27 março 2011

A missão dos muito ricos é...


Rolls-Royce, Bugatti, Pagani, Ferrari, Lamborghini, Koenigsegg, Aston Martin - banhados a ouro e diamantes ou apenas com os requintes desejados. Boeings 747 e Airbus A380, helicópteros e, claro, as habitações (com uma pequena legião de servos). Há muito por onde escolher. Quanto mais pobre a população, mais os multimilionários enriquecem. Mais podem ostentar.

Da infância à adolescência: um líder catavento


À medida que os dias vão passando, torna-se evidente a falta de preparação do líder do PSD. A cada novo dia, Passos Coelho sai-se com mais uma afirmação categórica, cuja particularidade é desdizer o que, dias antes, afirmara com a mesma determinação.
E fica claro que o PSD apenas ambiciona o poder e não tem um líder à altura da crise. O demónio chamado Sócrates, por mais defeitos (e são muitos), mostrou-se capaz de resistir bem à crise e, mesmo com uma dívida colossal, soube resistir à pressão e gula dos mercados.
Passos Coelho saiu de Portugal, no dia a seguir ao anúncio do pedido de demissão do primeiro-ministro, para ser confrontado com uma Europa que lhe pediu medidas, e a ideia com que se fica é que foi apenas aí que o senhor tomou consciência do valor de Sócrates. Agora, não se cansa de dizer que "Votámos contra o pacote de austeridade, não porque foi longe demais, mas porque não vai suficientemente longe para obter resultados na dívida pública".
A credibilidade deste senhor é, de facto, reduzida e não prenuncia nada de bom. Não prece ter estofo para levar o país a bom porto.
Se a máquina de propaganda do PSD não controlar as aparições do líder, não me espantaria que as intenções de voto começassem a descer e que os resultados do PSD ficassem muito colados aos do PS (e até já podemos ouvir Passos Coelho dizer, naquele seu estilo troca-tintas, que a intenção dos portugueses foi, claramente, a de pedir um governo de bloco central).
Passos Coelho quis aparecer como um homem diferente de Sócrates. Moderado, aberto, disposto ao diálogo, mas a coisa não lhe tem saído bem, pela simples razão de que não tem experiência, nem calo para o que está em jogo. Quando tiver, distinguir-se-á de Sócrates?
Para já, Passos Coelho e o PSD conseguiram que Portugal perdesse uma batalha que parecia estar a ganhar: "o país estava no limite de ser o primeiro a aceder a um apoio na modalidade revista do fundo que apoiou a Grécia e a Irlanda ou de nem ter que recorrer a esse fundo". Porquê? Porque houve demasiada gula e precipitação. As últimas declarações de Passos Coelho são bem a prova disso mesmo. Ele já percebeu que Portugal precisa de executar políticas difíceis e extremamente impopulares, com reformas estruturais, para poder, daqui a alguns anos, levantar a cabeça.
Pena que não tenha percebido isso mais cedo. Pena que a gula do seu partido pelo poder o tenha levado a dar um péssimo passo.

23 março 2011

Brincar com o fogo para... mostrar que nada tem para se dizer

Portugal tem uma classe política engraçada. O governo passa à condição de demissionário. O líder do maior partido da oposição nada tem a dizer, salvo cada português encontrar o melhor dentro de si (os analistas económicos são categóricos: o PEC IV vai ser aprovado e ainda vai ser preciso mais um). A esperança é... uma flor de plástico.
Nenhum partido, como se viu pelas declarações que se seguiram à comunicação de Sócrates, tem nada a propor de concreto. Todos sabem que a factura é alta e que teremos de ser nós a pagá-la.
As eleições que aí vêm não mudarão nada. A confusão permanecerá. Apenas podem mudar (ao que parece) os rostos da governação.
O que é isto, afinal? Amuos de meninos crescidos? Brincar com o nosso dinheiro (que é diminuto)?

Resta esperar pelas eleições e ver:

a) como vai ser a abstenção;
b) quem vão ser os grandes derrotados;
c) que tipo de manobras serão necessárias para constituir um governo de maioria;
d) qual é o real buraco das contas públicas e como vai ser pago;
e) como vão cortar os salários (em troca das tais flores de plástico) os que até agora têm falado noutras maneiras de resolver os problemas ou onde vão esses mágicos buscar dinheiro.

A ordem das alíneas pode parecer arbitrária, mas creio que o que aí vem vai mostrar que não é tanto como parece.

Cuanto sé de mí


Mi dni: 31650987C.
El pin de mi teléfono es 9276.
El de mi visa —número 4940005043313975— es 7692.
El de mi mastercard —número 0030443298919438— es 9276.
El password de mi email juanbonillagago@yahoo.es es cruyff1974.
La clave de mi cuenta en ebay, usuario varanasi2003, es toureiffel1918.
Para entrar en mi cuenta del BBVA,
marque en bbva.es el número de mi VISA
y escriba cruyff1974 cuando le pidan la clave.
La de mi cuenta en iberlibro es kyntaniya23.
Lo mismo para paypal.
Lo mismo para uniliber.
Número clave del portero automático de mi casa
en Menéndez Pelayo 29, Sevilla, 6691.
Número clave de mi cuenta e-barclays, es 50987,
usuario número de mi tarjeta mastercard.
En RENFE, IBERIA, VUELING, BRITISH AIRLINES,
soy bonilla66, y mi clave de acceso: cuidadoconelperro.

Creo que nunca antes un poeta
había puesto tanta intimidad
al alcance de sus lectores.

JUAN BONILLA, Cháchara, Renacimiento, Sevilla, 2010, página

Portugal e a gula

Há tugas que são muito gulosos. Tão gulosos que não hesitam em esfregar as mãos de contentamento por uma questão de ressentimento. Portugal tem de sofrer esta gente que gosta de falar em sentido nacional, quando pouco ou nada faz pelo país. O que se tem estado a passar na Assembleia da República é bem a prova disso.
O governo em funções agiu mal. Foi precipitado. Se isso resulta de uma estratégia política, o objectivo é medíocre: deu tiros nos próprios pés. A maior parte da população não está com Sócrates nem com o PS.
Mas o que está em causa não é o PS ou a vontade de o PSD chegar ao poder. O que está em causa é a crise e os custos que as eleições vão ter, directa e indirectamente. Directamente, porque as eleições são caras. Indirectamente, porque isso vai obrigar a mexer em muitas chefias e nas consequentes indemnizações. Ao mesmo tempo que se corre o risco de cair na situação da Grécia e da Irlanda, cujas taxas de juro têm sido negociadas com valores proibitivos.
O PSD deveria ter esperado. Mas resolveu agir já, com o beneplácito de Cavaco Silva. É importante não esquecer que o PSD afirma peremptoriamente querer travar a má política económica do governo. Se o que vier por aí for pior, veremos como descalça a bota. Para já, Passos Coelho admite subir impostos se for primeiro-ministro. Ora subir impostos quando já está tudo tão sufocado é, como se calcula, uma solução miraculosa. Que outras soluções do género tirará o PSD da cartola?
A gula pelo poder é terrível. E quem paga esses apetites é o zé povinho.

13 março 2011

mitras, boys, betos

«(...) entre 2000 e 2007, relativamente ao grupo etário correspondente, Portugal teve a percentagem mais elevada de estudantes pós-graduados do mundo. Durante a última década, o número de doutorandos quadruplicou, ultrapassando países como a Suécia, a Inglaterra e os EUA. Parece exaltante, mas não é.»

Maria Filomena Mónica, Público

Lisboa, Porto e Braga à rasca







... e Ponta Delgada (http://www.acorianooriental.pt/noticias/view/214315), Coimbra (http://www.tvi24.iol.pt/videos/video/13398733/1) e Viseu:

Portugal a sair da letargia









12 março 2011

No dia da "geração à rasca"

Para que serve a política, pergunta-se com cinismo, tendo engatilhada a resposta: para uns quantos se governarem. E, de facto, parece óbvio que são muitos os que se tornam militantes por saberem que vão ter um lugar ao sol. José Sócrates é bem a prova disso.
Nem todos terão condições para singrar no emaranhado requentado dos partidos políticos. E apenas os partidos que estão no poder têm condições para oferecer jobs. As autarquias empregam muita gente, directa e indirectamente. Basta ver o número de empresas municipais e de assessorias (pág. 416 do Tomo I do Dicionário Houaiss) para ter uma ideia do dinheiro que se gasta com a coisa.
O que acontece em Portugal é que as nossas empresas (e cá estamos nós a repisar um velho assunto) são no geral más: pagam pouco e mal, não produzem com qualidade nem desejam fazê-lo, pois os empresários apenas pensam no lucro fácil. As excepções, por enquanto, apenas confirmam a regra.
Quando uma dita "geração à rasca" sai para a rua a protestar pela precariedade laboral, não pode pedir ao governo jobs. Pode e deve pedir a quem de direito (deputados, partidos, governo) leis que ponham cobro à exploração. E devem fazê-lo com força, pois estão a dar um sinal aos tais empresários medíocres de que empresas assim têm os dias contados.
A distribuição da riqueza tem de ser prática comum, não por um qualquer intuito cristão, mas porque não há outra maneira de um país crescer. O trabalho produz riqueza e esta tem de ser justamente distribuída.
Nós, cidadãos de Portugal, temos o dever e a obrigação de exigir que tal aconteça. Que o trabalho seja bem pago. Que o trabalho tenha como finalidade o aumento da riqueza e não a exploração, a estagnação, o rebaixamento da dignidade humana.
Nas ditaduras, a maior parte da população vive à míngua para que meia dúzia possa ter fortunas colossais. Em sistemas como aquele em que vivemos, os governos e os partidos que os representam veiculam ideologia que promove "os mercados", como se estes não fossem constituídos por pessoas e por interesses.
Ora vai sendo tempo de os portugueses saírem da letargia e reivindicarem LEIS, DIGNIDADE, JUSTIÇA.

23 fevereiro 2011

Dos prémios literários, hip hip hurra


Há muitos, mas poucos com substantivo valor pecuniário. E quanto a valor literário, não conheço nenhum prémio que o possua. Parece-me sempre que alguns autores contribuem para dar algum prestígio aos prémios e nunca o contrário.
Por isso, cumpre-se o costume e um dos prémios que por aí há foi atribuído a um livro medianamente pobre, com o título de O Livro do Sapateiro e a autoria de Pedro Tamen. Um poeta razoável que há muito não nos dá obra digna de registo. Mas os prémios, por cá, são assim, sempre à meia dúzia do costume. Até porque o meio é pequeno e sem estes salamaleques da praxe, os poetas tugas não saberiam viver. Que isso contribua para aumentar o descrédito da poesia que escrevem, é coisa de somenos.

Os portugueses vivem bem


Salazar habituou-nos ao discurso da miséria. Nós, bons alunos, interiorizamo-lo. E rapidamente percebemos que, em democracia, o choradinho produz efeitos. É a nossa maneira de fazer lobbying. Na prática, Portugal tem um nível de riqueza substancial. A prova é dada pelos 42 por cento da população que vive em vivendas, a que acrescentem os 22 por cento que vivem em vivendas geminadas. Apenas 35,4 possui ou vive em apartamentos, um número bastante inferior ao da média europeia.
As vivendas dos portugueses são, grosso modo, arquitectonicamente defeituosas, até porque poucas foram as desenhadas por arquitectos. Junte-se-lhe um tipo de construção medíocre e os problemas começam a aparecer: infiltrações e humidade, má iluminação, isolamento térmico fraco ou mau, desperdício de espaço e inexistência de sanitas, banheiras, chuveiros, coisas assim.
Se há coisa de que os portugueses sempre gostaram é de fachadas. Vivem para exibir. Os automóveis, as casas e o mais caracterizam-nos bem.
E quanto a cidades, o melhor é não tocar no assunto, pois o número de fogos devolutos e em risco de ruir é tão grande e tão vulgar que já ninguém liga peva.
Portugal também é isso, um país de assimetrias. A miséria não é económica, mas mental, ou cultural. A maior parte possui ainda baixos índices de escolaridade e pouca ou nenhuma informação sobre questões que têm a ver com a urbanidade. Por isso, o cimento impera. Os espaços verdes são escassos. As rotundas, uma praga. E os tiques manifestam-se no tipo de arborização escolhida, passam pelo amor ao alcatrão e desaguam num mobiliário urbano que ora está ao abandono, ora mostra o novo-riquismo das autarquias.

18 fevereiro 2011

Ass... e boa música

Duas amigas norte-americanas resolveram tirar a limpo uma dúvida sobre o que acontece a uma mulher quando usa calças justas. Para tal, uma delas escondeu uma câmara nas costas e saiu pelas ruas de Los Angeles. Homens e mulheres apreciaram-lhe o traseiro quando passava. Porque o rabo era jeitoso ou por outro motivo?


15 fevereiro 2011

O impensável aconteceu




Há um refrigerante, mundialmente famoso, que serve para limpar moedas e é muito apreciado pelos devoradores de fast food. Devemos-lhe esse simpático distribuidor de produtos de plástico que dá pelo nome de Pai Natal e muitas alegrias. O nome diz tudo: Coca-Cola.
Há o mito de que a fórmula ultra-secreta está guardada a sete chaves. Diz-se que a empresa mantém a receita original numa sala de alta segurança, onde só duas pessoas conhecem os código para entrar. Mas... parece que a lista de ingredientes, escrita à mão em 1886 por um amigo do criador da bebida, John Pemberton, num livro de farmácia, tem passado de geração em geração e pertence agora a uma mulher que vive na cidade de Griffin, no Estado norte-americano da Geórgia.
Coisa curiosa, esta, hein... por um lado, cofres de alta segurança. Por outro, um velho livro de receitas que passa de mão em mão. Os segredos são mesmo assim, dizem, estão debaixo do nosso nariz.
Há que misturar 230 mililitros (ml) de álcool, 2º gotas de óleo de laranja, 30 gotas de óleo de limão, 10 gotas de óleo de nós moscada, cinco de extracto de coentros, dez gotas de óleo de neroli (as flores de laranja amarga) e o mesmo de óleo de canela. Mais três copos de extracto de fluido de coca, 90 ml de ácido cítrico, 70 ml de água, 30 ml de cafeína, o mesmo de baunilha, 0,946 litros de sumo de lima, 40 ml de caramelo, para dar cor, sendo a quantidade de açúcar ilegível na receita.
Ou, como aqui se diz:

Extracto líquido de folha de coca: 11,07 mililitros (ml)
Ácido cítrico: 90 ml
Cafeína: 30ml
Açúcar: 30 (medida desconhecida)
Água: 9,46 l
Sumo de lima: 0,946 l
Baunilha: 28,35 gramas
Caramelo: 42,525 gramas (a quantidade pode ser maior para dar cor)

O sabor secreto 7X (usa-se 60mL do sabor 7X por 18,927L de xarope)

Álcool: 240 ml
Óleo de laranja: 20 gotas
Óleo de limão: 30 gotas
Óleo de noz-moscada: 10 gotas
Coentros: 5 gotas
Néroli (extracto de flor de um citrino "parente" da laranja): 10 gotas
Canela: 10 gotas

Repare-se que os segredos têm nomes esquisitos e aqui entra o factor 7X.

13 fevereiro 2011

Os dondocas querem uma rua


Há uma crise de valores que se manifesta, por exemplo, na ambição de um grupo de "amigos e admiradores de Carlos Castro". Querem que uma rua da capital tenha o nome de tal personagem. Argumentam que o fazem pelo seu passado profissional e por ter sido um homem que acrescentou alguma coisa de positivo na comunicação social, nomeadamente na crónica social.
A crónica social, está visto, não é apenas um negócio. Também reclama direitos de cidadania. Talvez se devesse mudar o nome de todas as ruas. E ter a Rotunda Lili Caneças. A Avenida José Castelo Branco. O Terreiro Carlos Castro. A Estrada Cinha Jardim. E por aí fora.
Era certamente uma capital mais verdadeira, mais espelho do agora alfacinha.

Portugal, um país a duas velocidades

Uma vez mais, repetimos o que já aqui foi dito várias vezes: Portugal tem um tecido empresarial débil. A maioria dos patrões é medíocre. Incapaz de gerar riqueza, embora capazes de aumentarem substancialmente as suas contas bancárias particulares.
Há uma cultura de oportunismo e compadrio muito enraizada, mas isso, por si só, não explica tudo.
Enquanto a população melhorou as suas qualificações, os empresários não foram ainda capazes de perceber certas dinâmicas. Em Portugal o grosso das pessoas continua presa a valores antigos: o dos nomes da família; o dos tiques de classe; o do baixo índice de formação cultural, que os impede de criar mais-valia e de apostar no design e na investigação.
O resultado é dramático: 190 mil com vínculos precários ou desempregados (no terceiro trimestre de 2010, do total de 609 mil desempregados, 68,5 mil tinham concluído um curso superior). Como se diz no Público de hoje «A precarização do trabalho não é um problema exclusivo dos que têm formação superior. É um problema dos jovens e dos que entraram no mundo do trabalho nos últimos anos. Mas os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) não deixam margem para dúvidas: é entre os que saem das universidades e dos institutos politécnicos que os contratos a termo ou os recibos verdes mais têm crescido - 129 por cento - em comparação com o crescimento de 5,8 por cento verificado entre os que não foram além do ensino básico ou secundário.»

Não podemos estar mais de acordo com isto: «"A qualificação dos nossos empresários é pior do que a dos operários. E com este tipo de empresários não criamos empregos para diplomados com ensino superior", acrescenta Alberto Amaral, da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior. "Aquelas apostas que andámos anos a fazer em tecidos de má qualidade, galos de Barcelos e esse tipo de coisas, isso morreu, na Europa não leva a lado nenhum. O que é preciso é mudar o que se produz, como se produz, o que se exporta", diz. E "esperar uma geração... e que os políticos não façam mais burrices".»

Mas não se caia no erro de pensar que por haver licenciados desempregados, não vale a pena ter um canudo. Vale. Os salários são mais altos (para os que conseguem emprego ou para os que emigram - e são já muitos os que optam por deixar o país, sobretudo mulheres) e a preparação para enfrentar desafios é, de longe, muito superior.

04 fevereiro 2011

Palavras de um expoliador comentadas por um humilde assalariado

Hoje, dia quatro de fevereiro do ano da graça de dois e mil e onze chorei muito ao ler o distinto colunista e ex-director do jornal Público, José Manuel Fernandes. Chorei, porque ele já teve 26 anos. E chorei porque ele anda aflito por causa dos filhos dele e dos netos dele. É que ele, oh pobre coitado, é notoriamente militante (se quotizado ou não, pouco importa) de um partido que está na oposição e não pode, portanto, arranjar o tachinho aos filhos e aos netos. E a gente compadece-se do futuro desses rebentos. E compadece-se mais ainda pelo mea culpa de José Manuel Fernandes, que, diz, «não vai ser assim porque nós estragámos tudo». Um peso tão grande não podia, claro, ser arcado solitariamente. Vai daí, JMF socorre-se do velho estratagema de olhar para trás e dispersar as culpas: «aqueles que são um bocadinho mais velhos do que eu, os verdadeiros herdeiros da "geração de 60", os que ocuparam o grosso dos lugares do poder nas últimas três décadas» são, afiança, os prováveis autores do hediondo crime: a falta de tachinho para os filhos.
Nada me comove mais. E desde já vos desafio a criarem uma conta solidária para socorrer tais necessitados, garantindo desde já o meu humilde contributo de 1 cêntimo, pois mais não posso. Eu que tenho a idade do senhor JMF e ganho os tais 500 euros que para ele são trocos e são o meu salário.
Do resto do artigo não vou falar, por pudor. É que não tenho casa própria, muito menos casa de férias e o meu salário sempre foi baixo. Ele lá sabe se deu um automóvel a cada membro da família e um telemóvel e tudo o mais. Cada um dá conforme as possibilidades. Eu, magnânimo, posso dar um cêntimo para os filhos e os netos. O que vale é o exemplo, não é?
Deixo-vos, para terminar, com uma frase curiosa desse artigo, que não comento, pelo muito respeito que me merece o senhor Fernandes: «Veja-se agora o país que deixamos aos mais novos. Se quiserem casa, têm de comprá-la (...)».

23 janeiro 2011

Zapping informativo em dia de presidenciais


Distorções. Ilusões. Camaleões

Hoje vota-se em Portugal para a presidência da República. Resolvemos por isso dar uma vista de olhos pelos jornais e ver o que há em destaque. Escolhemos estas notícias, reveladoras do agora. Um agora em que os editores procuram notícias que agradem aos seus leitores, como se fossem agentes publicitários; um agora em que os valores parecem irremediavelmente indissociáveis do parecer. Porque aparecer é o que importa.
Escolhemos jornais de referência e outros com formato mais tablóide. Nota diferença?
«Dantes, o sonho dos pais era que os filhos fossem doutores. Hoje querem que sejam famosos.» O que é a fama? Não se sabe bem, apenas: «É preciso estar numa festa, para se ser fotografado e aparecer numa revista. A seguir é-se contratado por uma agência de modelos e, por fim, chega-se à televisão. O sonho supremo já não é a moda, mas sim a televisão e, nesta, ser actor. Não por amor às artes performativas, mas para estar na televisão, que, por sua vez, não é um objectivo profissional, mas um veículo, um veículo para a fama.» «Uma pessoa que apareça nas festas está lançada. Não é preciso ter talento.» Depois, há sempre: «Dormir com alguém da bola. Jogador, ex-jogador, etc. Uma rapariga que diga numa revista que já foi para a cama com o Ronaldo tem as portas abertas.» Abertas para onde ou para quê? Para a fama, pois claro. Fama deve ler-se como sinónimo de ser convidado... e pago! para ir às festas.
Ler mais em Público.
Há outras maneiras de arranjar boas remunerações. A militância política continua a proporcionar sucesso. Não importa currículo ou mérito. Importa sim ter o cartão do PS ou do PSD. E ser assíduo. O resto vem por si. Se for filho de militante, o sucesso é facilitado (nos Açores há vários exemplos). Os jobs podem ser de deputado, de acessor em autarquias, governos civis, governos regionais, ou numa empresa pública. «os boys não só têm um apetite insaciável, como sempre tiveram jobs. Os períodos imediatamente antes e depois de todas as eleições legislativas entre 1980 e 2008 foram aqueles em que as empresas públicas mais trabalhadores contrataram.» Repare que «os contratados têm um ordenado em média 17% mais alto que nas privadas.»
«Os dados mostram que pouco importa qual o partido no governo. Os jobs são de todos os que chegam ao poder. O aumento do número de contratados é transversal a PS e PSD, que lideraram o país nos últimos 30 anos, com a ocasional participação do CDS.»
«O efeito não se nota só em cargos de topo, onde a amostra é mais reduzida. É nas posições médias que se regista mais este fenómeno.»
Ler mais no i.
Fama, dinheiro... ter um nome. Ora, aí está o exemplo de uma escolha feliz, com direito a notícia em vários jornais. Escolhemos a do DN: «A dupla nacionalidade de Yannick Djaló, natural da Guiné-Bissau, torna possível que a filha do jogador do Sporting e de Luciana Abreu, que nasceu no passado dia 13, no Hospital dos Lusíadas, em Lisboa, se possa chamar Lyonce Viiktórya. A criança foi já registada na Conservatória do Registo Civil do Barreiro, apurou o DN.» Que seria de nós sem tal informação?
Problemas graves os do mundo, quando «a discussão sobre a existência ou não de promiscuidade e de favores sexuais no mundo da moda e dos famosos» enche tanto papel. Há quem garanta que «a troco de favores os adolescentes vão a festas e são capazes de fazer tudo. Mas depois acaba e uma das partes fica indignada...» Mais no JN.
E no mundo dos não famosos, como é? Terrível, ao que parece, pois os casais «discutem em média 312 vezes por ano». Razões da discussão? Muitas. Um estudo resolveu elencar as mais comuns: «Elas queixam-se que os parceiros não trocam o papel higiénico quando termina nem baixam a tampa da retrete. Eles ficam nervosos quando as parceiras demoram para ficar prontas e queixam-se das tarefas domésticas.»
As anedotas são assim e têm direito a listas, como não podia deixar de ser. Podem ser consultadas no Sol.

15 janeiro 2011

Um herói dos nossos dias: Mamika


Humor, engenho, grande sentido da composição e da cor e, não menos importante, uma avó cheia de energia que já vai nos 92 anos dão Super Mamika, um herói dos nossos dias.


O neto, Sacha Goldberger, é fotógrafo e sabe os truques do métier. A avó, Frederika Goldberger, é uma mulher e pêras: escondeu outros judeus na Hungria durante a II Guerra Mundial, fundou uma empresa têxtil, fugiu aos comunistas e emigrou para França, amou quatro homens, com quem viveu. O resto, é algo que vai sendo corrente neste século: a net abre portas - a) e b).
E assim, a partir de França, a avó de Sacha tornou-se um fenómeno em todo o mundo.

Fonte: público

14 janeiro 2011

Ophiuchus chega cá


Não tendo andado a dormir bem. E não sabia o motivo. Agora já percebo. É o décimo terceiro signo denominado Serpente ou "Ophiuchus".
Parke Kundle, astrónomo norte-americano. é o autor da descoberta. É o meu salvador. Agora já posso continuar a minha rotina de saúde, amor e dinheiro. E já voltei a saber os meus números da sorte.
Diz Kundle que, devido à atracção gravitacional que a Lua exerce sobre a Terra, o alinhamento das estrelas foi alterado em cerca de um mês. Óbvio, não é? Se alteração da posição da Terra modifica a divisão astral que se traduz nos signos e a sua correspondência às constelações, eu já sei que não dormia bem por causa do meu horóscopo, que estava errado.
E parece que não sou o único. O pânico instalou-se nas redes sociais. Oh meu deus... e se o mundo acaba mesmo para o ano? Será que devo começar já a gastar a minha fortuna pessoal? Ou espero mais uns tempos? Compro um quintal em Marte ou uma cova na Lua?
Ó Fiucus... chega cá, filho... Que achas?

05 janeiro 2011

O YouTube continua a fazer milagres



Depois de casos que correram mundo, como o de Susan Boyle, eis agora o de um sem abrigo norte-americano que vê a sorte sorrir-lhe: Ted Williams pedia esmolas numa rua de Ohio, nos Estados Unidos, a troco de mostrar a sua magnífica voz de rádio. Um jornal local fez uma reportagem sobre este sem abrigo, o vídeo chegou ao YouTube e as visitas começaram a subir, a subir, a subir. As propostas de emprego já chegaram, juntamente com outras coisas. Ora ouça:

Eclipse numa bela imagem



E os pássaros continuam a cair do céu



Dois dias depois de cerca de 3 mil melros e estorninhos terem caído mortos no estado norte-americano do Arkansas, surgem agora notícias de meio milhar de aves caídas nas estradas do estado vizinho do Louisiana (a cerca de 500 quilómetros de distância do primeiro fenómeno de morte súbita). Os animais encontrados mortos - tordos-sargentos ou pássaros-pretos-da-asa-vermelha (Agelaius phoeniceus), o estorninho-comum (Sturnus vulgaris), o corvo Quiscalus quiscula e o Molothrus ater - são espécies abundantes que se reúnem em bandos de milhares de aves para passarem a noite durante os meses de Inverno.
Em Gotemburgo (Suécia), ocorreu um caso semelhante, com a morte de cerca de uma centena de gralhas-de-nuca-cinzenta (Corvus monedula).
Para já continua sem se saber a causa ou as causas do sucedido, havendo apenas especulações: efeito de fogos de artifício ou colisões contra cabos de alta tensão, factores meteorológicos, intoxicações e contaminações. O que se sabe é que as mortes abruptas de grandes bandos de pássaros não são invulgares. Segundo dados oficiais do Serviço Nacional de Geologia norte-americano, citados pela agência Associated Press, só nos EUA houve 90 casos semelhantes no segundo semestre de 2010, cinco dos quais envolveram pelo menos mil aves.

Fonte

04 janeiro 2011

Three Studies for a Portrait of Lucian Freud




Um retrato de Lucian Freud, da autoria de Francis Bacon (1909-1992), que não era exibido há 45 anos, vai ser leiloado pela Sotheby"s de Londres, em Fevereiro.
O tríptico (intitulado Three Studies for a Portrait of Lucian Freud) mede 30 cm de altura por 35 cm de comprimento e estima-se que venha a ser vendido por um valor entre oito e 10,5 milhões de euros.

Fontes: 1, 2

Tordos-sargento



Os habitantes da pequena cidade de Beebe, no Estado do Arkansas, foram surpreendidos no primeiro dia do ano por uma chuva de pássaros mortos. Segundo a comissão de caça e pesca daquele Estado do sul dos Estados Unidos, citada pela agência France-Presse, a misteriosa chuva de pássaros começou na noite de fim do ano e os serviços municipais contabilizaram mais de um milhar de carcaças cobrindo as ruas de Beebe. E mais de cem mil peixes apareceram mortos no Rio Arkansas, perto de Ozark.
A maioria dos pássaros são tordos-sargento ou pássaros-pretos-da-asa-vermelha. As autoridades ainda não conseguiram determinar a causa desta vaga de mortes. as especulações são muitas e, como não podia deixar de ser, há quem encontre sinais de que o fim do mundo está perto.

Fonte

A aldrabice das PowerBalance


A febre das pulseiras - que são vendidas sob a promessa de darem mais resistência, flexibilidade e harmonia a quem a usa - foi mais uma ideia vencedora do marketing desenfreado. As associações de defesa do consumidor de vários países já haviam denunciado o engano.
Agora, segundo revela o JN, é a própria empresa que admite a vigarice: vendidas como capazes de restabelecer o equilíbrio do corpo e da mente, afinal... não funcionam.
Mas isso que importa se há abéculas como Cristiano Ronaldo, David Beckham, Roberto de Niro, Leonardo di Caprio, Rubens Barrichello, entre outros, que as ostentam?

Litocampa mendesi


Litocampa mendesi é o nome dado à espécie do insecto com cerca de três milímetros, que não tem olhos nem asas e que vive nas grutas do Algarve, a 30 metros de profundidade.. Foi descoberto pela bióloga e espeleóloga Sofia Reboleira.
Existe há milhões de anos numa gruta algarvia e será mais primitivo do que os insectos que hoje conhecemos.
A investigadora, que estuda a fauna cavernícola do país, diz que este insecto desenvolveu, ao longo de milhões de anos, impressionantes estratégias de poupança energética para conseguir sobreviver na escuridão das grutas, como a ausência de olhos e asas e a grande resistência ao jejum.

Fonte.

12 dezembro 2010

Miguel Ângelo Buonarroti e a inspiração colhida nos bordéis




Os beatos e condenados representados nos frescos da Capela Sistina são retratos obscenos, segundo Elena Lazzarini. Diz ela que Miguel Ângelo, como outros artistas da época, frequentava os «stufe», espécie de banhos turcos semelhantes a bordéis. Foi nesses banhos públicos da capital italiana que o escultor se inspirou para decorar uma das jóias do Vaticano.
Sexo e religião sempre andaram ligados, nem sempre por bons motivos. A Capela Sistina parece ser um bom exemplo.

Assange e Obama

O objectivo do jogo é tentar sacar do portátil de Obama os ficheiros, quando este adormece. O problema é que o presidente tem o sono muito leve. Ora tenta lá.


Via Toca dos Jogos

12 novembro 2010

Henryk Górecki (1933-2010)


Henryk Górecki, compositor polaco, morreu hoje em Katowice. É comparado a compositores como Olivier Messiaen ou Arvo Pärt, pela estrutura musical, pelo temperamento romântico e pelos temas religiosos.
A sua música, inicialmente marcada pelo serialismo e pelo modernismo de Webern, Xenakis e Boulez, revela-se numa Sinfonia nº1, de 1959, recebida com entusiasmo na Polónia. A Sinfonia nº2 surgiria 13 anos depois, para celebrar o 500º aniversário do nascimento de Copérnico. O vanguardismo inicial dá lugar a um lirismo mais acentuado e a um investimento melódico mais tradicional.
Católico devoto, procuraria a partir dali incutir na sua música um sentido espiritual profundo, que atingirá o auge na sua obra mais conhecida, a Sinfonia nº3, construída sobre um lamento do século XV, as palavras que uma adolescente escreveu nas paredes de uma prisão polaca da Gestapo e uma história do folclore da Silésia, em que uma mãe chora o filho perdido na guerra. Conhecida como "Sinfonia das Canções Tristes", tornaria Górecky um caso raro de sucesso, com os mais de um milhão de discos vendidos em 1992.
Na sequência desse êxito, o polaco colaborou com o Kronos Quartet e a Orquestra Sinfónica de Londres.


10 novembro 2010

A diferença entre um vaso e uma tela



O vaso tem sete séculos de vida. A tela tem alguns anos. O vaso remonta à Dinastia Yuan (século XIV) e é raro. A tela é de 1962, tem o título de "Large Coca-Cola”, realizada por Andy Warhol a preto-e-branco.
Ambas as peças foram vendidas em leilão, pela mesma empresa de leilões. O vaso pela Sotheby’s de Londres. A tela pela Sotheby’s de Nova Iorque. A primeira por 3 milhões de euros. A segunda por 25 milhões de euros.
Ou seja: a história tem valor reduzido no mercado de bens culturais de agora. O presente valoriza a especulação e Andy Warhol é o senhor money por excelência.

22 outubro 2010

Louise Rosskam

Gregory Colbert

O jornalismo em Portugal

Uma coisas é vê-los recostados a arrotar bitaites nas colunas semanais. Outra, bem distinta, é vê-los sem make-up. A realidade é suja:

«O director do jornal Sol, José António Saraiva, "lavou as mãos" das notícias sobre o processo "Face Oculta" publicadas por aquele semanário, colocando, na prática, toda a responsabilidade nas jornalistas Ana Paula Azevedo e Felícia Cabrita. A posição do director do Sol foi assumida no processo movido por Rui Pedro Soares, ex-administrador da PT, contra o jornal, os jornalistas e os responsáveis editoriais.» [Fonte: DN]

20 outubro 2010

Há ladrões... e ricos

Quem compra medicamentos? Toda a gente.
Quem paga impostos? Toda a gente? Sim, mas uns pagam, outros fazem de conta. Veja-se quanto paga a indústria farmacêutica em Portugal: 0,16 %. Sim, 0,16 %. Ou seja, quem mais ganha menos paga. Abençoado governo que estimula a indústria. E como essa indústria contribui para a riqueza do país: pagando 0,16% dos seus lucros.
No geral, os 195 laboratórios farmacêuticos tiveram um volume de negócios que ultrapassou os 5 300 000 000 de euros entre 2005 e 2007. Mas pagaram de IRC menos de 9 milhões de euros.
Isto é que é a maneira de fazer negócios à portuguesa. Ganhar muito e depressa.
Que faz o governo? Titubeia, assobia para o lado, teme.

Fonte: 1

19 outubro 2010

Prioridades

Os salários são desnecessários, logo: cortam-se.
As pensões desnecessárias são, por isso: reduzem-se.
Os apoios são excrescências, pelo que vão à vida.
Mas pareceres, estudos e consultadoria são despesas absolutamente essenciais, por isso mantêm-se.
Seminários, publicidade e exposições são absolutamente imprescindíveis. E aumentam-se os gastos com esses itens.
Este Estado é abençoado. Abençoado pela incúria, distracção e ignorância de uma população que nem sequer sabe quanto trabalha para os bancos.
Governar assim é fácil, pois é.
De resto, em tempos de crise as medalhas são o sal da vida, por isso, o governo achou por bem aumentar a verba destinada a artigos honoríficos e de decoração.
Eu adoro este país. É o país onde o humor sempre faz parte da governação e da economia.

Fontes: a), b), c), d)

16 outubro 2010

Os exemplos vêm sempre de cima

Este governo é particularmente irritante pelos contínuos tiques de autoritarismo de que dá mostras. Sócrates, com maioria absoluta, revelou-se medíocre e, como qualquer medíocre, mostrou os dentes e deu um show de ditadurazinha à maneira salazarista. Com maioria relativa tentou fazer passar a mensagem de que estava tudo bem. Na hora da verdade, o seu ministro principal, chegou tarde e sem trazer tudo o que a lei o obrigava. MAIS EXEMPLOS PARA QUÊ?
Este governo é incompetente para resolver os problemas do país. Sócrates é um péssimo primeiro-ministro. De resto, o Orçamento do Estado "mais difícil" e "importante dos últimos 25 anos" - segundo palavras do tal ministro que se atrasa e não cumpre a lei, de seu nome Teixeira dos Santos - vai entrar sobretudo nos bolsos dos funcionários públicos e da classe média. Mais IRS e IVA, salários mais magros, pensões sem aumento e menos apoios sociais. O resto, é residual. Porque os cortes nas restantes despesas são pouco significativos. Mas, segundo essa sumidade que é TS, "O país precisa de um orçamento e este é o OE que o país precisa".
Que pensa o povo disso? Este povo que continua semi-analfabeto e que ainda não se habituou a viver em democracia? Uma parte significativa diz ámen a tudo. Segundo uma sondagem do Expresso, «a poupança é, para a maioria dos portugueses ouvidos no Barómetro do mês de Agosto, a melhor resposta à crise. 75,3% dos inquiridos vão procurar poupar mais e apenas 6,1% ponderam emigrar.
Apesar da crise e do pacote de medidas anunciado os inquiridos dividem-se quanto à greve geral. Questionados sobre se concordam com a convocação da greve a maioria 47% responde afirmativamente, mas 46,2% dizem que não. Semelhante divisão ocorre quando questionados sobre as alternativas do governo face à eventual reprovação do OE.»
Como por aí se diz, pelo quarto ano consecutivo, assistiu-se a uma rábula na entrega de um documento fundamental: depois do défice errado, da pen drive vazia, da conferência de imprensa a cinco minutos da meia-noite, a sucessão de atrasos que culminou com a falha deste ano o Governo mostra-nos que não trabalhou com tempo os números determinantes e decisivos, voltou a deixar para o fim questões que quer que todos considerem essenciais, e não soube, ou não estava preparado, para as dificuldades que todos anteviam.
O que se continua a dizer através dos actos aos portugueses é tão simples como isto: quem pode abusa, o resto é fazer de conta que se muda para tudo continuar na mesma.

14 outubro 2010

Números, tantos números

A CP teve, em 2009, prejuízos 231 milhões de euros (CP e CP Carga). A 12 de Junho do ano passado, por decreto-lei governamental, passou de Empresa Pública (EP) para Entidade Pública Empresarial (EPE). Um mês depois (13 de Julho), por despacho dos secretários de Estado do Tesouro e Finanças e dos Transportes, foram alterados os vencimentos dos seus gestores. O presidente que ganhava 4.725 euros passou a ganhar 7.225 euros (mais 52 por cento) e os vogais passaram de 4.204,18 euros para 6.791 euros (quase 60 por cento).
A CARRIS que em 2009 teve cerca de 41 milhões de euros de prejuízo, viu, por decisão governamental, os ordenados dos seus gestores igualmente aumentados de forma significativa em Março de 2009. O presidente ganhava 4.204 euros e passou a auferir de um ordenado mensal 6.923 euros (mais 65 por cento). Já os vogais passaram de 3.656 para 6.028 (mais 65 por cento).
Ou seja: o pagode aperta o cinto. O Estado esbanja com uma meia dúzia. Sempre com o aval do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, o tal que dorme mal por causa das medidas que tem de tomar. Ele há cada uma... só mesmo num país dado à crendice!

Contra a obesidade estatal

O Estado existe para servir a população ou para garantir jobs for boys?
Quantos custam os boys ao erário público? Há dinheiro para lhes pagar, quando o número de pobres é já um quarto da população do país?
Diz quem sabe que se cortarmos em 10% a despesa dalguns institutos públicos, seria possível obter poupanças na ordem dos 500 milhões de euros. E se, tal como foi feito recentemente em Espanha, realizássemos fusões, extinções ou reduções mais drásticas nalguns destes institutos, não seria difícil obter economias acima dos 1000 milhões de euros.
Porque não se faz isso? Há dinheiro para esbanjar? Há prazer em ver crescer a pobreza?

13 outubro 2010

A produtividade dos nobres empresários tugas

As diferenças:

Em 1994, só um terço das 200 mil sociedades pagava IRC.
Em 2007, apenas 36 por cento das 379 mil empresas declararam actividade para pagar IRC.

Entre 1989 e 1996, foram 35 mil milhões de euros de prejuízos fiscais (78 por cento do lucro tributável).
De 1997 a 2002, mais 52,9 mil milhões (56 por cento do lucro tributável).
De 2003 a 2007 foram 44 mil milhões (37 por cento do lucro tributável).

E QUEM PAGA SEMPRE TUDO:

Em 1996, os rendimentos dos assalariados e pensionistas pagavam 86 por cento da receita do IRS.
Os independentes, os agrícolas, industriais, comerciantes, donos de prédios, de capitais e mais-valias pagavam os restantes 14 por cento.
Em 2008, a concentração agravou-se: os assalariados e pensionistas já pagam 92 por cento de todo o IRS.

Em resumo, como diz o título da notícia: «Quinze anos de combate a sério à evasão fiscal tornariam PEC "evitável"»

O doce mundo do lucro

Na era de Berlusconi

01 outubro 2010

Números são números

Diz António Vilarigues no Público de hoje:

"(...) os que defendem os cortes salariais, todos sem excepção, recebem mensalmente vencimentos equivalentes a 20, 30, 40, 50, 100 e mesmo mais salários mínimos nacionais. Na sua maioria, estão no patamar dos que ganham, em média, mais de 1666 euros por dia. Ou que nas conferências onde debitam as suas "soluções milagrosas" auferem, numa única HORA, o que um trabalhador com o salário mínimo nacional não obtém ao longo de 1 ANO!!! Curiosamente também, quase todos eles assumem (ou assumiram) responsabilidades governativas ou de direcção do "sistema". O que não os impede de se comportarem como virgens vestais."

(...) por que não se tributam a banca e os grandes grupos económicos com a taxa efectiva de IRC de 25% (o que renderia 500 milhões de euros, mínimo)? Ou as transacções em Bolsa (mínimo de 135 milhões de euros)? Ou as transferências financeiras para os offshores (cerca de 2200 milhões de euros, base 2009)? E por que não se tributam os que apostam na economia paralela e clandestina, que significará hoje cerca de 20% a 25% do PIB real? O que se traduziria na recolha, em impostos, de valores da ordem dos 16 mil milhões de euros/ano. Valor que, sublinhe-se, é várias vezes superior aos fundos comunitários."

"Reduzir os salários e as pensões é a solução, proclamam. Mas foram os salários e as pensões que provocaram a crise? Em 1975, a parte que as remunerações, sem incluir as contribuições sociais, representavam do PIB era de 59%. Em 2009, de menos de 34% do PIB!"

23 setembro 2010

Legislar em benefício próprio

Como é fácil sacudir a água do capote quando em causa estão princípios. Princípios republicanos, como o da equidade, da justiça, da racionalidade. Princípios até de governabilidade.
A secretária regional não deveria ter mudado a lei sabendo que o seu filho iria beneficiar de bolsa. Ao fazê-lo, por mais o governo regional queira atirar areia para os olhos dos açorianos, incorreu em falta grave. Tão grave que, se fôssemos uma democracia a sério, teria de ser demitida imediatamente. Mas, pelos vistos, o que a senhora fez, fê-lo com o conhecimento de César. O que é mais grave ainda. Pois, nesse caso, o próprio César deveria ser demitido.
Como não somos uma democracia a sério, descartam-se responsabilidades e passa-se a mensagem de que vale tudo quando se está no poder. A diferença entre César e João Jardim é, de facto, nenhuma. O mesmo desrespeito pela equidade, pela justiça, pela racionalidade.
O governo pode decidir apoiar o curso X, Y ou Z com avultadas verbas. Pode, fê-lo, fá-lo e continuará a fazê-lo. Já por várias vezes deu tiros nos pés, queimando dinheiros públicos com benesses e prebendas cujos proveitos para a região foram nulos. Mas quem está subsidiodependente olha apenas para a barriga. Mais tarde ou mais cedo há-de chegar a factura, mas por enquanto folgam as costas e tudo parece fácil. Seja. Não se pode pedir ao povo que faça diferente quando os exemplos que colhe de cima são como este aumento dos montantes da bolsa para o filho da senhora secretária.
Alunos há que passam dificuldades porque as bolsas a que têm direito são ínfimas. A senhora secretária aufere um vencimento acima da média nacional. Não se percebe porque alguém com rendimentos líquidos ou brutos elevados tenha direito a bolsas, quando outros sem tais posses se vêem impedidos de beneficiar de bolsas. E não venham dizer que se trata de um curso específico. Porque se o curso de piloto é caro, os salários auferidos pelos que o possuem são elevados. E há o recurso a empréstimos facilmente cumpridos por quem ganha bem. Já no caso de quem tem dificuldades isso é quase uma miragem. Ou seja, no estado em que estão as coisas, não se põe em prática o princípio da equidade. Não. Beneficia-se quem já tem posses em detrimento dos que as não têm.
Estar muito tempo no poder permite estas e outras injustiças. César e o PS estão há tempo demais no governo e dão-se ao luxo de usar o dinheiro dos contribuintes como muito bem lhes apraz, certamente por saberem que as bolsas são migalhas quando comparadas com o que se gasta em empreitadas.
A gestão da coisa pública é sempre feita em benefício de poucos, a troco do suor e do esforço das maiorias.


18 setembro 2010

Assim se destrói a democracia

1) A lei é dura, mas é a lei.
2) Quem faz as leis?
3) Com que intuitos?

De vez em quando somos confrontados com notícias que apenas nos merecem um comentário: nojo!
E gostaríamos de deixar claro que não nos move a ingenuidade de pensar que governantes e/ou legisladores são inocentes no que quer que seja. Mas há limites. Limites impostos pelo bom senso e pelo equilíbrio de poderes. Ora tudo isso parece estar a ser posto em xeque. Apenas para o bem-estar de uma família.
O antigo regime acabou há muito. A ditadura idem. Mas parece haver quem entenda que no meio do Atlântico norte tudo é possível.
Vejamos as personagens envolvidas:
Ana Paula Marques, secretária regional do Trabalho dos Açores; Miguel Marques Malaquias, filho dessa secretária regional; o governo regional dos Açores.
Factos:
Nos Açores, as bolsas de estudo são financiadas com um subsídio equivalente a 65% da remuneração mínima mensal no arquipélago.
A secretária regional decidiu majorar o curso do filho (de Piloto de Linha Aérea) com um subsídio equivalente a 150% da remuneração mínima mensal.
Essa área de formação só passou a fazer parte do regulamento de concessão de bolsas de estudo a partir de Outubro do ano passado, através de uma portaria (n.o 80/2009, de 6 de Outubro de 2009) modificada e assinada pela própria secretária regional, Ana Paula Marques.
Dez meses passados, por despacho de 16 de Agosto, é atribuído a Miguel Marques Malaquias, filho da secretária regional do Trabalho e autora da mudança da portaria, uma bolsa de estudo que se destina a financiar a frequência do curso de Piloto de Linha Aérea, ministrado na Academia Aeronáutica de Évora.
A bolsa de estudo no Continente, no valor de 9500 euros, é acrescida de despesas inerentes à viagem de ida e volta de avião entre Lisboa e o arquipélago.
Como reage o governo quando inquirido sobre estas mordomias?
"Os apoios para os cursos de piloto de aviação civil eram atribuídos através de outros programas: numa primeira fase, até 2007, através do PODESA e, a partir dessa altura e até 2009, por Portaria do Governo." A secretária, Ana Paula Marques, decidiu optar "por integrar esses apoios no regulamento das bolsas de estudo, apenas para tornar a atribuição do subsídio mais transparente", lê-se na nota do gabinete do Governo Regional do Açores, liderado por Carlos César.
Recordemo-nos que há meses outra notícia mostrava como a mulher de Carlos César gastara avultada quantia aos cofres da Região para ir passear ao Canadá.
A isto chamam eles socialismo. Há quem mal tenha dinheiro para comida e medicamentos. Mas, em tempos de crise os membros do governo regional continuam a gastar à tripa forra.

Fonte: i

06 setembro 2010

Tiago Tejo e o o pixelejo




Pixel mais azulejo é igual a pixelejo. Diz o i que Do tédio de estar em casa sem fazer nada - na altura ainda não frequentava o curso de História de Arte, em Lisboa - nasceu o pixelejo, a nova forma de arte urbana "apreciada por miúdos e velhos".
Faz os pixelejos e depois cola-os pela cidade de Lisboa. É um artista cheio de preocupações ambientais: "Há prédios velhos em que falha o padrão de azulejo e muitas vezes ponho um diferente, só para chocar mais", conta. "Vale tudo desde que não estrague nada."

Mais aqui.

Uma das estrelas da guerra do Iraque,


responsável, cúmplice e altamente empenhado em que acontecesse, de seu nome Tony, Tony Blair, foi há dias alvo de um ataque com sapatos e ovos quando chegava a uma livraria em Dublin, Irlanda, para uma sessão de autógrafos da sua autobiografia. Os manifestantes em raiva queriam deixar claro que não esquecem o envolvimento do ex-primeiro-ministro britânico, chamaram-lhe “criminoso de guerra” e recordaram-lhe que tem “sangue nas mãos”.
Como devem calcular, mau grado o incómodo que a coisa momentaneamente provoca, Blair deve estar satisfeito com a publicidade dada à sua autobiografia A Journey. Pois não é suposto figuras assim terem pruridos de consciência (que há muito foi vendida ao diabo).

Banksy em filme

Exit throught the gift shop é o título do filme sobre arte urbana ou sobre Banksy. Estreia no dia 8 de Outubro em Espanha. Deve chegar a Portugal. Quando? Ainda é uma incógnita.
Pode ver-se aqui um excerto ou visitar http://www.avalonproductions.es/exit/ e descarregar de lá os tais 5 minutos de filme (uma amostra, claro).



Mais também aqui.

30 agosto 2010

Allons enfants de la Patrie le jour de gloire est arrivé

A França continua a dar-nos lições importantes: se roubas milhões, és convidado para o Eliseu. Se mendigas, és expulso do país.
Sarkozy é um amigo.
Mas, que diabo, os pobres cheiram mal, vestem mal, não têm o charme de Mr. le Président.
A emigração é uma chatice. Sobretudo a emigração dos pobres. Já a deslocalização faz parte do... mercado global.
Vive la France!

Quoi! des cohortes étrangères
Feraient la loi dans nos foyers!
Quoi! ces phalanges mercenaires
Terrasseraient nos fiers guerriers
Grand Dieu! par des mains enchaînées
Nos fronts sous le joug se ploieraient!
De viIs despotes deviendraient
Les maîtres de nos destinées!



Ó pra eles muito certos do seu métier. Como se um doce pensamento os inebriasse: "Ide roubar prà vossa terra, pá."

29 agosto 2010

Razões sociológicas para a baixa produtividade portuguesa


[Big Brother] Foi dos programas que mais pessoas das classes A e B atraíram. - José Eduardo Moniz ao i.

Há dias assim 2




Em férias tivemos muitos curiosos de fora. Há dias assim.

Há dias assim 1




Filha, mãe, avó e puta


Gabriela Leite é uma mulher de armas. Podia ter sido socióloga, mas preferiu ser puta. Tinha 22 anos. Agora, quase sexagenária, é candidata ao parlamento brasileiro. Qualquer semelhança com Ilona Staller (Cicciolina) é defeito de visão. No início da década de 90, fundou a Rede Brasileira de Prostitutas e criou a organização não governamental "Davida" para lutar pelos direitos das prostitutas. Em 2005, idealizou a grife "Daspu" para garantir receitas às prostitutas (vendem roupas confeccionadas pelas próprias). O nome é uma provocação à "Daslu", a maior loja de artigos de luxo do Brasil. No ano passado lançou o livro que dá título a este post. Autobiografia de uma mãe solteira que desiste de um vida "normal" para viver a boémia, como ela lhe chama. E aos poucos começou a abrir a boca e a tornar-se incómoda.


"Viver é um risco, você sai na rua e já está se arriscando. Tem um pouco mais de risco do que outras profissões devido à escuridão e à marginalidade, por ser uma coisa escondida debaixo do tapete. Então, onde se proíbe algo, cria-se a máfia. Aí você tem a terra de ninguém, questão muito séria na prostituição. Principalmente na baixa prostituição. Os riscos são maiores. Mas a gente luta para mudar isso. Estou há quase 30 anos militando para mudar toda essa história."

Para ler mais, aqui, aqui e aqui.

Pais empresários



A paternidade já não é o que era. Dantes ameaçavam, berravam, passavam-se. Agora, partem para o negócio. E tornam-se notícia.
Depois de haver notícia, há quem se apresse a destapar pontos de vista. Mesmo que sejam pontos de vista centrados, que desfocam, que aumentam o tanto cinzento do agora.
A notícia vem das bandas do Texas, como não podia deixar de ser (ou não fora o território dos Bush): uma menina deu uma festa em casa, depois das 23h. Os pais estavam em casa, a dormir. Acordaram pelas 2h30 sobressaltados com o barulho... Pais com o sono pesado, não? E como a filha não tinha cumprido o recolher obrigatório, toca de publicar um anúncio a oferecer trabalho infantil gratuito: 30 horas de "babysitting" a quem quisesse. O anúncio, de um quarto de página, pago pelo pai da menina, foi colocado no jornal local "Southlake Journal", no Estado do Texas. E tem estado a correr mundo.
Ora toma, que é para aprenderes.
Assim se fazem Bushes com muita facilidade. Será que se importam se traduzir Bush por Chouriça?
Que lindo sorriso, hein?

Fonte: Expresso


Do regresso

O caracol arrasta-se. Deixa um rasto de baba. Sinal do tempo.

Às vezes é preciso adormecer para acordar. Às vezes acorda-se e está tudo na mesma. Seja como for, é sempre de um problema de visão que se trata. O entendimento não é igual para todos. E não ver é apenas um dos lados da moeda.

19 julho 2010

Arquitectura e BD: um diálogo em Paris

Sendo a BD por definição uma manifestação artística urbana, a cidade é o território natural dos criadores. Umas vezes com características futuristas, noutras mais virados para o retro, a BD proporciona uma viagem fascinante pelas possibilidades da arquitectura.
Isso mesmo se pode ver em Paris na exposição Archi & BD: La Ville Déssinée: 150 autores, mais de 300 obras que vão de 1900 até aos dias de hoje.
Há exemplos para todos os gostos: a cidade reinventada, de António Jorge Gonçalves; divisões e cortes, de Bertall; estruturas e construção, de Chris Ware; interior versus exterior, de Joost Swarte; personagem viva, de Winsor McCay; locais e ruas, de Daniel Clowes; épocas, de Eddie Campbell.
As cidades imaginárias, fantásticas ou artificias, todas elas mais símbolo do que cenário: Neo Tóquio, Gotham, Radiant City, Urbicand, Mega City One, etc.
Além da presença da BD na obra de arquitectos como Sant’Elia, Jean Balladur e gabinetes, BIG, Coop Himmelblau e Herzog & De Meuron.



Découvrez "Archi et BD - La ville dessinée", à découvrir à la Cité de l'Architecture et du Patrimoine sur Culturebox !

Fonte: El País

13 julho 2010

Harvey Pekar (1939-2010)



Filho de imigrantes polacos, nasceu a dia 8 de Outubro de 1939 e morreu ontem, em Cleveland, Ohio. Pekar tornou-se bastante popular quando a sua série de BD, publicada inicialmente em 1976, foi adaptada para o cinema em 2003, com Paul Giamatti no papel do autor. Filme que conquistou o Grande Prémio do Júri de drama no Festival de Sundance.
"American Splendor" é um retrato de Harvey Pekar, que revela o seu pessimismo crónico e cómico, a relação que tinha com os amigos, com a mulher e a sua rotina como arquivista de hospital e coleccionador de discos de vinil.
Pekar era o argumentista. Os desenhos corriam pelas mãos de amigos, como Robert Crumb.
O artista tinha, além de problemas de cancro da próstata e hipertensão, graves crises de depressão. Foi encontrado morto pela mulher.