15 maio 2009

A quem interessar


Copiamos deste blogue, com a devida vénia, a seguinte informação. E deixamos os comentários para quem de direito.

Como um livro aberto


A expressão a tua cara é como um livro aberto não podia ter encontrado melhor situação: ataque de phishing atinge utilizadores do Facebook.

Campanhas


O azeite já foi o demónio da alimentação. O mesmo aconteceu com o vinho. Depois veio o tabaco e desde há tempos que se nota a propensão para a ditadura alimentar.
A indústria do entretenimento fornece material em quantidade suficiente para ocupar o corpo e o espírito, mas... a saúde queixa-se. É que, segundo se diz, a obesidade pode vir a tornar-se uma pandemia, por causa do excesso de horas de sedentarismo aliado ao consumo repetido de açúcares e gorduras.
Ninguém parece muito preocupado com o ritmo frenético em que vivem as classes médias e baixas. Aliado a baixos rendimentos e à necessidade de compensar tudo isso com pequenos prazeres de boca. Isto para não referirmos os anseios de possuir aquilo que aos seus olhos são sinais de riqueza e bem-estar.
As pessoas são o que são por causa da vida que levam. É muito bem pensante falar de exercício físico, mas para a maior parte o exercício que fazem é já muito (acordar, tomar banho, fazer camas, arrumar algumas coisas, ir para as diversas paragens, etc.). Quanto a alimentação: comida decente custa os olhos da cara (as empresas não fornecem comida aos seus funcionários e o subsídio de refeição que pagam é ridículo), mas claro que é politicamente correcto falar-se de alimentação saudável.
Tão saudável que cada vez mais ser gordo é sinal de pobreza e ser elegante é sinal de riqueza. O século vinte conseguiu inverter os papéis, sim, senhor.
Os EUA e o Reino Unido aparecem nas tabelas como os países onde há mais obesos, mesmo entre crianças e adolescentes. Portugal e Espanha já figuram em lugar honroso. Sinal de desenvolvimento? Ou apenas imitação de maneiras de viver decalcadas de séries e outro telelixo? (Não é preciso ver TV, basta conviver com quem a vê e consome revistas e sítios onde os assuntos, os ideais e maneiras de estar se assemelham.)
O mais importante, pensamos, é cuidar das ansiedades e anseios que afligem as crianças e adolescentes - os grupos com que se identificam; as imagens que constroem do que é in ou bué de fixe. Ora não temos visto ninguém preocupado com isso. Mais facilmente se diz que a culpa da obesidade é dos hamburgueres, das batatas fritas e de estar muito tempo em frente da TV.
Ainda vamos assistir ao aparecimento de leis que proíbem a compra de X quantidade de carne, açúcar e mais. Os ships, os cartões e o avanço tecnológico tornarão esse controlo muito simples.

O homem perfeito ou o super-homem


1) Não come nada que não seja saudável
2) Bebe água e bebidas energéticas
3) Pratica exercício militantemente
4) É rico ou pertence à classe A
5) Não vê televisão
6) É viciado em telemóvel e internet
7) Não fuma
8) É amigo dos animais, mas, no geral, despreza os homens (talvez por pensar que o homem não é da espécie mineral)
9) Viaja muito
10) Não acredita na política, serve-se da política
11) Não envelhece (usa produtos adequados e recorre à cirurgia estética)

14 maio 2009

Portugal, meu amor II

Transcrevemos os últimos versos de um poema de Jorge Sousa Braga, em jeito de comentário ao post anterior.

Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
Estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
Como me pude apaixonar por um velho decrépito e idiota como tu
mas que tem o coração doce ainda mais doce que os pastéis de Tentugal
e o corpo cheio de pontos negros para poder espremer à minha vontade
Portugal estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete Salazar estava no poder nada
de ressentimentos
um dia bebi vinagre nada de ressentimentos
Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe
Portugal
gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca

Portugal, meu amor

9 X 30 = Portugal, meu amor. São nove documentários de 30 minutos cada, com realização de Luís Garcia e argumento de Hugo Gonçalves, um jornalista nascido em 1976 que viveu e trabalhou em Nova Iorque e em Madrid e que pretendeu ver o que mudou nestes 30 e poucos anos de democracia.
A Hugo Gonçalves inquietam-no coisas tão paradigmáticas como: Por que é que não há uma estrela porno em Portugal, já que quase todos os países ocidentais têm uma?
O primeiro documentário olha para as celebridades. E percorre em voo aéreo a indústria por trás dos eventos, o quem é quem e que dita o que é ou não uma socialite - "alguém sem profissão definida", como diz a directora da revista VIP.
Segue-se o futebol. Através das vozes de um talento dos juniores do Benfica, do histórico Nené, de um jornalista do jornal A Bola e do radialista e ídolo de infância Fernando Correia, tenta perceber a força de um desporto que antes era jogado por homens de bigode e que hoje reluz em torno de Figo e Ronaldo.
Depois vêm as auto-estradas dos fundos da União Europeia e a exclusão na Cova da Moura. O resto não fazemos ideia. Sabemos apenas que tudo vai para o ar na SIC Radical.
Parece que Hugo Gonçalves notou alguma "inquietude" nos portugueses com 35 anos de democracia, embora haja dependência do mediatismo e obsessão geral pelos símbolos de status vegetativo - os plasmas, os carros, o sofá com comando na mão. A "nossa democracia engordou" e "não há um sentimento de comunidade" diz o autor dos programas.

Fonte: Público

13 maio 2009

Divagar faz bem à saúde


Contrariamente ao que é comummente aceite, divagar estimula o cérebro em vez de o tornar mais lento, permitindo assim resolver problemas complexos.
As partes do cérebro que permitem resolver problemas complexos conhecem uma actividade intensa quando uma pessoa pensa vagamente, quando se acreditava até agora que elas ficavam de sentinela, disse a professora Kalina Christoff, especialista do cérebro (directora do Laboratório de Ciências Neurológicas da Universidade da Columbia Britânica )e principal autora do estudo que defende a divagação. Mais, "estar nas nuvens" favorece uma actividade do cérebro maior do que quando uma pessoa se concentra para cumprir uma tarefa rotineira.
Assim, poetas, artistas e demais vítimas da fúria popular podem agora sorrir.

Obesa e antiga: a nova deusa da fertilidade europeia


Descoberta nas grutas de Hohle Fels (na região do Danúbio-Alb, Alemanha), a nova Vénus foi esculpida há mais de 35 mil anos, em marfim de mamute Ou seja, é sete mil anos mais velha do que a antecessora, descoberta na Áustria, em 1908, e conhecida por Vénus de Willendorf. Tem menos de seis centímetros, pesa 33 gramas e é a representação mais antiga conhecida de arte figurativa.
A vénus tem seios e vulva desproporcionados, o que, segundo os investigadores alemães, é quase pornográfico à luz dos valores estéticos e morais da actualidade. Quando foi achada, a cerca de 20 metros da abertura da gruta, a vénus, que será exposta a partir de Setembro no Kunstgebäude de Estugarda, estava partida em seis pedaços e faltam-lhe o braço e o ombro esquerdos, que os arqueólogos alemães estão esperançados em encontrar.
Talhada com grande pormenor, a figura tem os órgãos genitais muito marcados, com seios e vulva de um tamanho desproporcionado, em contraste com a pequenez dos braços, pernas e cabeça, acabados com menos esmero. Algo que os estudiosos vêem como representação artística da fertilidade e que pode ter sido objecto de algum tipo de culto ou ritual.
Na gruta de Hohle Fels foram descobertos nos últimos 100 anos 25 figuras talhadas em marfim, quase todas representando animais, e também uma flauta, considerada o instrumento musical mais antigo do mundo.
A nova vénus confirma que o homem pré-histórico talhava, não apenas figuras de animais, mas também humanas, no princípio do período aurignaciense, algo que apanhou de surpresa a equipa arqueológica alemã.
Uma das características destas figuras é a representação da gordura. Muitas vezes é tão realista que os investigadores defendem que quem esculpiu terá de ter visto alguém com um nível de obesidade raro nestas sociedades. Isto, segundo Mariana Diniz (arqueóloga e professora da Faculdade de Letras de Lisboa), mostra que a gordura era apreciada, talvez porque a obesidade era algo que não se tinha e podia estar associada “ao poder, aos que não têm de trabalhar”.

Fonte: Público

As sanitas podem ser extremamente perigosas

Que o diga Mr. Lin que não ganhou para o susto, apesar de levar já meio século de vida. É que pouco depois de se sentar na sanita sentiu uma dor aguda no pénis, como se fosse uma facada. E viu sangue. E uma cobra. Preta e amarela. Uma Orthriophis taeniura friesi com 1,70 metros. Felizmente, é um tipo de cobra não-venenosa.
Natural do Condado de Nantou, Mr. Lin está internado no hospital Puli Christian, em Taiwan, mas não corre risco de vida. "Assim que tiver passado o risco de infecção, receberá alta", afirmou o director do hospital.


Calmantes para o homem, já


O país pode dormir sossegado, porque Sócrates tem os seus momentos de angústia em que não dorme a pensar no desemprego. Mas... qual cavaleiro andante vai resolver isso, tal como venceu outras crises no passado.
Não sabemos se as crises que resolveu foram pessoais ou do país. E, convenhamos, também não é por aí que o gato vai às filhoses. O que interessa é ver a imagem que o senhor tem ou quer passar de si. Ele é um mártir e um guerreiro. E como todos sabemos ele venceu a crise (qual? como? onde?) e vai vencer esta. Aliás, todos os dias saem notícias de que o país já mudou os pneus com que andava e assim, com pneus novos e adaptados à crise, vai ser outra vez um tal acelerar que os portugueses até vão ficar vesgos.
Há anos que Portugal se vinha afastando da média europeia de crescimento económico. Mas como todos sabem isso inverteu-se com Sócrates. Os portugueses passaram a viver melhor com ele. Tanto assim é que 1 em cada 100 mil portugueses ama Sócrates do coração.
Estes momentos de humor político resgatam-nos do cinzentismo que percorre a amorfa sociedade portuguesa.

Volta a Portugal em fotografia


Fotos e vídeos de A a V, ou, de Abrantes a Vouzela, sem esquecer Açores e Madeira.
A imagem que aqui reproduzimos, com a devida vénia ao autor, é de um pormenor da Igreja de Sta. Eufémia (Penela, Coimbra).

12 maio 2009

Livros e livros


A designação feira mostra que se trata de negócio. Um negócio que tem a particularidade de juntar muitas editoras, inclusivamente as mais pequenas. Dando assim oportunidade a alfacinhas e a por quem lá passa de ver o que se editou durante o ano.
Podia pensar-se que num momento de tanto exposição, a imprensa dedicasse especial atenção ao livro enquanto objecto cultural, podendo, claro, referir-se-lhe enquanto negócio. Mas nem uma coisa nem outra.
O mesmo acontece com o nosso Mistério da Cultura que, no mínimo, deveria estabelecer protocolos com quem entendesse no sentido de divulgar clássicos da nossa língua, trazendo-os para os jornais, para as rádios e para os canais de televisão. Mas... nada!
Os clássicos continuam a ser olhados de lado. Nem sequer a Imprensa Nacional que tanto os edita os promove. É quase como se fosse uma espécie de peste.
Portugal é capaz de anunciar um museu não sei do quê e de se embrulhar noutras tantas trapalhadas mas parece incapaz do mais básico: promover o seu património literário. E como grande parte do público lê mal, aprecia sobremaneira os subprodutos literários que às vezes são êxitos de vendas.
Os jornais partilham desse mesmo ódio ao livro enquanto actividade cultural. Se um livro puder ser referido pelo dinheiro que faz, óptimo. Se não, nem falam do assunto. Até porque a maioria dos jornalistas padece do mesmo problema: lê pouco e mal. E dão-se ao luxo de entrevistar escritores sem terem sequer lido os livros.
Por isso, a feira do livro é uma festa. Só lhe faltam os cantores pimba e os foguetes.

11 maio 2009

Da juventude portuguesa: um diálogo


Em 2005, saía, na Relógio d'Água, o livro de José Miguel Silva intitulado Movimentos no Escuro. Aí se podia ler, nas páginas 42 e 43, o poema "Feios, Porcos e Maus - Ettore Scola (1976)", que reza assim:

Compram aos catorze a primeira gravata
com as cores do partido que melhor os ilude.
Aos quinze fazem por dar nas vistas no congresso
da jota, seguem a caravana das bases, aclamam
ou apupam pelo cenho das chefias, experimentam
o bailinho das federações de estudantes.
Sempre voluntariosos, a postos sempre
para as tarefas da limpeza após o combate.
São os chamados anos de formação. Aí aprendem
a compor o gesto, interpretar humores,
a mentir honestamente, aí aprendem a leveza
das palavras, a escolher o vinho, a espumar
de sorriso nos dentes, o sim e o não
mais oportunos. Aos vinte já conhecem pelo faro
o carisma de uns, a menos valia
de outros, enquanto prosseguem vagos estudos
de Direito ou de Economia. Começam, depois
disso, a fazer valer o cartão de sócio: estão à vista
os primeiros cargos, há trabalho de sapa pela frente,
é preciso minar, desminar, intrigar, reunir.
Só os piores conseguem ultrapassar esta fase.

Há então quem vá pelos municípios, quem prefira
os organismos públicos - tudo depende do golpe
de vista ou dos patrocínios que se tem ou não.
Aos trinta e dois é bem o momento de começar
a integrar as listas, de preferência em lugar
elegível, pondo sempre a baixeza acima de tudo.
A partir do Parlamento, tudo pode acontecer:
director de empresa municipal, coordenador de,
assessor de ministro, ministro, comissário ou
director executivo, embaixador na Provença,
presidente da Caixa, da PT, da PQP e, mais à frente
(jubileu e corolário de solvente carreira),
o golden-share de uma cadeira ao pôr-do-sol.
No final, para os mais obstinados, pode haver
nome de rua (com ou sem estátua) e flores
de panegírico, bombardas, fanfarras de formol.


Com o título de Foleiros & doutores Manuel António Pina fala da juventude assim:

«Terminaram as chamadas "Queimas das Fitas" e, salvo raras excepções, o balanço foi o do costume: alarvidade+Quim Barreiros+garraiadas+comas alcoólicos. No antigo regime, os estudantes universitários eram pomposamente designados de "futuros dirigentes da Nação". Hoje, os futuros dirigentes da Nação formam-se nas "jotas" a colar cartazes e a aprender as artes florentinas da intriga e da bajulice aos poderes partidários, enquanto à Universidade cabe formar desempregados ou caixas de supermercado. A situação não é, pois, especialmente grave. Um engenheiro ou um doutor bêbedo a guiar uma carrinha de entregas com música pimba aos berros não causará decerto tantos prejuízos como se lhe calhasse conduzir o país. Acontece é que muitos dos que por aí hoje gozam como cafres besuntando os colegas com fezes, emborcando cerveja até cair para o lado, perseguindo bezerros e repetindo entusiasticamente "Quero cheirar teu bacalhau" andam na Universidade e são "jotas". E a esses, vê-los-emos em breve, engravatados, no Parlamento ou numa secretaria de Estado (Deus nos valha, se calhar até já lá estão!).»

Dois poetas. Duas gerações. A mesma descrença nos doutores e jotas lusitanos. O mesmo nojo pela deformação.

Chá dos Açores



Na ilha de S. Miguel estão localizadas as únicas fábricas e plantações de chá existentes na Europa, que produzem o chá Gorreana e o chá Porto Formoso.
O chá dos Açores vai ser certificado pela União Europeia, para salvaguardar a "genuinidade" de um produto de características únicas na Europa.
Apesar de manter o seu carácter tradicional há 125 anos, a Gorreana rendeu-se às novas tecnologias. Pelo site que criou na internet vendeu, em 2008, três toneladas de chá. A Gorreana tem uma produção anual de 38 toneladas.
A transformação industrial do chá teve início nos Açores em 1878. Foi ensinada aos locais por dois chineses, convidados pela Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense, precisamente para esse efeito. Das várias fábricas que chegaram a existir, a Gorreana era, até há pouco tempo, a única resistente. Em 1998, os actuais proprietários da Fábrica de Chá de Porto Formoso iniciaram a recuperação desse complexo.
O cultivo do chá, encontra nos Açores condições favoráveis ao seu desenvolvimento, sendo a ilha de S. Miguel a que reúne as melhores: um solo de textura arenosa, fértil, rico em ferro e onde os valores de acidez se encontram entre valores de 7 a 5 aproximadamente (entre neutro e acido). Aliado a estes factores, está o relevo da ilha que proporciona à cultura a necessária protecção que ela exige para um optimo desenvolvimento da planta do chá.
A planta em si necessita de poucos cuidados, sendo no entanto necessário dispô-la em linhas para maximizar a sua eficiente produção. Cresida de forma biológica, a planta usa de estrume vegetal para o seu crescimento. Este provém das folhas do arbusto e das sementes oleaginosas.
Finalmente, a folha é colhida só após o 4.º ou 5.º ano da sua plantação ,sendo apenas podada até atingir esta idade.
A apanha da folha decorre entre os meses de Abril e Setembro, numa época de poucas chuvas para que o crescimento das folhas seja mais lento e, consequentemente, o chá tenha maior qualidade. Segue-se o processo de transformação, que implica o murchamento, a enrolagem, a oxidação e a secagem. Chega, então a hora da selecção.
O mais perfeito, e mais forte, é o Orange Pekoe, obtido a partir do botão e da primeira folha do rebento. E não tem absolutamente nada a ver com laranjas! A primeira denominação é sinónimo de qualidade, e foi escolhida em homenagem aos príncipes holandeses de Orange, os primeiros a comercializar o chá pela Europa. A segunda corresponde a um termo chinês que significa “jovem”. É esse o principal atributo do chá obtido a partir da segunda folha do rebento, simplesmente rotulado de Pekoe. É ligeiramente mais fraco que o anterior. Quanto ao Broken Leaf, o mais suave de todos e mais adequado a quem queira evitar estimulantes, é o resultado de pedaços das diferentes folhas.
Esses são chás pretos. Há ainda um chá verde, o Hysson.

10 maio 2009

Masahisa Fukase







Beber, beber, comer, vomitar



Porque bebem tanto os adolescentes que saem à noite? Quem faz reportagens sobre o assunto não procura respostas para essa questão. Apenas a actualidade. E a actualidade é a mudança que a lei vai sofrer. Passará a ser proibido vender bebidas alcoólicas a quem tenha menos de 18 anos.
Beber por moda ou por uma qualquer fantasia de grupo permanece um mistério. O que leva os meninos e as meninas a quererem embebedar-se antes de entrarem na discoteca?
Dançar sempre foi um pretexto ou o preâmbulo para outra coisa. Mas para que isso aconteça há muitos caminhos a percorrer. Desde logo a disponibilidade interior (leia-se: vencer a culpa). Depois os diversos códigos das tribos a que se pertence ou quer pertencer. E ainda as imagens do que se estipulou ser o divertimento.
A discoteca é, à partida, um lugar onde se dança. Dançar sem beber parece inconcebível. Porquê? Será que o organismo humano não consegue dançar sem álcool? Ou será que para se ser muita louco tem de se estar fora de si e para estar fora de si o álcool parece melhor desinibidor do que qualquer estupefaciente?
Mas há um dado novo. Os adolescentes não bebem para desinibir, bebem mesmo para ficarem bêbedos. Talvez a figura do bêbedo tenha adquirido uma misteriosa carga mítica. Será que os adolescentes andaram a ler Joseph Roth? Ou tratar-se-á tão-só de uma maneira de expressar o tédio que lhes ensombrece a alma?
Os valores da cultura pop veiculados por canções, estrelas da moda e da TV e outros esbarra sempre no imenso vazio das meninas e meninos que gostam de parecer. Parecer que são divertidos e que curtem bué. Parecer que estão receptivos à descoberta. Parecer que a curiosidade é, de facto o que os move.
As hipóteses que aqui deixamos (hipóteses, sim senhor) nada explicam. Apenas levantam duas ou três questões sobre um universo ainda muito pouco estudado: a noite.

09 maio 2009

New York Street Advertising Takeover







Arte versus publicidade. Arte contra a publicidade. Arte e publicidade. Arte pública na cidade. Qualquer que seja o ponto de vista, não deixa de ser agradável pensar que por umas horas de luxo vale a pena levantar os olhos e ver. Ver que a cidade não é apenas um imenso mercado.
Isso mesmo pensaram 80 nova-iorquinos e activistas com outras naturalidades e nacionalidades que, depois de vários meses de organização, encheram os espaços publicitários com obras da sua autoria. Disfarçados de trabalhadores municipais pintaram, taparam, reescreveram painéis publicitários em plena luz do dia.
Muitos nova-iorquinos gostaram da ideia e isso mesmo manifestaram aos activistas do Public Ad Campaign. Mais do que arte, trata-se, diz o fotógrafo Jordan Seiler, de "demonstrar que há vontade de participar publicamente na construção visual dos espacios que todos partilhamos".
Entre os interventores estavam, além de artistas como Seiler ou Posterboy, gente como Tristan Eaton (proprietário do Thunderdog Studios), Ji Lee (director criativo do Google Creative Lab), um biólogo, uma empregada de uma loja de roupa, entre tantos outros.
Arte efémera, uma vez que o gesto é ilegal e dá direito a cadeia. A polícia prendeu quatro manifestantes.
Tudo no dia 25 de Abril de 2009. Mais aqui, aqui e aqui.





Tamara Muller






Tamara Muller nasceu holandesa em 1975.

Duas maneiras de entender o sexo



Duas entrevistas, publicadas em jornais distintos, colocam-nos perante visões opostas do sexo.
Uma é a do bispo de Viseu, que tem causado polémica com a defesa do uso do preservativo e por advogar o fim do celibato dos padres.
Outra, a de uma estrela de filmes pornográficos. Filha de biólogos que passou de estudante de psicologia a stripper e daí a actriz em filmes porno. Tal como acontece com os jogadores de futebol, tem uma profissão de carreira curta que se abeira já do fim.
Duas entrevistas. Duas visões do mundo. Aqui e aqui.

08 maio 2009

Novas sobre a garrafa encontrada em Auschwitz




Os rapazes da mensagem engarrafada são agora anciãos e deram a cara ao diário Bild. Dos três sobreviventes, um, Albert Veissid, o único judeu do grupo, aparece no retrato com o número com que os nazis tatuavam os prisioneiros: 12063.
Aqui ficam dois dos sobreviventes: o polaco Waclaw Sobczak e o francês Albert Veissid e a imagem da mensagem que agora pertence ao museu de Auschwitz.

Avisos


D. Manuel Martins, Bispo Emérito de Setúbal, diz: "O que eu receio e tenho repetido muitas vezes é que nestas situações [desacatos] possamos encontrar, num futuro próximo ou remoto, já uma fogueira preparada para incendiar o país".
E continua: "Já há muito tempo que muita boa gente fala no perigo de sublevações que podem ser à partida muito pequeninas e muito localizadas e podem de um momento para o outro tornar-se generalizadas. Quem está no poder tem de ter muito cuidado e lidar com especial atenção estas situações, porque não basta ter a polícia a tomar conta".
"Sei que isto está a acontecer em Portugal, aqui e além, com maiores ou menores dimensões, está a acontecer com grandes dimensões na Grécia, na França, na Itália. Já tem acontecido na Espanha e na Inglaterra e eu tenho muito medo que mesmo até inconscientemente toda aquela gente esteja a preparar, a criar terreno, para qualquer coisa de muito grave para a Europa", concluiu o prelado que ficou conhecido como o "Bispo Vermelho".
Recordemos que na quinta-feira, uma manifestação junto à esquadra da PSP da Bela Vista obrigou a polícia a reforçar a segurança e a disparar tiros de aviso para o ar para acalmar o grupo de jovens que se reuniu em frente à esquadra, alegadamente para homenagear um rapaz assassinado pela GNR após o assalto a uma caixa Multibanco. A polícia decidiu manter hoje o reforço policial naquele bairro de Setúbal, onde um grupo de pessoas lançou quinta-feira à noite dois "cocktails molotov" contra as carrinhas da PSP, que se encontravam de prevenção no local.

Soluções para sair da crise


Dê pareceres jurídicos. Custam entre 20 a 30 mil euros e são às dúzias. É um mercado que continua a mover milhões.
Quem os solicita?
Entidades tão distintas como empresas, federações de futebol, autarquias, multinacionais ou o próprio Governo.
Como em tudo, o parecer vale mais ou menos consoante a assinatura de quem o dá. Diogo Freitas do Amaral, Joaquim Gomes Canotilho, Paulo Otero, José Luís Saldanha Sanches, Jorge Miranda, Marcelo Rebelo de Sousa ou Vital Moreira são os mais solicitados.
O legislador legisla. Os académicos servem-se das leis para fazer os seus negócios. E ainda dizem que a lei é para todos.
Ai democracia, democracia...

Fonte: DN

Devotchka - The Clockwise Witness and New World



07 maio 2009

Das epidemias e da informação




O século XX terá sido o século em que mais a informação foi manipulada e a História vai ter bastante trabalho para ler esses cem anos. E foi assim nas artes, nas letras, na saúde, na alimentação, no trabalho, no consumo, na política e nos negócios.
O século XXI vive do que foi construído. Não espanta por isso que ande já tudo em polvorosa por causa da gripe A (ex-suína e ex-mexicana) que matou 44 pessoas e afectou cerca de duas mil. Enquanto pouco ou nada se fala da meningite que afecta o continente africano e já arrebanhou quase 2 mil mortos e tem 56 mil casos declarados. São vários os países com casos de meningite (três deles com bastantes infectados: Nigéria, Chade e Níger) e há o risco de a doença saltar fronteiras e se propagar. Mas como tudo se passa em África, onde não há agências noticiosas e cadeias de televisão como na América e na Europa, o caso tem passado à margem das conversas de café.

Ver mais aqui.

06 maio 2009

Tabus



Sexo e morte juntos são explosivos. Que o diga o anatomista alemão Gunther von Hagen, cuja exposição "Koerperwelten" (Mundos dos Corpos) ainda não abriu e já é alvo de acesa polémica. Porque mostra um casal de cadáveres plastinados (embalsamados) a fazer sexo.
A exposição, que
abre quinta-feira em Berlim, no Museu Postbahnhof, já foi classificada de "indecente e imoral"por vários políticos e dignatários eclesiásticos.
São
mais de 200 plastinados para mostrar o desenvolvimento do corpo humano, desde o nascimento até à idade mais avançada. Mas, pelos vistos, o sexo não faz parte da vida. Há mesmo quem o classifique como "coisas porcas" e se isso já é mau, agora que se vive o pavor do porco tornou-se péssimo. O sexo deveria ser banido e tudo o que seja nudez, exibição de órgãos sexuais e mostras de relacionamentos amorosos não pode ser mostrado.
O mundo dos dias de hoje é, de facto, um lugar cheiinho de contradições. Ao mesmo tempo que o politicamente correcto vai atravessando transversalmente as sociedades, infectando alinguagem de políticos e de outros invertebrados e mal-formados, assiste-se a um gradual recrudescimento da liberdade e da tolerância para com o que é intrinsecamente humano: o sexo e a morte.
O modo como uma minoria supostamente bem pensante entende o exercício da liberdade passa por uma hipocrisia que fede a tara.
Como já muitos criadores e experts mostraram em estudos científicos, nos mais diversos géneros de manifestação artística (literatura, pintura, escultura, teatro, cinema, dança, performance...) o corpo, o modo como se olha para ele, a maneira como nos relacionamos com ele, como o pensamos e como nos entendemos está cheia de vãos, quando não de abismos, que mais não fazem do que limitar a nossa vida e a nossa acção enquanto indivíduos e enquanto cidadãos, contribuindo para que certos poderes continuem a entregar-se a exercícios lesivos dos direitos democráticos consagrados nas constituições de tudo o que é país livre.

05 maio 2009

Da realidade à ficção

Estavam a filmar uma perseguição e o Ferrari despistou-se. Tudo em Times Square (Nova Iorque), durante as filmagens de The Sorcerer's Apprentice. Dois feridos foi o resultado da aventura, captado por um vídeo amador. Para saber mais, vá pelos seus dedos.

Amizades de espada e prostituta





[De cima para baixo: auto-retrato de Gauguin; Van Gogh visto por Gauguin; 2 auto-retratos de Van Gogh]

Era uma vez um pintor. Sofria de perturbações mentais, originadas e agravadas pela vida que levou e por muitos infortúnios. Uma dia, nas vésperas do Natal, apareceu sem a orelha esquerda. Corria o ano de 1888. Chamava-se Van Gogh e é, há muito, um dos pintores mais admirados do mundo.
Hans Kaufmann e Rita Wildegans, dois investigadores e historiadores de arte alemães, vêm agora dizer (Van Gogh's ear: Paul Gauguin and the pact of silence) que não foi o pintor que se auto-mutilou, mas Gaugin quem o amputou do auricular. Fica no ar uma suspeita: que pacto de silêncio foi esse que levou Van Gogh a calar o acto do amigo?
A história até agora divulgada sempre deu Vincent van Gogh como autor da própria mutilação. Gauguin e Van Gogh viviam juntos em Arles, no sul de França, e as diferentes opiniões que tinham sobre a arte, como comprovam os quadros A cadeira de Van Gogh e A cadeira de Gauguin (ambos de Dezembro de 1888), originavam sérias discussões. A nova versão afirma que Gauguin decidiu abandonar a casa que partilhava com Van Gogh e saiu nessa noite com a bagagem e a espada – era um experiente esgrimista - na mão. Gauguin foi seguido pelo amigo que, horas antes, lhe tinha atirado um copo de vidro. Ao aproximarem-se de um bordel a discussão intensificou-se e Gauguin cortou a orelha esquerda de Van Gogh com a espada que empunhava. Van Gogh embrulhou a orelha e ofereceu-a a Rachel, uma prostituta.
A verdade nunca veio ao de cima devido a um pacto de silêncio entre os dois. “No dia seguinte, Gauguin foi interrogado pela polícia. Foi então que inventou a história da auto-mutilação”, explicou Kaufmann ao jornal britânico "Daily Mail". Van Gogh tinha sido encontrado na cama a esvair-se em sangue mas nunca contou nada à polícia.
Os historiadores baseiam a tese do pacto de silêncio nas palavras finais de Van Gogh para o amigo: “Tu estás calado e eu estarei também”. Além disso, foram encontradas pistas para o sucedido na correspondência entre o pintor holandês e o seu irmão, Theo.

Fonte: Público

04 maio 2009

Vasco Granja (1925-2009)


Cresci com os programas do Vasco Granja na RTP. É portanto um post onde a nostalgia leva a melhor sobre qualquer outra coisa. Não possuía suficiente sentido crítico para saber se o que ele fazia era excelente, bom ou regular. Sei que a par de animação enfadonha (para a minha idade e gosto) havia autênticas preciosidades (que seduziam e excitavam a minha imaginação).
A partir de certa altura, já não me recordo quando deixei de ver TV e deixei também de seguir as escolhas do Vasco Granja.
Encontro-me assim diante de uma segunda descoberta, a de saber que foi muito mais do que alguma vez imaginara e que forjou o termo que todos usamos: banda desenhada. Quanto ao resto, deixo falar Carlos Pessoa, crítico que comecei a ler no Público há alguns anos e por quem nutro a simpatia de um leitor que não é especialista, mas mero e diletante amador. Espero que ele não leve a mal o excesso de transcrição.
«Autodidacta e com múltiplos interesses culturais ao longo da sua vida, Vasco Granja nasceu em Campo de Ourique (Lisboa) a 10 de Julho de 1925. Começou a trabalhar, ainda muito novo, nos antigos Grandes Armazéns do Chiado, e depois ao balcão da Tabacaria Travassos, na baixa lisboeta, que consideraria, anos mais tarde, a sua universidade. O seu interesse pelo cinema surge na adolescência e aos 16 anos chegaria a ser admitido como segundo assistente de fotografia no filme “A Noiva do Brasli”, de Santos Neves.
No início da década de 50 envolve-se no movimento cineclubista, tendo desempenhado funções directivas no Cine-Clube Imagem. Granja foi preso pela primeira vez pela polícia política do Estado Novo em Novembro de 1954, quando militava clandestinamente no PCP. Esteve preso sem julgamento seis meses e quando foi libertado voltou às suas actividades cineclubísticas e à divulgação cultural na imprensa. Datam de 1958 os seus primeiros artigos sobre o cinema de animação, nomeadamente na sequência da descoberta dos filmes experimentais do canadiano Norman McLaren.
No início da década de 60 arranja trabalho na Livraria Bertrand, onde se manteve até à reforma.
É preso de novo em 1963, julgado e condenado a 18 meses de prisão. Quando foi libertado, em 1965, Vasco Granja retoma a sua actividade cultural, com artigos nos “media” sobre cinema e literatura.
O seu nome é habitualmente associado à divulgação da banda desenhada em Portugal. O termo “banda desenhada” é, aliás, utilizado pela primeira vez por Granja num artigo publicado pelo “Diário Popular” em 19 de Novembro de 1966.
Integra a equipa fundadora da revista francesa de crítica e ensaio de banda desenhada “Phénix”, nos anos 60 e participa regularmente no Salone Internazionale dei Comics, em Lucca (Itália), o mais importante encontro do género nos anos 70.
Em Portugal, a sua actividade de divulgação da banda desenhada intensifica-se a partir do aparecimento da edição portuguesa da revista “Tintin”, em Junho de 1968, onde escrevia e traduzia artigo, além de ter a responsabilidade da secção de cartas aos leitores. Foi director da segunda série da revista “Spirou” (edição portuguesa) e coordenador da edição de banda desenhada da Bertrand. Animou o “Quadrinhos”, um dos primeiros fanzines surgidos em Portugal, em 1972. Esteve ligado à fundação da primeira livraria especializada de BD em Lisboa, O Mundo da Banda Desenhada, em 1978.
Em 1974 e 1975 integra o júri do Salão Internacional de BD de Angoulême. Depois de 25 de Abril de 1974, Vasco Granja mantém um programa regular sobre cinema de animação na RTP, que teve mais de 1000 emissões e divulgou sistematicamente as grandes escolas internacionais do género. Estava reformado desde 1990.»

A promiscuidade nacional


Jorge Sampaio uma no cravo outra na ferradura. Em causa o Bloco Central que, diz, permitiu bons resultados entre 1983 e 1985, ao mesmo tempo que chama a atenção para o que não deve ser: confundido nem colocado ao serviço de um “bloco central de interesses”, pois seria “maléfico para a vida política, económica e social”.
Sampaio sabe como muitos outros que uma das causas da actual corrupção deriva da promiscuidade desses anos, com consequências nefastas para o país, embora para uns quantos tenham sido anos de ouro, que legitimaram fortunas e grandes negociatas.
A política, no entanto, faz-se com o que se tem à mão e como o PS não deve bisar a maioria absoluta e precisa de governar só lhe resta a alternativa do centrão (Sampaio já foi de esquerda, mas a presidência deu-lhe a visão global que lhe faltava e é agora centrista).