14 agosto 2009

Férias

Esta imagem de Angra do Heroísmo chegou-nos por e-mail sem indicação de autor. Se alguém souber, digam que nós logo o identificamos.
Agora vamos de férias. Até daqui a uns dias.

12 agosto 2009

A diferença entre os líderes e os psicopatas


Diz a notícia: "Os psicopatas que matam e violam têm ligações defeituosas entre a parte do cérebro que lida com as emoções e uma área que gere o processo de tomada de decisões, anuncia uma equipa de investigadores britânicos. Como se fossem buracos numa estrada. A descoberta pode ajudar a encontrar formas de os reparar."

Uns têm buracos na estrada mental, outros têm pontes e viadutos feitos de ouro, prata fina e quanta riqueza há por í.
Estudar psicopatas parece fácil, mas estudar milionários é que não.
Agora digam lá, se pudessem escolher, que preferiam saber? Como deixar de ser um psicopata ou como tornar-se um líder?

Mona Lisa


Sim, chamam-me mona lisa porque sou careca. Há uns tempos, não sei se por causa disso, se porque o meu patrão teve de dar uma casa à namorada, fui despedido. Desatei a beber. Para todo o lado para onde vou levo a minha taça de estimação. O vinho, o bagaço (ou o vodka) sabem-me que nem euros. Ora domingo passado fui com a minha pequena ver o Louvre e no saco a tiracolo lá estava a botelha e a taça. Ia-me a sentar para ver que semelhanças há entre mim e o quadro do Leonardo da Vinci e deu-me uma sede terrível. Tirei a taça... A X ao ver aquilo correu para mim para não passar uma vergonha e quis tirar-me a taça, mas fê-lo com tanta força e eu fui tão dócilao abrir a mão que a taça voou e se fez em mim bocadinhos depois de embater no vidro que protege o quadro. Oh, deus, que susto. Fugi. Ela ficou e foi presa.
Agora, estão para aí a dizer que "A cidadã russa responsável pelo ataque visitou o museu do Louvre, em Paris, no primeiro domingo do mês e levou consigo uma taça que, a determinado momento, arremessou contra a obra, numa acção de protesto pelo facto de as autoridades gaulesas não lhe terem concedido a nacionalidade francesa."
Acção de protesto? Cá nada. Ela quis foi poupar-me a um embaraço e aconteceu o que aconteceu. Mas os cagões dos franciús tiveram que inventar aquilo do protesto, para fazerem de conta que são bons. Qui merde de nation làquèle, que não sai da cepa torta e tem um presidente que anda por aí a rivalizar com o Putin e o Berlusconi.

11 agosto 2009

Destruição de património

O que são pinturas rupestres? Que representam para as populações das aldeias ou até das cidades? Que formação cultural se recebe na escola?
Mesmo que as razões da destruição tenham sido ocasionais (alguém pode ter querido pôr a pedra mais limpinha), a verdade é que tudo acontece fruto da ignorância. E se o intuito partiu da inveja ou da vingança, a conclusão é a mesma: ignorância.
Um dos painéis de granito com pinturas rupestres, com cerca de cinco mil anos, encontrado há sete anos na área da freguesia de Malhada Sorda, concelho de Almeida, foi destruído. A figura pré-histórica foi completamente destruída, tendo sido lavada e repicada com a clara intenção de a fazer desaparecer, o que de facto foi conseguido. Apagou-se assim mais de cinco mil anos de História.
Que importância tem isso para as populações? As poses e prosápias culturais não colhem junto de quem se está nas tintas para riscos e lajes. É preciso que expliquem às pessoas do que se trata e que lhes digam que isso pode estimular o turismo na localidade e contribuir de forma indirecta para a melhoria da aldeia ou da localidade.

10 agosto 2009

John Lennon - Jealous Guy

Do album Imagine editado em 1971

«Are we getting away from the property concept of relationships?»

(Estamos a livrar-nos do conceito de posse nas relações sentimentais?)

08 agosto 2009

AL BERTO (1948-1997)

Al Berto, 1996

© Luísa Ferreira

CASA

.

.

durante a noite

a casa geme agita-se aquece e arrefece

no interior frio do olho da tua sombra sentada

na cadeira aparentemente vazia

.

esperas acordado sem sono

que a temperatura da casa se funda

com a temperatura incerta do mundo

depois

escreves exactamente isto: o horror dos dias

secou contra os dentes – e rouco

dobrado para dentro do teu próprio pensamento

ferido

atravessas as sílabas diáfanas do poema.

.

levantas-te tarde

atordoado

para extinguires o lume ateado

junto à memória da casa – respiras fundo

para que o gelo derreta e afogue

a vulgar noite do mundo.

.

olhas-te no espelho

atribuis-te um nome um corpo um gesto

dormes

com a árvore de saliva das ilhas – com o vento

que arrasta consigo esta chuva de fósforo e

estes presságios de tranquilos ossos

.

.

Al Berto, O medo


Mediterranean Sundance

Paco de Lucia, Al Di Meola e John McLaughlin tocam no Concerto de Pavarotti & Friend for War Child de 2006.

06 agosto 2009

Dylan Thomas (1914-1953)


That sanity be kept
That sanity be kept I sit at open windows,
Regard the sky, make unobtrusive comment on the moon,
Sit at open windows in my shirt,
And let the traffic pass, the signals shine,
The engines run, the brass bands keep in tune,
For sanity must be preserved.

Thinking of death, I sit and watch the park
Where children play in all their innocence,
And matrons on the littered grass
Absorb the daily sun.

The sweet suburban music from a hundred lawns
Comes softly to my ears. The English mowers mow and mow.

I mark the couples walking arm in arm,
Observe their smiles,
Sweet invitations and inventions,
See them lend love illustration
By gesture and grimace.
I watch them curiously, detect beneath the laughs
What stands for grief, a vague bewilderment
At things not turning right.

I sit at open windows in my shirt,
Observe, like some Jehovah of the west
What passes by, that sanity be kept.
in Poetry Pearls

Joaquim Sorolla Y Bastida, um pintor apaixonado pela luz - outros quadros

05 agosto 2009

O PSD é sempre um lamentável déjà vu


Manuela Ferreira Leite surge aos olhos dos mais míopes como uma dama de ferro. Que não é. E as suas passagens pelos diversos ministérios já mostrou isso mesmo. De resto, o PSD é uma nódoa repetitiva, aquilo é o partido por excelência das negociatas. E pouco democrático. O PS sempre incluiu nas suas listas os opositores internos. Mas o PSD não consegue. O medo de perder é muito e são tantos a querer assegurar o seu tachinho.
Como é que um partido assim pode marcar a diferença em relação ao PS?

04 agosto 2009

Frederick Carl Frieseke (1874-1939)





Frederick Carl Frieseke é um pintor norte-americano, que passou uma temporada em França, deixando-se contaminar pela luz e pelas técnicas que aí apreendeu.

03 agosto 2009

Bénédicte Houart

a minha avó dizia-me
querer é poder
era mentira
ela soube-o antes de mim

a minha mãe dizia-me
não se pode querer tudo
era mentira
ela nunca o soube

eu sempre quis tudo e pude pouco
daí em diante passei a não querer quase nada
eis a única lição maldita que a vida me terá dado




quase todos os tiros que damos são no escuro
alguns iluminam a noite
outros tornam-na mais obscura
não raras vezes, porém, acertamos na própria sombra
aquela em que nos fomos tornando sem dar por isso

morta a sombra, ficamos nós
ainda mais sós, cada vez mais perto

O consumo de cannabis afecta a memória


O processo de aquisição de memórias, seja de valores, experiências ou conhecimentos, divide-se em diferentes fases. Primeiro ficamos expostos ao que vamos aprender: como usar uma colher, qual a capital de Marrocos… De seguida o nosso cérebro inicia o processo de consolidação, 24 horas depois. Se este processo não acontece então não recordamos essas informações.
A investigação garante que a cannabis afecta precisamente este processo de consolidação, ou seja, afecta o hipocampo, parte do cérebro onde se encontram os circuitos de neurónios necessários para realizar as tarefas cognitivas relacionadas com a memória.

02 agosto 2009

Peder Severin Krøyer 2



Peder Severin Krøyer (1851-1909)





P. S. Kroyer, pintor norueguês e dinamarquês, é um dos nomes cimeiros do grupo de Skagen. Podem ver mais trabalhos dele aqui.
Algumas das imagens podem, como é costume, ser vistas em melhor definição, desde que abertas.

Os esquemas dos medicamentos


No reino dos medicamentos, como em quase todos os negócios, incluindo claro o das leis e da saúde, é preciso estar por dentro do negócio para não tomar gato por lebre. Mas mesmo que seja suposto o farmacêutico informar qual é o medicamento mais barato, eu sei de experiência própria que eles nada dizem. O que não admira, pois os mesmos vendedores que visitam os médicos, para os seduzirem para o medicamento X, Y ou Z, podem ser vistos nas farmácias em amena cavaqueira com funcionários e donos. Com medicamentos não se brinca, razão para tantos cuidados, obviamente. Mas ainda não percebemos porque tem de se comprar seis carteiras com dez comprimidos quando a própria posologia da bula indica serem necessários menos comprimidos. Os que vão para o lixo ou ficam nas farmácias domésticas a ocupar espaço fazem parte dos cuidados que têm para com connosco quantos se dedicam ao negócio dos remédios.
Já agora, vejamos alguns exemplos de genéricos que supostamente deveriam sair mais baratos aos consumidores e saem mais caros, pela simples razão de que não são comparticipados (outro esquema interessante, tanto mais que em muitos vem logo na embalagem que só podem ser vendidos mediante receita médica).

Ibuprofeno 600 granulado:
A marca do anti-inflamatório custa 4,91 euros e tem 69% de comparticipação. Fica por 1,42 euros. O genérico custa 3,93 euros e não tem comparticipação. Na versão comprimido de 600 mg, com o apoio do Estado a marca fica por 3,31 euros, enquanto alguns genéricos (não todos) custam 5,89 euros.

Omeprazol 20 mg:
As caixas de 28 unidades dos genéricos não subsidiados custam 19,77; o fármaco de marca sai ao utente a 9,42 euros. No Lanzoprazol, também para o estômago, as embalagens de 14 e 20 unidades saem ao dobro do preço. Isto em medicamentos cuja toma é, geralmente, prolongada.

Sinvastatina e Pravastatina (colesterol):
As embalagens de 30 unidades de Sinvastatina sem marca são duas vezes mais caras para o utente. As de 30 comprimidos de 20 mg de Pravastatina custam-lhe mais quatro ou cinco euros do que o original.

Fluoxetina:
É um antidepressivo cujo uso está a crescer em Portugal e que é de toma minimamente prolongada. Mas comprar um genérico de 56 ou 60 unidades sai mais caro do que optar pela marca.

Fonte: JN

01 agosto 2009

"Joven", 1955, um quadro de Víctor Manuel García a abeirar o cubismo?


No fim da carreira de Victor Manuel o seu trabalho modifica-se abeirando o abstraccionismo. Começa a pintar a guache quadros quase cubistas. A mulher dos seus quadros adquire um olhar diferente: as sobrancelhas estetizam-se e os olhos adquirem uma forma amendoada. Um olhar diferente do olhar da pintura “La Gitana Tropical“. Ver mais aqui.

"La Gitana Tropical", 1929, de Víctor Manuel García


Víctor Manuel García - mais alguns quadros



Auto-retrato de Victor Manuel García (1897-1969)


Com Víctor Manuel García (Habana, 1897-1969) nasce a pintura moderna em Cuba. Aos seis anos, começa a pintar. Aos 12, inicia os estudos de pintura, na Escola de Artes de San Alejandro. Estuda com Romañac e aos dezanove revela o seu talento, como ele próprio confessa. A primeira exposição data de 1924, em Havana, em "Las Galleries".
Viaja para França, em 1925, país onde um grupo de artistas de Montparnase o passa a chamar apenas por "Victor Manuel", nome com que assina muitos quadros.
Abre nova exposição, em 1927, nos salões das Associações de Pintura e de Escultura. Um dos primeiros passos para a era da pintura moderna cubana.
A partir da primeira viagem a Paris e do contacto com o pós-impressionismo, o seu estilo transforma-se, como se verifica, em 1929, quando pinta, na sua cidade natal, a famosa e melancólica Cigana tropical, que passou a ser o símbolo de toda a sua arte. Desde essa altura aborda temas que passam a ser recorrentes: rostos femininos e paisagens.
Manuel Manuel García é um artista para quem a arte não era considerada um refúgio, mas sim uma forma de expressão.