19 novembro 2009

"Hit the Bitch"


Os dinamarqueses têm sido muito falados por causa das campanhas publicitárias que engendram e envolvem mulheres. Há tempos falámos de uma que se destinava a promover o turismo. Agora, está a dar que falar uma contra a violência doméstica.
Há um jogo que mostra uma mulher a levar bofetadas, umas atrás das outras, enquanto a pontuação da masculinidade do agressor vai aumentando. Quando atinge os 100% é classificado de idiota. A mulher cai, quase desmaiada.
Ora, se ele só é idiota no fim, que raio de publicidade é esta? Uma espécie de vingança catártica? Bate, filho, bate com força que pelo menos assim descarregas a fúria virtualmente...
Quem vai ao sítio para jogar encontra a seguinte mensagem:

"Dear non-danish visitor,

Due to an extremely high amount of traffic "Hit the Bitch" has been limited to only allow users from Denmark.
However, domestic violence is a global problem, so please support the fight against it in your local country.
Thanks for your interest.

Kind regards
Children exposed to Violence at Home"

Podem ler mais sobre o assunto indo aqui. E podem ver uma amostra do jogo a seguir.


18 novembro 2009

Vítor Nogueira


Torre

À noite, somos todos mortais outra vez.
Para que serve uma torre de vigia?
Já se sabe que na selva é mesmo assim:
procurar lenha, acender uma fogueira,
manter os mosquitos afastados.

Contudo, à luz do dia, sobrevoar o mar largo
sem ser visto, escalar ao menos uma vez
o elevador de Santa Justa.
São pombas, nos beirais, ou são os corvos
da mui nobre cidade de Lisboa?

[in Mar Largo, &etc, 2009, p. 40]

17 novembro 2009

Dos prémios literários


Ninguém pergunta a um gestor ou a um empresário o que vai fazer com o que ganha. No entanto, não há jornalista que não caia no chavão quando se trata de um escritor ou de um poeta.
José Emilio Pacheco, que ganhou o prémio Reina Sofía de Poesía Iberoamericana, entrevistado por Antonio Astorga, do ABC, responde à pergunta:
«A esta edad, el galardón tengo que emplearlo en gastos médicos. Si me hubiera pillado con treinta años me lo habría gastado en Ibiza».
Há poetas assim, que brilham onde outros claudicam.

Quase 550 mil desempregados em Portugal

Há 5 017 500 pessoas empregadas em Portugal. Os desempregados são 547 700. Dados hoje publicados pelo INE.

O Banco de Portugal prevê contracção económica de 2,7 por cento este ano.

A economia ressente-se. Os desempregados são muitos. Os salários são baixos. Mas...

O que é preciso é contenção. E a contenção é tanta que há empresas com lucros faraónicos, como a PT, a tal que gasta milhares de euros em publicidade a prometer custos baixos para os clientes.

Cinco mil milhões de euros só para a PT em 9 meses


A linguagem das empresas é peculiar e visa o lucro. Algumas dessas empresas usam o seu poder para passar mensagens aos accionistas e também aos clientes. Fazem-no em forma de notícia, como a que transcrevemos a seguir.
O que me incomoda sempre nesta maneira de redigir as notícias são as mensagens subterrâneas. Coitadinha da empresa, cujos lucros astronómicos não foram, neste ano, tão elevados como no ano anterior.
Os salários no nosso país são muito baixos. Mas os nossos gestores auferem vencimentos tão elevados quanto os dos congéneres estrangeiros.
Os serviços que pagamos são tão caros ou mais do que os estrangeiros.
Mas como não temos alternativa, ou pagamos ou não temos. E, como se não bastasse, ainda temos de ler notícias assim:
"A PT obteve um resultado líquido de 371,9 milhões de euros (ME) nos primeiros nove meses do ano, o que representa uma queda de 14,2 por cento face aos lucros de 433,5 ME do período homólogo, anunciou a operadora."
Repare-se: "Nos primeiros nove meses do ano, as receitas da PT atingiram os 4973 milhões de euros."

16 novembro 2009

O bobo da corte


Cada terra com seu tolo. Cada ilha com o seu bobo.

Não sei se têm presente o cromo que tinha por hábito pôr-se por trás das pessoas quantas vezes apoiando o seu lindo queixo no ombro delas. Aparecia, seguia a câmara e tornou-se conhecido.

Na ilha da Madeira há um governante que me faz lembrar tal figura. De cada vez que abre a boca sai asneira. Consta que é muito apreciado entre os democratas tugas por ser um campeão de eleições. Papa-as todas.

Além de democrata dos quatro costados, é um expert em geografia, revelando-se também um consumidor de filmes de série B. Julga ele que o território continental português é uma ilha e designa-o por "Sicília hispânica". Às vezes, acontece: dizem-se verdades sem querer; põe-se a nu o que se anda a fazer.

Um monumento para o homem. Cada localidade deveria erigir-lhe uma estátua sob o lema: Herói Português do Século.

Capturado em cuecas e enfiado num buraco


Ser mau aluno a Matemática e a Educação Visual dá nisto: calcula-se mal as proporções e erra-se. Que o diga o romeno que ficou entalado na janela ao tentar assaltar um supermercado de Almancil, em Loulé (Algarve).
Quando o homem tentou entrar pelo postigo da cave, depois de tirar a grade que o protegia, ficou preso num supermercado com o sugestivo nome de Ali Super. Apesar da constituição estreita, o rapaz ficou entalado no pequeno espaço – que não terá mais de 40 cm – mais de 11 horas.
Por entre as várias tentativas para se soltar, terá despido as calças e assim o encontraram, manhã cedo, acabando por se tornar numa caricatura noticiosa. Mal tocava no chão com os bicos dos pés.

13 novembro 2009

Um museu em Portugal


Tem a palavra Pedro Lapa:

«Um museu não é uma galeria de exposições temporárias, mas também não é um monumento bolorento, fixo, definido de uma vez por todas.»

«Os museus são laboratórios. Não são uma casa de entretenimento, são uma casa de partilha e discussão de conhecimento. Têm que fazer investigação. Com as pressões excessivas e completamente irresponsáveis colocadas aos directores, de angariação quer de fundos, quer de públicos, têm perdido aquilo que os constitui como referência. Veja-se o caso do MoMA, do Pompidou, veja-se o que foram e o que são hoje. Um museu não pode descurar a investigação e nós tentámos não descurá-la. Muitos dos catálogos que produzimos são documentos fundamentais para o estudo de determinados artistas e movimentos.»

«quando nos aproximamos da contemporaneidade o público português não está tão habituado: quando fizemos o Gerhard Richter, em 2004, foram, salvo erro, 14 mil visitantes, hoje seriam 24 mil.»

«Em 2007 decorreram em simultâneo a Documenta de Kassel, a Bienal de Veneza, o Münster Skulptur Projekte e a Bienal de Istambul. Em nenhum desses eventos - em nenhum! - esteve um artista português. Os artistas portugueses são maus? Não. Há bons artistas portugueses, melhores do que muitos que estiveram nesses eventos. O que é que se passa então? Há um profundo desconhecimento, um desconhecimento que só pode ser suplantado, se existir capacidade portuguesa de integrar redes de circulação emergentes com os que serão [um dia] os artistas e curadores dos grandes eventos. O grande problema português é que as instituições têm sido conservadoras nas suas programações.»

Fonte: Público

David Claerbout






David Claerbout está desde ontem no Museu do Chiado (Lisboa) até 28 de Fevereiro de 2010. Nasceu em 1969 em Kortrijk, na Bélgica e, actualmente, vive e trabalha em Antuérpia.
Segundo palavras de Pedro Lapa, "trabalha numa era digital em que todas as categorizações de cinema e fotografia se desmoronaram, e as suas obras lidam com a fusão entre ambos, e de forma a produzir uma experiência física no espectador".
Para ver melhor as imagens basta clicar em cima delas (parte com origem aqui).


12 novembro 2009

O peso das instituições


O cristianismo ganhou força por ter sido ousado, chamando a si os humildes, protegendo-os primeiro e depois servindo-se deles para conquistar poder. Uma vez instalado e após muitas cisões e debates, governou, enriqueceu até que a modernidade lhe foi retirando audiência.
A Igreja há muito representa um conservadorismo faccioso e parece apostada em defendê-lo contra o tempo, mesmo que o século seja dominante no seu seio desde finais do século XIX.
A eutanásia e o casamento de pessoas do mesmo sexo são as grandes batalhas de momento, depois de ter perdido a do aborto. Talvez por isso, mudou de estratégia e aparece mais aguerrida a veicular a sua mensagem. No que mais não é do que uma luta contra os que ainda a frequentam.
A Igreja parece ver-se a si própria como um museu vivo. Quer preservar a todo o custo ideias e valores ultrapassados. E se se nota haver quem dentro dela propugne abertura e seja capaz de trazer para o seu seio temas fraturantes, surge aos olhos do agora ainda demasiado colada a dogmas tão activos como os de defender que a Terra está no centro do Universo.
Ainda não assimilou completamente que cada vez mais os indivíduos querem decidir por si as suas opções de vida e que quanto mais conscientes são, melhores católicos podem ser.
Que a eutanásia seja um assunto muito complexo, entende-se. Que o casamento de homossexuais a incomode tanto soa mal. Se os bispos portugueses já são capazes de dizer que "ser homossexual não é pecado, como ser heterossexual não é virtude", deveriam dar o passo seguinte que era deixar que cada um decidisse em consciência. Até porque como já alguém disse: "Uma igreja que abençoa carros, casas e barcos seria incompreensível que não pudesse abençoar uma união entre duas pessoas."

11 novembro 2009

José Luis Rey

José Luis Rey ganhou o XXII prémio Internacional de Poesia Loewe, com o livro Barroco. O poeta tem 36 anos. O júri era composto por Víctor García de la Concha, director da Academia da Língua, e pelos poetas Francisco Brines, José Manuel Caballero Bonald, Antonio Colinas, Jaime Siles, Cristina Peri Rossi (que ganhou o prémio no ano anterior), Jaime Siles e Luis Antonio de Villena.
Espanha tem esta coisa, dá prémios a poetas novos. Em Portugal continuamos num mundo pequeno e fechado, em que são sempre os mesmos.
Aqui ficam excertos de poemas de José Luis Rey, retirados da página do autor.

APARICIÓN DE VENUS EN LAS BAÑERAS DE HUNGRÍA

Mis niños con las manos perfectas de robar.
Mi maleta llena de pájaros.
Los ladrones volaban
y esperan cada tarde el momento adecuado, mi dinero, mi vida,
y espían los milagros y siempre tienen sed.
Y entonces, bajo rosas, a ciegas, entre el cielo,
en todos los tejados, dilo así.
Y di cómo soñábamos,
y quiénes fueron jóvenes, y quiénes sumergieron sus vestidos
en la harina solar para ver otros días
y nada se les dio.
(...)


PLENITUD

Cuando murieron los poetas ingleses y franceses
la rosa florecía.

Cuando murieron los húmedos poetas alemanes
la rosa florecía.

Cuando murió Montale y el cielo se llenó de diamantes asmáticos
la rosa florecía.

La rosa florecía
cuando murió también Whitman el núbil.


Verde siempre el vestido de este aire.
Yo vivo con la rosa que no muere.

10 novembro 2009

Memórias em contraluz


Petter Moen (1901-1944) foi um jornalista e resistente norueguês que a Gestapo capturou. Enquanto esteve preso redigiu um diário em pequenos papéis que enrolava e atirava por um ralo de ventilação. Como não tinha lápis nem caneta, grafava o que via e pensava em papel higiénico.
Esteve detido sete meses (corria o ano de 1944) no quartel general da Gestapo em Oslo. Período no qual perfurou cada letra sobre papel higiénico com um prego, dando testemunho do horror nazi.
Morreu num naufrágio com outros 400 prisioneiros quando era levado para a Alemanha. Um dos sobreviventes deu a conhecer a proeza de Moen quando acabou a guerra e o livro viria a ser editado em 1949, na Noruega, sendo depois traduzido para várias línguas.
O manuscrito encontra-se no Museu da Resistência de Oslo, mas não está exposto.

Fonte: El País

Pirâmide pintada descoberta em Calakmul




No recinto arqueológico de Chiik Nahb, junto à linha fronteiriça entre o México e a Guatemala, descobriu-se uma pirâmide com cenas da vida quotidiana dos Maias, que datam de há 1350 anos.
As pinturas dão preciosa informação sobre as classes sociais, sobre o tipo de alimentação e sobre a indumentária usada na época.
Até à data, a maior parte do conhecimento sobre os costumes e a sociedade dos maias tinha apenas em conta a vida das elites e das classes altas (guerras, cerimónias religiosas e protocolares). Os desenhos mostram outros membros dessa sociedade.
Um artigo sobre a descoberta foi publicado aqui (mas só pode ser lido pelos subscritores da publicação científica).

Fonte: El País

09 novembro 2009

Vagina, para que serves?


A vagina tem múltiplas funções. A mais insólita será a de servir como cofre de objectos roubados. Ou de droga, como de vez em quando também vem a público.
L.D., de 29 anos, natural da Croácia, levava na sua vagina dois anéis, três brincos, três pendentes com pedras preciosas, um fio com cerca de meio metro, um relógio Omega Speed Master, duas pulseiras e duas medalhas com motivos religiosos.
L.D. era uma das mulheres usadas por um grupo nómada (a notícia classifica-o assim), composto por catorze indivíduos de ambos os sexos (quiçá um soneto), maioritariamente oriundos dos Balcãs, mas também de Itália, que se dedica à prática de furtos em residências (Palmela, Setúbal, Moita, Seixal, Telheiras e Pontinha, Leiria foram alguns dos lugares que visitaram).
Parece que os homens ficam em casa a tomar conta das crianças e as mulheres partem ao ataque. Quando as mulheres regressam aos lares (apartamentos e rulotes), os homens encarregam-se dos objectos, procedendo à sua venda ou ao seu encaminhamento para fora do país.

Cartas da Península, de William Warre


William Warre era luso-britânico. Nasceu no Porto, em 1784, e estava destinado a prosseguir o negócio da família britânica, ligada ao comércio do vinho. As invasões napoleónicas trocaram-lhe as voltas (ingressara no Exército britânico aos 19 anos). Foi na qualidade de oficial inglês que regressou ao solo natal, na altura com 24 anos, para cumprir o que lhe pareceu ser a sua vocação histórica: ajudar a salvar Portugal da invasão estrangeira. Participou não só nas mais importantes batalhas das Guerras Peninsulares, mas também na resistência dos portugueses.
Lutou na Batalha da Roliça (o primeiro combate da Guerra Peninsular) e na do Vimeiro, que conduziram directamente à libertação de Lisboa, e esteve com o general Sir John Moore na sua famosa e terrível retirada na Corunha, ainda hoje lendária na história britânica. Esta catastrófica marcha de Inverno através de montanhas cobertas de neve culminou na batalha desesperada nos cumes das colinas da Corunha e na morte prematura do general Moore. Warre escreveu numa carta para casa relatando a honra de estar na retaguarda e de ser o último oficial a embarcar a 16 de Janeiro, no momento em que os franceses tomavam a cidade.
O capitão Warre esteve presente na libertação da sua cidade natal, o Porto; no cerco e tomada de Ciudad Rodrigo; e testemunhou a brutalidade do segundo cerco e saque de Badajoz, em Abril de 1812. Embora tivesse apenas 27 anos na altura, foi o oficial principal na intimação do Forte de São Cristóvão e fez prisioneiros os generais Philippon e Weyland - os comandantes franceses de Badajoz -, que lhe entregaram as suas espadas pessoalmente.
Participou na épica e decisiva batalha de Salamanca, em Julho de 1812, que muitos estrategas militares consideram ser aquela em que Wellington demonstrou as suas grandes qualidades estratégicas, ainda mais do que em Waterloo.
As suas cartas foram publicadas em 1909, por iniciativa de um sobrinho e mereceram uma segunda edição em 1999, pela mão de um sobrinho-bisneto. Dez anos depois, regressam pela mão da Alêtheia. Cartas que, embora pessoais, contêm muitos dados militares e são, por isso, um curioso documento da época de 1808 a 1812.

08 novembro 2009

A mania das sondagens

As sondagens são úteis quando as perguntas são pertinentes. Quando se realizam para saber se uma lei deve ou não ser aplicada são ridículas. Se a lei é lei, é porque foi votada pela assembleia onde estão os deputados que o país escolheu.
Imaginem que agora se fazia uma sondagem para saber se as escolas deviam ter ou não crucifixos, quando a lei diz que a opção religiosa de cada um é um direito. Que interessa que X por cento dos inquiridos digam que sim ou que não?
Pois isso mesmo acaba de acontecer em Itália, país que não pára de dar mostras do mais puro infantilismo.
Será que alguém se lembra de que as leis de países democráticos contemplam as minorias?

07 novembro 2009

A volta ao mundo pelos museus


Museus e galerias de todo o mundo numa página chamada blablart. E ainda outras coisas mais. Para quem gosta de viajar sentado.

Os insondáveis mistérios de Deus


O que é um padre? É uma pessoa do sexo masculino que recebeu o sacramento da Ordem, ou seja, o poder e a graça de exercer funções e ministérios eclesiásticos que se referem ao culto de Deus e à salvação das almas. A sua acção deve pautar-se pela santidade (é responsável por uma paróquia, onde preside a Sagrada Eucaristia, bem como atende à confissões, aconselhamentos e outros; doou sua vida ao serviço do Evangelho e vive para servir a Deus e aos leigos por meio da evangelização). Um padre tem o poder de perdoar os pecados, de converter o pão e o vinho no Corpo e no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e de conferir, conforme o seu grau, outros sacramentos.
O padre Fernando Guerra, que exerce funções em Covas de Barroso, concelho de Boticas, tem 74 anos e gere quatro paróquias da diocese de Vila Real. Passou do anonimato para os telejornais por causa de armas. Já no seminário, ao que se diz, era apodado de pistoleiro.
Consta que herdou uma pistola do pai e que possui licença de uso e porte de arma para um revólver (curiosamente a única arma que não apareceu durante as buscas efectuadas pela GNR). Apreenderam-lhe várias armas, todas ilegais, algumas com os números de série rasurados, bem como um saco de pólvora e dinamite.
O sacerdote tinha em casa um pequeno arsenal. Para quê? Certamente para enfrentar o Demónio que, como se sabe, adora tiroteios.
Foi professor durante cerca de 30 anos e é pároco há 50. Como nos disse o nosso douto primeiro-ministro, os professores ganham muito. Veja-se: o padre Fernando tem nada menos nada mais do que 33 imóveis registados em seu nome só no concelho de Montalegre, mais duas casas em Boticas e sete na cidade de Chaves. Além disso, possui alguns carros de gama alta.
Há quem diga que tem procurações de muita gente para fazer negócios e que empresta dinheiro com juros de 4%. Certo certo é estar colectado em nome individual como sócio de uma empresa, sediada numa das suas residências, neste caso em Covas de Barroso, concelho de Boticas, de comércio e retalho de carpetes e cortinados, que curiosamente não apresenta movimentos comerciais há vários meses.
Os mistérios de Deus são insondáveis. O padre Fernando é um leal servidor e, por isso, Deus tem-lhe recheado a existência neste vale de sombras e sofrimento com algumas alegrias. Se até se chama Guerra, Fernando Guerra.

06 novembro 2009

Gabriel Ferrater

Ócio

Ela dorme. À hora em que os homens
já estão despertos e a pouca luz
entra para os ferir.
Com tão pouco temos tanto. Não mais
que a sensação de duas coisas:
a terra gira e as mulheres dormem.
Em paz, façamos caminho
até ao fim do mundo. Não precisamos
de fazer nada para ajudar.

[tradução de Rui Almeida deixada na caixa de comentários da versão original e das traduções para castelhano.]