18 junho 2010

Escritores e jornalistas

Sempre que morre um escritor, os jornalistas correm atrás dos políticos para recolherem o comentário. Qual a pertinência jornalística da coisa? Nunca consegui perceber. Era suposto pedirem a amigos, a colegas um comentário. Que é que os políticos têm a dizer senão banalidades?
Que peçam um comentário às principais figuras do Estado (Presidente, primeiro-ministro) ainda vá. O resto é pura preguiça informativa. Tédio. Morte.
Em geral, o jornalismo português não passa disso: tédio, morte. É péssimo, alimenta-se, qual abutre, dos textos das agências noticiosas, compraz-se numa auto-suficiência que mostra bem o quanto a maior parte dos jornalistas é ignorante.
Os escritores sabem que dar uma entrevista a um jornal é, quase sempre, falar com alguém que não sabe nada da obra, mas que corre sempre atrás do pequeno escândalo.
A morte de Saramago e a cobertura jornalística são bem a prova disso.

1922-2010 José Saramago


Eram 12h45 em Lanzarote, a mesma hora de Portugal continental, (11h45 nos Açores) quando foi declarado o óbito do escritor, na casa em que residia, na localidade de Tias, na ilha espanhola de Lanzarote.
A última década e meia trouxe-lhe o reconhecimento internacional, como podem ver aqui.

16 junho 2010

Antonio Lucas

Génesis de la palabra

Vestida de desnudez, así naciste,
fundación de vida, aire y vuelo.

Eres corona o cima del deseo,
caverna misma de la infancia donde hubo vida un día,
antorchas de nostalgia,
champán,
pájaro en vilo,
y una flor de costumbre
semejante al amor,
en igual tempestad erguida,
con la misma ansiedad de nombrar el mundo.

Yo quiero que mi voz se eleve por tu espalda
en la danza del mar, donde todo es origen,
en la dulce deriva de la plata del sueño;
hacer contigo el ser del ser,
darte música y latido, esquinas de alegría,
darle forma a quien me besa.

No habrá espacio en que no estés,
no habrá tiempo ni rutina donde digo.
Como lechos nocturnos arderán reinos de niebla.
Será ahí, en el alba quieta de la madera hundida
donde posarás tu rayo absorto,
la energía de ese canto que alberga cuanto fuimos.

Si unís en desconcierto vuestros pechos,
si hacéis de vuestra sombra un sólo humo,
veréis en el esfuerzo la luz de lo aún no dicho:
la daga, la semilla, el ámbar, los metales...
el llanto de los niños con sol en la garganta,
el ultimo violín de la loucura,
los cien días de luto del mar cuando me ahoga.

Qué ardor entonces, qué eléctrica belleza:
evocar un nombre,
sumarle vida.

[in Las máscaras, DVD, 2004, págs. 59-60]

15 junho 2010

Auschwitz Birkenau





[Fotos daqui]

A 14 de Junho de 1940 chegavam 728 prisioneiros políticos à antiga caserna da cidade de Oswiecim, baptizada como Auschwitz pelos nazis. Era o início de um pesadelo que viria a ser designado como holocausto.
A ideia de usar o lugar para campo de concentração nascera em finais de Abril na cabeça do chefe das SS, Heirich Himmler, com a finalidade de receber resistentes polacos.
Alargado o campo, viria a ser cenário, em Setembro de 1941, ainda antes do lançamento da Solução Final, do primeiro assassinato em massa, com gás Zyklon B, de cerca de 600 prisioneiros soviéticos e 250 polacos.
Até à Primavera de 1942, Auschwitz foi essencialmente ocupado por polacos não judeus. Nessa altura, começaram as chegadas de judeus de toda a Europa, num afluxo que obrigaria à criação de Auschwitz-II, ou Birkenau.

Em Auschwitz-Birkenau morreram, segundo os dados do museu do campo, um milhão de judeus, 70 mil a 75 mil polacos não judeus, 21 mil ciganos, 15 mil prisioneiros de guerra soviéticos e dez mil a 15 mil outros prisioneiros, entre os quais resistentes. E nem sequer se pode dizer que ninguém sabia: desde Novembro de 1940, escassos cinco meses após a sua abertura, e ao longo de dois anos e meio, Witold Pilecki, capitão polaco e resistente à ocupação, que viria a participar no levantamento de Varsóvia e seria executado pelo regime comunista do pós-guerra, enviou para o exterior informações, que terão chegado desde Março de 1941 aos britânicos.
Pilecki, que se fizera prender para preparar uma insurreição, recolheu informações com dados sobre extermínio de judeus, câmaras de gás e construção de fornos crematórios. Evadiu-se em Abril de 1943, mas não conseguiu convencer os aliados sobre o Holocausto que ali decorria.

13 junho 2010

Quem edita Eugénio de Andrade?


A editora Quasi faliu. A coisa afectou muita gente, por exemplo a Fundação Eugénio de Andrade, a quem ficou dever muito dinheiro.
Ler mais aqui.

Ciclonudistas


Milhares de pessoas saíram nuas e de bicicleta para as ruas de várias cidades em todo o mundo. Objectivo: promover o uso desse meio de transporte, em detrimento dos automóveis.

Fonte: ABC

Em baixo imagens do ano passado e deste ano.




The 1st Philly Naked Bike Ride from IanK on Vimeo.

12 junho 2010

Um funeral à chuva

Um grupo de antigos colegas de universidade reúne-se na Covilhã, 10 anos depois, para o funeral de um colega, recordando os tempos que passaram juntos. Faz lembrar "Os amigos de Alex", mas é bem português, nas vidas e nas histórias que vai cruzando. Passam em revista as peripécias da vida de estudante (praxes, bebedeiras e mais umas coisas) e fazem algumas revelações sobre a vida íntima. As personagens são estereótipos: o professor certinho ex-folião, o cronista de viagens sempre agarrado à máquina fotográfica, o gay, a apresentadora de TV actriz frustrada, etc. Uma longa-metragem produzida e realizada fora dos centros de decisão, sem dinheiros públicos, com o apoio de empresas e pessoas. "Um funeral à chuva".

10 junho 2010

Renzo Piano, arquitecto



Estou convencido de que um bom edifício é como um fertilizante para a cidade: melhora-a. E um museu parte dessa premissa que a mim me custou a aprender: que a arte torna as pessoas melhores.

Um lugar pensado para as pessoas torna-as melhores. Isso obriga-nos a que, nós os arquitectos, nos desdobremos. Devemos ser construtores, sociólogos e poetas.

Excertos de uma entrevista publicada aqui.

Enrique García-Máiquez

Presentación

No me conoces. No conoces
mi habilidad inevitable
para meter la pata a voces
- a coces - hable lo que hable.

De mí discrepo si me escucho
mas no me oigo y me reitero.
Yo necesito pensar mucho
para llegar a ser sincero

y natural, bajar el tono
para alcanzar el tino, alzarme
la vanidad a sencillez

para estar a mi altura. Yo no
me sé decir sino al callarme...,
o al escribir, alguna vez.

[ Haz de luz, Premio «Villa de Cox», 1997, pág. 32]


Autobiografía

No he estado nunca solo. Siempre estuve
rodeado de amor. Tranquilamente
me dejaba querer: quiso la gente,
no sé por qué, tenerme en una nube
muy blanda de cariño. Yo flotaba
de mi madre a un amigo, de mi hermano
al recuerdo de un verso, del verano
a aquel silencio en el que Dios me hablaba.
Pero quise estar solo y ser más hondo.
Crispé los puños, apreté la boca,
y huí de los demás como una roca
que se suelta en un pozo. Y vi, en el fondo,
lo que busqué: a mí mismo, esta mirada
girando en espiral hacia la nada.

[Casa propia, Renacimiento, 2004, pág. 34]

09 junho 2010

Libro del Arcipreste ou Libro de buen amor



O Libro de buen amor é um livro de imaginárias confissões eróticas, redigidas por um tal Juan Ruiz, arcipreste de Hita (localidade a nordeste de Madrid) à volta de 1330-40. Narra as andanças de um clérigo que se divide entre seguir o bom amor (o amor a Deus) ou o amor louco (o amor carnal). Se por um lado é pastor de almas, por outro é homem e a sua natureza pede-lhe que encontre uma fêmea prazenteira. Como é clérigo, precisa da ajuda de alcoviteiras, mormente com a astuta Trotaconventos, com quem estabelece proveitosa sociedade.
Mil e duzentas páginas, com 1720 estrofes, escritas em castelhano arcaico, que configuram um misto de sátira clerical, paródia literária, tratado didáctico-religioso e manual amatório. Tudo com muito sentido de humor, tendo por base a obsessão do protagonista em encontrar "fêmea prazenteira". Recentemente editado pela Akal, numa edição crítica, enriquecida com notas e comentários.

Fonte: El País

08 junho 2010

António Manuel Couto Viana (1923-2010)


[imagem daqui]

Morreu hoje em Lisboa. Aqui ficam alguns poemas seus.


O poeta e o mundo

Podem pedir-me, em vão,
Poemas sociais,
Amor de irmão p'ra irmão
E outras coisas mais:

Falo de mim - só falo
Daquilo que conheço.
O resto... calo
E esqueço.

[in Uma vez uma voz, Verbo, 1985, pág. 44]

A poesia está comigo

Queres cantar fados, ler sinas
Por ruas tortas, escusas?
Ou tens pretensões mais finas?
- Não me esperem nas esquinas:
Não marco encontros a musas.

Cantem outros a desgraça
Em quadras fáceis, banais,
Cheias de mofo e de traça:
Soluços de fim de raça,
Com vinho, amor, ódios, ais.

E dos parques silenciosos
De estátuas, buxo e luar,
Cresçam sonetos cheirosos,
Requintados, vaporosos
Qual uma renda de altar.

Para mim basta o que tenho:
Umas rimas sem valia,
Mas próprias, do meu amanho;
Minha colheita, meu ganho
- Poesia! Poesia!

[idem, págs. 63-4]

Fora de moda

Versos antigos, de antigos poetas,
Tão esquecidos, fora de moda,
Ao lê-los, leio, numa outra era,
Meus próprios versos. E a alma chora.

Bem pouco entendo, dos novos cantos,
O que me dizem, o que sugerem,
Que fim apontam, com que diálogo
Falam da vida, como a interpretam.

Só vejo imagens, oiço palavras
Belas, sim, belas, mas sem sentido.
E desce a sombra, e os sons apagam-se
Sobre os meus olhos, nos meus ouvidos.

É de leitores que são avaros
Estes poetas do meu presente?
Tanta poesia só para raros!
(Ou sou o raro que não a sente?)

[idem, págs. 430-1]

06 junho 2010

Vêm aí as motos que voam



Os brinquedos de Batman vão ser o pão nosso de cada dia. Sobretudo as motos voadoras. A primeira chama-se Switchable e é produzida pela empresa norte-americana Samson Motorworks. Claro que, de início, é só para ricos.
Tem uma configuração semelhante a um motociclo, com três rodas, e características que a afastam de um automóvel, como a ausência de pára-choques. Possui capacidade para um condutor e um passageiro, sentados lado a lado, numa cabina climatizada. Na prática, o interior da Switchable é feito em couro e conta com um sistema de ar condicionado. A empresa californiana também pensou num espaço para mercadorias: criou uma área capaz de transportar até 23 quilos de carga.
Em terra, as asas estão embutidas em compartimentos situados na quilha, abrindo apenas durante o voo. Também oculta, está uma unidade de propulsão e a traseira do veículo, ao estilo de um carro desportivo, tem um estabilizador extensível. Dizem os engenheiros da Switchable que, com um depósito de 60,5 litros de combustível, terá capacidade para voar 600 quilómetros e percorrer 1400 quilómetros sobre rodas. Em velocidade de cruzeiro, atingirá 216 quilómetros por hora.
Quando chegar ao mercado, em 2011, segundo a empresa, toda esta artilharia tecnológica deverá ser vendida em formato de kit faça-você-mesmo: a estrutura deverá custar cerca de 48 mil euros e o motor ficará por 20 mil euros, aproximadamente. Ou seja, uma brincadeira para milionários que estejam na disposição de pagar perto de 70 mil euros para voar na estrada.

Fontes: 1 e 2

04 junho 2010

A idade é um posto


Ele há números mágicos... Quinze parece ser um deles. Sobretudo se se for português.
A ministra escritora infantil quer infantilizar o país, promovendo o laxismo, a grunhice, a aldrabice. O que importa é a maldita estatística, sobretudo as da OCDE. Quanto ao discurso da ministra, soa a excerto de uma aventura... no reino da idiotia: “Se estudarem, se tiverem vontade – a vontade move o mundo - se quiser esforçar-se, recorrer a apoios para superar dificuldades, acredito que para alguns isso será possível”.
A medida anunciada hoje foi publicada em Diário da República em meados de Fevereiro e dá uma nova oportunidade de avaliação para os alunos com mais de 15 anos, que ficariam este ano retidos no 8º ano. Se quiserem, se forem excelentes (e a excelência deve estar a ser preparada nalgum novo diploma ministerial, que facilite todo o processo), os meninos poderão candidatar-se a exame e passar para o 10.º ano. É o dois em 1, tão chique, tão gauche, tão aventura.

Museu de Arte Contemporânea de Ponta Delgada


Ainda não começou e já dá que falar. Está de parabéns a presidente da edilidade micaelense. Ponta Delgada vai contar com uma exposição por ano da colecção de Serralves. A Fundação de Serralves está também a dar apoio à autarquia na concepção, instalação e exploração do Museu de Arte Contemporânea.

01 junho 2010

Louise Bourgeois (1911-2010)







Foi durante décadas uma escultora silenciosa, recatada, ignorada. A partir dos anos de 1980 aparece em cena e a década de 1990 consagra-a. Londres, Nova Iorque, Paris promovem-na e Louise Bourgeois é internacionalmente catapultada para ícone de um tipo de arte.
O nicho familiar, povoado de negros fantasmas, surge como célula carcerária. O sexo, a sexualidade e a maternidade surgem sob irónicos e críticos ângulos. As suas grandes aranhas são, ao mesmo tempo, “mães” em cuja teia preservam o mais íntimo da vida, e fantasmas “vingadores” que vogam no inferno urbano, passeando a sua medonha solidão pelas praças dos lugares.
Como disse Paulo Herkenhoff, "Louise Bourgeois desenvolveu uma lógica das pulsões, importando vincular sua obra aos grandes temas do conhecimento ou da literatura e não aos sistemas da arte. Melhor falar então de um material extraído de recalques e embates da vida como abandono e ira, desejo e agressão, comunicação e inacessibilidade do Outro. No confronto permanente entre pulsões de morte, angústia, medo e as pulsões da vida, a obra de Louise Bourgeois é uma dolorosa e triunfante afirmação da existência iluminada pela libido. Nessa obra biográfica e erotizada, transformar materiais em arte é uma conversão física, não no sentido religioso, mas como a conversão da electricidade em força. (...) Digamos então que a obra de Louise Bourgeois caminhe pela territorialização de imensidões. São assim o corpo, a casa, a cidade e o desejo. Ou a geometria, a família e a insularidade. Obra antiplatónica, não se satisfaz com o mundo das idéias e conjecturas. Deseja ter um corpo."

30 maio 2010

The Big Butt Book


Depois de The Big Book of Breasts, The Big Book of Legs e de The Big Penis Book, eis que chega The Big Butt Book (O livro dos rabos grandes), em inglês, francês e alemão. O livro pretende mostrar a atracção da sociedade por essa parte do corpo ao longo de quatro décadas. Publicado pela editora alemã Taschen, a edição é de Dian Hanson. Que já está a preparar The Big Book of Pussy.
Diz ela que no Hemisfério Norte, a preferência pelos seios, muito populares há mais de 50 anos, vem dando lugar ao fascínio pelo rabo, em parte porque os povos do norte começam a respeitar mais a cultura afro-americana, que enfatiza os glúteos como fonte de estímulo sexual.

29 maio 2010

A maioria aperta o cinto, outros alargam-no


Gabinetes ministeriais custam mais de 30 milhões em 2010 diz o cabeçalho da notícia. E dentro dela vêm os pormenores. Por exemplo, com as deslocações e estadas do primeiro-ministro e dos 15 ministros o estado gasta, em 2010, um total de 1,5 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento de 8,2 por cento.
Entre as rubricas que mais aumentam em 2010, estão os gastos em seminários (357 por cento para 135 mil euros); em publicidade (174,2 por cento para 47 mil euros) e os prémios, condecorações e ofertas (90,1 por cento para 167 mil euros).
As que mais caíram foram os artigos honoríficos e decoração (-74 por cento) e a limpeza e higiene (-21 por cento para 112 mil euros).
O Público está de parabéns. Faz falta que alguém esteja atento e separe o trigo do joio.
O governo faz apelo a contenções enormes, nalguns casos pondo em risco a sobrevivência de agregados familiares, mas quando se trata de staff, continua a gastar à tripa forra.

27 maio 2010

Botticelli, Vénus e Marte e a Erva do Diabo


Datura stramonium


Vénus e Marte

David Bellingham defende a tese de que a pose extasiada de Marte e o seu estado seminu se deve à Datura stramonium (canto inferior direito do quadro), ou estramónio ou Erva do Diabo e que o quadro faz portanto apelo ao abandono sensual. O estramónio é alucinogéneo e era usado no mundo antigo como tendo efeitos afrodisíacos, embora também altamente tóxicos.
Mais, aqui.

O que têm em comum Sorolla, El Greco e Solana?


São espanhóis, sim e... e podem ser vistos em detalhe neste sítio.
O projecto 'Obras maestras de la Colección Santander al detalle' introduz o internauta nos detalhes de Niños buscando mariscos, de Joaquín Sorolla; Cristo crucificado con Toledo al fondo, de El Greco e El lechuga y su cuadrilla, de José Gutiérrez Solana.

26 maio 2010

O Priôlo já não está criticamente em perigo de extinção



Fotos de cazeribeiro

Hoje estima-se que a população de priôlo esteja algures entre os 500 e os 800 casais. No início deste século, a população mundial do priôlo (Pyrrhula murina) estava reduzida a um grupo de entre 120 e 140 indivíduos, concentrada num cantinho montanhoso da ilha de São Miguel, nos concelhos do Nordeste e da Povoação. A ave, com 30 gramas e cerca de 16 centímetros de comprimento, estava a desaparecer devido à falta de alimento, por causa do recuo da floresta Laurissilva e da proliferação das espécies exóticas.
Dado o aumento da população da espécie, fruto do trabalho desenvolvido pela SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves), a União Mundial de Conservação anunciou hoje oficialmente que decidiu retirar o priôlo, dos Açores, da lista das espécies Criticamente em Perigo de Extinção, descendo uma categoria e passando a estar “apenas” em Perigo.

Fonte: Público