29 abril 2010

Ao volante nas estradas portuguesas


Anonimato e desresponsabilização são os grandes trunfos dos condutores. Por isso, vale tudo: comportamentos hostis, buzinar, desrespeito pelas regras e sinais de trânsito, palavrões, gestos obscenos. E não se pense que há uma questão de género. Homens e mulheres partilham a mesma má-criação ao volante. Também não é uma questão de idade. Tanto novos como velhos dão azo ao diabinho que transportam na mente e no coração. Embora, a partir dos 45 anos haja uma diminuição dos comportamentos de risco.


Os resultados podem ser dramáticos. Há memória de condutores que, munidos de armas de fogo, disparam a matar. E outras histórias de faca e alguidar. Às vezes é apenas uma questão de danos materiais. Noutras, uma questão de stress.
A máquina adultera a civilidade das pessoas? Ou serão as pessoas que protegidas pelo habitáculo o sentem como uma armadura e deixam de estar tão vigilantes, permitindo-se comportamentos impróprios e que põem em risco a segurança pública?

28 abril 2010

Exagero é lixar sempre os mesmos


É sempre a mesma história. Quem trabalha por conta de outrem e aufere salários mais baixos é que paga tudo: crises, enriquecimentos à má fila, corrupções. E ganha sempre a mesma meia dúzia, embora os rostos desse meia dúzia se vá modificando de vez em quando.
O Estado português tem muita garganta e como sempre assim é, não os tem no sítio. Felizmente para todos, os tugas são o que sempre foram, cordeiros mansos e pagam tudo sem tugir nem mugir. Enchendo os cafés e lugares afins de perdigotos. São inócuos.
Quando alguém recebe vencimentos acima do que ganham os congéneres estrangeiros está tudo bem. Mesmo que ainda há não muito essa empresa quisesse subir as tarifas porque, diziam, estavam a ter prejuízos elevadíssimos... Abençoados prejuízos!
Quando os que ganham mil euritos têm que apertar o cinto e pagar tudo mais caro, continuando no mesmo passo de calvário, sem pelo menos dizerem que não de forma a que quem lhes paga e quem os governa saiba que não aceitam isso de modo pacífico, podemos confirmar que Portugal não vale a pena, é um território podre, onde nada de viçoso medra.

27 abril 2010

Perigos de histórias unívocas

Chimamanda Adichie é uma escritora nigeriana. Ouçam-na e vejam como o poder tem muitas maneiras de controlar o pensamento das pessoas.

25 abril 2010

As bodas de ouro da pílula


Há 50 anos era lançado no mercado americano o comprimido milagroso que evitava a concepção. Foi o primeiro comprimido criado para ser tomado regularmente por pessoas que não estão doentes. E despertou muita polémica nos idos de 1960. Nesse tempo, apenas as mulheres casadas a podiam comprar.

Sexo, drogas e microfones ocultos



Com este título pode ler-se uma curiosa notícia no El País sobre Rock & servizi segreti, livro do historiador italiano Mimmo Franzinelli. O assunto é J. Edgar Hoover, pai do FBI. Que elegeu alguns músicos como alvo a seguir.
Frank Sinatra e Jim Morrison, Bob Dylan e Leonard Bernstein, John Lennon e Pete Seeger contam-se entre os eleitos. Sempre com o mesmo objectivo: o poder.
A paranóia chegou a ser tão forte que se forjaram complôs.Quem quiser ler a notícia tem o link em cima.

22 abril 2010

Do nojo para uns que se converte em bons salários para outros


Quem anda pelos corredores e gabinetes do poder, anda, está entretido, ganha a a vidinha, aprende o jargão técnico de que tanto se gosta nesses sítios e... creio... deixa de reflectir, torna-se papagaio oficial de uma babugem que acaba por vir parar em cima de nós.
Eu que raramente frequente antros tão poluídos, sou de quando em quando confrontado com os clichés e uma maneira de pensar que faria as delícias de escritores como Fialho de Almeida, Eça de Queirós, Dostoievsky ou Sthendal. Porque as poses, as curvaturas de espinha, os gestos, a linguagem parecem decalcadas das que eles ridicularizaram nos seus livros.
Mas eu não tenho estômago para isso. As tripas começam logo a produzir um suco ácido e a cabeça fervilha - como é possível que em tempos de crise, em que se dá cabo da vida de tanta gente, um grupo de pessoas se alimente à custa do erário público e faça gala da ignorância e do enfatuamento?
Os discursos dos gabinetes é algo a que todos deviam poder assistir, ou para se rirem até não poder mais, ou para deixarem sair quantos impropérios há.
Todos sabemos que ganhar a vida obriga a pactuar com esquemas e misérias que há muito se arranjaram para separar as águas, ou para que uns ganhem milhões e outros tostões. O que não sabemos, mas pressentimos, é que grande parte dos gabinetes é meramente parasita: consome imenso erário público em salários e despesas de funcionamento de gente que apenas está ali para impedir que a vida do país melhore.
Esperemos que a regionalização não avance tão cedo. Ou seremos obrigados a alimentar ainda mais mediocridade e a ter que suportar o insuportável: que nos digam o que devemos pensar, dizer, ler, vestir, ser.

20 abril 2010

A quem interessa a crise grega, espanhola e portuguesa?


De longe em longe há quem aponte o dedo à vaca sagrada e levante o véu do apetite voraz que domina os grandes grupos financeiros. Os grandes bancos de investimento mundiais e os fundos de alto risco (hedge funds), que especulam sobre o valor da dívida pública dos países lucram com isso.
Os produtos financeiros problemáticos servem para cobrir os supostos riscos associados a outros activos - por exemplo, os CDS (Credit Default Swap) são muito usados para cobrir o risco das dívidas públicas, sobretudo as dos países mais fragilizados com a crise financeira e económica, como Grécia e Portugal. Estes seguros (CDS) cobrem o risco de incumprimento ou mesmo de falência das nações. O problema (para os contribuintes) é que, em muitos casos, quanto maior o risco e quanto pior estiver o país, mais ganham os investidores. Portanto, existem incentivos crescentes em fazer descarrilar os Estados. Portugal e Grécia acabam por ser os elos mais fracos da zona euro.

Fonte: i

David Byrne


Saiu há pouco o Diário de Bicicleta, com tradução de Vasco Teles de Menezes (edição Quetzal), e a propósito disso e de um disco, fazem-se entrevistas de promoção. Numa delas, daqui, colhemos estas frases:

"As cidades são sítios onde se trocam ideias, mas onde nos podemos permitir falhar também. São locais onde podemos escolher ser quem somos."

"Os carros e os subúrbios afastam."

"Não é pelo facto de uma cidade ter uma "ópera, uma orquestra sinfónica ou uma série de monumentos que nos vamos lembrar dela. Mas se tiver uma "cena" artística vibrante e uma vida cultural que estimule, isso fará a diferença. Não só para as pessoas que vivem nesse local, como para quem vem de fora. Não basta construir apartamentos e estradas. É preciso criar estímulos criativos. E nisso a cultura é fundamental. É necessário que as cidades sejam locais onde apetece viver, onde nos sintamos inspirados, onde tenhamos a experiência de criar, sejamos artistas ou homens de negócios."

" É na rua que está a inspiração. Olhar para as pessoas, os gestos, o que dizem, tentar percebê-las."

Pedro Costa

Gosto deste realizador. A entrevista não está relacionada com o filme "Ne Change Rien". No El País há uma pequena entrevista, que pode ser lida e com excerto para visionar. Para quem sabe francês pode ouvi-lo aqui, aqui, aqui e aqui.





18 abril 2010

Parabéns ao Açoriano Oriental



São 175 anos de jornal. A servir Ponta Delgada e S. Miguel.


Do jogo e redes sociais


Os jogos sociais são a nova moda da internet e dão lucro, muito lucro (os jogos do Facebook geraram já 370 milhões de euros). Logo à cabeça o mundialmente famoso "FarmVille", depois "PetVille", "MafiaWars", "SocialCity", "Café World", "Bubble Island" e outros.
O "FarmVille" tem cerca de 80 milhões de utilizadores e não leva sequer um ano de existência. O "World of Warcraft", o maior jogo online para múltiplos jogadores, apenas 11 milhões.
Sendo jogos gratuitos, como se faz dinheiro? Simples. Deixando agir a alma humana, a rivalidade, a vontade de ganhar, o querer ir à frente. O pior é que as crianças facilmente caem em tentação. Na semana passada, o "The Guardian" revelou o caso de um rapaz britânico de doze anos que gastou 905 libras (1031 euros) a arranjar a sua quinta.

17 abril 2010

Um pouco de som


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Michel Houellebecq

Les nuits passent sur moi comme un grand laminoir
Et je connais l'usure des matins sans espoir
Le corps qui se fatigue, les amis qui s'encartent,
Et la vie qui reprend une à une ses cartes.

Je tomberai un jour, et de ma propre main:
Lassitude au combat, diront les médecins.

[in Renaissance, Flammarion, 1999]

La liberté me semble un mythe,
Ou bien c'est un surnom du vide;
La liberté, franchement, m'irrite,
On atteint vite à l'insipide.

J'ai eu diverses choses à dire
Ce matin, très tôt, vers six heures
J'ai basculé dans le délire,
Puis j'ai passé l'aspirateur.

Le non-ètre flotte alentour
Et se colle à nos peaux humides;
De temps en temps on fait l'amour,
Nos corps sont las. Le ciel est vide.

[idem]

Alexa Meade




Águias distintas

O leão (fêmea) e a águia (macho)

16 abril 2010

Ainda a procissão vai no adro...


...e já se faz sentir o coro de protestos. Mas a política educativa continua assente num pilar sagrado: o sucesso. Para o alcançar vale tudo e duas décadas de eduquês conseguiram o milagre: o que já era mau tornou-se péssimo.
"Boa parte dos estudantes universitários é incapaz de escrever sem erros ortográficos, encadear um raciocínio com princípio, meio e fim, interpretar um texto ou perceber o que é dito na aula. São os próprios professores a reconhecer que o domínio da língua portuguesa é uma aprendizagem que a maioria dos seus alunos não fez no ensino secundário e ainda não consegue fazer no ensino superior. As dificuldades atravessam os cursos que vão das ciências sociais e humanas às ciências exactas e estendem-se a disciplinas como História, Matemática, Física, Gestão, Jornalismo ou Ciência Política."
Os problemas são imensos e as consequências desastrosas.
Que se faz?
Continua-se com a política da desresponsabilização. Com o ancestral "coitadinhos" e o consequente "perdoar".
É uma geração perdida, que vive para o espaço público, para a comunicação em que pouco se comunica, para um vazio que se preenche com mais vazio.
O vazio ancora-se no "ter direitos", pois num país com tantos anos de ditadura ainda soa mal dizer que a escola não se fez para ser democrática, mas para aprender. E tudo se faz ainda contra esse velho princípio. Desde o aprender a aprender, até outros lugares comuns rançosos. Tudo vale, logo que se conserve a debilidade de pensamento e a algaraviada na comunicação.
O que importa é fazer de conta. Fazer de conta que todos sabem. Fazer de conta que todos comunicam.

15 abril 2010

Rimbaud em Aden, na Abissínia



A foto de um grupo de seis homens e uma mulher numa varanda do Hotel de l’Univers, em Aden, na Abissínia, foi encontrada por acaso por dois livreiros numa feira de rua de antiguidades.
A fotografia tem escrito na parte de trás: Hotel de l’Univers – precisamente aquele em que Rimbaud esteve instalado em Aden, onde viveu os últimos anos da sua vida, antes de morrer em França, aos 37 anos. E ele ali está, à direita da mulher.
São muito raras as imagens de Rimbaud durante o período em que viveu em África, e em nenhuma é possível distinguir claramente os traços do seu rosto. Na que agora os dois livreiros divulgaram o rosto vê-se nitidamente, os olhos tristes, um pequeno bigode.

Para ler mais sobre a descoberta e a autenticação da foto: aqui e aqui.

13 abril 2010

Dia Mundial do Beijo


Hoje é dia mundial do beijo. O beijo dá saúde. Exercita dezenas de músculos, liberta endorfinas, combate a depressão, diminui o stress, queima calorias. Dizem os estudiosos que os beijos apaixonados libertam endorfinas, substâncias químicas que proporcionam sensações de prazer, euforia, bem-estar. Ajudam ainda a queimar cerca de 12 calorias e activam 29 músculos. O aumento da tensão arterial e da temperatura da pele são outras das suas consequências benéficas.