15 novembro 2011

Portugal precisa de

cortes salariais reais e outra medidas que conduzam o país à miséria para tornar a economia mais competitiva e travar o aumento do seu endividamento face ao exterior.
Diz quem? O think tank norte-americano Peterson Institute for International Economics. Yes yes, obviamente. Recorde-se apenas que «a fragilidade das economias periféricas é o alvo perfeito para a especulação financeira e agências de rating (controladas maioritariamente pelos republicanos) e são ouro sobre azul na estratégia republicana de desacreditação da sustentabilidade do modelo social europeu e do seu sistema universal de saúde gratuito.» [Domingos Ferreira, no Público de ontem. Nota: republicanos refere-se ao Partido Republicano dos EUA]

É preciso lançar a confusão para reinar

Portugal é o país das inevitabilidades. De repente, o país acordou para a inevitabilidade do corte dos subsídios de férias e de natal - depois de já ter sido inevitável reduzir salários. Segue-se a inevitabilidade de ter de pagar o buracão do BPN, da Madeira e muitos outros que existem nas empresas públicas, enquanto administradores e gestores continuam a encher-se à tripa forra.
Agora, a nova inevitabilidade é o corte nas reformas: "algumas pessoas vão passar a ganhar pouco mais de metade do seu ordenado quando se reformarem" dizem os especialistas (não se sabe se pagos pelas companhias seguradoras / bancos).
As inevitabilidades portuguesas são sempre "benéficas" para o país. Paga-se impostos e mais impostos, sofrem-se cortes por tudo e por nada nos salários e tanta-se paulatina e insistentemente vender a ideia de que o país não tem futuro.
Portugueses, façam o favor de emigrar. Vão para África, para o Brasil, para os EUA, para a Austrália ou para o raio que vos parta, mas paguem e paguem caro para que meia dúzia continue a beneficiar de regalias, mordomias e possa manter altos níveis de vida.
O mais engraçado em todos os cortes é a retórica usada para os justificar. Desde medidas de último recurso, a inevitabilidades, passando por medidas de "fim de linha". Como se os portugueses fossem atrasados mentais e não estivessem há anos perante a mesma argumentação: é preciso empobrecer para que os ricos possam enriquecer ainda mais. E mais engraçado ainda é quando a troika diz que o problema não é político mas sim de política económica. Veja-se como são meticulosos na linguagem, como atiram areia para os olhos das pessoas.
As campanhas contra os salários e a Segurança Social começou há mais de uma década e tem sido recorrente. É que são muitos os que querem poder deitar a mão a milhares de milhões de euros, em nome do futuro, pois claro.
Quanto aos subsídios, repare-se como por insistência do PS e de várias individualidades, instituições e sectores da sociedade, o governo faz de conta que é uma barata tonta e assegura que o corte dos subsídios é temporário para 2012 e 2013.
Será preciso recordar que em Portugal, além das inevitabilidades, também se é adepto do temporário? Quantas escolas estão, há décadas, temporárias em edifícios degradados? Quantos centros de saúde funcionam, também temporários?

12 novembro 2011

Contra certos lugares comuns, por exemplo o sexo


Quando se fala em sexo há logo coisas do género: os homens assim, as mulheres assado. E muita boa gente dá isso por adquirido e até se dá ao luxo de perorar sobre o assunto como se fosse especialista. Felizmente, há quem se dedique a testar esses lugares comuns e as conclusões a que vão chegando são avassaladoras:
«Cerca de 90% dos homens não têm orgasmo, eles têm uma sensação de alívio porque apenas descarregam, e por isso é que as mulheres ficam infelizes e frustradas.» Palavras de Prem Milan, professor de bioenergética.
As mulheres portuguesas gostam mais de pornografia do que os homens. “Os homens têm tido respostas sexuais muito abaixo do que é habitual quando estão a ver filme pornográficos. As médias de excitação são próximas do cinco (numa escala de dez), abaixo da média dos estudos de outros países europeus. Já as mulheres tiveram médias próximas ou superiores às médias europeias”, afirma Pedro Nobre, coordenador do SexLab.
Fala Prem Milan: «As pessoas, em vez de olharem para dentro de si, elas preferem fugir, todo o mundo está fugindo. E todo o mundo acaba caído em antidepressivos ou fazendo um monte de basbaquices. Porque é que as pessoas estão usando tanta droga? São débeis mentais? Não. As pessoas estão muito frustradas e a base da nossa frustração começa com a sexualidade, quer você queira quer não.»
«Toda essa quantidade de doenças que estão por aí, a grande maioria delas começa num espaço emocional. As pessoas não ouvem o corpo, qualquer emoção está no corpo, as pessoas existem a partir do corpo, tudo começa no corpo. Se você está com raiva, você está de um jeito, se vê no teu olho. Se você está com tesão, está no teu corpo. As pessoas é que não enxergam, têm medo de se olhar. Os casais não se percebem, não se notam, têm de perguntar “E aí, tu está a fim?”, não sabem ler os sinais. É ridículo o estado a que as coisas estão chegando. O automatismo. O amor que sentem é muito pequeno, é uma carência desgraçada. O amor não pode ser essa escravidão, você depender do outro.»

Fontes: 1, 2, 3

10 novembro 2011

Passos Coelho é um homem de palavra

«Desde que arrancou a "colheita" orçamental, a 17 de Outubro, Passos já deixou pelo caminho alguns ingredientes com que contava para "cozinhar" a consolidação exigida pela troika para 2012. Se,aparentemente, alguns caíram apenas por um esquecimento inicial, outros acabaram por ser atirados "borda fora" por acção directa das partes interessadas.»
Ver animação aqui.

Das artes de hoje e dos artistas em particular


Quando um português urina diz-se que mija. Quando um artista urina, é uma performance. Não acredita? Ora leia:

«O artista italiano Alberto Magrin auto-retratou-se a urinar sobre uma instalação da autoria do brasileiro Flávio Cerqueira, que esteve patente ao longo da edição deste ano da Bienal de Vila Nova de Cerveira, no Verão passado, frente ao Fórum Cultural, o espaço-mãe do evento.
A "performance", que está publicada no seu site (http://www.magrin.it/magrine.htm), foi também enviada, pelo autor, à Fundação Bienal de Cerveira, na sequência da polémica que marcou o arranque do certame, em Julho, em que vários artistas, incluindo Magrin, se queixaram das condições "insalubres e indignas" em que estariam expostas as suas obras.
Uma peça do italiano estaria colocada numa casa de banho. Na altura, o pólo expositivo da bienal, instalado no castelo da vila, onde se encontravam as referidas obras, foi encerrado durante alguns dias para readaptação do espaço e reorganização das peças de arte. Não satisfeito com a situação, Alberto Magrin terá tentado activar o seguro relativo à sua participação no evento. A Fundação Bienal de Cerveira recusou-se a pagar qualquer um dos valores e acabou, no passado dia 2, por devolver a obra do autor, encerrando o processo.
"No seguimento da reclamação efectuada pelo artista e após diligências com a seguradora da 16.ª Bienal de Cerveira, foi concluído pela mesma, a 3 de Setembro de 2011, e enviado ao queixoso a inexistência de "nexo de casualidade" na reclamação apresentada, uma vez que não houve indícios de responsabilidade lesiva da sua imagem, como alegou o artista", pode ler-se num comunicado enviado, ao JN, pela Fundação Bienal de Cerveira, ao qual é anexada a foto de Magrin a urinar sobre a obra de um outro artista, com a seguinte explicação: "No intuito de ir ao encontro da pretensão do artista, a 16.ª Bienal de Cerveira mudou a obra para um local de maior e melhor visibilidade e o artista foi convidado a visitar o evento, de modo a verificar a nova instalação da mesma. Tendo rejeitado a nossa proposta, Alberto Magrin pediu uma indemnização no valor de 35.000 euros e/ou a compra da sua obra no valor de 13.000 euros, revelando uma atitude puramente comercial. De salientar ainda a postura provocatória do mesmo, ao enviar-nos uma fotografia na qual urinava para obra de um outro artista".» in JN

O correio da manha

Manha porque só alguém manhoso e que detesta a poesia pode afirmar que o Joaquim é poeta. Versejador, ainda vá. Poeta não. Que tem artes de surrealista, lá isso: vendeu ao BPN, em 2004, por 5,2 milhões de euros, a "Colecção Joaquim Pessoa", 174 peças raras, entre esculturas egípcias e outros achados arqueológicos raros. Tudo falso.
Não dá vontade de rir?
São banqueiros como Oliveira e Costa que mostram que o povo deve mesmo sofrer na pele o ter vivido "acima das suas possibilidades".

A equidade em Portugal

Quem é pobre tem de penar, fica ainda mais pobre e a maior parte opta pelo silêncio. Quem não é pobre e sabe usa a lei para ganhar ainda mais.

«Há famílias com rendimentos de milhares de euros às quais o Estado paga bolsas para terem os filhos na Universidade. Isto porque o cálculo de atribuição de apoio social deixa de fora os ganhos das sociedades. Resultado: alunos ricos conseguem ajudas elevadas.
Só na Universidade do Minho existem 123 estudantes nesta situação. Alguns recebem bolsas anuais de três mil euros, apesar de serem provenientes de agregados familiares com sociedades cujos proveitos ascendem aos 880 mil euros. Mas os casos repetem-se em todo o País.» 1

Que faz o governo? Ora, corta "gorduras", ou seja, reduz os salários dos funcionários do Estado.

Os nossos amigos europeus

Pelo empréstimo de 78 mil milhões de euros vamos pagar de juros... 34,4 milhões, mais 655 milhões de euros de comissões.

O governo de Portugal sabe que não chega. Vamos precisar de mais dinheiro. E sabe também que está a atirar o país para o fundo do poço.

A Grécia sofre. Mas nós vamos sofrer mais. A diferença está na atitude: os gregos protestam, saem para a rua. Os portugueses deixam vir ao de cima aquilo que os caracteriza há gerações: o medo.

Até a Igreja, conservadora por vocação, já diz que que a democracia está em risco.

09 novembro 2011

Os dois cromos a tentar um arranjinho


A Alemanha e a França estão a discutir uma alteração radical na União Europeia. A ideia é criar uma Zona Euro mais pequena, mas mais integrada e com maior potencial. Nestes planos podem estar incluídas saídas de países actualmente no euro.
Ver aqui ou aqui.

Dos tempos de fartura 2

Dos tempos de fartura

Quando a fome aperta


Inglaterra é, diz-se, um exemplo. Há tugas que adoram o país da rainha. Porque lá é tudo muito culto e têm jardins e outras coisas que ficam bem nas revistas ou nas séries de TV. O pior é a realidade. Um país que sobreviveu a Tatcher, levou com mais do mesmo e depois com o fotogénico da terceira via. Aquilo foi um fartote. Os resultados estão à vista: Um ex-militar britânico e a sua mulher foram encontrados mortos em casa, no que as autoridades consideram ter sido um "pacto de suicídio" para fugir à fome e à miséria.
O único rendimento do casal era a pensão militar que Mark Mullins recebia do Estado, mas que terminou há dois anos, devido ao ex-militar não ter servido o tempo suficiente no exército britânico para continuar a receber esse apoio.
O casal passou a viver numa situação de completa miséria, chegando a fazer todos os dias mais de 16 quilómetros para poder arranjar uma sopa para comer. Segundo os vizinhos do casal, além das miseráveis condições em que viviam, o provável suicídio terá ficado a dever-se ao facto de Mark e Helen não terem coragem para enfrentar o rigor de mais um Inverno numa casa sem as mínimas condições. "Eles não tinham sequer frigorífico e guardavam a comida que arranjavam em sacos", afirma um vizinho.

Eis um modelo a seguir com atenção pelo governo de Passos Coelho, em nome da honra, da dignidade e de não se viver acima das possibilidades.

Tow In em Portugal

Os arredondamentos dão nisto: 100 pés de altura (quase 27,5 metros) tornam-se 30 metros. E assim saiu para o mundo a notícia, Garrett McNamara conseguir surfar uma onda de 30 metros, um fenómeno gigantesco motivado por um acidente geomorfológico raro na costa da Nazaré, o maior do género em toda a Europa. Tudo aconteceu no dia 1 de Novembro, na Praia do Norte (Nazaré). O vídeo correu mundo. De facto, é impressionante como ele desliza pelas ondas como faca quente a cortar manteiga.




Detalhe:




Garrett explica como tudo começou:

08 novembro 2011

Com ou sem almofadas, assobiemos

Alberto João Jardim vai conseguir uma alteração na proposta do Orçamento do Estado, de maneira a manter as isenções fiscais no que toca a dividendos e juros. A continuação dos benefícios fiscais para o offshore da Madeira é só uma das primeiras alterações ao Orçamento. Jardim já ganhou a primeira batalha.
Jardim que sabe que quem paga o buraco lá da ilha são os cubanos, aproveita para conceder «dispensa ao serviço, a partir das 14 horas, dos trabalhadores dos serviços públicos e dos institutos e empresas públicas sob tutela do Governo da Região Autónoma, a fim de permitir aos mesmos assistirem, pessoalmente ou através dos meios de comunicação social, à tomada de posse do novo Executivo, que se realizará no dia 9 de Novembro do corrente ano, pelas 17 horas».
Tudo a bem da nação, pois claro.

O problema das almofadas


Oh pá, uma almofada dava jeito, o cheiro é do piorio

Esse iluminado que dá pelo nome de Relvas, sabe que para acalmar os ânimos é preciso tirar as almofadas. Há quem jogue pelo Seguro e pense que com Silva há a possibilidade de trocar os passos ao Coelho. Mas Relvas é um homem terra a terra e não deixa que os portugueses se imaginem já em assentos etéreos. Ainda é muito cedo para o dia da pátria e para cantar os varões.
Calma, gente. Para já deliciemo-nos com o sabor da prosa da agência que divulgou a notícia: «"Este é um orçamento sem folgas, difícil de ser construído, daí ser muito difícil de ser executado, porque não há almofadas. Portanto, não são permitidos erros, o que demonstra que não temos alternativa", disse Miguel Relvas, à margem de um encontro em Sintra».

Um miúdo de sucesso no Portugal moderno

Mais uma história de sucesso. Esta de um miúdo que poderá vir a fazer carreira no PS ou no PSD e chegar, quem sabe, a primeiro-ministro. Talvez esteja talhado para outros voos e um dia chegará a banqueiro.
É um miúdo dotado. Domina as tecnologias. Tem o know how necessário. Não tarda pavonear-se-á por aí com o seu tablet, o seu ipad e demais brinquedos caros.
Será sempre um forte inimigo dos livros difíceis. Ou da arte contemporânea (música, bailado, dança, teatro, escultura, pintura, instalação, performance).
Há miúdos assim, afortunados. Este teve um percalço pelo caminho. Foi-lhe capturado o instrumento de conhecimento, o telemóvel. Porque a professora detectou que estava a copiar num teste, com a ajuda da mãe, que lhe enviava mensagens escritas de telemóvel com as respostas das perguntas.
A escola está preocupada. Porquê? Ora, porquê. Porque neste momento só conhecem a versão da professora. E isso, como se sabe, é péssimo. Mas o director da escola acredita que tudo se vai resolver.

O prazer de dar aulas em Portugal



Segundo o jornal que divulga o ocorrido, «Um filme colocado no YouTube a 25 de Outubro tem quase seis minutos de duração. Neste vídeo, o grupo de alunos ‘monopoliza' a aula, sem que a professora exerça qualquer autoridade. O aluno que é sempre o principal protagonista atira ‘bocas', levanta-se, impede que a aula decorra normalmente e filma tudo. Alguns colegas riem-se, enquanto outros não gostam. Pelo meio, há uma situação que configura a prática de bullying sobre uma colega, que é apelidada de "ogre" e alvo de um gesto obsceno com o dedo do meio.
No segundo vídeo, com cerca de três minutos, colocado no YouTube na passada quinta-feira, o mesmo aluno pergunta à professora se pode sair da sala para "ir tomar a pílula", ao mesmo tempo que exibe os comprimidos. A professora dá autorização para ele sair. Quando regressa, o aluno tenta, aparentemente, apalpar os seios da colega de carteira. Esta não se mostra incomodada e ri-se.»
A propósito desses incidentes, o ministro da Educação, Nuno Crato, disse que “O Ministério não tolera que haja indisciplina nas aulas, não tolera que os professores possam ser maltratados verbalmente ou mesmo fisicamente, como em alguns casos tem acontecido. Queremos criar um clima de disciplina nas escolas, um clima de respeito pelo professor para que o professor possa cumprir a sua missão, que é ensinar os alunos”.
O aluno já foi suspenso, diz-se também.
Pergunta-se e aos outros que são cúmplices e estão ali nitidamente a divertir-se com a coisa não acontece nada?
Há muita gente que acha perfeitamente normal que os alunos passem as aulas a conversar e a brincar como se as aulas fossem um prolongamento do intervalo. Alguns acham mesmo que isso se pode mudar com outras pedagogias. Há sempre gente a acreditar em milagres e a não querer ver o óbvio: a escola é, para muitos alunos, um mero passatempo.

07 novembro 2011

Simon Armitage: poetry is a form of dissent







Europa em crise, extrema-direita a inchar

Helena Garrido insiste num ponto que parecia esquecido quando se fala em finanças: a democracia. Diz: «George Papandreou, com a ideia do referendo, lançou sobre uma Zona Euro, medrosa e subjugada ao populismo e ao sector financeiro, uma autêntica basuca. (...)
Os soberanos têm a obrigação, em nome do poder que os povos lhes delegaram, de ter a coragem necessária para adoptarem as medidas que melhor servem o futuro dos seus cidadãos. Não são servidores da economia financeira. Isso foi o que fizeram no passado, deixando-se capturar por uma lógica que conduziu o mundo ocidental à pior crise de que há memória. Para quem não se lembre, o problema de hoje começou em 2007 nos Estados Unidos, não nasceu na Grécia, nem na Irlanda nem em Portugal.»

Nem a propósito, noutras paragens, revela-se que a extrema-direita está a crescer em toda a Europa. Sobretudo entre os mais novos, maioritariamente do sexo masculino. Grunhos que usam a net para veicular ódios, frustrações e ideias-feitas. As consequências poderão ser graves. Reacendem-se ideias que queimaram a Europa há sete décadas. Com a mesma origem: os partidos tradicionais correm demasiado colados aos interesses financeiros e descuram a vida dos cidadãos, seja qual for o país.

05 novembro 2011

A persecução do lucro ou Great by Choice


Acho que toda a gente gosta de histórias. Quanto mais fabulosas mais doces. O açúcar sabe bem. Amolece o cérebro e cria adiposidades. O que é sempre uma vantagem quando está frio.
São dias de frio, estes que vivemos desde há uns anos, sobretudo a partir de 2008. Os gulosos deixaram-nos uma herança doce, muito doce, gordurosamente doce. Alguns ficam horrorizados com tanto açúcar, mas outros esfregam as mãos de contentes. Em tudo há oportunidades de negócio. O negócio é o grande combustível da humanidade. Sem negócio as artes esmorecem, definham, morrem. O negócio é a alma do segredo. Seja o segredo da vida, seja o da longevidade.
Por isso, trazemos aqui a história de um desses gurus do negócio, Jim Collins, o homem do momento, aquele que vê nas estrelas e nas nuvens o que nós não vemos. Uma grande escolha, não porque se trate de um vinho, não porque se trate de um espumante, mas porque quem gosta de negócios gosta de sonhar e a aridez dos números é feita de muitas fantasias. Grande porque sim. Grande porque escolheu bem. Grande porque só os grandes enfrentam o frio e chegam lá acima sem morrer. Ou, dito de outra maneira, morrem na mesma, mas ´so depois de chegar lá cima. E todos queremos chegar lá acima. Pelo menos sentados no nosso sofá, por entre aquela sonolência que os grandes filmes provocam. Grandes porque são longos.
Ora pois, a coisa chama-se Great by Choice: Uncertainty, Chaos, and Luck - Why Some Thrive Despite Them All. Um título doce, para quem gosta de donuts ou de banana frita.
Tudo começa em 1911, ou seja, anos antes do crash. E bem longe o epicentro, ou seja, ali para as bandas do Pólo Sul, onde o frio é e continua a ser um estimulante.
Depois do bestseller Good to Great, o bestseller Great by Choice. Ah... sim... «empresas cujos líderes conseguiram navegar em mares turbulentos de forma excepcional. Não se limitam a ter sucesso: prosperam.» E já sinto as minhas glândulas salivares a produzirem água.

Há livros de auto-ajuda para empresários maravilhosos. O que é um empresário maravilhoso? Alguém que sabe que sabe rir e sabe que os «mercados financeiros estão fora do seu controlo. Os clientes também. As alterações climáticas idem. A concorrência global também está fora de controlo. Bem como as mudanças tecnológicas. Na verdade, quase tudo está fora de controlo. Mas com a marcha das 20 milhas, é possível ter-se um ponto de concentração tangível que o mantém a si, líder, e à sua equipa, a andar para a frente, apesar da confusão, da incerteza e até do caos.»
Um líder que é líder, um empresário que é bom tem que ter competências de liderança absolutamente necessárias num mundo de incerteza: a disciplina fanática mantém os líderes no seu caminho; a criatividade empírica mantém-nos despertos e a paranóia produtiva mantém-nos vivos.
Para quem gosta de sonhar ou de se rir, ou de chorar, pode ler a exaltação integral aqui.