A publicidade segue caminhos ínvios e o resultado é... dar que falar e obter sequelas. Supostamente, o primeiro vídeo destina-se a promover a Dinamarca como destino turístico. Mas em vez de uma história "doce" tornou-se um escândalo local. Coisas da vida publicitária.
16 setembro 2009
15 setembro 2009
Fernando Pinto do Amaral

T-Clube
Seriam oito e meia ou pouco mais
quando chegámos, prontos a assistir
ao lento fim da tarde sobre o cais
com o estuário do rio a seduzir
o ameno convívio das pessoas
cumprimentando a Ana Salazar
e comentando como estavam boas
as tapas de pâté e caviar.
Entre beijos de afecto e circunstância
ia representar o meu papel:
simpatia com um toque de distância
de modo a não parecer muito infiel
à presença dos outros seres humanos,
afinal, convidados como eu
pròs frequentes rituais mundanos
do nosso Portugal tão europeu.
(...)
O resto do poema podem lê-lo no volume Poesia Reunida 1990-2000, editado pelas Publicações Dom Quixote em 2000.
14 setembro 2009
Era uma vez... a lâmpada incandescente

Depois das experiências pioneiras de Humphry Davy, na primeira década de 1800, com um arco luminoso entre duas hastes de carbono ligadas a baterias eléctricas, veio a lâmpada incandescente. É que a lâmpada de arco voltaico era complexa e exigia potentes baterias para se manter acesa. Não se adequava à iluminação de pequenos espaços.
Daí que se tivessem investido energias na lâmpada incandescente, cuja luz emana de um filamento aquecido pela passagem da corrente eléctrica. Muitos foram os cientistas e inventores que experimentaram a lâmpada incandescente. Dentre eles destacaram-se Thomas Edison e o físico-químico inglês Joseph Swan, que chegaram, separadamente, a um modelo prático, em 1879. O principal problema era encontrar um filamento que aguentasse elevadas temperaturas por muitas horas, antes de se romper.
Edison e Swan basearam-se primeiro em fibras de carvão obtidas a partir de algodão. Funcionou, mas não era suficiente. Incansável, Edison experimentou de tudo, até fios de barba dos seus colaboradores. Encontrou por fim uma fibra de bambu com a qual criou um filamento de carbono que se aguentava por centenas de horas.
No entanto, a lâmpada por si só não bastava, era preciso também uma fonte de electricidade e uma rede de cabos para transportá-la.
Edison percebeu isso bem e construiu, em Nova Iorque, a primeira central eléctrica dos Estados Unidos. A partir de 4 de Setembro de 1882, passou a levar luz a um quarteirão do centro financeiro de Manhattan. No final do ano seguinte, o sistema já tinha 508 clientes e alimentava cerca de 13 mil lâmpadas. Era o início do sucesso ascendente de uma empresa de electricidade entretanto criada por Edison, que acabaria por se transformar na gigantescca General Electric.
Foi rápida a aceitação da lâmpada incandescente.
Em Lisboa, as lojas da Baixa já tinham luz eléctrica em 1880 - com lâmpadas incandescentes e de arco voltaico. No Teatro S. Carlos, a iluminação a gás deu lugar às novas lâmpadas em 1886.
Mais do que um luxo, a luz eléctrica mexeu com a vida quotidiana. Ao longo de 130 anos, a lâmpada em si não mudou muito, salvo alguns aperfeiçoamentos tecnológicos. O filamento de carbono foi substituído por um de tungsténio, que resiste muito mais ao calor. E, ao invés do vácuo, o interior do bolbo passou a ser preenchido com gases inertes.
O novo século ditou a morte da lâmpada incandescente. A lâmpada de Edison tornou-se persona non grata por causa das alterações climáticas. A União Europeia quer reduzir em 20 por cento, até 2020, as suas emissões de gases que aquecem o planeta. Para isto, quer conter em também 20 por cento o aumento do consumo eléctrico. De toda a energia que a lâmpada consome, apenas cinco por cento se transforma em luz. O resto perde-se sobretudo em calor.
A melhor alternativa, no momento, é a lâmpada fluorescente compacta, uma invenção também antiga, mas aperfeiçoada recentemente numa versão compacta. O seu rendimento é de 25 por cento - cinco vezes mais do que o de uma lâmpada tradicional.
Há outras soluções, como a lâmpada de hidrogénio - que não é tão económica - ou as lâmpadas de LED, que aguardam versões comerciais acessíveis. Mas, por ora, é a compacta fluorescente - as chamadas "lâmpadas económicas" ou "de baixo consumo" - que estão a conquistar o mercado.
E rapidamente. No ano passado, venderam-se 10,7 milhões de unidades em Portugal, mais 3,1 milhões do que em 2007, segundo dados da Associação Nacional para o Registo de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos.
As incandescentes estão a seguir no sentido contrário. Desceram brutalmente desde 2007, quando as vendas atingiam 26,6 milhões de unidades. Para o ano passado, a Direcção-Geral de Energia e Geologia só possui dados para os dez meses entre Março a Dezembro, que no entanto indicam uma queda vertiginosa: 9,6 milhões de unidades.
A explicação para uma disparidade tão grande pode estar no facto de uma lâmpada fluorescente durar até 15 vezes mais do que uma incandescente. A cada substituição, são várias lâmpadas tradicionais que se deixam de comprar ao longo do ano. De resto, desde o princípio deste mês, os fabricantes já não podem pôr à venda na União Europeia as lâmpadas incandescentes mais potentes, de 100 watts (W), segundo um regulamento comunitário aprovado no ano passado. Em 2011, desaparecem das prateleiras as de 60W e no ano seguinte as de 40W e 25W.
A lâmpada económica pode vir a ajudar a poupar energia, mas criou um problema que não existia no invento de Edison. No seu interior, existe uma pequena quantidade de mercúrio e as paredes internas dos seus tubos de vidro estão cobertas com pó de fósforo. Quando já não funcionam, não devem ser deitadas no lixo normal. Têm, antes, de ser recicladas, através de um processo complexo e caro.
Fonte: Público
Daí que se tivessem investido energias na lâmpada incandescente, cuja luz emana de um filamento aquecido pela passagem da corrente eléctrica. Muitos foram os cientistas e inventores que experimentaram a lâmpada incandescente. Dentre eles destacaram-se Thomas Edison e o físico-químico inglês Joseph Swan, que chegaram, separadamente, a um modelo prático, em 1879. O principal problema era encontrar um filamento que aguentasse elevadas temperaturas por muitas horas, antes de se romper.
Edison e Swan basearam-se primeiro em fibras de carvão obtidas a partir de algodão. Funcionou, mas não era suficiente. Incansável, Edison experimentou de tudo, até fios de barba dos seus colaboradores. Encontrou por fim uma fibra de bambu com a qual criou um filamento de carbono que se aguentava por centenas de horas.
No entanto, a lâmpada por si só não bastava, era preciso também uma fonte de electricidade e uma rede de cabos para transportá-la.
Edison percebeu isso bem e construiu, em Nova Iorque, a primeira central eléctrica dos Estados Unidos. A partir de 4 de Setembro de 1882, passou a levar luz a um quarteirão do centro financeiro de Manhattan. No final do ano seguinte, o sistema já tinha 508 clientes e alimentava cerca de 13 mil lâmpadas. Era o início do sucesso ascendente de uma empresa de electricidade entretanto criada por Edison, que acabaria por se transformar na gigantescca General Electric.
Foi rápida a aceitação da lâmpada incandescente.
Em Lisboa, as lojas da Baixa já tinham luz eléctrica em 1880 - com lâmpadas incandescentes e de arco voltaico. No Teatro S. Carlos, a iluminação a gás deu lugar às novas lâmpadas em 1886.
Mais do que um luxo, a luz eléctrica mexeu com a vida quotidiana. Ao longo de 130 anos, a lâmpada em si não mudou muito, salvo alguns aperfeiçoamentos tecnológicos. O filamento de carbono foi substituído por um de tungsténio, que resiste muito mais ao calor. E, ao invés do vácuo, o interior do bolbo passou a ser preenchido com gases inertes.
O novo século ditou a morte da lâmpada incandescente. A lâmpada de Edison tornou-se persona non grata por causa das alterações climáticas. A União Europeia quer reduzir em 20 por cento, até 2020, as suas emissões de gases que aquecem o planeta. Para isto, quer conter em também 20 por cento o aumento do consumo eléctrico. De toda a energia que a lâmpada consome, apenas cinco por cento se transforma em luz. O resto perde-se sobretudo em calor.
A melhor alternativa, no momento, é a lâmpada fluorescente compacta, uma invenção também antiga, mas aperfeiçoada recentemente numa versão compacta. O seu rendimento é de 25 por cento - cinco vezes mais do que o de uma lâmpada tradicional.
Há outras soluções, como a lâmpada de hidrogénio - que não é tão económica - ou as lâmpadas de LED, que aguardam versões comerciais acessíveis. Mas, por ora, é a compacta fluorescente - as chamadas "lâmpadas económicas" ou "de baixo consumo" - que estão a conquistar o mercado.
E rapidamente. No ano passado, venderam-se 10,7 milhões de unidades em Portugal, mais 3,1 milhões do que em 2007, segundo dados da Associação Nacional para o Registo de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos.
As incandescentes estão a seguir no sentido contrário. Desceram brutalmente desde 2007, quando as vendas atingiam 26,6 milhões de unidades. Para o ano passado, a Direcção-Geral de Energia e Geologia só possui dados para os dez meses entre Março a Dezembro, que no entanto indicam uma queda vertiginosa: 9,6 milhões de unidades.
A explicação para uma disparidade tão grande pode estar no facto de uma lâmpada fluorescente durar até 15 vezes mais do que uma incandescente. A cada substituição, são várias lâmpadas tradicionais que se deixam de comprar ao longo do ano. De resto, desde o princípio deste mês, os fabricantes já não podem pôr à venda na União Europeia as lâmpadas incandescentes mais potentes, de 100 watts (W), segundo um regulamento comunitário aprovado no ano passado. Em 2011, desaparecem das prateleiras as de 60W e no ano seguinte as de 40W e 25W.
A lâmpada económica pode vir a ajudar a poupar energia, mas criou um problema que não existia no invento de Edison. No seu interior, existe uma pequena quantidade de mercúrio e as paredes internas dos seus tubos de vidro estão cobertas com pó de fósforo. Quando já não funcionam, não devem ser deitadas no lixo normal. Têm, antes, de ser recicladas, através de um processo complexo e caro.
Fonte: Público
13 setembro 2009
Os Açores e a vida sexual e os cachalotes
Os cachalotes gostam do arquipélago. Todos os anos marcam encontro nas suas águas tépidas. E lá vêm eles com as histórias dos mares por onde andaram. Assim encantam as fêmeas. Assim brincam e acasalam. Não pensem que é apenas ficção. Um estudo que será publicado na próxima edição da revista científica Canadian Journal of Zoology, do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, mostra isso mesmo.
"O estudo permitiu descobrir novos aspectos da vida social dos cachalotes que visitam os Açores, uma área de acasalamento, reprodução e alimentação. Os cachalotes que frequentam o arquipélago pertencem a uma população mais vasta, do Atlântico Norte, e fazem grandes migrações. Os machos deixam de viver em grupo quando atingem a maturidade sexual e movimentam-se desde o equador até ao Norte do planeta, enquanto as fêmeas permanecem habitualmente em águas mais quentes, integrando grupos maiores, que incluem subadultos e crias.
O estudo também revelou novidades ao nível do comportamento dos machos, apontando para um abandono do grupo mais tardio do que era conhecido. "Eles deixam o grupo apenas aos 16 ou 17 anos, o que é caso único no mundo". Os dados conhecidos apontavam para um abandono do grupo familiar entre os seis e os 10 anos, altura em que passam a integrar grupos de animais solteiros até atingirem a maturidade sexual e poder lutar pelas fêmeas.
No caso dos animais que visitam os Açores, a situação é diferente, apontando para um abandono mais tardio. Uma das possíveis causas está relacionada com a influência da caça à baleia, que dizimou um grande número de machos, obrigando-os a antecipar o ciclo de vida para assegurar a reprodução. Outra hipótese é que os machos continuem a sair cedo do grupo, mas por qualquer razão ainda desconhecida, voltam a reintegrar temporariamente o grupo das fêmeas quando chegam aos Açores. As conclusões deste estudo vão obrigar a repensar melhor este aspecto da vida dos cachalotes."
Fonte: JN
"O estudo permitiu descobrir novos aspectos da vida social dos cachalotes que visitam os Açores, uma área de acasalamento, reprodução e alimentação. Os cachalotes que frequentam o arquipélago pertencem a uma população mais vasta, do Atlântico Norte, e fazem grandes migrações. Os machos deixam de viver em grupo quando atingem a maturidade sexual e movimentam-se desde o equador até ao Norte do planeta, enquanto as fêmeas permanecem habitualmente em águas mais quentes, integrando grupos maiores, que incluem subadultos e crias.
O estudo também revelou novidades ao nível do comportamento dos machos, apontando para um abandono do grupo mais tardio do que era conhecido. "Eles deixam o grupo apenas aos 16 ou 17 anos, o que é caso único no mundo". Os dados conhecidos apontavam para um abandono do grupo familiar entre os seis e os 10 anos, altura em que passam a integrar grupos de animais solteiros até atingirem a maturidade sexual e poder lutar pelas fêmeas.
No caso dos animais que visitam os Açores, a situação é diferente, apontando para um abandono mais tardio. Uma das possíveis causas está relacionada com a influência da caça à baleia, que dizimou um grande número de machos, obrigando-os a antecipar o ciclo de vida para assegurar a reprodução. Outra hipótese é que os machos continuem a sair cedo do grupo, mas por qualquer razão ainda desconhecida, voltam a reintegrar temporariamente o grupo das fêmeas quando chegam aos Açores. As conclusões deste estudo vão obrigar a repensar melhor este aspecto da vida dos cachalotes."
Fonte: JN
Green Porno, de Isabella Rossellini
Isabella Rossellini tornou-se uma afamada artista porno. O quê? Artista porno? Isso mesmo. É a realizadora e a actriz de pequenos filmes, que mostram a vida amorosa de insectos e outros animais.
A série de curtas-metragens Green porno pode ser vista no Sundance Channel ou no Youtube. Rossellini empresta o corpo, a voz e o humor para explicar os hábitos reprodutivos dos insectos e de seres marinhos.
Vale a pena ver. Deixamos aqui três filmes. Sobre as abelhas, as minhocas e os carcóis. E aranhas.
A série de curtas-metragens Green porno pode ser vista no Sundance Channel ou no Youtube. Rossellini empresta o corpo, a voz e o humor para explicar os hábitos reprodutivos dos insectos e de seres marinhos.
Vale a pena ver. Deixamos aqui três filmes. Sobre as abelhas, as minhocas e os carcóis. E aranhas.
12 setembro 2009
Da prostituição

A propósito deste post, vale a pena ver como são as prostitutas quem decide o que fazem e como fazem. E os esquemas de que necessitam para estarem colectadas e poderem ter aquilo que todos têm: acesso ao crédito bancário.
Há muito moralista (alguns soit disant de esquerda) que encara a "mais velha profissão do mundo" segundo os pontos de vista de quem, qual Pilatos, lava as mãos (a consciência) com as suas opiniões, como se assim se resolvesse alguma coisa.
Vejamos alguns excertos da reportagem do DN:
«Apesar de o mercado do sexo ser cada vez mais diverso, ainda há muitas mulheres que vendem o corpo na berma da estrada. A explicação, segundo dizem, prende-se com a segurança. Fugir de um cliente violento numa mata é mais fácil do que gritar e pedir socorro entre quatro paredes.»
Repare-se no caso de Susana, uma prostituta: «A "facilidade" com que ganhou o dinheiro abriu-lhe o caminho. Pediu "a um chulo" que a levasse para um clube em Espanha "só para experimentar" e nunca mais deixou "esta vida". "Não consigo tanto dinheiro como aqui".»
«"é difícil entrar noutro trabalho e manter a vida estabilizada que agora temos", confessa Susana.
Uma opinião partilhada pelas duas mulheres já vividas que, à terça-feira, fazem três horas perto de Alenquer, no IC2. Idalina, 54 anos, e a amiga Madalena, 65 (...)
Ao final da manhã, a mais velha teve três clientes. A mais nova, que assinala o lugar na mata onde se prostitui com uma boneca, só teve um. "Nós só fazemos sexo à antiga. Aí as novas é que põem a boca em todo o lado", atira Madalena, de poucas conversas.
"Ela é que tem sorte. Às vezes tem um cliente que a leva para um quarto e dá-lhe cem euros", diz Idalina. "Se soubesses o trabalho que me dá", responde. Longe vão os anos em que se faziam valer dos atributos do corpo para cativar clientes. Hoje vale-lhes a paciência.
"Acha que as mais novas perdem tempo com eles? Recebem o dinheiro e ao fim de dez minutos mandam-nos embora. Se soubesse as dores com que fico nos joelhos para ganhar aqueles cem euros", diz Madalena, que recusa pormenorizar as circunstâncias que a conduziram ali. Deixa escapar que toda a vida trabalhou em fábricas ou a tomar conta "dos filhos dos outros". E o dinheiro não chega.
Idalina, mais espevitada, não tem problemas em dizer que quem a pôs na estrada foi o marido com quem casou aos 20 anos. Era a única forma de lhe alimentar o vício do álcool.»
«Paula, 32 anos, prefere prostituir-se na mata. "Entre quatro paredes estamos sujeitas a tudo. Podemos gritar que ninguém se mete. Aqui corremos para a estrada e alguém nos acode", diz.
O vestido de ganga justo ao corpo descobre-lhe as pernas. Os atributos físicos de Paula permitem-lhe uma média de dez clientes por dia, "agora em tempo de crise".
Paula lembra-se perfeitamente do dia em que começou a trabalhar como prostituta, há pouco mais de três anos. Trabalhava num lar e estava de relações cortadas com o pai quando soube que ele estava doente com um cancro. "Deixei o orgulho de lado e fui para perto dele. Mas tinha de ganhar dinheiro", conta.
Admite cobrar aos clientes "o preço normal", 20 euros por sexo vaginal e anal e 15 pelo oral. Sem beijos nem carícias. Ao final dos dias mais fracos, pondera baixar o preço do oral em troca de uma boleia para casa. "Quando estou mais stressada não venho. Mas obrigo-me a fazer um dia de trabalho normal, entre as 09.00 e as 18.00", diz.
Se aparece um cliente mais bruto, ou até sujo, Paula não hesita em mostrar-se indisponível.»
Os clientes são de todas as classes sociais. "Desde o peão da obra, ao engenheiro e até jogador de futebol".
Há muito moralista (alguns soit disant de esquerda) que encara a "mais velha profissão do mundo" segundo os pontos de vista de quem, qual Pilatos, lava as mãos (a consciência) com as suas opiniões, como se assim se resolvesse alguma coisa.
Vejamos alguns excertos da reportagem do DN:
«Apesar de o mercado do sexo ser cada vez mais diverso, ainda há muitas mulheres que vendem o corpo na berma da estrada. A explicação, segundo dizem, prende-se com a segurança. Fugir de um cliente violento numa mata é mais fácil do que gritar e pedir socorro entre quatro paredes.»
Repare-se no caso de Susana, uma prostituta: «A "facilidade" com que ganhou o dinheiro abriu-lhe o caminho. Pediu "a um chulo" que a levasse para um clube em Espanha "só para experimentar" e nunca mais deixou "esta vida". "Não consigo tanto dinheiro como aqui".»
«"é difícil entrar noutro trabalho e manter a vida estabilizada que agora temos", confessa Susana.
Uma opinião partilhada pelas duas mulheres já vividas que, à terça-feira, fazem três horas perto de Alenquer, no IC2. Idalina, 54 anos, e a amiga Madalena, 65 (...)
Ao final da manhã, a mais velha teve três clientes. A mais nova, que assinala o lugar na mata onde se prostitui com uma boneca, só teve um. "Nós só fazemos sexo à antiga. Aí as novas é que põem a boca em todo o lado", atira Madalena, de poucas conversas.
"Ela é que tem sorte. Às vezes tem um cliente que a leva para um quarto e dá-lhe cem euros", diz Idalina. "Se soubesses o trabalho que me dá", responde. Longe vão os anos em que se faziam valer dos atributos do corpo para cativar clientes. Hoje vale-lhes a paciência.
"Acha que as mais novas perdem tempo com eles? Recebem o dinheiro e ao fim de dez minutos mandam-nos embora. Se soubesse as dores com que fico nos joelhos para ganhar aqueles cem euros", diz Madalena, que recusa pormenorizar as circunstâncias que a conduziram ali. Deixa escapar que toda a vida trabalhou em fábricas ou a tomar conta "dos filhos dos outros". E o dinheiro não chega.
Idalina, mais espevitada, não tem problemas em dizer que quem a pôs na estrada foi o marido com quem casou aos 20 anos. Era a única forma de lhe alimentar o vício do álcool.»
«Paula, 32 anos, prefere prostituir-se na mata. "Entre quatro paredes estamos sujeitas a tudo. Podemos gritar que ninguém se mete. Aqui corremos para a estrada e alguém nos acode", diz.
O vestido de ganga justo ao corpo descobre-lhe as pernas. Os atributos físicos de Paula permitem-lhe uma média de dez clientes por dia, "agora em tempo de crise".
Paula lembra-se perfeitamente do dia em que começou a trabalhar como prostituta, há pouco mais de três anos. Trabalhava num lar e estava de relações cortadas com o pai quando soube que ele estava doente com um cancro. "Deixei o orgulho de lado e fui para perto dele. Mas tinha de ganhar dinheiro", conta.
Admite cobrar aos clientes "o preço normal", 20 euros por sexo vaginal e anal e 15 pelo oral. Sem beijos nem carícias. Ao final dos dias mais fracos, pondera baixar o preço do oral em troca de uma boleia para casa. "Quando estou mais stressada não venho. Mas obrigo-me a fazer um dia de trabalho normal, entre as 09.00 e as 18.00", diz.
Se aparece um cliente mais bruto, ou até sujo, Paula não hesita em mostrar-se indisponível.»
Os clientes são de todas as classes sociais. "Desde o peão da obra, ao engenheiro e até jogador de futebol".
Excertos de "O regresso de Jorge de Sena"
Diz Vasco Graça Moura «Jorge de Sena como poeta é "gigantesco e torrencial". "É evidente que a percepção do país a partir quer do exílio brasileiro, quer do exílio norte-americano contribuiu para um enorme coeficiente de amargura em relação à maneira como via Portugal. Voltou cá, em 1977, para fazer o discurso da Guarda, a que chamava 'o sermão da Guarda'. Foi com certeza uma grande satisfação para ele e, para nós, uma grande lição."
Nesse discurso, no Dia de Portugal, por onde passava Camões, Sena afirmou que "os portugueses são de um individualismo mórbido e infantil de meninos que nunca se libertaram do peso da mãezinha" e que a nossa história esteve "sempre repartida entre o anseio de uma liberdade que ultrapassa os limites da liberdade possível (ou sejam as liberdades dos outros, tão respeitáveis como a de cada um) e o desejo de ter-se um pai transcendente que nos livre de tomar decisões ou de assumir responsabilidades, seja ele um homem, um partido, ou D. Sebastião".»
Jorge Fazenda Lourenço salienta a articulação entre o carácter ético da poesia e a preocupação estética, num tempo em que estas duas vertentes estavam dissociadas.
«Depois do 25 de Abril de 1974, Sena regressou à pátria já em liberdade, mas ficou apenas dois meses. "O país na verdade nunca o reconheceu. E se no tempo da ditadura podíamos achar isso natural, já não o achávamos depois do 25 de Abril. Ele gostava de ter regressado", lamenta Mécia de Sena.
Na opinião de Fazenda Lourenço, essa ideia da incompreensão existe mais do ponto de vista do cidadão, porque como poeta sempre foi reconhecido. "Embora sempre restritamente, mas isso é o que acontece com todos os escritores portugueses." O facto de Sena não ter sido muito acarinhado depois do 25 de Abril está, na sua opinião, relacionado com a sua independência política. "As pessoas nas universidades portuguesas nunca acharam muito bem que Jorge de Sena viesse. Às vezes pelas razões mais estúpidas!" Lembra que o poeta Joaquim Manuel Magalhães foi testemunha de uma assembleia na Faculdade de Letras onde chegou a argumentar-se que ele não merecia regressar porque já não era português e porque nunca tinha sido antifascista. "Ele sempre foi inconveniente numa altura em que as pessoas não reconheciam esse tipo de autonomia crítica. Era uma altura em que se pensava pôr nos lugares as pessoas que poderiam de algum modo ser fiéis partidariamente."»
Fonte: Público (artigo de Isabel Coutinho).
Nesse discurso, no Dia de Portugal, por onde passava Camões, Sena afirmou que "os portugueses são de um individualismo mórbido e infantil de meninos que nunca se libertaram do peso da mãezinha" e que a nossa história esteve "sempre repartida entre o anseio de uma liberdade que ultrapassa os limites da liberdade possível (ou sejam as liberdades dos outros, tão respeitáveis como a de cada um) e o desejo de ter-se um pai transcendente que nos livre de tomar decisões ou de assumir responsabilidades, seja ele um homem, um partido, ou D. Sebastião".»
Jorge Fazenda Lourenço salienta a articulação entre o carácter ético da poesia e a preocupação estética, num tempo em que estas duas vertentes estavam dissociadas.
«Depois do 25 de Abril de 1974, Sena regressou à pátria já em liberdade, mas ficou apenas dois meses. "O país na verdade nunca o reconheceu. E se no tempo da ditadura podíamos achar isso natural, já não o achávamos depois do 25 de Abril. Ele gostava de ter regressado", lamenta Mécia de Sena.
Na opinião de Fazenda Lourenço, essa ideia da incompreensão existe mais do ponto de vista do cidadão, porque como poeta sempre foi reconhecido. "Embora sempre restritamente, mas isso é o que acontece com todos os escritores portugueses." O facto de Sena não ter sido muito acarinhado depois do 25 de Abril está, na sua opinião, relacionado com a sua independência política. "As pessoas nas universidades portuguesas nunca acharam muito bem que Jorge de Sena viesse. Às vezes pelas razões mais estúpidas!" Lembra que o poeta Joaquim Manuel Magalhães foi testemunha de uma assembleia na Faculdade de Letras onde chegou a argumentar-se que ele não merecia regressar porque já não era português e porque nunca tinha sido antifascista. "Ele sempre foi inconveniente numa altura em que as pessoas não reconheciam esse tipo de autonomia crítica. Era uma altura em que se pensava pôr nos lugares as pessoas que poderiam de algum modo ser fiéis partidariamente."»
Fonte: Público (artigo de Isabel Coutinho).
11 setembro 2009
Jorge de Sena

"Quem muito viu..."
Quem muito viu, sofreu, passou trabalhos,
mágoas, humilhações, tristes surpresas;
e foi traído, e foi roubado, e foi
privado em extremo da justiça justa;
e andou terras e gentes, conheceu
os mundos e submundos; e viveu
dentro de si o amor de ter criado;
quem tudo leu e amou, quem tudo foi -
não sabe nada, nem triunfar lhe cabe
em sorte como a todos os que vivem.
Apenas não viver lhe dava tudo.
Inquieto e franco, altivo e carinhoso,
será sempre sem pátria. E a própria morte,
quando o buscar, há-de encontrá-lo morto.
[in Poesia III, Ed. 70, 1989, págs. 48-9]
[Pode também ser lido na antologia de Manuel de Freitas, A Perspectiva da Morte: 20 (-2) Poetas Portugueses do Século XX, Assírio & Alvim, 2009]
[Pode também ser lido na antologia de Manuel de Freitas, A Perspectiva da Morte: 20 (-2) Poetas Portugueses do Século XX, Assírio & Alvim, 2009]
Jorge de Sena

"Mécia de Sena não entende o desinteresse editorial português na publicação de inéditos do seu marido e revela que na última década pretendeu ver editados pelo menos dois volumes, que compilam escritos políticos e na imprensa, e sempre viu os responsáveis que a contactaram acabarem por desistir."
Os restos mortais de Jorge de Sena chegaram recentemente a Portugal provenientes de Santa Bárbara, na Califórnia, onde faleceu a 4 de Junho de 1978, aos 59 anos. E foram hoje trasladados para o cemitério dos Prazeres, em Lisboa.
O país presta-lhe homenagem institucional, enquanto os ditos "agentes culturais" continuam indiferentes à obra do poeta e ensaísta.
Fonte: DN
Os restos mortais de Jorge de Sena chegaram recentemente a Portugal provenientes de Santa Bárbara, na Califórnia, onde faleceu a 4 de Junho de 1978, aos 59 anos. E foram hoje trasladados para o cemitério dos Prazeres, em Lisboa.
O país presta-lhe homenagem institucional, enquanto os ditos "agentes culturais" continuam indiferentes à obra do poeta e ensaísta.
Fonte: DN
10 setembro 2009
Extravagâncias vocabulares

Há quase três anos (em Novembro de 2006), Jorge Mux, professor de filosofia e de linguagem e escritor de contos de ficção no seu tempo livre, sentiu necessidade de criar palavras que definissem situações e objectos nunca antes nomeados ou até inventados (mas prováveis, defende). Assim nasceu o "Exonario", que hoje conta com 800 palavras diferentes, únicas e insólitas. O Exonario é um glossário online composto por "nomes hilariantes e definições insólitas de duvidosa justificação".
"O requisito básico é que o nome não exista em nenhum outro dicionário e que seja justificado etimologicamente, sem haver redundâncias", explica.
O próprio nome do glossário, explica ainda, é em si uma palavra que existe unicamente no seu dicionário.
Além do Exonario existe também o Sexonario.
O próprio nome do glossário, explica ainda, é em si uma palavra que existe unicamente no seu dicionário.
Além do Exonario existe também o Sexonario.
Fonte: i
09 setembro 2009
Javier Almuzara

Ayer
A veces el olvido es impaciente
y se deja caer como la niebla,
casi de súbito,
para ocultarlo todo
a una breve distancia.
Tan sólo han transcurrido algunas horas
y ayer es ya um vacío inexplicable.
[in Por la secreta escala, 1994, p. 58]
Retiro
Seguro de su gloria
expiró sonriente al recordar
que sólo le faltaba estar ya muerto
para ser inmortal.
Se durmió en los laureles
que el tiempo sabe cómo marchitar.
Dichoso aquel que en su soberbio estado
desconociendo la posteridad
se retira del mundo sin saber
que muere para siempre de verdad.
[in Constantes vitales, 2004, p.39]
08 setembro 2009
Um novo sítio da cultura

Há um novo sítio da cultura. Nota-se logo que é institucional. Pesado, com poucas imagens e muito texto. Ou seja, pouco atractivo se pensarmos em novos públicos. A lógica do espaço, embora servida online, enferma dos vícios antigos: corpo de letra miúdo, fundos claros e letras a cinzento (!) que se lêem mal, textos maçudos e com informação que não interessa ao menino Jesus.
Pode ser que a pouco e pouco ganhe visibilidade e se agilize, correspondendo pelo menos a procuras escolares (seja qual for o nível de ensino). Para já fica o espanto: 700 mil euros com um portal que “pretende assumir-se como motor para a mudança de paradigma da divulgação cultural em Portugal”. Os discursos do poder são sempre assim, inflamados, hiperbólicos. Mas vamos esperar para ver se daqui a meio ano já tem conteúdos digitais tridimensionais gratuitos. E se o mesmos são de molde a criar públicos e a fidelizá-los.
Pode ser que a pouco e pouco ganhe visibilidade e se agilize, correspondendo pelo menos a procuras escolares (seja qual for o nível de ensino). Para já fica o espanto: 700 mil euros com um portal que “pretende assumir-se como motor para a mudança de paradigma da divulgação cultural em Portugal”. Os discursos do poder são sempre assim, inflamados, hiperbólicos. Mas vamos esperar para ver se daqui a meio ano já tem conteúdos digitais tridimensionais gratuitos. E se o mesmos são de molde a criar públicos e a fidelizá-los.
Opiniões de um economista e político
"Os empresários têm em média a quarta classe e os trabalhadores são pessoas que foram sacrificadas toda a vida. É claro que precisamos de trabalho mais qualificado, portanto mais bem pago."
"Temos dois milhões de pobres que são idosos. O nosso problema é que existe uma geração sacrificada que está a acabar lentamente, e acabar na indignidade: os agricultores não podiam descontar no tempo do fascismo e não têm descontos formados; com as domésticas acontecia o mesmo. São 120 euros as pensões de sobrevivência e as pensões sociais. E depois, quando avançam com o Complemento Solidário para Idosos, que é uma boa medida, obrigam as pessoas a apresentar as contas dos filhos, mesmo que estes estejam emigrados e os pais não saibam onde é que eles estão. Há 200 mil pessoas que beneficiaram de uma boa medida que devia estender-se aos dois milhões de pobres, ou a uma boa parte deles que são os idosos. Esse grande esforço é despesa, mas é uma despesa transitória."
"A Galp ganhou 500 milhões de euros este ano. 100 milhões de euros foram porque manipulou os preços. Algo reconhecido, está no relatório. Chamam-lhe viscosidade dos preços. E o presidente da Autoridade da Concorrência explicou-nos, com uma candura que só lhe fica bem, que viscosidade quer dizer que quando os preços do petróleo baixam a nível internacional cá o preço baixa muito devagar; e quando os preços sobem a gasolina sobe muito depressa. Só com essa diferença de cêntimos por dia são 100 milhões de euros de lucro. As contas são estas e estamos a perder com essa opção estratégica. Uma economia mais responsável não se permite perder dessa forma."
Diz Francisco Louçã a José Manuel Fernandes e Maria José Oliveira, in Público.
"Temos dois milhões de pobres que são idosos. O nosso problema é que existe uma geração sacrificada que está a acabar lentamente, e acabar na indignidade: os agricultores não podiam descontar no tempo do fascismo e não têm descontos formados; com as domésticas acontecia o mesmo. São 120 euros as pensões de sobrevivência e as pensões sociais. E depois, quando avançam com o Complemento Solidário para Idosos, que é uma boa medida, obrigam as pessoas a apresentar as contas dos filhos, mesmo que estes estejam emigrados e os pais não saibam onde é que eles estão. Há 200 mil pessoas que beneficiaram de uma boa medida que devia estender-se aos dois milhões de pobres, ou a uma boa parte deles que são os idosos. Esse grande esforço é despesa, mas é uma despesa transitória."
"A Galp ganhou 500 milhões de euros este ano. 100 milhões de euros foram porque manipulou os preços. Algo reconhecido, está no relatório. Chamam-lhe viscosidade dos preços. E o presidente da Autoridade da Concorrência explicou-nos, com uma candura que só lhe fica bem, que viscosidade quer dizer que quando os preços do petróleo baixam a nível internacional cá o preço baixa muito devagar; e quando os preços sobem a gasolina sobe muito depressa. Só com essa diferença de cêntimos por dia são 100 milhões de euros de lucro. As contas são estas e estamos a perder com essa opção estratégica. Uma economia mais responsável não se permite perder dessa forma."
Diz Francisco Louçã a José Manuel Fernandes e Maria José Oliveira, in Público.
07 setembro 2009
A sida é um assassino de massas



Quem, senão Adolf para mostrar às meninas e aos meninos alemães que a sida é má? E quem senão Joseph e Saddam para fazerem companhia ao assassino número 1?
A ideia foi de uma agência de publicidade chamada Das Commitee, que criou cartazes com a imagem desses monstrinhos e os dizeres: "AIDS is a mass murderer" (ver aqui).
O ar lascivo das mulheres do cartaz é que cria incomodidade? Ou será o rosto dos algozes?
A ideia foi de uma agência de publicidade chamada Das Commitee, que criou cartazes com a imagem desses monstrinhos e os dizeres: "AIDS is a mass murderer" (ver aqui).
O ar lascivo das mulheres do cartaz é que cria incomodidade? Ou será o rosto dos algozes?
05 setembro 2009
I Encontro Nacional de Dezedores de Poesia

Começou hoje na Praia da Vitória o I Encontro Nacional de Dezedores de Poesia. Uma iniciativa da Companhia Independente de Artes (CIA) com a colaboração da Câmara da Praia da Vitória.
Pelo Auditótio do Ramo Grande passarão Maria de Jesus Barroso Soares, que será homenageada, São José Lapa, Maria do Céu Guerra, Luís Lucas, José Fanha, Pedro Lamares, José Rui Martins e outros.
Amanhã haverá um recital em homenagem a Vitorino Nemésio, poeta e romancista nascido na Praia.
No auditório está patente uma exposição de homenagem a Mário Viegas.
Pelo Auditótio do Ramo Grande passarão Maria de Jesus Barroso Soares, que será homenageada, São José Lapa, Maria do Céu Guerra, Luís Lucas, José Fanha, Pedro Lamares, José Rui Martins e outros.
Amanhã haverá um recital em homenagem a Vitorino Nemésio, poeta e romancista nascido na Praia.
No auditório está patente uma exposição de homenagem a Mário Viegas.
04 setembro 2009
Como matar uma pessoa em nome da lei
Primeiro acusa-se alguém de um acto que não cometeu. Embora esse alguém estivesse no tal lugar na altura dos trágicos acontecimentos.
Segundo: esse alguém é sempre membro da classe C, ou seja, não tem recursos físicos nem mentais para perceber os meandros da lei e as máscaras que esta usa.
Terceiro: há um psiquiatra que o descreve como um "sociopata muito perigoso" sem nunca o ter examinado.
Quarto: surgem testemunhas que modificam as declarações a favor da acusação.
Quinto: o advogado que defende o alguém é incompetente ou está-se nas tintas, pois aquele alguém não tem meios que contribuam para o enriquecimento do advogado, nem o caso é suficientemente mediático para trazer fama ao douto causídico.
Resultado: se o alguém é americano e vive num estado onde há pena de morte, acaba morto. Anos depois podem ver a público provas que mostrem que estava inocente, mas para o tal alguém já não há retorno.
A notícia é aterradora: "Em 1992, Todd Willingham foi condenado à morte por injecção letal. Foi acusado de fogo posto, num incêndio na casa da família, matando as suas três filhas. Tinha 23 anos e foi executado 12 anos depois.
Agora, um relatório entregue em Agosto deste ano, à Comissão de Ética do Texas, um especialista em incêndios conclui, tal como outros dois peritos o tinham feito em 2004 e 2006, que o incêndio foi acidental." (vide)
Segundo: esse alguém é sempre membro da classe C, ou seja, não tem recursos físicos nem mentais para perceber os meandros da lei e as máscaras que esta usa.
Terceiro: há um psiquiatra que o descreve como um "sociopata muito perigoso" sem nunca o ter examinado.
Quarto: surgem testemunhas que modificam as declarações a favor da acusação.
Quinto: o advogado que defende o alguém é incompetente ou está-se nas tintas, pois aquele alguém não tem meios que contribuam para o enriquecimento do advogado, nem o caso é suficientemente mediático para trazer fama ao douto causídico.
Resultado: se o alguém é americano e vive num estado onde há pena de morte, acaba morto. Anos depois podem ver a público provas que mostrem que estava inocente, mas para o tal alguém já não há retorno.
A notícia é aterradora: "Em 1992, Todd Willingham foi condenado à morte por injecção letal. Foi acusado de fogo posto, num incêndio na casa da família, matando as suas três filhas. Tinha 23 anos e foi executado 12 anos depois.
Agora, um relatório entregue em Agosto deste ano, à Comissão de Ética do Texas, um especialista em incêndios conclui, tal como outros dois peritos o tinham feito em 2004 e 2006, que o incêndio foi acidental." (vide)
03 setembro 2009
Subscrever:
Mensagens (Atom)











