09 maio 2009

Tamara Muller






Tamara Muller nasceu holandesa em 1975.

Duas maneiras de entender o sexo



Duas entrevistas, publicadas em jornais distintos, colocam-nos perante visões opostas do sexo.
Uma é a do bispo de Viseu, que tem causado polémica com a defesa do uso do preservativo e por advogar o fim do celibato dos padres.
Outra, a de uma estrela de filmes pornográficos. Filha de biólogos que passou de estudante de psicologia a stripper e daí a actriz em filmes porno. Tal como acontece com os jogadores de futebol, tem uma profissão de carreira curta que se abeira já do fim.
Duas entrevistas. Duas visões do mundo. Aqui e aqui.

08 maio 2009

Novas sobre a garrafa encontrada em Auschwitz




Os rapazes da mensagem engarrafada são agora anciãos e deram a cara ao diário Bild. Dos três sobreviventes, um, Albert Veissid, o único judeu do grupo, aparece no retrato com o número com que os nazis tatuavam os prisioneiros: 12063.
Aqui ficam dois dos sobreviventes: o polaco Waclaw Sobczak e o francês Albert Veissid e a imagem da mensagem que agora pertence ao museu de Auschwitz.

Avisos


D. Manuel Martins, Bispo Emérito de Setúbal, diz: "O que eu receio e tenho repetido muitas vezes é que nestas situações [desacatos] possamos encontrar, num futuro próximo ou remoto, já uma fogueira preparada para incendiar o país".
E continua: "Já há muito tempo que muita boa gente fala no perigo de sublevações que podem ser à partida muito pequeninas e muito localizadas e podem de um momento para o outro tornar-se generalizadas. Quem está no poder tem de ter muito cuidado e lidar com especial atenção estas situações, porque não basta ter a polícia a tomar conta".
"Sei que isto está a acontecer em Portugal, aqui e além, com maiores ou menores dimensões, está a acontecer com grandes dimensões na Grécia, na França, na Itália. Já tem acontecido na Espanha e na Inglaterra e eu tenho muito medo que mesmo até inconscientemente toda aquela gente esteja a preparar, a criar terreno, para qualquer coisa de muito grave para a Europa", concluiu o prelado que ficou conhecido como o "Bispo Vermelho".
Recordemos que na quinta-feira, uma manifestação junto à esquadra da PSP da Bela Vista obrigou a polícia a reforçar a segurança e a disparar tiros de aviso para o ar para acalmar o grupo de jovens que se reuniu em frente à esquadra, alegadamente para homenagear um rapaz assassinado pela GNR após o assalto a uma caixa Multibanco. A polícia decidiu manter hoje o reforço policial naquele bairro de Setúbal, onde um grupo de pessoas lançou quinta-feira à noite dois "cocktails molotov" contra as carrinhas da PSP, que se encontravam de prevenção no local.

Soluções para sair da crise


Dê pareceres jurídicos. Custam entre 20 a 30 mil euros e são às dúzias. É um mercado que continua a mover milhões.
Quem os solicita?
Entidades tão distintas como empresas, federações de futebol, autarquias, multinacionais ou o próprio Governo.
Como em tudo, o parecer vale mais ou menos consoante a assinatura de quem o dá. Diogo Freitas do Amaral, Joaquim Gomes Canotilho, Paulo Otero, José Luís Saldanha Sanches, Jorge Miranda, Marcelo Rebelo de Sousa ou Vital Moreira são os mais solicitados.
O legislador legisla. Os académicos servem-se das leis para fazer os seus negócios. E ainda dizem que a lei é para todos.
Ai democracia, democracia...

Fonte: DN

Devotchka - The Clockwise Witness and New World



07 maio 2009

Das epidemias e da informação




O século XX terá sido o século em que mais a informação foi manipulada e a História vai ter bastante trabalho para ler esses cem anos. E foi assim nas artes, nas letras, na saúde, na alimentação, no trabalho, no consumo, na política e nos negócios.
O século XXI vive do que foi construído. Não espanta por isso que ande já tudo em polvorosa por causa da gripe A (ex-suína e ex-mexicana) que matou 44 pessoas e afectou cerca de duas mil. Enquanto pouco ou nada se fala da meningite que afecta o continente africano e já arrebanhou quase 2 mil mortos e tem 56 mil casos declarados. São vários os países com casos de meningite (três deles com bastantes infectados: Nigéria, Chade e Níger) e há o risco de a doença saltar fronteiras e se propagar. Mas como tudo se passa em África, onde não há agências noticiosas e cadeias de televisão como na América e na Europa, o caso tem passado à margem das conversas de café.

Ver mais aqui.

06 maio 2009

Tabus



Sexo e morte juntos são explosivos. Que o diga o anatomista alemão Gunther von Hagen, cuja exposição "Koerperwelten" (Mundos dos Corpos) ainda não abriu e já é alvo de acesa polémica. Porque mostra um casal de cadáveres plastinados (embalsamados) a fazer sexo.
A exposição, que
abre quinta-feira em Berlim, no Museu Postbahnhof, já foi classificada de "indecente e imoral"por vários políticos e dignatários eclesiásticos.
São
mais de 200 plastinados para mostrar o desenvolvimento do corpo humano, desde o nascimento até à idade mais avançada. Mas, pelos vistos, o sexo não faz parte da vida. Há mesmo quem o classifique como "coisas porcas" e se isso já é mau, agora que se vive o pavor do porco tornou-se péssimo. O sexo deveria ser banido e tudo o que seja nudez, exibição de órgãos sexuais e mostras de relacionamentos amorosos não pode ser mostrado.
O mundo dos dias de hoje é, de facto, um lugar cheiinho de contradições. Ao mesmo tempo que o politicamente correcto vai atravessando transversalmente as sociedades, infectando alinguagem de políticos e de outros invertebrados e mal-formados, assiste-se a um gradual recrudescimento da liberdade e da tolerância para com o que é intrinsecamente humano: o sexo e a morte.
O modo como uma minoria supostamente bem pensante entende o exercício da liberdade passa por uma hipocrisia que fede a tara.
Como já muitos criadores e experts mostraram em estudos científicos, nos mais diversos géneros de manifestação artística (literatura, pintura, escultura, teatro, cinema, dança, performance...) o corpo, o modo como se olha para ele, a maneira como nos relacionamos com ele, como o pensamos e como nos entendemos está cheia de vãos, quando não de abismos, que mais não fazem do que limitar a nossa vida e a nossa acção enquanto indivíduos e enquanto cidadãos, contribuindo para que certos poderes continuem a entregar-se a exercícios lesivos dos direitos democráticos consagrados nas constituições de tudo o que é país livre.

05 maio 2009

Da realidade à ficção

Estavam a filmar uma perseguição e o Ferrari despistou-se. Tudo em Times Square (Nova Iorque), durante as filmagens de The Sorcerer's Apprentice. Dois feridos foi o resultado da aventura, captado por um vídeo amador. Para saber mais, vá pelos seus dedos.

Amizades de espada e prostituta





[De cima para baixo: auto-retrato de Gauguin; Van Gogh visto por Gauguin; 2 auto-retratos de Van Gogh]

Era uma vez um pintor. Sofria de perturbações mentais, originadas e agravadas pela vida que levou e por muitos infortúnios. Uma dia, nas vésperas do Natal, apareceu sem a orelha esquerda. Corria o ano de 1888. Chamava-se Van Gogh e é, há muito, um dos pintores mais admirados do mundo.
Hans Kaufmann e Rita Wildegans, dois investigadores e historiadores de arte alemães, vêm agora dizer (Van Gogh's ear: Paul Gauguin and the pact of silence) que não foi o pintor que se auto-mutilou, mas Gaugin quem o amputou do auricular. Fica no ar uma suspeita: que pacto de silêncio foi esse que levou Van Gogh a calar o acto do amigo?
A história até agora divulgada sempre deu Vincent van Gogh como autor da própria mutilação. Gauguin e Van Gogh viviam juntos em Arles, no sul de França, e as diferentes opiniões que tinham sobre a arte, como comprovam os quadros A cadeira de Van Gogh e A cadeira de Gauguin (ambos de Dezembro de 1888), originavam sérias discussões. A nova versão afirma que Gauguin decidiu abandonar a casa que partilhava com Van Gogh e saiu nessa noite com a bagagem e a espada – era um experiente esgrimista - na mão. Gauguin foi seguido pelo amigo que, horas antes, lhe tinha atirado um copo de vidro. Ao aproximarem-se de um bordel a discussão intensificou-se e Gauguin cortou a orelha esquerda de Van Gogh com a espada que empunhava. Van Gogh embrulhou a orelha e ofereceu-a a Rachel, uma prostituta.
A verdade nunca veio ao de cima devido a um pacto de silêncio entre os dois. “No dia seguinte, Gauguin foi interrogado pela polícia. Foi então que inventou a história da auto-mutilação”, explicou Kaufmann ao jornal britânico "Daily Mail". Van Gogh tinha sido encontrado na cama a esvair-se em sangue mas nunca contou nada à polícia.
Os historiadores baseiam a tese do pacto de silêncio nas palavras finais de Van Gogh para o amigo: “Tu estás calado e eu estarei também”. Além disso, foram encontradas pistas para o sucedido na correspondência entre o pintor holandês e o seu irmão, Theo.

Fonte: Público

04 maio 2009

Vasco Granja (1925-2009)


Cresci com os programas do Vasco Granja na RTP. É portanto um post onde a nostalgia leva a melhor sobre qualquer outra coisa. Não possuía suficiente sentido crítico para saber se o que ele fazia era excelente, bom ou regular. Sei que a par de animação enfadonha (para a minha idade e gosto) havia autênticas preciosidades (que seduziam e excitavam a minha imaginação).
A partir de certa altura, já não me recordo quando deixei de ver TV e deixei também de seguir as escolhas do Vasco Granja.
Encontro-me assim diante de uma segunda descoberta, a de saber que foi muito mais do que alguma vez imaginara e que forjou o termo que todos usamos: banda desenhada. Quanto ao resto, deixo falar Carlos Pessoa, crítico que comecei a ler no Público há alguns anos e por quem nutro a simpatia de um leitor que não é especialista, mas mero e diletante amador. Espero que ele não leve a mal o excesso de transcrição.
«Autodidacta e com múltiplos interesses culturais ao longo da sua vida, Vasco Granja nasceu em Campo de Ourique (Lisboa) a 10 de Julho de 1925. Começou a trabalhar, ainda muito novo, nos antigos Grandes Armazéns do Chiado, e depois ao balcão da Tabacaria Travassos, na baixa lisboeta, que consideraria, anos mais tarde, a sua universidade. O seu interesse pelo cinema surge na adolescência e aos 16 anos chegaria a ser admitido como segundo assistente de fotografia no filme “A Noiva do Brasli”, de Santos Neves.
No início da década de 50 envolve-se no movimento cineclubista, tendo desempenhado funções directivas no Cine-Clube Imagem. Granja foi preso pela primeira vez pela polícia política do Estado Novo em Novembro de 1954, quando militava clandestinamente no PCP. Esteve preso sem julgamento seis meses e quando foi libertado voltou às suas actividades cineclubísticas e à divulgação cultural na imprensa. Datam de 1958 os seus primeiros artigos sobre o cinema de animação, nomeadamente na sequência da descoberta dos filmes experimentais do canadiano Norman McLaren.
No início da década de 60 arranja trabalho na Livraria Bertrand, onde se manteve até à reforma.
É preso de novo em 1963, julgado e condenado a 18 meses de prisão. Quando foi libertado, em 1965, Vasco Granja retoma a sua actividade cultural, com artigos nos “media” sobre cinema e literatura.
O seu nome é habitualmente associado à divulgação da banda desenhada em Portugal. O termo “banda desenhada” é, aliás, utilizado pela primeira vez por Granja num artigo publicado pelo “Diário Popular” em 19 de Novembro de 1966.
Integra a equipa fundadora da revista francesa de crítica e ensaio de banda desenhada “Phénix”, nos anos 60 e participa regularmente no Salone Internazionale dei Comics, em Lucca (Itália), o mais importante encontro do género nos anos 70.
Em Portugal, a sua actividade de divulgação da banda desenhada intensifica-se a partir do aparecimento da edição portuguesa da revista “Tintin”, em Junho de 1968, onde escrevia e traduzia artigo, além de ter a responsabilidade da secção de cartas aos leitores. Foi director da segunda série da revista “Spirou” (edição portuguesa) e coordenador da edição de banda desenhada da Bertrand. Animou o “Quadrinhos”, um dos primeiros fanzines surgidos em Portugal, em 1972. Esteve ligado à fundação da primeira livraria especializada de BD em Lisboa, O Mundo da Banda Desenhada, em 1978.
Em 1974 e 1975 integra o júri do Salão Internacional de BD de Angoulême. Depois de 25 de Abril de 1974, Vasco Granja mantém um programa regular sobre cinema de animação na RTP, que teve mais de 1000 emissões e divulgou sistematicamente as grandes escolas internacionais do género. Estava reformado desde 1990.»

A promiscuidade nacional


Jorge Sampaio uma no cravo outra na ferradura. Em causa o Bloco Central que, diz, permitiu bons resultados entre 1983 e 1985, ao mesmo tempo que chama a atenção para o que não deve ser: confundido nem colocado ao serviço de um “bloco central de interesses”, pois seria “maléfico para a vida política, económica e social”.
Sampaio sabe como muitos outros que uma das causas da actual corrupção deriva da promiscuidade desses anos, com consequências nefastas para o país, embora para uns quantos tenham sido anos de ouro, que legitimaram fortunas e grandes negociatas.
A política, no entanto, faz-se com o que se tem à mão e como o PS não deve bisar a maioria absoluta e precisa de governar só lhe resta a alternativa do centrão (Sampaio já foi de esquerda, mas a presidência deu-lhe a visão global que lhe faltava e é agora centrista).

02 maio 2009

Da campanha fixe de Soares ao 1º de Maio de Vital Moreira


O PS tenta capitalizar os acontecimentos de ontem com o senhor candidato Vital Moreira. Depois de o senhor Vitalino Canas ter realçado o papel do PCP nos acontecimentos, é a vez do senhor primeiro-ministro insistir na mesma tecla, já que nisto de cassetes é o mesmo para todos (televisões, jornais, partidos).
A lógica e a tradição partidária em que se formaram estes altos representantes da nação diz-lhes que a acção de meia dúzia de indivíduos é obra de uma hierarquia.
O que eles estão a mostrar-nos é o seu modus operandi. A política é sempre e quase só isso: jogos de retórica. Nos bastidores as coisas processam-se de outra maneira. Fazem-se negócios, assinam-se acordos, estabelecem-se outras regras. Há uma imagem para português ver e há a realidade das coisas (decidida secretamente).
Democracia, para esses senhores, é isso?
Vital Moreira foi alvo da fúria de gente que pensa com uma cabeça formada pelo clubismo e pelo bairrismo. Gente primária, que julga mandar na rua onde mora ou noutro lugar assim aberto. O mesmo aconteceu ao senhor candidato à presidência da República quando as sondagens lhe eram desfavoráveis. Algo que, segundo diversas analistas, mudou o rumo da campanha e determinou a vitória do "Bochechas".
Vital Moreira está longe de colher os ódios ou as simpatias do "Bochechas". Nota-se à légua que é homem de gabinete e de gabinete ordenado segundo a lógica do velho aparelho intelectual comunista. A rua não lhe sai com a naturalidade com que gostaria. E isso cria urticária nalguns dos que com ele se cruzam, embora ontem a suposta zaragata tenha tido origem no desprezo pelo Avô Cantigas.
Isto está a ficar mau. O povo português vê muita TV e a TV dá muita música. Pelos vistos os mais velhos ficaram traumatizados com o Avô Cantigas. Ora talvez fosse bom o PS deixar-se de cantigas e começar a mostrar o que quer para a Europa. Se calhar o problema está aí: quer mais cherne e que continue tudo na mesma.
Supomos que vão ser novamente eleições muito participadas.

A última viagem de Karst Tates


Nada dissemos sobre o atentado holandês porque nada havia para dizer. Ao vermos as imagens estranhas (e o adjectivo não é gratuito) logo se impunha o porquê? para o qual não havia nenhuma resposta. Segundo se diz, o condutor do veículo era um homem tranquilo, tímido, simpático até, de 38 anos, que vivia sozinho e estava desempregado há poucos meses. Consta que acabara de entregar a chave do apartamento, por não ter meios para pagar 580 euros de renda.
Por que atacou o autocarro onde seguia a família real continua a ser uma incógnita. Tê-lo-á feito em protesto contra a sua situação de desempregado? Mas porquê contra a rainha?
Para os holandeses, além dos mortos, incomoda-os o ataque em si e a possibilidade de as comemorações do
"Dia da Rainha" nunca mais serem como até aqui. Era costume Beatriz ou o príncipe-herdeiro Guilherme-Alexandre contactarem informalmente com os seus concidadãos e movimentarem-se frequentemente nas ruas sem especiais medidas de segurança. Algo que terá de ser repensado de hoje em diante.
O acto tresloucado de
Karst Tates não veio chamar a atenção para a situação desesperada dos que perderam o emprego, mas para as questões de segurança da família real.
A Holanda poderia talvez repensar o modo como olha para aqueles que deixam de ter fontes de rendimento para viver dignamente, mas prefere pensar na família real. Ora aí reside precisamente o busílis da questão. O que leva um homem pacato a enfiar-se dentro do seu carro para atropelar crianças e adultos com o propósito de ameaçar o topo da hierarquia holandesa?
Nem uma mensagem deixou (ou se a deixou ela não foi tornada pública). Tinha mulher e filhos? Não se sabe (há quem afirme que tinha filhos) e sabê-lo ajudaria a elaborar teorias de conspiração. Por ora continuamos com um acto isolado que criou sururu e fez cair momentaneamente sobre a Holanda o fantasma do terrorismo (algo que permite sempre cercear a liberdade dos cidadãos em nome de uma suposta segurança).
E o suicida trabalhava nesse ramo. O pai era funcionário municipal. Ele estudava de dia e trabalhava de noite. Apenas recordam, aqueles que costumavam vê-lo, que tinha as patilhas bem cortadas. E foi esse homem que pôs em cheque uma tradição. Ao volante de um automóvel.

01 maio 2009

Fala Emanuel Jorge Botelho, poeta, açoriano e leitor







Carol Ann Duffy, a primeira Poet Laureate


A coroa britânica concede o título de Poet Laureate, distinção honorífica instituída em 1668, era então rei Carlos II e que leva já mais de três séculos.
John Dryden, William Wordsworth, Ted Hughes são alguns dos muitos poetas a quem foi atribuído o título. A lista completa pode ser consultada aqui.
Segundo reazam as crónicas, já há dez anos se ponderou a atribuição dessa distanção a Carol Ann Duffy, tendo pesado a sua condição homossexual para o adiamento da decisão.
Duffy, reconhecida poeta e dramaturga, é também autora de contos de fadas e de livros de poesia para crianças. The World's Wife (que fala das mulheres de conhecidos vultos da história)data de 1999 e é um dos seus livros mais conhecidos e apreciados. Entre os mutos prémios que recebeu, refira-se o T.S. Eliot de há quatro anos, pela obra Rapture, apaixonada série de poemas dedicados a uma amante não identificada. Entre outros livros, refiram-se: Standing female nude (1985), I Wouldn't Thank You for a Valentine (1992), Feminine Gospels (2002).
O poema que a seguir transcrevemos pertence a Standing female nude.

Education for Leisure


Today I am going to kill something. Anything.
I have had enough of being ignored and today
I am going to play God. It is an ordinary day,
a sort of grey with boredom stirring in the streets.

I squash a fly against the window with my thumb.
We did that at school. Shakespeare. It was in
another language and now the fly is in another language.
I breathe out talent on the glass to write my name.

I am a genius. I could be anything at all, with half
the chance. But today I am going to change the world.
Something’s world. The cat avoids me. The cat
knows I am a genius, and has hidden itself.

I pour the goldfish down the bog. I pull the chain.
I see that it is good. The budgie is panicking.
Once a fortnight, I walk the two miles into town
For signing on. They don’t appreciate my autograph.

There is nothing left to kill. I dial the radio
and tell the man he’s talking to a superstar.
He cuts me off. I get our bread-knife and go out.
The pavements glitter suddenly. I touch your arm.

África, o berço da humanidade


As populações humanas dispersas pelo mundo vieram todas de África há cerca de 100 mil anos, atravessando a zona do Mar Vermelho. A maioria manteve-se nesse território. Isso mesmo ficou demonstrado no maior estudo genético sobre as populações africanas, que veio a público na revista "Science Express".
Aí de diz também que a diversidade entre as populações africanas é maior do que a que existe entre as populações do resto do mundo. Isto porque o tempo que essas populações viveram em África é o dobro do que a população que saiu do continente e foi percorrendo e fixando-se em todo o planeta.
A investigação analisou o ADN do núcleo das células em 127 populações africanas, 60 populações não africanas e quatro populações afro-americanas.
Os investigadores, através da genética, conseguiram ainda inferir acontecimentos migratórios dentro de África, e chegaram à conclusão que a população que saiu do velho continente para literalmente conquistar o mundo atravessou a região a meio do Mar Vermelho.

29 abril 2009

O nome da gripe


Era suína e assim continua a ser designada em todo o lado, excepto no Público, que a rebaptizou de gripe mexicana. Será que o exemplo vai ser seguido por outros?
Os produtores de gado suíno devem ter ficado satisfeitos com a mudança do Público. Porque receiam que o nome da gripe afecte o consumo de carne de porco, mesmo que não haja nenhuma relação entre o consumo dessa carne e a possibilidade contágio.
Os principais vírus da gripe mexicana são o H1N1 e o H3N2, estirpes que se desenvolveram através dos seres humanos, mormente os que residem nos Estados Unidos da América. O primeiro com berço em 1918, o outro com berço em Hong Kong, no ano da graça de 1968. O que acontece é que os suínos podem (como tem acontecido) ser portadores desses vírus humanos ou aviares.
Portugal até ao momento não regista nenhum caso de gripe mexicana, apesar de alguns falsas ameaças. O que não significa que não venham a aparecer, pois a cada dia que passa o número de alertas aumenta.

28 abril 2009

Madalena Matoso - Prémio Nacional de Ilustração 2008



A ilustradora Madalena Matoso venceu o Prémio Nacional de Ilustração 2008 pelo seu trabalho no livro "A charada da bicharada", de Alice Vieira.
A charada da bicharada, editado em 2008, pela Texto Editores, é um livro de charadas de Alice Vieira que convida o leitor a adivinhar o nome dos animais, num jogo em que a ilustração de Madalena Matoso assume um importante papel.
O júri atribuiu ainda uma Menção Especial ao livro O Cuquedo da Livros Horizonte, com ilustração de Paulo Galindro e texto de Clara Cunha e ao livro És Mesmo Tu?, do Planeta Tangerina, com ilustrações de Bernardo Carvalho e textos de Isabel Minhós Martins.
Mereceram uma menção do júri os autores e os livros:
Afonso Cruz, Histórias de Reis e Princesas, Asa.
Bernardo Carvalho, Um Dia na Praia, Planeta Tangerina.
Danuta Wojciechowska, O que se vê no ABC, Caminho.
Inês Oliveira, Milagre de Natal, Civilização.
Luís Henriques, Sabes, Maria, o Pai Natal não existe, Caminho.
Madalena Matoso, Trava-Línguas, Planeta Tangerina.
Rachel Caiano, A Casa de Férias, Histórias do Senhor Valéry, Caminho.
Teresa Lima, Lá de cima cá de baixo, Gailivro.

Uma garrafa em Auschwitz-Birkenau



Operários que trabalhavam perto do antigo campo de concentração de Auschwitz-Birkenau encontraram uma garrafa no interior do qual estava uma mensagem escrita por prisioneiros.
Escrita a lápis e datada de 9 Setembro de 1944, a mensagem contém os nomes, os números de campo e as terras de naturalidade de sete jovens prisioneiros da Polónia e de França (Bronislaw Jankowiak, Stanislaw Dubla, Jan Jasik, Waclaw Sobczak, Karol Czekalski, Waldemar Bialobrzeski e Albert Veissid. Este último ainda está vivo, de saúde e reside em França).
A garrafa foi colocada num muro de cimento de uma escola cuja estrutura os prisioneiros tinham sido forçados a consolidar. As instalações da escola, a poucas centenas de metros do campo, eram usadas como armazéns pelos nazis.
Os nazis exterminaram 1,1 milhões de pessoas em Auschwitz - na sua maioria judeus, mas também polacos não judeus e ciganos, homossexuais e outros.

Fonte: JN

A gripe espanhola


O El País de hoje recorda o número de mortos da pneumónica ou gripe espanhola que matou 40 milhões de pessoas em todo o mundo, em 1918. A I Guerra Mundial terminou, nesse mesmo ano, com nove milhões de mortos. A gripe dizimou muito mais gente.
Foi a pior das três epidemias mundiais de gripe do século XX (1918, 1957 e 1968), e a pior pandemia de qualquer tipo registada na história. O vírus que a causou não provinha dos porcos mas das aves, de resto, era H1N1, como o actual. O H1N1 foi, até 1918, um vírus aviar, sofrendo depois mutações que causaram a morte de milhões de pessoas.
Os efeitos foram tão devastadores por causa da censura da guerra. Os países implicados não davam informações sobre a epidemia para não desmoralizar as tropas, de modo que as únicas notícias vindas a público foram as dos jornais espanhóis. Daí a designação de "gripe espanhola". O primeiro caso registado surgiu em Camp Funston (Kansas) a 4 de Março de 1918. Nessa altura, o vírus causava apenas um leve transtorno respiratório, embora fosse já muito contagioso, como qualquer gripe. Assim, em Abril tinha-se já propagado por toda a América do Norte e também pela Europa com a presença das tropas americanas.
A 22 de Agosto, em Brest, uma das principais entradas dos soldados norte-americanos na Europa, registam-se centenas de casos e espalha-se rapidamente, tendo sofrido alterações que tornaram o vírus letal. Provocava rápida pneumonia e dois dias mais tarde a morte. Na Índia, registaram-se 12 milhões de mortos.
Foi a chegada do vírus aos lugares mais recônditos que permitiu reconstitui-lo há quatro anos. Johan Hultin e cientistas militares, juntamente com Jefferey Taubenberger, lograram resgatar os genes do vírus dos pulmões de uma das vítimas, uma mulher que morrera em 1918 numa povoação esquimó do Alasca. O frio preservara-o e foi possível verificar que era um vírus da gripe aviar, com 25 mutações que se multiplica 50 vezes mais depressa do que o da gripe comum após o primeiro dia de infecção e 39.000 vezes mais nos quatro dias seguintes.

27 abril 2009

Poesia visual


Noteboek from Evelien Lohbeck on Vimeo.

Via frenesi

Já começou? Ou ainda é só alarme?


Os cenários de pandemia já deixaram de ser cenários para se tornarem realidade. Nos EUA também já há várias pessoas infectadas, incluindo crianças em idade escolar.
Na Europa, também já surgiram vários sinais: Dinamarca, Suíça, Itália, Suécia estão debaixo de mira. Espanha tem vários casos.
Brasil, Colômbia, Israel, Nova Zelândia e Austrália são outros países com notícia de gripe suína. A origem é sempre a mesma: México.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) antecipou uma reunião para hoje e pode aumentar o nível de alerta mundial. A agência da ONU considera que há o risco de uma pandemia e teme que o vírus possa sofrer uma mutação, que o tornaria mais perigoso.
Por enquanto, o alarme é maior do que o vírus, mesmo tendo em conta o número de mortos. As possibilidades de a epidemia acontecer e ter expressão mundial não está ainda descartada. Os próximos dias serão fundamentais para perceber como evolui o vírus.
Para já entretenham-se a aumentar o mapa das ocorrência do vírus no ano passado.

26 abril 2009

Será que se vai repetir o fenómeno?


Depois da crise, mais notícias preocupantes nos chegam do Novo Mundo. Agora sob a forma de epidemia.
A directora da Organização Mundial de Saúde Margaret Chan afirmou hoje que há um potencial do surto do vírus da gripe suína no México e Estados Unidos se transformar numa pandemia.
O vírus em causa é de gripe A, designado como H1N1, contendo no seu ADN uma mistura até agora desconhecida de vírus aviários, suínos e humanos, incluindo elementos dos vírus suínos europeus e asiáticos, explicou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). A vigilância da gripe tem sido intensificada desde 2003, quando a gripe aviária H5N1 reapareceu na Ásia. Desde então os especialistas temem que essa ou outras variedades possam desencadear uma pandemia capaz de provocar milhões de mortes.
Segundo a directora-geral da OMS "trata-se claramente de um vírus animal que se transmitiu ao Homem e isso tem um potencial pandémico, porque está a afectar pessoas". Margaret Chan disse que, apesar de ainda ser cedo para afirmar se vai ocorrer uma pandemia, a situação "está a evoluir muito rapidamente", sendo o grupo mais afectado o dos jovens adultos saudáveis, que habitualmente não tomam vacinas para a gripe.
Nos inícios do século passado, aliada à crise económica, veio a guerra e uma epidemia (a pneumónica) que matou milhares de pessoas. Será que se vai repetir o fenómeno?
Desta vez a comunicação é mais fácil e muito mais rápida. Portugal já está de prevenção.

25 abril 2009

Para que servem as bibliotecas?



Além de guarda de uma parte do que se vai publicando, as bibliotecas passaram a disponibilizar acesso gratuito à net. O que, num tempo de crise, é fundamental. Que o digam quantos as usam diariamente como fonte de recursos para... um emprego.
Em Nova Iorque a Biblioteca Pública tem sido o "trabalho" de muitos dos que se viram de repente privados de uma fonte de subsistência. Ninguém se recorda de ver tanta gente de fato e gravata nas bibliotecas públicas de Nova Iorque como agora. O motivo é a crise. Uma boa parte dos novos frequentadores são pessoas que ficaram subitamente desempregadas.
«"Há décadas que estamos nesse negócio da busca de emprego", diz Paul LeClerc, presidente da instituição. Além do venerável e famoso edifício na rua 42, a New York Public Library (NYPL) tem dezenas de sucursais espalhadas pela cidade. Em todas elas tem havido um afluxo de desempregados à procura de ajuda, ou simplesmente dos computadores.
A busca de emprego é um processo muitas vezes longo e que hoje em dia passa quase sempre pela Internet. Ter acesso gratuito a um terminal - e funcionários treinados para ajudar, por exemplo, a preencher candidaturas de emprego - pode significar a diferença entre uma situação normal ou a degradação progressiva e irreversível.
É que o desemprego não é mau apenas do ponto de vista financeiro. O sentido pessoal de auto-estima está frequentemente associado ao trabalho que se tem, ou não. A ausência de uma rotina diária é perigosa em si mesma. E os desempregados estão sujeitos a um conjunto de humilhações diárias que podem levar a estados de vergonha paralizantes.
Talvez por isso, segundo LeClerk, muitos dos actuais visitantes da NYPL não revelaram aos seus conhecidos que perderam o emprego. Alguns nem sequer terão contado à família. Saem de manhã como sempre saíram, como a roupa que sempre usaram, e dirigem-se à biblioteca, onde passam o dia.»

Fonte: Expresso

Retóricas


O discurso do Presidente da República é uma súmula de banalidades que serve para entreter jornalistas e políticos mas nada diz ao comum dos cidadãos.
Apelar a isto ou àquilo não resolve nada. Como não o faz dizer que é preciso apostar nas questões mais importantes para o país, que segundo Cavaco, são o "emprego, a segurança, a justiça, a saúde, a educação, a protecção social e o combate à corrupção".
Há anos que se repete a ladainha e, na prática, o que tem acontecido é cavar o fosso entre ricos e pobres. Cada vez há mais pobres e os ricos estão cada vez mais ricos.
Os portugueses estão cansados de discursos desses. E a incredulidade manifesta-se com um aumento da abstenção.
Vejamos um caso simples: a educação. Espanha, que tem, como nós, muito insucesso e abandono escolar (as ditaduras deixam feridas profundas) já começa a perceber que a um maior interesse dos pais correspondem melhores resultado escolares dos filhos, com o consequente sucesso. Por cá continua a chutar-se para canto e a brincar aos discursos, mas de concreto NADA!
Um nada extensível à justiça, à saúde, ao emprego. Pela simples razão de que toda a retórica continua a assentar em premissas falsas: a de que os cidadãos são idiotas; a de que as pessoas apenas querem benesses e não estão dispostas a fazer sacrifícios.
Quando se anunciam medidas como a da atribuição de medicamentos gratuitos a quem deles precisa e não tem dinheiro, pouco antes de eleições, os portugueses ficam com urticária: desconfiam, pois isso já devia ter acontecido. O governo, independentemente dos efeitos sociais da medida, espera colher benefícios eleitorais. O esquema é recorrente e usado por todos, oposição incluída. Mas esquecem-se de que sendo assim, a descrebilização da classe política é constante, pois as pessoas percebem como as coisas funcionam. E se se sujeitam é porque é complicado encontrar equilíbrios colectivos, dada a maneira de ser das pessoas, mais aptas ao conflito do que aos consensos. Talvez por isso, gostam, de um modo geral, dos governos autoritários que, contra tudo e todos (crêem) tomam medidas impopulares. O pior é haver tantos telhados de vidro (Sócrates é um bom exemplo).
Assim, enquanto meia dúzia continua a auferir salários muito acima da média europeia, a maioria recebe meia dúzia de euros, mesmo depois da vertiginosa escalada que os preços sofreram quando Portugal mudou o escudo pelo euro. E que possibilitou enriquecimento a muitos. Empresas há que continuam a ter lucros fabulosos, mesmo com a crise. Enquanto o número dos que já quase não têm para comer aumenta.
Repare-se no preço das casas e dos bens de primeira necessidade e compare-se com os discursos de saúde e bem-estar para perceber o desfasamento.
A retórica do «é preciso que» apenas serve para fazer de conta. Portugal precisa de mais, sob pena de perder o pouco que conseguiu com o 25 de Abril de 1974.

23 abril 2009

Limpar a memória


A memória colectiva dos portugueses sempre foi fraca. O que não espanta. São muitos séculos de ignorância e de miséria.
Que nos dias de hoje haja quem queira transformar um ditador num herói, só mostra como a indiferença geral faz parte do quotidiano. Salazar foi um ditador. E no seu tempo jamais se poderia dar o nome de Humberto Delgado a uma praça ou a uma rua. No entanto, para os democratas da terra natal do ditador, atribuir à praça o seu nome é não só legítimo como ainda se argumenta que ele faz parte da nossa história. Há mais ditadores. Por isso, poderiam os de lá de Santa Comba Dão começar a designar as artérias com quantos ditadores influenciaram a nossa vida: Hitler, Estaline, Franco, Pinochet e por aí fora. Sempre a pretexto de que "quer se goste ou não, faz parte da história".

Portugal e a democracia


Portugal mudou e muito desde que optou pela democracia. E só quem tem o cérebro obstruído pode afirmar o contrário. Mudou tanto que se o bem-estar de agora fosse retirado às pessoas elas não saberiam como viver.
Mudou ao nível da educação, da saúde, da higiene, da alimentação, da liberdade, do emprego, da cultura, da rede viária e aérea.
Portugal é hoje um país muito mais europeu do que há 35 anos.
A população aumentou. O número de pessoas com mais de 70 anos duplicou, passando de 560 mil, na década de 1970, para 1,2 milhões, resultado do aumento da esperança de vida, que deu mais 13 anos aos homens e 15 às mulheres.
Em 1975 residiam no território nacional cerca de 32 mil estrangeiros, segundo dados do Serviço Estrangeiros e Fronteiras (SEF), em 2007 esse valor subiu para 435 mil, sem contar com os imigrantes ilegais. E recorde-se que Portugal era um país donde se emigrava. Entre 1960 e 1974 registaram-se os valores mais elevados da emigração no país: mais de 1,5 milhões de portugueses, ou seja, 100 mil por ano, saíram de Portugal, de acordo com o Atlas de Portugal do Instituto Geográfico Português.

22 abril 2009

A Casa das Tias


Restaurada e reabilitada, a Casa das Tias volta a ser um lugar habitável. Depois de ter sido moradia, tornou-se escola primária, caindo mais tarde na ruína. Agora, passa a dispor de novas funcionalidades. A biblioteca municipal José Silvestre Ribeiro desloca-se da Praça Francisco Ornelas da Câmara para o edifício em frente da Igreja da Misericórdia, o mesmo acontecendo com a sala de reuniões da Assembleia Municipal.
A autarquia praiense optou por transpor as funcionalidades que tinha no edifício da Praça para a Casa das Tias. Poderia ter optado por outras funcionalidades, dotando a ilha de um centro de exposições de arte contemporânea, mas preferiu conservar aquilo que tem sido prática na localidade.
Esperar-se-ia que a edilidade possuísse um edifício que congregasse todos os seus serviços, mas preferiu espalhá-los pelos diversos edifícios que possui. Algo que onerará os custos de manutenção, mas que tem a vantagem de preservar e dar utilidade a algum do património construído.
Corrija-se apenas o seguinte, relativamente à notícia: Nemésio é autor de apenas um romance: Mau Tempo no Canal.

21 abril 2009

Biblioteca digital em português


A UNESCO reuniu 32 instituições mundiais e criou uma plataforma gratuita de internet que reúne documentos de bibliotecas e arquivos de todo o mundo. O projecto, que foi desenvolvido por uma equipa da biblioteca do congresso norte-americano, tem com objectivo aprofundar a singularidade das diferentes culturas num único projecto global e está acessível em português.
Aí se podem ver mapas e gravuras muito antigas com datas que vão desde 1500 até quase 1900.
Um dos destaques vai para o mapa de Lisboa, depois do terramoto de 1755. A reconstrução da cidade pode ser vista nesse mapa.
Um outro mapa, em aguarela e bico de pena do século XVI, faz parte de um Atlas da Madeira e dos Açores, onde é possível ver detalhadamente os diversos portos da ilha da Madeira.
A descrição de Portugal, por alturas de 1500 é incluído num outro mapa feito pelo cartógrafo que fez o primeiro mapa do país, mas mostra o Algarve no sudoeste da Península Ibérica.
Podem-se ainda consultar documentos históricos, também um novo mapa que mostra as explorações espanholas e portuguesas com observações dos mais engenhosos geógrafos de Espanha e Portugal, que fazem as delícias dos que gostam de História.
Portugal tem direito a 13 arquivos históricos, Espanha por exemplo a três e Timor Leste a um arquivo. Trata-se de um livro, da autoria de Afonso de Castro, um capitão de infantaria do Exército Português que serviu como governador de Timor-Leste no período de 1859 a 1863, que pode ir analisado online e que é um dos primeiros estudos históricos desta antiga colónia Portuguesa.

Fonte: TSF

20 abril 2009

8850 quilómetros de muralha


A Grande Muralha da China é a maior estrutura construída pelo Homem e foi erguida na fronteira norte do Império Chinês, qual dragão que percorre um ziguezagueante caminho por entre desertos e montanhas. É Património Mundial da Unesco desde 1987.
Há quem pretenda que é visível da lua e se há coisa que o povo gosta é da lua. As secções mais largas da Grande Muralha têm cerca de 10 metros de largura e um objecto de 10 metros de largura só pode ser visto a olho nu a uma distância máxima de 36 quilómetros, se se verificarem óptimas condições atmosféricas. Ora a lua está a 380 mil quilómetros da Terra.

Puros e castos



Silvio Berlusconi e Mara Carfagna (ministra da Igualdade de Oportunidades) pintados por Filippo Panseca

Sexo, procura-se


Já ouviu falar do SexLab? É uma unidade laboratorial de investigação em sexualidade humana que acaba de ser criada na Universidade de Aveiro (UA), ao abrigo de uma parceria que envolve também as universidades de Coimbra e Trás-os-Montes.
O SexLab procura 50 homens e 50 mulheres, com idades entre os 18 e os 50 anos e com diferentes habilitações literárias, para o primeiro teste, A saúde sexual da mulher e do homem: contributos para um modelo de compreensão biopsicossocial. Com um nome assim comprido os testes não o deverão ser menos: numa sala onde é garantida total privacidade, as pessoas são levadas a observar filmes de conteúdo sexual (que produzem os estímulos sexuais) e, enquanto observam esses filmes, a sua resposta sexual está a ser medida por instrumentos próprios, colocados nos órgãos genitais. Em simultâneo, são também medidas outras respostas fisiológicas, como a frequência respiratória e cardíaca, e, no final de cada filme, são também colocadas algumas questões aos indivíduos, para avaliar sentimentos e emoções, ou seja, as respostas subjectivas aos estímulos.
O mais curioso é acreditar que amostras tão reduzidas produzem dados representativos. Talvez o elemento químico seja preponderante para os cientistas, mas como avaliar o elemento emocional? Meia dúzia de perguntas serão suficientes? Partir de filmes para testar relações humanas que envolvem fisicidade e espírito será um bom ponto de partida?
Por algum tinham de começar, não era?
Os investigadores esperam perceber o que explica a diferença entre homens e mulheres na resposta sexual, bem como perceber a discrepância que existe entre resposta fisiológica e subjectiva (sentimentos e emoções). Daqui fazemos votos para que sejam bem sucedidos.

19 abril 2009

J. G. Ballard (1930-2009)


James Graham Ballard, um dos grandes visionários do século XX, considerado o último dos surrealistas e mestre da ficção científica, morreu hoje, com 78 anos, por causa de um cancro da próstata que há muito o afligia.
Britânico, nasceu em Xangai, onde viveu uma infância exótica e aventureira, tendo sido testemunha da invasão japonesa que o levou, a ele e à família para o campo de concentração de Lunghua. Essa experiência dramática deu origem ao romance autobiográfico O império do sol.
Foi para o Reino Unido já adolescente e custou-lhe a adaptação ao mundo cinzento e fechado da sociedade britânica do pós-guerra. Estudou Medicina, algo que é bem evidente nos seus livros, nomeadamente pelo recurso à anatomia, patologia e dissecação, às vezes de uma perturbadora fisicidade e sexualidade. Esteve na força aérea (RAF), que lhe proporcionou o curso de piloto e um imaginário particular, especialmente o que se relaciona com voos e aparatosas quedas de aviões.
Edifícios desabitados, night-clubs e hotéis abandonados, piscinas sem ninguém, desertos são alguns dos não-lugares que comparecem nos seus contos e romances, povoados pela estranheza e pela desolação.
Alguns dos seus livros foram transpostos para o cinema, como O império do sol, realizado por Spielberg e Crash, por David Cronenberg.

17 abril 2009

Aventuras no país do zé com medo


O Zé vai ao médico e o médico faz-lhe perguntas. Se o Zé, constrangido por estar ali, perde o pio ou se embrulha todo, sem conseguir articular o alfabeto, que faz o médico?
Os sintomas, meu Deus, os sintomas são o busílis. O pior é a capacidade de expressão do paciente (nome a todos os títulos notável, pois é necessária muita paciência para com os médicos).
São às dezenas as campanhas disto e daquilo para chamar a atenção do Zé quanto à sua saúde, mas na verdade isso não é bem assim, pois mal o Zé recorre aos serviços de saúde pública vê-se a braços com uma trapalhada. Se não tem médico de família, então...
Pode dar-se o caso de os médicos não saberem que fazer em muitos casos e sem algo de banal ou recorrente, despacham o paciente Zé para casa, às vezes com uma receita para que ele ache que tudo se vai resolver.
Os médicos são pessoas que têm de aturar muita doença ao dia. Muitos sintomas, muitas dores, muitas queixas. Mas a medicina não é magia, limita-se a responder que já foi estudado e testado. Já os problemas do Zé são os dele em concreto e se vai ao médico porque sente desconforto, porque há uma dor ou um incómodo persistente mas não febre nem nada de manifestamente visível, que pode fazer o médico?
Prescreve. Imprime. Assina.
Infelizmente temos uma tradição farmacêutica que vive à grande, em muito por culpa do excesso de posologia. Mas quem muda essas regras? Pelos vistos ninguém.
E quem paga a factura, claro, é o Zé. Paga-a em triplicado: impostos, honorários, farmácia. Ganda Zé, hein? Não há problema, pois os médicos vão já tratar do assunto: por referendo.
O Zé salta de contente. Ou será com medo?

16 abril 2009

Franco Volpi (1952-2009)


Os poetas e os filósofos gostam de andar de bicicleta. Os automobilistas gostam pouco de ciclistas e não raro enviam-nos para os braços de Tanatos.
Que o diga o filósofo Franco Volpi (Vicenza, 1952) que na segunda feira foi albarroado por um automobilista quando passeava na sua bicicleta, acabando por morrer no hospital.
Professor na Universidade de Pádua e colaborador regular do jornal La Repubblica, Volpi era especialista em Filosofia alemã, nomeadamente em Martin Heidegger, reflectindo também sobre a relação entre a Filosofia e a Psicologia actual.
Entre as suas obras refiram-se O nihilismo (1996), Heidegger e Aristóteles (1984) e Sobre a fortuna do conceito de decadência na cultura alemã (1995).

15 abril 2009

Estes noruegueses são loucos!


Ia a mais de 130 Km/h e a fazer amor. Estes noruegueses são loucos! (sim, sim, parafraseamos Astérix e Obélix).
O casal - ele com 28 e ela com 22 anos - foi detido anteontem pela polícia rodoviária norueguesa numa estrada a oeste da capital do país, Oslo.
Prenderam-nos porque circulavam a 133 km/hora, numa área com velocidade máxima limitada a 100 km/hora e porque o carro seguia aos ziguezagues. É que a mulher estava sentada no colo do homem que a penetrava e não podia ver quase nada porque as costas dela tapavam-lhe a visão.

Leia mais aqui.

Sem eira nem beira dos Xutos e Pontapés



A canção tornou-se um hino que exprime a revolta.
Eis a letra:

Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou-bem

Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar/Despedir
E ainda se ficam a rir
Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor

Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir/Encontrar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer

É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir
Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar/A enganar
o povo que acreditou

Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder

Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão