18 abril 2010

Parabéns ao Açoriano Oriental



São 175 anos de jornal. A servir Ponta Delgada e S. Miguel.


Do jogo e redes sociais


Os jogos sociais são a nova moda da internet e dão lucro, muito lucro (os jogos do Facebook geraram já 370 milhões de euros). Logo à cabeça o mundialmente famoso "FarmVille", depois "PetVille", "MafiaWars", "SocialCity", "Café World", "Bubble Island" e outros.
O "FarmVille" tem cerca de 80 milhões de utilizadores e não leva sequer um ano de existência. O "World of Warcraft", o maior jogo online para múltiplos jogadores, apenas 11 milhões.
Sendo jogos gratuitos, como se faz dinheiro? Simples. Deixando agir a alma humana, a rivalidade, a vontade de ganhar, o querer ir à frente. O pior é que as crianças facilmente caem em tentação. Na semana passada, o "The Guardian" revelou o caso de um rapaz britânico de doze anos que gastou 905 libras (1031 euros) a arranjar a sua quinta.

17 abril 2010

Um pouco de som


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Michel Houellebecq

Les nuits passent sur moi comme un grand laminoir
Et je connais l'usure des matins sans espoir
Le corps qui se fatigue, les amis qui s'encartent,
Et la vie qui reprend une à une ses cartes.

Je tomberai un jour, et de ma propre main:
Lassitude au combat, diront les médecins.

[in Renaissance, Flammarion, 1999]

La liberté me semble un mythe,
Ou bien c'est un surnom du vide;
La liberté, franchement, m'irrite,
On atteint vite à l'insipide.

J'ai eu diverses choses à dire
Ce matin, très tôt, vers six heures
J'ai basculé dans le délire,
Puis j'ai passé l'aspirateur.

Le non-ètre flotte alentour
Et se colle à nos peaux humides;
De temps en temps on fait l'amour,
Nos corps sont las. Le ciel est vide.

[idem]

Alexa Meade




Águias distintas

O leão (fêmea) e a águia (macho)

16 abril 2010

Ainda a procissão vai no adro...


...e já se faz sentir o coro de protestos. Mas a política educativa continua assente num pilar sagrado: o sucesso. Para o alcançar vale tudo e duas décadas de eduquês conseguiram o milagre: o que já era mau tornou-se péssimo.
"Boa parte dos estudantes universitários é incapaz de escrever sem erros ortográficos, encadear um raciocínio com princípio, meio e fim, interpretar um texto ou perceber o que é dito na aula. São os próprios professores a reconhecer que o domínio da língua portuguesa é uma aprendizagem que a maioria dos seus alunos não fez no ensino secundário e ainda não consegue fazer no ensino superior. As dificuldades atravessam os cursos que vão das ciências sociais e humanas às ciências exactas e estendem-se a disciplinas como História, Matemática, Física, Gestão, Jornalismo ou Ciência Política."
Os problemas são imensos e as consequências desastrosas.
Que se faz?
Continua-se com a política da desresponsabilização. Com o ancestral "coitadinhos" e o consequente "perdoar".
É uma geração perdida, que vive para o espaço público, para a comunicação em que pouco se comunica, para um vazio que se preenche com mais vazio.
O vazio ancora-se no "ter direitos", pois num país com tantos anos de ditadura ainda soa mal dizer que a escola não se fez para ser democrática, mas para aprender. E tudo se faz ainda contra esse velho princípio. Desde o aprender a aprender, até outros lugares comuns rançosos. Tudo vale, logo que se conserve a debilidade de pensamento e a algaraviada na comunicação.
O que importa é fazer de conta. Fazer de conta que todos sabem. Fazer de conta que todos comunicam.

15 abril 2010

Rimbaud em Aden, na Abissínia



A foto de um grupo de seis homens e uma mulher numa varanda do Hotel de l’Univers, em Aden, na Abissínia, foi encontrada por acaso por dois livreiros numa feira de rua de antiguidades.
A fotografia tem escrito na parte de trás: Hotel de l’Univers – precisamente aquele em que Rimbaud esteve instalado em Aden, onde viveu os últimos anos da sua vida, antes de morrer em França, aos 37 anos. E ele ali está, à direita da mulher.
São muito raras as imagens de Rimbaud durante o período em que viveu em África, e em nenhuma é possível distinguir claramente os traços do seu rosto. Na que agora os dois livreiros divulgaram o rosto vê-se nitidamente, os olhos tristes, um pequeno bigode.

Para ler mais sobre a descoberta e a autenticação da foto: aqui e aqui.

13 abril 2010

Dia Mundial do Beijo


Hoje é dia mundial do beijo. O beijo dá saúde. Exercita dezenas de músculos, liberta endorfinas, combate a depressão, diminui o stress, queima calorias. Dizem os estudiosos que os beijos apaixonados libertam endorfinas, substâncias químicas que proporcionam sensações de prazer, euforia, bem-estar. Ajudam ainda a queimar cerca de 12 calorias e activam 29 músculos. O aumento da tensão arterial e da temperatura da pele são outras das suas consequências benéficas.

11 abril 2010

Gilles Lipovetsky

A cultura-mundo é constituída por cinco grandes lógicas: o mercado, a ciência, a informação, a indústria cultural e as novas tecnologias de comunicação e a individualização. Cinco vectores que estão a presentes em todo o planeta, em graus diferentes, e que fucionam como vectores de unificação planetária, uma vez que aproximam as sociedades (...)

É uma cultura mundial, que obedece aos mesmos princípios que a economia. Hoje em dia, a cultura vende-se, compra-se, exporta-se.

Uma marca, hoje, não vende apenas um produto, vende uma cultura, um estilo de vida. Contratam-se designers, publicitários, criativos, que investem mais na marca do que no produto.

Hoje, vivemos o capitalismo das marcas, do hiperconsumo, onde há tanta escolha entre produtos semelhantes.

Se por um lado, a cultura-mundo aproxima as sociedades – porque têm as mesmas marcas, os mesmos produtos -, por outro, contibui para a diversificação dos indivíduos. O colectivo assemelha-se, mas o indivíduo diferencia-se nesse colectivo.

É um vector de aceleração do individualismo, da individualização, que existe mesmo nos países que se mostrem hostis à mundialização. É o caso do mundo islâmico.

A cultura-mundo acelera a desorientação. Desde o século XIX, que os grandes pensadores ocidentais assinalam este fenómeno, de que a modernidade desorienta.

Do ponto de vista material, atingimos o bem-estar, mas no plano interior não. Vivemos deprimidos, ansiosos...

Mais: aqui.

Shag bands ou pulseiras de sexo


Parecem um simples acessório de moda, mas há quem as use com fortes conotações eróticas. São pulseiras coloridas e cada cor tem o seu código próprio. As Shag Bands surgiram no Reino Unido e logo se espalharam pelo mundo. Quem as usa com esse propósito predispõe-se a que a pulseira seja partida para que se concretize o desejo.
A pulseira amarela significa que se deseja um abraço; a cor-de rosa: mostrar os seios; a cor de laranja: chupão no pescoço; a roxa: beijos com língua; a vermelha: fazer um lap dance (strip-tease); a azul escuro: sexo oral; a azul claro: sexo anal; a verde: masturbação; a preta: fazer sexo; a branca: escolhe-se o que se quer; a cinzenta: sexo ao ar livre; a dourada: fazer todas as anteriores.

Fonte: Urban Dictionary

08 abril 2010

Malcolm McLaren (1946-2010)


Malcolm McLaren foi o "inventor" dos Sex Pistols.
Em 1971, McLaren abriu em Londres uma loja de roupas com a estilista Vivienne Westwood chamada Let It Rock (depois rebaptizada de Sex). Diz-se que os Sex Pistols nasceram precisamente nessa loja, onde McLaren encontrou os quatro membros da banda que passavam ali muito tempo, pois eram funcionários da loja, excepto o vocalista, embora fosse frequentador assíduo da loja.
A banda despoletou o movimento punk em Inglaterra, causando polémica, pois esta era o ingrediente necessário para o sucesso.
Malcolm McLaren esteve a partir de 1975 na crista da onda e soube farejar o que que ia estar na moda. Fosse música ou performance.

04 abril 2010

Portugal por São José Almeida

Ninguém parece ter estranhado que a aprovação parlamentar do plano que irá reger a economia estatal nos próximos anos estivesse a ser aprovada sob pressão de empresas privadas que representam interesses financeiros, como se fosse normal que a gestão política dos Estados esteja submetida à lógica do mercado.

(...)

Se dúvidas houvesse de que o representante da Fitch estava a esticar a real capacidade de influência de uma empresa privada sobre o poder político democraticamente eleito em Portugal, o ministro das Finanças veio desfazê-las com o alerta para que os deputados - que supostamente são independentes de influências e devem agir de acordo com o que entendem ser os interesses do país - não se atrevessem a chumbar o PEC (...)

[As principais agências de rating são a Fitch, a Standard & Poor's e a Moody's] não é segredo para ninguém que estas agências têm interesses no mercado que avaliam, são propriedade de grupos financeiros e funcionam também como consultoras de empresas, para quem elaboram pareceres. Ou seja, são avaliador e avaliado, pois aconselham aqueles que avaliam.

(...) é bom não esquecer que os famosos bancos que faliram em 2008 estavam avaliados precisamente por estas excelentes agências de rating (...)

(...) é suposto um Estado democrático de direito ser gerido por um governo de representantes políticos, eleitos pelo voto soberano popular, e escolhido entre o escol que é apresentado a sufrágio pelos partidos. Aliás, os partidos são mesmo a estrutura de representação popular no exercício do poder, em que os eleitores delegam a função de gerir o Estado de acordo com o interesse geral e em obediência ao princípio de igual tratamento de todos perante a lei. E é também suposto que os partidos e os seus eleitos sejam independentes e não cedam a interesses privados, antes defendam o interesse de todos.

Só que o que esta manchete do PÚBLICO e o destaque do jornal de dia 25 de Março mostram é que afinal a realidade é outra. O que é verdade é que quem manda no Estado português e decide sobre as orientações políticas que são dadas à governação não é o soberano representado pelos deputados eleitos, mas os interesses económicos internacionais, obscuros porque não democraticamente eleitos.

Artigo completo aqui

02 abril 2010

Desastre

Ele ia numa maca, em ânsias contrafeito,
Soltando fundos ais e trémulos queixumes;
Caíra dum andaime e dera com o peito,
Pesada e secamente, em cima duns tapumes.

A brisa que balouça as árvores das praças,
Como uma mãe erguia ao leito os cortinados,
E dentro eu divisei o ungido das desgraças,
Trazendo em sangue negro os membros ensopados.

Um preto, que sustinha o peso dum varal,
Chorava ao murmurar-lhe: "Homem não desfaleça!"
E um lenço esfarrapado em volta da cabeça
Talvez lhe aumentasse a febre cerebral.

Flanavam pelo Aterro os dândis e as cocottes,
Corriam char-à-bancs cheios de passageiros
E ouviam-se canções e estalos de chicotes,
Junto à maré, no Tejo, e as pragas dos cocheiros.

Viam-se os quarterões da Baixa: um bom poeta,
A rir e a conversar numa cervejaria,
Gritava para alguns: "Que cena tão faceta!
Reparem! Que episódio!" Ele já não gemia.

Findara honradamente. As lutas, afinal,
Deixavam repousar essa criança escrava,
E a gente da província, atónita, exclamava:
"Que providências! Deus! Lá vai para o hospital!"

Por onde o morto passa há grupos, murmurinhos;
Mornas essências vêm duma perfumaria,
E cheira a peixe frito um armazém de vinhos,
Numa travessa escura em que não entra o dia!

Um fidalgote brada a duas prostitutas:
"Que espantos! Um rapaz servente de pedreiro!"
Bisonhos, devagar, passeiam uns recrutas
E conta-se o que foi na loja dum barbeiro.

Era enjeitado, o pobre. E, para não morrer,
De bagas de suor tinha uma vida cheia;
Levava a um quarto andar cochos de cal e areia,
Não conhecera os pais, nem aprendera a ler.

Depois da sesta, um pouco estonteado e fraco,
Sentira a exalação da tarde abafadiça;
Quebravam-lhe o corpinho o fumo do tabaco
E o fato remendado e sujo da caliça.

Gastara o seu salário- oito vinténs ou menos-
Ao longe o mar; que abismo! e o sol, que labareda!
"Os vultos lá em baixo, oh! como são pequenos!"
E estremeceu, rolou nas atrações da queda.

O mísero, a doença, as privações cruéis
Soubera repelir - ataques desumanos!
Chamavam-lhe garoto! E apenas com seis anos
Andara a apregoar diários de dez-réis.

Anoitecia então. O féretro sinistro
Cruzou com um coupé seguido dum correio,
E um democrata disse: "Aonde irás, ministro!"
Comprar um eleitor? Adormecer num seio?"

E eu tive uma suspeita. Aquele cavalheiro,
-Conservador, que esmaga o povo com impostos-,
Mandava arremessar- que gozo! estar solteiro!-
Os filhos naturais à roda dos expostos....

Mas não, não pode ser... deite-se um grande véu...
De resto, a dignidade e a corrupção... que sonhos!
Todos os figurões cortejam-no risonhos
E um padre que ali vai tirou-lhe o solidéu.

E o desgraçado? Ah! Ah! Foi para a vala imensa,
Na tumba, e sem o adeus dos rudes camaradas:
Isto porque o patrão negou-lhes a licença,
O inverno estava à porta e as obras atrasadas.

E antes, ao soletrar a narração do facto,
Vinda numa local hipócrita e ligeira,
Berrara ao empreiteiro, um tanto estupefacto:
"Morreu!? Pois não caísse! Alguma bebedeira!"

Cesário Verde

01 abril 2010

Gil Vicente


De Gil Vicente (1465?-1537?) pouco se sabe. Desconhece-se o local e a data exactos do nascimento e da morte. Alguns documentos dão-no como ourives, além de dramaturgo.
Sabe-se que no dia 8 de Junho de 1502 apresentou um monólogo à rainha D. Maria. Que transcrevemos abaixo.
É provável que tenha nascido em Guimarães, ou algures na Beira, cedo se fixando em Lisboa. Na capital, a sua principal ocupação parece ter sido a de escrever e representar autos nas cortes do rei D. Manuel e do rei D. João III.
É considerado o pai do teatro português.
De 1502 a 1536, Gil Vicente produziu mais de quarenta peças de teatro, chegando a publicar em vida algumas delas. Colaborou no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende. No entanto, só em 1562 o filho, Luís Vicente, publicou toda a sua obra com o título Compilaçam de todalas obras de Gil Vicente, a qual se reparte em cinco livros. Da compilação, destacamos as peças mais conhecidas: Auto da Índia (1509), Exortação da Guerra (1513), Quem Tem Farelos? (1515), Auto da Barca do Inferno (1517), Auto da Fama (1521), Farsa de Inês Pereira (1523), Auto da Feira (1528) e Floresta de Enganos (1536).


Ouve-se, fóra de scena, o vozeio dos guardas do paço, e entra logo, vestido de briche e ceifões de pele, manta do Alentejo ao hombro, e cajado de azambujeiro na mão, o


Vaqueiro:

Apre!, que sete impurrões
me ferrarram á entrada,
mas eu dei uma punhada
num de aqueles figurões.
Porém, se de tal soubera,
não viera;
e, vindo, não entraria;
e se entrasse, eu olharia
de maneira
que nenhum me chegaria.
Mas, está feito, está feito;
e, se se fôr a apurar,
já que entrei neste lugar
tudo me sae em proveito.
Té me regala ver coisas
tão formosas,
que se fica parvo a vê-las!
Eu remiro-as, porém ellas,
de lustrosas,
a nós outros são danosas.

«Fala á Rainha»

Meu caminho não errou?
Deus queira que seja aqui,
que eu já pouco sei de mi,
nem deslindo aonde estou.
Nunca vi cabana tal
em especial
tão notavel de memória:
esta deve ser a glória
principal
do paraiso terreal!

Seja que não seja, embora,
quero dizer ao que venho,
não diga que me detenho
a nossa aldeia já agora.
Por ella vim saber cá
se certo é
que pariu Vossa Nobreza?
Crei' que sim, que Vossa Alteza
tal está
que de isto mesmo dá fé.

Mui alegre e prazenteira,
mui ufana e esclarecida,
mui perfeita e mui luzida,
muito mais que de antes era.
Oh!, que bem tão principal,
universal!
Nunca se viu prazer tal!
Por minha fé--vou saltar!
Eh!, zagal,
diz' lá, diz' lá:--saltei mal?

Quem queres que não rebente
de alegria e gasalhado!
De todos tão desejado,
este príncepe excelente,
oh!, que rei terá de ser!
A meu ver,
deviamos pôr em gritos
a alegria e a esperança,
que até os nossos cabritos
desde hontem, co'a folgança,
não cuidam já de pascer.

E todo o gado retouça,
toda a tristeza se quita;
com esta nova bemdita
todo a mundo se alvoroça.
oh!, que alegria tamanha,
a montanha
e os prados refloriram,
porque agora se cumpriram
cá nesta mesma cabana
todas as glórias de Espanha.

Que grão prazer sentirá
a grão côrte castelhana!
Quão alegre e quão ufana
a vossa mãe não estará,
e, á uma, toda a nação!
Com razão,
que de tal rei procedeu
o mais nobre que nasceu:
seu pendão
não sofre comparação.

Que pai, que filho, e que mãe!
Oh!, que avó, que avós os seus!
E suas tias, tambem!
Bemdito o Senhor dos céus
porque ell' tal familia tem!
Viva o príncepe logrado
que é o bem aparentado!

Se agora vagar tivera
e depressa não viera,
maldito seja eu então
se aqui a conta não dera
de esta sua geração.
Será rei Dom João Terceiro,
o herdeiro
da fama que nos deixaram,
nos tempos em que reinaram,
o Segundo e o Primeiro
e ind'outros que passaram.

Mas ficaram-me lá fóra
uns trinta ou mais companheiros,
pastores, zagaes, porqueiros,
e vou chamá-los agora;
elles trazem p'ra o nascido
esclarecido,
ovos e leite fresquinhos,
e um cento de bolinhos;
mais trouxeram
queijos, mel--o que puderam...

E ora os quero ir chamar,
mas, por via dos puxões,
agarrem os figurões
p'ra gente poder entrar.


Ouve-se ao longe, uma gaita de foles.

«Entram certas figuras de pastores e oferecem ao príncepe os ditos presentes.»

Os patrões têm, em média, menos escolaridade


A formação escolar dos empregadores portugueses é substancialmente inferior à da população empregada, e também à dos seus colegas espanhóis e à da média dos empregadores dos 27 Estados-membros da União Europeia, segundo dados relativos a 2008.
As qualificações dos empregadores nacionais – que coincide com o de empresários ou de patrões – perde para a da população empregada (vulgarmente designada por “trabalhadores”) em todas as categorias consideradas pelo Instituto Nacional de Estatística de Portugal e pelo de Espanha, que divulgaram hoje a publicação “A Península Ibérica em Números – 2009”, onde constam estes dados.

in Público

27 março 2010

Joaquim Manuel Magalhães


Num livro com menos de 200 páginas está tudo aquilo que Joaquim Manuel Magalhães pretende ser, agora, enquanto poeta. Um toldo vermelho é nada menos nada mais do que uma obra de síntese. Onde o autor rasurou e reescreveu o que havia publicado.
Joaquim Manuel Magalhães chega à idade da reforma com um fôlego e um ímpeto que fazem lembrar os idos de 1970. O único senão é haver já quem saiba de memória alguns dos poemas e tenha levado a mal o fundo trabalho de limpeza a que o autor os submeteu, alterando-os radicalmente.
A prosódia acima de tudo? Quase. Mantém-se uma intensidade laminar que sempre caracterizou a sua poesia. Acentuou-se a propensão barroca que havido ficado contida em livros anteriores. Criou-se uma nova tensão, que aposta mais na linguagem e menos no sentido. E há um claro afastamento da ideia de partilha, seja por via do enriquecimento vocabular, seja pela rasura dos fios narrativos.
Joaquim Manuel Magalhães aproxima-se de um filão posto de lado há já algumas décadas, onde brilham nomes como Aquilino Ribeiro ou Tomás da Fonseca e que também chegou a seduzir poetas como Vasco Graça Moura.
O resultado é: vazio. Um vazio cheio de palavras, cheio de nervo, mas vazio. Cujo sentido, como assinalou e bem Luís Miguel Queirós, apenas funciona em contraponto com os poemas anteriores.
Verbos e conectores podem ser postos de lado - nada disso é novo. A mecânica interna pode ser uma paixão - há pessoas que adoram desmontar relógios. A arte contemporânea pode ser culturalmente bem remunerada e contaminar o espaço público - mas inevitavelmente o croché será arrumado na prateleira respectiva.
Resta-nos pois o desassossego, a inquietação e a insatisfação de ver uma obra poética reduzida a um colorido quadro de ladrilhos e mosaicos bizantinos e a certeza de que as bibliotecas existem por alguma razão.

26 março 2010

Fumar mata


Chama-se Tane Koleci, é albanesa e tem 113 nos. Vive numa casa nos arredores da cidade de Durrës. Quase surda e com dificuldades de visão, Tane passa grande parte do dia deitada numa cama, o único móvel que existe no quarto. Não tem luz eléctrica. Vive na miséria, com uma ajuda social de 20 euros por mês, que gasta em cafés e quase um quilo de tabaco por mês. Após acordar, a centenária toma quatro cafés, sem açúcar, e outros quatro ao longo do dia. Os amigos mais próximos são um velho cachimbo e uma caixa metálica, presente do marido, Veli, que morreu há 39 anos.
Durante muito tempo, viveu abandonada na aldeia até que um primo, Mexhid, e a sua mulher, Zahide, de 72 anos, a acolheram em casa, há três anos. "Tane não sofre de nenhuma doença. De vez em quando damos-lhe um remédio para dormir. Nada mais", diz o primo.

Fonte: JN

24 março 2010

Quando não há mais nada, lá volta o cigarro à baila


O cigarro é um criminoso. Logo, deve ser eliminado? Não. Apenas proibido. O importante é proibir. E vigiar. A vigiar é que a gente se entende. E depois, ah, depois... A saúde está primeiro. A saúde... Cada época tem as suas taras. A dos finais do século passado virou-se para o grande negócio que é a saúde. Sobretudo no mundo ocidental. Ou seja, nos países "desenvolvidos". O desenvolvimento é assim: saúde. Qualquer português sabe que por cá a saúde sempre foi o mais importante. Por isso somos um país saudável, apesar dos salários baixos e de gestores e patrões e políticos medíocres. Mas no que toca à saúde estamos bem, obrigado. E podemos ficar melhor, se proibirmos que se fume dentro dos automóveis. Liberdade, sim, mas devagar. O Estado precisa de pessoas saudáveis. Reparem que os especialistas não dizem que há excesso de automóveis (movidos quase todos a combustíveis fósseis) e que isso é prejudicial à saúde. Não. Isso é secundário. O importante é o cigarro. Porque o cigarro mata. E a morte não existia se não houvesse cigarros.
Se não houvesse cigarros, acabavam os problemas do mundo ocidental. Éramos logo todos mais felizes e saudáveis.
Vou, por isso, em homenagem aos clínicos britânicos acender um cigarro e fumá-lo em sua honra.

21 março 2010

Da coisa


Não sei se já vos aconteceu o mesmo. Ouço falar da coisa e dá-me náuseas. A afectação domina. As poses, os tiques, a vaidade. De resto, o vazio. Muito vazio. Vazio que atiram para cima do imenso vazio que é já a vida quotidiana de muitos, de milhões.
A mediocridade está, de facto, bem distribuída e é universal. Mas custa-me sempre suportá-la. Sobretudo quando teimam em associar duas coisas tão opostas como poesia e a coisa.
A coisa é o que é por muitas razões. Desde logo por um velho hábito feudal de quem sabe ler parecer mais em terra de iletrados. E Portugal é um país de iletrados. Lê-se mal. Depois por um velho hábito clerical, de não saber falar, de encher a boca com algodão e arrastar as sílabas como se fossem pastilha elástica.
A coisa é deprimente. Sabe a ranço e repete-se todos os anos no dia da coisa. A coisa pode ser o Dantas, pode ser outra merda qualquer. O pior são as moscas, sempre tantas. Amostras por aqui (1 e 2)

18 março 2010

Livros, esses objectos de desejo


O roubo de livros é moeda corrente. Mesmo gente à partida insuspeita não resiste à tentação. Disso se fala hoje numa pequena reportagem que pode ser lida aqui. O texto não é dos melhores, talvez por lhe terem roubado palavras. às vezes a economia dá nisto: perda de sentido. Assim, não se percebe qual a relação entre as marcas dos veículos e o modo como um livreiro recuperou mil livros roubados. Há mais coisas que não se percebem. Se calhar, o propósito é mesmo esse, não se perceber. E dar um ar de graça. Mas que graça pode haver em roubar bestsellers? Já alguém que rouba poesia e música erudita merece a nossa atenção. Será a reencarnação de Genet (autor de Diário de um ladrão) ou um moralista a coberto da Arte de Furtar?

Plumulitid machaeridian


Em Ottawa (Canadá) foi descoberto o fóssil com esqueleto completo de um Plumulitid machaeridian, um verme com 450 milhões de anos.
Os plumulitids foram anelídeos (vermes segmentados, com o corpo formado por "anéis"). O grupo inclui as minhocas e as sanguessugas que se podem encontrar em toda parte, no fundo do mar ou na terra de um quintal.
Quando o fóssil foi encontrado estava coberto por placas mineralizadas. As placas eram rígidas, mas permitiam que os anelídeos se movessem, proporcionando-lhes uma armadura protectora, muito semelhante às de metal flexível, inventada pelos seres humanos.

Mais, aqui e aqui.

16 março 2010

O fim das borboletas e demais espécies




Eis uma notícia que entristeceria Vladimir Nabokov: as borboletas da Europa estão ameaçadas. Um terço das 435 espécies tem visto o número de exemplares a diminuir e cerca de 9% encontra-se já em perigo de extinção.
O mesmo está a acontecer com os escaravelhos e com as libélulas. Causas? O homem apropria-se do habitat natural dessas espécies. Onze por cento dos escaravelhos 'saproyxylic' - que dependem da madeira podre - e 14% das libélulas estão também em vias de extinção. A Europa perde em toda a linha.
O turismo, os incêndios, novas técnicas agrícolas e as mudanças climáticas estão na origem do fenómeno.
Os ecossistemas estão a colapsar. Mas o homem continua impávido e sereno na senda do lucro, adepto de uma visão económica de grande produção, de cotações bolsistas, de especulações no imobiliário, etc. Há muito se ouvem gemidos letais. Mas enquanto a aparência de bem-estar se mantiver tudo isto parece coisa de biólogos lunáticos que, em vez de pensarem em criar cereais transgénicos continuam preocupados com a velha e arcaica natureza.

Para saber mais, dar um passeio até este sítio.

Gonja Sufi & The Gaslamp Killer

Curiosa forma de vida

O Estado gasta muito dinheiro com o salário dos seus funcionários. Precisa desses funcionários? Se precisa é uma despesa necessária. Se não precisa, tem que se libertar dessa mão-de-obra.
A eficiência consegue-se de muitas maneiras. Dizem que a melhor é envolvendo as pessoas nos projectos. Mas isso parece ser coisa que ao Estado pouco importa. O Estado é gerido por pessoas que são eleitas e escolhem as chefias. Auferem os vencimentos mais elevados, têm benesses e regalias impensáveis para o comum do funcionário. Mas para os governantes conservarem o poder há custos. Curiosamente, ninguém se preocupa com isso. Gasta-se em publicidade, outsourcing, projectos, estudos, pareceres e consultoria uma fortuna. Quase cem milhões de euros por ano.
A crise, já se sabe, é para o mexilhão. Que sofre na pele tudo e mais alguma coisa. E que paga. E bem. Paga as altas cilindradas e o combustível. Paga almoços, jantares, hotéis e outras despesas "de representação", paga flores, paga adereços, paga casas e palácios, paga contas astronómicas de telefone, de luz, de água; de papel, computadores, impressoras.
Quem reduz essas despesas?
Às vezes, ouve-se dizer que no museu X ou na biblioteca Y não há dinheiro para... papel higiénico. Pois.

Olhos de Morder Lembrar e Partir

ou ouvido

Frases que não querem dizer nada
Enquanto não as soubermos dizer. Sábado
Fechou as persianas, deixou-se dormir.

Dissimuladas em máximas e sorrisos
Frases como 'não matarás', morremos logo
Atiram-nos sangue amizade candura.

Parece impossível a boca, a desculpa
Pequenos descuidos como bolor ou
As cortinas, a tanta literatura

O teatro e poder dessa fome
Que se alimenta do não sair à rua.


genealogia

Escarnecem-se a si próprios quando escarnecem dos outros
Heráldica de heróis e monstros
Com que desde a infância
Os olhos frios
A falta de carinho.
Ah se a chuva não fosse, os vizinhos aos gritos
As mãos umas nas outras, interiores
Os rasgados cartazes dos muros
O lado iluminado das montras
O não sair à rua
Nem saber estar com os outros.

[in Carlos Luís Bessa, Olhos de morder lembrar e partir, Black Sun Editores, 2000]

15 março 2010

Agustín Víctor Casasola (1874-1938)



Ilustração da página 319 (Fortino Samano antes de ser fuzilado e no momento do seu fusilamento) de Troppo Vero (Pre-Textos, 2009), de Andrés Trapiello e uma foto mais, do assassinato de Pancho Villa (30 de Julho de 1923).

12 março 2010

Do oito para o oitenta

No espaço de duas décadas passamos de uma escola onde a autoridade do professor era real para uma escola que legitima a insolência, a preguiça, a má-criação dos alunos.
As campanhas reiteradas, até por gente que tem tutelado a pasta da Educação, contra os professores há muito deram frutos, razão pela qual foi criada a linha telefónica SOS Professor ou razão que levou o Procurador Geral a insistir há não muito tempo que atentar contra a pessoa do professor é crime e a ter explicado porque o é.
Portugal é um país com défices estruturais medonhos em todos os sectores. O do ensino não foge à regra. Com a agravante de os professores terem interiorizado muito rapidamente todos os tiques e chavões do eduquês, esse caldo requentado que legitima um abaixamento brutal nas competências alcançadas pela generalidade dos alunos no fim de cada ciclo de ensino.
Paralelamente, a legislação foi sendo orientada para objectivos fictícios, que passam pelos quadros estatísticos e pelas piscadelas de olho aos pais, essa entidade amorfa que, no seu pior, usa e abusa da escola com efeitos nefastos (antidemocráticos, de laxismo e no sentido de impedir que os filhos saiam da cepa torta, embora possam chegar a licenciados).
Tudo junto faz com que a sociedade portuguesa seja confrontada quase todos os dias com casos complicados que saltam das escolas para os noticiários.
Com Maria de Lurdes Rodrigues assistiu-se a um fenómeno inédito no corpo docente do ensino básico e secundário: a união. E a sensação de que algo estava a mudar. Mas a mudança é meramente fictícia.
Não nos esqueçamos que nestas duas décadas quer ao nível da formação de professores, quer ao nível geral tudo se tem feito para permitir situações lamentáveis, cuja factura social se começará a pagar de forma dramática em breve (o número de licenciados no desemprego é apenas uma gota de água).
Como sempre acontece quando as coisas dão para o torto, todos sacodem a água do capote. Mas é preciso não esquecer que as políticas têm rostos e nomes.

É da idade

Fizemos uma montagem com transcrições das notícias de três jornais: Público, i e DN. As frases dizem tudo. Mostram como o professor era frágil, como os alunos o tratavam, como a escola (colegas e direcção) o ignoravam, como ele estava só no mundo do faz de conta que é a escola portuguesa.

1) Luís V. C. tinha 51 anos, vivia com os pais em Oeiras, era professor de música contratado e foi colocado este ano lectivo na Escola Básica 2+3 de Fitares, em Sintra. As suas habilitações incluíam uma licenciatura em Sociologia, o ter sido jornalista durante alguns anos e colaboração com o Boletim Actual da Câmara de Oeiras, onde assinava crónicas.
2) Na manhã de 9 de Fevereiro, L. V. C. parou o carro no tabuleiro da Ponte 25 de Abril, no sentido Lisboa-Almada. Saiu do Ford Fiesta e saltou para o rio.
3) Logo nos primeiros dias terão começado os problemas com um grupo de alunos do 9º ano. A indisciplina na sala de aula foi crescendo todos os dias, chegando ao ponto de não conseguir ser ouvido. Dentro da sala, e ao longo de meses, os alunos chamaram-lhe careca, tiraram-lhe o comando da aparelhagem das mãos, subindo e descendo o volume de som, desligaram a ficha do retroprojector, viraram as imagens projectadas de cabeça para baixo.
4) Houve vezes em que L. V. C. expulsou os alunos da sala, vezes em que fez participações disciplinares. Foram pelo menos sete as queixas escritas que terá feito à direcção da escola.
5) O resultado das participações foi nulo. A direcção apenas lhe propôs assistir a aulas de colegas para aprender a lidar com as provocações.
6) Nos corredores valia tudo. Um dia, chamaram-lhe cão. Nos outros dias, deram-lhe "calduços" na nuca à medida que caminhava até à sua sala de aula.
7) O professor de música não falava com ninguém. Chegava às sete da manhã para preparar a aula. Montava o equipamento de som, carregava os instrumentos musicais da arrecadação até à sala. Deixava tudo pronto e depois entrava no carro. Ficava ali dentro, de braços cruzados, e só saia para dar a aula. L. V. C. preferia estar no carro em vez de enfrentar uma sala de convívio cheia de colegas.
8) Os alunos dividem-se sobre o professor, mas concordam que "era muito calado" e que "não convivia muito nem com alunos nem com professores". Uns recordam com saudade as aulas onde puderam tocar instrumentos e ver filmes relacionados com música e dança. Outros insistem que "ele era estranho" e que "não impunha respeito". Mas não negam que eram "mal comportados". "Portava-me sempre mal, mas não era por ser ele. Somos assim em todas as aulas, é da idade", reconheceu um dos alunos que tiveram mais participações por indisciplina.
9) "Também sou professora de música e nunca ouvi dizer que [o professor] era alvo de gozo e de maus tratos. Ele nunca nos disse nada", disse à agência Lusa uma docente que pediu para não ser identificada.
10) "Evitava expulsar os alunos porque temia parecer inábil perante a direcção da escola", diz o psicólogo que seguia LVC há dois anos.
11) Professores e pais da Escola Básica 2,3 de Fitares, Sintra, manifestaram-se hoje indignados com a associação entre o suicídio de um docente e a indisciplina dos alunos, argumentando que o caso está a perturbar os estudantes.

11 março 2010

Atenção: Bêbados na estrada


Na Roménia há um sinal de trânsito novo: Atenção Bêbados. O tormento dos automobilistas.
Um boneco de gatas no encalço de uma garrafa, que pela fraca condição física retratada se supõe de álcool, avisa os condutores que passem pela animada zona de restaurantes e bares da cidade romena de Pecica para os perigos a que se expõem. E para que não subsistam hesitações na interpretação da mensagem, as autoridades acrescentam a legenda: “Atenção - Bêbados”.
Parece que tem havidos muitos acidentes por causa de peões etilizados. Inclusive mortes. Em Pecica moram 13 mil pessoas. Fica a cerca de 20 quilómetros da fronteira com a Hungria, e a 482 da capital romena, Bucareste. E conjuga duas perigosas características: intenso tráfego rodoviário e uma animada diversão nocturna.
Os habitantes de Pecica consideram a nova sinalética divertida.

Fonte: JN

Pensar o espaço

Comer, beber, ver e estar

Luz, ordem, espaço

Natureza com porta

Cor. Forma. Plano

A minha camisola e o museu

Ser ou não ser

10 março 2010

A evaporação de um pássaro

Um leitor deste blogue gostava muito de Mark Linkous. Aqui fica, em sua homenagem, uma música que tanta companhia lhe fazia.

Da universidade portuguesa


José Gil ao DN:

"As pessoas que constituem a academia portuguesa não estão abertas ao pensamento uns dos outros. Vivem isoladas, só pensam nelas e nas suas carreiras."

"Neste momento, acho que Portugal está a abdicar da exigência democrática. Não há um esforço para pensar em alternativas além dos paradigmas reformistas vigentes."

Mais frases do autor noutra entrevista, aqui.

Spínola


Foi marechal e após o 25 de Abril de 1974 assumiu a Presidência da República. Mas... como homem do antigo regime, não se sente confortável com o rumo esquerdizante que o país parecia tomar. Tenta um golpe a 28 de Setembro desse ano que falha e vê-se obrigado a abandonar a presidência. Não desiste e no 11 de Março de 1975 surge ligado ao golpe de estado de extrema-direita. Que mais uma vez falha e o obriga a fugir.
Spínola era já um terrorista e junta-se a um Pide no Exército de Libertação de Portugal (ELP). Ao ELP devem-se vários ataques bombistas a sedes de partidos políticos, o assassinato de um padre e outros actos de terrorismo.
Sabe-se que António de Spínola queria voltar ao poder através de um golpe de Estado e eliminar fisicamente os adversários políticos, segundo conta o jornalista Guenter Wallraff, que em 1976 se encontrou com o general na Alemanha, disfarçado de traficante de armas. O facto de Spínola lhe ter dito que queria armas para exterminar fisicamente os adversários levou depois a que as autoridades suíças, a quem Wallraff entregou provas, o detivessem e extraditassem mais tarde para o Brasil.

Fonte: JN

09 março 2010

Sócrates e as injustiças

O homem não se enxerga. Tem a lata de vir dizer que o actual sistema fiscal é muito injusto. Se pensa assim porque não o mudou na legislatura passada quando teve maioria absoluta?
De cada vez que anuncia com pompa e circunstância mete a pata na poça. E volta a mentir. Mal ganhou as eleições depois de Santana demonstrou que mentir é inevitável.

Como aumentar os impostos e dizer que não há aumentos


Fonte: DN
Disse José Sócrates: "O caminho mais fácil seria aumentar os impostos, mas é preciso que os portugueses tenham consciência que o sistema que o país tinha beneficiava aqueles que possuíam rendimentos mais elevados, porque esses poderiam beneficiar das deduções fiscais mais do que com os outros".
Na prática a coisa resume-se a isto: mais de três milhões de contribuintes sentirão no bolso o aumento dos impostos. A questão não é mera semântica. Veja a tabela e faça as contas.
Sócrates está preocupado e "para defender as empresas e as famílias", diz, até 2013não aumenta impostos.
Sócrates não vive em Portugal?

O fim


Cartão de contribuinte chega hoje ao fim. Continuaremos a pagar impostos - cada vez mais - mas já não serão emitidos mais cartões. Agora apenas serão atribuídos números. E tudo para o cartão do cidadão.
Ser cidadão tem destas coisas.
O regime do número fiscal de contribuinte foi instituído pelo Decreto-Lei 463/79 de 30 de Novembro e o modelo actual de cartão singular foi aprovado em Maio de 2003.

Termómetro. Diário

Gémeos

O meu corpo, pequenas manchas róseas
Às vezes explode. A morte -
A morte, o bolor, o tecto negro

As paredes cheias de manchas.
O folclore. Hesito, toco-te
O escuro entristece-me as veias.

Lentamente vou preparando a náusea
As minhas coisas -
A traição, ficar a meio

E pelos teus olhos vou crescendo, desconhecendo-me.
Os meus começam, outras inquietações
Sonhos com dentes, relógios, ampulhetas

Pois só as derrotas se recordam
A lógica, o dinheiro.
E eu, eu faço de dois.


Canada

Acusações, pedidos de socorro
Eis o amor.
Ele telefona à mãe. Ela diz tenho ciúmes
Comigo nunca falas assim.

À noite a audição é um sopro
A maior parte das pessoas dorme.
Às vezes a preguiça é mais forte
Faço perguntas, volto a enroscar-me.

É tão simples o hábito, a ferrugem
Inhinho aresta, o caramelo
Vamos fazer amor? Não, vamos foder
Fazer amor mete-me nojo.


Travessão

Que raio de linha me queres fazer crer
A dúvida, o teu olhar, quero, quero
Controlar-lhe o movimento, o horizonte.

Um gosto antigo, carvão e petróleo
O medo, o ritmo doméstico
Onde a infância, a racionalidade.

Vagarosas frases, uma tolha estendida à beira mar
O ir de carro com o tejadilho aberto
A ouvir música dos The Clash.

E o sol e as emoções, gestos e mãos
E a desordem - não ser como vós
Um grito de amor lá muito para trás.

[in C. Luís Bessa, Termómetro. Diário, Black Sun Editores, 1998]

07 março 2010

Legenda

Uma boca imensa num corpo de cinzas
Todos os poetas são com a boca colorida

1

é um fogo de artifício
e o artifício é ainda
concordar
verticais góticas horizontais apressadas.
a obediência a teimosia
a diagonal é a marca
Olá olá, ficar à espera
a rezar diante de um ecrã.

2

quem pinta vê, descobre
descobrir assim é trazer memórias
do que distraidamente nos desconcerta sem incomodar
um efeito surpresa já tantas vezes
sem nunca o termos realmente, há gente de paz.
a ficção convida-nos às manchas, os nervos
a fotografia do que sabemos não ser assim
ainda que o coração hesite
e quando o coração hesita já correu demasiada tinta.

3

um risco ao meio, um semicírculo em cima
a oval ao centro. o rosto o busto
o retrato
azul vermelho
e qualquer coisa nos diz que o resto é indiferente.
terá sido sempre?

4

o rosto pode, salomónico, como quem é apanhado em falta
o olhar flecte um pouco como se tivera que notar
Por baixo da blusa está o coração
o coração pede, em certos momentos
Que nada fique em branco
e as mãos correm então ágeis.
é assim quando os olhos se refugiam num rectângulo.
será mesmo um rectângulo o que os olhos isolam ou é já a
educação? as televisões deviam ser um circo
uma esfera que nos mostrara o momento em que
os olhos passam e analisam.

5

pômo-nos a contar Um dois três e o
cansaço, a dispersão
Ainda falta muito?
muitos fragmentos para que a concentração
para que se usufrua disso como de algum movimento
mais brusco
que quase parece despertar
a modorra que se foi acumulando.

[in C. Luís Bessa, Legenda, Atlas, Angra do Heroísmo, 1995]

05 março 2010

Efeito dominó

Um grupo e o seu vídeo estão a fazer sucesso entre os visitantes do Youtube. Mais do que a música importa a imagem. O som talvez seja um fundo que anestesia. Parece que tudo começou com um outro vídeo, "Here it goes again".

04 março 2010

Postal de França




As escadas do Plaácio do Eliseu são um perigo para as ilustres visitantes. Que o digam Hillary Clinton, a mulher de Jean-Francois Cirelli e Mylene Farmer, cantora pop do país.
Já a primeira dama encantou toda a gente pelo seu vestido sensual.

Arte púbica


Pode parecer uma gralha, mas é mesmo disso que se trata, de arte púbica. Jennifer Love Hewitt terá dado uma ajuda ao promover a coisa num programa de TV. Chama-lhe "vagazzling the precious lady". Em França a moda parece já ter vários adeptos.

Carruagem de D. Maria Pia


Carruagem privativa da rainha D. Maria Pia, oferecida por seu pai, o rei Vitor Manuel, aquando do casamento com o rei português D. Luís, em 1862. A carruagem é puxada pela locomotiva a vapor D. Luiz. Fotografia sem data. Produzida durante a actividade do Estúdio Mário Novais: 1933-1983.
A rainha dormiu ali muitas noites. As viagens eram longas e, afinal, este é um comboio-casa, com quartos, salas, casas-de-banho e um furgão onde se cozinhavam as refeições.
Foi esta carruagem construída em 1858, em Bruxelas, pela Compagnie Générale de Matériels de Chemins de Fer.
Na imagem pode-se ver ainda a locomotiva D. Luiz. Havia uma relação muito própria entre esta e as carruagens D. Maria Pia e do príncipe D. Carlos (com o seu luxuoso Salão do Príncipe, prenda da rainha D. Maria Pia ao seu filho mais velho, D. Carlos, quando este completou 14 anos.)
É uma carruagem de três eixos, com três compartimentos, composta por uma antecâmara, um salão principal e uma divisão com instalações sanitárias, possuindo ainda uma varanda coberta numa das extremidades.

Fonte: Público

03 março 2010

Contra os salários em atraso

Em Madrid há homens que vivem há dias no topo de uma grua (desde os começos de Fevereiro). Está um frio de rachar, chove, mas eles não arredam pé. Ou, se o fazem, outro ocupa o lugar. Vivem a 40 metros do solo.
Os trabalhadores reclamam à empresa “Ploder Uicesa” o pagamento de 150 mil euros, respeitante a três facturas de trabalhos efectuados pela "Jigar SA", a companhia familiar para a qual trabalham os homens da grua, na construção de um parque de estacionamento, na praça Padre Vallet, em Madrid.
Desde domingo, a praça Padre Vallet transformou-se num local de peregrinação para dezenas de pessoas, que se juntam à volta da grua numa manifestação de apoio aos trabalhadores.
Para saber mais, ir aqui, aqui, aqui e aqui e aqui.