14 novembro 2009
13 novembro 2009
Um museu em Portugal

Tem a palavra Pedro Lapa:
«Um museu não é uma galeria de exposições temporárias, mas também não é um monumento bolorento, fixo, definido de uma vez por todas.»
«Os museus são laboratórios. Não são uma casa de entretenimento, são uma casa de partilha e discussão de conhecimento. Têm que fazer investigação. Com as pressões excessivas e completamente irresponsáveis colocadas aos directores, de angariação quer de fundos, quer de públicos, têm perdido aquilo que os constitui como referência. Veja-se o caso do MoMA, do Pompidou, veja-se o que foram e o que são hoje. Um museu não pode descurar a investigação e nós tentámos não descurá-la. Muitos dos catálogos que produzimos são documentos fundamentais para o estudo de determinados artistas e movimentos.»
«quando nos aproximamos da contemporaneidade o público português não está tão habituado: quando fizemos o Gerhard Richter, em 2004, foram, salvo erro, 14 mil visitantes, hoje seriam 24 mil.»
«Em 2007 decorreram em simultâneo a Documenta de Kassel, a Bienal de Veneza, o Münster Skulptur Projekte e a Bienal de Istambul. Em nenhum desses eventos - em nenhum! - esteve um artista português. Os artistas portugueses são maus? Não. Há bons artistas portugueses, melhores do que muitos que estiveram nesses eventos. O que é que se passa então? Há um profundo desconhecimento, um desconhecimento que só pode ser suplantado, se existir capacidade portuguesa de integrar redes de circulação emergentes com os que serão [um dia] os artistas e curadores dos grandes eventos. O grande problema português é que as instituições têm sido conservadoras nas suas programações.»
Fonte: Público
«Um museu não é uma galeria de exposições temporárias, mas também não é um monumento bolorento, fixo, definido de uma vez por todas.»
«Os museus são laboratórios. Não são uma casa de entretenimento, são uma casa de partilha e discussão de conhecimento. Têm que fazer investigação. Com as pressões excessivas e completamente irresponsáveis colocadas aos directores, de angariação quer de fundos, quer de públicos, têm perdido aquilo que os constitui como referência. Veja-se o caso do MoMA, do Pompidou, veja-se o que foram e o que são hoje. Um museu não pode descurar a investigação e nós tentámos não descurá-la. Muitos dos catálogos que produzimos são documentos fundamentais para o estudo de determinados artistas e movimentos.»
«quando nos aproximamos da contemporaneidade o público português não está tão habituado: quando fizemos o Gerhard Richter, em 2004, foram, salvo erro, 14 mil visitantes, hoje seriam 24 mil.»
«Em 2007 decorreram em simultâneo a Documenta de Kassel, a Bienal de Veneza, o Münster Skulptur Projekte e a Bienal de Istambul. Em nenhum desses eventos - em nenhum! - esteve um artista português. Os artistas portugueses são maus? Não. Há bons artistas portugueses, melhores do que muitos que estiveram nesses eventos. O que é que se passa então? Há um profundo desconhecimento, um desconhecimento que só pode ser suplantado, se existir capacidade portuguesa de integrar redes de circulação emergentes com os que serão [um dia] os artistas e curadores dos grandes eventos. O grande problema português é que as instituições têm sido conservadoras nas suas programações.»
Fonte: Público
David Claerbout





David Claerbout está desde ontem no Museu do Chiado (Lisboa) até 28 de Fevereiro de 2010. Nasceu em 1969 em Kortrijk, na Bélgica e, actualmente, vive e trabalha em Antuérpia.
Segundo palavras de Pedro Lapa, "trabalha numa era digital em que todas as categorizações de cinema e fotografia se desmoronaram, e as suas obras lidam com a fusão entre ambos, e de forma a produzir uma experiência física no espectador".
Para ver melhor as imagens basta clicar em cima delas (parte com origem aqui).
Segundo palavras de Pedro Lapa, "trabalha numa era digital em que todas as categorizações de cinema e fotografia se desmoronaram, e as suas obras lidam com a fusão entre ambos, e de forma a produzir uma experiência física no espectador".
Para ver melhor as imagens basta clicar em cima delas (parte com origem aqui).
12 novembro 2009
O peso das instituições

O cristianismo ganhou força por ter sido ousado, chamando a si os humildes, protegendo-os primeiro e depois servindo-se deles para conquistar poder. Uma vez instalado e após muitas cisões e debates, governou, enriqueceu até que a modernidade lhe foi retirando audiência.
A Igreja há muito representa um conservadorismo faccioso e parece apostada em defendê-lo contra o tempo, mesmo que o século seja dominante no seu seio desde finais do século XIX.
A eutanásia e o casamento de pessoas do mesmo sexo são as grandes batalhas de momento, depois de ter perdido a do aborto. Talvez por isso, mudou de estratégia e aparece mais aguerrida a veicular a sua mensagem. No que mais não é do que uma luta contra os que ainda a frequentam.
A Igreja parece ver-se a si própria como um museu vivo. Quer preservar a todo o custo ideias e valores ultrapassados. E se se nota haver quem dentro dela propugne abertura e seja capaz de trazer para o seu seio temas fraturantes, surge aos olhos do agora ainda demasiado colada a dogmas tão activos como os de defender que a Terra está no centro do Universo.
Ainda não assimilou completamente que cada vez mais os indivíduos querem decidir por si as suas opções de vida e que quanto mais conscientes são, melhores católicos podem ser.
Que a eutanásia seja um assunto muito complexo, entende-se. Que o casamento de homossexuais a incomode tanto soa mal. Se os bispos portugueses já são capazes de dizer que "ser homossexual não é pecado, como ser heterossexual não é virtude", deveriam dar o passo seguinte que era deixar que cada um decidisse em consciência. Até porque como já alguém disse: "Uma igreja que abençoa carros, casas e barcos seria incompreensível que não pudesse abençoar uma união entre duas pessoas."
A Igreja há muito representa um conservadorismo faccioso e parece apostada em defendê-lo contra o tempo, mesmo que o século seja dominante no seu seio desde finais do século XIX.
A eutanásia e o casamento de pessoas do mesmo sexo são as grandes batalhas de momento, depois de ter perdido a do aborto. Talvez por isso, mudou de estratégia e aparece mais aguerrida a veicular a sua mensagem. No que mais não é do que uma luta contra os que ainda a frequentam.
A Igreja parece ver-se a si própria como um museu vivo. Quer preservar a todo o custo ideias e valores ultrapassados. E se se nota haver quem dentro dela propugne abertura e seja capaz de trazer para o seu seio temas fraturantes, surge aos olhos do agora ainda demasiado colada a dogmas tão activos como os de defender que a Terra está no centro do Universo.
Ainda não assimilou completamente que cada vez mais os indivíduos querem decidir por si as suas opções de vida e que quanto mais conscientes são, melhores católicos podem ser.
Que a eutanásia seja um assunto muito complexo, entende-se. Que o casamento de homossexuais a incomode tanto soa mal. Se os bispos portugueses já são capazes de dizer que "ser homossexual não é pecado, como ser heterossexual não é virtude", deveriam dar o passo seguinte que era deixar que cada um decidisse em consciência. Até porque como já alguém disse: "Uma igreja que abençoa carros, casas e barcos seria incompreensível que não pudesse abençoar uma união entre duas pessoas."
11 novembro 2009
José Luis Rey
José Luis Rey ganhou o XXII prémio Internacional de Poesia Loewe, com o livro Barroco. O poeta tem 36 anos. O júri era composto por Víctor García de la Concha, director da Academia da Língua, e pelos poetas Francisco Brines, José Manuel Caballero Bonald, Antonio Colinas, Jaime Siles, Cristina Peri Rossi (que ganhou o prémio no ano anterior), Jaime Siles e Luis Antonio de Villena.
Espanha tem esta coisa, dá prémios a poetas novos. Em Portugal continuamos num mundo pequeno e fechado, em que são sempre os mesmos.
Aqui ficam excertos de poemas de José Luis Rey, retirados da página do autor.
Espanha tem esta coisa, dá prémios a poetas novos. Em Portugal continuamos num mundo pequeno e fechado, em que são sempre os mesmos.
Aqui ficam excertos de poemas de José Luis Rey, retirados da página do autor.
APARICIÓN DE VENUS EN LAS BAÑERAS DE HUNGRÍA
Mis niños con las manos perfectas de robar.
Mi maleta llena de pájaros.
Los ladrones volaban
y esperan cada tarde el momento adecuado, mi dinero, mi vida,
y espían los milagros y siempre tienen sed.
Y entonces, bajo rosas, a ciegas, entre el cielo,
en todos los tejados, dilo así.
Y di cómo soñábamos,
y quiénes fueron jóvenes, y quiénes sumergieron sus vestidos
en la harina solar para ver otros días
y nada se les dio.
(...)
PLENITUD
Cuando murieron los poetas ingleses y franceses
la rosa florecía.
Cuando murieron los húmedos poetas alemanes
la rosa florecía.
Cuando murió Montale y el cielo se llenó de diamantes asmáticos
la rosa florecía.
La rosa florecía
cuando murió también Whitman el núbil.
Verde siempre el vestido de este aire.
Yo vivo con la rosa que no muere.
10 novembro 2009
Memórias em contraluz

Petter Moen (1901-1944) foi um jornalista e resistente norueguês que a Gestapo capturou. Enquanto esteve preso redigiu um diário em pequenos papéis que enrolava e atirava por um ralo de ventilação. Como não tinha lápis nem caneta, grafava o que via e pensava em papel higiénico.
Esteve detido sete meses (corria o ano de 1944) no quartel general da Gestapo em Oslo. Período no qual perfurou cada letra sobre papel higiénico com um prego, dando testemunho do horror nazi.
Morreu num naufrágio com outros 400 prisioneiros quando era levado para a Alemanha. Um dos sobreviventes deu a conhecer a proeza de Moen quando acabou a guerra e o livro viria a ser editado em 1949, na Noruega, sendo depois traduzido para várias línguas.
O manuscrito encontra-se no Museu da Resistência de Oslo, mas não está exposto.
Fonte: El País
Esteve detido sete meses (corria o ano de 1944) no quartel general da Gestapo em Oslo. Período no qual perfurou cada letra sobre papel higiénico com um prego, dando testemunho do horror nazi.
Morreu num naufrágio com outros 400 prisioneiros quando era levado para a Alemanha. Um dos sobreviventes deu a conhecer a proeza de Moen quando acabou a guerra e o livro viria a ser editado em 1949, na Noruega, sendo depois traduzido para várias línguas.
O manuscrito encontra-se no Museu da Resistência de Oslo, mas não está exposto.
Fonte: El País
Pirâmide pintada descoberta em Calakmul



No recinto arqueológico de Chiik Nahb, junto à linha fronteiriça entre o México e a Guatemala, descobriu-se uma pirâmide com cenas da vida quotidiana dos Maias, que datam de há 1350 anos.
As pinturas dão preciosa informação sobre as classes sociais, sobre o tipo de alimentação e sobre a indumentária usada na época.
Até à data, a maior parte do conhecimento sobre os costumes e a sociedade dos maias tinha apenas em conta a vida das elites e das classes altas (guerras, cerimónias religiosas e protocolares). Os desenhos mostram outros membros dessa sociedade.
Um artigo sobre a descoberta foi publicado aqui (mas só pode ser lido pelos subscritores da publicação científica).
Fonte: El País
As pinturas dão preciosa informação sobre as classes sociais, sobre o tipo de alimentação e sobre a indumentária usada na época.
Até à data, a maior parte do conhecimento sobre os costumes e a sociedade dos maias tinha apenas em conta a vida das elites e das classes altas (guerras, cerimónias religiosas e protocolares). Os desenhos mostram outros membros dessa sociedade.
Um artigo sobre a descoberta foi publicado aqui (mas só pode ser lido pelos subscritores da publicação científica).
Fonte: El País
09 novembro 2009
Vagina, para que serves?

A vagina tem múltiplas funções. A mais insólita será a de servir como cofre de objectos roubados. Ou de droga, como de vez em quando também vem a público.
L.D., de 29 anos, natural da Croácia, levava na sua vagina dois anéis, três brincos, três pendentes com pedras preciosas, um fio com cerca de meio metro, um relógio Omega Speed Master, duas pulseiras e duas medalhas com motivos religiosos.
L.D. era uma das mulheres usadas por um grupo nómada (a notícia classifica-o assim), composto por catorze indivíduos de ambos os sexos (quiçá um soneto), maioritariamente oriundos dos Balcãs, mas também de Itália, que se dedica à prática de furtos em residências (Palmela, Setúbal, Moita, Seixal, Telheiras e Pontinha, Leiria foram alguns dos lugares que visitaram).
Parece que os homens ficam em casa a tomar conta das crianças e as mulheres partem ao ataque. Quando as mulheres regressam aos lares (apartamentos e rulotes), os homens encarregam-se dos objectos, procedendo à sua venda ou ao seu encaminhamento para fora do país.
L.D., de 29 anos, natural da Croácia, levava na sua vagina dois anéis, três brincos, três pendentes com pedras preciosas, um fio com cerca de meio metro, um relógio Omega Speed Master, duas pulseiras e duas medalhas com motivos religiosos.
L.D. era uma das mulheres usadas por um grupo nómada (a notícia classifica-o assim), composto por catorze indivíduos de ambos os sexos (quiçá um soneto), maioritariamente oriundos dos Balcãs, mas também de Itália, que se dedica à prática de furtos em residências (Palmela, Setúbal, Moita, Seixal, Telheiras e Pontinha, Leiria foram alguns dos lugares que visitaram).
Parece que os homens ficam em casa a tomar conta das crianças e as mulheres partem ao ataque. Quando as mulheres regressam aos lares (apartamentos e rulotes), os homens encarregam-se dos objectos, procedendo à sua venda ou ao seu encaminhamento para fora do país.
Cartas da Península, de William Warre

William Warre era luso-britânico. Nasceu no Porto, em 1784, e estava destinado a prosseguir o negócio da família britânica, ligada ao comércio do vinho. As invasões napoleónicas trocaram-lhe as voltas (ingressara no Exército britânico aos 19 anos). Foi na qualidade de oficial inglês que regressou ao solo natal, na altura com 24 anos, para cumprir o que lhe pareceu ser a sua vocação histórica: ajudar a salvar Portugal da invasão estrangeira. Participou não só nas mais importantes batalhas das Guerras Peninsulares, mas também na resistência dos portugueses.
Lutou na Batalha da Roliça (o primeiro combate da Guerra Peninsular) e na do Vimeiro, que conduziram directamente à libertação de Lisboa, e esteve com o general Sir John Moore na sua famosa e terrível retirada na Corunha, ainda hoje lendária na história britânica. Esta catastrófica marcha de Inverno através de montanhas cobertas de neve culminou na batalha desesperada nos cumes das colinas da Corunha e na morte prematura do general Moore. Warre escreveu numa carta para casa relatando a honra de estar na retaguarda e de ser o último oficial a embarcar a 16 de Janeiro, no momento em que os franceses tomavam a cidade.
O capitão Warre esteve presente na libertação da sua cidade natal, o Porto; no cerco e tomada de Ciudad Rodrigo; e testemunhou a brutalidade do segundo cerco e saque de Badajoz, em Abril de 1812. Embora tivesse apenas 27 anos na altura, foi o oficial principal na intimação do Forte de São Cristóvão e fez prisioneiros os generais Philippon e Weyland - os comandantes franceses de Badajoz -, que lhe entregaram as suas espadas pessoalmente.
Participou na épica e decisiva batalha de Salamanca, em Julho de 1812, que muitos estrategas militares consideram ser aquela em que Wellington demonstrou as suas grandes qualidades estratégicas, ainda mais do que em Waterloo.
As suas cartas foram publicadas em 1909, por iniciativa de um sobrinho e mereceram uma segunda edição em 1999, pela mão de um sobrinho-bisneto. Dez anos depois, regressam pela mão da Alêtheia. Cartas que, embora pessoais, contêm muitos dados militares e são, por isso, um curioso documento da época de 1808 a 1812.
Lutou na Batalha da Roliça (o primeiro combate da Guerra Peninsular) e na do Vimeiro, que conduziram directamente à libertação de Lisboa, e esteve com o general Sir John Moore na sua famosa e terrível retirada na Corunha, ainda hoje lendária na história britânica. Esta catastrófica marcha de Inverno através de montanhas cobertas de neve culminou na batalha desesperada nos cumes das colinas da Corunha e na morte prematura do general Moore. Warre escreveu numa carta para casa relatando a honra de estar na retaguarda e de ser o último oficial a embarcar a 16 de Janeiro, no momento em que os franceses tomavam a cidade.
O capitão Warre esteve presente na libertação da sua cidade natal, o Porto; no cerco e tomada de Ciudad Rodrigo; e testemunhou a brutalidade do segundo cerco e saque de Badajoz, em Abril de 1812. Embora tivesse apenas 27 anos na altura, foi o oficial principal na intimação do Forte de São Cristóvão e fez prisioneiros os generais Philippon e Weyland - os comandantes franceses de Badajoz -, que lhe entregaram as suas espadas pessoalmente.
Participou na épica e decisiva batalha de Salamanca, em Julho de 1812, que muitos estrategas militares consideram ser aquela em que Wellington demonstrou as suas grandes qualidades estratégicas, ainda mais do que em Waterloo.
As suas cartas foram publicadas em 1909, por iniciativa de um sobrinho e mereceram uma segunda edição em 1999, pela mão de um sobrinho-bisneto. Dez anos depois, regressam pela mão da Alêtheia. Cartas que, embora pessoais, contêm muitos dados militares e são, por isso, um curioso documento da época de 1808 a 1812.
08 novembro 2009
A mania das sondagens
As sondagens são úteis quando as perguntas são pertinentes. Quando se realizam para saber se uma lei deve ou não ser aplicada são ridículas. Se a lei é lei, é porque foi votada pela assembleia onde estão os deputados que o país escolheu.
Imaginem que agora se fazia uma sondagem para saber se as escolas deviam ter ou não crucifixos, quando a lei diz que a opção religiosa de cada um é um direito. Que interessa que X por cento dos inquiridos digam que sim ou que não?
Pois isso mesmo acaba de acontecer em Itália, país que não pára de dar mostras do mais puro infantilismo.
Será que alguém se lembra de que as leis de países democráticos contemplam as minorias?
Imaginem que agora se fazia uma sondagem para saber se as escolas deviam ter ou não crucifixos, quando a lei diz que a opção religiosa de cada um é um direito. Que interessa que X por cento dos inquiridos digam que sim ou que não?
Pois isso mesmo acaba de acontecer em Itália, país que não pára de dar mostras do mais puro infantilismo.
Será que alguém se lembra de que as leis de países democráticos contemplam as minorias?
07 novembro 2009
A volta ao mundo pelos museus

Museus e galerias de todo o mundo numa página chamada blablart. E ainda outras coisas mais. Para quem gosta de viajar sentado.
Os insondáveis mistérios de Deus

O que é um padre? É uma pessoa do sexo masculino que recebeu o sacramento da Ordem, ou seja, o poder e a graça de exercer funções e ministérios eclesiásticos que se referem ao culto de Deus e à salvação das almas. A sua acção deve pautar-se pela santidade (é responsável por uma paróquia, onde preside a Sagrada Eucaristia, bem como atende à confissões, aconselhamentos e outros; doou sua vida ao serviço do Evangelho e vive para servir a Deus e aos leigos por meio da evangelização). Um padre tem o poder de perdoar os pecados, de converter o pão e o vinho no Corpo e no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e de conferir, conforme o seu grau, outros sacramentos.
O padre Fernando Guerra, que exerce funções em Covas de Barroso, concelho de Boticas, tem 74 anos e gere quatro paróquias da diocese de Vila Real. Passou do anonimato para os telejornais por causa de armas. Já no seminário, ao que se diz, era apodado de pistoleiro.
Consta que herdou uma pistola do pai e que possui licença de uso e porte de arma para um revólver (curiosamente a única arma que não apareceu durante as buscas efectuadas pela GNR). Apreenderam-lhe várias armas, todas ilegais, algumas com os números de série rasurados, bem como um saco de pólvora e dinamite.
O sacerdote tinha em casa um pequeno arsenal. Para quê? Certamente para enfrentar o Demónio que, como se sabe, adora tiroteios.
Foi professor durante cerca de 30 anos e é pároco há 50. Como nos disse o nosso douto primeiro-ministro, os professores ganham muito. Veja-se: o padre Fernando tem nada menos nada mais do que 33 imóveis registados em seu nome só no concelho de Montalegre, mais duas casas em Boticas e sete na cidade de Chaves. Além disso, possui alguns carros de gama alta.
Há quem diga que tem procurações de muita gente para fazer negócios e que empresta dinheiro com juros de 4%. Certo certo é estar colectado em nome individual como sócio de uma empresa, sediada numa das suas residências, neste caso em Covas de Barroso, concelho de Boticas, de comércio e retalho de carpetes e cortinados, que curiosamente não apresenta movimentos comerciais há vários meses.
Os mistérios de Deus são insondáveis. O padre Fernando é um leal servidor e, por isso, Deus tem-lhe recheado a existência neste vale de sombras e sofrimento com algumas alegrias. Se até se chama Guerra, Fernando Guerra.
O padre Fernando Guerra, que exerce funções em Covas de Barroso, concelho de Boticas, tem 74 anos e gere quatro paróquias da diocese de Vila Real. Passou do anonimato para os telejornais por causa de armas. Já no seminário, ao que se diz, era apodado de pistoleiro.
Consta que herdou uma pistola do pai e que possui licença de uso e porte de arma para um revólver (curiosamente a única arma que não apareceu durante as buscas efectuadas pela GNR). Apreenderam-lhe várias armas, todas ilegais, algumas com os números de série rasurados, bem como um saco de pólvora e dinamite.
O sacerdote tinha em casa um pequeno arsenal. Para quê? Certamente para enfrentar o Demónio que, como se sabe, adora tiroteios.
Foi professor durante cerca de 30 anos e é pároco há 50. Como nos disse o nosso douto primeiro-ministro, os professores ganham muito. Veja-se: o padre Fernando tem nada menos nada mais do que 33 imóveis registados em seu nome só no concelho de Montalegre, mais duas casas em Boticas e sete na cidade de Chaves. Além disso, possui alguns carros de gama alta.
Há quem diga que tem procurações de muita gente para fazer negócios e que empresta dinheiro com juros de 4%. Certo certo é estar colectado em nome individual como sócio de uma empresa, sediada numa das suas residências, neste caso em Covas de Barroso, concelho de Boticas, de comércio e retalho de carpetes e cortinados, que curiosamente não apresenta movimentos comerciais há vários meses.
Os mistérios de Deus são insondáveis. O padre Fernando é um leal servidor e, por isso, Deus tem-lhe recheado a existência neste vale de sombras e sofrimento com algumas alegrias. Se até se chama Guerra, Fernando Guerra.
06 novembro 2009
Gabriel Ferrater
Ócio
Ela dorme. À hora em que os homens
já estão despertos e a pouca luz
entra para os ferir.
Com tão pouco temos tanto. Não mais
que a sensação de duas coisas:
a terra gira e as mulheres dormem.
Em paz, façamos caminho
até ao fim do mundo. Não precisamos
de fazer nada para ajudar.
Ela dorme. À hora em que os homens
já estão despertos e a pouca luz
entra para os ferir.
Com tão pouco temos tanto. Não mais
que a sensação de duas coisas:
a terra gira e as mulheres dormem.
Em paz, façamos caminho
até ao fim do mundo. Não precisamos
de fazer nada para ajudar.
[tradução de Rui Almeida deixada na caixa de comentários da versão original e das traduções para castelhano.]
05 novembro 2009
Gabriel Ferrater
Oci
Ella dorm. L'hora que els homes
ja s'han despertat, i poca llum
entra encara a ferir-los.
Amb ben poc en tenim prou. Només
el sentiment de dues coses:
la terra gira, i les dones dormen.
Conciliats, fem via
cap a la fi del món. No ens cal
fer res per ajudar-lo.
[in Mujeres y días, Seix Barral, 2002, pág. 262]
Ocio
Ella duerme. Es la hora en que los hombres
ya despertaron, y una escasa luz
entra todavía a herirlos.
Con muy poco nos basta. Solamente
el sentimiento de dos cosas:
la tierra gira y las mujeres duermen.
Reconciliados, nos apresuramos
hacia el fin del mundo. No nos es preciso
hacer nada para ayudarle.
[tradução de Pere Gimferrer, pág. 263]
Ocio
Ella duerme. La hora en que los hombres
ya se han despertado, y poca luz
entra todavía para herirlos.
Con muy poco tenemos bastante. Sólo
el sentimiento de dos cosas:
la tierra gira y las mujeres duermen.
Conciliados, caminemos
hacia el fin del mundo. No necesitamos
hacer nada para ayudarlo.
Ella dorm. L'hora que els homes
ja s'han despertat, i poca llum
entra encara a ferir-los.
Amb ben poc en tenim prou. Només
el sentiment de dues coses:
la terra gira, i les dones dormen.
Conciliats, fem via
cap a la fi del món. No ens cal
fer res per ajudar-lo.
[in Mujeres y días, Seix Barral, 2002, pág. 262]
Ocio
Ella duerme. Es la hora en que los hombres
ya despertaron, y una escasa luz
entra todavía a herirlos.
Con muy poco nos basta. Solamente
el sentimiento de dos cosas:
la tierra gira y las mujeres duermen.
Reconciliados, nos apresuramos
hacia el fin del mundo. No nos es preciso
hacer nada para ayudarle.
[tradução de Pere Gimferrer, pág. 263]
Ocio
Ella duerme. La hora en que los hombres
ya se han despertado, y poca luz
entra todavía para herirlos.
Con muy poco tenemos bastante. Sólo
el sentimiento de dos cosas:
la tierra gira y las mujeres duermen.
Conciliados, caminemos
hacia el fin del mundo. No necesitamos
hacer nada para ayudarlo.
[tradução de M.ª Àngels Cabré, in Las mujeres y los días, Lumen, 2002, pág. 213]
Paulo Gouveia, arquitecto


Paulo Gouveia morreu. Construía no arquipélago dos Açores desde o início dos anos 80, tendo sido responsável pelo Museu do Vinho e pelo Museu dos Baleeiros, ambos na ilha do Pico. Fez também um exaustivo levantamento e caracterização das principais intervenções arquitectónicas durante o século passado no núcleo central da cidade de Angra (onde nasceu), trabalho de doutoramento apresentado na Universidade de Évora em 2002, e reunido no livro Angra do Heroísmo: Arquitectura do século XX e memória colectiva.
O projecto de recuperação do Museu dos Baleeiros, no Pico, teve início em 1983 e prolongou-se até 1989. Foram reabilitadas as antigas casas de botes, integrou-se no conjunto uma tenda de ferreiro anexa e acrescentou-se um espaço novo para biblioteca e arquivo (no terreno ao lado comprado para o efeito). Dois anos depois de aberto, foi candidato ao prémio Museu Europeu do Ano e em 1993 o projecto de recuperação e reabilitação recebeu uma Menção Honrosa nos Prémios Nacionais de Arquitectura da Associação dos Arquitectos portugueses e da Secretaria de Estado da Cultura.
Já no Museu do Vinho, na mesma ilha, mas na vila da Madalena, Paulo Gouveia foi responsável pelo projecto de adaptação, restauro e reabilitação dos edifícios existentes (a casa conventual da Ordem Religiosa das Carmelitas), construção do miradouro e edifício do lagar, cuja primeira fase ficou pronta em 1999. Entre outros edifícios, o arquitecto desenhou também a nova sede da Fanfarra Operária Gago Coutinho e Sacadura Cabral, em Angra do Heroísmo, inaugurada no ano passado.
O projecto de recuperação do Museu dos Baleeiros, no Pico, teve início em 1983 e prolongou-se até 1989. Foram reabilitadas as antigas casas de botes, integrou-se no conjunto uma tenda de ferreiro anexa e acrescentou-se um espaço novo para biblioteca e arquivo (no terreno ao lado comprado para o efeito). Dois anos depois de aberto, foi candidato ao prémio Museu Europeu do Ano e em 1993 o projecto de recuperação e reabilitação recebeu uma Menção Honrosa nos Prémios Nacionais de Arquitectura da Associação dos Arquitectos portugueses e da Secretaria de Estado da Cultura.
Já no Museu do Vinho, na mesma ilha, mas na vila da Madalena, Paulo Gouveia foi responsável pelo projecto de adaptação, restauro e reabilitação dos edifícios existentes (a casa conventual da Ordem Religiosa das Carmelitas), construção do miradouro e edifício do lagar, cuja primeira fase ficou pronta em 1999. Entre outros edifícios, o arquitecto desenhou também a nova sede da Fanfarra Operária Gago Coutinho e Sacadura Cabral, em Angra do Heroísmo, inaugurada no ano passado.
04 novembro 2009
A Madeira tem feito muito pela equididade
Alberto João Jardim é um campeão. Ganha sempre eleições. E ganha outras coisas.
A impunidade faz-se com a complacência nacional. Uma complacência colorida, pois há muito verde de fúria, de inveja, seja lá do que for, misturado aos laranjas, rosas, azuis.
A impunidade faz-se com a complacência nacional. Uma complacência colorida, pois há muito verde de fúria, de inveja, seja lá do que for, misturado aos laranjas, rosas, azuis.
03 novembro 2009
A telenovela prossegue
Mário Nogueira é um agente infiltrado. Quis, desde a primeira hora, marcar a agenda política do governo. O governo já fez saber que não cede por dá cá aquela palha. Mário Nogueira, como bom agente infiltrado, já grita Aqui d'el rei! O rei encolhe os ombros e passa adiante.
Mário Nogueira se percebeu nunca o disse: o governo está-se nas tintas para a educação. Interessa-lhe sim o que poupa em salários com a actual lei. E sabe que a propaganda não é nada barata. Precisa de dinheiro para isso. Não pode pagar salários e continuar a manter a propaganda. A vida é feita de prioridades e a educação não é uma prioridade. A prioridade é a sobrevivência do governo. Vêm aí dias difíceis. E o défice há-de voltar à ordem do dia. Para já, ainda há muito dinheiro enterrado em bancos e noutros negócios. O dinheiro não é elástico.
Mário Nogueira quer conservar o protagonismo. Quer fazer valer o seu estatuto de comuna, essa espécie maldita. O governo não gosta de comunas. O governo é socialista. E há muito se percebeu que de propaganda e marketing sabe muito. Mário Nogueira representa apenas uma parte do professorado.
O governo é que sabe. Se diz que as coisas são para continuar, é porque são. A campanha eleitoral já passou. E há muita gente insatisfeita. O governo não pode agradar a minorias tão pouco relevantes como os professores. Os empresários são mais importantes e já foram muito claros: salários, quanto mais baixos melhor. Os portugueses há muito convivem pacificamente com a miséria.
Mário Nogueira se percebeu nunca o disse: o governo está-se nas tintas para a educação. Interessa-lhe sim o que poupa em salários com a actual lei. E sabe que a propaganda não é nada barata. Precisa de dinheiro para isso. Não pode pagar salários e continuar a manter a propaganda. A vida é feita de prioridades e a educação não é uma prioridade. A prioridade é a sobrevivência do governo. Vêm aí dias difíceis. E o défice há-de voltar à ordem do dia. Para já, ainda há muito dinheiro enterrado em bancos e noutros negócios. O dinheiro não é elástico.
Mário Nogueira quer conservar o protagonismo. Quer fazer valer o seu estatuto de comuna, essa espécie maldita. O governo não gosta de comunas. O governo é socialista. E há muito se percebeu que de propaganda e marketing sabe muito. Mário Nogueira representa apenas uma parte do professorado.
O governo é que sabe. Se diz que as coisas são para continuar, é porque são. A campanha eleitoral já passou. E há muita gente insatisfeita. O governo não pode agradar a minorias tão pouco relevantes como os professores. Os empresários são mais importantes e já foram muito claros: salários, quanto mais baixos melhor. Os portugueses há muito convivem pacificamente com a miséria.
Quando a igreja é vingativa, a resposta vem da lei
Sê fiel. Cumpre os mandamentos. Se não acatares esses nobres princípios, vais para o desemprego. Ameaçar é tudo, embora às vezes os resultados estejam longe de corresponder ao que se desejava. Que o diga o Arcebispado do arquipélago das Canárias, obrigado a indemnizar com 210 mil euros uma professora que tinha sido despedida por viver com um homem com quem não estava casada.
O caso remonta a 2000, quando o responsável de ensino da diocese canária, Hipólito Cabrera, confirmou à docente que o seu contrato não seria renovado por manter uma relação afectiva com um homem que não era o seu marido, de quem se havia separado previamente.
A professora sentiu-se lesada e agiu. Dizia ela: "Parece que voltamos à época da Inquisição. Se te separas do teu marido, se bebes uns copos, se tens um filho solteira ou se te juntas a um sindicato, retiraram-te a idoneidade". E atacava: "Não sou cura, nem freira, nem fiz voto de castidade. Aos padres pedófilos, não os afastam e deixam que continuem a dar aulas de religião".
O caso arrastou-se nos tribunais e deu brado. Agora veio a sentença. Porque Espanha é um país de Direito. E a lei, ah a lei é dura mas é a lei. Mesmo para a Igreja.
Fonte: JN
O caso remonta a 2000, quando o responsável de ensino da diocese canária, Hipólito Cabrera, confirmou à docente que o seu contrato não seria renovado por manter uma relação afectiva com um homem que não era o seu marido, de quem se havia separado previamente.
A professora sentiu-se lesada e agiu. Dizia ela: "Parece que voltamos à época da Inquisição. Se te separas do teu marido, se bebes uns copos, se tens um filho solteira ou se te juntas a um sindicato, retiraram-te a idoneidade". E atacava: "Não sou cura, nem freira, nem fiz voto de castidade. Aos padres pedófilos, não os afastam e deixam que continuem a dar aulas de religião".
O caso arrastou-se nos tribunais e deu brado. Agora veio a sentença. Porque Espanha é um país de Direito. E a lei, ah a lei é dura mas é a lei. Mesmo para a Igreja.
Fonte: JN
02 novembro 2009
Tatankacephalus cooneyorum

Um casal de paleontólogos norte-americanos descobriu, em Montana, «a versão biológica de um tanque militar», um anquilossauro herbívoro que andou pela Terra há 112 milhões de anos, durante o Cretáceo. O animal, com 6 metros de comprimento, tinha o corpo couraçado, coberto de centares e de placas ósseas. Deram-lhe o nome de Tatankacephalus cooneyorum, que significa cabeça de bisonte.
A descoberta faz recuar a espécie em 50 milhões de anos.
Fontes: 1, 2, 3
A descoberta faz recuar a espécie em 50 milhões de anos.
Rui Miguel Ribeiro

A tarde
Nesta desaceleração
espero que os dias corram iguais,
uniformes e sem resistência.
Procuro de cada mistério
entender o mais simples.
Fico pelo que é mais rente,
mais sólido, com menos construção.
Já não chega ter os horários,
as entregas e as rotinas,
para aceitar o ritmo de furo lento
da vida. Mais próximo cresce o detalhe.
É mais precisa a dúvida.
Cai a tarde e a pausa continua
e com ela expira o natural desejo
de um prazer, um apetite pela
diagonal de luz que vai dividindo
o espaço, a marca invisível
que fica de mais um dia.
[in XX Dias, Averno, 2009, pág. 24]
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