05 agosto 2009

O PSD é sempre um lamentável déjà vu


Manuela Ferreira Leite surge aos olhos dos mais míopes como uma dama de ferro. Que não é. E as suas passagens pelos diversos ministérios já mostrou isso mesmo. De resto, o PSD é uma nódoa repetitiva, aquilo é o partido por excelência das negociatas. E pouco democrático. O PS sempre incluiu nas suas listas os opositores internos. Mas o PSD não consegue. O medo de perder é muito e são tantos a querer assegurar o seu tachinho.
Como é que um partido assim pode marcar a diferença em relação ao PS?

04 agosto 2009

Frederick Carl Frieseke (1874-1939)





Frederick Carl Frieseke é um pintor norte-americano, que passou uma temporada em França, deixando-se contaminar pela luz e pelas técnicas que aí apreendeu.

03 agosto 2009

Bénédicte Houart

a minha avó dizia-me
querer é poder
era mentira
ela soube-o antes de mim

a minha mãe dizia-me
não se pode querer tudo
era mentira
ela nunca o soube

eu sempre quis tudo e pude pouco
daí em diante passei a não querer quase nada
eis a única lição maldita que a vida me terá dado




quase todos os tiros que damos são no escuro
alguns iluminam a noite
outros tornam-na mais obscura
não raras vezes, porém, acertamos na própria sombra
aquela em que nos fomos tornando sem dar por isso

morta a sombra, ficamos nós
ainda mais sós, cada vez mais perto

O consumo de cannabis afecta a memória


O processo de aquisição de memórias, seja de valores, experiências ou conhecimentos, divide-se em diferentes fases. Primeiro ficamos expostos ao que vamos aprender: como usar uma colher, qual a capital de Marrocos… De seguida o nosso cérebro inicia o processo de consolidação, 24 horas depois. Se este processo não acontece então não recordamos essas informações.
A investigação garante que a cannabis afecta precisamente este processo de consolidação, ou seja, afecta o hipocampo, parte do cérebro onde se encontram os circuitos de neurónios necessários para realizar as tarefas cognitivas relacionadas com a memória.

02 agosto 2009

Peder Severin Krøyer 2



Peder Severin Krøyer (1851-1909)





P. S. Kroyer, pintor norueguês e dinamarquês, é um dos nomes cimeiros do grupo de Skagen. Podem ver mais trabalhos dele aqui.
Algumas das imagens podem, como é costume, ser vistas em melhor definição, desde que abertas.

Os esquemas dos medicamentos


No reino dos medicamentos, como em quase todos os negócios, incluindo claro o das leis e da saúde, é preciso estar por dentro do negócio para não tomar gato por lebre. Mas mesmo que seja suposto o farmacêutico informar qual é o medicamento mais barato, eu sei de experiência própria que eles nada dizem. O que não admira, pois os mesmos vendedores que visitam os médicos, para os seduzirem para o medicamento X, Y ou Z, podem ser vistos nas farmácias em amena cavaqueira com funcionários e donos. Com medicamentos não se brinca, razão para tantos cuidados, obviamente. Mas ainda não percebemos porque tem de se comprar seis carteiras com dez comprimidos quando a própria posologia da bula indica serem necessários menos comprimidos. Os que vão para o lixo ou ficam nas farmácias domésticas a ocupar espaço fazem parte dos cuidados que têm para com connosco quantos se dedicam ao negócio dos remédios.
Já agora, vejamos alguns exemplos de genéricos que supostamente deveriam sair mais baratos aos consumidores e saem mais caros, pela simples razão de que não são comparticipados (outro esquema interessante, tanto mais que em muitos vem logo na embalagem que só podem ser vendidos mediante receita médica).

Ibuprofeno 600 granulado:
A marca do anti-inflamatório custa 4,91 euros e tem 69% de comparticipação. Fica por 1,42 euros. O genérico custa 3,93 euros e não tem comparticipação. Na versão comprimido de 600 mg, com o apoio do Estado a marca fica por 3,31 euros, enquanto alguns genéricos (não todos) custam 5,89 euros.

Omeprazol 20 mg:
As caixas de 28 unidades dos genéricos não subsidiados custam 19,77; o fármaco de marca sai ao utente a 9,42 euros. No Lanzoprazol, também para o estômago, as embalagens de 14 e 20 unidades saem ao dobro do preço. Isto em medicamentos cuja toma é, geralmente, prolongada.

Sinvastatina e Pravastatina (colesterol):
As embalagens de 30 unidades de Sinvastatina sem marca são duas vezes mais caras para o utente. As de 30 comprimidos de 20 mg de Pravastatina custam-lhe mais quatro ou cinco euros do que o original.

Fluoxetina:
É um antidepressivo cujo uso está a crescer em Portugal e que é de toma minimamente prolongada. Mas comprar um genérico de 56 ou 60 unidades sai mais caro do que optar pela marca.

Fonte: JN

01 agosto 2009

"Joven", 1955, um quadro de Víctor Manuel García a abeirar o cubismo?


No fim da carreira de Victor Manuel o seu trabalho modifica-se abeirando o abstraccionismo. Começa a pintar a guache quadros quase cubistas. A mulher dos seus quadros adquire um olhar diferente: as sobrancelhas estetizam-se e os olhos adquirem uma forma amendoada. Um olhar diferente do olhar da pintura “La Gitana Tropical“. Ver mais aqui.

"La Gitana Tropical", 1929, de Víctor Manuel García


Víctor Manuel García - mais alguns quadros



Auto-retrato de Victor Manuel García (1897-1969)


Com Víctor Manuel García (Habana, 1897-1969) nasce a pintura moderna em Cuba. Aos seis anos, começa a pintar. Aos 12, inicia os estudos de pintura, na Escola de Artes de San Alejandro. Estuda com Romañac e aos dezanove revela o seu talento, como ele próprio confessa. A primeira exposição data de 1924, em Havana, em "Las Galleries".
Viaja para França, em 1925, país onde um grupo de artistas de Montparnase o passa a chamar apenas por "Victor Manuel", nome com que assina muitos quadros.
Abre nova exposição, em 1927, nos salões das Associações de Pintura e de Escultura. Um dos primeiros passos para a era da pintura moderna cubana.
A partir da primeira viagem a Paris e do contacto com o pós-impressionismo, o seu estilo transforma-se, como se verifica, em 1929, quando pinta, na sua cidade natal, a famosa e melancólica Cigana tropical, que passou a ser o símbolo de toda a sua arte. Desde essa altura aborda temas que passam a ser recorrentes: rostos femininos e paisagens.
Manuel Manuel García é um artista para quem a arte não era considerada um refúgio, mas sim uma forma de expressão.

31 julho 2009

A incultura generalizada


O fotógrafo Paulo Nozolino viu, com espanto, que o n.º 19 da revista Artes & Leilões trazia na capa a fotografia Lagos 1979, de que é autor. Publicada sem autorização e desconfigurada, a fotografia representa a mãe do seu filho "na água de um Algarve infelizmente perdido."
O fotógrafo protestou junto do director da publicação e a resposta foi: que Nozolino deveria “estar contente com a publicação em capa da imagem” e que o mesmo facto “faria subir a sua cotação no mercado”.
Bem ao jeito alarve dos burgessos que atravancam tudo o que é lugar soit disant cultural e que serve para sacar uns quantos euros, maioritariamente ao erário público.
O episódio vem num post da frenesi, intitulado Os azeiteiros da "Artes & Leitões".

Hoje estou que não atino


Às vezes é assim, o prato com os restos vai parar ao frigorífico e a meia garrafa de vinho branco quase vai parar ao lixo. Ou então é o pano do pó que vai parar à gaveta dos condimentos... Isto para não falar da troca de letras, dos nomes trocados ou de querer arrancar em terceira.
Segundo Rui Costa (coordenador do departamento de Neurobiologia da Acção da Fundação Champalimaud), nos nossos neurónios que parecem árvores cheias de ramos o stress crónico decepa galhos nas duas regiões ligadas aos comportamentos intencionais e faz nascer novos ramos no campo cerebral da rotina. Na luta de equilíbrios, a rotina parece sair vencedora.
Há diferentes tipos de stress. Sabe-se por exemplo que, nalgumas situações, o stress agudo pode até ser benéfico para a eficácia na execução de uma tarefa. Daí que existam pessoas que dizem que funcionam melhor em stress, mas o stress crónico é diferente: "Uma coisa é estarmos stressados porque temos uma apresentação no dia seguinte ou um artigo importante para apresentar. Outra coisa é ter isso todos os dias, durante meses", diz Rui Costa.
Pessoas que sofrem de stress crónico, na hora de decidir têm maior probabilidade de reagir de forma mecânica, por hábito, sem analisar as consequências da acção.
Tudo num estudo, publicado na revista "Science" e realizado por uma equipa coordenada por Nuno Sousa, do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde (ICVS) da Universidade do Minho, e Rui Costa, na altura nos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos e actualmente investigador no programa de Neurociência da Fundação Champalimaud.

30 julho 2009

O afundamento da escola


A culpa dos maus resultados nos exames só pode ser uma: dos alunos. Porque não fazem o que deviam fazer, estudar. E durante as aulas estão sempre a tentar que os profs não dêem matéria, mas que conversem.
Se houvesse sinais exteriores de que a escola não é para brincar, pois tem outra função, talvez alunos e pais percebessem que as explicações por si só não ajudam e que sem vontade dos alunos não se vai a lado nenhum.
Toda a gente quer que os médicos saibam as respostas para os problemas que têm. Já pensaram que se os médicos não estudarem, não se actualizarem pouco sabem? Ficam contentes quando encontram médicos assim?
Muitas outras profissões exigem rigor, conhecimentos, saber, mas, curiosamente, Portugal deve ser, juntamente com Espanha e Itália, dos poucos países em que pouco se valoriza a escola.
Qualquer emigrante de leste tem filhos bem preparados e que alcançam óptimos resultados, mesmo não sendo o português a língua materna. Como é que os autóctones são tão grunhos?
Atirar as culpas para cima do Ministério é atirar areia para os olhos das pessoas, embora este Ministério tenha dado demasiados sinais de paralisia mental e tenha contribuído para a ideia de que com eles tudo ia ser tão fácil como limpar o tutu ao Menino Jesus. Pelos vistos não foi. Mas será que aprenderam a lição ou será que apenas vão engrossar o grande número de ressentidos contra a escola?

Sobredotado


Juan Ramón Jiménez (1881-1958) é um poeta espanhol pouco conhecido deste lado da fronteira, quiçá por ter recebido o Prémio Nobel dois anos antes da morte. Mesmo no seu país natal, Espanha, pouca atenção lhe deram durante décadas. Ultimamente, tem vindo a ser resgatado e sucede-se a edição de livros seus ou de livros sobre a sua vida e obra.
Mais: de Juan Ramón Jiménez têm sido publicados novos títulos a um ritmo maior do que o de muitos escritores vivos. Porque o autor deixou muita coisa por publicar. Assim, depois das seis mil páginas da Espasa Calpe, com a sua obra poética em verso e em prosa, já vieram a público mais inéditos e estão para sair alguns livros, durante o corrente ano e nos próximos: dois livros de poemas inéditos, uma biografia em imagens, dois volumes de correspondência, a primeira reedição dos seus "cuadernos" e a versão definitiva de um livro seu sobre a Guerra Civil. Virá depois Monumento de amor, o volume que dedicou à sua mulher, Zenobia Camprubí, e Vida, a monumental autobiografia a que o autor dedicou os últimos anos da sua existência.
Quem quiser saber o resto, apenas tem de passear até este artigo de J. R.Marcos.

29 julho 2009

Baleias na Praia da Vitória


A baía da Praia recebeu a inesperada visita de quatro baleias de bico. Uma morreu e já foi removida do areal, as outras ainda há pouco se debatiam com o aparato dos meios da Marinha, que tentava a todo o custo salvá-las, levando-os para mar alto.
Entraram na baía ao final da tarde de ontem, terça-feira e, desde essa altura, têm resistido a todos os esforços feitos para as conduzir de novo para o oceano.
A baleia que morreu hoje foi retirada e transportada para o Matadouro Industrial da Terceira, onde será analisada por especialistas para determinar a causa da morte.

27 julho 2009

Coitado do pobre

Bastaram as eleições europeias para o pobre descobrir aquilo que já todos sabíamos: que governar à direita e ser do centro dá maus resultados.
Sócrates perdeu. O PS perdeu. A cosmética de última hora não engana ninguém. As autárquicas serão um parênteses para a grande derrota do PS. Partido que jamais chegara à maioria absoluta e que nunca mais a deve voltar a ter. Fica com tiques de arrogância e torna-se prepotente.
A democracia é uma máscara com que brinca, mas o maralhal não é tão parvo quanto o PS e Sócrates crêem.
Dizer mal ou bem de Sócrates é secundário. O que importa é o legado dele. E que legado é esse? Em que é que o país se transformou? Santana foi corrido do governo do país e por causa dele Sócrates alcançou a maioria absoluta. Prometeu reduzir o défice e fartou-se de brincar com a sua massa eleitoral de apoio. O défice aumentou e muito.
Prometeu criar emprego e o desemprego disparou.
Conseguiu que a classe profissional mais egoísta e desunida cerrasse fileiras contra o seu Ministério da Educação.
Mostrou como ter sucesso educativo: ser militante de carreira e fazer o curso com cartões, depois de ter tacho público de relevo.
E aos poucos os portugueses que tinham dúvidas perceberam quem é que Sócrates estava a defender, a quem é que ele dava o dinheiro dos contribuintes. Os que trabalham têm de apertar o cinto, receber menos reforma (quando lá chegam e se chegam). Os que vivem da especulação recebem salários opíparos, refastelam-se com as prebendas públicas (dinheiro dos contribuintes - dos que trabalham e não são familiares de Sócrates, fugindo ao fisco ou adquirindo propriedades 10 vezes superiores ao vencimento que declaram auferir).
Isto não é dizer mal, é apenas contribuir para o bem-estar de um país em que pouco mais se pode fazer além de gastar uns tiros de pólvora seca. Enquanto não chegam as eleições, claro.
Quanto a Sócrates, quem se lembrará dele na próxima legislatura?

25 julho 2009

"Dos mujeres y un paisaje" de Víctor Manuel García, pintor cubano (1897-1969)


A entrevista do Ministro da Cultura



Bem vistas as coisas, o problema da cultura (nunca referido pelo ministro) é a falta de formação. Ou seja, um problema de educação. O ensino público não promove o gosto nem pela música, nem pelas artes plásticas (que tanto entusiasmam o senhor ministro), nem pelo teatro, nem pela dança, nem pela literatura. Sem público não há meios (lógica do discurso ministerial).
No entanto, o senhor ministro parece acreditar que o mais importante é o discurso (algo cada vez mais recorrente na retórica de diversos governos PSD e PS). Por isso, a excitação com o Museu da Viagem. E sempre tudo em Lisboa, claro, pois durante este ano e meio o senhor ministro já gastou muito com a província.
Claro que sem dinheiro não há milagres e o senhor ministro da cultura orgulha-se de ter feito bastante sem meios. A lógica centralista tem destas coisas, não se percebe que o "discurso" Portugal só começou a fazer sentido porque houve uma unidade linguística entre norte e sul, entre interior e litoral. Mas, mesmo para um ministro tão entusiasmado com discursos, isso parece ficar esquecido. É como se Portugal só fizesse sentido depois dos descobrimentos. Porque já há quem fala da primeira globalização e não há como estes chavões para entusiasmar a retórica política.
Numa coisa estamos de acordo com o senhor ministro: Portugal continua a ter uma élite cultural cujo discurso permanece contaminado pelos discursos oitocentistas. Ele próprio parece um exemplo cabal disso. Mal começou a falar do Douro viu-se que não tinha nada para dizer. Coisa estranha para um entusiasta dos discursos.
Tirem os políticos de Lisboa e levem-nos a passear pelo país. No mínimo, devem conhecer o território que vão gerir. Portugal não é apenas Lisboa.
Portugal pode produzir muitos discursos. Tem história para isso. Mas precisa que seja definida uma política: uma visão. Sem isso não há discursos que valham. E também precisa que a escola deixe de estar tão preocupada com a estatística e haja formação de formadores culturais, com circulação dos agentes pelo todo nacional. É preciso que o teatro circule, que a dança e o bailado façam o mesmo, que certas exposições nacionais, cheguem a todo o lado (e como deslocar obras é impossível, dado o custo, que as façam chegar virtualmente a todo o lado, como um desígnio político, como uma obrigação pública), para passarmos "da cultura do saber, a cultura dos doutores, para uma cultura do fazer".