22 outubro 2010
O jornalismo em Portugal
Uma coisas é vê-los recostados a arrotar bitaites nas colunas semanais. Outra, bem distinta, é vê-los sem make-up. A realidade é suja:
«O director do jornal Sol, José António Saraiva, "lavou as mãos" das notícias sobre o processo "Face Oculta" publicadas por aquele semanário, colocando, na prática, toda a responsabilidade nas jornalistas Ana Paula Azevedo e Felícia Cabrita. A posição do director do Sol foi assumida no processo movido por Rui Pedro Soares, ex-administrador da PT, contra o jornal, os jornalistas e os responsáveis editoriais.» [Fonte: DN]
«O director do jornal Sol, José António Saraiva, "lavou as mãos" das notícias sobre o processo "Face Oculta" publicadas por aquele semanário, colocando, na prática, toda a responsabilidade nas jornalistas Ana Paula Azevedo e Felícia Cabrita. A posição do director do Sol foi assumida no processo movido por Rui Pedro Soares, ex-administrador da PT, contra o jornal, os jornalistas e os responsáveis editoriais.» [Fonte: DN]
20 outubro 2010
Há ladrões... e ricos
Quem compra medicamentos? Toda a gente.
Quem paga impostos? Toda a gente? Sim, mas uns pagam, outros fazem de conta. Veja-se quanto paga a indústria farmacêutica em Portugal: 0,16 %. Sim, 0,16 %. Ou seja, quem mais ganha menos paga. Abençoado governo que estimula a indústria. E como essa indústria contribui para a riqueza do país: pagando 0,16% dos seus lucros.
No geral, os 195 laboratórios farmacêuticos tiveram um volume de negócios que ultrapassou os 5 300 000 000 de euros entre 2005 e 2007. Mas pagaram de IRC menos de 9 milhões de euros.
Isto é que é a maneira de fazer negócios à portuguesa. Ganhar muito e depressa.
Que faz o governo? Titubeia, assobia para o lado, teme.
Fonte: 1
Quem paga impostos? Toda a gente? Sim, mas uns pagam, outros fazem de conta. Veja-se quanto paga a indústria farmacêutica em Portugal: 0,16 %. Sim, 0,16 %. Ou seja, quem mais ganha menos paga. Abençoado governo que estimula a indústria. E como essa indústria contribui para a riqueza do país: pagando 0,16% dos seus lucros.
No geral, os 195 laboratórios farmacêuticos tiveram um volume de negócios que ultrapassou os 5 300 000 000 de euros entre 2005 e 2007. Mas pagaram de IRC menos de 9 milhões de euros.
Isto é que é a maneira de fazer negócios à portuguesa. Ganhar muito e depressa.
Que faz o governo? Titubeia, assobia para o lado, teme.
Fonte: 1
19 outubro 2010
Prioridades
Os salários são desnecessários, logo: cortam-se.
As pensões desnecessárias são, por isso: reduzem-se.
Os apoios são excrescências, pelo que vão à vida.
Mas pareceres, estudos e consultadoria são despesas absolutamente essenciais, por isso mantêm-se.
Seminários, publicidade e exposições são absolutamente imprescindíveis. E aumentam-se os gastos com esses itens.
Este Estado é abençoado. Abençoado pela incúria, distracção e ignorância de uma população que nem sequer sabe quanto trabalha para os bancos.
Governar assim é fácil, pois é.
De resto, em tempos de crise as medalhas são o sal da vida, por isso, o governo achou por bem aumentar a verba destinada a artigos honoríficos e de decoração.
Eu adoro este país. É o país onde o humor sempre faz parte da governação e da economia.
Fontes: a), b), c), d)
As pensões desnecessárias são, por isso: reduzem-se.
Os apoios são excrescências, pelo que vão à vida.
Mas pareceres, estudos e consultadoria são despesas absolutamente essenciais, por isso mantêm-se.
Seminários, publicidade e exposições são absolutamente imprescindíveis. E aumentam-se os gastos com esses itens.
Este Estado é abençoado. Abençoado pela incúria, distracção e ignorância de uma população que nem sequer sabe quanto trabalha para os bancos.
Governar assim é fácil, pois é.
De resto, em tempos de crise as medalhas são o sal da vida, por isso, o governo achou por bem aumentar a verba destinada a artigos honoríficos e de decoração.
Eu adoro este país. É o país onde o humor sempre faz parte da governação e da economia.
Fontes: a), b), c), d)
16 outubro 2010
Os exemplos vêm sempre de cima
Este governo é particularmente irritante pelos contínuos tiques de autoritarismo de que dá mostras. Sócrates, com maioria absoluta, revelou-se medíocre e, como qualquer medíocre, mostrou os dentes e deu um show de ditadurazinha à maneira salazarista. Com maioria relativa tentou fazer passar a mensagem de que estava tudo bem. Na hora da verdade, o seu ministro principal, chegou tarde e sem trazer tudo o que a lei o obrigava. MAIS EXEMPLOS PARA QUÊ?
Este governo é incompetente para resolver os problemas do país. Sócrates é um péssimo primeiro-ministro. De resto, o Orçamento do Estado "mais difícil" e "importante dos últimos 25 anos" - segundo palavras do tal ministro que se atrasa e não cumpre a lei, de seu nome Teixeira dos Santos - vai entrar sobretudo nos bolsos dos funcionários públicos e da classe média. Mais IRS e IVA, salários mais magros, pensões sem aumento e menos apoios sociais. O resto, é residual. Porque os cortes nas restantes despesas são pouco significativos. Mas, segundo essa sumidade que é TS, "O país precisa de um orçamento e este é o OE que o país precisa".
Que pensa o povo disso? Este povo que continua semi-analfabeto e que ainda não se habituou a viver em democracia? Uma parte significativa diz ámen a tudo. Segundo uma sondagem do Expresso, «a poupança é, para a maioria dos portugueses ouvidos no Barómetro do mês de Agosto, a melhor resposta à crise. 75,3% dos inquiridos vão procurar poupar mais e apenas 6,1% ponderam emigrar.
Apesar da crise e do pacote de medidas anunciado os inquiridos dividem-se quanto à greve geral. Questionados sobre se concordam com a convocação da greve a maioria 47% responde afirmativamente, mas 46,2% dizem que não. Semelhante divisão ocorre quando questionados sobre as alternativas do governo face à eventual reprovação do OE.»
Como por aí se diz, pelo quarto ano consecutivo, assistiu-se a uma rábula na entrega de um documento fundamental: depois do défice errado, da pen drive vazia, da conferência de imprensa a cinco minutos da meia-noite, a sucessão de atrasos que culminou com a falha deste ano o Governo mostra-nos que não trabalhou com tempo os números determinantes e decisivos, voltou a deixar para o fim questões que quer que todos considerem essenciais, e não soube, ou não estava preparado, para as dificuldades que todos anteviam.
O que se continua a dizer através dos actos aos portugueses é tão simples como isto: quem pode abusa, o resto é fazer de conta que se muda para tudo continuar na mesma.
Este governo é incompetente para resolver os problemas do país. Sócrates é um péssimo primeiro-ministro. De resto, o Orçamento do Estado "mais difícil" e "importante dos últimos 25 anos" - segundo palavras do tal ministro que se atrasa e não cumpre a lei, de seu nome Teixeira dos Santos - vai entrar sobretudo nos bolsos dos funcionários públicos e da classe média. Mais IRS e IVA, salários mais magros, pensões sem aumento e menos apoios sociais. O resto, é residual. Porque os cortes nas restantes despesas são pouco significativos. Mas, segundo essa sumidade que é TS, "O país precisa de um orçamento e este é o OE que o país precisa".
Que pensa o povo disso? Este povo que continua semi-analfabeto e que ainda não se habituou a viver em democracia? Uma parte significativa diz ámen a tudo. Segundo uma sondagem do Expresso, «a poupança é, para a maioria dos portugueses ouvidos no Barómetro do mês de Agosto, a melhor resposta à crise. 75,3% dos inquiridos vão procurar poupar mais e apenas 6,1% ponderam emigrar.
Apesar da crise e do pacote de medidas anunciado os inquiridos dividem-se quanto à greve geral. Questionados sobre se concordam com a convocação da greve a maioria 47% responde afirmativamente, mas 46,2% dizem que não. Semelhante divisão ocorre quando questionados sobre as alternativas do governo face à eventual reprovação do OE.»
Como por aí se diz, pelo quarto ano consecutivo, assistiu-se a uma rábula na entrega de um documento fundamental: depois do défice errado, da pen drive vazia, da conferência de imprensa a cinco minutos da meia-noite, a sucessão de atrasos que culminou com a falha deste ano o Governo mostra-nos que não trabalhou com tempo os números determinantes e decisivos, voltou a deixar para o fim questões que quer que todos considerem essenciais, e não soube, ou não estava preparado, para as dificuldades que todos anteviam.
O que se continua a dizer através dos actos aos portugueses é tão simples como isto: quem pode abusa, o resto é fazer de conta que se muda para tudo continuar na mesma.
14 outubro 2010
Números, tantos números
A CP teve, em 2009, prejuízos 231 milhões de euros (CP e CP Carga). A 12 de Junho do ano passado, por decreto-lei governamental, passou de Empresa Pública (EP) para Entidade Pública Empresarial (EPE). Um mês depois (13 de Julho), por despacho dos secretários de Estado do Tesouro e Finanças e dos Transportes, foram alterados os vencimentos dos seus gestores. O presidente que ganhava 4.725 euros passou a ganhar 7.225 euros (mais 52 por cento) e os vogais passaram de 4.204,18 euros para 6.791 euros (quase 60 por cento).
A CARRIS que em 2009 teve cerca de 41 milhões de euros de prejuízo, viu, por decisão governamental, os ordenados dos seus gestores igualmente aumentados de forma significativa em Março de 2009. O presidente ganhava 4.204 euros e passou a auferir de um ordenado mensal 6.923 euros (mais 65 por cento). Já os vogais passaram de 3.656 para 6.028 (mais 65 por cento).
Ou seja: o pagode aperta o cinto. O Estado esbanja com uma meia dúzia. Sempre com o aval do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, o tal que dorme mal por causa das medidas que tem de tomar. Ele há cada uma... só mesmo num país dado à crendice!
A CARRIS que em 2009 teve cerca de 41 milhões de euros de prejuízo, viu, por decisão governamental, os ordenados dos seus gestores igualmente aumentados de forma significativa em Março de 2009. O presidente ganhava 4.204 euros e passou a auferir de um ordenado mensal 6.923 euros (mais 65 por cento). Já os vogais passaram de 3.656 para 6.028 (mais 65 por cento).
Ou seja: o pagode aperta o cinto. O Estado esbanja com uma meia dúzia. Sempre com o aval do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, o tal que dorme mal por causa das medidas que tem de tomar. Ele há cada uma... só mesmo num país dado à crendice!
Contra a obesidade estatal
O Estado existe para servir a população ou para garantir jobs for boys?
Quantos custam os boys ao erário público? Há dinheiro para lhes pagar, quando o número de pobres é já um quarto da população do país?
Diz quem sabe que se cortarmos em 10% a despesa dalguns institutos públicos, seria possível obter poupanças na ordem dos 500 milhões de euros. E se, tal como foi feito recentemente em Espanha, realizássemos fusões, extinções ou reduções mais drásticas nalguns destes institutos, não seria difícil obter economias acima dos 1000 milhões de euros.
Porque não se faz isso? Há dinheiro para esbanjar? Há prazer em ver crescer a pobreza?
Quantos custam os boys ao erário público? Há dinheiro para lhes pagar, quando o número de pobres é já um quarto da população do país?
Diz quem sabe que se cortarmos em 10% a despesa dalguns institutos públicos, seria possível obter poupanças na ordem dos 500 milhões de euros. E se, tal como foi feito recentemente em Espanha, realizássemos fusões, extinções ou reduções mais drásticas nalguns destes institutos, não seria difícil obter economias acima dos 1000 milhões de euros.
Porque não se faz isso? Há dinheiro para esbanjar? Há prazer em ver crescer a pobreza?
13 outubro 2010
A produtividade dos nobres empresários tugas
As diferenças:
Em 1994, só um terço das 200 mil sociedades pagava IRC.
Em 2007, apenas 36 por cento das 379 mil empresas declararam actividade para pagar IRC.
Entre 1989 e 1996, foram 35 mil milhões de euros de prejuízos fiscais (78 por cento do lucro tributável).
De 1997 a 2002, mais 52,9 mil milhões (56 por cento do lucro tributável).
De 2003 a 2007 foram 44 mil milhões (37 por cento do lucro tributável).
E QUEM PAGA SEMPRE TUDO:
Em 1996, os rendimentos dos assalariados e pensionistas pagavam 86 por cento da receita do IRS.
Os independentes, os agrícolas, industriais, comerciantes, donos de prédios, de capitais e mais-valias pagavam os restantes 14 por cento.
Em 2008, a concentração agravou-se: os assalariados e pensionistas já pagam 92 por cento de todo o IRS.
Em resumo, como diz o título da notícia: «Quinze anos de combate a sério à evasão fiscal tornariam PEC "evitável"»
Em 1994, só um terço das 200 mil sociedades pagava IRC.
Em 2007, apenas 36 por cento das 379 mil empresas declararam actividade para pagar IRC.
Entre 1989 e 1996, foram 35 mil milhões de euros de prejuízos fiscais (78 por cento do lucro tributável).
De 1997 a 2002, mais 52,9 mil milhões (56 por cento do lucro tributável).
De 2003 a 2007 foram 44 mil milhões (37 por cento do lucro tributável).
E QUEM PAGA SEMPRE TUDO:
Em 1996, os rendimentos dos assalariados e pensionistas pagavam 86 por cento da receita do IRS.
Os independentes, os agrícolas, industriais, comerciantes, donos de prédios, de capitais e mais-valias pagavam os restantes 14 por cento.
Em 2008, a concentração agravou-se: os assalariados e pensionistas já pagam 92 por cento de todo o IRS.
Em resumo, como diz o título da notícia: «Quinze anos de combate a sério à evasão fiscal tornariam PEC "evitável"»
01 outubro 2010
Números são números
Diz António Vilarigues no Público de hoje:
"(...) os que defendem os cortes salariais, todos sem excepção, recebem mensalmente vencimentos equivalentes a 20, 30, 40, 50, 100 e mesmo mais salários mínimos nacionais. Na sua maioria, estão no patamar dos que ganham, em média, mais de 1666 euros por dia. Ou que nas conferências onde debitam as suas "soluções milagrosas" auferem, numa única HORA, o que um trabalhador com o salário mínimo nacional não obtém ao longo de 1 ANO!!! Curiosamente também, quase todos eles assumem (ou assumiram) responsabilidades governativas ou de direcção do "sistema". O que não os impede de se comportarem como virgens vestais."
(...) por que não se tributam a banca e os grandes grupos económicos com a taxa efectiva de IRC de 25% (o que renderia 500 milhões de euros, mínimo)? Ou as transacções em Bolsa (mínimo de 135 milhões de euros)? Ou as transferências financeiras para os offshores (cerca de 2200 milhões de euros, base 2009)? E por que não se tributam os que apostam na economia paralela e clandestina, que significará hoje cerca de 20% a 25% do PIB real? O que se traduziria na recolha, em impostos, de valores da ordem dos 16 mil milhões de euros/ano. Valor que, sublinhe-se, é várias vezes superior aos fundos comunitários."
"Reduzir os salários e as pensões é a solução, proclamam. Mas foram os salários e as pensões que provocaram a crise? Em 1975, a parte que as remunerações, sem incluir as contribuições sociais, representavam do PIB era de 59%. Em 2009, de menos de 34% do PIB!"
(...) por que não se tributam a banca e os grandes grupos económicos com a taxa efectiva de IRC de 25% (o que renderia 500 milhões de euros, mínimo)? Ou as transacções em Bolsa (mínimo de 135 milhões de euros)? Ou as transferências financeiras para os offshores (cerca de 2200 milhões de euros, base 2009)? E por que não se tributam os que apostam na economia paralela e clandestina, que significará hoje cerca de 20% a 25% do PIB real? O que se traduziria na recolha, em impostos, de valores da ordem dos 16 mil milhões de euros/ano. Valor que, sublinhe-se, é várias vezes superior aos fundos comunitários."
"Reduzir os salários e as pensões é a solução, proclamam. Mas foram os salários e as pensões que provocaram a crise? Em 1975, a parte que as remunerações, sem incluir as contribuições sociais, representavam do PIB era de 59%. Em 2009, de menos de 34% do PIB!"
23 setembro 2010
Legislar em benefício próprio
Como é fácil sacudir a água do capote quando em causa estão princípios. Princípios republicanos, como o da equidade, da justiça, da racionalidade. Princípios até de governabilidade.
A secretária regional não deveria ter mudado a lei sabendo que o seu filho iria beneficiar de bolsa. Ao fazê-lo, por mais o governo regional queira atirar areia para os olhos dos açorianos, incorreu em falta grave. Tão grave que, se fôssemos uma democracia a sério, teria de ser demitida imediatamente. Mas, pelos vistos, o que a senhora fez, fê-lo com o conhecimento de César. O que é mais grave ainda. Pois, nesse caso, o próprio César deveria ser demitido.
Como não somos uma democracia a sério, descartam-se responsabilidades e passa-se a mensagem de que vale tudo quando se está no poder. A diferença entre César e João Jardim é, de facto, nenhuma. O mesmo desrespeito pela equidade, pela justiça, pela racionalidade.
O governo pode decidir apoiar o curso X, Y ou Z com avultadas verbas. Pode, fê-lo, fá-lo e continuará a fazê-lo. Já por várias vezes deu tiros nos pés, queimando dinheiros públicos com benesses e prebendas cujos proveitos para a região foram nulos. Mas quem está subsidiodependente olha apenas para a barriga. Mais tarde ou mais cedo há-de chegar a factura, mas por enquanto folgam as costas e tudo parece fácil. Seja. Não se pode pedir ao povo que faça diferente quando os exemplos que colhe de cima são como este aumento dos montantes da bolsa para o filho da senhora secretária.
Alunos há que passam dificuldades porque as bolsas a que têm direito são ínfimas. A senhora secretária aufere um vencimento acima da média nacional. Não se percebe porque alguém com rendimentos líquidos ou brutos elevados tenha direito a bolsas, quando outros sem tais posses se vêem impedidos de beneficiar de bolsas. E não venham dizer que se trata de um curso específico. Porque se o curso de piloto é caro, os salários auferidos pelos que o possuem são elevados. E há o recurso a empréstimos facilmente cumpridos por quem ganha bem. Já no caso de quem tem dificuldades isso é quase uma miragem. Ou seja, no estado em que estão as coisas, não se põe em prática o princípio da equidade. Não. Beneficia-se quem já tem posses em detrimento dos que as não têm.
Estar muito tempo no poder permite estas e outras injustiças. César e o PS estão há tempo demais no governo e dão-se ao luxo de usar o dinheiro dos contribuintes como muito bem lhes apraz, certamente por saberem que as bolsas são migalhas quando comparadas com o que se gasta em empreitadas.
A gestão da coisa pública é sempre feita em benefício de poucos, a troco do suor e do esforço das maiorias.
A secretária regional não deveria ter mudado a lei sabendo que o seu filho iria beneficiar de bolsa. Ao fazê-lo, por mais o governo regional queira atirar areia para os olhos dos açorianos, incorreu em falta grave. Tão grave que, se fôssemos uma democracia a sério, teria de ser demitida imediatamente. Mas, pelos vistos, o que a senhora fez, fê-lo com o conhecimento de César. O que é mais grave ainda. Pois, nesse caso, o próprio César deveria ser demitido.
Como não somos uma democracia a sério, descartam-se responsabilidades e passa-se a mensagem de que vale tudo quando se está no poder. A diferença entre César e João Jardim é, de facto, nenhuma. O mesmo desrespeito pela equidade, pela justiça, pela racionalidade.
O governo pode decidir apoiar o curso X, Y ou Z com avultadas verbas. Pode, fê-lo, fá-lo e continuará a fazê-lo. Já por várias vezes deu tiros nos pés, queimando dinheiros públicos com benesses e prebendas cujos proveitos para a região foram nulos. Mas quem está subsidiodependente olha apenas para a barriga. Mais tarde ou mais cedo há-de chegar a factura, mas por enquanto folgam as costas e tudo parece fácil. Seja. Não se pode pedir ao povo que faça diferente quando os exemplos que colhe de cima são como este aumento dos montantes da bolsa para o filho da senhora secretária.
Alunos há que passam dificuldades porque as bolsas a que têm direito são ínfimas. A senhora secretária aufere um vencimento acima da média nacional. Não se percebe porque alguém com rendimentos líquidos ou brutos elevados tenha direito a bolsas, quando outros sem tais posses se vêem impedidos de beneficiar de bolsas. E não venham dizer que se trata de um curso específico. Porque se o curso de piloto é caro, os salários auferidos pelos que o possuem são elevados. E há o recurso a empréstimos facilmente cumpridos por quem ganha bem. Já no caso de quem tem dificuldades isso é quase uma miragem. Ou seja, no estado em que estão as coisas, não se põe em prática o princípio da equidade. Não. Beneficia-se quem já tem posses em detrimento dos que as não têm.
Estar muito tempo no poder permite estas e outras injustiças. César e o PS estão há tempo demais no governo e dão-se ao luxo de usar o dinheiro dos contribuintes como muito bem lhes apraz, certamente por saberem que as bolsas são migalhas quando comparadas com o que se gasta em empreitadas.
A gestão da coisa pública é sempre feita em benefício de poucos, a troco do suor e do esforço das maiorias.
18 setembro 2010
Assim se destrói a democracia
1) A lei é dura, mas é a lei.
2) Quem faz as leis?
3) Com que intuitos?
De vez em quando somos confrontados com notícias que apenas nos merecem um comentário: nojo!
E gostaríamos de deixar claro que não nos move a ingenuidade de pensar que governantes e/ou legisladores são inocentes no que quer que seja. Mas há limites. Limites impostos pelo bom senso e pelo equilíbrio de poderes. Ora tudo isso parece estar a ser posto em xeque. Apenas para o bem-estar de uma família.
O antigo regime acabou há muito. A ditadura idem. Mas parece haver quem entenda que no meio do Atlântico norte tudo é possível.
Vejamos as personagens envolvidas:
Ana Paula Marques, secretária regional do Trabalho dos Açores; Miguel Marques Malaquias, filho dessa secretária regional; o governo regional dos Açores.
Factos:
Nos Açores, as bolsas de estudo são financiadas com um subsídio equivalente a 65% da remuneração mínima mensal no arquipélago.
A secretária regional decidiu majorar o curso do filho (de Piloto de Linha Aérea) com um subsídio equivalente a 150% da remuneração mínima mensal.
Essa área de formação só passou a fazer parte do regulamento de concessão de bolsas de estudo a partir de Outubro do ano passado, através de uma portaria (n.o 80/2009, de 6 de Outubro de 2009) modificada e assinada pela própria secretária regional, Ana Paula Marques.
Dez meses passados, por despacho de 16 de Agosto, é atribuído a Miguel Marques Malaquias, filho da secretária regional do Trabalho e autora da mudança da portaria, uma bolsa de estudo que se destina a financiar a frequência do curso de Piloto de Linha Aérea, ministrado na Academia Aeronáutica de Évora.
A bolsa de estudo no Continente, no valor de 9500 euros, é acrescida de despesas inerentes à viagem de ida e volta de avião entre Lisboa e o arquipélago.
Como reage o governo quando inquirido sobre estas mordomias?
"Os apoios para os cursos de piloto de aviação civil eram atribuídos através de outros programas: numa primeira fase, até 2007, através do PODESA e, a partir dessa altura e até 2009, por Portaria do Governo." A secretária, Ana Paula Marques, decidiu optar "por integrar esses apoios no regulamento das bolsas de estudo, apenas para tornar a atribuição do subsídio mais transparente", lê-se na nota do gabinete do Governo Regional do Açores, liderado por Carlos César.
Recordemo-nos que há meses outra notícia mostrava como a mulher de Carlos César gastara avultada quantia aos cofres da Região para ir passear ao Canadá.
A isto chamam eles socialismo. Há quem mal tenha dinheiro para comida e medicamentos. Mas, em tempos de crise os membros do governo regional continuam a gastar à tripa forra.
Fonte: i
2) Quem faz as leis?
3) Com que intuitos?
De vez em quando somos confrontados com notícias que apenas nos merecem um comentário: nojo!
E gostaríamos de deixar claro que não nos move a ingenuidade de pensar que governantes e/ou legisladores são inocentes no que quer que seja. Mas há limites. Limites impostos pelo bom senso e pelo equilíbrio de poderes. Ora tudo isso parece estar a ser posto em xeque. Apenas para o bem-estar de uma família.
O antigo regime acabou há muito. A ditadura idem. Mas parece haver quem entenda que no meio do Atlântico norte tudo é possível.
Vejamos as personagens envolvidas:
Ana Paula Marques, secretária regional do Trabalho dos Açores; Miguel Marques Malaquias, filho dessa secretária regional; o governo regional dos Açores.
Factos:
Nos Açores, as bolsas de estudo são financiadas com um subsídio equivalente a 65% da remuneração mínima mensal no arquipélago.
A secretária regional decidiu majorar o curso do filho (de Piloto de Linha Aérea) com um subsídio equivalente a 150% da remuneração mínima mensal.
Essa área de formação só passou a fazer parte do regulamento de concessão de bolsas de estudo a partir de Outubro do ano passado, através de uma portaria (n.o 80/2009, de 6 de Outubro de 2009) modificada e assinada pela própria secretária regional, Ana Paula Marques.
Dez meses passados, por despacho de 16 de Agosto, é atribuído a Miguel Marques Malaquias, filho da secretária regional do Trabalho e autora da mudança da portaria, uma bolsa de estudo que se destina a financiar a frequência do curso de Piloto de Linha Aérea, ministrado na Academia Aeronáutica de Évora.
A bolsa de estudo no Continente, no valor de 9500 euros, é acrescida de despesas inerentes à viagem de ida e volta de avião entre Lisboa e o arquipélago.
Como reage o governo quando inquirido sobre estas mordomias?
"Os apoios para os cursos de piloto de aviação civil eram atribuídos através de outros programas: numa primeira fase, até 2007, através do PODESA e, a partir dessa altura e até 2009, por Portaria do Governo." A secretária, Ana Paula Marques, decidiu optar "por integrar esses apoios no regulamento das bolsas de estudo, apenas para tornar a atribuição do subsídio mais transparente", lê-se na nota do gabinete do Governo Regional do Açores, liderado por Carlos César.
Recordemo-nos que há meses outra notícia mostrava como a mulher de Carlos César gastara avultada quantia aos cofres da Região para ir passear ao Canadá.
A isto chamam eles socialismo. Há quem mal tenha dinheiro para comida e medicamentos. Mas, em tempos de crise os membros do governo regional continuam a gastar à tripa forra.
Fonte: i
06 setembro 2010
Tiago Tejo e o o pixelejo

Pixel mais azulejo é igual a pixelejo. Diz o i que Do tédio de estar em casa sem fazer nada - na altura ainda não frequentava o curso de História de Arte, em Lisboa - nasceu o pixelejo, a nova forma de arte urbana "apreciada por miúdos e velhos".
Faz os pixelejos e depois cola-os pela cidade de Lisboa. É um artista cheio de preocupações ambientais: "Há prédios velhos em que falha o padrão de azulejo e muitas vezes ponho um diferente, só para chocar mais", conta. "Vale tudo desde que não estrague nada."
Faz os pixelejos e depois cola-os pela cidade de Lisboa. É um artista cheio de preocupações ambientais: "Há prédios velhos em que falha o padrão de azulejo e muitas vezes ponho um diferente, só para chocar mais", conta. "Vale tudo desde que não estrague nada."
Mais aqui.
Uma das estrelas da guerra do Iraque,

responsável, cúmplice e altamente empenhado em que acontecesse, de seu nome Tony, Tony Blair, foi há dias alvo de um ataque com sapatos e ovos quando chegava a uma livraria em Dublin, Irlanda, para uma sessão de autógrafos da sua autobiografia. Os manifestantes em raiva queriam deixar claro que não esquecem o envolvimento do ex-primeiro-ministro britânico, chamaram-lhe “criminoso de guerra” e recordaram-lhe que tem “sangue nas mãos”.
Como devem calcular, mau grado o incómodo que a coisa momentaneamente provoca, Blair deve estar satisfeito com a publicidade dada à sua autobiografia A Journey. Pois não é suposto figuras assim terem pruridos de consciência (que há muito foi vendida ao diabo).
Como devem calcular, mau grado o incómodo que a coisa momentaneamente provoca, Blair deve estar satisfeito com a publicidade dada à sua autobiografia A Journey. Pois não é suposto figuras assim terem pruridos de consciência (que há muito foi vendida ao diabo).
Banksy em filme
Exit throught the gift shop é o título do filme sobre arte urbana ou sobre Banksy. Estreia no dia 8 de Outubro em Espanha. Deve chegar a Portugal. Quando? Ainda é uma incógnita.
Pode ver-se aqui um excerto ou visitar http://www.avalonproductions.es/exit/ e descarregar de lá os tais 5 minutos de filme (uma amostra, claro).
Pode ver-se aqui um excerto ou visitar http://www.avalonproductions.es/exit/ e descarregar de lá os tais 5 minutos de filme (uma amostra, claro).
Mais também aqui.
30 agosto 2010
Allons enfants de la Patrie le jour de gloire est arrivé
A França continua a dar-nos lições importantes: se roubas milhões, és convidado para o Eliseu. Se mendigas, és expulso do país.
Sarkozy é um amigo.
Mas, que diabo, os pobres cheiram mal, vestem mal, não têm o charme de Mr. le Président.
A emigração é uma chatice. Sobretudo a emigração dos pobres. Já a deslocalização faz parte do... mercado global.
Vive la France!
Quoi! des cohortes étrangères
Feraient la loi dans nos foyers!
Quoi! ces phalanges mercenaires
Terrasseraient nos fiers guerriers
Grand Dieu! par des mains enchaînées
Nos fronts sous le joug se ploieraient!
De viIs despotes deviendraient
Les maîtres de nos destinées!
Sarkozy é um amigo.
Mas, que diabo, os pobres cheiram mal, vestem mal, não têm o charme de Mr. le Président.
A emigração é uma chatice. Sobretudo a emigração dos pobres. Já a deslocalização faz parte do... mercado global.
Vive la France!
Quoi! des cohortes étrangères
Feraient la loi dans nos foyers!
Quoi! ces phalanges mercenaires
Terrasseraient nos fiers guerriers
Grand Dieu! par des mains enchaînées
Nos fronts sous le joug se ploieraient!
De viIs despotes deviendraient
Les maîtres de nos destinées!

Ó pra eles muito certos do seu métier. Como se um doce pensamento os inebriasse: "Ide roubar prà vossa terra, pá."
29 agosto 2010
Razões sociológicas para a baixa produtividade portuguesa

[Big Brother] Foi dos programas que mais pessoas das classes A e B atraíram. - José Eduardo Moniz ao i.
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