23 novembro 2009

Curiosidades



Marte tinha água e muita


Pelo menos é a ideia com que se fica ao olhar para a cartografia do hemisfério norte do planeta. Quem quiser pode ir até aqui e descarregar um mapa em alta definição.

Os perigos do facebook

É canadiana e estava há ano e meio sem trabalhar, a receber pensão de uma seguradora. Tinha-lhe sido diagnosticada uma depressão.
A mulher, de seu nome Nathalie Blanchard, gosta de passar o tempo com amigos virtuais e pôs fotografias suas no Facebook, onde aparecia sorridente e festiva. A seguradora cortou-lhe a pensão, alegando que parecia estar curada dos sintomas depressivos.
As imagens mostram-na na praia e em festas com amigos. Fotografias que, no entender da seguradora - que teve acesso ao seu perfil online -, evidenciam a total recuperação da rapariga. Ela assegura que as fotografias datam de umas férias que resolveu tirar por indicação médica, mas alega que continua a registar sintomas depressivos.
Cá para mim, devia marcar consulta com o seu Dr. House.

O nosso Silvio é uma pop star


A Itália é um mundo. A revista Rolling Stone do mundo é outro mundo, escolheu para rockstar do ano o nosso querido Silvio. A capa corre a expensas de Shepard Farey, o mesmo que trabalhou com Obama, durante a campanha eleitoral.
Carlo Antonelli, explica em editorial as razões da escolha: o estilo de vida de Berlusconi supera a definição do que é o rock and roll.
Rod Stewart, Brian Jones and Keith Richards and Oasis já foram capa da dita revista. Este ano a escolha foi ainda mais fácil e unânime: Silvio é que é.

21 novembro 2009

Quem nos visita 2

Para que não houvesse dúvidas

da finalidade da avaliação dos professores, o DN de hoje esclarece. A avaliação nunca pretendeu melhorar nada. Apenas quis poupar dinheiro ao Estado.
"A decisão de avaliar todos os professores até Dezembro terá efeitos no orçamento do Ministério da Educação. As progressões na carreira vão custar pelo menos 20 milhões de euros em aumentos salariais já em 2010. Se a isto a nova ministra da Educação juntar o fim da categoria de titular, generalizando o acesso aos escalões salariais mais altos, o impacto financeiro ainda será maior."

Escutas e face oculta


Temos passado ao lado dos acontecimentos judiciários do Portugal de 2009, porque o pó é muito e impede que se tome posição. Sem um bom conhecimento dos assuntos (ainda por cima quando o assunto é a corrupção de figuras do Estado) facilmente se cai na histeria futebolística: contra ou a favor. No entanto, os últimos acontecimentos são de tal modo inquietantes que resolvemos deixar aqui algumas interrogações.
José Sócrates não é figura pela qual tenhamos simpatia. Mas daí a alinharmos pelo linchamento vai um passo grande.
Os juízes são homens e, como tal, têm os seus apetites de poder e as suas idiossincrasias. Mas enquanto juízes têm de defender a lei. Ora no caso das escutas a Sócrates parece evidente que não só quem fez as escutas, como quem as autorizou agiu no desrespeito da lei.
Sócrates não é apenas um homem do PS, é o primeiro-ministro de Portugal. Portugal é um país que tem responsabilidades não só para com os seus habitantes como para com parceiros europeus e doutros continentes.
O primeiro-ministro só deveria ser escutado depois de ter sido indiciado pela prática de algum crime. Mas escutaram-no - durante meses - no decurso das várias campanhas eleitorais e não só sem que tal acontecesse.
Algo que desde logo obriga a que se pergunte: Com que finalidade?
Havendo hierarquias, como pode o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Aveiro desrespeitar ordens do Supremo Tribunal de Justiça?
Há algo no meio disto que não cheira bem.

20 novembro 2009

Inquietações do presente: a gordura

Ser gordo é ser o quê? Há uma quase demonização da gordura. Mas também há quem aproveite para brincar com o assunto, escolhendo como alvo figuras pop. Isso mesmo aconteceu com algumas que foram retocadas pelo Photoshop. O resultado é este:

Cantora de sucesso


Casal maravilha


Sexy symbol


Rainha da pop


Mais fotos ao alcance de um gesto.

O homem que partiu o pénis


As fantasias à volta dos órgãos sexuais (masculinos ou femininos) é coisa para encher muitos tomos. E normalmente não passam disso, de fantasias.
O homem chama-se Francis (ou Flint, o que vai dar no mesmo) e, quiçá inevitavelmente, é americano. Diz ele que depois de ter ido ao cinema com a namorada, foram para casa cheiinhos de vontade e quando estavam a chegar a vias de facto, zás, o pénis partiu-se e ficou, diz ele, como o nariz do Gonzo, esse marreta irrepreensível.
Como o caso é insólito e a fome de protagonismo danada, veio para a net com a história. "This is where shit hit the fan." O resto é uma história banal.

Jeanne-Claude (1935-2009)



Jeanne-Claude Denat de Guillebon era a mulher de Christo Javacheff. Juntos embrulharam monumentos e paisagens um pouco por todo o mundo.
Assinavam sempre assim: Christo.

19 novembro 2009

Quem nos visita

Dois filmes sobre extermínios

Dois filmes sobre extermínios: Katyn, do polaco Andrzej Wajda, e Shoah, do francés Claude Lanzmann. Um sobre o extermínio comunista. Outro sobre o extermínio nazi.

Katyn, de 2007, é sobre a matança de mais de 20 mil militares polacos pelo Exército Vermelho, em 1940, quando a URSS invadiu a Polónia. Narram-se os últimos dias das vítimas antes de serem enterradas no bosque de Katyn, (nas proximidades de Kiev, Ucrânia).


Shoah, de 1985, é um filme de 9 horas, que custou a Claude Lanzmann, o realizador, 11 anos de trabalho (gravou 350 horas de filme). Não tem efeitos especiais, apenas relatos e imagens dos campos tal como foram encontrados. O filme fala cruamente do engenho nazi para a morte em massa, desde os primeiros momentos, em que utilizavam os camiões como câmaras de gás, servindo-se dos tubos de escape (anidrido carbónico), até ao uso do gás zyclón, que matava as vítimas em apenas 10 ou 15 minutos.



Errata: onde está «extermínio comunista» deveria estar «extermínio bolchevique».

"Hit the Bitch"


Os dinamarqueses têm sido muito falados por causa das campanhas publicitárias que engendram e envolvem mulheres. Há tempos falámos de uma que se destinava a promover o turismo. Agora, está a dar que falar uma contra a violência doméstica.
Há um jogo que mostra uma mulher a levar bofetadas, umas atrás das outras, enquanto a pontuação da masculinidade do agressor vai aumentando. Quando atinge os 100% é classificado de idiota. A mulher cai, quase desmaiada.
Ora, se ele só é idiota no fim, que raio de publicidade é esta? Uma espécie de vingança catártica? Bate, filho, bate com força que pelo menos assim descarregas a fúria virtualmente...
Quem vai ao sítio para jogar encontra a seguinte mensagem:

"Dear non-danish visitor,

Due to an extremely high amount of traffic "Hit the Bitch" has been limited to only allow users from Denmark.
However, domestic violence is a global problem, so please support the fight against it in your local country.
Thanks for your interest.

Kind regards
Children exposed to Violence at Home"

Podem ler mais sobre o assunto indo aqui. E podem ver uma amostra do jogo a seguir.


18 novembro 2009

Vítor Nogueira


Torre

À noite, somos todos mortais outra vez.
Para que serve uma torre de vigia?
Já se sabe que na selva é mesmo assim:
procurar lenha, acender uma fogueira,
manter os mosquitos afastados.

Contudo, à luz do dia, sobrevoar o mar largo
sem ser visto, escalar ao menos uma vez
o elevador de Santa Justa.
São pombas, nos beirais, ou são os corvos
da mui nobre cidade de Lisboa?

[in Mar Largo, &etc, 2009, p. 40]

17 novembro 2009

Dos prémios literários


Ninguém pergunta a um gestor ou a um empresário o que vai fazer com o que ganha. No entanto, não há jornalista que não caia no chavão quando se trata de um escritor ou de um poeta.
José Emilio Pacheco, que ganhou o prémio Reina Sofía de Poesía Iberoamericana, entrevistado por Antonio Astorga, do ABC, responde à pergunta:
«A esta edad, el galardón tengo que emplearlo en gastos médicos. Si me hubiera pillado con treinta años me lo habría gastado en Ibiza».
Há poetas assim, que brilham onde outros claudicam.

Quase 550 mil desempregados em Portugal

Há 5 017 500 pessoas empregadas em Portugal. Os desempregados são 547 700. Dados hoje publicados pelo INE.

O Banco de Portugal prevê contracção económica de 2,7 por cento este ano.

A economia ressente-se. Os desempregados são muitos. Os salários são baixos. Mas...

O que é preciso é contenção. E a contenção é tanta que há empresas com lucros faraónicos, como a PT, a tal que gasta milhares de euros em publicidade a prometer custos baixos para os clientes.

Cinco mil milhões de euros só para a PT em 9 meses


A linguagem das empresas é peculiar e visa o lucro. Algumas dessas empresas usam o seu poder para passar mensagens aos accionistas e também aos clientes. Fazem-no em forma de notícia, como a que transcrevemos a seguir.
O que me incomoda sempre nesta maneira de redigir as notícias são as mensagens subterrâneas. Coitadinha da empresa, cujos lucros astronómicos não foram, neste ano, tão elevados como no ano anterior.
Os salários no nosso país são muito baixos. Mas os nossos gestores auferem vencimentos tão elevados quanto os dos congéneres estrangeiros.
Os serviços que pagamos são tão caros ou mais do que os estrangeiros.
Mas como não temos alternativa, ou pagamos ou não temos. E, como se não bastasse, ainda temos de ler notícias assim:
"A PT obteve um resultado líquido de 371,9 milhões de euros (ME) nos primeiros nove meses do ano, o que representa uma queda de 14,2 por cento face aos lucros de 433,5 ME do período homólogo, anunciou a operadora."
Repare-se: "Nos primeiros nove meses do ano, as receitas da PT atingiram os 4973 milhões de euros."

16 novembro 2009

O bobo da corte


Cada terra com seu tolo. Cada ilha com o seu bobo.

Não sei se têm presente o cromo que tinha por hábito pôr-se por trás das pessoas quantas vezes apoiando o seu lindo queixo no ombro delas. Aparecia, seguia a câmara e tornou-se conhecido.

Na ilha da Madeira há um governante que me faz lembrar tal figura. De cada vez que abre a boca sai asneira. Consta que é muito apreciado entre os democratas tugas por ser um campeão de eleições. Papa-as todas.

Além de democrata dos quatro costados, é um expert em geografia, revelando-se também um consumidor de filmes de série B. Julga ele que o território continental português é uma ilha e designa-o por "Sicília hispânica". Às vezes, acontece: dizem-se verdades sem querer; põe-se a nu o que se anda a fazer.

Um monumento para o homem. Cada localidade deveria erigir-lhe uma estátua sob o lema: Herói Português do Século.

Capturado em cuecas e enfiado num buraco


Ser mau aluno a Matemática e a Educação Visual dá nisto: calcula-se mal as proporções e erra-se. Que o diga o romeno que ficou entalado na janela ao tentar assaltar um supermercado de Almancil, em Loulé (Algarve).
Quando o homem tentou entrar pelo postigo da cave, depois de tirar a grade que o protegia, ficou preso num supermercado com o sugestivo nome de Ali Super. Apesar da constituição estreita, o rapaz ficou entalado no pequeno espaço – que não terá mais de 40 cm – mais de 11 horas.
Por entre as várias tentativas para se soltar, terá despido as calças e assim o encontraram, manhã cedo, acabando por se tornar numa caricatura noticiosa. Mal tocava no chão com os bicos dos pés.

13 novembro 2009

Um museu em Portugal


Tem a palavra Pedro Lapa:

«Um museu não é uma galeria de exposições temporárias, mas também não é um monumento bolorento, fixo, definido de uma vez por todas.»

«Os museus são laboratórios. Não são uma casa de entretenimento, são uma casa de partilha e discussão de conhecimento. Têm que fazer investigação. Com as pressões excessivas e completamente irresponsáveis colocadas aos directores, de angariação quer de fundos, quer de públicos, têm perdido aquilo que os constitui como referência. Veja-se o caso do MoMA, do Pompidou, veja-se o que foram e o que são hoje. Um museu não pode descurar a investigação e nós tentámos não descurá-la. Muitos dos catálogos que produzimos são documentos fundamentais para o estudo de determinados artistas e movimentos.»

«quando nos aproximamos da contemporaneidade o público português não está tão habituado: quando fizemos o Gerhard Richter, em 2004, foram, salvo erro, 14 mil visitantes, hoje seriam 24 mil.»

«Em 2007 decorreram em simultâneo a Documenta de Kassel, a Bienal de Veneza, o Münster Skulptur Projekte e a Bienal de Istambul. Em nenhum desses eventos - em nenhum! - esteve um artista português. Os artistas portugueses são maus? Não. Há bons artistas portugueses, melhores do que muitos que estiveram nesses eventos. O que é que se passa então? Há um profundo desconhecimento, um desconhecimento que só pode ser suplantado, se existir capacidade portuguesa de integrar redes de circulação emergentes com os que serão [um dia] os artistas e curadores dos grandes eventos. O grande problema português é que as instituições têm sido conservadoras nas suas programações.»

Fonte: Público

David Claerbout






David Claerbout está desde ontem no Museu do Chiado (Lisboa) até 28 de Fevereiro de 2010. Nasceu em 1969 em Kortrijk, na Bélgica e, actualmente, vive e trabalha em Antuérpia.
Segundo palavras de Pedro Lapa, "trabalha numa era digital em que todas as categorizações de cinema e fotografia se desmoronaram, e as suas obras lidam com a fusão entre ambos, e de forma a produzir uma experiência física no espectador".
Para ver melhor as imagens basta clicar em cima delas (parte com origem aqui).


12 novembro 2009

O peso das instituições


O cristianismo ganhou força por ter sido ousado, chamando a si os humildes, protegendo-os primeiro e depois servindo-se deles para conquistar poder. Uma vez instalado e após muitas cisões e debates, governou, enriqueceu até que a modernidade lhe foi retirando audiência.
A Igreja há muito representa um conservadorismo faccioso e parece apostada em defendê-lo contra o tempo, mesmo que o século seja dominante no seu seio desde finais do século XIX.
A eutanásia e o casamento de pessoas do mesmo sexo são as grandes batalhas de momento, depois de ter perdido a do aborto. Talvez por isso, mudou de estratégia e aparece mais aguerrida a veicular a sua mensagem. No que mais não é do que uma luta contra os que ainda a frequentam.
A Igreja parece ver-se a si própria como um museu vivo. Quer preservar a todo o custo ideias e valores ultrapassados. E se se nota haver quem dentro dela propugne abertura e seja capaz de trazer para o seu seio temas fraturantes, surge aos olhos do agora ainda demasiado colada a dogmas tão activos como os de defender que a Terra está no centro do Universo.
Ainda não assimilou completamente que cada vez mais os indivíduos querem decidir por si as suas opções de vida e que quanto mais conscientes são, melhores católicos podem ser.
Que a eutanásia seja um assunto muito complexo, entende-se. Que o casamento de homossexuais a incomode tanto soa mal. Se os bispos portugueses já são capazes de dizer que "ser homossexual não é pecado, como ser heterossexual não é virtude", deveriam dar o passo seguinte que era deixar que cada um decidisse em consciência. Até porque como já alguém disse: "Uma igreja que abençoa carros, casas e barcos seria incompreensível que não pudesse abençoar uma união entre duas pessoas."

11 novembro 2009

José Luis Rey

José Luis Rey ganhou o XXII prémio Internacional de Poesia Loewe, com o livro Barroco. O poeta tem 36 anos. O júri era composto por Víctor García de la Concha, director da Academia da Língua, e pelos poetas Francisco Brines, José Manuel Caballero Bonald, Antonio Colinas, Jaime Siles, Cristina Peri Rossi (que ganhou o prémio no ano anterior), Jaime Siles e Luis Antonio de Villena.
Espanha tem esta coisa, dá prémios a poetas novos. Em Portugal continuamos num mundo pequeno e fechado, em que são sempre os mesmos.
Aqui ficam excertos de poemas de José Luis Rey, retirados da página do autor.

APARICIÓN DE VENUS EN LAS BAÑERAS DE HUNGRÍA

Mis niños con las manos perfectas de robar.
Mi maleta llena de pájaros.
Los ladrones volaban
y esperan cada tarde el momento adecuado, mi dinero, mi vida,
y espían los milagros y siempre tienen sed.
Y entonces, bajo rosas, a ciegas, entre el cielo,
en todos los tejados, dilo así.
Y di cómo soñábamos,
y quiénes fueron jóvenes, y quiénes sumergieron sus vestidos
en la harina solar para ver otros días
y nada se les dio.
(...)


PLENITUD

Cuando murieron los poetas ingleses y franceses
la rosa florecía.

Cuando murieron los húmedos poetas alemanes
la rosa florecía.

Cuando murió Montale y el cielo se llenó de diamantes asmáticos
la rosa florecía.

La rosa florecía
cuando murió también Whitman el núbil.


Verde siempre el vestido de este aire.
Yo vivo con la rosa que no muere.

10 novembro 2009

Memórias em contraluz


Petter Moen (1901-1944) foi um jornalista e resistente norueguês que a Gestapo capturou. Enquanto esteve preso redigiu um diário em pequenos papéis que enrolava e atirava por um ralo de ventilação. Como não tinha lápis nem caneta, grafava o que via e pensava em papel higiénico.
Esteve detido sete meses (corria o ano de 1944) no quartel general da Gestapo em Oslo. Período no qual perfurou cada letra sobre papel higiénico com um prego, dando testemunho do horror nazi.
Morreu num naufrágio com outros 400 prisioneiros quando era levado para a Alemanha. Um dos sobreviventes deu a conhecer a proeza de Moen quando acabou a guerra e o livro viria a ser editado em 1949, na Noruega, sendo depois traduzido para várias línguas.
O manuscrito encontra-se no Museu da Resistência de Oslo, mas não está exposto.

Fonte: El País

Pirâmide pintada descoberta em Calakmul




No recinto arqueológico de Chiik Nahb, junto à linha fronteiriça entre o México e a Guatemala, descobriu-se uma pirâmide com cenas da vida quotidiana dos Maias, que datam de há 1350 anos.
As pinturas dão preciosa informação sobre as classes sociais, sobre o tipo de alimentação e sobre a indumentária usada na época.
Até à data, a maior parte do conhecimento sobre os costumes e a sociedade dos maias tinha apenas em conta a vida das elites e das classes altas (guerras, cerimónias religiosas e protocolares). Os desenhos mostram outros membros dessa sociedade.
Um artigo sobre a descoberta foi publicado aqui (mas só pode ser lido pelos subscritores da publicação científica).

Fonte: El País

09 novembro 2009

Vagina, para que serves?


A vagina tem múltiplas funções. A mais insólita será a de servir como cofre de objectos roubados. Ou de droga, como de vez em quando também vem a público.
L.D., de 29 anos, natural da Croácia, levava na sua vagina dois anéis, três brincos, três pendentes com pedras preciosas, um fio com cerca de meio metro, um relógio Omega Speed Master, duas pulseiras e duas medalhas com motivos religiosos.
L.D. era uma das mulheres usadas por um grupo nómada (a notícia classifica-o assim), composto por catorze indivíduos de ambos os sexos (quiçá um soneto), maioritariamente oriundos dos Balcãs, mas também de Itália, que se dedica à prática de furtos em residências (Palmela, Setúbal, Moita, Seixal, Telheiras e Pontinha, Leiria foram alguns dos lugares que visitaram).
Parece que os homens ficam em casa a tomar conta das crianças e as mulheres partem ao ataque. Quando as mulheres regressam aos lares (apartamentos e rulotes), os homens encarregam-se dos objectos, procedendo à sua venda ou ao seu encaminhamento para fora do país.

Cartas da Península, de William Warre


William Warre era luso-britânico. Nasceu no Porto, em 1784, e estava destinado a prosseguir o negócio da família britânica, ligada ao comércio do vinho. As invasões napoleónicas trocaram-lhe as voltas (ingressara no Exército britânico aos 19 anos). Foi na qualidade de oficial inglês que regressou ao solo natal, na altura com 24 anos, para cumprir o que lhe pareceu ser a sua vocação histórica: ajudar a salvar Portugal da invasão estrangeira. Participou não só nas mais importantes batalhas das Guerras Peninsulares, mas também na resistência dos portugueses.
Lutou na Batalha da Roliça (o primeiro combate da Guerra Peninsular) e na do Vimeiro, que conduziram directamente à libertação de Lisboa, e esteve com o general Sir John Moore na sua famosa e terrível retirada na Corunha, ainda hoje lendária na história britânica. Esta catastrófica marcha de Inverno através de montanhas cobertas de neve culminou na batalha desesperada nos cumes das colinas da Corunha e na morte prematura do general Moore. Warre escreveu numa carta para casa relatando a honra de estar na retaguarda e de ser o último oficial a embarcar a 16 de Janeiro, no momento em que os franceses tomavam a cidade.
O capitão Warre esteve presente na libertação da sua cidade natal, o Porto; no cerco e tomada de Ciudad Rodrigo; e testemunhou a brutalidade do segundo cerco e saque de Badajoz, em Abril de 1812. Embora tivesse apenas 27 anos na altura, foi o oficial principal na intimação do Forte de São Cristóvão e fez prisioneiros os generais Philippon e Weyland - os comandantes franceses de Badajoz -, que lhe entregaram as suas espadas pessoalmente.
Participou na épica e decisiva batalha de Salamanca, em Julho de 1812, que muitos estrategas militares consideram ser aquela em que Wellington demonstrou as suas grandes qualidades estratégicas, ainda mais do que em Waterloo.
As suas cartas foram publicadas em 1909, por iniciativa de um sobrinho e mereceram uma segunda edição em 1999, pela mão de um sobrinho-bisneto. Dez anos depois, regressam pela mão da Alêtheia. Cartas que, embora pessoais, contêm muitos dados militares e são, por isso, um curioso documento da época de 1808 a 1812.

08 novembro 2009

A mania das sondagens

As sondagens são úteis quando as perguntas são pertinentes. Quando se realizam para saber se uma lei deve ou não ser aplicada são ridículas. Se a lei é lei, é porque foi votada pela assembleia onde estão os deputados que o país escolheu.
Imaginem que agora se fazia uma sondagem para saber se as escolas deviam ter ou não crucifixos, quando a lei diz que a opção religiosa de cada um é um direito. Que interessa que X por cento dos inquiridos digam que sim ou que não?
Pois isso mesmo acaba de acontecer em Itália, país que não pára de dar mostras do mais puro infantilismo.
Será que alguém se lembra de que as leis de países democráticos contemplam as minorias?

07 novembro 2009

A volta ao mundo pelos museus


Museus e galerias de todo o mundo numa página chamada blablart. E ainda outras coisas mais. Para quem gosta de viajar sentado.

Os insondáveis mistérios de Deus


O que é um padre? É uma pessoa do sexo masculino que recebeu o sacramento da Ordem, ou seja, o poder e a graça de exercer funções e ministérios eclesiásticos que se referem ao culto de Deus e à salvação das almas. A sua acção deve pautar-se pela santidade (é responsável por uma paróquia, onde preside a Sagrada Eucaristia, bem como atende à confissões, aconselhamentos e outros; doou sua vida ao serviço do Evangelho e vive para servir a Deus e aos leigos por meio da evangelização). Um padre tem o poder de perdoar os pecados, de converter o pão e o vinho no Corpo e no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e de conferir, conforme o seu grau, outros sacramentos.
O padre Fernando Guerra, que exerce funções em Covas de Barroso, concelho de Boticas, tem 74 anos e gere quatro paróquias da diocese de Vila Real. Passou do anonimato para os telejornais por causa de armas. Já no seminário, ao que se diz, era apodado de pistoleiro.
Consta que herdou uma pistola do pai e que possui licença de uso e porte de arma para um revólver (curiosamente a única arma que não apareceu durante as buscas efectuadas pela GNR). Apreenderam-lhe várias armas, todas ilegais, algumas com os números de série rasurados, bem como um saco de pólvora e dinamite.
O sacerdote tinha em casa um pequeno arsenal. Para quê? Certamente para enfrentar o Demónio que, como se sabe, adora tiroteios.
Foi professor durante cerca de 30 anos e é pároco há 50. Como nos disse o nosso douto primeiro-ministro, os professores ganham muito. Veja-se: o padre Fernando tem nada menos nada mais do que 33 imóveis registados em seu nome só no concelho de Montalegre, mais duas casas em Boticas e sete na cidade de Chaves. Além disso, possui alguns carros de gama alta.
Há quem diga que tem procurações de muita gente para fazer negócios e que empresta dinheiro com juros de 4%. Certo certo é estar colectado em nome individual como sócio de uma empresa, sediada numa das suas residências, neste caso em Covas de Barroso, concelho de Boticas, de comércio e retalho de carpetes e cortinados, que curiosamente não apresenta movimentos comerciais há vários meses.
Os mistérios de Deus são insondáveis. O padre Fernando é um leal servidor e, por isso, Deus tem-lhe recheado a existência neste vale de sombras e sofrimento com algumas alegrias. Se até se chama Guerra, Fernando Guerra.

06 novembro 2009

Gabriel Ferrater

Ócio

Ela dorme. À hora em que os homens
já estão despertos e a pouca luz
entra para os ferir.
Com tão pouco temos tanto. Não mais
que a sensação de duas coisas:
a terra gira e as mulheres dormem.
Em paz, façamos caminho
até ao fim do mundo. Não precisamos
de fazer nada para ajudar.

[tradução de Rui Almeida deixada na caixa de comentários da versão original e das traduções para castelhano.]

05 novembro 2009

Gabriel Ferrater

Oci

Ella dorm. L'hora que els homes
ja s'han despertat, i poca llum
entra encara a ferir-los.
Amb ben poc en tenim prou. Només
el sentiment de dues coses:
la terra gira, i les dones dormen.
Conciliats, fem via
cap a la fi del món. No ens cal
fer res per ajudar-lo.

[in Mujeres y días, Seix Barral, 2002, pág. 262]

Ocio

Ella duerme. Es la hora en que los hombres
ya despertaron, y una escasa luz
entra todavía a herirlos.
Con muy poco nos basta. Solamente
el sentimiento de dos cosas:
la tierra gira y las mujeres duermen.
Reconciliados, nos apresuramos
hacia el fin del mundo. No nos es preciso
hacer nada para ayudarle.

[tradução de Pere Gimferrer, pág. 263]

Ocio

Ella duerme. La hora en que los hombres
ya se han despertado, y poca luz
entra todavía para herirlos.
Con muy poco tenemos bastante. Sólo
el sentimiento de dos cosas:
la tierra gira y las mujeres duermen.
Conciliados, caminemos
hacia el fin del mundo. No necesitamos
hacer nada para ayudarlo.

[tradução de M.ª Àngels Cabré, in Las mujeres y los días, Lumen, 2002, pág. 213]

Paulo Gouveia, arquitecto



Paulo Gouveia morreu. Construía no arquipélago dos Açores desde o início dos anos 80, tendo sido responsável pelo Museu do Vinho e pelo Museu dos Baleeiros, ambos na ilha do Pico. Fez também um exaustivo levantamento e caracterização das principais intervenções arquitectónicas durante o século passado no núcleo central da cidade de Angra (onde nasceu), trabalho de doutoramento apresentado na Universidade de Évora em 2002, e reunido no livro Angra do Heroísmo: Arquitectura do século XX e memória colectiva.
O projecto de recuperação do Museu dos Baleeiros, no Pico, teve início em 1983 e prolongou-se até 1989. Foram reabilitadas as antigas casas de botes, integrou-se no conjunto uma tenda de ferreiro anexa e acrescentou-se um espaço novo para biblioteca e arquivo (no terreno ao lado comprado para o efeito). Dois anos depois de aberto, foi candidato ao prémio Museu Europeu do Ano e em 1993 o projecto de recuperação e reabilitação recebeu uma Menção Honrosa nos Prémios Nacionais de Arquitectura da Associação dos Arquitectos portugueses e da Secretaria de Estado da Cultura.
Já no Museu do Vinho, na mesma ilha, mas na vila da Madalena, Paulo Gouveia foi responsável pelo projecto de adaptação, restauro e reabilitação dos edifícios existentes (a casa conventual da Ordem Religiosa das Carmelitas), construção do miradouro e edifício do lagar, cuja primeira fase ficou pronta em 1999. Entre outros edifícios, o arquitecto desenhou também a nova sede da Fanfarra Operária Gago Coutinho e Sacadura Cabral, em Angra do Heroísmo, inaugurada no ano passado.

04 novembro 2009

A Madeira tem feito muito pela equididade

Alberto João Jardim é um campeão. Ganha sempre eleições. E ganha outras coisas.
A impunidade faz-se com a complacência nacional. Uma complacência colorida, pois há muito verde de fúria, de inveja, seja lá do que for, misturado aos laranjas, rosas, azuis.

03 novembro 2009

A telenovela prossegue

Mário Nogueira é um agente infiltrado. Quis, desde a primeira hora, marcar a agenda política do governo. O governo já fez saber que não cede por dá cá aquela palha. Mário Nogueira, como bom agente infiltrado, já grita Aqui d'el rei! O rei encolhe os ombros e passa adiante.
Mário Nogueira se percebeu nunca o disse: o governo está-se nas tintas para a educação. Interessa-lhe sim o que poupa em salários com a actual lei. E sabe que a propaganda não é nada barata. Precisa de dinheiro para isso. Não pode pagar salários e continuar a manter a propaganda. A vida é feita de prioridades e a educação não é uma prioridade. A prioridade é a sobrevivência do governo. Vêm aí dias difíceis. E o défice há-de voltar à ordem do dia. Para já, ainda há muito dinheiro enterrado em bancos e noutros negócios. O dinheiro não é elástico.
Mário Nogueira quer conservar o protagonismo. Quer fazer valer o seu estatuto de comuna, essa espécie maldita. O governo não gosta de comunas. O governo é socialista. E há muito se percebeu que de propaganda e marketing sabe muito. Mário Nogueira representa apenas uma parte do professorado.
O governo é que sabe. Se diz que as coisas são para continuar, é porque são. A campanha eleitoral já passou. E há muita gente insatisfeita. O governo não pode agradar a minorias tão pouco relevantes como os professores. Os empresários são mais importantes e já foram muito claros: salários, quanto mais baixos melhor. Os portugueses há muito convivem pacificamente com a miséria.

Quando a igreja é vingativa, a resposta vem da lei

Sê fiel. Cumpre os mandamentos. Se não acatares esses nobres princípios, vais para o desemprego. Ameaçar é tudo, embora às vezes os resultados estejam longe de corresponder ao que se desejava. Que o diga o Arcebispado do arquipélago das Canárias, obrigado a indemnizar com 210 mil euros uma professora que tinha sido despedida por viver com um homem com quem não estava casada.
O caso remonta a 2000, quando o responsável de ensino da diocese canária, Hipólito Cabrera, confirmou à docente que o seu contrato não seria renovado por manter uma relação afectiva com um homem que não era o seu marido, de quem se havia separado previamente.
A professora sentiu-se lesada e agiu. Dizia ela: "Parece que voltamos à época da Inquisição. Se te separas do teu marido, se bebes uns copos, se tens um filho solteira ou se te juntas a um sindicato, retiraram-te a idoneidade". E atacava: "Não sou cura, nem freira, nem fiz voto de castidade. Aos padres pedófilos, não os afastam e deixam que continuem a dar aulas de religião".
O caso arrastou-se nos tribunais e deu brado. Agora veio a sentença. Porque Espanha é um país de Direito. E a lei, ah a lei é dura mas é a lei. Mesmo para a Igreja.

Fonte: JN

02 novembro 2009

Tatankacephalus cooneyorum


Um casal de paleontólogos norte-americanos descobriu, em Montana, «a versão biológica de um tanque militar», um anquilossauro herbívoro que andou pela Terra há 112 milhões de anos, durante o Cretáceo. O animal, com 6 metros de comprimento, tinha o corpo couraçado, coberto de centares e de placas ósseas. Deram-lhe o nome de Tatankacephalus cooneyorum, que significa cabeça de bisonte.
A descoberta faz recuar a espécie em 50 milhões de anos.

Fontes: 1, 2, 3

Rui Miguel Ribeiro


A tarde

Nesta desaceleração
espero que os dias corram iguais,
uniformes e sem resistência.
Procuro de cada mistério
entender o mais simples.
Fico pelo que é mais rente,
mais sólido, com menos construção.

Já não chega ter os horários,
as entregas e as rotinas,
para aceitar o ritmo de furo lento
da vida. Mais próximo cresce o detalhe.
É mais precisa a dúvida.

Cai a tarde e a pausa continua
e com ela expira o natural desejo
de um prazer, um apetite pela
diagonal de luz que vai dividindo
o espaço, a marca invisível
que fica de mais um dia.

[in XX Dias, Averno, 2009, pág. 24]

01 novembro 2009

Elizabeth Bishop


One Art


The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.

31 outubro 2009

Ana Luísa Ribeiro Prémio Amadeo de Souza-Cardoso 2009




Ana Luísa Ribeiro ganhou o Prémio Amadeo de Sousa-Cardoso, com a obra "Sem título (subject matter)".
O prémio, com periodicidade bienal, é organizado conjuntamente pela autarquia e pelo Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso e tem duas vertentes.
Nascida em Lisboa, em 1962, Ana Ribeiro vive e trabalha em Colónia (Alemanha), Berlim e Lisboa. Frequentou, entre 1981 e 1986, o curso de Bioquímica, na Universidade de Coimbra e Lisboa, e, em 1988, o Programa de Estudos Básicos, no Centro de Arte e Comunicação Visual (Ar.Co.), em Lisboa.
De 1994 a 1999, a artista foi bolseira da Fundação C. Gulbenkian para frequentar um “MA in Fine Art“, no Goldsmiths College - University of London.

30 outubro 2009

Touched

O estado comatoso do país visto por um escultor



Tem a palavra José Rodrigues: "Lisboa, parecendo que não, estrangulou o país, e sente-se muito esse peso, esse estrangulamento. É uma coisa aflitiva."
"Eu só acredito na troca de ideias e, sobretudo, em pessoas que não pensam da mesma maneira. Há uma tendência, em Portugal, para seguir o líder e passarem todos a pensar da mesma maneira - e não é só na política. É preciso haver contradição. Só a diferença é criativa. Se não, não vale a pena."

Entrevista aqui.

Michelangelo Merisi da Caravaggio



Caravaggio pintou o seu auto-retrato no interior do jarro de vinho visível à direita de Baco, no famoso quadro do deus romano existente na Galeria dos Ofícios, em Florença.
No interior do jarro, Caravaggio pintou a silhueta de um homem, de pé, com um braço estendido. Alguns traços do vulto são claramente distinguíveis, em particular o nariz e os olhos, sendo também visível o colarinho. Os especialistas crêem poder hoje dizer-se que o pintor (1573-1610) fez o seu auto-retrato reflectido no jarro que tinha à sua frente e que estava a pintar.
O quadro, a óleo, com 95x85 centímetros, foi pintado entre 1596 e 1597, por encomenda do cardeal Del Monte para o oferecer a Fernando I de Medici, por ocasião do casamento do filho Cosimo II.

Fontes: JN e La Stampa

29 outubro 2009

Carlos Bessa

Nas traseiras dos prédios

Noite de abril. Ouvem-se as gaivotas
nas traseiras desses prédios com varandas
forradas a marquises. Chove e a roupa
nas cordas, tapada com plásticos, dá-lhes
um ar de fotografia surrealista.

Jantam, as pessoas. Algumas, antes ou
depois, fazem da janela o lugar do
fumo. Quase todas às escuras, como
quem tolera pequenos prazeres, logo
que discretos. E que barulho o das pingas
grossas que vêm dos andares de cima.

Alguém abre uma janela e sacode
a toalha, as migalhas, esses restos
de convívio. Há alguns anos eram
menos velhos e andavam na rua
a festejar o fim de uma rotina.

Os filhos estão longe, com ou sem família.
Já donos, proprietários de tanto
conforto com mesa farta e problemas
de coluna. Nas traseiras destes prédios
antigos está escuro, muito escuro,
e nas cozinhas demasiado pequenas
o frio é menor com humor e notícias.

Passaram as ilusões, mesmo as das
revistas hardcore compradas às escondidas.
Agora, com o afecto sempre na reserva,
pensam nas muitas maneiras de morrer.
Chove e, furtivamente, com o som
de fundo dos concursos e doutras histórias
televisivas, abril volta a ser o
mais cruel dos meses e a alegria
parece reduzir-se a um cigarro que
se partilha em silêncio com os vizinhos.

in Dezanove maneiras de fazer a mesma pergunta, Teatro de Vila Real, 2007, pp. 20-21

Norah Jones - Sunrise

Bobby McFerrin - Don't Worry Be Happy

Os 50 anos de Astérix


A 29 de Outubro de 1959, surgia nas bancas francesas a revista "Pilote" e nela a figura de um homem baixo, mais astuto do que inteligente. Ao seu lado, um gordo desajeitado, com um menir às costas, incapaz de controlar uma força sobre-humana.
O homem baixo é Astérix, nome que provém da palavra francesa asterisque. Nasceu no ano 85 a. C., no mesmo dia que o seu inseparável Obélix (nome que provém do francês obelisque, ou seja, menir).
Narizes, indumentária, temperamento, força, apetite (coitados dos javalis) e um mesmo prazer em lutar contra os romanos fizeram dessa dupla uma das mais famosas do mundo.
Na aldeia dos irredutíveis gauleses, destaca-se ainda o druida Panoramix (autor da poção mágica), um chefe com pouca autoridade (Abraracurcix cujo nome significa à bras raccourcis, ou seja, braço partido), um peixeiro com horror a peixe fresco, Ordralfabetix (cujo nome significa ordem alfabética), um bardo com voz de cana rachada, Assurancetourix (cujo nome significa seguro contra todos os riscos), um ferreiro que usava o martelo mais para bater neste último do que para trabalhar na forja (Cétautomatix, ou seja, c'est automatique), Agecanonix, o habitante mais idoso da aldeia (93 anos), com um nome que indica a age canonique (idade provecta), e outros habitantes cujos nomes terminam sempre em "ix" e andam ciclicamente à pancada entre si, excepto quando se os romanos saem dos campos entrincheirados e fortificados que rodeiam a aldeia e levam bordoada de meia noite.
Cada história termina com um lauto repasto, cabendo ao bardo a honra de permanecer atado a uma árvore e com a boca tapada.
Na banda desenhada merece destaque o papel atribuído às mulheres da aldeia, sobretudo Bonemine, a mulher do chefe (mandona), e a do ancião (espécie de top model), além doutras importantes figuras femininas que vão surgindo de história em história.
As bases do sucesso foram os vários níveis de leitura presentes na obra, cativante para os mais novos pelas sucessivas tareias que os gauleses davam nos romanos, pelo ar bruto e ao mesmo tempo simpático de Obélix e do seu cão Idéfix (ecologista), e para os mais velhos pela mordaz crítica social e de costumes, pelo divertido retrato estereotipado que Goscinny traçou de cada um dos povos dos países que Astérix visitou.
Além disso, o cuidado com a linguagem (cada povo com os seus costumes e nomenclaturas), os trocadilhos, as caricaturas e outros pormenores conferem a cada história (sobretudo as que têm a assinatura de Goscinny) um sabor peculiar que se impregna na memória dos leitores.
E são muitos, espalhados por todos os continentes. Quanto ao nosso país, Astérix estreou-se no dia 4 de Maio de 1961, a preto e branco (no primeiro número da revista "Foguetão", dirigida por Adolfo Simões Muller que já tinha introduzido Tintin). O herói gaulês passou também pelas páginas do "Cavaleiro Andante" e do "Zorro", antes de se fixar na "Tintin", em 1968. No ano anterior, a Bertrand editou o primeiro álbum em português.
A entrada de Astérix no catálogo da ASA, em 2005, ficou marcada por uma nova tradução que aportuguesou os nomes de várias figuras: Idéfix passou a Ideiafix, o chefe Abraracourcix foi rebaptizado de Matasétix, a sua mulher Bonemine como Boapinta, o bardo Assurancetourix como Cacofonix e o velho Agecanonix tornou-se Decanonix.

Fontes: JN, Wikipedia I, II e III e Astérix around the world.

28 outubro 2009

Quotas



Os ministérios que realmente importam são ocupados por portugueses. Os que são mais ou menos decorativos têm o rosto de portuguesas. Os portugueses não sofrem do dilema dos atletas de alta competição. E as portuguesas também não. Por isso, apenas podemos destacar o ar etéreo da nova ministra da cultura, quiçá a pensar na beleza decorativa do palácio presidencial. Ou o ar descontraído (as aparências iludem, claro) da senhora ministra da educação parlamentando com a antecessora, que diz entre risadinhas: perdi o pais, mas ganhei os professores. Note-se como a nova ministra ri comprometida, sem perder a compostura. A compostura é muito importante num ministro, sobretudo em se tratando de portuguesas.
O protocolo será rigoroso, mas os ministros têm tempo para passarem pelas brasas e para enfrentarem, estoicamente, as provas de contágio da gripe A, de tal modo dão uso à mãozinha (não sabemos se peganhenta, se perfumada com água de rosas).
Acrescentemos quão belo é ver um governo cheio de rostos de portuguesas.

27 outubro 2009

Sobre a petição de apoio a Pedro Lapa

Pedro Lapa dirigia o Museu do Chiado (Lisboa) desde 1998. Foi substituído. E houve quem não gostasse e pusesse a circular uma petição, que transcrevemos abaixo. A pesar da divulgação da mesma, conta ainda com muito poucas assinaturas. O que mostra duas coisas: o desinteresse que o assunto provoca na população que lê jornais e a ignorância sobre a arte contemporânea.
Há certamente razões particulares por parte de pessoas que já assinaram. Há solidariedade doutras. E isso também mostra como a arte contemporânea é assunto de minorias, apesar de movimentar quantias avultadas. Além de revelar o pouco que se tem feito na educação dos mais novos. Os lugares comuns são moeda corrente entre quase toda a gente.
Lisboa, apesar da sua condição de capital e da urbanidade de alguns dos seus moradores, viveu demasiado tempo à sombra da Gulbenkian e quando a fonte fechou, o Estado não foi capaz de criar dinâmicas que permitissem à capital continuar a ser um pólo artístico. E não será por falta de diálogo entre os agentes, pois os que estão ao serviço do Estado chegaram lá por terem começado a actividade em galerias, jornais e afins. Falta, como se viu no caso Berardo, visão empresarial por parte das empresas e da banca. Lisboa não tem um museu que seja capaz de chamar gente.
Pedro Lapa fez o que pôde no Museu do Chiado. Os recursos não eram avantajados. Mas porque tem um museu que viver sempre à custa do dinheiro dos contribuintes? Não serão capazes de seduzir empresários, banqueiros e outros abonados?

Transcrição da

Petição Manifesto de Opinião

"No concurso para Director do Museu do Chiado que decorre das regras que regem os Museus do Instituto dos Museus e da Conservação, Pedro Lapa, seu actual director e candidato à recondução, foi preterido na escolha para o cargo.
Pedro Lapa é uma das pessoas que tem contribuído, de forma continuada e consistente, para a divulgação da arte portuguesa. Possui um extenso curriculum, no qual avultam as inúmeras exposições que comissariou, a forma como tem trabalhado para a preservação da memória da arte moderna portuguesa com a edição de monografias e retrospectivas hoje incontornáveis para a História da Arte, a combatividade com que tem dirigido um Museu espartilhado por um orçamento aviltantemente insuficiente. Com enorme perseverança lutou no sentido de tornar possível o alargamento do Museu do Chiado, tendo conseguido reunir um consenso particularmente difícil no sentido de reunir as condições para a sua expansão, o que, finalmente, poderia estar em vista. Se assim é, a sua experiência como Director de Museu seria, agora, fundamental – não só pelo extenso conhecimento da colecção que possui, como pela capacidade que revelou de constituir e manter uma equipa em torno do projecto deste Museu, contra todas as vicissitudes.
Nesse sentido, a sua substituição à frente do Museu do Chiado é incompreensível para todos aqueles que têm acompanhado o seu percurso institucional, independentemente das eventuais diferenças de perspectiva sobre a sua orientação artística.
Em Portugal há o estranho hábito de não rentabilizar o saber, o conhecimento e a experiência. Na cultura, onde estas características assumem uma importância determinante, o cuidado em manter nos lugares certos quem pode constituir uma mais-valia deveria orientar as escolhas.
E esta estranheza é tanto maior quanto não se conhece, pelo menos ela nunca foi tornada pública, nenhuma directiva programática por parte da tutela (Ministério da Cultura e Instituto dos Museus e da Conservação), no que concerne o papel e missão do Museu do Chiado no contexto e definição das políticas nacionais para a arte contemporânea.
A direcção de Pedro Lapa, ultrapassando essa ausência de orientação, teve uma visão inovadora da colecção nacional de arte moderna e contemporânea do único museu estatal com essa vocação, trazendo novas interpretações à colecção até então nunca realizadas.
Os abaixo-assinados solidarizam-se com Pedro Lapa e manifestam a maior estranheza e discordância pelo seu afastamento da direcção da instituição que tem sabido dirigir e manter activa."

Bullet time

Matrix mostrou-nos as potencialidades da técnica. A série de TV CSI Las Vegas usa-a para mostrar um momento de tensão no laboratório. Os efeitos são magistrais.



26 outubro 2009

E-mail e banner


A primeira mensagem de correio electrónico entre dois computadores (e-mail em rede) situados em locais distantes foi enviada em 29 de Outubro de 1969, quase dois meses depois do primeiro nó que deu origem à Internet.
O texto dessa primeira mensagem continha apenas duas letras e um ponto - "LO.". O investigador da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) Leonard Kleinrock queria escrever "LOGIN", mas o sistema foi abaixo a meio da transmissão.
A mensagem seguiu do computador do laboratório de Kleinrock na UCLA para o de Douglas Engelbart no Stanford Research Institute, utilizando como suporte a recém-criada rede da ARPA (Advanced Research Projects Agency), agência financiada pelo governo norte-americano.
O primeiro nó de ligação entre dois computadores da Arpanet tinha sido estabelecido pouco tempo antes, em 02 de Setembro de 1969, pelo que a história da Internet e do e-mail em rede se confundem.
No início da década de 1960, surgiram alguns sistemas de troca de mensagens entre terminais de um mesmo computador, em tempo diferido (1961) e em tempo real (1965), mas o primeiro e-mail em rede foi transmitido apenas em 1969.
Dois anos depois, em 1971, Ray Tomlinson inventou os primeiros programas para envio de e-mails em rede através da Arpanet e criou a arroba ("at", em Inglês - @) para separar o login do utilizador do domínio do servidor.
Em 1976, a rainha de Inglaterra, Isabel II, enviou o seu primeiro e-mail, e em 1978 surgiu o primeiro spam, entendido como mensagem de correio electrónico enviada para múltiplos destinatários sem consentimento destes.
Quarenta anos depois, 70 por cento dos e-mails enviados diariamente são "spam", uma "praga" que acompanha o crescimento dos vírus e do marketing na Internet, mas que tem sido combatida, com relativo sucesso, por diversos sistemas de filtragem entretanto desenvolvidos.
O "spam" não é, contudo, o único adversário do e-mail, que encontra cada vez mais concorrentes noutros sistemas de comunicação de texto, áudio e vídeo, de envio de ficheiros e de troca de mensagens instantâneas, através de ferramentas como o Messenger, Skype e Twitter, a que se juntará em breve o Google Wave.
Bem mais recente é o banner publicitário, com apenas 15 anos. A cargo da HotWired que o descarregou no dia 27 de Outubro de 1994, para servir empresas como a ATT, Volvo, Club Med e MCI. O banner, como podem ver, era bastante singelo, tanto mais que algumas das empresas ainda não possuíam página web e clicava-se para ir até uma página em construção.
O banner tinha 468x60 píxeles e os clientes da campanha inaugural da HotWired gastaram 400 mil dólares. HotWired tinha então 25 mil leitores na sua lista de correio electrónico e pediram por isso a cada anunciante 30 mil dólares.

25 outubro 2009

Dos génios que têm coluna fixa nos jornais

Não sei se vos acontece. Comigo é uma constante. A maior parte dos colunistas dos jornais aborrece-me. Escrevem com os pés e raramente dizem algo digno de registo. De vez em quando, contudo, dou de caras com alguém que não conheço e leio-o.
Não sei quem é Alberto Gonçalves, nem o que faz. Escreve no DN. E li o que suponho tratar-se de um comentário ao que de mais relevante o inquietou durante a semana passada.
Comoveu-me a história da sua infância. No 9.º ano, a professora de História deu-lhe um prémio surpresa por ter tido o melhor teste da turma. O prémio era... um volume da colecção Uma aventura. Alberto Gonçalves já na altura possuía qualidades acima da média. Lia Camus e Kafka, depois de, aos seis anos, ter passado pelos Cinco, de Enid Blyton.
O que me surpreendeu não foi o andar a ler Camus e Kafka, aos 14 anos. Mas tão-só o modo como ele os classifica: "Aos catorze, andava, provavelmente sem compreender, pelos Camus e Kafka da praxe." Ora, esse "da praxe" é que me soa mal. Eu, que sou um bocadinho mais velho e também era de ler muito, nunca vi colegas meus a lerem Camus. Aliás, contavam-se pelos dedos os que liam. Quase sempre Patinhas e afins ou a Bola e jornais de música (havia um, anterior ao Blitz, cujo nome não me ocorre, que tinha grande sucesso entre os fãs dos Pink Floyd ou dos AC-DC). Camus? Kafka? Isso era mais para gente crescida.
Pormenores à parte, registe-se o fervor pela cultura e o empenho com que motivava a família para a leitura: "Dei o livrinho a uma prima bebé e no 9.º ano não repeti os bons resultados a História. Embora a duras penas, aprendi nesse momento a incapacidade da docência em "motivar" as crianças. E aprendi o nome de Isabel Alçada, co-autora da mencionada colecção".
Como se sabe, os bebés possuem competências acima da média. Lêem abundantemente e manifestam especial predilecção pela colecção Uma aventura. Sobretudo se forem da família do Alberto.
A gente lê opiniões deste calibre e fica esmagada por tanta sabedoria. É por esta e por outras que desenvolvemos os nossos complexos de inferioridade.

Bué de baril ou baril de bué ou nice ou sei lá

Anda a circular de mail em mail a composição de um aluno do 9.º ano. Se é de um aluno do 9.º ano está altamente. E mostra à saciedade que o acordo ortográfico está desactualizado. O que se destaca, no entanto, é o sentido de humor e, isso, convenhamos, é algo precioso. A grafia usada corresponde à da geração lelé ou telelé.
Aqui vai.

REDAXÃO

'O PIPOL E A ESCOLA'


Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem
Direitos e se n vai á escola latrá os seus
motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola.
Primeiros a peçoa n se sente
motivada pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas.
Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto
Montanhoso? Ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? Ou cuantas estrofes tem
um cuadrado? Ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã?
E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os Lesiades''s, q é u m livro xato e q
n foi escrevido c/ palavras normais mas q no aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros,
daaaah.
Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a Malta
re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem abitos de leitura e q a Malta n sabemos ler nem escrever e
a sorte do gimbras foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é q conceguiu assertar lhe com um sapato.
Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver???
O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço de otelaria e a Malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos
ganhar um gravetame do camandro. Ah poizé.
Tarei a inzajerar?

23 outubro 2009

Black Eyed Peas - Hey Mama

No dia 4 de Fevereiro de 2010 recebemos a informação de que o conteúdo deste post ofende a indústria discográfica e os direitos de autor.
Aqui fica a nota:

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