21 julho 2011

Lucian Freud (1922-2011)



Morreu ontem à noite, em Londres.





Guedes, um herói contra a crise

Contra a classe média, destruir destruir


Os portugueses andam meio adormecidos. O governo não quer que isso aconteça.
Os portugueses adoram esta governo. O governo não gosta lá muito disso.
Vai daí, para resolver o assunto, o governo faz o que pode para esganar os portugueses. Tira-lhes dinheiro do subsídio de natal, aumenta astronomicamente os transportes públicos, põe-no a pagar taxas moderadoras e muitas novas medidas devem vir por aí fora.
O governo quer que o estado de graça que lhe tem sido dado pelos portugueses sofra um desgaste acelerado, a ver se no próximo ano pode mexer onde mais é preciso: nas benesses para os grupos económicos e bancos, concedendo-lhes ragalias à custa dessa corja infinda que são os assalariados de baixo custo.
Viva o governo! Viva!
Mais meia dúzia de meses e os portugueses vão começar a deitar as mãos à cabeça e a pedir que Sócrates volte.
Passos Coelho, que achava indigno os PECs, tem apertado mais os portugueses que Sócrates. E vai continuar. Enquanto o país não se partir ao meio, o governo não descansa.
Esta dos transportes públicos é uma boa medida: fazer com que se ande mais de carro, se consuma mais gasolina e gasóleo, para agravar mais a dívida externa e ter mais argumentos para esganar os portugueses.

18 julho 2011

Ewa Kopacz - Polónia - Saúde

Diezani Alison-Madueke - Nigéria - Petróleo

Ursula Plassnik - Áustria - Negócios Estrangeiros

Maria do Rosário Câmara - Brasil - Direitos Humanos

Da propriedade

O dono do carro, um norueguês, impede que lhe roubem o automóvel com o tractor.

A liberdade da baleia

Estava enredada numa rede de pesca de nylon e não se conseguia mexer. Corria risco de vida. Michael Fishbach deu com a baleia aflita e resolveu ajudá-la, mal percebeu que estava em más condições. Uma hora de trabalho árduo a cortar o nylon e com algum receio de que a baleia pudesse, num movimento brusco, provocar danos.
Tal não aconteceu. No fim, liberta, pulou. E uma criança no barco diz: porque está livre.
A liberdade, tão preciosa.

17 julho 2011

Palavras de um quase pessimista


Fala Miguel Cadilhe, antigo ministro das Finanças de Cavaco Silva:

É claro que me custa ver hoje os destinos da UE submetidos a uma Alemanha que, como pessoas mais sábias do que eu disseram, não está à altura dos problemas. Nós podemos estar à beira de uma germanização de parte da Europa.

A população está preparada para os sacrifícios e é bom que haja uma boa distribuição dos sacrifícios.

o risco de execução e o risco social podem conjugar-se no pior sentido. Isto é, os nossos governantes podem assustar-se e sucumbir perante a agitação social, tentando reduzir o ritmo de execução do memorando. Isso, a meu ver, é pior, muito pior do que as consequências da austeridade bem executada.

Não podemos cair na utopia de pretender uma distribuição igualitária. Mas devemos procurar o mais possível que essa justa distribuição de sacrifícios seja, e repito-me, visivelmente procurada pelos políticos, pelos governantes.

Eu acho que as principais promessas eleitorais, em democracia, devem ser cumpridas. Tenho pena que, logo nos primeiros dias, a palavra tenha sido quebrada.

Com as medidas actualmente em curso, acha que Portugal tem condições para pagar a dívida?

Depende do crescimento económico e da redução dos défices externos. Quer uma coisa quer outra não estão totalmente ao nosso alcance. O crescimento económico depende da procura externa, assim como o défice externo. Podemos procurar vender produtos com qualidade e a bom preço - mas atenção que o preço está condicionado pelo euro forte e nós não mandamos nele. Mas quanto ao crescimento económico, o que é que os nossos políticos podem fazer por ele? Os políticos podem e devem fazer reformas estruturais...

Moody"s pode ter dúvidas quanto ao ritmo de execução. Também pode ter dúvidas de que, mesmo executando bem, seja insuficiente. Mas a Moody"s justificou o corte também porque tem dúvidas sobre o crescimento. E aí, eu dou-lhes razão. O crescimento económico não dá para pagar dívidas, dá é para fazer mais dívidas.

Dieta de optimismo


Às vezes é domingo e acorda-se virado para a lua, que tem, entre outros méritos, o de estar associada ao delírio. Pois hoje é domingo e inspirados por esse satélite lançamos aqui um manifesto contra Oprah Winfrey, Ellen DeGeneres, Rhonda Byrne, Spencer Johnson e Harvey Mackay, entre outros. Também não nos merecem simpatia pessoas como Joyce Meyer, Creflo Dollar ou Benny Hinn. Tão pouco todos quantos acham que o mundo está dividido em dois, de um lado os que pensam positivo e do outro os pessimistas depressivos. Já sabemos que Deus prefere os ricos, os que pensam positivo e todos quantos acossam e humilham os incautos com as supostas verdades do pensamento positivo.
Se o desemprego oferece oportunidades que todos esses milionários se despojem dos seus bens e os doem aos necessitados.
Se a doença é a porta para nos tornarmos mais espirituais, sensíveis e evoluídos que oferecem as suas fortunas a hospitais e a centros de tratamento.
Se o pessimismo não cria empregos, parece óbvio que também o optimismo não os cria.
Aliás, há coisas que "a crise" mostra bem. A que nos afecta a nós, aos gregos e aos irlandeses tem proporcionado, como diz Klaus Regling, presidente do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, "ganhos para os alemães, porque recebemos da Irlanda e de Portugal juros acima dos refinanciamentos que fizemos, e a diferença reverte a favor do orçamento alemão".
O que se diz aos cancerosos, aos desapossados dos seus bens e a nós, portugueses, é que se tivermos fé, se pensarmos positivo, vamos sair da crise, como se esta dependesse da nossa vontade e dos nossos gestos.
A falácia, tantas vezes repetida e por tanta gente, acaba por fazer parte do "pensamento" do cidadão comum. A um ou outro ainda lhes pode passar pela cabeça a dúvida, mas logo a afasta, como se fosse um crime.
O pensamento positivo não passa disso mesmo, de um método brilhante de controlo social, ao dizer que não há nada de mau na economia, mas que o mal está dentro de cada um de nós, que não soubemos seguir o trilho correcto.
Do mesmo modo que o aumento de policiamento, o controlo nos aeroportos e o mais é supostamente para a nossa segurança, embora sirva sobretudo para nos tratar como gado e para limitar a nossa liberdade e individualidade. Como se cada um de nós fosse um potencial terrorista.
Voltando à Europa, há já "notáveis" (ver artigo de Teresa de Sousa no Público de hoje) a pôr o dedo na ferida e a dar o nome aos bois: "Não cabe aos contribuintes pagar por investimentos das instituições financeiras que acharam acertado comprar a dívida grega".
"(...) a Europa tem de ir bastante mais longe na regulação dos bancos e dos mercados financeiros e esforçar-se por que o mesmo aconteça a nível mundial. Esta crise foi também o resultado da falta de prevenção e de regulação dos mercados por parte das autoridades europeias."

16 julho 2011

Suvi Linden - Finlândia - Comunicação

Grete Faremo - Noruega - Defesa

Julia Gillard - Austrália - Primeiro-Ministro

Jadranka Kosor - Croácia - Primeiro-Ministro

Do crocodilo ao Karaté: notícias de verão

Quanto mais as sombras se adensam, maior o desejo de luz. A leveza é a luz possível em tempos de sufoco financeiro. E o verão sempre ajuda, fornecendo abundante material.
Seja ou não a estação do disparate, a verdade é que mesmo jornais ditos de referência enchem as suas páginas de fait divers.
Veja-se: "Crocodilo gigante surpreende turistas", diz o Expresso.


O mesmo semanário não deixa passar a "Cabeleireira karateca [que] prende ladrão e [o] usa como escravo sexual".


A notícia tem a particularidade de condimentar o imaginário com o insólito: Um homem quis assaltar uma cabeleireira, mas esta é cinturão negro em karaté e dominou o assaltante. Depois, despiu-o, algemou-o a uma cama e obrigou-o, com recurso a comprimidos Viagra, a ser seu escravo sexual durante três dias. Ao terceiro dia soltou-o, deu-lhe mil rublos e disse-lhe para ir à vida dele. Ora o assaltante foi a correr para o hospital para tratar os testículos e a seguir foi à polícia apresentar queixa. Segundo testemunho da cabeleireira, "Quis apenas dar-lhe uma lição. Sim, tivemos sexo umas quantas vezes. Mas, no fim, ainda lhe dei dinheiro e ofereci-lhe um par de calças de ganga novas". Tudo aconteceu em Meshchovsk, na Rússia, em abril de 2009, mas pelo picante da coisa a notícia foi divulgada como tendo acontecido recentemente.
Estas notícias terão certamente propósitos profilácticos, a ver se os portugueses consomem menos psicofármacos (ansiolíticos, sedativos e hipnóticos, anti depressores e anti psicóticos).

15 julho 2011

Um país azul e crente, este que nos calhou na rifa


Portugal é um país de gente crente. E que gosta de obedecer, apesar de ser também muito maledicente. Portugal é um país fácil de governar. Este governo é bem a prova disso. Vive em absoluto estado de graça. Enquanto for verão, tudo estará bem. Quando os dias se tornarem mais cinzentos e as contas começarem a não poder ser pagas, é que já não se sabe como andarão os meus queridos compatriotas. É que o velho recurso à medicina como paliativo para a depressão sai, agora, bem mais caro.
O que nos vale é que há quem tire a gravata e possa aparecer descontraído na fotografia.
De resto, a certeza de quem tem pouco terá cada vez menos e de que uma pequeníssima minoria manterá não só o seu nível de vida como o melhorará.
Os meus compatriotas têm de deixar de trabalhar e tornar-se empresários. Ser empresário é poder receber um tratamento privilegiado por parte do estado.
A chatice será se, depois de vender património e de ter asfixiado o consumo, Portugal continuar às escuras. Como diz José Reis, professor da Faculdade de Economia de Coimbra, "Desapossadas as pessoas, regressa a virtude à economia? Os liberais julgam que sim. Mas não parece. Gera-se mais e mais recessão, cria-se desconfiança e desânimo. E uma profunda sensação de injustiça..."

12 julho 2011

Elena Salgado - Espanha - Finanças

Valérie Pécresse - França - Finanças

Maria Fekter - Áustria - Finanças

O clube da bancarrota em Julho de 2011


O "clube" da bancarrota é formado, por ordem decrescente de risco de default, pela Grécia, Portugal, Irlanda, Venezuela, Paquistão, Argentina, Ucrânia, Espanha, Vietname e Itália.

A Europa treme


Quando há um bode expiatório tudo se torna mais simples. Os bodes expiatórios servem para que a fúria das multidões tenha um rosto e um corpo e possa descarregar frustrações. A crença sempre teve esse condão, o de servir os interesses das oligarquias.
O pior é quando os bodes expiatórios se revelam vãos. E é isso que está a acontecer na Europa. Depois da queda da Grécia e da Irlanda, veio Portugal. Agora batem à porta de Itália, com Espanha na mira. A Itália vale mais do que a Espanha no jogo da alta finança, mas as duas economias juntas são mais do que suficientes para dar cabo do euro.
Que fazem os senhores da Europa? Andam atarantados, sem saber muito bem como reagir. E a dar razão a quantos falam de um problema de liderança na Comunidade Europeia. Cujo modelo político dominante tem sido incapaz de dar a volta ao problema.
Recorde-se que a zona euro poderia ser imune a ataques se... não houvesse grandes disparidades entre os países que fazem parte da moeda. Mas, como se sabe, há disparidades e grandes. Alemanha, Holanda, Áustria e Luxemburgo estão de saúde e recomendam-se. O mesmo já não se pode dizer de outros países.
Como diz Pedro Santos Guerreiro, "Já ninguém acredita em soluções nacionais para a crise de dívida soberana do euro. Só há solução europeia. Política acima da austeridade."

10 julho 2011

Jorge Lima Barreto (1949-2011)

Fernando Jorge da Ponte de Lima Barreto nasceu em Vinhais a 26 de Dezembro de 1949. Foi professor, músico e musicólogo, compôs peças para poesia, teatro e cinema e realizou programas de rádio. Fundou a Associação Música Conceptual (com António Pinho Vargas e Carlos Zíngaro, 1968), a AnarBand (por onde começou Rui Reininho, 1969) e Telectu (com Vítor Rua, desde 1982).
Gravou vários discos e CDs, tendo tocado com J. Berrocal, D. Kientzy, Elliott Sharp, C. Cutler, L. Clavis, Sunny Murray, G. Schiaffini, G. Hemingway, Evan Parker, T. Hodgkinson, B. Altschull, H. Robertson, Prévost, T. Chant, G. Sommer, K. Bauer, I. Mori, P. Rutherford, P. Lytton.
Foi autor de livros como “Revolução do Jazz” (1972), “Jazz-Off” (1973), “Rock Trip” (1974), “Rock & Droga” (1982), «JazzBand» (1985), “Música Minimal Repetitiva” (1990), “JazzArte” (1993), “Música e Mass Media” (1996), “Musa Lusa” (1997) ou “B-Boy” (1998), “Zapp, Estéticas do Rock” (2000), entre outros.












07 julho 2011

Açores abaixo de lixo e a Madeira ainda pior

A Moody's cortou o nível de Lisboa e Sintra em quatro degraus de Baa1 para Ba2, com 'outlook' negativo, enquanto os Açores passaram de Baa2 para Ba3 e a Madeira de Baa3 para B1, com perspectivas futuras sob análise, disse a agência em comunicado.
A agência justificou a quebra na notação dos quatro locais pela descida dos 'ratings' atribuídos a Portugal na terça-feira, o que teve "implicações para os 'ratings' dos governos locais e regionais dentro do país dadas as suas estreitas ligações financeiras com o governo central".

Capital Group esse potentado

Transcrevemos informação de um jornal económico:

A Capital Group é, através de uma das suas empresas, a Capital World Investors, a maior accionista da entidade que detém a agência de ‘rating' Standard & Poor's e tem uma participação de mais de 10% na Moody's. Além disto, através de fundos de investimento, a Capital World Investors detém ainda milhões em dívida soberana, onde se incluíam no final de 2010, pelo menos, 370 milhões de euros em dívida da Irlanda, Portugal, Espanha e Grécia.
A reputação do Capital Group é de discrição quase absoluta. Raramente aparece na imprensa e nem sequer faz publicidade aos seus produtos e serviços. Uma das poucas vezes que a entidade financeira deu que falar aos jornalistas foi quando um dos seus analistas criticou, em 2003, o presidente da Time Warner. Meses depois, este foi demitido. O mesmo analista do Capital Group voltou ao ataque, criticando em 2008 o presidente-executivo da Yahoo por este ter rejeitado uma OPA lançada pela Microsoft. O guião repetiu-se e, meses depois, o homem forte da tecnológica foi forçado a sair do comando.
A Bloomberg refere que a Capital Group opera com "luva de veludo" no controlo e influência das empresas onde está investida. Já o britânico "Independent" refere que a instituição "é quase patologicamente receosa dos media". Mas a sua influência é inversamente proporcional ao seu ‘modus operandi' recatado.
Um estudo publicado no ano passado por dois investigadores do Swiss Federal Institute of Technology concluiu que o Capital Group era a instituição financeira com maior poder nos mercados globais. A investigação incluiu 48 mercados, concluindo que o grupo é "uma accionista proeminente do controlo simultaneamente em vários países", concluem Glattfelder e Battiston. O ‘ranking' feito pelos investigadores pode ser encarado como "uma medida de controlo e de poder potencial (nomeadamente, a probabilidade de determinada entidade conseguir atingir os seus próprios interesses em oposição a outros actores). Dadas estas premissas, não podemos excluir que os maiores accionistas com vasto poder potencial global não exerçam esse poder".

(...)

Em Maio, a União Europeia, em conjunto com o FMI, tentou impressionar o mercado, com a criação do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira com um poder de fogo de 750 mil milhões de euros. Mas o arsenal financeiro do Capital Group não fica atrás do valor astronómico colocado à disposição por Bruxelas. As estimativas apontam que a sociedade financeira sediada na Califórnia tenha activos sob gestão superiores a um bilião de dólares (mais de 743 mil milhões de euros). O número é quase cinco vezes superior à riqueza produzida anualmente em Portugal.

A indignação tuga


Os ilustres, os notáveis, os entendidos portugueses acordaram da letargia e bradam contra as agências de rating. Alguns, mais dados à publicidade, brincam. Que efeito terá este coro de indignação lusitana?
As regras dos mercados sempre foram pouco claras, embora quem se julgue com aptidões para a alta finança, se tenha até agora mantido crente na validade das opiniões das agências de rating. Que os leva agora a pôr em causa os comunicados dessas agências? O sentimento patriótico? Pensarão tratar-se de algum ultimato? Ou será que deslocaram a fé para as boas intenções do novo governo?
Lá fora, longe da propaganda nacional, não se acredita nos planos da troika, nem na capacidade do país em sair da crise.
Há outros países com défices grandes (EUA e França são exemplos), mas possuem economias com outra capacidade. Ou seja, possuem empresas e empresários com outras dinâmicas.
O problema da pátria, da nação, do glorioso país com tanta História é que esta não chega para fazer negócios.
Claro que, como já muitos disseram, a economia não funciona por si. Quando isso acontece a lei da selva é soberana e quem paga são as pessoas. A política (e a ideologia) mandam mais. O problema parece estar precisamente aí: quer-se à viva força acreditar na regulação dos mercados e os mercados querem à viva força lucros.

Oliveira com 2850 anos


Está situada em Santa Iria da Azóia, concelho de Loures, no que resta de um antigo olival próximo das ruínas do castelo de Pirescouxe, com um perímetro que mede, na base, 10,15 metros, uma altura de 4,40 metros e um diâmetro de copa com 7,60 por 8,40 metros.

Fonte: Público

OaKoAk e as Invenções Urbanas


OaKoAk é francês e olha para as cidades de um modo divertido. Aproveita detalhes para intervenções que fotografa e de que deixa memória num blogue.



Buracos, calçadas, sinais de trânsito, contentores de lixo, becos, portas e portões, tudo lhe serve para inventar a cidade, seja Saint-Etienne, Marseille, Lyon ou Paris.
Um sorriso, um pouco de humor e de cor surpreendem o transeunte que, assim, olha para o seu espaço doutra maneira.


OaKoAk é uma espécie de Baudelaire dos nossos dias.

Marja van Bijsterveldt - Holanda - Educação, Cultura e Ciência

Michèle Alliot-Marie - França - Interior e Territórios Ultramarinos

Fadila Laanan - Bélgica - Cultura e Audiovisual

05 julho 2011

WU LYF





Abençoado Tadeu

Raramente me apetece tirar o chapéu, até porque é coisa que já poucos usam e, por certo, escapa-lhes o sentido de saudação da coisa. Que se lixe! Ao ler o artigo de Pedro Tadeu, no DN, foi isso mesmo que me apeteceu fazer.

Deixo-vos a parte que me soube bem:

«Há uma espécie de decreto-lei informal que, ainda no tempo de Sócrates, na sequência das imposições da troika, passou a entrar em vigor. Esse decreto, editado e publicado por opinadores do regime, "especialistas" em economia, grandes empresários, gestores ao serviço destes, banqueiros, políticos do "centrão", iludidos do neoliberalismo, académicos conformados e burocratas dependentes da eurocracia, resume-se numa frase: "Protestar contra as medidas de austeridade é antipatriótico".

A teoria desenvolve-se no pressuposto de que não haveria outro caminho para "salvar Portugal" (sic) que não seja este que actualmente trilhamos. Pelo que, para bem da Pátria, qualquer manifestação, greve, marcha, abaixo-assinado ou simples comentário contra o que se está a passar é, na sua essência, um acto de traição.

Isto faz-me lembrar o meu tempo do ensino primário, quando a minha cabeça era encharcada pelo chavão "a Pátria não se discute", para justificar a guerra no Ultramar. Essa guerra, lia-se em todos os jornais, via-se na televisão e ensinava-se na escola, não só era inevitável como necessária. Além do mais, dizia-se, do ponto de vista económico, que Portugal não sobreviveria à perda das colónias. Quem protestava era declarado traidor à Pátria e ia preso.

Pois quando cheguei ao liceu, anos depois do 25 de Abril, já não havia Ultramar, a Pátria até estava de melhor saúde, prosperava, e os traidores da véspera eram os heróis da nova época. Como vêem, as certezas absolutas e indiscutíveis são todas muito relativas...»



Humor negro


Há por aí muitos jornais a darem sugestões para enfrentar a crise. Quase todos com a mesma receita e com a mesma linguagem floreada.
Quando se trata de dar conselhos, até o tom de voz muda, como se fosse uma flauta.
Transcrevemos umas frases de um jornal, para todos nos podermos rir um pouco:

«Prevenir é mesmo o melhor remédio para lidar com a subida dos juros e dos efeitos negativos da crise. Mesmo que a sua situação financeira actual seja saudável, os especialistas deixam alguns conselhos. Afinal, uma situação de desemprego ou uma doença poderá facilmente desequilibrar as finanças de uma família. Para prevenir tais imprevistos deverá ter guardada uma almofada financeira equivalente a seis salários do agregado familiar. Esta poupança deverá ainda estar alocada em aplicações financeiras de elevada liquidez (como os depósitos a prazo ou fundos de tesouraria) de forma a facilitar a sua movimentação em caso de uma emergência.»

«Segundo os dados compilados pela Deco, existem pelo menos cinco depósitos a 12 meses que oferecem taxas brutas acima dos 4%. O melhor depósito para este prazo é o DP TOP II do banco BiG que tem uma taxa de 4,75%. O único inconveniente é que exige um montante mínimo de investimento de 60.000 euros. Quem tivesse este dinheiro disponível e o aplicasse neste depósito chegaria ao fim de um ano com uma mais-valia líquida de 2.238 euros. Mas não são apenas os depósitos que beneficiam da alta das taxas de juro.»

Gastos


As prestações das casas aumenta e continuará a aumentar.
A subida generalizada do preço das matérias-primas, sobretudo das agrícolas, deixa antever um aumento substancial do peso do cabaz alimentar das famílias.
O aumento do preço dos combustíveis é outra realidade - que por sua vez também pesa no custo do transporte das matérias-primas e se reflecte no aumento dos preços dos produtos apresentados ao consumidor.
Em resumo: cortam-se salários e benefícios sociais, aumentam-se os preços de bens e serviços e o resultado é: a alegria de quem ganha muito, por poder ganhar mais ainda. E assim a economia faz abdominais. Nada como uma economia musculada para satisfação de todos.

Investimentos


Desde que o Euromilhões foi criado, em Outubro de 2004, os portugueses investiram a módica quantia de 6,4 mil milhões de euros.

O exemplo vem sempre de cima


Aos pequenos dizem: cortar, cortar, cortar. E têm de cortar onde já há quase nada. Aos grandes aumentam, porque precisam de, dizem, manter "um nível de vida apropriado à sua posição de directora-geral e às necessidades de representação do fundo”.
Falamos dos abonos de Christine Lagarde, nova directora-geral do FMI, que incluem 467 940 dólares (323 000 euros) e 83 760 dólares (cerca de 58 000 euros) para cobrir gastos de representação. Além disso, Lagarde irá receber ainda um complemento diário e terá pagas várias despesas, nomeadamente com hotéis.
Os portugueses acharão, por certo, muito bem e continuarão, felizes a apertar o cinto da pobreza.

A mais antiga imagem de rei egípcio


Arqueólogos norte-americanos e italianos descobriram uma inscrição com o desenho mais antigo de um faraó egípcio. O achado ocorreu em Al Hamdulab, a noroeste da cidade de Asuan, 800 kms a sul do Cairo. E faz parte de uma série de escrituras e imagens que mostram os rituais dos faraós na antiguidade, bem como cenas de combates, festas, pesca, sinais de poder político e animais.

04 julho 2011

Angela Merkel - Alemanha - Primeiro-Ministro

Ana de Hollanda - Brasil - Ministra da Cultura

Beatrice Ask (Suécia) - Ministra da Justiça

Maria Carfagna - Ministra italiana da Igualdade

Johanna Sigurdardottir - Primeiro-Ministro da Islândia

Assunção Cristas - Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território

Carme Chacón - Ministra da Defesa espanhola

Yingluck Shinawatra - Primeiro-Ministro da Tailândia