21 junho 2009

Corrida de saltos altos


Pela primeira vez em Portugal, a prova de corrida de saltos altos (stiletto) realizou-se no passeio marítimo de Alcântara, em Lisboa. Acorreram à linha de partida cerca de 300 pares de sapatos. Depois, foi ver quem, após os 280 metros de "pista", conseguia cortar a meta em primeiro lugar. A sorte e a destreza sorriram a Maria Filipa Guedes, que ficou assim com os mil euros.
Berlim (ver filme), Sydney, Moscovo, Amsterdão, Sófia foram outras cidades onde decorreram edições anteriores. As regras são simples, ser maior de dezoito anos e levar uns sapatos de salto alto, no mínimo com sete centímetros de altura. O resto é agilidade e boa disposição.



Criar empregos


A China está preocupada com a crise, vai daí pensa recrutar milhares de pessoas para... censurar a "lascívia".
As ditaduras sempre se preocupam com o que os seus cidadãos lêem, vêem e ouvem. Gostariam, claro, que apenas lessem, vissem, ouvissem, pensassem e sentissem o que os chefes querem.
O Google é um dos visados pela comissão de censura chinesa.
Na China a lascívia está apenas ao alcance dos altos membros do Partido.
Viva o Partido! Abaixo a lascívia... para os outros.

O paraíso da internet


Uma rapariga chamada Agustina Vivero tornou-se um fenómeno internacional por ser... flogger. Não é nenhuma beldade, não joga futebol, nem possui dotes relevantes. Diz ela "Sou uma celebridade 'quenem': que nem dança, que nem canta, que nem é actriz (...). Creio que tenho popularidade graças a uma página de Internet". A página é o fotoblog Cumbio. Tem 18 anos, é argentina, lésbica, gosta de comida de plástico e é afirmativa.
O fenómeno terá começado a 30 de Dezembro de 2007, quando Agustina Vivero decidiu reunir os seus amigos virtuais e fazer una festa. O fotoblog tinha poucas visitas e ela convidou vinte e quatro para a festa, mas foram trezentos. Em Janeiro de 2008, convocou-os novamente para um encontro à porta de um centro comercial de Buenos Aires chamado Abasto. No quinto encontro eram já três mil.
Essa multidão de adolescentes que segue um líder espontâneo chamou a atenção dos adultos. A notícia saltou para os jornais diários, para as revistas e para a televisão, por onde ela se passeou, falando com naturalidade da sua vida, dos seus pais, da sua namorada. Pouco depois recebeu uma proposta da Nike para uma campanha publicitária de roupa desportiva. A seguir veio o convite para um livro que relatasse a sua vida, Yo, Cumbio (Planeta Argentina, 2008).
Actualmente, as discotecas de toda a Argentina oferecem-lhe dinheiro -500 euros por noite- a troco da sua presença. Tem uma linha de perfumes e de vernizes de unhas, prepara um programa de televisão para adolescentes produzido pela Endemol, estuda jornalismo e continua a viver na mesma modesta casa em que vivia.
O fenómeno Cumbio há muito saltou fronteiras e jornais de referência como o New York Times já lhe dedicaram páginas. O mais recente foi o El País, onde colhemos a informação.

20 junho 2009

Chapéus há muitos 2





Chapéus há muitos







A moda sempre foi um sinal de civilização. Ao mesmo tempo, sempre incomodou, por mexer com a vaidade, a inveja, o poder, o dinheiro.
Hoje, que é sábado, trazemos aqui umas imagens do Royal Ascot ou das mulheres que aproveitam para mostrar a sua criatividade e o seu gosto no dia dos chapéus.

19 junho 2009

Jean-Michel Maulpoix


Dans les rues de la ville, il y a les excréments canins.
La passante d’aujourd’hui téléphone en marchant. Elle porte sur les oreilles un walkman.
La passante de naguère est devenue touriste.
La rue appartient aux « rollerbladers » : à ceux qui circulent et qui glissent, et non à ceux qui cherche ce mystérieux quelque chose qu’on appelle « la modernité ». Ceux qui roulent sur leurs patins ou sur leur trotinette ne cherchent rien : ils jouissent d’eux-mêmes. Voici que la rue s’est changée en salle de jeux ou terrain de sport...
On pourrait continuer ainsi...
« Dans les rues de la ville » : il y a trop de lenteur et de romantisme tardif dans cette expression, trop de flânerie heureuse ou mélancolique. Trop d’état d’âme pourrait-on dire. Trop d’élégie latente. Voilà donc un motif à présent nostalgique qui ne rend compte ni de notre réalité ni de notre vitesse.

Jean-Michel Maulpoix, Dans les rues de la ville ...

Fonte: JMM

Boca do Lobo nas bocas do mundo do design





Boca do Lobo é uma empresa de design que fica situada em Rio Tinto (arredores do Porto) e que muito tem dado que falar. O culpado é Pedro Sousa, cuja ambição é trabalhar com a NASA, a Agência Espacial Americana. Porquê? "Costumo dizer que, se um dia pudéssemos trabalhar com a NASA ia ser perfeito, porque a função deles é pesquisar novos materiais. Sempre que houve saltos no design foi muito devido às evoluções tecnológicas".
A Boca do Lobo tem outros dois designers, Amândio Pereira e Ricardo Magalhães, que, com Pedro experimentam, ousam, inovam. Com eles trabalham artesãos que fazem à mão as peças por eles arquitectadas. No início, a relação com os marceneiros não era muito pacífica. Torciam o nariz aos desenhos e às teorias de geometria descritiva. A persistência e alguma teimosia do artista resolveram o problema. "Hoje são os primeiros a querer coisas novas. Vêem o seu trabalho valorizado, vêem o que aprenderam uma vida inteira a ser aproveitado".
"Temos de fazer coisas que sejam a nossa visão do design, mas que as pessoas se identifiquem com elas. Não vale a pena fazer uma peça brilhante conceptualmente que só serve para outros designers, ou para estar num museu. O interessante é encontrar uma pessoa no outro lado do mundo que compreende essas peças, gosta delas e as compra".

Fonte: JN

Os Açores e os militares americanos

Quando se fala dos treinos aéreos nos Açores, a grande questão parece ser a do dinheiro (as "contrapartidas"). De facto, como já aqui dissemos, são meia dúzia os que vivem no concelho da Praia da Vitória, percurso usado pelas aeronaves. Falamos portanto de nada. Tanto mais que grande parte das pessoas que ali vivem nada farão que contrarie os desígnios americanos, quer por uma tradição de indiferença, quer pela dependência que ainda persiste.
Aqueles que se incomodam com o ruído, com a poluição atmosférica e com possíveis danos nas habitações são uma minoria.
Espanta-nos que só os deputados do PSD tenham inquirido nesse sentido o ministro dos Negócios Estrangeiros. Porque o PS também tem deputados eleitos pela Terceira na Assembleia da República.

18 junho 2009

Jorge de Sena


A ditadura obrigou-o a sair. Foi para o Brasil. Dali para os EUA (Santa Bárbara, Califórnia), onde trabalhou e morreu (1919-1978). Mécia de Sena ficou com o encargo da obra e, ao que se sabe, descurou obra própria em nome da do marido. A ela, mais uma vez, se deve a doação de manuscritos, objectos pessoais, obras de arte e a biblioteca do autor à Biblioteca Nacional de Portugal. Falta trasladar os restos mortais do autor para o nosso país.
O espólio de Jorge de Sena manterá a sua unidade e terá uma cota própria - a JS -, pois não será integrado nas respectivas colecções existentes na BNP. Quanto à sua consulta, os manuscritos só estarão disponíveis após ter-se completado o processo de inventariação e catalogação, que ainda demorará alguns meses. É neste período que se segue que os técnicos da Biblioteca aguardam por algumas surpresas, à medida que forem trabalhando o espólio, como o de poderem encontrar documentos inesperados. Entre os documentos já inventariados destacam-se várias cartas para Eugénio de Andrade, Ruy Cinatti e Ruy Belo, as recebidas de José Régio, os manuscritos em versão dactiloscrita de Sinais de Fogo, as Líricas, várias peças de teatro e muitos cadernos de poesia, artigos publicados em jornais e muitas notas pessoais e literárias.
Para completar o espólio doado à BNP, falta ainda chegar a Lisboa um grupo de obras pertencentes à sua colecção de arte privada. Aí se incluem obras de Dominguez Alvarez, António Dacosta, Vespeira e Bartolomeu Cid dos Santos, (datadas de 1940, 1950 e 1960) e uma pintura de José Augusto França.
Tantos anos depois e após muita zanga e outros imbróglios, Sena regressa aonde sempre pertenceu: Portugal. E bem se pode dizer que só temos a ganhar com isso, pois ele foi, além de um extraordinário poeta, um crítico rigoroso, autor de várias obras de referência sobre a nossa literatura, sem deixar de ser, também, um grande divulgador da poesia de outras línguas.

Rodrigo Leão

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Constança Capdeville

Há nomes que são conhecidos de poucos. Sempre foi assim, continua a ser assim e não há razão para pensar que no futuro seja diferente.
Constança Capdeville nasceu em Barcelona e viveu e trabalhou em Portugal, onde faleceu. Foi compositora, pianista e percussionista, "precursora da escrita de obras para teatro musical em Portugal, género a que se dedicou mais especialmente a partir da década de 1980 com o grupo ColecViva, que fundou e dirigiu. A criação de Constança espelha assim a reflexão estética sobre a indissociabilidade entre a vida e as artes, sem nunca esquecer a importância da pesquisa sonora, corporal/gestual e literária da obra. É também de realçar a utilização de elementos cénicos em algumas das suas peças de câmara e a escrita de música para cinema." Ver mais aqui. Aqui e aqui.


17 junho 2009

Trânsito



Mais de metade das estradas portuguesas não estão bem sinalizadas, diz o título da notícia. Há muito isso é do conhecimento das pessoas, havendo mesmo uma série de gente que se dedica a fotografar dislates.
O que acontece é que foram pela primeira vez sistematizados num estudo da Associação Portuguesa de Fabricantes e Empreiteiros de Sinalização (AFESP) os muitos problemas das estradas de Portugal, nomeadamente, linhas tortas, apagadas, invisíveis ou pouco claras de noite e marcas que apontam para zonas erradas ou que contrariam os sinais verticais de trânsito.
Espera-se que em breve, fruto da campanha e do prémios desapareçam os absurdos que abundam pelo território nacional.

A sagrada predação


Há por aí, por aqui e por ali uma espécie de gente que sempre se elogia a si própria, sempre diz que o que faz é óptimo, quando não outro superlativíssimo. Há gente que não se enxerga e que sempre toma os outros por parvos.
Nem sempre, no entanto, pessoas assim encontram a única reacção aceitável, o sorriso de quem compreende e perdoa (isto falando em países de matriz cristã). Há quem reaja mal e se sinta ofendido, saltando para a arena e desembainhando a espada. Outros, optam pelo silêncio, sendo este ora de indiferença, ora de ressentimento.
O que custa mais a entender é que muitas dessas pessoas com o ego inflamado obtêm boas recompensas sociais, como se os seus pares, irmanados na mesma doença, tivessem estabelecido um pacto: o da sagrada predação.

16 junho 2009

15 junho 2009

Cultura não dá votos


Escolas que não sejam para imbecilizar alunos não têm apoios. Projectos que visem o desenvolvimento e a formação de públicos e consequentemente o desenvolvimento do país parecem votados ao fracasso.
No país de Sócrates e quejandos, a cultura é um apêndice ou algo afim da propaganda. O resto, são cantigas... pimba.
O que está a acontecer com Belgais é desolador e mostra quanto o interior do país é pobre e quanto o país é triste. Triste porque continua a pensar que tudo se resume à casinha, ao popó e aos trapinhos.
Belgais merecia mais. E vai sendo tempo do país acordar.

Da ignorância


É boa quando é douta. E má quando é parlamentar. Assim diz o título da notícia: "Vítor Constâncio afirma que os deputados são ignorantes".

Destaca-se ainda isto: "Há momentos em que fico muito satisfeito por não ser advogado", afirmou Vítor Constâncio.

Será que os advogados são ignorantes? Meus caros, venham de lá os vossos silogismos.

Demasiado...


Em 200o fui transferido do desemprego para um salário de 500 euros mês. Fui a grande contratação do Banco XPN. Algum tempo depois a minha carreira acabou, o banco despediu-me, pois para limpar o chão e o resto tinham quem fizesse o mesmo mais barato. A despromoção custou-me algumas risadas e umas quantas rodadas. Cerveja sem álcool, claro. Sempre fui um indefectível do Figo, até lhe escrevi um poema.
Agora vejo que ele está indignado com os valores da contratação do Cristiano Ronaldo. E, mais uma vez, concordo com ele. É uma vergonha gastar tanto dinheiro com o rapaz. Com ele, Figo, gastaram um pouco menos, mas, carago, foram 61,7 milhões de euros de há 9 anos. Agora, ainda por cima com a crise, o Cristiano não deveria ter ultrapassado o Luís Figo. Prémios ou o número da camisola, ainda vá que não vá, mas em valor de mercado não. De resto, Figo é um doutor e o Cristiano ainda não passa de um menino. Mas só o tempo dirá se Cristiano cresce e Madrid não o mata. Ao Figo não matou, embora em Barcelona não tenham gostado nada da brincadeira.
O que parece estar a matá-lo é o fenómeno Cristiano. E não se percebe porquê. O percurso profissional tem pontos de contacto.

Da fama



Ser uma estrela tem os seus quês. Que o diga Paris Hilton, que voltou a provar o gosto das parangonas por ter flirtado com Cristiano Ronaldo. Não sabemos se o contrato que ele assinou com o clube espanhol inclui os flirts e se aufere mais uns quantos milhares por isso.
Já a menina Hilton precisa disso como de ar e corre a notícia de que ela terá dito a Ronaldo que, juntos, poderiam ser mais famosos do que David Beckham e Victoria Beckham.
É que o seu caso anterior fê-la perder dinheiro.
Ora, no mundo das estrelas o que importa mesmo é o nada. Quanto mais disso, melhor. E os jornais, as revistas e as televisões adoram que seja assim. Ganham todos.

13 junho 2009

O silêncio regional

O sr. secretário regional do Ambiente e do Mar, Álamo de Menezes, deve ter uma palavrinha a dizer, pois ambos serão afectados pelos treinos americanos. Mas talvez não seja de esperar grande coisa do senhor secretário, já que durante o seu magistério educativo conseguiu a proeza de acabar com a formação de professores transformando-a numa macacada que apenas serve para uns quantos brincarem às escolinhas. Se seguir o mesmo modelo no Ambiente, ainda o veremos a dizer que os aviões são um importante contributo para a ecologia açoriana.
Por ora, ainda não o ouvimos pronunciar-se sobre assunto tão delicado. Aguardamos que o faça em breve.

Açores, americanos e poluição




Não bastava terem poluído a água e deixado restos nucleares espalhados pela ilha. Agora os norte-americanos querem transformar os Açores numa escola aérea, leia-se: querem uma área de mais de 274.300 quilómetros quadrados, a norte da ilha do Corvo, como base de treino dos F-22 e, no futuro, dos F-35.
Os aviões, que atingem velocidades supersónicas e têm sistemas de armamento muito sofisticados, terão como base as Lajes. Ou seja, quem viver na Terceira vai ter de sofrer regularmente o ruído e a poluição atmosférica desses brinquedos milionários. Além, claro, dos problemas que surgirão a pouco e pouco nas habitações, fruto da forte trepidação que se faz sentir à passagem das naves.
Tudo com o OK de Lisboa, que espera contrapartidas. Estas, como é sabido, têm sido enormes. Portugal tem ganho imenso com os americanos.
De resto, para o governo de Lisboa, na ilha Terceira vive pouca gente e à volta da base menos ainda. Afectadas serão apenas umas 30 mil pessoas. Nada de significativo, portanto. Se o número de depressões aumentar, se os cancros se multiplicarem, a culpa será, como é óbvio, dos cigarros ou até, quem sabe, das touradas. Dos aviões nunca. Isso é negócio e Portugal só lucra.

11 junho 2009

75 anos de Mandrake


A 11 de Junho de 1934, saía a primeira tira de "Mandrake", criado por Lee Falk (1911-1999) - que em 1936 criaria também o Fantasma - e por Phil Davis (1906-1946), que se inspiraram no mágico (de carne o osso) Leon Mandrake, amigo de Davis.
Calmo, elegante, de bigodinho fino e belo porte, smoking, capa e cartola pretas, Mandrake aprendeu as suas artes hipnóticas na escola de magia de seu pai, Theron. Vive na sofisticada mansão de Xanadu, com a bela princesa Narda e conta sempre com a ajuda (física) de Lotário, possivelmente o primeiro negro da história da BD, caricaturado com as suas roupas de peles de animais.
No início usava a magia pura, mas esta desapareceu, por pressão de sectores cristãos, sendo substituída por dotes telepáticos e hipnóticos. E assim Mandrake enfrenta ladrões e extraterrestres.
Entre os seus principais inimigos, contam-se o seu gémeo Derek, o meio-irmão Lúcifer, mais conhecido como Cobra, e a associação criminosa "8".
O êxito dos quadradinhos levou Mandrake à rádio e ao pequeno ecrã logo em 1939 e nos anos 60 Fellini, amigo de Falk, chegou a pensar levá-lo ao cinema.

10 junho 2009

Será que a eleição já lhe fez mal à cabeça?


Rui Tavares foi eleito pelo BE para o parlamento europeu e vem hoje dizer umas quantas coisas que a mim me soaram mal. Caiu num lirismo serôdio e naquele tipo de retórica que cheira a podre.
Diz ele: "Quem olha para o mapa da Europa que saiu das eleições de domingo passado dificilmente imaginaria que ainda há dez anos, dos quinze países que a UE então tinha, quatorze eram governados por partidos socialistas e afins."
Porque é que dificilmente imaginaria se o eleitorado sempre foi instável e sempre votou para defender alguns dos seus interesses? Rui Tavares, embora novo, não nasceu hoje e sabe isso muito bem. E sabe também que é essa característica do eleitorado que obriga os tais "socialistas e afins" a encostarem-se ao centro para poderem chegar ao poder.
Talvez Tavares, na euforia da eleição, julgue que o BE tem alguma representatividade no Parlamento Europeu e possa mudar as coisas. Ou então o intróito serve tão-só para o arrazoado que vem a seguir. Mais, Tavares julga-se já tão importante que acha que quem governa pode esquecer as empresas e governar em nome de uma qualquer idílica segurança social, pois, como é do senso comum, o dinheiro cai do céu. Mais, ainda não percebeu que os "europeus e as europeias" querem é manter o seu alto nível de vida e também não parece ter percebido que os portugueses darão novamente a maioria absoluta a quem acharem que vai pôr o país nos eixos, como desde há mais de um século sonham as élites pem pensantes em que se inclui Tavares.
Mas não deixa de ser revelador que para Tavares o modelo esteja em Obama. Ou seja, na mesma lógica com que há anos alguns acreditaram que o modelo era a terceira via e estiverem com Blair.
Se o título do artigo de Tavares é pomposo e se o dito cujo está cheio de nada e nem por uma vez explica por que colapsou o centro-esquerda (tão-pouco explicita o que é isso de dentro-esquerda), mostra-nos que ser eleito para o parlamento europeu o deixou muito auto-confiante. E essa auto-confiança sempre foi (ele é historiador e sabe isso muito bem) a causa de muitas derrotas pessoais. Esperemos que lhe volte alguma da lucidez que de vez em quando parecia dar-se bem com a sua figura.

Postal para os dias de tédio

Postal para os dias de tédio


Abrimos hoje uma nova etiqueta. Um espaço aberto à colaboração de quem estiver interessado. Apenas se requer algum sentido de humor.
A primeira imagem é de um pintor russo, Viktor Vasnetsov (1848-1926).

Yoshitomo Nara





Japonês do ano da graça de 1959

Oito retratos, oito portugueses


Dois padres. Dois políticos. Dois barbeiros/cabeleireiros. Dois agricultores. Assim mesmo, aos pares. O velho e o novo. Não pelas idades mas pelos modos de agir. Uns fiéis a velhos processos, outros adeptos e viciados da internet, que lhes oferece púlpitos e palcos mais alargados.
Tudo aqui, com direito a uma pequena animação que retrata cada caso, cada idiossincrasia.
Uma amostra: "É o corte normal. O que mais me pedem é o corte normal. Sim, normal. Normal é normal. Já lhe disse que aqui não há cortes por catálogo. Aqui é assim: cortou, penteou, andou. Sempre assim. Ah, e não corto pela internet". Fala Acácio Pereira Branco, 72 anos, barbeiro na Rua de Ramalho Ortigão (Porto, " a cortar desde 1958", tchk, tchk, tchk.
Já Joaquim Guerra, 60 anos, é "escultor capilar", um artista. E, como qualquer artista, cuidadoso com a sua aparência: camisa roxa a despontar no fato preto, a crina apanhada num eterno rabo de cavalo. Ouçamo-lo: "Foi isso que mudou um mundo inteiro: cores, tons, reflexos, nuances, formas de fazer cabelo. E produtos: champôs, amaciadores, máscaras, finalizadores, até temos a queratina, não sabe o que é a queratina? É um extraordinário restaurador, é obrigatório uma vez ao ano".

Desacordo ortográfico, mais algumas achas


Carlos Heitor Cony, membro da Academia Brasileira de Letras, diz que "No tempo do Getúlio (Brasil) e de Salazar (Portugal) foram feitos acordos que não prevaleceram, porque, na realidade, quem faz a língua não são as academias, nem os governos. Quem faz a língua é o povo".
"Os portugueses jamais vão deixar de chamar o trem de 'comboio', não adianta. Em Portugal, 'facto' é 'fato', e 'fato' é 'roupa'. Também temos nossas particularidades e jamais vamos chegar a um acordo".
O jornalista José Carlos Tedesco lembra que, "entre os quase 200 milhões de brasileiros, muitos não conseguem sequer cumprir as regras antigas e, portanto, terão grande dificuldade - ou irão mesmo ignorar - as novidades".

Fonte: DN

Guerras surdas entre poderes: Petrobras e a imprensa


A multinacional brasileira Petrobras, uma das seis maiores empresas petrolíferas do mundo, criou há pouco o blogue Fatos e Dados para... publicar todas as perguntas que lhes tenham sido formuladas pelos jornalistas, bem como as respostas às mesmas, antes de mesmo de os jornais as receberem. Os jornais brasileiros estão furiosos e falam de chantagem.
Em causa está a cobertura da investigação que o Congresso brasileiro leva a cabo por causa de supostas irregularidades da administração da empresa.
Para José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, trata-se de "transparência" e (pasme-se) da vontade de "revolucionar o jornalismo no Brasil", quiçá dando razão ao Pessoa do Banqueiro Anarquista.
Num extenso editorial publicado ontem em O Globo, o jornal insurge-se e acusa a multinacional de gastar dinheiro dos contribuintes com uma redacção de mais de mil profissionais da comunicação para fins pouco claros.

09 junho 2009

Intertextualidades


Paula Rego - Dog Woman, pastel on canvas, 1994


Ela acendeu a brasa do fogão
anos e anos a fio.Esfregou o soalho
lavou a roupa e os vidros
da janela costurou bainhas
descosidas e levou toalhas a cheirar
a rosmaninho à senhora do andar
de cima.

Foi ao quintal buscar hortelã
para a canja e adormeceu ao som
das gargalhadas felizes dos meninos
hoje já todos engenheiros
com a Graça do Senhor.

Agora está atada ao côncavo
da terra por atilhos
grossos.Ladra à lua
e tudo nela
é carne e sangue.

Morde a mão
e dança a valsa
sobre o chão confuso
de algum sonho diluído lá no longe
nos botões do maestro
do coreto aos domingos e feriados.

Ela é grossa
e ladra à lua.
Sente o corpo a crepitar
e rasga o coração.

Inesperadamente
entre coágulos de sangue
fala línguas
que nunca ninguém lhe ensinou.

Está atada
à sangrenta forja
das gramáticas lunares e procura
uma palavra
um nome mesmo que obscuro
e difícil de entender.

É uma mulher grossa
e no côncavo do corpo
fala línguas
sem sentido.

Deixou secar os coentros
a salsa e a hortelã.

Chama-se cão e ladra à lua.

Vive atada
às chamas que a consomem.


José Fanha, A mulher cão, in Marinheiro de outras luas

Centro de saúde sem médicos


Tinha 58 anos, sentiu-se mal, pediu que o levassem ao centro de saúde e morreu. Morreu sem chegar a ser visto por um médico. Porque não havia nenhum.
Centros de saúde sem médicos é quase como omeletas sem ovos.
Tudo ontem de manhã, no Centro de Saúde de Ferreira do Alentejo. E assim vamos caminhando para a Europa, pedindo dinheiro para mais uns quantos automóveis, vivendas e férias douradas. Ou ao mesmo tempo que se mandam para fora estudantes, porque não temos vagas para eles estudarem medicina por cá.

08 junho 2009

Do atraso de Portugal


Portugal continua desfasado da Europa. A Europa vira à direita e Portugal continua a apoiar a esquerda.
Na Europa da direita crescem os casos de xenofobia. Portugal permanece um país tolerante, onde os pobres há muito se habituaram a ser pobres, a ter maus serviços de saúde, uma justiça medíocre, um mau funcionamento das instituições.
Enquanto os salários se mantiverem baixos, enquanto o nível de escolaridade não subir, Portugal vai alternando entre um centro baço que tem muitos pontos de contacto e, nalguns casos, serve as mesmas clientelas.
Corremos talvez o risco de nos aproximarmos de Itália, mas para isso ainda vai ser preciso que os playboys de agora cresçam muito e consigam dominar. Santana Lopes foi muito castigado em eleições nacionais. E Manuela Moura Guedes não é assim tão querida das classes baixas como se pensa.

Manias da comunicação de massas


Ainda há dias se via no PSD um partido moribundo. Bastaram as eleições de ontem para se passar do oito ao oitenta. O exagero faz parte do quotidiano de jornalistas, analistas e comentadores.
Talvez porque se confunde os resultados de ontem com o resultado de eleições que ainda não aconteceram.
Esteve bem a líder do PSD ao dizer que as eleições de ontem mostraram ao PS aquilo que parecia incapaz de ver, mesmo depois de tantos sinais públicos.
Mas é preciso não esquecer que ontem a abstenção foi elevadíssima e que, uma vez mais, os resultados da esquerda foram bons.
Sócrates teve sorte, por causa de Santana Lopes. E governou mal (prepotência, arrogância, vaidade e mais uns quantos exageros). Governou à direita, incapaz de perceber os sinais da crise. Além disso, Vital Moreira era aquilo que foi: um bom candidato para queimar. Um comunista reciclado com tiques afins dos de Sócrates. Perderam, ontem. Mas o futuro, como se costuma dizer, ...

07 junho 2009

Pouco mais de 37% do eleitorado foi votar

No cômputo geral as eleições europeias revelaram-se um flop. Os portugueses dizem mal dos políticos mas comportam-se como eles, ou seja, pouco pensam para lá do seu umbigo. É triste. Mas que se podia esperar de umas eleições em que a Europa apenas serviu de pretexto?
O número de votos em branco quase duplicou em relação a 2004. Entre os que votaram em partidos, refira-se o aumento do número de votantes no Bloco de Esquerda e no PCP-PEV (que afinal não saiu assim tão perdedor).

Os Açores e as eleições europeias

Os resultados são confrangedores. Num universo de 225552 (duzentos e vinte e cinco mil e quinhentos e cinquenta e dois) eleitores apenas votaram 48941 (21.7%). Os açorianos revelam um défice europeu grave, tanto mais que ainda não perceberam que parte da sustentabilidade do arquipélago provém da comunidade europeia.
Carlos César acha que o voto deve ser obrigatório. E tendo em conta a participação do eleitorado bem se pode dizer que tem razão.

Resultados e comentários das eleições europeias

Ouvidos os cabeças de lista eleitos a primeira conclusão é a de que há poucas ideias e excesso de clichés. A euforia visível em todos (excepto PS e CDU) mostra que as vitórias são medíocres em discurso. E na maior parte dos casos completamente inconsequentes. Interessa-lhes sempre o umbigo e pouco a vida dos que os elegem. Ou seja, após mais um acto eleitoral, a conclusão é simples: a crise tem muitos responsáveis.
Alguém ouviu um desses senhores referir-se a alguma questão europeia? Zero. Isso diz tudo.

PS: Louçã acaba de falar e disse alguma coisa, mas nada substancial. Apenas retórica.

Abstenção pode gritar: vitória vitória

Ainda falta apurar resultados. Ainda não se sabe quantos brancos e nulos houve. Para já apenas uma certeza, muito mais de 50% do eleitorado português não foi votar. De resto, um fenómeno europeu, algo que deveria inquietar Barroso e comitiva.
A campanha foi interna e da Europa pouco ou nada se falou. O milagreiro Sócrates entrou na campanha para falar de... política nacional. Perdeu!
O PSD parece ter encontrado o sucessor de Manuela Ferreira Leite. A não ser que ele se perca pelos corredores de Bruxelas.
Os que falam mau português e dizem coisas tão irritantes como "os portugueses e as portuguesas" sobem. E ascendem à terceira força política. Mantê-la-ão nas eleições que aí vêm?
A CDU mesmo com abstenção alta perde. Mas ainda sobrevive. E conserva força. Quanto tempo mais aguentará o PC?
O CDS não convence os portugueses. Paulo Portas é o rosto aliado de Barroso e Santana Lopes.