04 julho 2010

A Maior Flor do Mundo

Portugal e uma certa cultura


A crise tem mexido e inquietado quem em Portugal se dedica aos negócios da cultura e está dependente do Estado ou dos dinheiros públicos para realizar as suas actividades, muitas vezes por questões que têm a ver com a forma da lei.
Realizadores e produtores de filmes, museus e outros manifestam-se publicamente contra a política do governo de há tempos a esta parte.
A cultura de que falamos dá poucos votos. Não é popular, no sentido em que o analfabetismo da população passa ao lado de quase tudo. E embarra numa classe dirigente também ela grosso modo semi-analfabeta e muito preocupada com a sobrevivência política.
Portugal é um país europeu que sofre ainda consequências de políticas que fecharam o território nacional e os seus habitantes ao mundo. Mas que sempre alimentou uma classe empresarial pouco criativa e muito dada a fazer depressa grandes fortunas. Só nas duas últimas décadas se notou uma certa aposta no binómio I&D, investigação e design. E os resultados dessa aposta parecem ganhos para alguns. Mas ainda se continua a laborar muito na base da mão de obra barata, em salários miseráveis e num tipo de estratégia empresarial quase obsoleta. Em Portugal os empresários ganham para "investir" em automóveis, vivendas e outros luxos afins, num sinal claro de miséria mental.
Que os governantes olhem sistematicamente para a cultura como um prolongamento da propaganda ou como um desperdício evidencia a ignorância que os norteia. A cultura está intimamente ligada à vida dos nossos dias. Basta olhar para aquilo que as pessoas têm por bom e que desejam, falemos de bens de primeira necessidade ou de outro tipo de bens.
Apesar de dar emprego a muita gente, o Estado continua a ter uma dinâmica pesada, mais preocupada com o custo do que em perceber como é em cultura que se deve falar de investimento, criação e potenciação de energia vital.
É fácil confundir marketing e propaganda com actividade cultural porque ambos trabalham ao nível da percepção e da criação de discursos que são assimilados pelas pessoas e as podem inspirar a ser melhores profissionais, melhores cidadãos, melhores pessoas. (Quando nos ficamos pelo marketing, a preocupação é quase só financeira, tendo em vista o lucro de alguns).
Por isso é doloroso ver que os agentes culturais têm de vir para as páginas dos jornais (1, 2, 3)reclamar pelo que deveria ser o cumprimento de um imperativo nacional. E mais doloroso é quando se vê como os supostos representantes do povo, por ele eleitos se incomodam tanto em viajar em económica ou em executiva (em tempos de crise e de contenção) mas não se preocupam com a sobrevivência nacional. Fazem-nos, é certo, dentro da velha tradição lusa de olharem para os umbigos e para as suas carteiras e benesses. Fazem-no demonstrando uma vez mais que o país é miserável não pela falta de produtividade das pessoas em geral, mas pela falta de produtividade deste tipo de gestores/legisladores.

01 julho 2010

Daqui a um ano temos a casa de Manuel de Arriaga


O Solar dos Arriagas, cuja edificação teve lugar durante a primeira metade do século XIX, é actualmente designado como Casa Manuel de Arriaga, por aí ter nascido (a 8 de Julho de 1840) e vivido até aos 18 anos Manuel José de Arriaga Brum da Silveira, que se tornaria, em 1911, o primeiro Presidente da República Portuguesa.
A reabilitação do edifício custará aos cofres da Região Autónoma dos Açores um milhão de euros. O projecto de arquitectura e especialidades é da responsabilidade do ateliê dos arquitectos Rui Pinto e Ana Robalo. Na casa haverá um espaço em que se evoca a personalidade mas também ideais e valores da República. A inauguração está prevista para o segundo semestre de 2011.

Vida no planeta Terra




A vida pluricelular terá surgido no planeta há 2,1 mil milhões de anos e não há 600 milhões, como se pensava até hoje. O recuo temporal deve-se à descoberta, em África, de uma série de fósseis complexos com 2,1 mil milhões de anos, por um grupo internacional de cientistas, liderado por Abderrazak El Albani, da Universidade de Poitiers, em França. Os organismos descobertos teriam vivido em água do mar, em ambiente raso e com pouco oxigénio.
As primeiras formas de vida na Terra surgiram há 3,5 mil milhões de anos e não passavam de seres unicelulares (com uma única célula), como as bactérias, e sem núcleo interno para "guardar" o material genético. Estes seres sem núcleo celular são os chamados procariotes. Os mais complexos, com núcleo celular, são designados eucariotes.
Em Franceville, a equipa de El Albani encontrou mais de duas centenas de fósseis com dimensões entre um e 12 centímetros, pluricelulares e eucariotes. Têm uma forma arredondada e em espiral - a equipa confirmou sem margem para dúvidas a sua origem biológica - e a sua datação acabou por explodir como uma bomba: 2,1 mil milhões de anos.
O eucariote (com núcleo celular) mais antigo que se conhecia, chamado Grypania spiralis, tem 1,6 mil milhões de anos e, mesmo assim, era composto de uma única célula. Daí a alteração radical que esta descoberta vem implicar na visão que a ciência tem sobre a evolução da vida na Terra.
Vem tudo explicado no artigo Large colonial organisms with coordinated growth in oxygenated environments 2.1 Gyr ago (doi:10.1038/nature09166), de Abderrazak El Albani e outros, que pode ser lido na Nature. Ou, para quem for assinante, aqui.

Fontes: 1 e 2

30 junho 2010

É um carro? Não, é um avião.


O “Transition”, como é chamado, é um veículo movido a gasolina, com tracção nas rodas dianteiras, para circular nas ruas, e um propulsor para o voo. Com as asas dobradas, cabe numa garagem normal. Tem capacidade para dois passageiros, atinge a velocidade de 185km/h no ar, com uma autonomia de voo de mais de 700 km e pode passar de carro a avião em 30 segundos.
O carro-avião é obra da Terrafugia e será lançado no mercado ao convidativo preço de 163 mil euros.

28 junho 2010

Otto Muehl


O corpo, as relações com o corpo, seja pelo excreta (urina, fezes, suor), seja pelas pulsões (eróticas, emocionais), seja por uma necessidade de explorar, controlar, provocar as reacções humanas perante o corpo conduziram Otto Muehl ao Accionismo vienense (considerado um dos movimentos mais estranhos e radicais da história da arte).
Nascido em 1925, Muehl fez estudos no pós guerra, em que participou. Na década de 1960 inicia a chamada “action painting”, com pinturas materiais. Desse período são também as esculturas de dejectos e sucata, parcialmente coloridas, tendo por elementos-base materiais naturais (areia, madeira e pedra, por exemplo). Em 1962, relaciona-se com Hermann Nitsch e Adolf Frohner, no Perinetkeller, em Viena. O encontro mudaria o rumo das artes na Áustria e transformaria o Accionismo vienense num movimento de carácter internacional. No ano seguinte, ocorrem as primeiras performances do grupo, descritas como “a celebração de um naturalismo psicofísico”.
A partir de 1966 começa uma cooperação estreita entre Muehl e o accionista Günther Brus. O corpo humano passa a ser entendido não só como material pertinente às acções, mas também como parte essencial das mesmas. Desde então, é possível acompanhar o nascimento das chamadas “acções totais”.

Escândalos, censura, perseguição judicial e prisão tornam-se uma constante na vida de Muehl. Que mais tarde viria a ser detido sob acusação de pederastia e violação, ficando na cadeia sete anos.
O teor e o alcance das acções ultrapassam as fronteiras da Áustria em finais dessa década e inícios da de 70, e o nome de Otto Muehl, bem como a sua arte, surgem indissociados de temas que eram desconfortáveis às sociedades capitalistas pós-industriais, comprometidas desde os anos 50 com a implantação e a difusão do Estado de bem-estar social.
Em finais de 1969, Muehl aparece na acção “Stille Nacht” (Noite feliz), em que um porco foi dilacerado e o seu sangue, bem como a urina e os excrementos eram atirados ao corpo de uma mulher nua, enquanto se ouviam canções tradicionais de Natal.
O nome de Muehl e do seu grupo accionista começam a ser relacionados com o recém-criado RAF (Rote Armee Fraktion), na Alemanha, depois conhecido como Baader-Meinhof. A ligação era absurda, dado que membros deste grupo o consideravam anal-fascista e burguês, mas à propaganda do Estado convinha que essa associação fosse feita, para criar anti-corpos junto dos cidadãos.

Em 1971 Muehl cria, em Viena, uma comunidade experimental que transladará, em 1974, para Friedrichshof, a este da capital. Orgias envolvendo crianças, muito álcool, estupefacientes e outros excessos atraíram cerca de seis centenas de curiosos deram mau resultado. A coisa ainda assim durou até 1990. No ano seguinte Muehl foi detido e passou quase sete anos no cárcere. Depois de ter sido libertado, acabou a viver no nosso país, no Algarve, juntamente com a mulher e outros seguidores das duas ideias, onde ainda reside.
A sua obra tem sido alvo de retrospectivas nalguns museus.
Aqui podem ser vistas algumas das curtas-metragens que realizou entre finais de 60 e inícios de 70. E aqui está a página do artista.
Este texto foi redigido a partir de várias fontes (1,2,3 e 4).

26 junho 2010

Tony Blair, um herói dos nossos economistas


O povo é crente. O povo é pacífico. O povo ouve os líderes. Os líderes actuam muitas vezes em causa própria, defendendo não o seu país, mas o seu próprio bolso. Tony Blair tem-se revelado um bom exemplo.
«O ex-primeiro-ministro britânico prestou serviços de consultadoria à companhia petrolífera sul-coreana UI Energy Corporation em 2008. Ao longo de dois anos tentou impedir que o acordo fosse público, devido à sua "natureza sensível". Mas agora soube-se que recebeu muito por ele. Só não se sabe quanto. "O que era talvez mais sensível para o senhor Blair era que a UI tinha vastos interesses no Iraque, país que se abriu às companhias estrangeiras depois de as tropas britânicas terem ajudado os EUA a derrubar Saddam Hussein [em 2003]", escreveu recentemente o Daily Telegraph.»
O corolário do seu trabalho a favor da paz será o de se tornar presidente da BP.

25 junho 2010

Ballet Mécanique de George Antheil


«Ballet Mécanique» é uma obra escrita para diversos tipos de instrumentos mecânicos: pianos, capainhas eléctricas, hélices de aviões e outros. A música foi composta em 1924 por George Antheil (o «Bad Boy da música» do século passado, como a si mesmo se considerava o compositor norte-americano) para o filme dadaísta com o mesmo nome, dirigido pelo pintor Fernand Léger e pelo cineasta Dudley Murphy, com fotografia de Man Ray. Mas por desentendimentos entre compositor e realizador, a coisa ficou em águas de bacalhau até aos anos 90. Anthiel pensou numa partitura de 30 minutos para um filme de apenas 16 minutos.
A versão de 1924 foi escrita para 16 pianos, quatro percursionistas, três xilofones, um tam-tam, três campainhas eléctricas, uma sirene e três hélices. Algo que se pôde ouvir na National Gallery (EUA), em 2006. Contudo, como a execução da peça levantava vários problemas, o próprio autor procedeu a ajustes. E em 1953 compôs uma para dez percursionistas e quatro pianos.



Filme e música são hoje levados ao palco em Espanha pelo grupo Neopercusión. Grupo que actuará mais vezes, pondo em cena um espectáculo a que chamou "Mecanicusión, Antiqvacusión e Cuerpusión".
Hoje poder-se-á ouvir obras do percursionista cubano Amadeo Roldán, "Ritmicas V e VI", a estreia em Espanha da obra "Mono-Prism II", do japonês Maki Ishii, «considerado o sucessor de Takemitsu», e a interpretação de "Ballet Mécanique", composta por George Antheil.
Podem ouvir uma amostra indo aqui.

Fonte: ABC

23 junho 2010

Last Portrait of Mother de Daphne Todd



Para superar a morte da mãe, a pintora britânica Daphne Todd passou três dias a pintar o seu retrato na casa mortuária. Ao ter que escolher um quadro para apresentar a concurso (o "British Premium", da National Portrait Gallery), seguiu a opinião de um amigo que lhe disse que esse chamaria a atenção do júri.
Todd pintou Annie Todd (a mãe) várias vezes ao longo da vida. A mãe nunca gostou dos retratos. Segundo o The Guardian, a mãe morreu com 100 anos (há um ano) e a filha pintou-a até a pele ter ganho uma tonalidade esverdeada.
O prémio chegou agora, por se tratar de um retrato com uma força incrível, segundo palavras da directora da National Portrait Gallery.


Ver mais aqui e aqui.

22 junho 2010

Psique e Eros e Almada Negreiros


[Para ampliar, clicar na imagem - retirada daqui]

A Casa da Rua da Alcolena, no Restelo, em Lisboa, feita entre 1951 e 55, tem painéis de azulejos de Almada Negreiros, e nasceu de um projecto de quatro amigos que nela quiseram materializar o mito de Psique e Eros.
Para a historiadora de arte e investigadora italiana Barbara Aniello, a casa é uma "obra de arte total". "É difícil encontrar no âmbito europeu uma casa que reúna estas características", garante - e é isso que defende no e-book A Casa da Rua da Alcolena - História, Mistério, Símbolo (pode ser lido aqui).

O projecto é do arquitecto António Varela, que a desenhou para José Manuel Mota Gomes Fróis Ferrão, poeta e amigo de Almada. A casa é "um conjunto de poesia, porque José Manuel era poeta, de pintura de Almada, escultura de António Paiva e arquitectura de António Varela". Até o jardim faz parte do projecto cúmplice dos quatro amigos. "O jardim, com as suas plantas, foi pensado a partir de uma ideia unitária: o mito de Eros e Psique. Toda a casa conta as metamorfoses de Psique à procura de Eros."
Na altura, José Manuel, o dono da casa, tinha apenas 25 anos. Diz José-Augusto França: "Estranho proprietário este, homem de fortuna, vivendo com sua mãe, amigo do seu arquitecto e do seu escultor, e de Almada, em grandes frequências, autor de dez livros de poemas, entre 1944 e 1964, de limitadas tiragens e que se perderam bibliograficamente, sem registos de história ou de crítica que ao autor eram certamente indiferentes..."
A biblioteca era o centro da casa. No exterior dessa biblioteca, azulejos geométricos feitos por Almada desdobram-se por duas paredes como se fossem um livro aberto. E no interior, nas paredes negras, surgia, desenhada a branco, uma estrela de cinco pontas.
Os onze painéis de azulejos em vários pontos exteriores da casa, todos eles de Almada, repetem o tema de Eros e Psique, do amor sob diferentes formas: Columbina e Arlequim, Maternidade e Paternidade, um par de circo, outro dançante, outro ainda, enlaçado, num barco chamado Eros. Primeiro separados, depois unidos. É a busca da unidade, numa soma mais filosófica do que aritmética. "O casal, diz Almada, resolve-se numa equação impossível: 1+1=1. O que é matematicamente absurdo é filosoficamente exacto e rigoroso."

Para ler mais, ir aqui.

21 junho 2010

Portugal Portugal

"Só alguns dos países do antigo bloco comunista que aderiram à União Europeia (UE) são mais pobres que Portugal. O nosso país é o nono pior no ranking do poder de compra. No topo da lista está o Luxemburgo, com elevada percentagem de população de origem portuguesa."
Abaixo de Portugal estão: Eslováquia, Hungria, Estónia, Polónia, Lituânia, Letónia, Roménia e Bulgária.

Fonte

18 junho 2010

Hip hip hurra!

Daniel de Oliveira põe os pontos nos is em "O Dia do Feriado Nacional". Vale a pena transcrever alguns excertos:

"As duas deputadas católicas (parece que se trata de um estatuto que lhes está reservado) do PS estão preocupadas com a produtividade que se perde nas pontes e nos feriados."

"o dia do trabalhador (ou será o "dia do colaborador"?), data celebrada em todo o Mundo ao mesmo tempo, podia ser num dia qualquer. Ricardo Rodrigues explicou que é mais relevante "celebrar o acontecimento do que celebrar o dia em que teve lugar o acontecimento".

Para atalhar, e seguindo a lógica do deputado dos gravadores, podíamos celebras todos os acontecimentos no mesmo dia."

"A ver se nos entendemos: os feriados não têm como principal função as pessoas não trabalharem, mesmo que muitas delas seja apenas isso que fazem. São, supostamente, dias em que os portugueses revêem a sua história e aquilo que faz deles uma comunidade. Retirar aos feriados o seu sentido simbólico - que é a data - é retirar à celebração tudo o que ela tem."

"Se um feriado é tão insignificante que pode ser celebrado noutra data qualquer, acabe-se com esse feriado"

Escritores e jornalistas

Sempre que morre um escritor, os jornalistas correm atrás dos políticos para recolherem o comentário. Qual a pertinência jornalística da coisa? Nunca consegui perceber. Era suposto pedirem a amigos, a colegas um comentário. Que é que os políticos têm a dizer senão banalidades?
Que peçam um comentário às principais figuras do Estado (Presidente, primeiro-ministro) ainda vá. O resto é pura preguiça informativa. Tédio. Morte.
Em geral, o jornalismo português não passa disso: tédio, morte. É péssimo, alimenta-se, qual abutre, dos textos das agências noticiosas, compraz-se numa auto-suficiência que mostra bem o quanto a maior parte dos jornalistas é ignorante.
Os escritores sabem que dar uma entrevista a um jornal é, quase sempre, falar com alguém que não sabe nada da obra, mas que corre sempre atrás do pequeno escândalo.
A morte de Saramago e a cobertura jornalística são bem a prova disso.

1922-2010 José Saramago


Eram 12h45 em Lanzarote, a mesma hora de Portugal continental, (11h45 nos Açores) quando foi declarado o óbito do escritor, na casa em que residia, na localidade de Tias, na ilha espanhola de Lanzarote.
A última década e meia trouxe-lhe o reconhecimento internacional, como podem ver aqui.

16 junho 2010

Antonio Lucas

Génesis de la palabra

Vestida de desnudez, así naciste,
fundación de vida, aire y vuelo.

Eres corona o cima del deseo,
caverna misma de la infancia donde hubo vida un día,
antorchas de nostalgia,
champán,
pájaro en vilo,
y una flor de costumbre
semejante al amor,
en igual tempestad erguida,
con la misma ansiedad de nombrar el mundo.

Yo quiero que mi voz se eleve por tu espalda
en la danza del mar, donde todo es origen,
en la dulce deriva de la plata del sueño;
hacer contigo el ser del ser,
darte música y latido, esquinas de alegría,
darle forma a quien me besa.

No habrá espacio en que no estés,
no habrá tiempo ni rutina donde digo.
Como lechos nocturnos arderán reinos de niebla.
Será ahí, en el alba quieta de la madera hundida
donde posarás tu rayo absorto,
la energía de ese canto que alberga cuanto fuimos.

Si unís en desconcierto vuestros pechos,
si hacéis de vuestra sombra un sólo humo,
veréis en el esfuerzo la luz de lo aún no dicho:
la daga, la semilla, el ámbar, los metales...
el llanto de los niños con sol en la garganta,
el ultimo violín de la loucura,
los cien días de luto del mar cuando me ahoga.

Qué ardor entonces, qué eléctrica belleza:
evocar un nombre,
sumarle vida.

[in Las máscaras, DVD, 2004, págs. 59-60]

15 junho 2010

Auschwitz Birkenau





[Fotos daqui]

A 14 de Junho de 1940 chegavam 728 prisioneiros políticos à antiga caserna da cidade de Oswiecim, baptizada como Auschwitz pelos nazis. Era o início de um pesadelo que viria a ser designado como holocausto.
A ideia de usar o lugar para campo de concentração nascera em finais de Abril na cabeça do chefe das SS, Heirich Himmler, com a finalidade de receber resistentes polacos.
Alargado o campo, viria a ser cenário, em Setembro de 1941, ainda antes do lançamento da Solução Final, do primeiro assassinato em massa, com gás Zyklon B, de cerca de 600 prisioneiros soviéticos e 250 polacos.
Até à Primavera de 1942, Auschwitz foi essencialmente ocupado por polacos não judeus. Nessa altura, começaram as chegadas de judeus de toda a Europa, num afluxo que obrigaria à criação de Auschwitz-II, ou Birkenau.

Em Auschwitz-Birkenau morreram, segundo os dados do museu do campo, um milhão de judeus, 70 mil a 75 mil polacos não judeus, 21 mil ciganos, 15 mil prisioneiros de guerra soviéticos e dez mil a 15 mil outros prisioneiros, entre os quais resistentes. E nem sequer se pode dizer que ninguém sabia: desde Novembro de 1940, escassos cinco meses após a sua abertura, e ao longo de dois anos e meio, Witold Pilecki, capitão polaco e resistente à ocupação, que viria a participar no levantamento de Varsóvia e seria executado pelo regime comunista do pós-guerra, enviou para o exterior informações, que terão chegado desde Março de 1941 aos britânicos.
Pilecki, que se fizera prender para preparar uma insurreição, recolheu informações com dados sobre extermínio de judeus, câmaras de gás e construção de fornos crematórios. Evadiu-se em Abril de 1943, mas não conseguiu convencer os aliados sobre o Holocausto que ali decorria.

13 junho 2010

Quem edita Eugénio de Andrade?


A editora Quasi faliu. A coisa afectou muita gente, por exemplo a Fundação Eugénio de Andrade, a quem ficou dever muito dinheiro.
Ler mais aqui.

Ciclonudistas


Milhares de pessoas saíram nuas e de bicicleta para as ruas de várias cidades em todo o mundo. Objectivo: promover o uso desse meio de transporte, em detrimento dos automóveis.

Fonte: ABC

Em baixo imagens do ano passado e deste ano.




The 1st Philly Naked Bike Ride from IanK on Vimeo.

12 junho 2010

Um funeral à chuva

Um grupo de antigos colegas de universidade reúne-se na Covilhã, 10 anos depois, para o funeral de um colega, recordando os tempos que passaram juntos. Faz lembrar "Os amigos de Alex", mas é bem português, nas vidas e nas histórias que vai cruzando. Passam em revista as peripécias da vida de estudante (praxes, bebedeiras e mais umas coisas) e fazem algumas revelações sobre a vida íntima. As personagens são estereótipos: o professor certinho ex-folião, o cronista de viagens sempre agarrado à máquina fotográfica, o gay, a apresentadora de TV actriz frustrada, etc. Uma longa-metragem produzida e realizada fora dos centros de decisão, sem dinheiros públicos, com o apoio de empresas e pessoas. "Um funeral à chuva".

10 junho 2010

Renzo Piano, arquitecto



Estou convencido de que um bom edifício é como um fertilizante para a cidade: melhora-a. E um museu parte dessa premissa que a mim me custou a aprender: que a arte torna as pessoas melhores.

Um lugar pensado para as pessoas torna-as melhores. Isso obriga-nos a que, nós os arquitectos, nos desdobremos. Devemos ser construtores, sociólogos e poetas.

Excertos de uma entrevista publicada aqui.