24 junho 2009

Dizer e não dizer

Agrada-me que todo o mundo saiba o que penso, mas que ninguém adivinhe o que sinto.

Preciso de pôr um pouco de ironia no que digo; sem a ironia estou despido.

Digas o que digas, no final é como se não dissesses nada.

Em silêncio sei mentir.

Quando estou absolutamente convencido do que digo, quase sempre me engano.

Nunca acredito em tudo o que acredito.

Gosto de brincar ao jogo do gato e do rato comigo mesmo.

Quando não digo nada é quando digo mais coisas.

José Luis García Martín in Café Arcadia

23 junho 2009

Malick Sidibé




Memórias de um Portugal antigo.


António Fernandes de Castro era a pessoa mais idosa de Portugal. Tinha 111 anos, era boa boca, ou seja, comia de tudo e morreu ontem. Nascido a 6 de Janeiro de 1898 (século XIX), António Fernandes de Castro viveu mais de 40.800 dias, cumprindo todo o século XX e entrando pelo século XXI.
A sua vida foi repartida entre o trabalho do campo, sobretudo no "ramo" das videiras, onde se revelou um negociante exímio, e o desempenho de vários cargos públicos, tendo sido regedor durante 33 anos. Podia entrar na casa de qualquer pessoa, mas apenas antes de o sol se pôr. Podia até prender quem infringisse as regras da Nação. No entanto, como o próprio relata num livro que a Junta de Freguesia editou aquando do seu centenário, era "um regedor bom", que nunca prendeu ninguém.
Durante dois ou três anos, foi também juiz de paz, com poderes para resolver os pequenos problemas que se passavam no seu território, mas também com autoridade para fazer conciliações em partilhas.
Outro cargo que desempenhou foi o de presidente da Junta, tendo sido no seu tempo que nasceu a primeira escola em Durrães, para evitar que os meninos da freguesia tivessem que "emigrar" para outras terras para tirar a quarta classe.
Integrou a Comissão Fabriqueira de Durrães, ficando ligado ao processo de construção da nova Igreja Paroquial.
Criou 10 filhos, que lhe deram mais de duas dezenas de netos e quase trinta bisnetos, tendo ainda conhecido dois trinetos.

22 junho 2009

Berlusconi ignora a lei?


Há pessoas que, apesar de eleitas em regimes democráticos, julgam poder estar acima das leis aprovadas pelos seus próprios partidos. Fazem-no por se considerarem ricas e porque ao fazê-lo esperam obter certo tipo de benesses. Alguns até podem considerar esses actos de transgressão um investimento.
Silvio Berlusconi é uma dessas pessoas? A justiça italiana crê que sim. E investiga o que pode ser prostituição e consumo de drogas nas casas do primeiro-ministro italiano.
Sabendo-se que as opções políticas do senhor, na linha do conservadorismo populista, são castigadoras quer quanto à prostituição, quer quanto ao consumo de estupefacientes, estamos perante uma situação muito grave. E se já associávamos Itália às histéricas gritarias familiares, não tarda olharemos para o país como a nação dos prepotentes aldabrões.

21 junho 2009

Os tormentos de Tony Blair


Tony Blair pediu ao seu sucessor, Gordon Brown, que efectuasse em segredo o inquérito independente à guerra no Iraque, por temer sujeitar-se a um julgamento público se o mesmo fosse feito às claras.
Blair parece ter ficado alarmado com a perspectiva de ter de depor em público e sob juramento quanto ao recurso a dados secretos e às suas numerosas conversações com o Presidente norte-americano George Bush quanto aos planos de avançar para a guerra.
Porque será? Aznar, Blair e Bush mais Barroso. O quarteto maravilha que jurou a pés juntos que havia armas de destruição maciça, tudo em directo da BA4, Ilha Terceira, Açores.

Corrida de saltos altos


Pela primeira vez em Portugal, a prova de corrida de saltos altos (stiletto) realizou-se no passeio marítimo de Alcântara, em Lisboa. Acorreram à linha de partida cerca de 300 pares de sapatos. Depois, foi ver quem, após os 280 metros de "pista", conseguia cortar a meta em primeiro lugar. A sorte e a destreza sorriram a Maria Filipa Guedes, que ficou assim com os mil euros.
Berlim (ver filme), Sydney, Moscovo, Amsterdão, Sófia foram outras cidades onde decorreram edições anteriores. As regras são simples, ser maior de dezoito anos e levar uns sapatos de salto alto, no mínimo com sete centímetros de altura. O resto é agilidade e boa disposição.



Criar empregos


A China está preocupada com a crise, vai daí pensa recrutar milhares de pessoas para... censurar a "lascívia".
As ditaduras sempre se preocupam com o que os seus cidadãos lêem, vêem e ouvem. Gostariam, claro, que apenas lessem, vissem, ouvissem, pensassem e sentissem o que os chefes querem.
O Google é um dos visados pela comissão de censura chinesa.
Na China a lascívia está apenas ao alcance dos altos membros do Partido.
Viva o Partido! Abaixo a lascívia... para os outros.

O paraíso da internet


Uma rapariga chamada Agustina Vivero tornou-se um fenómeno internacional por ser... flogger. Não é nenhuma beldade, não joga futebol, nem possui dotes relevantes. Diz ela "Sou uma celebridade 'quenem': que nem dança, que nem canta, que nem é actriz (...). Creio que tenho popularidade graças a uma página de Internet". A página é o fotoblog Cumbio. Tem 18 anos, é argentina, lésbica, gosta de comida de plástico e é afirmativa.
O fenómeno terá começado a 30 de Dezembro de 2007, quando Agustina Vivero decidiu reunir os seus amigos virtuais e fazer una festa. O fotoblog tinha poucas visitas e ela convidou vinte e quatro para a festa, mas foram trezentos. Em Janeiro de 2008, convocou-os novamente para um encontro à porta de um centro comercial de Buenos Aires chamado Abasto. No quinto encontro eram já três mil.
Essa multidão de adolescentes que segue um líder espontâneo chamou a atenção dos adultos. A notícia saltou para os jornais diários, para as revistas e para a televisão, por onde ela se passeou, falando com naturalidade da sua vida, dos seus pais, da sua namorada. Pouco depois recebeu uma proposta da Nike para uma campanha publicitária de roupa desportiva. A seguir veio o convite para um livro que relatasse a sua vida, Yo, Cumbio (Planeta Argentina, 2008).
Actualmente, as discotecas de toda a Argentina oferecem-lhe dinheiro -500 euros por noite- a troco da sua presença. Tem uma linha de perfumes e de vernizes de unhas, prepara um programa de televisão para adolescentes produzido pela Endemol, estuda jornalismo e continua a viver na mesma modesta casa em que vivia.
O fenómeno Cumbio há muito saltou fronteiras e jornais de referência como o New York Times já lhe dedicaram páginas. O mais recente foi o El País, onde colhemos a informação.

20 junho 2009

Chapéus há muitos 2





Chapéus há muitos







A moda sempre foi um sinal de civilização. Ao mesmo tempo, sempre incomodou, por mexer com a vaidade, a inveja, o poder, o dinheiro.
Hoje, que é sábado, trazemos aqui umas imagens do Royal Ascot ou das mulheres que aproveitam para mostrar a sua criatividade e o seu gosto no dia dos chapéus.

19 junho 2009

Jean-Michel Maulpoix


Dans les rues de la ville, il y a les excréments canins.
La passante d’aujourd’hui téléphone en marchant. Elle porte sur les oreilles un walkman.
La passante de naguère est devenue touriste.
La rue appartient aux « rollerbladers » : à ceux qui circulent et qui glissent, et non à ceux qui cherche ce mystérieux quelque chose qu’on appelle « la modernité ». Ceux qui roulent sur leurs patins ou sur leur trotinette ne cherchent rien : ils jouissent d’eux-mêmes. Voici que la rue s’est changée en salle de jeux ou terrain de sport...
On pourrait continuer ainsi...
« Dans les rues de la ville » : il y a trop de lenteur et de romantisme tardif dans cette expression, trop de flânerie heureuse ou mélancolique. Trop d’état d’âme pourrait-on dire. Trop d’élégie latente. Voilà donc un motif à présent nostalgique qui ne rend compte ni de notre réalité ni de notre vitesse.

Jean-Michel Maulpoix, Dans les rues de la ville ...

Fonte: JMM

Boca do Lobo nas bocas do mundo do design





Boca do Lobo é uma empresa de design que fica situada em Rio Tinto (arredores do Porto) e que muito tem dado que falar. O culpado é Pedro Sousa, cuja ambição é trabalhar com a NASA, a Agência Espacial Americana. Porquê? "Costumo dizer que, se um dia pudéssemos trabalhar com a NASA ia ser perfeito, porque a função deles é pesquisar novos materiais. Sempre que houve saltos no design foi muito devido às evoluções tecnológicas".
A Boca do Lobo tem outros dois designers, Amândio Pereira e Ricardo Magalhães, que, com Pedro experimentam, ousam, inovam. Com eles trabalham artesãos que fazem à mão as peças por eles arquitectadas. No início, a relação com os marceneiros não era muito pacífica. Torciam o nariz aos desenhos e às teorias de geometria descritiva. A persistência e alguma teimosia do artista resolveram o problema. "Hoje são os primeiros a querer coisas novas. Vêem o seu trabalho valorizado, vêem o que aprenderam uma vida inteira a ser aproveitado".
"Temos de fazer coisas que sejam a nossa visão do design, mas que as pessoas se identifiquem com elas. Não vale a pena fazer uma peça brilhante conceptualmente que só serve para outros designers, ou para estar num museu. O interessante é encontrar uma pessoa no outro lado do mundo que compreende essas peças, gosta delas e as compra".

Fonte: JN

Os Açores e os militares americanos

Quando se fala dos treinos aéreos nos Açores, a grande questão parece ser a do dinheiro (as "contrapartidas"). De facto, como já aqui dissemos, são meia dúzia os que vivem no concelho da Praia da Vitória, percurso usado pelas aeronaves. Falamos portanto de nada. Tanto mais que grande parte das pessoas que ali vivem nada farão que contrarie os desígnios americanos, quer por uma tradição de indiferença, quer pela dependência que ainda persiste.
Aqueles que se incomodam com o ruído, com a poluição atmosférica e com possíveis danos nas habitações são uma minoria.
Espanta-nos que só os deputados do PSD tenham inquirido nesse sentido o ministro dos Negócios Estrangeiros. Porque o PS também tem deputados eleitos pela Terceira na Assembleia da República.

18 junho 2009

Jorge de Sena


A ditadura obrigou-o a sair. Foi para o Brasil. Dali para os EUA (Santa Bárbara, Califórnia), onde trabalhou e morreu (1919-1978). Mécia de Sena ficou com o encargo da obra e, ao que se sabe, descurou obra própria em nome da do marido. A ela, mais uma vez, se deve a doação de manuscritos, objectos pessoais, obras de arte e a biblioteca do autor à Biblioteca Nacional de Portugal. Falta trasladar os restos mortais do autor para o nosso país.
O espólio de Jorge de Sena manterá a sua unidade e terá uma cota própria - a JS -, pois não será integrado nas respectivas colecções existentes na BNP. Quanto à sua consulta, os manuscritos só estarão disponíveis após ter-se completado o processo de inventariação e catalogação, que ainda demorará alguns meses. É neste período que se segue que os técnicos da Biblioteca aguardam por algumas surpresas, à medida que forem trabalhando o espólio, como o de poderem encontrar documentos inesperados. Entre os documentos já inventariados destacam-se várias cartas para Eugénio de Andrade, Ruy Cinatti e Ruy Belo, as recebidas de José Régio, os manuscritos em versão dactiloscrita de Sinais de Fogo, as Líricas, várias peças de teatro e muitos cadernos de poesia, artigos publicados em jornais e muitas notas pessoais e literárias.
Para completar o espólio doado à BNP, falta ainda chegar a Lisboa um grupo de obras pertencentes à sua colecção de arte privada. Aí se incluem obras de Dominguez Alvarez, António Dacosta, Vespeira e Bartolomeu Cid dos Santos, (datadas de 1940, 1950 e 1960) e uma pintura de José Augusto França.
Tantos anos depois e após muita zanga e outros imbróglios, Sena regressa aonde sempre pertenceu: Portugal. E bem se pode dizer que só temos a ganhar com isso, pois ele foi, além de um extraordinário poeta, um crítico rigoroso, autor de várias obras de referência sobre a nossa literatura, sem deixar de ser, também, um grande divulgador da poesia de outras línguas.

Rodrigo Leão

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Constança Capdeville

Há nomes que são conhecidos de poucos. Sempre foi assim, continua a ser assim e não há razão para pensar que no futuro seja diferente.
Constança Capdeville nasceu em Barcelona e viveu e trabalhou em Portugal, onde faleceu. Foi compositora, pianista e percussionista, "precursora da escrita de obras para teatro musical em Portugal, género a que se dedicou mais especialmente a partir da década de 1980 com o grupo ColecViva, que fundou e dirigiu. A criação de Constança espelha assim a reflexão estética sobre a indissociabilidade entre a vida e as artes, sem nunca esquecer a importância da pesquisa sonora, corporal/gestual e literária da obra. É também de realçar a utilização de elementos cénicos em algumas das suas peças de câmara e a escrita de música para cinema." Ver mais aqui. Aqui e aqui.


17 junho 2009

Trânsito



Mais de metade das estradas portuguesas não estão bem sinalizadas, diz o título da notícia. Há muito isso é do conhecimento das pessoas, havendo mesmo uma série de gente que se dedica a fotografar dislates.
O que acontece é que foram pela primeira vez sistematizados num estudo da Associação Portuguesa de Fabricantes e Empreiteiros de Sinalização (AFESP) os muitos problemas das estradas de Portugal, nomeadamente, linhas tortas, apagadas, invisíveis ou pouco claras de noite e marcas que apontam para zonas erradas ou que contrariam os sinais verticais de trânsito.
Espera-se que em breve, fruto da campanha e do prémios desapareçam os absurdos que abundam pelo território nacional.

A sagrada predação


Há por aí, por aqui e por ali uma espécie de gente que sempre se elogia a si própria, sempre diz que o que faz é óptimo, quando não outro superlativíssimo. Há gente que não se enxerga e que sempre toma os outros por parvos.
Nem sempre, no entanto, pessoas assim encontram a única reacção aceitável, o sorriso de quem compreende e perdoa (isto falando em países de matriz cristã). Há quem reaja mal e se sinta ofendido, saltando para a arena e desembainhando a espada. Outros, optam pelo silêncio, sendo este ora de indiferença, ora de ressentimento.
O que custa mais a entender é que muitas dessas pessoas com o ego inflamado obtêm boas recompensas sociais, como se os seus pares, irmanados na mesma doença, tivessem estabelecido um pacto: o da sagrada predação.

16 junho 2009

15 junho 2009

Cultura não dá votos


Escolas que não sejam para imbecilizar alunos não têm apoios. Projectos que visem o desenvolvimento e a formação de públicos e consequentemente o desenvolvimento do país parecem votados ao fracasso.
No país de Sócrates e quejandos, a cultura é um apêndice ou algo afim da propaganda. O resto, são cantigas... pimba.
O que está a acontecer com Belgais é desolador e mostra quanto o interior do país é pobre e quanto o país é triste. Triste porque continua a pensar que tudo se resume à casinha, ao popó e aos trapinhos.
Belgais merecia mais. E vai sendo tempo do país acordar.