15 junho 2010

Auschwitz Birkenau





[Fotos daqui]

A 14 de Junho de 1940 chegavam 728 prisioneiros políticos à antiga caserna da cidade de Oswiecim, baptizada como Auschwitz pelos nazis. Era o início de um pesadelo que viria a ser designado como holocausto.
A ideia de usar o lugar para campo de concentração nascera em finais de Abril na cabeça do chefe das SS, Heirich Himmler, com a finalidade de receber resistentes polacos.
Alargado o campo, viria a ser cenário, em Setembro de 1941, ainda antes do lançamento da Solução Final, do primeiro assassinato em massa, com gás Zyklon B, de cerca de 600 prisioneiros soviéticos e 250 polacos.
Até à Primavera de 1942, Auschwitz foi essencialmente ocupado por polacos não judeus. Nessa altura, começaram as chegadas de judeus de toda a Europa, num afluxo que obrigaria à criação de Auschwitz-II, ou Birkenau.

Em Auschwitz-Birkenau morreram, segundo os dados do museu do campo, um milhão de judeus, 70 mil a 75 mil polacos não judeus, 21 mil ciganos, 15 mil prisioneiros de guerra soviéticos e dez mil a 15 mil outros prisioneiros, entre os quais resistentes. E nem sequer se pode dizer que ninguém sabia: desde Novembro de 1940, escassos cinco meses após a sua abertura, e ao longo de dois anos e meio, Witold Pilecki, capitão polaco e resistente à ocupação, que viria a participar no levantamento de Varsóvia e seria executado pelo regime comunista do pós-guerra, enviou para o exterior informações, que terão chegado desde Março de 1941 aos britânicos.
Pilecki, que se fizera prender para preparar uma insurreição, recolheu informações com dados sobre extermínio de judeus, câmaras de gás e construção de fornos crematórios. Evadiu-se em Abril de 1943, mas não conseguiu convencer os aliados sobre o Holocausto que ali decorria.

13 junho 2010

Quem edita Eugénio de Andrade?


A editora Quasi faliu. A coisa afectou muita gente, por exemplo a Fundação Eugénio de Andrade, a quem ficou dever muito dinheiro.
Ler mais aqui.

Ciclonudistas


Milhares de pessoas saíram nuas e de bicicleta para as ruas de várias cidades em todo o mundo. Objectivo: promover o uso desse meio de transporte, em detrimento dos automóveis.

Fonte: ABC

Em baixo imagens do ano passado e deste ano.




The 1st Philly Naked Bike Ride from IanK on Vimeo.

12 junho 2010

Um funeral à chuva

Um grupo de antigos colegas de universidade reúne-se na Covilhã, 10 anos depois, para o funeral de um colega, recordando os tempos que passaram juntos. Faz lembrar "Os amigos de Alex", mas é bem português, nas vidas e nas histórias que vai cruzando. Passam em revista as peripécias da vida de estudante (praxes, bebedeiras e mais umas coisas) e fazem algumas revelações sobre a vida íntima. As personagens são estereótipos: o professor certinho ex-folião, o cronista de viagens sempre agarrado à máquina fotográfica, o gay, a apresentadora de TV actriz frustrada, etc. Uma longa-metragem produzida e realizada fora dos centros de decisão, sem dinheiros públicos, com o apoio de empresas e pessoas. "Um funeral à chuva".

10 junho 2010

Renzo Piano, arquitecto



Estou convencido de que um bom edifício é como um fertilizante para a cidade: melhora-a. E um museu parte dessa premissa que a mim me custou a aprender: que a arte torna as pessoas melhores.

Um lugar pensado para as pessoas torna-as melhores. Isso obriga-nos a que, nós os arquitectos, nos desdobremos. Devemos ser construtores, sociólogos e poetas.

Excertos de uma entrevista publicada aqui.

Enrique García-Máiquez

Presentación

No me conoces. No conoces
mi habilidad inevitable
para meter la pata a voces
- a coces - hable lo que hable.

De mí discrepo si me escucho
mas no me oigo y me reitero.
Yo necesito pensar mucho
para llegar a ser sincero

y natural, bajar el tono
para alcanzar el tino, alzarme
la vanidad a sencillez

para estar a mi altura. Yo no
me sé decir sino al callarme...,
o al escribir, alguna vez.

[ Haz de luz, Premio «Villa de Cox», 1997, pág. 32]


Autobiografía

No he estado nunca solo. Siempre estuve
rodeado de amor. Tranquilamente
me dejaba querer: quiso la gente,
no sé por qué, tenerme en una nube
muy blanda de cariño. Yo flotaba
de mi madre a un amigo, de mi hermano
al recuerdo de un verso, del verano
a aquel silencio en el que Dios me hablaba.
Pero quise estar solo y ser más hondo.
Crispé los puños, apreté la boca,
y huí de los demás como una roca
que se suelta en un pozo. Y vi, en el fondo,
lo que busqué: a mí mismo, esta mirada
girando en espiral hacia la nada.

[Casa propia, Renacimiento, 2004, pág. 34]

09 junho 2010

Libro del Arcipreste ou Libro de buen amor



O Libro de buen amor é um livro de imaginárias confissões eróticas, redigidas por um tal Juan Ruiz, arcipreste de Hita (localidade a nordeste de Madrid) à volta de 1330-40. Narra as andanças de um clérigo que se divide entre seguir o bom amor (o amor a Deus) ou o amor louco (o amor carnal). Se por um lado é pastor de almas, por outro é homem e a sua natureza pede-lhe que encontre uma fêmea prazenteira. Como é clérigo, precisa da ajuda de alcoviteiras, mormente com a astuta Trotaconventos, com quem estabelece proveitosa sociedade.
Mil e duzentas páginas, com 1720 estrofes, escritas em castelhano arcaico, que configuram um misto de sátira clerical, paródia literária, tratado didáctico-religioso e manual amatório. Tudo com muito sentido de humor, tendo por base a obsessão do protagonista em encontrar "fêmea prazenteira". Recentemente editado pela Akal, numa edição crítica, enriquecida com notas e comentários.

Fonte: El País

08 junho 2010

António Manuel Couto Viana (1923-2010)


[imagem daqui]

Morreu hoje em Lisboa. Aqui ficam alguns poemas seus.


O poeta e o mundo

Podem pedir-me, em vão,
Poemas sociais,
Amor de irmão p'ra irmão
E outras coisas mais:

Falo de mim - só falo
Daquilo que conheço.
O resto... calo
E esqueço.

[in Uma vez uma voz, Verbo, 1985, pág. 44]

A poesia está comigo

Queres cantar fados, ler sinas
Por ruas tortas, escusas?
Ou tens pretensões mais finas?
- Não me esperem nas esquinas:
Não marco encontros a musas.

Cantem outros a desgraça
Em quadras fáceis, banais,
Cheias de mofo e de traça:
Soluços de fim de raça,
Com vinho, amor, ódios, ais.

E dos parques silenciosos
De estátuas, buxo e luar,
Cresçam sonetos cheirosos,
Requintados, vaporosos
Qual uma renda de altar.

Para mim basta o que tenho:
Umas rimas sem valia,
Mas próprias, do meu amanho;
Minha colheita, meu ganho
- Poesia! Poesia!

[idem, págs. 63-4]

Fora de moda

Versos antigos, de antigos poetas,
Tão esquecidos, fora de moda,
Ao lê-los, leio, numa outra era,
Meus próprios versos. E a alma chora.

Bem pouco entendo, dos novos cantos,
O que me dizem, o que sugerem,
Que fim apontam, com que diálogo
Falam da vida, como a interpretam.

Só vejo imagens, oiço palavras
Belas, sim, belas, mas sem sentido.
E desce a sombra, e os sons apagam-se
Sobre os meus olhos, nos meus ouvidos.

É de leitores que são avaros
Estes poetas do meu presente?
Tanta poesia só para raros!
(Ou sou o raro que não a sente?)

[idem, págs. 430-1]

06 junho 2010

Vêm aí as motos que voam



Os brinquedos de Batman vão ser o pão nosso de cada dia. Sobretudo as motos voadoras. A primeira chama-se Switchable e é produzida pela empresa norte-americana Samson Motorworks. Claro que, de início, é só para ricos.
Tem uma configuração semelhante a um motociclo, com três rodas, e características que a afastam de um automóvel, como a ausência de pára-choques. Possui capacidade para um condutor e um passageiro, sentados lado a lado, numa cabina climatizada. Na prática, o interior da Switchable é feito em couro e conta com um sistema de ar condicionado. A empresa californiana também pensou num espaço para mercadorias: criou uma área capaz de transportar até 23 quilos de carga.
Em terra, as asas estão embutidas em compartimentos situados na quilha, abrindo apenas durante o voo. Também oculta, está uma unidade de propulsão e a traseira do veículo, ao estilo de um carro desportivo, tem um estabilizador extensível. Dizem os engenheiros da Switchable que, com um depósito de 60,5 litros de combustível, terá capacidade para voar 600 quilómetros e percorrer 1400 quilómetros sobre rodas. Em velocidade de cruzeiro, atingirá 216 quilómetros por hora.
Quando chegar ao mercado, em 2011, segundo a empresa, toda esta artilharia tecnológica deverá ser vendida em formato de kit faça-você-mesmo: a estrutura deverá custar cerca de 48 mil euros e o motor ficará por 20 mil euros, aproximadamente. Ou seja, uma brincadeira para milionários que estejam na disposição de pagar perto de 70 mil euros para voar na estrada.

Fontes: 1 e 2

04 junho 2010

A idade é um posto


Ele há números mágicos... Quinze parece ser um deles. Sobretudo se se for português.
A ministra escritora infantil quer infantilizar o país, promovendo o laxismo, a grunhice, a aldrabice. O que importa é a maldita estatística, sobretudo as da OCDE. Quanto ao discurso da ministra, soa a excerto de uma aventura... no reino da idiotia: “Se estudarem, se tiverem vontade – a vontade move o mundo - se quiser esforçar-se, recorrer a apoios para superar dificuldades, acredito que para alguns isso será possível”.
A medida anunciada hoje foi publicada em Diário da República em meados de Fevereiro e dá uma nova oportunidade de avaliação para os alunos com mais de 15 anos, que ficariam este ano retidos no 8º ano. Se quiserem, se forem excelentes (e a excelência deve estar a ser preparada nalgum novo diploma ministerial, que facilite todo o processo), os meninos poderão candidatar-se a exame e passar para o 10.º ano. É o dois em 1, tão chique, tão gauche, tão aventura.

Museu de Arte Contemporânea de Ponta Delgada


Ainda não começou e já dá que falar. Está de parabéns a presidente da edilidade micaelense. Ponta Delgada vai contar com uma exposição por ano da colecção de Serralves. A Fundação de Serralves está também a dar apoio à autarquia na concepção, instalação e exploração do Museu de Arte Contemporânea.

01 junho 2010

Louise Bourgeois (1911-2010)







Foi durante décadas uma escultora silenciosa, recatada, ignorada. A partir dos anos de 1980 aparece em cena e a década de 1990 consagra-a. Londres, Nova Iorque, Paris promovem-na e Louise Bourgeois é internacionalmente catapultada para ícone de um tipo de arte.
O nicho familiar, povoado de negros fantasmas, surge como célula carcerária. O sexo, a sexualidade e a maternidade surgem sob irónicos e críticos ângulos. As suas grandes aranhas são, ao mesmo tempo, “mães” em cuja teia preservam o mais íntimo da vida, e fantasmas “vingadores” que vogam no inferno urbano, passeando a sua medonha solidão pelas praças dos lugares.
Como disse Paulo Herkenhoff, "Louise Bourgeois desenvolveu uma lógica das pulsões, importando vincular sua obra aos grandes temas do conhecimento ou da literatura e não aos sistemas da arte. Melhor falar então de um material extraído de recalques e embates da vida como abandono e ira, desejo e agressão, comunicação e inacessibilidade do Outro. No confronto permanente entre pulsões de morte, angústia, medo e as pulsões da vida, a obra de Louise Bourgeois é uma dolorosa e triunfante afirmação da existência iluminada pela libido. Nessa obra biográfica e erotizada, transformar materiais em arte é uma conversão física, não no sentido religioso, mas como a conversão da electricidade em força. (...) Digamos então que a obra de Louise Bourgeois caminhe pela territorialização de imensidões. São assim o corpo, a casa, a cidade e o desejo. Ou a geometria, a família e a insularidade. Obra antiplatónica, não se satisfaz com o mundo das idéias e conjecturas. Deseja ter um corpo."

30 maio 2010

The Big Butt Book


Depois de The Big Book of Breasts, The Big Book of Legs e de The Big Penis Book, eis que chega The Big Butt Book (O livro dos rabos grandes), em inglês, francês e alemão. O livro pretende mostrar a atracção da sociedade por essa parte do corpo ao longo de quatro décadas. Publicado pela editora alemã Taschen, a edição é de Dian Hanson. Que já está a preparar The Big Book of Pussy.
Diz ela que no Hemisfério Norte, a preferência pelos seios, muito populares há mais de 50 anos, vem dando lugar ao fascínio pelo rabo, em parte porque os povos do norte começam a respeitar mais a cultura afro-americana, que enfatiza os glúteos como fonte de estímulo sexual.

29 maio 2010

A maioria aperta o cinto, outros alargam-no


Gabinetes ministeriais custam mais de 30 milhões em 2010 diz o cabeçalho da notícia. E dentro dela vêm os pormenores. Por exemplo, com as deslocações e estadas do primeiro-ministro e dos 15 ministros o estado gasta, em 2010, um total de 1,5 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento de 8,2 por cento.
Entre as rubricas que mais aumentam em 2010, estão os gastos em seminários (357 por cento para 135 mil euros); em publicidade (174,2 por cento para 47 mil euros) e os prémios, condecorações e ofertas (90,1 por cento para 167 mil euros).
As que mais caíram foram os artigos honoríficos e decoração (-74 por cento) e a limpeza e higiene (-21 por cento para 112 mil euros).
O Público está de parabéns. Faz falta que alguém esteja atento e separe o trigo do joio.
O governo faz apelo a contenções enormes, nalguns casos pondo em risco a sobrevivência de agregados familiares, mas quando se trata de staff, continua a gastar à tripa forra.

27 maio 2010

Botticelli, Vénus e Marte e a Erva do Diabo


Datura stramonium


Vénus e Marte

David Bellingham defende a tese de que a pose extasiada de Marte e o seu estado seminu se deve à Datura stramonium (canto inferior direito do quadro), ou estramónio ou Erva do Diabo e que o quadro faz portanto apelo ao abandono sensual. O estramónio é alucinogéneo e era usado no mundo antigo como tendo efeitos afrodisíacos, embora também altamente tóxicos.
Mais, aqui.

O que têm em comum Sorolla, El Greco e Solana?


São espanhóis, sim e... e podem ser vistos em detalhe neste sítio.
O projecto 'Obras maestras de la Colección Santander al detalle' introduz o internauta nos detalhes de Niños buscando mariscos, de Joaquín Sorolla; Cristo crucificado con Toledo al fondo, de El Greco e El lechuga y su cuadrilla, de José Gutiérrez Solana.

26 maio 2010

O Priôlo já não está criticamente em perigo de extinção



Fotos de cazeribeiro

Hoje estima-se que a população de priôlo esteja algures entre os 500 e os 800 casais. No início deste século, a população mundial do priôlo (Pyrrhula murina) estava reduzida a um grupo de entre 120 e 140 indivíduos, concentrada num cantinho montanhoso da ilha de São Miguel, nos concelhos do Nordeste e da Povoação. A ave, com 30 gramas e cerca de 16 centímetros de comprimento, estava a desaparecer devido à falta de alimento, por causa do recuo da floresta Laurissilva e da proliferação das espécies exóticas.
Dado o aumento da população da espécie, fruto do trabalho desenvolvido pela SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves), a União Mundial de Conservação anunciou hoje oficialmente que decidiu retirar o priôlo, dos Açores, da lista das espécies Criticamente em Perigo de Extinção, descendo uma categoria e passando a estar “apenas” em Perigo.

Fonte: Público

Rentável?


Diz-se que as operadoras das linhas eróticas têm um part-time rentável. Aturar malucos e tarados rende-lhes algo que ronda os 300 euros por mês. Se isso é rentável, vou ali e já venho. Já para quem gosta, o caso muda de figura. Não é trabalho, são amendoins. Como se diz figurativamente noutro lado, Quem trabalha sem o declarar, "por baixo da mesa", ganha mais dinheiro por hora do que quem cumpre a lei.
Mais, aqui.

23 maio 2010

Nymphaea thermarum


A planta foi identificada há 25 anos, em 1985, no Sul do Ruanda, em Mashyuza, perto de uma nascente quente, pelo botânico alemão Eberhard Fischer. O diâmetro do botão da flor tem um centímetro e a planta cresce entre os cinco e os 25 centímetros. As folhas da maior espécie podem alcançar um diâmetro de três metros.
Fischer compreendeu na altura o perigo da extinção e levou algumas plantas para o jardim de Bona, na cidade alemã. Durante mais de uma década os botânicos conseguiram manter os exemplares mas não descobriram um modo de propagá-los. Em 2009, o Kew Garden recebeu sementes e botões vegetativos do nenúfar.
A planta desapareceu do seu habitat natural devido à exploração humana, mas o especialista em cultivo de plantas Carlos Magdalena conseguiu que a minúscula espécie voltasse a nascer no jardim Kew Garden, em Londres. Existem 30 exemplares que nasceram desde Novembro, e já estão a dar flor e sementes. O esforço de Magdalena para reavivar a espécie roçou o trabalho de detective, já que o especialista teve que procurar pela pouca informação disponível para recriar o meio natural que permite à espécie proliferar.

Fonte: Público

22 maio 2010

Livros e leilões


Há quem goste de primeiras edições. Há quem goste de as ter consigo, como se os livros contassem outras histórias além das que as letras dizem.
O público dos leilões de livros divide-se entre bibliófilos, alfarrabistas e curiosos. Às vezes, pelo fenómeno da disputa, os valores tornam-se espectaculares. Outras vezes, revelam-se decepcionantes. Mesmo assim, há dados que permitem saber a temperatura do mercado e a importância de certos livros.
A primeira edição da “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto não parece valer muito. Impressa por Pedro Craesbeeck, em 1614, a obra ficou-se pelos 15 mil euros.
A terceira parte do leilão, organizado pelo experiente Manuel Ferreira, onde isso aconteceu continha outros volumes significativos da nossa história literária: as primeiras edições dos «Sermões» do Padre António Vieira e do raríssimo «Livro de Cesário Verde»; as edições originais das obras de Verney e a dos autores que se vincularam à polémica que o seu «Verdadeiro Método de Estudar» trouxe a lume; Teixeira de Pascoaes, Camilo Pessanha, Fernando Pessoa, António Pedro, José Cardoso Pires, Eça de Queiroz, Antero de Quental, José Régio, Aquilino Ribeiro, José Saramago, Jorge de Sena, Miguel Torga, Carolina Michaelis de Vasconcelos, Mário de Sá Carneiro, Leite de Vasconcelos, Mário Cesariny de Vasconcelos.
Sabemos, pela notícia, que a primeira edição dos “Sonetos” de Antero de Quental, foi licitada na sessão de ontem e atingiu os 9400 euros. Fernando Pessoa continua a atrair as atenções (os livros de poesia inglesa que publicou em vida – “35 Sonnets” (1918), “Antinous” (1918) e “English Poems” (dois opúsculos editados em 1921) – renderam, respectivamente, 1900, 2200 e 2400 euros. Uma primeira edição da “Mensagem” chegou aos 2300, o “Ultimatum” de Álvaro de Campos foi comprado por dois mil euros, o panfleto “Aviso por Causa da Moral”, assinado pelo mesmo heterónimo, atingiu 1800, e a raríssima folha volante “Sobre Um Manifesto de Estudantes”, com a qual Pessoa saiu em defesa de Raul Leal, foi arrematada por 2200 euros).

21 maio 2010

A crise e as abéculas do costume


A crise é linda. é como um pôr do sol. A merda vai descendo, descendo e afoga-nos a todos. Os senhorinhos do costume vêm e cagam a sua poiazita, como querendo dizer Também existo, também existo!
A gente sabe que existem muitos senhorinhos. Por causa deles vivemos em crise há muito tempo. Porque são os senhorinhos que decidem onde e como gastar o graveto. São eles que ganham tanto ou mais do que os congéneres de todo o mundo. Já nós, simples mortais, somos tugas e como tal ganhamos abaixo de todos. Estamos na cauda da Europa.
O sôr Catroga é um dos senhorinhos que resolveu deitar a sua cagadita: a gente percebe, os impostos vão-lhe ao bolso e se o Estado baixasse os salários isso, para ele, nem aquecia nem arrefecia, mas do modo como as coisas estão, vai perder dinheiro e lá vem ele gritar aqui d'el-rei.
Porque será que os senhorinhos falam, falam e revelam sempre o mesmo: o profundo desprezo que nutrem pela vida do cidadão comum, que trabalha, paga impostos e o resto e não pode fazer nada senão assistir enjoado às atoardas dos senhorinhos?
É que para ter voz activa, os assalariados precisavam de ter notoriedade e isso vai contra a natureza das coisas. Por isso, pagam e pagam e se conseguirem encolhem os ombros a todos os senhorinhos.

20 maio 2010

O processo de Kafka


Imagem daqui

Quem é Kafka? Alemão, checo ou judeu? A questão que poderia parecer bizantina alimenta a gula de várias instituições que reclamam para si manuscritos do autor. Para já, terçam razões o Arquivo de Literatura Alemã de Marbach e a Biblioteca Nacional de Israel.
Kafka morreu a 3 de Junho de 1924 e deixou o pedido escrito de que fossem queimados os manuscritos sem serem lidos. O amigo não cumpriu o último pedido do autor. E publicou o que quis. Max Brod fugiu para Telavive aquando da praga nazi. E ali teve como secretária Esther Hoffe que passou a zelar pelos manuscritos de Kafka com afinco. O que não impediu que eles se fossem espalhando por várias paragens (desaguando, por exemplo, na Universidade de Oxford). Após a morte de Brod o comércio dos manuscritos acentuou-se, caindo as suspeitas sobre a secretária.
Em 1988, Hoffe decide separar-se de parte dos documentos kafkianos e vende, entre outras coisas, o manuscrito de O processo que viria a ser adquirido pelo Arquivo de Literatura Alemã, por cerca de 2 milhões de dólares, num leilão realizado em Londres. Quando morre, deixa às suas filhas Ruth e Hava o que restava do arquivo de Max Brod, com fortes probabilidades de conter ainda manuscritos inéditos de Kafka.
Agora, há quem assalte as manas para ficar com os tais manuscritos. A Biblioteca Nacional de Israel suspeita de tramóia económica das manas.
Para ler alguns dos capítulos desta novela em marcha, aqui, aqui e aqui.

16 maio 2010

Mário Cesariny - discurso sobre a reabilitação do real quotidiano

IX

no país no país no país onde os homens
são só até ao joelho
e o joelho que bom é só até à ilharga
conto os meus dias tangerinas brancas
e vejo a noite Cadillac obsceno
a rondar os meus dias tangerinas brancas
para um passeio na estrada Cadillac obsceno

e no país no país e no país país
onde as lindas lindas raparigas são só até ao pescoço
e o pescoço que bom é só até ao artelho
ao passo que o artelho, de proporções mais nobres,
chega a atingir o cérebro e as flores da cabeça,
recordo os meus amores liames indestrutíveis
e vejo uma panóplia cidadã do mundo
a dormir nos meus braços liames indestrutíveis
para que eu escreva com ela, só até à ilharga,
a grande história do amor só até ao pescoço

e no país no país que engraçado no país
onde o poeta o poeta é só até à plume
e a plume que bom é só até ao fantasma
ao passo que o fantasma - ora aí está -
não é outro senão a divina criança (prometida)
uso os meus olhos grandes bons e abertos
e vejo a noite (on ne passe pas)

diz que grandeza de alma. Honestos porque.
Calafetagem por motivo de obras.
É relativamente queda de água
e já agora há muito não é de outra maneira
no país onde os homens são só até ao joelho
e o joelho que bom está tão barato

[Manual de prestidigitação, Assírio & Alvim, 1981, págs.93-94]

XVII

eu em 1951 apanhando (discretamente) uma beata
(valiosa)
num café da baixa por ser incapaz coitados deles
de escrever os meus versos sem realizar de facto
neles, e à volta sua, a minha própria unidade
- fumar, quere-se dizer

esta, que não é brilhante, é que ninguém esperava
ver num livro de versos. Pois é verdade. Denota
a minha essencial falta de higiene (não de tabaco)
e uma ausência de escrúpulo (não de dinheiro) notável

o Armando, que escreve à minha frente
o seu dele poema, fuma também.
fumamos como perdidos escrevemos perdidamente
e nenhuma posição no mundo (me parece) é mais alta
mais espantosa e violenta incompatível e reconfortável
do que esta de nada dar pelo tabaco dos outros
(excepto coisas como vergonha, naturalmente,
e mortalhas)

(que se saiba) é esta a primeira vez
que um poeta escreve tão baixo (ao nível das priscas
dos outros)
aqui e em parte mais nenhuma é que cintila o tal
condicionalismo
de que há tanto se fala e se dispõe
discretamente (como quem as apanha.)

sirva tudo de lição aos presentes e futuros
nas taménidas (várias) da poesia local
Antes andar por aí relativamente farto
antes para tabaco que para cesariny
(mário) de vasconcelos.

[Manual de prestidigitação, Assírio & Alvim, 1981, págs.106-107]

Livros e políticos. Ou livros e presidentes


O livro. O determinante sugere o peso do nome. Livro designa um objecto que nuns desperta apetite e noutros repulsa. Os primeiros podem ser literatos, mas também podem ser presidentes, chefes de governo, ministros. Há uns anos, Aznar referiu-se a alguns autores espanhóis, contribuindo para que muitos procurassem livros desses autores, que desconheciam ou ainda não tinham lido.
No Público de hoje vem a tradução de um texto escrito por Tevi Troy, do The Washington Post. Transcrevemos o lead: «Sim, George W. Bush lia. Lia muito. Livros de Camus, biografias de Mao... mas não dizia. Tinha medo que a sua reputação estragasse a do livro. Foi caso único. Por regra, um livro nas mãos de um presidente dos EUA tem duplo impacte: ajuda a vendê-lo e revela o que vai no pensamento do inquilino da Casa Branca.»
O resto, é um artigo baço. Com excepção do caso Clinton: «Bill Clinton lia de forma ecléctica e frequentemente - os seus autores favoritos incluíam a poeta Maya Angelou, o romancista Ralph Ellison e o historiador Taylor Branch - e estava consciente de que as leituras presidenciais captavam atenções nos media e nos círculos intelectuais. Por isso, fez o possível para agradar aos intelectuais aparecendo em público com os seus livros. Uma vez colocou The Culture of Disbelief, do professor de Direito em Yale Stephen Carter na sua secretária na sala oval para que os jornalistas vissem o que andava a ler, e eles cumpriram as expectativas, noticiando-o. (...) Clinton também devorava policiais, apelidando-os de "pequena literatura de evasão"
E os nossos políticos? Sócrates lerá alguma coisa além dos dossiês ministeriáveis e do que sobre ele escrevem nos jornais? E Passos Coelho? E Paulo Portas, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa?

15 maio 2010

Michael Krüger

4

À noite é fácil falar do coração
do lago: o seu bater regular
sob a superfície qualquer o pode sentir,
se tocar no majestoso corpo.
E também da sua língua é possível falar,
os insistentes farrapos de frases que sobre ele
deslizam são compreensíveis.
Só tens que imaginar os olhos,
esses ficam invisíveis. Finalmente chegas
à margem, num ritmo lento e regular,
discretamente vais para terra.

5

Vou dizer o meu nome sobre
a água... Nada mais natural que repetir
esta ideia, mesmo que não haja eco.
Começas então a falar, palavra a palavra
o lago enche-se. Que pressa a tua!
Enxames de mosquitos fazem dançar o ar,
os peixes, como doidos, ultrapassam o limite,
tudo entra em movimento. Só tu o não
acompanhas, vais sossegando no desassossego, até que
as palavras te faltam. Passará muito tempo. A noite
traz-te o nome de volta. Não te reconheces.

[O Lago, versão e posfácio de João Barrento, apáginastantas, 1986]

13 maio 2010

Árvores milenares e outras raridades arbóreas em Portugal



[Imagens colhidas, com a devida vénia, aqui]

Na Quinta da Bacalhoa, em Azeitão, há uma oliveira cuja idade é estimada em 2300 anos. No aldeamento turístico de Pedras D'El Rei, no Algarve, há outra oliveira que também tem mais de 2 mil anos. Diz-se que para a abraçar são necessários cinco homens. Nada que se compare ao castanheiro de Lagarelhos, Bragança, famoso por ser, da espécie, um dos que possui maior perímetro de tronco: para o abraçar são necessários nada mais nada menos do que 13 homens.
Há ainda a azinheira com maior projecção de copa da Europa, em Lugar das Matas, Santarém; o carvalho mais antigo da Península Ibérica: o carvalho-roble ou carvalho-alvarinho de Calvos, Braga, que tem 500 anos. Refira-se também o eucalipto mais alto da Europa, com 72 metros, na Mata Nacional de Vale de Canas, Coimbra ou o castanheiro de Guilhafonso, Guarda, com 517 anos.
Uma das árvores mais altas de Portugal é a araucária de Vila Praia de Âncora, Viana do Castelo, com 47 metros, um ponto de referência para os barcos de pesca que andam no mar.
Já não pela idade, mas pelo seu feitio bizarro, destaca-se o pinheiro rastejante do Litoral, um pinheiro-bravo na Mata Nacional de Leiria com cem anos e cujo tronco faz lembrar uma serpente, por "culpa" do vento que o entortou.
Os troncos dos 37 plátanos que ornamentam uma alameda do Jardim da Cordoaria do Porto são igualmente invulgares: são curtos e grossos, assemelhando-se a cones, possivelmente devido a uma doença que os deformou quando eram jovens. E na Quinta da Parra, em Olhão, uma alfarrobeira com 600 anos tem cavidades internas que se parecem com pequenas casas ou grutas.

Informações colhidas aqui e aqui.

12 maio 2010

Sexo, Carla Bruni e Michelle Obama


O casal Bruni-Sarkozy “fez esperar um líder estrangeiro enquanto terminava de fazer sexo".
O caso terá sido relatado pela própria e, curiosa, terá inquirido a mulher do presidente dos EUA sobre algo semelhante. Michelle parece que respondeu que não com um riso nervoso.

Fonte

Procura-se cidadão anónimo para dar nome a rua do Porto

Estão abertas as candidaturas ao concurso de carácter único para atribuir nome de um cidadão anónimo a uma rua do Porto. A ideia é de Joshua Sofaer, artista britânico. Pretende-se lançar uma discussão sobre as pessoas que recompensamos na sociedade de hoje, o modo como o fazemos e dar o pontapé de saída para uma conversa sobre vários temas, incluindo a cidadania, a história e a família, entre outros.
Para encontrar alguém que dê o nome a uma rua do Porto está aberto a partir de hoje, com o lançamento oficial do site www.viverarua.com.
Após o encerramento do concurso, a 10 de Junho de 2010, data de encerramento do FITEI 2010, o júri escolherá um vencedor entre as motivações e os nomes a concurso, a ser proposto à Comissão de Toponímia da Câmara Municipal do Porto.
A inscrição pode ser efectuada em viverarua, ou pelo correio, enviando a candidatura e imagem a apoiar e a nomeação para: VIVER A RUA, Núcleo de Experimentação Coreográfica – Fábrica Social, Rua da Fábrica Social, s/n, 4000-201 Porto.

11 maio 2010

Mais estudos, mais coisas óbvias


Os homens não têm mais prazer do que as mulheres, dizem os sexólogos. Homens e mulheres ficam objectivamente mais excitados com filmes pornográficos do que com os eróticos. No entanto, a resposta fisiológica não significa obrigatoriamente que haja prazer, porque a "sexualidade é muito mais do que erecção e lubrificação".
"Há uma discrepância entre a resposta fisiológica e a mental aos estímulos sexuais". Prazer e satisfação sexual podem ser obtidos de diversas formas e em diferentes contextos e essa liberdade, desde que não interfira com a liberdade de terceiros, é um direito tão fundamental como qualquer outro.
A sensação de excitação e de prazer é em grande parte determinada por pensamentos e emoções, enquanto a resposta fisiológica é relativamente independente de factores psicológicos.

Mais: 1 e 2

O novo Pompidou





Metz, na Lorena francesa recebe o novo Centro de Arte Pompidou. Um edifício pensado pelo arquitecto japonês Shigeru Ban e pelos franceses Jean de Gastines e Philip Gumuchdjian.
86 milhões de euros para uma planta hexagonal em que sobressaem três galerias sobrepostas com 80 metros de largura e grandes janelas que, tal como a casa mãe, o Pompidou de Paris, oferecem grandes vistas da cidade. De uma delas pode-se observar a catedral de Metz com efeito óptico: quanto mais nos aproximamos da janela, mais se distancia o monumento.
O museu do Louvre também prepara a sua sucursal, em Lens, que se prevê esteja concluída em 2012.

Fontes: El País

09 maio 2010

Há animais gay?



Com este título é publicada uma reportagem no El País, onde se dá conta do relacionamento entre as fêmeas dos albatrozes e das dúvidas que levantam no seio da comunidade científica. Também se fala da histeria dos movimentos gay que querem à viva força fazer uso disso, como se houvesse uma relação de causa-efeito entre o comportamento das aves e o dos humanos. Ou dos cientistas que deixam vir ao de cima as suas homofobias.
Há 450 espécies onde se verificou haver relações de corte e acasalamento entre machos e machos ou entre fêmeas e fêmeas. Se por um lado, a actividade homossexual se observa com frequência em populações animais em que escasseia um dos sexos, tanto na natureza como nos zoos, por outro, nem sempre a natureza corresponde ao apetite unificador dos cientistas, que desejam à viva força ter uma teoria que explique tudo.

06 maio 2010

Raymond Carver

Sunday Night

Make use of the things around you.
This light rain
Outside the window, for one.
This cigarette between my fingers,
These feet on the couch.
The faint sound of rock-and-roll,
The red Ferrari in my head.
The woman bumping
Drunkenly around in the kitchen...
Put it all in,
Make use.

[All of us, Vintage Books, 2000, pág. 257]

Hummingbird

Suppose I say summer,
write the word “hummingbird,”
put in an envelope,
take it down the hill
to the box. When you open
my letter you will recall
those days and how much,
just how much, I love you.

[All of us, Vintage Books, 2000, pág. 278]