20 junho 2009

Chapéus há muitos 2





Chapéus há muitos







A moda sempre foi um sinal de civilização. Ao mesmo tempo, sempre incomodou, por mexer com a vaidade, a inveja, o poder, o dinheiro.
Hoje, que é sábado, trazemos aqui umas imagens do Royal Ascot ou das mulheres que aproveitam para mostrar a sua criatividade e o seu gosto no dia dos chapéus.

19 junho 2009

Jean-Michel Maulpoix


Dans les rues de la ville, il y a les excréments canins.
La passante d’aujourd’hui téléphone en marchant. Elle porte sur les oreilles un walkman.
La passante de naguère est devenue touriste.
La rue appartient aux « rollerbladers » : à ceux qui circulent et qui glissent, et non à ceux qui cherche ce mystérieux quelque chose qu’on appelle « la modernité ». Ceux qui roulent sur leurs patins ou sur leur trotinette ne cherchent rien : ils jouissent d’eux-mêmes. Voici que la rue s’est changée en salle de jeux ou terrain de sport...
On pourrait continuer ainsi...
« Dans les rues de la ville » : il y a trop de lenteur et de romantisme tardif dans cette expression, trop de flânerie heureuse ou mélancolique. Trop d’état d’âme pourrait-on dire. Trop d’élégie latente. Voilà donc un motif à présent nostalgique qui ne rend compte ni de notre réalité ni de notre vitesse.

Jean-Michel Maulpoix, Dans les rues de la ville ...

Fonte: JMM

Boca do Lobo nas bocas do mundo do design





Boca do Lobo é uma empresa de design que fica situada em Rio Tinto (arredores do Porto) e que muito tem dado que falar. O culpado é Pedro Sousa, cuja ambição é trabalhar com a NASA, a Agência Espacial Americana. Porquê? "Costumo dizer que, se um dia pudéssemos trabalhar com a NASA ia ser perfeito, porque a função deles é pesquisar novos materiais. Sempre que houve saltos no design foi muito devido às evoluções tecnológicas".
A Boca do Lobo tem outros dois designers, Amândio Pereira e Ricardo Magalhães, que, com Pedro experimentam, ousam, inovam. Com eles trabalham artesãos que fazem à mão as peças por eles arquitectadas. No início, a relação com os marceneiros não era muito pacífica. Torciam o nariz aos desenhos e às teorias de geometria descritiva. A persistência e alguma teimosia do artista resolveram o problema. "Hoje são os primeiros a querer coisas novas. Vêem o seu trabalho valorizado, vêem o que aprenderam uma vida inteira a ser aproveitado".
"Temos de fazer coisas que sejam a nossa visão do design, mas que as pessoas se identifiquem com elas. Não vale a pena fazer uma peça brilhante conceptualmente que só serve para outros designers, ou para estar num museu. O interessante é encontrar uma pessoa no outro lado do mundo que compreende essas peças, gosta delas e as compra".

Fonte: JN

Os Açores e os militares americanos

Quando se fala dos treinos aéreos nos Açores, a grande questão parece ser a do dinheiro (as "contrapartidas"). De facto, como já aqui dissemos, são meia dúzia os que vivem no concelho da Praia da Vitória, percurso usado pelas aeronaves. Falamos portanto de nada. Tanto mais que grande parte das pessoas que ali vivem nada farão que contrarie os desígnios americanos, quer por uma tradição de indiferença, quer pela dependência que ainda persiste.
Aqueles que se incomodam com o ruído, com a poluição atmosférica e com possíveis danos nas habitações são uma minoria.
Espanta-nos que só os deputados do PSD tenham inquirido nesse sentido o ministro dos Negócios Estrangeiros. Porque o PS também tem deputados eleitos pela Terceira na Assembleia da República.

18 junho 2009

Jorge de Sena


A ditadura obrigou-o a sair. Foi para o Brasil. Dali para os EUA (Santa Bárbara, Califórnia), onde trabalhou e morreu (1919-1978). Mécia de Sena ficou com o encargo da obra e, ao que se sabe, descurou obra própria em nome da do marido. A ela, mais uma vez, se deve a doação de manuscritos, objectos pessoais, obras de arte e a biblioteca do autor à Biblioteca Nacional de Portugal. Falta trasladar os restos mortais do autor para o nosso país.
O espólio de Jorge de Sena manterá a sua unidade e terá uma cota própria - a JS -, pois não será integrado nas respectivas colecções existentes na BNP. Quanto à sua consulta, os manuscritos só estarão disponíveis após ter-se completado o processo de inventariação e catalogação, que ainda demorará alguns meses. É neste período que se segue que os técnicos da Biblioteca aguardam por algumas surpresas, à medida que forem trabalhando o espólio, como o de poderem encontrar documentos inesperados. Entre os documentos já inventariados destacam-se várias cartas para Eugénio de Andrade, Ruy Cinatti e Ruy Belo, as recebidas de José Régio, os manuscritos em versão dactiloscrita de Sinais de Fogo, as Líricas, várias peças de teatro e muitos cadernos de poesia, artigos publicados em jornais e muitas notas pessoais e literárias.
Para completar o espólio doado à BNP, falta ainda chegar a Lisboa um grupo de obras pertencentes à sua colecção de arte privada. Aí se incluem obras de Dominguez Alvarez, António Dacosta, Vespeira e Bartolomeu Cid dos Santos, (datadas de 1940, 1950 e 1960) e uma pintura de José Augusto França.
Tantos anos depois e após muita zanga e outros imbróglios, Sena regressa aonde sempre pertenceu: Portugal. E bem se pode dizer que só temos a ganhar com isso, pois ele foi, além de um extraordinário poeta, um crítico rigoroso, autor de várias obras de referência sobre a nossa literatura, sem deixar de ser, também, um grande divulgador da poesia de outras línguas.

Rodrigo Leão

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Constança Capdeville

Há nomes que são conhecidos de poucos. Sempre foi assim, continua a ser assim e não há razão para pensar que no futuro seja diferente.
Constança Capdeville nasceu em Barcelona e viveu e trabalhou em Portugal, onde faleceu. Foi compositora, pianista e percussionista, "precursora da escrita de obras para teatro musical em Portugal, género a que se dedicou mais especialmente a partir da década de 1980 com o grupo ColecViva, que fundou e dirigiu. A criação de Constança espelha assim a reflexão estética sobre a indissociabilidade entre a vida e as artes, sem nunca esquecer a importância da pesquisa sonora, corporal/gestual e literária da obra. É também de realçar a utilização de elementos cénicos em algumas das suas peças de câmara e a escrita de música para cinema." Ver mais aqui. Aqui e aqui.


17 junho 2009

Trânsito



Mais de metade das estradas portuguesas não estão bem sinalizadas, diz o título da notícia. Há muito isso é do conhecimento das pessoas, havendo mesmo uma série de gente que se dedica a fotografar dislates.
O que acontece é que foram pela primeira vez sistematizados num estudo da Associação Portuguesa de Fabricantes e Empreiteiros de Sinalização (AFESP) os muitos problemas das estradas de Portugal, nomeadamente, linhas tortas, apagadas, invisíveis ou pouco claras de noite e marcas que apontam para zonas erradas ou que contrariam os sinais verticais de trânsito.
Espera-se que em breve, fruto da campanha e do prémios desapareçam os absurdos que abundam pelo território nacional.

A sagrada predação


Há por aí, por aqui e por ali uma espécie de gente que sempre se elogia a si própria, sempre diz que o que faz é óptimo, quando não outro superlativíssimo. Há gente que não se enxerga e que sempre toma os outros por parvos.
Nem sempre, no entanto, pessoas assim encontram a única reacção aceitável, o sorriso de quem compreende e perdoa (isto falando em países de matriz cristã). Há quem reaja mal e se sinta ofendido, saltando para a arena e desembainhando a espada. Outros, optam pelo silêncio, sendo este ora de indiferença, ora de ressentimento.
O que custa mais a entender é que muitas dessas pessoas com o ego inflamado obtêm boas recompensas sociais, como se os seus pares, irmanados na mesma doença, tivessem estabelecido um pacto: o da sagrada predação.

16 junho 2009

15 junho 2009

Cultura não dá votos


Escolas que não sejam para imbecilizar alunos não têm apoios. Projectos que visem o desenvolvimento e a formação de públicos e consequentemente o desenvolvimento do país parecem votados ao fracasso.
No país de Sócrates e quejandos, a cultura é um apêndice ou algo afim da propaganda. O resto, são cantigas... pimba.
O que está a acontecer com Belgais é desolador e mostra quanto o interior do país é pobre e quanto o país é triste. Triste porque continua a pensar que tudo se resume à casinha, ao popó e aos trapinhos.
Belgais merecia mais. E vai sendo tempo do país acordar.

Da ignorância


É boa quando é douta. E má quando é parlamentar. Assim diz o título da notícia: "Vítor Constâncio afirma que os deputados são ignorantes".

Destaca-se ainda isto: "Há momentos em que fico muito satisfeito por não ser advogado", afirmou Vítor Constâncio.

Será que os advogados são ignorantes? Meus caros, venham de lá os vossos silogismos.

Demasiado...


Em 200o fui transferido do desemprego para um salário de 500 euros mês. Fui a grande contratação do Banco XPN. Algum tempo depois a minha carreira acabou, o banco despediu-me, pois para limpar o chão e o resto tinham quem fizesse o mesmo mais barato. A despromoção custou-me algumas risadas e umas quantas rodadas. Cerveja sem álcool, claro. Sempre fui um indefectível do Figo, até lhe escrevi um poema.
Agora vejo que ele está indignado com os valores da contratação do Cristiano Ronaldo. E, mais uma vez, concordo com ele. É uma vergonha gastar tanto dinheiro com o rapaz. Com ele, Figo, gastaram um pouco menos, mas, carago, foram 61,7 milhões de euros de há 9 anos. Agora, ainda por cima com a crise, o Cristiano não deveria ter ultrapassado o Luís Figo. Prémios ou o número da camisola, ainda vá que não vá, mas em valor de mercado não. De resto, Figo é um doutor e o Cristiano ainda não passa de um menino. Mas só o tempo dirá se Cristiano cresce e Madrid não o mata. Ao Figo não matou, embora em Barcelona não tenham gostado nada da brincadeira.
O que parece estar a matá-lo é o fenómeno Cristiano. E não se percebe porquê. O percurso profissional tem pontos de contacto.

Da fama



Ser uma estrela tem os seus quês. Que o diga Paris Hilton, que voltou a provar o gosto das parangonas por ter flirtado com Cristiano Ronaldo. Não sabemos se o contrato que ele assinou com o clube espanhol inclui os flirts e se aufere mais uns quantos milhares por isso.
Já a menina Hilton precisa disso como de ar e corre a notícia de que ela terá dito a Ronaldo que, juntos, poderiam ser mais famosos do que David Beckham e Victoria Beckham.
É que o seu caso anterior fê-la perder dinheiro.
Ora, no mundo das estrelas o que importa mesmo é o nada. Quanto mais disso, melhor. E os jornais, as revistas e as televisões adoram que seja assim. Ganham todos.

13 junho 2009

O silêncio regional

O sr. secretário regional do Ambiente e do Mar, Álamo de Menezes, deve ter uma palavrinha a dizer, pois ambos serão afectados pelos treinos americanos. Mas talvez não seja de esperar grande coisa do senhor secretário, já que durante o seu magistério educativo conseguiu a proeza de acabar com a formação de professores transformando-a numa macacada que apenas serve para uns quantos brincarem às escolinhas. Se seguir o mesmo modelo no Ambiente, ainda o veremos a dizer que os aviões são um importante contributo para a ecologia açoriana.
Por ora, ainda não o ouvimos pronunciar-se sobre assunto tão delicado. Aguardamos que o faça em breve.

Açores, americanos e poluição




Não bastava terem poluído a água e deixado restos nucleares espalhados pela ilha. Agora os norte-americanos querem transformar os Açores numa escola aérea, leia-se: querem uma área de mais de 274.300 quilómetros quadrados, a norte da ilha do Corvo, como base de treino dos F-22 e, no futuro, dos F-35.
Os aviões, que atingem velocidades supersónicas e têm sistemas de armamento muito sofisticados, terão como base as Lajes. Ou seja, quem viver na Terceira vai ter de sofrer regularmente o ruído e a poluição atmosférica desses brinquedos milionários. Além, claro, dos problemas que surgirão a pouco e pouco nas habitações, fruto da forte trepidação que se faz sentir à passagem das naves.
Tudo com o OK de Lisboa, que espera contrapartidas. Estas, como é sabido, têm sido enormes. Portugal tem ganho imenso com os americanos.
De resto, para o governo de Lisboa, na ilha Terceira vive pouca gente e à volta da base menos ainda. Afectadas serão apenas umas 30 mil pessoas. Nada de significativo, portanto. Se o número de depressões aumentar, se os cancros se multiplicarem, a culpa será, como é óbvio, dos cigarros ou até, quem sabe, das touradas. Dos aviões nunca. Isso é negócio e Portugal só lucra.