27 fevereiro 2010

Olga Bernad

Distinto amor

No vendo mi alma al diablo por la gloria
que persiguen discípulos más débiles,
ni regalo un minuto de mis sueños
por poderlo contar.

Algo distinto y nuevo me envilece:
mi corazón por una galopada,
ver esta tierra desde tu montura
y saberlo contar.


[in Caricias perplejas, Sevilla, Fundación ECOEM, 2009]

26 fevereiro 2010

Batman contra Superman


Um duelo de gigantes... no mundo dos leilões. o número 27 da edição Detective Comics (1939), onde o homem morcego aparece pela primeira vez, foi comprado por 1.075.500 dólares (796.566 euros), batendo um exemplar do “número um” do Super-Homem vendido no início da semana por 735.500 euros.
Para ler mais, aqui.

25 fevereiro 2010

Qi Baishi (1863-1957)




O artista chinês Qi Baishi (1863-1957), conhecido pela temática humilde e anti-heróica da sua obra, tornou-se no novo fenómeno do mercado da arte, ao juntar-se a Picasso e Andy Warhol. No ano passado as obras de Qi Baishi alcançaram, em leilões, valores que rondam os 70 milhões de euros.

Fonte: El País

24 fevereiro 2010

"Le blute-fin"

é o novo quadro (55 por 38 cm) de Van Gogh (1853-1890) descoberto na Holanda.
Ver mais informação aqui. E aqui.

Um padre que adorava "follar"


Vinte e sete anos. Padre. Gastou 17 mil euros em linhas eróticas. Tinha um anúncio na net onde se dizia bem dotado (15 cm). Cobrava 50 euros por 15 minutos e 120 euros por hora. Sim, vendia o seu corpo para tudo, menos actos sado. Para mulher sós ou para casais. Prometia felicidade.
A única nota discordante é o ser padre. Ou seja, ter feito votos de celibato. E estar, portanto, moralmente impedido de qualquer acto sexual. E, claro, ter usado dinheiro da paróquia para linhas e sítios pornográficos.
Para ler mais, aqui e aqui.

23 fevereiro 2010

Em ano de crise o Super-Homem vale 1 milhão


Uma edição rara e bem conservada da primeira banda-desenhada do Super-Homem (de que já aqui falámos) foi vendida pelo valor-recorde de um milhão de dólares (quase 735 mil euros).
O livro, que saíra do mercado há cerca de 15 anos, fora vendido, em 1995, por cerca de 110 mil euros. No ano passado a quantia mais do que duplicou (233.375 euros). Agora triplicou.

22 fevereiro 2010

Fenómenos

As redes sociais da Internet como Facebook ou MySpace estão a transformar os comportamentos colectivos? Há quem diga que sim. Que o seu poder é enorme e que as reacções dos que nelas participam é ainda um mistério. Será por contágio, por imitação ou por iniciativa própria que alguns se transformam? (Ler mais aqui)
E não param de surgir ferramentas. A mais recente é Chatroulette, um sítio lançado em Novembro por um jovem russo de 17 anos (Andrey Ternovskiy) que põe em contacto, ao calhas, dois internautas desconhecidos entre si que possuam webcam e estejam conectados ao serviço. Uma das novidades é não haver necessidade nem de inscrições, nem de usernames, passwords ou outra qualquer informação. É instantâneo e permite que um se veja ao outro, sem aviso prévio, podendo conversar ou saltar para outra webcam. Num sítio assim, pode-se encontrar de tudo, diz quem já por lá andou, novos e velhos, homens e crianças, raparigas e tarados. (Ler mais aqui e aqui).

18 fevereiro 2010

Eugenio Merino - Starway to Heaven




Por 50 mil euros já foi vendida a obra que tem dado que falar na ARCO, em Madrid. A embaixada de Israel na capital espanhola já tornou público o seu desagrado pela ousadia do jovem artista: A representação de Israel considera que os “valores como a liberdade de expressão ou a liberdade artística servem, por vezes, para disfarçar preconceitos, estereótipos ou são meras provocações”.

Sexo e literatura portuguesa


O Público traz uma reportagem sobre o assunto. Por ali se fica a saber duas coisas: que a ignorância é enorme. Que o puritanismo impera.
Os entrevistados não são grande coisa, diga-se em abono da verdade.
O problema não é da terminologia, é mesmo da educação puritana e católica que parece ter castrado os tugas. Diz a jornalista Inês Pedrosa que 'Bunda' é muito melhor do que 'rabo'. 'Seios' é piroso, 'mamas' é cru. 'Pau', no Brasil, resulta e por cá vai-se generalizando. Mas a palavra começada por 'c' nem poderia aparecer neste artigo..." A coisa, como se vê, é medíocre. Por que raio bunda é melhor do que rabo? Enfim.
Nuno Bragança, Luiz Pacheco, José Cardoso Pires, Maria Velho da Costa, Maria da Conceição Caleiro serão excepções. O problema não é o sexo, o problema é que para se escrever sobre o assunto há que saber-se e não ter medo das palavras. E depois é preciso saber escrever.
De resto, inovar em sexo é pura ilusão. Há milénios que se sabe tudo.

Quem é JM Aznar?


José María Aznar foi durante anos o chefe do governo espanhol e, nessa qualidade, esteve aqui na ilha, com o nosso babado Durão Barroso, Tony Blair e George W. Bush. Dias antes da ofensiva ao Iraque. E como já há muito é público, mentindo com quantos dentes tinha na boca. Os espanhóis não esquecem e Aznar foi interpelado hoje numa universidade no norte do país por essa descarada mentira. A resposta dele foi a que vêem na foto.
Foto, sons e mais podem ser vistos aqui.

17 fevereiro 2010

Jorge de Sena

Martyrs of today

Como duram pouco
hoje
os mártires.
Espancados, torturados, perseguidos,
assassinados a tiro ou a sorrisos,
os nomes deles povoam as memórias
dos mártires seguintes
nada mais.
E as faces deles perpassam
em jornais, na TV, rapidamente
para que os perseguidores
arrotando
peidando-se
palitando os dentes
na penumbra solitária da salinha
possam esquecê-los
depressa.
Além disso,
os mártires de hoje
não são sequer pessoas respeitáveis;
promíscuos, pederastas, dominó
para os dois lados, bêbados, ou viciados em drogas,
cabeludos, piolhosos, mal-cheirosos,
ainda por cima, às vezes,
trabalhadores honestos e pais de família.
Que mundo pode vir de tamanha degradação?
O perseguidor - políticos, militares, polícias,
velhas solteiras, todos
os que velam pela limpeza dos jardins,
dos esgotos, das cadeias, dos cemitérios -
interroga-se com indignação
(e adormecem sonhando com um
jogo de espelhos que lhes per-
mita ao menos contemplar
uma vez, antes de morrerem,
o próprio cu).
Como duram pouco
hoje
os mártires.

May, 13/1969

[in Visão Perpétua, Edições 70, 1989, págs. 102-3]

13 fevereiro 2010

Patrick Lane

The carpenter

The gentle fears he tells me of being
afraid to climb back down each day
from the top of the unfinished building.
He says: I’m getting old
and wish each morning when I arrive
I could beat into shape
a scaffold to take me higher
but the wood I need
is still growing on the hills
the nails raw red with rust
still changing shape in bluffs
somewhere north of my mind.

I’ve hung over this city like a bird
and seen it change from shacks to towers
It’s not that I’m afraid
but sometimes when I’m alone up here
and know I can’t get higher
I think I’ll just walk off the edge
and either fall or fly
and then he laughs
so that his plumb-bob goes awry
and single strokes the spikes into the joists
pushing the floor another level higher
like a hawk every year adds levels to his nest
until he’s risen above the tree he builds on
and alone lifts into the wind
beating his wings like nails into the sky.

Wendy Morton

Love Isn't

thunder and cinnamon.
Is: walls the colour of Provence;
seagulls framed in the skylight,
between clouds and the morning moon;
hoya trailing night perfume;
a level floor;
a new sink;
your hands.

David's trees

You show me the perfect drawing
of a broken tree branch
still blooming,
you drew last spring;
then the Sudek photographs of cherry trees.
Later, your collection: framed splinters
from a Zeppelin;
a piece of Winchester Cathedral,
from 1079;
an Inuit snow scraper;
your daughters' paintings;
a box filled with the small bones
of birds and blue stones.

Nearby, your luminous wife
plays Telleman on the Steinway,
wearing her best sadness and blue shoes.

Later, she'll decorate
a cake for your birthday,
play for you.
And for a while,
your world will be perfect:
a tree branch blooming in June,
white blossoms falling everywhere
like love.


Poeta canadiana. Nas palavras de outro poeta — Patrick Lane — desse país: “Wendy Morton’s poetry always surprises. It embraces both humour and grief with equal measure. It pays attention to thunder and cinnamon, bread and tutus, and by so doing expresses our human world with grace and joy.”

Imagens fálicas são uma constante





Vivemos no melhor dos mundos

Há coisas que caem no momento certo. O das escutas é um deles. Mina a confiança do país num homem que obteve maioria absoluta depois de ter concorrido contra Santana e que ficou tão inchado com o poder que abusou e abusou. Houve eleições e esse homem voltou a ganhar, perdendo no entanto a maioria absoluta e ficando à mercê de acordos de bastidores.
Se bem leram as notícias dos últimos dias, o PSD não sai bem no retrato. Os acordos entre o PS e o PSD em questões de grandes empresas são frequentes e datam, talvez, do tempo em que se coligaram para "salvar a nação". Isso de salvar a nação proporciona sempre bons negócios. Há uns quantos que passam a ganhar milhões. Ganhar milhões é o objectivo de quase todos os portugueses, embora a grande maioria esteja longe de perceber como se chega lá.
O caso das escutas não passa, se virmos bem as opiniões dos diferentes protagonistas, Moniz e companhia incluídos, de um grande negócio que se cozinha entre os meandros do escândalo. E parece haver uma mãozinha africana no meio disto. À qual se juntam as mãozinhas daqueles que dentro e fora do PS têm perdido dinheiro ou tachos.
O problema talvez esteja no excesso de promiscuidade entre a política e os negócios. Mas isso para os tugas é nada. Maldizer os políticos é um desporto nacional. Esquecendo-se que sem políticos não há governo e sem governo as coisas não funcionam. Ou seja, estas trapalhadas abrem caminho fácil a populismos. Basta olhar para Itália e ver como gente execrável se instala no poder com o voto dos cidadãos que julgam estar a "castigar" os corruptos.
Vai sendo tempo de criar estruturas para formação de quadros políticos que não dependam directamente dos partidos. Gente com formação literária (histórica, filosófica, política) e económica que tenha estudado casos antigos e recentes da vida nacional e internacional e que mobilize a opinião pública para projectos nacionais, sejam eles de direita ou de esquerda, com maior ênfase nas empresas ou na equidade social, nas leis do mercado ou no tipo e peso de impostos. Gente que ganhe bem, muito bem, porque a democracia tem custos. A não ser que os portugueses prefiram viver subjugados, debaixo de uma qualquer pata fedorenta que mais não faz do que exalar retórica relambida.
Os melhores momentos da nossa história são aqueles que foram protagonizados por novos quadros: os dos fundadores; os do início da segunda dinastia; os liberais; os republicanos.

12 fevereiro 2010

Prova provada de que não há liberdade de expressão

é este post ter sido censurado pelo senhor Pinto de Sousa himself que veio aqui e usou tinta invisível, impedindo a leitura do resto.
O semanário Sol teve o que queria: publicidade e as vendas vão de vento em popa. O pior é que mal se acabe o "escândalo" voltam a baixar drasticamente. Será que o destino lhe reserva o mesmo que a O Independente? Ao tempo de Paulo Portas também se alimentou de escândalos. O problema é que quem lê não quer apenas escândalos, quer investigação e isso custa mais e exige jornalistas bem preparados.