibido. Amem.
Ver mais informação em El País.

19 dezembro 2011

Da esfregona


Num mês de tantos óbitos célebres deixamos passar o do inventor da esfregona e das agulhas hipodérmicas, Manuel Jalón Corominas (1925-2011). Corria o ano de 1956. Segundo o próprio, a coisa veio-lhe de informação colhida num hangar norte-americano. Ele pôs-lhe outro novo: lava-solos, mas um homem que as começou a vender optou por esfregona e o nome ficou. Depois da esfregona vieram as agulhas. Claro que Jacob Howe já patenteara, em 1837, o "mop-heads". E há outros registos, posteriores, de patentes de esfregonas. A patente do espanhol diz respeito ao plástico.

Como, quando e para onde fugir? Já

Fala Ana Sá Lopes: "Fica evidente que Pedro Passos Coelho está consciente que o programa do governo-troika vai arrasar uma boa parte dos empregos que restam, vai rebentar com a hipótese de crescimento. Agora, resta a Passos o plano B, que está em marcha e começou agora. O primeiro-ministro esforça-se para comunicar aos portugueses a saída de emergência disponível: o êxodo em massa do país que governa.

Há qualquer coisa de estranhamente comovente, estranhamente trágico, desesperantemente lúcido na declaração de Passos, que revela a sensibilidade do elefante na loja de porcelanas. Não é esperado que um primeiro-ministro incentive a emigração dos cidadãos, mas que lhes resolva os problemas de emprego. Mas não há resolução possível."

É a política


Fala Manuel Caldeira Cabral: "o nível de endividamento da Zona Euro é inferior ao do Japão e dos EUA, e a Zona Euro apresenta um equilíbrio externo que falta aos EUA e ao Reino Unido (ambos com necessidades liquidas de financiamento externo importantes). O mesmo quando se compara o comportamento nos últimos anos, em que o endividamento e a despesa pública (em percentagem do PIB) subiram mais no Japão, EUA e Reino Unido do que na Zona Euro.

EUA, Reino Unido e Japão tiveram mesmo uma evolução pior comportada do que alguns dos PIIGS, incluindo Portugal, no que toca ao aumento da despesa, e ao nível de endividamento.

Se não é o stock de dívida, nem o comportamento particularmente irresponsável dos últimos anos que distinguem a Zona Euro das outras economias desenvolvidas, têm de ser outros factores a fazer com que os mercados estejam a perder a confiança em todos os países da Zona Euro, mas mantenham confiança na divida Inglesa, americana ou japonesa.

A diferença parece estar na desunião política, de lideranças que se têm fixado mais em atribuir culpas e castigos do que em resolver problemas. Está também na contracção monetária que tem estado a ser seguida, que contrasta com as políticas de expansão monetária e desvalorização dos EUA e Reino Unido. Está também na falta de instrumentos fortes de actuação no mercado da dívida e na garantia como financiador de último recurso que o BCE devia assumir, mas não pode. Por fim, está ainda na falta de programas de estímulo ao crescimento, e no acentuar de políticas recessivas a ser seguidas mesmo por Estados como a Alemanha, que têm saldos externos bastante elevados.

O arrastar da crise das dívidas soberanas já levou a perdas de produção em toda a União Europeia superiores a toda a dívida grega."

Anda tudo a tratar da vidinha

Fala Pedro Santos Guerreiro: "como aceitar a vergonhosa nomeação em catadupa de "boys" sociais-democratas para cargos de chefia? Não há vergonha no PSD? Ou Passos Coelho não manda no seu partido? O país está quebrado mas anda tudo a tratar da vidinha."

"Os portugueses estão a perder o emprego, os empregados estão a perder salário, os desempregados estão a perder subsídio, a única via apontada pelo próprio Governo para fugir à trituradora é fugir do país: emigrar. Desistir. Os sacrifícios não estão a ser repartidos por todos. E aquilo que nos trouxe até esta ruptura está a permanecer. Estamos a remediar esta crise mas não estamos a prevenir a próxima. O mesmo tipo de pessoas está a tomar o mesmo tipo de decisões, o que só pode levar ao mesmo tipo de resultados."

18 dezembro 2011

E a EDP vai para...

Angela Dorothea Merkel ou para a E.ON, empresa que oferece menos dinheiro pelos 21,35% do capital da EDP.
Na corrida estão também as brasileiras Eletrobraz e CEMIG e a chinesa CTG (empresa estatal chinesa que ofereceu o preço mais alto, cerca de 2,7 mil milhões de euros).
A Parpública (Fátima Barros, Daniel Bessa e Sérgio Gonçalves do Cabo), a entidade do Estado que está a vender a EDP, escusou-se a fazer um ranking das três propostas que estão em disputa, o que é, no mínimo, estranho.
Outra estranheza é a notícia de favorecimento à empresa alemã, requerida pela física Merkel. Relvas, o ministro, diz que existe “uma comissão de avaliação no âmbito do Ministério das Finanças totalmente transparente”. Mas há quem diga que de transparente tem pouco.

Na Grécia já há fome entre os que têm emprego


Os professores na Grécia estão preocupados com os vários casos que se têm registado nos últimos meses de alunos que desmaiam nas escolas por fome e desnutrição e já alertaram as autoridades para o caso. Os meios de comunicação deram conta do caso, mas as notícias foram catalogadas de exageros jornalísticos.
A fome é sempre tão exagerada, nada fotogénica. Que chatice. Já não é negra, mas grega.

Portugal ainda vai ser um paraíso

Ferraz da Costa defende o fim do subsídio de desemprego e diz: “com o Memorando da troika, que quase suspendeu a democracia em Portugal, era altura de fazermos essa e outras mudanças, como a lei da greve, que tal como existe, com a possibilidade de cinco ou seis dirigentes sindicais a convocarem, só acontece em Portugal e possibilitou um aumento dos salários muito superior à produtividade.”
Pedro Ferraz da Costa que foi em tempos eleito o melhor criador do Festival Internacional do Puro Sangue Lusitano de Portugal e é homem da indústria farmacêutica sabe muito bem que Portugal é o país onde ele e outros como ele ganham fortunas, mas podiam ganhar bastante mais. Para isso, importa que o país faça opções difíceis: empobrecer a maralha, acabar com os direitos e garantias da mesma, aumentar os impostos sobre os particulares ao invés de sobre as empresas, incentive a emigração e baixe salários a essa gentinha que trabalha 8 a 9 horas por dia.
A cereja em cima do bolo é irmos privatizar empresas para as vendermos ao Estado de outros países.
Grandes líderes que temos. Uma salva de palmas, s.f.f..

Da emigração

Já é a segunda vez que alguém do governo sugere a emigração como modo de vida para os portugueses. Agora coube a Passos Coelho a sugestão. Diz ele que Angola e Brasil são destinos a pensar pois têm capacidade para absorver mão-de-obra portuguesa em sectores com “tudo o que tem a ver com tecnologias de informação e do conhecimento, e ainda em áreas muito relacionadas com a saúde, com a educação, com a área ambiental, com comunicações”.
Curiosamente há países a colher os investimentos feitos na educação. Como a Coreia do Sul, que se tornou "num campeão das exportações". Diz-se no Público: "A Coreia do Sul apresentava entre 1980 e 1990, uma posição semelhante à portuguesa no índice de desenvolvimento humano do PNUD, mas desde então disparou para o 15.º lugar, enquanto Portugal caiu alguns postos, para 41.º. A diferença resulta sobretudo dos níveis de instrução da população, que é um dos grandes investimentos das famílias sul-coreanas."

A vingança dos ingleses

E se o euro colapsar? A resposta mais doce vem do reino de sua majestade: aviões, barcos e autocarros para salvar os súbditos das terras indigentes (Portugal e Espanha). Os súbditos de sua majestade gostam de sol e da vida barata da Península Ibérica. Ou seja, adoram o continente. Em Espanha são cerca de um milhão e 55 mil em Portugal.
O Ministério das Relações Exteriores britânico disse que se está a preparar para um "cenário de pesadelo", com milhares de britânicos sem dinheiro a dormir nos aeroportos e sem meios para chegar a casa. Entre os planos de contingência que o governo está a preparar consta o envio de aviões, navios e autocarros.
Há que colher aliados e os dois países podem ser importantes para a política europeia de David Cameron. É que são mais de 50% os que detestam o continente e se afirmam atlânticos.

17 dezembro 2011

Da simpatia por Gonçalo Ribeiro Telles

«a partir de determinada altura foi-se desenvolvendo a ideia de que a agricultura não era uma cultura, mas era uma economia feita exclusivamente para criar uma riqueza material, de financiamento fosse do que fosse. Houve muitos políticos – não se pode dizer todos – que se começaram a convencer-se de que a agricultura era qualquer coisa que não tinha lugar no mundo moderno.

(...) temos mais de meio milhão de fogos vazios, que serviram para construir, mas que estão vazios. Temos uma política florestal, que no fundo é a eucaliptação do país com a correspondente morte das aldeias e da agricultura regional.

A morte das aldeias, a caótica destruição com as urbanizações, o desaparecimento da agricultura.

Hoje não há uma ideia global por causa dos interesses e por causa de as pessoas estarem à espera de coisas que dêem proveito rapidamente. Por isso é que televisão diz todos os dias que há uma floresta a arder quando é um eucaliptal. Todos os dias se diz que há um desenvolvimento numa determinada região, porque os prédios atingiram determinada altura...

Temos auto-estradas, mas não temos caminhos locais de relação com a vida local. Vê-se a vida passar na auto-estrada, mas não se sente. Desprezamos as aldeias porque não fazem parte desse modelo. O próprio povoamento do país não faz parte desse modelo e portanto não há que tratar sequer da sua dignidade como pessoas.

O que me aflige é termos um país de alto a baixo, principalmente no Interior, despovoado e apodrecido.

Acabava com o pandemónio de construir nas melhores terras de cultura, de não promover uma boa circulação da água através das suas linhas naturais e de recuperar os solos através da própria ocupação vegetal. Há uma inércia enorme perante as asneiras cometidas.

Excertos desta entrevista.

Da espera

É um gajo porreiro, sempre avisou o país de que isto era péssimo e ia ficar pior. E continua a repetir a coisa. Medina Carreira é um sábio. Como todos os sábios irrita. Porque ninguém gosta que lhe digam: nasceste, pois vais morrer. É que, para afirmações desse calibre, estamos cá nós. O que a gente precisa é que Medina Carreira pense e diga como é que a economia portuguesa pode crescer. Quais são as medidas que impulsionam o crescimento. Mas temo que a sabedoria do homem se limite à arenga do costume.
O país está a seguir um caminho de corte. Os cortes são muito importantes. Se me cortarem as mãos deixo não só de escrever, como de comer. Poupo logo imenso. O pior é que ao cabo de uns dias morro.
Como é que se gera riqueza? Isso é que parece complicar a vida aos sábios. Portugal esteve demasiados anos sob o jugo de um homem como Medina Carreira, que gastava pouco e amealhava muito. Não se vê em que é que isso foi benéfico para o país: analfabetismo enorme, desemprego brutal, emigração elevadíssima, atraso cultural, científico e tecnológico...
Há gente que gosta de ver os outros em baixo para se sentir importante. Será o caso de Medina Carreira e doutros arautos que por aí andam?
A verdade que as estatísticas mostram é que o país se desenvolveu imenso nos últimos 35 anos. Com liberdade e investimento. Agora estamos a retroceder em ambos. Cada vez parece mais difícil perceber-se que as pessoas são o mais importante e não as negociatas.
Como algumas vozes solitárias dizem por aí não se pode pagar quando não há dinheiro. Não se pode pagar quando o desemprego sobe, o consumo baixa, a recessão se agrava. Mesmo que queiram atirar areia para os olhos da gente e digam que agora é assim mas daqui a nada vamos crescer. Não vamos. A continuar assim vamos piorar. Para crescer é preciso mudar de paradigmas. Aqui e ali há gente a mostrar caminhos: certos produtos agrícolas, turismo, restauração, cultura e mais. Para crescermos precisamos de apoiar as actividades certas e de correr riscos com as apostas.
Parece que enquanto não houver tumultos sociais não se vai poder mudar de paradigma. Resta-nos então ir esperando.

13 dezembro 2011

And Now for Something Completely Different

Curto bué este som

Do bosão de Higgs ou a Partícula de Deus


Os cientistas andam atrás de Deus. O caso não é para menos. Há muito para explicar. Quando o encontrarem, digam alguma coisa e preparem um chat. Gostava de lhe perguntar algumas coisas. Por favor ligar para 112 e deixar mensagem.

Da poupança

A taxa de poupança das famílias portuguesas desceu de quase 24% do rendimento disponível em 1985 para 10% no final dos anos 1990, mantendo-se praticamente estável desde então. Recordemos que por então os juros começaram a descer e a inflação manteve-se alta. No entanto, para os estudiosos isso deveu-se ao desenvolvimento do Estado social e à facilidade no acesso ao crédito.
Hoje, a taxa de poupança ronda os 10 por cento, mas dizem que deveria ser o dobro, já que 20 por cento é a taxa que “parece garantir alguma solidez” à economia de um país.
O que agora se pretende é que se consuma menos e amealhe mais. Para que as pessoas vivam melhor? Não, para que o país seja sustentável. Ou será para que alguns continuem a cavar o fosso da desigualdade?

Adoro números


Portugal é o terceiro país da Zona Euro mais pobre. O nosso PIB 'per capita' medido em paridades de poder de compra (PPC) continuou, em 2010, num valor inferior à média da União Europeia, alcançando, tal como em 2009, um valor equivalente a 80 por cento dessa média. Em 2004 era de 75%.
Portugal é um país pobre comparado com os mais ricos. Mas não é um país pobre. Ou não era. Que aos poucos estamos a empobrecer e, por isso, o nosso Passos Coelho já anda todo contente a dizer que este ano o défice público não será superior a 4,5% do PIB, quando o exigido no acordo com a troika era de 5,9%. É um défice artificial, não é um défice autêntico, pois os seis mil milhões de fundos de pensões da banca permitem reduzir o défice contabilisticamente mas não realmente.
Já a taxa de desemprego em Portugal subiu para os 12,9%, acima da média dos países da zona euro, que está nos 10,3%.
Portugal continua um país altamente desigual. O número de pobres é assustador: mais de 50 % da população - basta olhar para isenções e apoios do Estado. E como dizem certos estudiosos "Os ricos têm melhor qualidade de vida nos países mais igualitários". Só EUA, Turquia, Israel e México são mais desiguais.
Podemos andar com números para trás e para a frente, que vamos sempre dar ao mesmo: precisamos de mudanças quer ao nível da economia quer sobretudo da educação (cultura e maneira de pensar).

12 dezembro 2011

Vem aí a fome

Pela primeira vez, desde que há registo, o volume de bens alimentares consumidos caiu. A crise já chegou à mesa dos portugueses.

Daqueles que concordam connosco

Chama-se Filipe de Botton e é um dos líderes da Logoplaste. Diz ele que “O maior problema que existe em Portugal é a classe empresarial. (...)somos pouco formados, pouco cosmopolitas, (...) falta em Portugal capacidade de liderança”.

Fonte

10 dezembro 2011

Da cultura segundo o secretário de estado


Há por aí muita gente dada aos oxímoros, talvez pelas afinidades entre a retórica e a política. Assim, não há dia em que não sejamos surpreendidos pelos muitos vãos da ironia. Hoje, acordamos com as crenças do vate-escritor-secretário-de-estado-da-cultura que, ou inspirado pelo aroma intenso de um charuto, ou pela riqueza calórica de algum tinto encorpado, propõe ao gentio deixar de comer um bife e batata frita para ir... (não seja pesporrente, leitor, muito menos malicioso) ao cinema.
Não há nada melhor, em tempos de "cortes na nossa vida” do que uma ida ao cinema. Só o cheiro a pipoca sacia, o que é bom para a linha e para o colesterol. Acresce o ruído das pedras de gelo da cola que acabam logo com a sede. O nosso Francisco José Viegas pensa à frente e adivinha uma “mudança de hábitos”. Os compatriotas deixarão de comer e de beber para se tornarem grandes consumidores de "cultura".
A gente percebe que as cadeiras onde se sentam tão doutas individualidades são elaboradas com materiais preclaros que não só proporcionam um incremento da fé como tornam os governantes em profetas.

Do namoro

Vasco Pulido Valente e Manuel Alegre reintroduzem o duelo amoroso na imprensa portuguesa. Hoje, Manuel Alegre afirma que lhe apetece dar a Pulido Valente "com brandura, umas bengaladas", depois de ter tecido algumas considerações sobre o que é, para o nosso vate, o amor: algo que se manifesta do avesso, fruto de uma "espécie de pudor".
Vasco Pulido Valente zurzira há tempos Manuel Alegre, num dos seus artigos do Público. Nós, leitores entediados, aguardamos mais umas linhas destas missivas amorosas no Portugal dos inícios do século XXI.

08 dezembro 2011

Outros estudos

Os números têm origem nos Censos deste ano. Que indicam que entre 2001 e 2011 quase duplicou o número de pessoas com curso superior – são agora cerca de 1,2 milhões. Esta tendência também se verifica no ensino secundário. No entanto, apenas 12% da população possui o ensino superior completo e 13% o secundário. E ainda há 19% da população sem qualquer nível de ensino.
São as mulheres quem possui qualificações mais elevadas, sendo 61% dos licenciados do sexo feminino, mas são também as mulheres que predominam no grupo de pessoas sem qualquer escolaridade.
Em 30 anos Portugal perdeu um milhão de crianças (até aos 14 anos) e ganhou 900 mil idosos (mais de 65 anos). Hoje, 19% dos portugueses têm 65 ou mais anos de idade. E há 21,4% a viver sozinhos, mormente no interior do país, na região Centro e Sul e nos municípios de Lisboa e Porto. Apesar do aumento dos divórcios, os casados continuam a representar grande parte da população: são 47%, face a 40% de solteiros, 7% de viúvos e 6% de divorciados. Os solteiros são mais homens (51,6%), os divorciados mais mulheres (58,6%).

Fonte: Público

Dos estudos que acabam na imprensa


A partir de um estudo limitado em população representativa e noutros itens de um estudo rigoroso parte-se para as generalizações, socialmente atractivas e que parecem confirmar lugares comuns. O busílis é apenas o de o estudo não obedecer a critérios rigorosos e dar aso a banalizações.
Uma equipa de investigadores da Universidade do Ohio, nos EUA, reuniu 283 estudantes (163 do sexo masculino e 120 do sexo feminino, entre os 18 e os 25 anos) para perceber as diferenças entre os pensamento de homens e mulheres ao longo de um dia. Divididos em três grupos, foi pedido aos participantes que, durante uma semana, cada vez que pensassem em sexo, comida ou descanso, consoante o grupo onde estavam inseridos, activassem um contador.
O resultado mostra que enquanto os homens pensam, em média, 19 vezes por dia em sexo, as mulheres apenas pensam 10 vezes.
Ver mais aqui. Outros estudos: 1 (elas querem sexo, eles querem mimos) e 2 (esperança de vida sexual)

Da conspiração

O homem ficou conhecido pelo seu voraz apetite sexual. Mas não apenas por isso. Aos olhos do mundo tornou-se um agressor e um violador. Foi preso. E acabou fora da corrida às presidenciais francesas. Falou-se em complot. E volta a falar-se, depois da divulgação das imagens de segurança do hotel.
Os acontecimentos datam de 14 de maio. Nas imagens das câmaras de segurança do Hotel Sofitel de Nova York, é possível ver Strauss-Kahn a deixar o hotel calmamente, indo embora de táxi. Pouco depois, a empregada Nafissatou Diallo sai de um elevador e conversa com outros funcionários. Em seguida, surge no que aparenta ser uma área de acesso exclusivo da equipe do hotel, gesticulando junto a uma supervisora e aos funcionários, aparentemente seguranças. Quase uma hora depois de Strauss-Kahn ter deixado o hotel, esses dois seguranças vão para uma área reservada e aparecem a dançar e a abraçar-se, como se comemorassem algo, no que a emissora francesa BFM designa como “dança da alegria”.
A 25 de novembro, o jornalista norte-americano Edward Jay Epstein publicara na revista “The New York Review of Books” um artigo em que analisava estas mesmas imagens e dizia que a atitude dos funcionários era de comemoração dum golpe bem sucedido contra DSK.



04 dezembro 2011

#AntiSec PT



A mensagem: «estamos aqui para combater a corrupção, expondo online a transparência que este sistema não permite existir.. e este sistema está a falhar.»

(...)

«2011 é o ano das revoluções e dos maiores hacks da história (até ao momento..) e estamos a criar um caminho para a revolução global. vamos defender o povo da corrupção policial e expor os corruptos que criaram a crise neste sistema com interesses sombrios.

Iremos também apoiar todos os movimentos que apresentam soluções concretas para substituir este sistema corrupto.

Denunciem a corrupção pelo nosso e mail, e juntem-se a nós no IRC.
Não somos Anonymous. Nem somos LulSecPortugal.

Somos o movimento #AntiSecPT»

A nossa língua não é o forte deste "grupo". Mas dominam a informática e provocam danos em sítios online. Estão por aqui e aqui.
Supostamente estão do lado do povo. O único problema é: que povo?

Da realidade portuguesa segundo um ponto de vista

A cultura em Portugal é sinónimo de álcool e fumo, pelo menos esse é o ponto de vista do nosso primeiro-ministro e do ministro das finanças.
«Foi possível propor a compensação da perda de receita no caso dos espectáculos culturais (cerca de 20 milhões de euros) com o agravamento dos impostos especiais sobre o álcool e o tabaco.»
A afirmação vem no seguimento de uma pergunta de Maria João Avillez. Uma dessas perguntas que tem o odor requentado dos lugares comuns que formatam o raciocínio de muita boa gente: «Porque se comoveu com a cultura mais do que com a restauração?» Cultura e restauração como parte de um sentimento, de uma emoção. Não se trata de pensamento ou de uma acção política, mas de... comoção. Ou seja, uma dessas perguntas que legitima todo o tipo de respostas. E que mostra à saciedade o quanto certas campanhas de promoção de Portugal são... mentira. O que importa é encher a boca com números. Sem se recordarem do quanto a restauração é cultura e da mais-valia que essa cultura representa nos dias de hoje. Não. Trabalha-se com o passado numérico. No ano passado a restauração produziu X, logo no próximo ano vai produzir Y e pode-se, qual Xerife de Nottingham, cortar ali para arrecadar mais dinheiro.
A cultura e restauração são insignificantes para a economia portuguesa? O governo tem algumas ideias para esses sectores? Ou limita-se, qual merceeiro, a pensar em amealhar?
Num tempo em que tanto se fala de dieta mediterrânica, até como parte de uma economia sustentável, o nosso primeiro-ministro olha para o assunto como uma parcela de excel e a entrevistadora como uma comoção. Giro, tão giro, tão fresco, tão revelador, não é?
Até porque a cultura é um lugar impensável sem álcool e sem fumo... e, se bem me lembro, havia um ministro que há não muito, também gostava de pensar no álcool como alimento dos portugueses.

02 dezembro 2011

Retrato de um português de hoje pintado há séculos

O quadro, datado de 1633, não pertencia ainda à lista de obras de Rembrandt. Agora já pertence. Por baixo detectou-se um auto-retrato inacabado do pintor holandês.
De dimensões pequenas (15cmx20cm), terá sido pintado por Rembrandt aos 24 anos, numa altura em que a sua reputação de retratista começava a crescer.
Os exames de raio-X, com recurso a uma técnica de espectrometria de fluorescência de macro raio-X que permitem detectar pigmentos escondidos em camadas de tinta, feitos à obra revelam que por baixo do retrato de um homem velho, de olhar carregado e triste, está um auto-retrato incompleto do pintor, cujos detalhes faciais não estão desenhados, mas os traços gerais correspondem a uma impressão de 1633 que tem uma inscrição que dizem ser de Rembrandt.

O polvo dos Spy Files


Há dezenas de empresas a vender tecnologia para vigilância de pessoas a governos (ditaduras ou ditas democracias). A informação é fornecida pela WikiLeaks, que afirma que se vendem equipamentos para “registar a localização de todos os telemóveis numa cidade, com uma precisão de 50 metros” e software para “infectar todos os utilizadores de Facebook ou utilizadores de smartphone de um sector inteiro da população”. Para além disto, há quem venda vírus informáticos e outro software malicioso para ser instalado em computadores específicos, tecnologia de rastreamento por GPS e material para interceptar ligações de Internet.
O Big Brother é uma realidade que passou da literatura e do cinema para o dia a dia.
Para ver mais, ir aqui.

Christa Wolf (1929-2011)


Morreu ontem, em Berlim, Christa Wolf, autora de "Cassandra" e "Medeia. Vozes", "Três Histórias Inverosímeis" (publicados em Portugal pela Cotovia) e "Acidente: notícias de um dia" (Publicações D. Quixote).

«A curiosidade é um mau hábito das mulheres e dos gatos, ao passo que o homem é ávido de conhecimento e tem sede de saber.» (THI, pág. 94)

Nas obras da escritora, as mulheres estão sempre no centro das atenções. Mulheres que se sentem estranhas, desajustadas num mundo masculino e que questionam os lugares comuns da dominação e do poder.

Portugal e o imenso buraco nas contas do Estado

Milhão para aqui, milhão para ali. Parece uma dança. Quando o maestro de serviço era rosa, todos diziam que a culpa era de Sócrates. Agora que é laranja, vai-se suportando, à falta de algo credível (as eleições foram há pouco tempo). Mas os sinais de alerta mantêm-se acesos e os cortes continuam a todo o vapor.
Há quem se questione sobre o que anda por aí a dizer Passos Coelho, ao mesmo tempo que fala do encaixe de 6 mil milhões com o fundo de pensões da banca:
«Seis mil milhões é muito mais do que se previa, correspondendo a mais de 3% do PIB. Ou o Estado terá um défice afinal inferior a 5,9% ou teremos também "despesas extraordinárias" ainda este ano. Pela experiência, a segunda hipótese é mais provável: estes seis mil milhões são um enorme tapete para debaixo do qual o Estado ainda vai varrer muito lixo. Buracos nas empresas municipais? Nas PPP? No BPN? Que esqueletos saltarão do armário para aninhar no conforto do fundo de pensões?
Mais: se o o défice orçamental deste ano for formalmente de 5,9% mas substancialmente acima de 9% (5,9% mais os 3% e picos do fundo), então a redução para 4,5% comprometida para 2012 será de uma violência quântica. Talvez assim se perceba a entrevista do primeiro-ministro de há dois dias, para preparar o discurso da derrapagem do défice e da recessão económica de 2012, prenunciado mais medidas de austeridade. Cristalino, não é?» (Diz Pedro Santos Guerreiro)
Para que o jogo não seja assim tão cristalino, o ministro Branco dá-lhe esse tom vago, que serve ao sim, ao não e que alguns dizem ser nim. «Todos os sectores da sociedade portuguesa, todas as áreas da governação são solidários no esforço que o povo português está a fazer para ultrapassar este momento. Não é só o sector da Defesa, da Educação, da Saúde. Temos feito tudo o que é necessário para ultrapassar este momento».
E como nisto de alta finança vale tudo, havemos de pagar no futuro estes seis mil milhões com mais dívida, mais impostos, mais cortes. Olé!

A alta qualidade da construção civil portuguesa

Infiltrações, azulejos que descolam, entre outros detalhes. Ver, por exemplo, o que acontece aqui.

Fala Manoel de Oliveira

"A literatura é muito superior ao cinema. É a máxima da expressão humana".
Mais, aqui.