12 março 2010

É da idade

Fizemos uma montagem com transcrições das notícias de três jornais: Público, i e DN. As frases dizem tudo. Mostram como o professor era frágil, como os alunos o tratavam, como a escola (colegas e direcção) o ignoravam, como ele estava só no mundo do faz de conta que é a escola portuguesa.

1) Luís V. C. tinha 51 anos, vivia com os pais em Oeiras, era professor de música contratado e foi colocado este ano lectivo na Escola Básica 2+3 de Fitares, em Sintra. As suas habilitações incluíam uma licenciatura em Sociologia, o ter sido jornalista durante alguns anos e colaboração com o Boletim Actual da Câmara de Oeiras, onde assinava crónicas.
2) Na manhã de 9 de Fevereiro, L. V. C. parou o carro no tabuleiro da Ponte 25 de Abril, no sentido Lisboa-Almada. Saiu do Ford Fiesta e saltou para o rio.
3) Logo nos primeiros dias terão começado os problemas com um grupo de alunos do 9º ano. A indisciplina na sala de aula foi crescendo todos os dias, chegando ao ponto de não conseguir ser ouvido. Dentro da sala, e ao longo de meses, os alunos chamaram-lhe careca, tiraram-lhe o comando da aparelhagem das mãos, subindo e descendo o volume de som, desligaram a ficha do retroprojector, viraram as imagens projectadas de cabeça para baixo.
4) Houve vezes em que L. V. C. expulsou os alunos da sala, vezes em que fez participações disciplinares. Foram pelo menos sete as queixas escritas que terá feito à direcção da escola.
5) O resultado das participações foi nulo. A direcção apenas lhe propôs assistir a aulas de colegas para aprender a lidar com as provocações.
6) Nos corredores valia tudo. Um dia, chamaram-lhe cão. Nos outros dias, deram-lhe "calduços" na nuca à medida que caminhava até à sua sala de aula.
7) O professor de música não falava com ninguém. Chegava às sete da manhã para preparar a aula. Montava o equipamento de som, carregava os instrumentos musicais da arrecadação até à sala. Deixava tudo pronto e depois entrava no carro. Ficava ali dentro, de braços cruzados, e só saia para dar a aula. L. V. C. preferia estar no carro em vez de enfrentar uma sala de convívio cheia de colegas.
8) Os alunos dividem-se sobre o professor, mas concordam que "era muito calado" e que "não convivia muito nem com alunos nem com professores". Uns recordam com saudade as aulas onde puderam tocar instrumentos e ver filmes relacionados com música e dança. Outros insistem que "ele era estranho" e que "não impunha respeito". Mas não negam que eram "mal comportados". "Portava-me sempre mal, mas não era por ser ele. Somos assim em todas as aulas, é da idade", reconheceu um dos alunos que tiveram mais participações por indisciplina.
9) "Também sou professora de música e nunca ouvi dizer que [o professor] era alvo de gozo e de maus tratos. Ele nunca nos disse nada", disse à agência Lusa uma docente que pediu para não ser identificada.
10) "Evitava expulsar os alunos porque temia parecer inábil perante a direcção da escola", diz o psicólogo que seguia LVC há dois anos.
11) Professores e pais da Escola Básica 2,3 de Fitares, Sintra, manifestaram-se hoje indignados com a associação entre o suicídio de um docente e a indisciplina dos alunos, argumentando que o caso está a perturbar os estudantes.

11 março 2010

Atenção: Bêbados na estrada


Na Roménia há um sinal de trânsito novo: Atenção Bêbados. O tormento dos automobilistas.
Um boneco de gatas no encalço de uma garrafa, que pela fraca condição física retratada se supõe de álcool, avisa os condutores que passem pela animada zona de restaurantes e bares da cidade romena de Pecica para os perigos a que se expõem. E para que não subsistam hesitações na interpretação da mensagem, as autoridades acrescentam a legenda: “Atenção - Bêbados”.
Parece que tem havidos muitos acidentes por causa de peões etilizados. Inclusive mortes. Em Pecica moram 13 mil pessoas. Fica a cerca de 20 quilómetros da fronteira com a Hungria, e a 482 da capital romena, Bucareste. E conjuga duas perigosas características: intenso tráfego rodoviário e uma animada diversão nocturna.
Os habitantes de Pecica consideram a nova sinalética divertida.

Fonte: JN

Pensar o espaço

Comer, beber, ver e estar

Luz, ordem, espaço

Natureza com porta

Cor. Forma. Plano

A minha camisola e o museu

Ser ou não ser

10 março 2010

A evaporação de um pássaro

Um leitor deste blogue gostava muito de Mark Linkous. Aqui fica, em sua homenagem, uma música que tanta companhia lhe fazia.

Da universidade portuguesa


José Gil ao DN:

"As pessoas que constituem a academia portuguesa não estão abertas ao pensamento uns dos outros. Vivem isoladas, só pensam nelas e nas suas carreiras."

"Neste momento, acho que Portugal está a abdicar da exigência democrática. Não há um esforço para pensar em alternativas além dos paradigmas reformistas vigentes."

Mais frases do autor noutra entrevista, aqui.

Spínola


Foi marechal e após o 25 de Abril de 1974 assumiu a Presidência da República. Mas... como homem do antigo regime, não se sente confortável com o rumo esquerdizante que o país parecia tomar. Tenta um golpe a 28 de Setembro desse ano que falha e vê-se obrigado a abandonar a presidência. Não desiste e no 11 de Março de 1975 surge ligado ao golpe de estado de extrema-direita. Que mais uma vez falha e o obriga a fugir.
Spínola era já um terrorista e junta-se a um Pide no Exército de Libertação de Portugal (ELP). Ao ELP devem-se vários ataques bombistas a sedes de partidos políticos, o assassinato de um padre e outros actos de terrorismo.
Sabe-se que António de Spínola queria voltar ao poder através de um golpe de Estado e eliminar fisicamente os adversários políticos, segundo conta o jornalista Guenter Wallraff, que em 1976 se encontrou com o general na Alemanha, disfarçado de traficante de armas. O facto de Spínola lhe ter dito que queria armas para exterminar fisicamente os adversários levou depois a que as autoridades suíças, a quem Wallraff entregou provas, o detivessem e extraditassem mais tarde para o Brasil.

Fonte: JN

09 março 2010

Sócrates e as injustiças

O homem não se enxerga. Tem a lata de vir dizer que o actual sistema fiscal é muito injusto. Se pensa assim porque não o mudou na legislatura passada quando teve maioria absoluta?
De cada vez que anuncia com pompa e circunstância mete a pata na poça. E volta a mentir. Mal ganhou as eleições depois de Santana demonstrou que mentir é inevitável.

Como aumentar os impostos e dizer que não há aumentos


Fonte: DN
Disse José Sócrates: "O caminho mais fácil seria aumentar os impostos, mas é preciso que os portugueses tenham consciência que o sistema que o país tinha beneficiava aqueles que possuíam rendimentos mais elevados, porque esses poderiam beneficiar das deduções fiscais mais do que com os outros".
Na prática a coisa resume-se a isto: mais de três milhões de contribuintes sentirão no bolso o aumento dos impostos. A questão não é mera semântica. Veja a tabela e faça as contas.
Sócrates está preocupado e "para defender as empresas e as famílias", diz, até 2013não aumenta impostos.
Sócrates não vive em Portugal?

O fim


Cartão de contribuinte chega hoje ao fim. Continuaremos a pagar impostos - cada vez mais - mas já não serão emitidos mais cartões. Agora apenas serão atribuídos números. E tudo para o cartão do cidadão.
Ser cidadão tem destas coisas.
O regime do número fiscal de contribuinte foi instituído pelo Decreto-Lei 463/79 de 30 de Novembro e o modelo actual de cartão singular foi aprovado em Maio de 2003.

Termómetro. Diário

Gémeos

O meu corpo, pequenas manchas róseas
Às vezes explode. A morte -
A morte, o bolor, o tecto negro

As paredes cheias de manchas.
O folclore. Hesito, toco-te
O escuro entristece-me as veias.

Lentamente vou preparando a náusea
As minhas coisas -
A traição, ficar a meio

E pelos teus olhos vou crescendo, desconhecendo-me.
Os meus começam, outras inquietações
Sonhos com dentes, relógios, ampulhetas

Pois só as derrotas se recordam
A lógica, o dinheiro.
E eu, eu faço de dois.


Canada

Acusações, pedidos de socorro
Eis o amor.
Ele telefona à mãe. Ela diz tenho ciúmes
Comigo nunca falas assim.

À noite a audição é um sopro
A maior parte das pessoas dorme.
Às vezes a preguiça é mais forte
Faço perguntas, volto a enroscar-me.

É tão simples o hábito, a ferrugem
Inhinho aresta, o caramelo
Vamos fazer amor? Não, vamos foder
Fazer amor mete-me nojo.


Travessão

Que raio de linha me queres fazer crer
A dúvida, o teu olhar, quero, quero
Controlar-lhe o movimento, o horizonte.

Um gosto antigo, carvão e petróleo
O medo, o ritmo doméstico
Onde a infância, a racionalidade.

Vagarosas frases, uma tolha estendida à beira mar
O ir de carro com o tejadilho aberto
A ouvir música dos The Clash.

E o sol e as emoções, gestos e mãos
E a desordem - não ser como vós
Um grito de amor lá muito para trás.

[in C. Luís Bessa, Termómetro. Diário, Black Sun Editores, 1998]

07 março 2010

Legenda

Uma boca imensa num corpo de cinzas
Todos os poetas são com a boca colorida

1

é um fogo de artifício
e o artifício é ainda
concordar
verticais góticas horizontais apressadas.
a obediência a teimosia
a diagonal é a marca
Olá olá, ficar à espera
a rezar diante de um ecrã.

2

quem pinta vê, descobre
descobrir assim é trazer memórias
do que distraidamente nos desconcerta sem incomodar
um efeito surpresa já tantas vezes
sem nunca o termos realmente, há gente de paz.
a ficção convida-nos às manchas, os nervos
a fotografia do que sabemos não ser assim
ainda que o coração hesite
e quando o coração hesita já correu demasiada tinta.

3

um risco ao meio, um semicírculo em cima
a oval ao centro. o rosto o busto
o retrato
azul vermelho
e qualquer coisa nos diz que o resto é indiferente.
terá sido sempre?

4

o rosto pode, salomónico, como quem é apanhado em falta
o olhar flecte um pouco como se tivera que notar
Por baixo da blusa está o coração
o coração pede, em certos momentos
Que nada fique em branco
e as mãos correm então ágeis.
é assim quando os olhos se refugiam num rectângulo.
será mesmo um rectângulo o que os olhos isolam ou é já a
educação? as televisões deviam ser um circo
uma esfera que nos mostrara o momento em que
os olhos passam e analisam.

5

pômo-nos a contar Um dois três e o
cansaço, a dispersão
Ainda falta muito?
muitos fragmentos para que a concentração
para que se usufrua disso como de algum movimento
mais brusco
que quase parece despertar
a modorra que se foi acumulando.

[in C. Luís Bessa, Legenda, Atlas, Angra do Heroísmo, 1995]

05 março 2010

Efeito dominó

Um grupo e o seu vídeo estão a fazer sucesso entre os visitantes do Youtube. Mais do que a música importa a imagem. O som talvez seja um fundo que anestesia. Parece que tudo começou com um outro vídeo, "Here it goes again".

04 março 2010

Postal de França




As escadas do Plaácio do Eliseu são um perigo para as ilustres visitantes. Que o digam Hillary Clinton, a mulher de Jean-Francois Cirelli e Mylene Farmer, cantora pop do país.
Já a primeira dama encantou toda a gente pelo seu vestido sensual.

Arte púbica


Pode parecer uma gralha, mas é mesmo disso que se trata, de arte púbica. Jennifer Love Hewitt terá dado uma ajuda ao promover a coisa num programa de TV. Chama-lhe "vagazzling the precious lady". Em França a moda parece já ter vários adeptos.

Carruagem de D. Maria Pia


Carruagem privativa da rainha D. Maria Pia, oferecida por seu pai, o rei Vitor Manuel, aquando do casamento com o rei português D. Luís, em 1862. A carruagem é puxada pela locomotiva a vapor D. Luiz. Fotografia sem data. Produzida durante a actividade do Estúdio Mário Novais: 1933-1983.
A rainha dormiu ali muitas noites. As viagens eram longas e, afinal, este é um comboio-casa, com quartos, salas, casas-de-banho e um furgão onde se cozinhavam as refeições.
Foi esta carruagem construída em 1858, em Bruxelas, pela Compagnie Générale de Matériels de Chemins de Fer.
Na imagem pode-se ver ainda a locomotiva D. Luiz. Havia uma relação muito própria entre esta e as carruagens D. Maria Pia e do príncipe D. Carlos (com o seu luxuoso Salão do Príncipe, prenda da rainha D. Maria Pia ao seu filho mais velho, D. Carlos, quando este completou 14 anos.)
É uma carruagem de três eixos, com três compartimentos, composta por uma antecâmara, um salão principal e uma divisão com instalações sanitárias, possuindo ainda uma varanda coberta numa das extremidades.

Fonte: Público

03 março 2010

Contra os salários em atraso

Em Madrid há homens que vivem há dias no topo de uma grua (desde os começos de Fevereiro). Está um frio de rachar, chove, mas eles não arredam pé. Ou, se o fazem, outro ocupa o lugar. Vivem a 40 metros do solo.
Os trabalhadores reclamam à empresa “Ploder Uicesa” o pagamento de 150 mil euros, respeitante a três facturas de trabalhos efectuados pela "Jigar SA", a companhia familiar para a qual trabalham os homens da grua, na construção de um parque de estacionamento, na praça Padre Vallet, em Madrid.
Desde domingo, a praça Padre Vallet transformou-se num local de peregrinação para dezenas de pessoas, que se juntam à volta da grua numa manifestação de apoio aos trabalhadores.
Para saber mais, ir aqui, aqui, aqui e aqui e aqui.



02 março 2010

A Sanajeh indicus há 67 milhões de anos




Uma equipa internacional de cientistas descobriu em Dholi Dungri (Índia), um extraordinário fóssil de uma serpente (Sanajeh indicus) com 67 milhões de anos. Os restos, muito bem conservados e quase completos, foram encontrados no ninho de um saurópode, enroscados a um ovo. Ao lado, estavam os restos de um dinossauro recém-nascido.
O réptil, com três metros e meio, foi apanhado pelo tempo e mostra aos paleontólogos o momento do ataque.

Para ler mais, aqui e aqui

Os dias estão mais curtos


Cientistas da NASA consideram que o sismo do Chile, com 8,8 de magnitude numa escala de 1 a 10, afectou a rotação da terra, contribuindo para dias mais curtos.
Os dias ficaram mais curtos 1.26 microsegundos desde 27 de Fevereiro de 2009, segundo cálculos preliminares feitos pela NASA. É apenas uma milionésima parte de um segundo, mas parece ser cientificamente irrefutável que a libertação de uma enorme massa de pedras e de pressão alterou a distribuição da massa do Planeta, acelerando a rotação da Terra.
Já em Dezembro de 2004 houve encurtamento dos dias, em 6,8 microssegundos, após o Tsunami que devastou parte da Ásia.
Calcula-se que quando a reserva da barragem das Três Gargantas, na China, estiver cheia os dias podem crescer 0,06 mircossegundos. Um atraso na rotação da terra provocado pelo volume de 40 quilómetros cúbicos de água que a barragem vai acumular, alterando, dessa forma, a distribuição massa da terra.

Fonte: JN

01 março 2010

Desacordo ortográfico, mais capítulos


"Uma lei pode ser revogada, alterada ou suspensa. O que as pessoas desconhecem é que têm mais poder do que pensam". Até hoje em Portugal só houve uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC), apresentada pela Ordem dos Arquitectos em 2007 para revogar a Lei n.º 73/73. E teve sucesso.
Isso mesmo se pretende agora com o Acordo Ortográfico. A ideia foi lançada uma noite, através do Twitter, "em menos de 140 caracteres", por João Pedro Graça, 50 anos, tradutor, que lançou para a rede um desafio: a criação de uma ILC para apresentar à Assembleia da República uma proposta de revogação ou suspensão do acordo. Pouco depois, e apesar da hora tardia, começou a receber respostas positivas.
Hoje, a iniciativa conta já com perto de 47 mil apoiantes no Facebook. Por isso acredita que, uma vez redigida a ILC por um grupo de juristas, não será difícil reunir as 35 mil assinaturas necessárias para a levar ao Parlamento. Não é uma iniciativa "de estrelas", embora tenha o apoio de algumas figuras públicas, entre as quais o advogado Garcia Pereira, a escritora Alice Vieira e a actriz Lídia Franco.

Fonte: Público

Reciclagem de óleos alimentares


No dia 1 de Novembro de 2009 entrou em vigor o Decreto-Lei n.º 267/2009, de 29 de Setembro.
"A produção estimada de óleos alimentares usados (OAU) em Portugal é da ordem de 43 000 t a 65 000 t por ano, das quais cerca de 62 % são geradas no sector doméstico, 37 % no sector da hotelaria e restauração (HORECA) e uma fracção residual na indústria alimentar.
O enquadramento jurídico da gestão dos OAU tem sido até aqui assegurado pelo regime geral de gestão de resíduos, aprovado pelo Decreto -Lei n.º 178/2006, de 5 de Setembro. A eliminação destes resíduos, em desrespeito pelo referido regime geral, através dos colectores urbanos, dificulta e onera os sistemas de gestão de águas residuais, com repercussões negativas ao nível das tarifas do saneamento, e comporta um risco associado de contaminação dos solos e das águas subterrâneas e superficiais.
Por outro lado, a deposição de OAU em aterro também não constitui alternativa à luz da Directiva n.º 1999/31/CE, do Conselho, de 26 de Abril, relativa à deposição de resíduos em aterros. Resulta, assim, clara a opção pela reciclagem — objectivo primordial aos níveis nacional e comunitário, consubstanciado nas exigentes metas de
reciclagem fixadas na Directiva n.º 2008/98/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 19 de Novembro, relativa aos resíduos.
(...)
Acresce que a reciclagem de OAU, concretamente para produção de biocombustível, constitui uma importante mais -valia no actual contexto das políticas energéticas
nacional e comunitária. A garantia de disponibilidade comercial dos biocombustíveis de segunda geração, nos quais se inclui o biodiesel produzido a partir de OAU, é um
desiderato da política comunitária para a energia previsto na Directiva n.º 2009/28/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de Abril, relativa à promoção da utilização de energia proveniente de fontes renováveis.
(...)
Um importante incentivo foi já dado com a aprovação do Decreto -Lei n.º 206/2008, de 23 de Outubro, através do qual se abriu a possibilidade de entidades públicas, autarquias incluídas, poderem considerar -se pequenos produtores dedicados de biocombustíveis, com as inerentes isenções do imposto sobre os produtos petrolíferos
e energéticos. Um outro passo não despiciendo para a promoção da recolha selectiva e valorização dos OAU foi dado com o acordo voluntário celebrado em Outubro de 2005 entre o ex -Instituto dos Resíduos e representantes de alguns dos principais intervenientes no ciclo de vida dos OAU, prevendo as bases de funcionamento para um sistema voluntário de gestão."
O diploma em questão exclui os resíduos da utilização das gorduras alimentares animais e vegetais, das margarinas e dos cremes para barrar e do azeite, definidos nos termos do Decreto -Lei n.º 32/94, de 5 de Fevereiro, e do Decreto -Lei n.º 106/2005, de 29 de Junho.
A lei obriga as autarquias à recolha e tratamento dos óleos alimentares, mas isso ainda está longe de ser uma realidade. Há câmaras que se destacam e que estão a colocar oleões nas ruas a um ritmo muito bom. No Seixal, há já dez viaturas municipais alimentadas graças ao óleo alimentar usado que os moradores entregaram. Em Setúbal, houve sensibilização dos alunos para ajudar na recolha destes resíduos. O Barreiro começou em Abril do ano passado, colocando 15 contentores nas escolas e restaurantes. E a Praia da Vitória, nos Açores, lançou uma campanha de recolha porta-a-porta no centro urbano. Tendo também andado pelas escolas a sensibilizar os alunos e a distribuir um funil para que os pais possam acondicionar os óleos em embalagens que vedem bem.

Fontes: DR e Público