17 julho 2011

Dieta de optimismo


Às vezes é domingo e acorda-se virado para a lua, que tem, entre outros méritos, o de estar associada ao delírio. Pois hoje é domingo e inspirados por esse satélite lançamos aqui um manifesto contra Oprah Winfrey, Ellen DeGeneres, Rhonda Byrne, Spencer Johnson e Harvey Mackay, entre outros. Também não nos merecem simpatia pessoas como Joyce Meyer, Creflo Dollar ou Benny Hinn. Tão pouco todos quantos acham que o mundo está dividido em dois, de um lado os que pensam positivo e do outro os pessimistas depressivos. Já sabemos que Deus prefere os ricos, os que pensam positivo e todos quantos acossam e humilham os incautos com as supostas verdades do pensamento positivo.
Se o desemprego oferece oportunidades que todos esses milionários se despojem dos seus bens e os doem aos necessitados.
Se a doença é a porta para nos tornarmos mais espirituais, sensíveis e evoluídos que oferecem as suas fortunas a hospitais e a centros de tratamento.
Se o pessimismo não cria empregos, parece óbvio que também o optimismo não os cria.
Aliás, há coisas que "a crise" mostra bem. A que nos afecta a nós, aos gregos e aos irlandeses tem proporcionado, como diz Klaus Regling, presidente do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, "ganhos para os alemães, porque recebemos da Irlanda e de Portugal juros acima dos refinanciamentos que fizemos, e a diferença reverte a favor do orçamento alemão".
O que se diz aos cancerosos, aos desapossados dos seus bens e a nós, portugueses, é que se tivermos fé, se pensarmos positivo, vamos sair da crise, como se esta dependesse da nossa vontade e dos nossos gestos.
A falácia, tantas vezes repetida e por tanta gente, acaba por fazer parte do "pensamento" do cidadão comum. A um ou outro ainda lhes pode passar pela cabeça a dúvida, mas logo a afasta, como se fosse um crime.
O pensamento positivo não passa disso mesmo, de um método brilhante de controlo social, ao dizer que não há nada de mau na economia, mas que o mal está dentro de cada um de nós, que não soubemos seguir o trilho correcto.
Do mesmo modo que o aumento de policiamento, o controlo nos aeroportos e o mais é supostamente para a nossa segurança, embora sirva sobretudo para nos tratar como gado e para limitar a nossa liberdade e individualidade. Como se cada um de nós fosse um potencial terrorista.
Voltando à Europa, há já "notáveis" (ver artigo de Teresa de Sousa no Público de hoje) a pôr o dedo na ferida e a dar o nome aos bois: "Não cabe aos contribuintes pagar por investimentos das instituições financeiras que acharam acertado comprar a dívida grega".
"(...) a Europa tem de ir bastante mais longe na regulação dos bancos e dos mercados financeiros e esforçar-se por que o mesmo aconteça a nível mundial. Esta crise foi também o resultado da falta de prevenção e de regulação dos mercados por parte das autoridades europeias."

16 julho 2011

Suvi Linden - Finlândia - Comunicação

Grete Faremo - Noruega - Defesa

Julia Gillard - Austrália - Primeiro-Ministro

Jadranka Kosor - Croácia - Primeiro-Ministro

Do crocodilo ao Karaté: notícias de verão

Quanto mais as sombras se adensam, maior o desejo de luz. A leveza é a luz possível em tempos de sufoco financeiro. E o verão sempre ajuda, fornecendo abundante material.
Seja ou não a estação do disparate, a verdade é que mesmo jornais ditos de referência enchem as suas páginas de fait divers.
Veja-se: "Crocodilo gigante surpreende turistas", diz o Expresso.


O mesmo semanário não deixa passar a "Cabeleireira karateca [que] prende ladrão e [o] usa como escravo sexual".


A notícia tem a particularidade de condimentar o imaginário com o insólito: Um homem quis assaltar uma cabeleireira, mas esta é cinturão negro em karaté e dominou o assaltante. Depois, despiu-o, algemou-o a uma cama e obrigou-o, com recurso a comprimidos Viagra, a ser seu escravo sexual durante três dias. Ao terceiro dia soltou-o, deu-lhe mil rublos e disse-lhe para ir à vida dele. Ora o assaltante foi a correr para o hospital para tratar os testículos e a seguir foi à polícia apresentar queixa. Segundo testemunho da cabeleireira, "Quis apenas dar-lhe uma lição. Sim, tivemos sexo umas quantas vezes. Mas, no fim, ainda lhe dei dinheiro e ofereci-lhe um par de calças de ganga novas". Tudo aconteceu em Meshchovsk, na Rússia, em abril de 2009, mas pelo picante da coisa a notícia foi divulgada como tendo acontecido recentemente.
Estas notícias terão certamente propósitos profilácticos, a ver se os portugueses consomem menos psicofármacos (ansiolíticos, sedativos e hipnóticos, anti depressores e anti psicóticos).

15 julho 2011

Um país azul e crente, este que nos calhou na rifa


Portugal é um país de gente crente. E que gosta de obedecer, apesar de ser também muito maledicente. Portugal é um país fácil de governar. Este governo é bem a prova disso. Vive em absoluto estado de graça. Enquanto for verão, tudo estará bem. Quando os dias se tornarem mais cinzentos e as contas começarem a não poder ser pagas, é que já não se sabe como andarão os meus queridos compatriotas. É que o velho recurso à medicina como paliativo para a depressão sai, agora, bem mais caro.
O que nos vale é que há quem tire a gravata e possa aparecer descontraído na fotografia.
De resto, a certeza de quem tem pouco terá cada vez menos e de que uma pequeníssima minoria manterá não só o seu nível de vida como o melhorará.
Os meus compatriotas têm de deixar de trabalhar e tornar-se empresários. Ser empresário é poder receber um tratamento privilegiado por parte do estado.
A chatice será se, depois de vender património e de ter asfixiado o consumo, Portugal continuar às escuras. Como diz José Reis, professor da Faculdade de Economia de Coimbra, "Desapossadas as pessoas, regressa a virtude à economia? Os liberais julgam que sim. Mas não parece. Gera-se mais e mais recessão, cria-se desconfiança e desânimo. E uma profunda sensação de injustiça..."

12 julho 2011

Elena Salgado - Espanha - Finanças

Valérie Pécresse - França - Finanças

Maria Fekter - Áustria - Finanças

O clube da bancarrota em Julho de 2011


O "clube" da bancarrota é formado, por ordem decrescente de risco de default, pela Grécia, Portugal, Irlanda, Venezuela, Paquistão, Argentina, Ucrânia, Espanha, Vietname e Itália.

A Europa treme


Quando há um bode expiatório tudo se torna mais simples. Os bodes expiatórios servem para que a fúria das multidões tenha um rosto e um corpo e possa descarregar frustrações. A crença sempre teve esse condão, o de servir os interesses das oligarquias.
O pior é quando os bodes expiatórios se revelam vãos. E é isso que está a acontecer na Europa. Depois da queda da Grécia e da Irlanda, veio Portugal. Agora batem à porta de Itália, com Espanha na mira. A Itália vale mais do que a Espanha no jogo da alta finança, mas as duas economias juntas são mais do que suficientes para dar cabo do euro.
Que fazem os senhores da Europa? Andam atarantados, sem saber muito bem como reagir. E a dar razão a quantos falam de um problema de liderança na Comunidade Europeia. Cujo modelo político dominante tem sido incapaz de dar a volta ao problema.
Recorde-se que a zona euro poderia ser imune a ataques se... não houvesse grandes disparidades entre os países que fazem parte da moeda. Mas, como se sabe, há disparidades e grandes. Alemanha, Holanda, Áustria e Luxemburgo estão de saúde e recomendam-se. O mesmo já não se pode dizer de outros países.
Como diz Pedro Santos Guerreiro, "Já ninguém acredita em soluções nacionais para a crise de dívida soberana do euro. Só há solução europeia. Política acima da austeridade."

10 julho 2011

Jorge Lima Barreto (1949-2011)

Fernando Jorge da Ponte de Lima Barreto nasceu em Vinhais a 26 de Dezembro de 1949. Foi professor, músico e musicólogo, compôs peças para poesia, teatro e cinema e realizou programas de rádio. Fundou a Associação Música Conceptual (com António Pinho Vargas e Carlos Zíngaro, 1968), a AnarBand (por onde começou Rui Reininho, 1969) e Telectu (com Vítor Rua, desde 1982).
Gravou vários discos e CDs, tendo tocado com J. Berrocal, D. Kientzy, Elliott Sharp, C. Cutler, L. Clavis, Sunny Murray, G. Schiaffini, G. Hemingway, Evan Parker, T. Hodgkinson, B. Altschull, H. Robertson, Prévost, T. Chant, G. Sommer, K. Bauer, I. Mori, P. Rutherford, P. Lytton.
Foi autor de livros como “Revolução do Jazz” (1972), “Jazz-Off” (1973), “Rock Trip” (1974), “Rock & Droga” (1982), «JazzBand» (1985), “Música Minimal Repetitiva” (1990), “JazzArte” (1993), “Música e Mass Media” (1996), “Musa Lusa” (1997) ou “B-Boy” (1998), “Zapp, Estéticas do Rock” (2000), entre outros.












07 julho 2011

Açores abaixo de lixo e a Madeira ainda pior

A Moody's cortou o nível de Lisboa e Sintra em quatro degraus de Baa1 para Ba2, com 'outlook' negativo, enquanto os Açores passaram de Baa2 para Ba3 e a Madeira de Baa3 para B1, com perspectivas futuras sob análise, disse a agência em comunicado.
A agência justificou a quebra na notação dos quatro locais pela descida dos 'ratings' atribuídos a Portugal na terça-feira, o que teve "implicações para os 'ratings' dos governos locais e regionais dentro do país dadas as suas estreitas ligações financeiras com o governo central".

Capital Group esse potentado

Transcrevemos informação de um jornal económico:

A Capital Group é, através de uma das suas empresas, a Capital World Investors, a maior accionista da entidade que detém a agência de ‘rating' Standard & Poor's e tem uma participação de mais de 10% na Moody's. Além disto, através de fundos de investimento, a Capital World Investors detém ainda milhões em dívida soberana, onde se incluíam no final de 2010, pelo menos, 370 milhões de euros em dívida da Irlanda, Portugal, Espanha e Grécia.
A reputação do Capital Group é de discrição quase absoluta. Raramente aparece na imprensa e nem sequer faz publicidade aos seus produtos e serviços. Uma das poucas vezes que a entidade financeira deu que falar aos jornalistas foi quando um dos seus analistas criticou, em 2003, o presidente da Time Warner. Meses depois, este foi demitido. O mesmo analista do Capital Group voltou ao ataque, criticando em 2008 o presidente-executivo da Yahoo por este ter rejeitado uma OPA lançada pela Microsoft. O guião repetiu-se e, meses depois, o homem forte da tecnológica foi forçado a sair do comando.
A Bloomberg refere que a Capital Group opera com "luva de veludo" no controlo e influência das empresas onde está investida. Já o britânico "Independent" refere que a instituição "é quase patologicamente receosa dos media". Mas a sua influência é inversamente proporcional ao seu ‘modus operandi' recatado.
Um estudo publicado no ano passado por dois investigadores do Swiss Federal Institute of Technology concluiu que o Capital Group era a instituição financeira com maior poder nos mercados globais. A investigação incluiu 48 mercados, concluindo que o grupo é "uma accionista proeminente do controlo simultaneamente em vários países", concluem Glattfelder e Battiston. O ‘ranking' feito pelos investigadores pode ser encarado como "uma medida de controlo e de poder potencial (nomeadamente, a probabilidade de determinada entidade conseguir atingir os seus próprios interesses em oposição a outros actores). Dadas estas premissas, não podemos excluir que os maiores accionistas com vasto poder potencial global não exerçam esse poder".

(...)

Em Maio, a União Europeia, em conjunto com o FMI, tentou impressionar o mercado, com a criação do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira com um poder de fogo de 750 mil milhões de euros. Mas o arsenal financeiro do Capital Group não fica atrás do valor astronómico colocado à disposição por Bruxelas. As estimativas apontam que a sociedade financeira sediada na Califórnia tenha activos sob gestão superiores a um bilião de dólares (mais de 743 mil milhões de euros). O número é quase cinco vezes superior à riqueza produzida anualmente em Portugal.

A indignação tuga


Os ilustres, os notáveis, os entendidos portugueses acordaram da letargia e bradam contra as agências de rating. Alguns, mais dados à publicidade, brincam. Que efeito terá este coro de indignação lusitana?
As regras dos mercados sempre foram pouco claras, embora quem se julgue com aptidões para a alta finança, se tenha até agora mantido crente na validade das opiniões das agências de rating. Que os leva agora a pôr em causa os comunicados dessas agências? O sentimento patriótico? Pensarão tratar-se de algum ultimato? Ou será que deslocaram a fé para as boas intenções do novo governo?
Lá fora, longe da propaganda nacional, não se acredita nos planos da troika, nem na capacidade do país em sair da crise.
Há outros países com défices grandes (EUA e França são exemplos), mas possuem economias com outra capacidade. Ou seja, possuem empresas e empresários com outras dinâmicas.
O problema da pátria, da nação, do glorioso país com tanta História é que esta não chega para fazer negócios.
Claro que, como já muitos disseram, a economia não funciona por si. Quando isso acontece a lei da selva é soberana e quem paga são as pessoas. A política (e a ideologia) mandam mais. O problema parece estar precisamente aí: quer-se à viva força acreditar na regulação dos mercados e os mercados querem à viva força lucros.

Oliveira com 2850 anos


Está situada em Santa Iria da Azóia, concelho de Loures, no que resta de um antigo olival próximo das ruínas do castelo de Pirescouxe, com um perímetro que mede, na base, 10,15 metros, uma altura de 4,40 metros e um diâmetro de copa com 7,60 por 8,40 metros.

Fonte: Público

OaKoAk e as Invenções Urbanas


OaKoAk é francês e olha para as cidades de um modo divertido. Aproveita detalhes para intervenções que fotografa e de que deixa memória num blogue.



Buracos, calçadas, sinais de trânsito, contentores de lixo, becos, portas e portões, tudo lhe serve para inventar a cidade, seja Saint-Etienne, Marseille, Lyon ou Paris.
Um sorriso, um pouco de humor e de cor surpreendem o transeunte que, assim, olha para o seu espaço doutra maneira.


OaKoAk é uma espécie de Baudelaire dos nossos dias.

Marja van Bijsterveldt - Holanda - Educação, Cultura e Ciência

Michèle Alliot-Marie - França - Interior e Territórios Ultramarinos

Fadila Laanan - Bélgica - Cultura e Audiovisual

05 julho 2011

WU LYF





Abençoado Tadeu

Raramente me apetece tirar o chapéu, até porque é coisa que já poucos usam e, por certo, escapa-lhes o sentido de saudação da coisa. Que se lixe! Ao ler o artigo de Pedro Tadeu, no DN, foi isso mesmo que me apeteceu fazer.

Deixo-vos a parte que me soube bem:

«Há uma espécie de decreto-lei informal que, ainda no tempo de Sócrates, na sequência das imposições da troika, passou a entrar em vigor. Esse decreto, editado e publicado por opinadores do regime, "especialistas" em economia, grandes empresários, gestores ao serviço destes, banqueiros, políticos do "centrão", iludidos do neoliberalismo, académicos conformados e burocratas dependentes da eurocracia, resume-se numa frase: "Protestar contra as medidas de austeridade é antipatriótico".

A teoria desenvolve-se no pressuposto de que não haveria outro caminho para "salvar Portugal" (sic) que não seja este que actualmente trilhamos. Pelo que, para bem da Pátria, qualquer manifestação, greve, marcha, abaixo-assinado ou simples comentário contra o que se está a passar é, na sua essência, um acto de traição.

Isto faz-me lembrar o meu tempo do ensino primário, quando a minha cabeça era encharcada pelo chavão "a Pátria não se discute", para justificar a guerra no Ultramar. Essa guerra, lia-se em todos os jornais, via-se na televisão e ensinava-se na escola, não só era inevitável como necessária. Além do mais, dizia-se, do ponto de vista económico, que Portugal não sobreviveria à perda das colónias. Quem protestava era declarado traidor à Pátria e ia preso.

Pois quando cheguei ao liceu, anos depois do 25 de Abril, já não havia Ultramar, a Pátria até estava de melhor saúde, prosperava, e os traidores da véspera eram os heróis da nova época. Como vêem, as certezas absolutas e indiscutíveis são todas muito relativas...»



Humor negro


Há por aí muitos jornais a darem sugestões para enfrentar a crise. Quase todos com a mesma receita e com a mesma linguagem floreada.
Quando se trata de dar conselhos, até o tom de voz muda, como se fosse uma flauta.
Transcrevemos umas frases de um jornal, para todos nos podermos rir um pouco:

«Prevenir é mesmo o melhor remédio para lidar com a subida dos juros e dos efeitos negativos da crise. Mesmo que a sua situação financeira actual seja saudável, os especialistas deixam alguns conselhos. Afinal, uma situação de desemprego ou uma doença poderá facilmente desequilibrar as finanças de uma família. Para prevenir tais imprevistos deverá ter guardada uma almofada financeira equivalente a seis salários do agregado familiar. Esta poupança deverá ainda estar alocada em aplicações financeiras de elevada liquidez (como os depósitos a prazo ou fundos de tesouraria) de forma a facilitar a sua movimentação em caso de uma emergência.»

«Segundo os dados compilados pela Deco, existem pelo menos cinco depósitos a 12 meses que oferecem taxas brutas acima dos 4%. O melhor depósito para este prazo é o DP TOP II do banco BiG que tem uma taxa de 4,75%. O único inconveniente é que exige um montante mínimo de investimento de 60.000 euros. Quem tivesse este dinheiro disponível e o aplicasse neste depósito chegaria ao fim de um ano com uma mais-valia líquida de 2.238 euros. Mas não são apenas os depósitos que beneficiam da alta das taxas de juro.»

Gastos


As prestações das casas aumenta e continuará a aumentar.
A subida generalizada do preço das matérias-primas, sobretudo das agrícolas, deixa antever um aumento substancial do peso do cabaz alimentar das famílias.
O aumento do preço dos combustíveis é outra realidade - que por sua vez também pesa no custo do transporte das matérias-primas e se reflecte no aumento dos preços dos produtos apresentados ao consumidor.
Em resumo: cortam-se salários e benefícios sociais, aumentam-se os preços de bens e serviços e o resultado é: a alegria de quem ganha muito, por poder ganhar mais ainda. E assim a economia faz abdominais. Nada como uma economia musculada para satisfação de todos.

Investimentos


Desde que o Euromilhões foi criado, em Outubro de 2004, os portugueses investiram a módica quantia de 6,4 mil milhões de euros.

O exemplo vem sempre de cima


Aos pequenos dizem: cortar, cortar, cortar. E têm de cortar onde já há quase nada. Aos grandes aumentam, porque precisam de, dizem, manter "um nível de vida apropriado à sua posição de directora-geral e às necessidades de representação do fundo”.
Falamos dos abonos de Christine Lagarde, nova directora-geral do FMI, que incluem 467 940 dólares (323 000 euros) e 83 760 dólares (cerca de 58 000 euros) para cobrir gastos de representação. Além disso, Lagarde irá receber ainda um complemento diário e terá pagas várias despesas, nomeadamente com hotéis.
Os portugueses acharão, por certo, muito bem e continuarão, felizes a apertar o cinto da pobreza.

A mais antiga imagem de rei egípcio


Arqueólogos norte-americanos e italianos descobriram uma inscrição com o desenho mais antigo de um faraó egípcio. O achado ocorreu em Al Hamdulab, a noroeste da cidade de Asuan, 800 kms a sul do Cairo. E faz parte de uma série de escrituras e imagens que mostram os rituais dos faraós na antiguidade, bem como cenas de combates, festas, pesca, sinais de poder político e animais.

04 julho 2011

Angela Merkel - Alemanha - Primeiro-Ministro

Ana de Hollanda - Brasil - Ministra da Cultura

Beatrice Ask (Suécia) - Ministra da Justiça

Maria Carfagna - Ministra italiana da Igualdade

Johanna Sigurdardottir - Primeiro-Ministro da Islândia

Assunção Cristas - Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território

Carme Chacón - Ministra da Defesa espanhola

Yingluck Shinawatra - Primeiro-Ministro da Tailândia

29 junho 2011

Para memória futura 2

O Governo compromete-se com a mudança de paradigma que permite ter uma visão integrada do território e dos recursos naturais, vivos e não vivos, e com a promoção de um desenvolvimento sustentável que aumente o potencial produtivo agrícola, dinamize o mundo rural, permita realizar o valor potencial do mar português e encontre na protecção e valorização do meio ambiente eixos sólidos para o crescimento.

Aumentar a produção nacional com vista a contribuir para a auto-suficiência alimentar medida em termos globais, ou seja, em valor;

Promover um território inteligente, actualizando as políticas de urbanismo e ordenamento do território;

Visando o acréscimo da competitividade, o Governo procurará gradualmente criar condições concorrenciais competitivas com os nossos parceiros europeus; investir nas produções vegetal e animal, agro-industrial e indústrias de base florestal; apostar no desenvolvimento rural resistindo às pressões de desenvolvimento assimétrico. Será por isso valorizada a multifuncionalidade, designadamente novos usos e explorações sustentadas da terra, como são os exemplos de produções de alta qualidade (agricultura biológica e produtos tradicionais) e a produção de biomassa, assim como a preservação das paisagens típicas, dos recursos naturais, da biodiversidade, dos habitats rurais, discriminando de modo positivo as regiões desfavorecidas.

Sensibilizar os cidadãos para os custos associados à prestação de cuidados de saúde através da disponibilização da informação sobre o custo suportado pelo Estado em cada acto prestado;

Criar as condições legislativas e técnicas para o avanço da dispensa de medicamentos em dose individual;

Criar condições para a desmaterialização da receita médica em todo o tipo de receituário com comparticipação pública, implementando um sistema ágil de monitorização do consumo de medicamentos que promova a clareza na contabilização dos encargos do Estado e do cidadão com os medicamentos.

O desenvolvimento social em Portugal enfrenta poderosos constrangimentos, entre os quais se destacam, além do comportamento medíocre da economia portuguesa na última década, a fraca evolução demográfica, o isolamento dos mais velhos, a pobreza persistente, o desemprego, a injustiça no mercado de trabalho, o aumento das desigualdades sociais, a dificuldade em assegurar a sustentabilidade do sistema de pensões, o florescimento duma cultura de dependência em que cada vez menos se reconhece o mérito e o valor do trabalho e do esforço.

A redução das desigualdades sociais deve começar, por um lado, pelo combate à apropriação indevida da riqueza, à fraude e evasão fiscal, à delapidação de recursos públicos, à economia informal, ao abandono escolar precoce e pela adopção de medidas de apoio à família e, por outro lado, pelo justo reconhecimento do mérito e do esforço de cada um.

Acautelar um serviço eficiente no ensino e divulgação da língua portuguesa no mundo.

Para memória futura 1

O Governo tomará iniciativas para que o País tenha um sistema eficaz de combate à corrupção, à informalidade e a posições dominantes, e que seja dotado de um sistema de regulação mais coerente e independente.

O Governo compromete-se também a “despartidarizar” o aparelho do Estado e a promover o mérito no acesso aos cargos.

Revisão dos mecanismos de prevenção e controlo que impeçam deslizamentos de custos e prazos inaceitáveis, na concepção, contratação e execução das obras públicas, acima de um determinado montante;

A política económico-financeira do Governo será orientada para restaurar a credibilidade financeira do País, para reduzir o endividamento nacional e o défice externo, para retomar o crescimento económico, fomentar a produtividade e a competitividade e para promover uma sustentada criação de emprego e a solidariedade.

Propor à Assembleia da República a adopção de alterações às Leis de Finanças Regionais e Locais de forma a compatibilizá-las com a nova Lei de Enquadramento Orçamental, nomeadamente no que respeita à inclusão de entidades no respectivo subsector, à adopção de um quadro plurianual orçamental e às regras de endividamento;

O bem-estar das pessoas e a competitividade das empresas e da economia portuguesa no actual contexto de globalização exige, acima de tudo, uma legislação laboral que fomente a economia e a criação de emprego, que diminua a precariedade laboral e que esteja concentrada na protecção do trabalhador e não do posto de trabalho.

Publicar a lista de profissões em que é previsível virem a verificar-se maiores necessidades de mão-de-obra;

Introduzir incentivos salariais para investigadores em função da capacidade de mobilizar recursos, desenvolver investigação de alta qualidade, licenciamento de patentes e impacto numa lógica de cooperação empresarial;

O Governo compromete-se a implementar uma estratégia destinada a inverter a desindustrialização do país registada nos últimos anos e promover uma reindustrialização centrada na competitividade. Neste sentido, o Governo entende que Portugal tem condições para continuar o processo de subida na escala da cadeia de valor das actividades tradicionais e para desenvolver novas actividades em certos segmentos da indústria transformadora.

No domínio do transporte ferroviário de mercadorias será, ainda, dada prioridade às ligações aos portos e centros de produção orientados para o comércio externo, analisando-se o desenvolvimento potencial da infra-estrutura em bitola europeia, nos corredores de tráfego internacional. Por outro lado, é urgente prosseguir e intensificar a modernização das infra-estruturas portuárias e aeroportuárias, designadamente numa óptica que privilegie a competitividade externa e atractividade do País. Os investimentos em portos, transportes terrestres, transportes aéreos e infra-estruturas aeroportuárias serão prioritariamente decididos em regime de concessão ao sector privado, de modo a minimizar o esforço financeiro do Estado e a aumentar a respectiva eficiência.

Reduzir a dependência petrolífera do País, objectivo que será alcançado através do reforço da utilização de biocombustíveis, da aposta no transporte colectivo de qualidade, e o investimento nos modos ferroviário e marítimo no transporte para a Europa;

Reforçar a atractividade do Turismo, nomeadamente pela articulação de políticas com o ordenamento do espaço, o ambiente, os transportes, a saúde, o mar e a cultura;

Promover novos conteúdos de valorização do destino Portugal em cooperação com as indústrias criativas, com base na história, valores partilhados e autenticidade do produto turístico.

Encher chouriços com economês


Pelos anos 80 havia o costume de ridicularizar as pessoas que falavam de cultura, por usarem termos complicados. Hoje, assistimos à algaraviada diária do economês e, inversamente, as pessoas consideram fino apropriarem-se desse jargão.
O pior é que, depois, aparecem notícias como esta, onde se gastam imensos caracteres para nada dizer. O essencial aparece no lead. O resto, é palha. Ora veja:
«O défice público no primeiro trimestre ficou em 3177 milhões de euros em contabilidade nacional (a que interessa a Bruxelas), o que representa 7,7 por cento do PIB, ficando ainda distante do objectivo de 5,9 por cento definido para o conjunto deste ano, segundo as contas nacionais trimestrais por sector institucional divulgadas hoje pelo INE.
O valor hoje anunciado é substancialmente pior que o divulgado pela Direcção-Geral do Orçamento (DGO), mas que reflecte a lógica da contabilidade pública, que regista as receitas e despesas do Estado num dado período. A contabilidade nacional regista os compromissos de receita e despesa do Estado, e é esta a que vale para as autoridades europeias verificaram a conformidade com os objectivos definidos no pacto que instituiu o euro. Por outro lado, os dados da DGO não entram em conta com os saldos das emrpesas públicas.
A Direcção-Geral do Orçamento tinha divulgado um défice do Estado de 1019,1 milhões de euros no trimestre terminado em Março, com um excedente de 871 milhões de euros nos fundos e serviços autónomos, o que pressupunha um défice de 148 milhões de euros na administração central. O excedente da Segurança Social foi de 580 milhões de euros.
O valor hoje divulgado pelo INE compara com os 9,5 por cento registados primeiros três meses de 2010, e com os 9,3 por cento registados no último trimestre do ano passado. O défice de 2010 ficou em 9,1 por cento após o Eurostat ter obrigado a uma revisão de critérios estatísticos que levou à inclusão de algumas empresas públicas antes não consideradas e ao défice do BPN, ficando muito acima do objectivo inicial do Governo de José Sócrates, de 7,3 por cento do PIB.
O afastamento do saldo do Estado no primeiro trimestre face ao objectivo para este ano deverá servir de justificação para o novo Governo antecipar algumas medidas previstas no acordo de resgate financeiro com a UE e o FMI. Na Sexta-feira, o primeiro-ministro disse que pretendia apresentar em breve medidas na área da reforma do Estado e das privatizações, de modo a não pôr em causa o objectivo do défice público para este ano.
Os dados hoje divulgados pelo INE diferem das contas nacionais trimestrais não são ajustados dos efeitos de sazonalidade, um efeito que é minorado pela apresentação de dados com as médias dos últimos quatro trimestres. Nesta óptica, o défice do primeiro trimestre seria de 8,7 por cento, reflectindo os défices trimestrais mais elevados registados ao longo do ano passado.»

Pergunta-se: que jornalista redige uma porcaria destas? Depois, queixam-se que os jornais perdem leitores.

26 junho 2011

Os dislates do senhor Medina


Gosta de chamar a atenção e é extremamente crítico das finanças públicas, como se dissesse, Depois de mim o dilúvio.
É, como tantos outros, a prova provada de que quem muito fala de economia pouco acerta. Diz ele que Salazar "era um bom gestor". Era, era. Tão bom que Portugal, à época, tinha altos níveis de emigração (grande parte para fugir à fome, outra para fugir à guerra), um atraso crónico relativamente aos outros países europeus (nalguns domínios conseguimos recuperar, embora com custos que o senhor Medina escamoteia, porque lhe dá jeito para a algaraviada em que tem andado entretido), além de uma educação que ainda hoje percorre transversalmente a sociedade portuguesa e afecta sobremaneira economistas e gestores: pensarem que a vida se limita a números, ao deve e haver burocrático e banqueiro.
O raciocínio do homem é tão distinto que mistura "pessoal, prestações sociais e juros", como se se tratasse de uma receita caseira. Para ele, gente e juros é tudo a mesma coisa. Talvez pense que essa gentinha que trabalha para o Estado o devia fazer de graça e viver de ar e vento. O importante é satisfazer os conselhos de administração e a distribuição de dividendos nos finais de ano, o resto são amendoins.
Medina não gosta que as pessoas tenham carro e casa de campo (algo que, como todos sabemos, é comum à maior parte da população portuguesa) e também não deve gostar que as pessoas tenham conforto e vivam razoavelmente (no tempo de Salazar é que era bom, arranjava-se criadagem por tuta e meia e um doutor era um senhor doutor).
Medina Carreira continua sem perceber que Portugal tem muito para dar (e colher), mas precisa de uma classe dirigente distanciada dos tiques e das muletas de Salazar. Que ponha de lado esse gosto bacoco pelas tradições (recriadas pelo Estado Novo) e pelos desfiles alegóricos ao jeito do Admirável Mundo Português e comece de facto a estudar e a colher dividendos de iniciativas que capitalizem a nossa História, a nossa capacidade de estar no mundo.
Portugal, felizmente, tem muitos Medinas Carreiras, mas não tem só isso. Se assim fosse, Portugal seria um pouco a Madeira.

24 junho 2011

Do Japão para a China. Ainda no ar. Com beijo.



Diz o DN: "Uma rapariga impediu esta sexta-feira um jovem chinês de 16 anos de se suicidar. O rapaz pretendia atirar-se de uma ponte quando uma desconhecida se aproximou dele, depois de ter pedido autorização às autoridades. Começaram por falar e, a dado momento, a rapariga beijou-o. Foi o tempo suficiente para os bombeiros e as autoridades presentes no local agarrarem-no e impedirem a tragédia."

Natsumi Hayashi






Apodaram-na de a fotógrafa que levita. É japonesa e o seu blogue faz sucesso por causa desses auto-retratos em que aparece a "levitar". O sucesso parece justificar-se pelo inesperado da suspensão num ambiente agitado, urbano, onde as pessoas andam sempre apressadas.