09 maio 2010

Há animais gay?



Com este título é publicada uma reportagem no El País, onde se dá conta do relacionamento entre as fêmeas dos albatrozes e das dúvidas que levantam no seio da comunidade científica. Também se fala da histeria dos movimentos gay que querem à viva força fazer uso disso, como se houvesse uma relação de causa-efeito entre o comportamento das aves e o dos humanos. Ou dos cientistas que deixam vir ao de cima as suas homofobias.
Há 450 espécies onde se verificou haver relações de corte e acasalamento entre machos e machos ou entre fêmeas e fêmeas. Se por um lado, a actividade homossexual se observa com frequência em populações animais em que escasseia um dos sexos, tanto na natureza como nos zoos, por outro, nem sempre a natureza corresponde ao apetite unificador dos cientistas, que desejam à viva força ter uma teoria que explique tudo.

06 maio 2010

Raymond Carver

Sunday Night

Make use of the things around you.
This light rain
Outside the window, for one.
This cigarette between my fingers,
These feet on the couch.
The faint sound of rock-and-roll,
The red Ferrari in my head.
The woman bumping
Drunkenly around in the kitchen...
Put it all in,
Make use.

[All of us, Vintage Books, 2000, pág. 257]

Hummingbird

Suppose I say summer,
write the word “hummingbird,”
put in an envelope,
take it down the hill
to the box. When you open
my letter you will recall
those days and how much,
just how much, I love you.

[All of us, Vintage Books, 2000, pág. 278]

05 maio 2010

Doris Salcedo



Esta instalação de 2003, em Istambul, com 1150 cadeiras é, juntamente com 'Shibboleth', na Tate Modern, o que mais aparece na net quando se procuram imagens da escultora colombiana que recebeu o Prémio Velásquez de 2010.
Em 2007 dizia coisas como esta: "El arte tiene un poder enorme: tiene el poder de devolver al dominio de la vida, al dominio de la humanidad, la vida que ha sido profanada".

Peace Orchestra - Shining

Quando uma figura do Estado se excede

há sempre uma desculpa. Mas a lei, que é feito da lei que as figuras do Estado redigem e aprovam? Deve estar atordoada sob os efeitos da “violência psicológica insuportável”.

A lógica dos negócios é sempre mais forte


Para algumas cabeças as ditaduras são a panaceia. No entanto, quando há ditaduras acontecem sempre casos destes e quem paga tudo, com ou sem ditadura, são os do costume: os que ganham pouco. Porque são muitos. Mesmo assim, com baixos índices de escolaridade e muitas vezes semi-analfabetos acham que estão melhor assim.

03 maio 2010

O meu herói do dia


Um reformado de Areosa, Viana do Castelo, decidiu pagar uma multa de trânsito de 30 euros com dois quilos e 150 gramas de moedas, quase todas de 1 cêntimo.
Respondeu assim ao que considerou excesso de zelo da polícia.
Há maneiras inteligentes de protestar e esta foi uma delas. Viva o sr. Jorge Lima.

Fonte: JN

29 abril 2010

Ao volante nas estradas portuguesas


Anonimato e desresponsabilização são os grandes trunfos dos condutores. Por isso, vale tudo: comportamentos hostis, buzinar, desrespeito pelas regras e sinais de trânsito, palavrões, gestos obscenos. E não se pense que há uma questão de género. Homens e mulheres partilham a mesma má-criação ao volante. Também não é uma questão de idade. Tanto novos como velhos dão azo ao diabinho que transportam na mente e no coração. Embora, a partir dos 45 anos haja uma diminuição dos comportamentos de risco.


Os resultados podem ser dramáticos. Há memória de condutores que, munidos de armas de fogo, disparam a matar. E outras histórias de faca e alguidar. Às vezes é apenas uma questão de danos materiais. Noutras, uma questão de stress.
A máquina adultera a civilidade das pessoas? Ou serão as pessoas que protegidas pelo habitáculo o sentem como uma armadura e deixam de estar tão vigilantes, permitindo-se comportamentos impróprios e que põem em risco a segurança pública?

28 abril 2010

Exagero é lixar sempre os mesmos


É sempre a mesma história. Quem trabalha por conta de outrem e aufere salários mais baixos é que paga tudo: crises, enriquecimentos à má fila, corrupções. E ganha sempre a mesma meia dúzia, embora os rostos desse meia dúzia se vá modificando de vez em quando.
O Estado português tem muita garganta e como sempre assim é, não os tem no sítio. Felizmente para todos, os tugas são o que sempre foram, cordeiros mansos e pagam tudo sem tugir nem mugir. Enchendo os cafés e lugares afins de perdigotos. São inócuos.
Quando alguém recebe vencimentos acima do que ganham os congéneres estrangeiros está tudo bem. Mesmo que ainda há não muito essa empresa quisesse subir as tarifas porque, diziam, estavam a ter prejuízos elevadíssimos... Abençoados prejuízos!
Quando os que ganham mil euritos têm que apertar o cinto e pagar tudo mais caro, continuando no mesmo passo de calvário, sem pelo menos dizerem que não de forma a que quem lhes paga e quem os governa saiba que não aceitam isso de modo pacífico, podemos confirmar que Portugal não vale a pena, é um território podre, onde nada de viçoso medra.

27 abril 2010

Perigos de histórias unívocas

Chimamanda Adichie é uma escritora nigeriana. Ouçam-na e vejam como o poder tem muitas maneiras de controlar o pensamento das pessoas.

25 abril 2010

As bodas de ouro da pílula


Há 50 anos era lançado no mercado americano o comprimido milagroso que evitava a concepção. Foi o primeiro comprimido criado para ser tomado regularmente por pessoas que não estão doentes. E despertou muita polémica nos idos de 1960. Nesse tempo, apenas as mulheres casadas a podiam comprar.

Sexo, drogas e microfones ocultos



Com este título pode ler-se uma curiosa notícia no El País sobre Rock & servizi segreti, livro do historiador italiano Mimmo Franzinelli. O assunto é J. Edgar Hoover, pai do FBI. Que elegeu alguns músicos como alvo a seguir.
Frank Sinatra e Jim Morrison, Bob Dylan e Leonard Bernstein, John Lennon e Pete Seeger contam-se entre os eleitos. Sempre com o mesmo objectivo: o poder.
A paranóia chegou a ser tão forte que se forjaram complôs.Quem quiser ler a notícia tem o link em cima.

22 abril 2010

Do nojo para uns que se converte em bons salários para outros


Quem anda pelos corredores e gabinetes do poder, anda, está entretido, ganha a a vidinha, aprende o jargão técnico de que tanto se gosta nesses sítios e... creio... deixa de reflectir, torna-se papagaio oficial de uma babugem que acaba por vir parar em cima de nós.
Eu que raramente frequente antros tão poluídos, sou de quando em quando confrontado com os clichés e uma maneira de pensar que faria as delícias de escritores como Fialho de Almeida, Eça de Queirós, Dostoievsky ou Sthendal. Porque as poses, as curvaturas de espinha, os gestos, a linguagem parecem decalcadas das que eles ridicularizaram nos seus livros.
Mas eu não tenho estômago para isso. As tripas começam logo a produzir um suco ácido e a cabeça fervilha - como é possível que em tempos de crise, em que se dá cabo da vida de tanta gente, um grupo de pessoas se alimente à custa do erário público e faça gala da ignorância e do enfatuamento?
Os discursos dos gabinetes é algo a que todos deviam poder assistir, ou para se rirem até não poder mais, ou para deixarem sair quantos impropérios há.
Todos sabemos que ganhar a vida obriga a pactuar com esquemas e misérias que há muito se arranjaram para separar as águas, ou para que uns ganhem milhões e outros tostões. O que não sabemos, mas pressentimos, é que grande parte dos gabinetes é meramente parasita: consome imenso erário público em salários e despesas de funcionamento de gente que apenas está ali para impedir que a vida do país melhore.
Esperemos que a regionalização não avance tão cedo. Ou seremos obrigados a alimentar ainda mais mediocridade e a ter que suportar o insuportável: que nos digam o que devemos pensar, dizer, ler, vestir, ser.

20 abril 2010

A quem interessa a crise grega, espanhola e portuguesa?


De longe em longe há quem aponte o dedo à vaca sagrada e levante o véu do apetite voraz que domina os grandes grupos financeiros. Os grandes bancos de investimento mundiais e os fundos de alto risco (hedge funds), que especulam sobre o valor da dívida pública dos países lucram com isso.
Os produtos financeiros problemáticos servem para cobrir os supostos riscos associados a outros activos - por exemplo, os CDS (Credit Default Swap) são muito usados para cobrir o risco das dívidas públicas, sobretudo as dos países mais fragilizados com a crise financeira e económica, como Grécia e Portugal. Estes seguros (CDS) cobrem o risco de incumprimento ou mesmo de falência das nações. O problema (para os contribuintes) é que, em muitos casos, quanto maior o risco e quanto pior estiver o país, mais ganham os investidores. Portanto, existem incentivos crescentes em fazer descarrilar os Estados. Portugal e Grécia acabam por ser os elos mais fracos da zona euro.

Fonte: i

David Byrne


Saiu há pouco o Diário de Bicicleta, com tradução de Vasco Teles de Menezes (edição Quetzal), e a propósito disso e de um disco, fazem-se entrevistas de promoção. Numa delas, daqui, colhemos estas frases:

"As cidades são sítios onde se trocam ideias, mas onde nos podemos permitir falhar também. São locais onde podemos escolher ser quem somos."

"Os carros e os subúrbios afastam."

"Não é pelo facto de uma cidade ter uma "ópera, uma orquestra sinfónica ou uma série de monumentos que nos vamos lembrar dela. Mas se tiver uma "cena" artística vibrante e uma vida cultural que estimule, isso fará a diferença. Não só para as pessoas que vivem nesse local, como para quem vem de fora. Não basta construir apartamentos e estradas. É preciso criar estímulos criativos. E nisso a cultura é fundamental. É necessário que as cidades sejam locais onde apetece viver, onde nos sintamos inspirados, onde tenhamos a experiência de criar, sejamos artistas ou homens de negócios."

" É na rua que está a inspiração. Olhar para as pessoas, os gestos, o que dizem, tentar percebê-las."

Pedro Costa

Gosto deste realizador. A entrevista não está relacionada com o filme "Ne Change Rien". No El País há uma pequena entrevista, que pode ser lida e com excerto para visionar. Para quem sabe francês pode ouvi-lo aqui, aqui, aqui e aqui.





18 abril 2010

Parabéns ao Açoriano Oriental



São 175 anos de jornal. A servir Ponta Delgada e S. Miguel.


Do jogo e redes sociais


Os jogos sociais são a nova moda da internet e dão lucro, muito lucro (os jogos do Facebook geraram já 370 milhões de euros). Logo à cabeça o mundialmente famoso "FarmVille", depois "PetVille", "MafiaWars", "SocialCity", "Café World", "Bubble Island" e outros.
O "FarmVille" tem cerca de 80 milhões de utilizadores e não leva sequer um ano de existência. O "World of Warcraft", o maior jogo online para múltiplos jogadores, apenas 11 milhões.
Sendo jogos gratuitos, como se faz dinheiro? Simples. Deixando agir a alma humana, a rivalidade, a vontade de ganhar, o querer ir à frente. O pior é que as crianças facilmente caem em tentação. Na semana passada, o "The Guardian" revelou o caso de um rapaz britânico de doze anos que gastou 905 libras (1031 euros) a arranjar a sua quinta.