06 abril 2009

Rafael Bordalo Pinheiro, ceramista



Lisboa pode ver jarras, pratos, bilhas, potes e animais de louça da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro. Para contextualizar os visitantes, a exposição terá presente fotografias e documentos sobre a fábrica que ele criou em 1884 nas Caldas da Rainha e alguns projectos e desenhos originais do humorista e ceramista português.
Pena é que não haja a tradição de criar exposições didácticas e levá-las pelo país, em coordenação com as escolas, de forma a que os portugueses vão conhecendo um pouco do seu património artístico, ao mesmo tempo que aprendem a valorizá-lo.

Sismo de 1980, ilha Terceira

Sismos e Açores


Quando há notícias de sismos fico sempre com a esperança de que as autoridades açorianas deitem as mãos à cabeça e façam o que deviam fazer: simulações, treinos, preparar as novas gerações para um sismo. Mas, nada. O governo de César está há mais de uma década no poder e até agora pouco ou nada fez nesse sentido. Nem depois do sismo do Faial.
As pessoas têm coisas e mais coisas penduradas nas paredes, por cima das camas, nos espaços onde estão mais tempo. Os perigos são enormes, mas ninguém parece preocupar-se.

05 abril 2009

A Pedra da Eloquência


Uma pedra pode não ser apenas uma pedra, é o caso da Pedra de Blarney ou Pedra da Eloquência que se encontra sob uma ameia no Castelo de Blarney, em Cork, na Irlanda. Rezam as muitas lendas que a Pedra concede o dom da eloquência a todo aquele que a beijar. Para beijá-la, o visitante tem de inclinar-se para trás, segurando-se a um corrimão. Nem sempre foi assim, antes era agarrado pelos pés o peregrino que quisesse beijá-la.

Muitas lendas tentam explicar o ritual de beijar a pedra azulada de Blarney. A mais conhecida conta que a Pedra possui poderes mágicos que envolvem uma velha mulher, supostamente uma bruxa, que foi salva de morrer afogada pelo Rei de Munster. A mulher ficou tão agradecida que lhe concedeu o dom da eloquência. O Rei teria apenas de beijar a pedra do topo do Castelo. Com esse gesto não só ganharia o dom da eloquência como passaria a ser querido por todos.

O dia amanheceu com atletismo


Porque correm as pessoas? Para se manterem saudáveis? Para provarem a si próprias que estão em forma? Para vencerem um desafio: o do tempo, o da dificuldade?
Eu cá acho que são poetas. Correm porque gostam de fazer coisas inúteis. Correr por correr é belo e que há de mais inútil que o belo?
Elas correm, às dezenas, umas correm sozinhas, outras em grupo. Quase todas muito sérias, muito compenetradas do seu atlético papel. Como se correndo chegassem a um outro patamar das suas vidas. E correm, correm.
Poderiam ficar em casa a dormir até mais tarde, mas não: correm.
Poderiam estar na net a actualizar blogues, mas não: correm.
Poderiam limpar os aposentos ou preparar um lauto almoço, mas não correm.
Será que são críticos literários? Talvez críticos de arte... Quiçá promotores culturais...
Não, não, não.
Correm, sentem o movimento ritmado dos pés no solo. Sentem os calções e demais equipamento técnico no corpo e sentem-se bem por isso e por correrem, é como se fossem maratonistas de pequeno porte, gigantes à sua maneira, claro.
O dia amanheceu com atletismo em vários pontos do país.
Ah atletas, atletas.

03 abril 2009

Literatura açoriana ou talvez não


Cristóvão de Aguiar, natural (1940) da freguesia do Pico da Pedra, ilha de S. Miguel, rejeitou o rótulo de literatura açoriana, por considerar que ela faz parte da produção literária lusófona, que abrange todos os países de língua portuguesa.
"O título (literatura açoriana) é equívoco, porque pode parecer que é uma literatura separada da literatura portuguesa", afirmou à agência Lusa o escritor, na opinião do qual o conceito foi criado para que alguns escritores locais se pudessem destacar, já que não tinham lugar na literatura portuguesa.
Frisando que também não há literatura transmontana com Miguel Torga ou beirã com Aquilino Ribeiro, Cristóvão de Aguiar considerou que a produção literária nos Açores, ou tendo como pano de fundo os Açores, constitui "um enriquecimento da nossa língua e literatura", mas "não merece perdas de tempo em discussões que não levam a parte nenhuma".
"Há uma maneira muito fácil de fugir a todo esse problema escatológico que é chamar literatura lusófona, onde cabem todos os países de língua oficial portuguesa", defendeu Cristóvão de Aguiar, que conta com mais de 30 títulos publicados.

Fonte: DN

02 abril 2009

Helen Levitt (1913 - 2009)





Helen Levitt (Bensonhurst, 1913 - Manhattan, 2009) cresceu em Brooklyn e desde cedo revelou interesse pela fotografia. Registou os desenhos feitos a giz pelas crianças de rua, fotografando-os a eles e às crianças, o que lhe granjeou fama.
O trabalho que produziu ao longo de quase 50 anos de carreira inspirou-se em Cartier-Bresson e Walker Evans, com quem chegou a colaborar numa série de fotografias captadas nos arredores de Nova Iorque.
As suas primeiras imagens datam de 1936 e o grosso da sua obra guarda cenas do quotidiano de rua de Nova Iorque, particularmente da zona de Manhattan, onde vivia.
A exposição Children: Photographs of Helen Levitt no M.O.M.A., de 1943, lançou a sua reputação como fotógrafa.
Nova Iorque foi o cenário dominante da sua obra e da sua vida. Praticamente só saiu da cidade para ir ao México fotografar homens a beber nas cantinas locais, um trabalho que recolheu no álbum "Helen Levitt: Mexico City" (1997).
A partir da década de 1960 começou a fotografar a acores.

Este governo tão preocupado com o défice...

... esqueceu-se do resto. E agora começa a vir à tona a asneirada.
«O Governo socialista fez aprovar, em 2006, alterações à lei que permitem aos grupos financeiros a isenção total dos rendimentos das suas filiais, refere um relatório de auditoria da Inspecção-Geral de Finanças (IGF). O Ministério das Finanças não quis comentar ao PÚBLICO esta análise.
Em causa está a opção escolhida na adaptação para a lei portuguesa da directiva comunitária para evitar a dupla tributação de rendimentos (90/435/CEE). Ao contrário de noutros países - como é citado pela IGF o caso espanhol - a IGF considera que "o legislador português optou pela solução que, sendo a mais simples do ponto de vista administrativo, propicia o desenvolvimento de mecanismos de planeamento fiscal" abusivo e é "a mais penalizadora para os interesses do Estado".»

Claro que a crise faz levantar véus que doutro modo passariam despercebidos. Andava o pagode a suportar o défice e a banca a anunciar altos dividendos, quando a crise lhes caiu no colo. Primeiro pensaram que se tratava da cinza de algum charuto, depois começaram a ver que era mesmo fogo. E agora já se vê como os socialistas defendem a democracia. Força, força, companheiro Santos.

31 março 2009

Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo


A Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo possui cinco raros e belos incunábulos e várias dezenas de valiosos livros antigos e obras raras, ente estas das primeiras publicadas nos Açores. Além disso, a Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo beneficia do depósito legal, recebendo, por isso e por determinação legal, um exemplar de cada publicação portuguesa, tal como a Biblioteca Nacional de Portugal.
A biblioteca incorpora uma variedade de fundos: o Fundo Municipal, as bibliotecas pessoais de Francisco Jerónimo da Silva, Mendo Bem, Luís da Silva Ribeiro, Tenente-Coronel José Agostinho, Vitorino Nemésio, Pedro da Silveira, para citar apenas alguns.
Pese embora a relevância e o valor do acervo, funciona (em parcas condições) num antigo palacete e aguarda que entre em funcionamento (e seja construído) o novo edifício (na foto). A maior parte do fundo legal deve estar inutilizado e muito dele nem chega a ser catalogado. O que não admira, dada a escassez de pessoal qualificado.
Tem um sítio novo, reformulado e funcional, mostrando que há dinamismo. Mas...
A cultura açoriana continua a ser maltratada pelo poder. E tantos anos volvidos sob governação PS ainda não deve ser neste mandato que se verá a nova biblioteca. Tão-pouco há notícias de que venham a ser criados lugares para arquivistas e bibliotecários. Mas já se gastaram uns quantos milhares em propaganda, que é para o que serve a cultura aos olhos alarves dos políticos tugas.

Os 120 anos da Torre Eiffel




Foi há 120 anos, no dia 31 de Março de 1889. Durante 40 anos ostentou o título de a torre mais alta do mundo (destronada em 1929 pelo aparecimento do Edifício Chrysler em Nova Iorque).
A polémica parecia querer comprovar o que Pessoa disse de outra torre, primeiro estranha-se, depois entranha-se. Apodaram-na de "feia e monstruosa". Qualificaram-na de "esqueleto de atalaia" (Paul Verlaine) e gastaram litros de saliva a cuspir no que viria a tornar-se o ex-libris de Paris.
Foi há 120 anos.

Só mil?


Diz o Público que a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) denunciou hoje que há mais de mil autores e artistas portugueses endividados, situação que se agravou nos últimos meses devido à crise económica mas também aos efeitos prolongados da pirataria informática e da ausência de apoios públicos à cultura.
Qual é a novidade? Em Portugal a cultura sempre foi deficitária. Começa em casa, passa pela escola, pelas autarquias, pelas instituições e empresas e acaba no governo. Ninguém passa cartão a algo que consideram uma excrescência e continua a ser visto ou como divertimento ou como propaganda.
Arte, literatura, música, cinema, teatro, bailado e demais áreas são ainda uma miragem no Portugal de Sócrates ou de qualquer outro político.
As capitais europeias da cultura redundam em cimento e show off. O resto é um imenso deserto. Em Portugal ninguém (excepto músicos e actores) pode viver apenas da "arte".
Não há apoios para quem começa, não se estimula, não se exporta.

30 março 2009

O fantasma



Espreita por uma janela no castelo Tantallon, situado a este de Edimburgo. A fotografia tirada por Christopher Aitchison, em Maio de 2008.
Talvez o fantasma esteja a pensar nalgum amor perdido ou será que está mais virado para as bandas da vingança? O rosto é inexpressivo, ou seja, de fantasma. Que pena. Tem algo de gélido... brrr... que medo...
O autor da fotografia afirma que quando tirou a fotografia não estava ninguém à janela. "Só quando cheguei a casa e fui ver as imagens no computador é que me apercebi daquela figura". Contactado o pessoal do castelo, foi confirmado que não são utilizados quaisquer manequins nem tão pouco existem guias vestidos à época medieval.
Fotógrafos especialistas em Photoshop, programa informático que permite a manipulação das fotografias, confirmam que a imagem não foi alterada. Para Richard Wiseman, a explicação é simples: "Acho que pode ser um outro visitante, com um aspecto algo estranho."
Eu cá acho que é mesmo um fantasma... será o das cuecas rotas?

Fontes: DN, Rashmanly

Aos pobres, não há problema, corta-se facilmente, aos outros...


É preciso aproveitar agora, pois agora é que se podem fazer os grandes negócios e para isso é preciso cash. Um dia a coisa estoura e depois é que são elas...
Antes de estourar, urge armazenar.
Armazenar à custa dos impostos dos que os pagam.
Assim é que é!

A chanceler Angela Merkel e outros membros do seu governo teceram duras críticas aos banqueiros que tiveram a lata de a si próprios atribuírem bonificações milionárias, depois dos bancos que gerem terem recebido ajudas estatais.

O ataque mais duro veio do ministro do Interior, Wolfgang Schäuble, que qualificou os ex-responsáveis do Dresdner Bank como os "coveiros da economia social de mercado" por deixarem o banco com grandes indemnizações, pese embora os maus resultados da sua gestão.

Sem nunca se referir ao Dresdner Bank, Merkel criticou também a falta de seriedade dos que "podem receber grandes bonificações apesar do seu mau trabalho".

Em declarações ao diário "Bild", o ministro das Finanças, Peer Steinbrück, acusou igualmente os banqueiros de causarem sérios danos ao sistema social alemão.

O ministro da Economia, Karl-Theodor zu Gütenberg, em declarações ao mesmo periódico, apelou aos administradores dos bancos para renunciarem às suas bonificações (repare-se como eles são cuidadosos uns com os outros).

Apesar de ter registado perdas de 6.300 milhões de euros, os nove membros do conselho directivo do Dresdner Bank receberam bonificações no montante global de 58 milhões de euros, o dobro do ano anterior.

28 março 2009

Goran Bregovic









Nneka - Africans

Nneka - Heartbeat

A vida e o preservativo


O mundo é um lugar divertido. S. S. o papa Bento XVI, um dos apóstolos da linha dura da Igreja, chegou à terra das pessoas escuras e disse que preservativo não. Disse-o por razões que estão para lá da razão, pois convém não esquecer que o papa representa Deus na Terra. E Deus lá terá as suas razões para ter inventado a sida.
Felizmente, há bispos portugueses que são mais lúcidos. Até porque são apenas bispos e a um bispo desculpa-se facilmente a heterodoxia.
E nós, simples mortais, divertimo-nos a comentar a diferença de pontos de vista dentro da Igreja, deixando de fora as questões que mais preocupam a hierarquia: a perda de fiéis.
Uma religião que surgiu como contra-poder e que a pouco e pouco se espalhou pela Europa e pelo mundo como poder chega ao século XXI ameaçada pela indiferença.
A vanguarda dos pontos de vista unificadores que simbolizou esfarelaram-se, restando-lhe o mesmo barro de sempre, que parece incapaz de enfrentar, por receio de perder o pouco poder que ainda detém. Embora haja vozes que venham, pelo lado da fé, defender a vida, valor certamente mais relevante do que o uso de contraceptivos.
A nós, portugueses, enche-nos de orgulho que um bispo, D. Ilídio Leandro, defenda que os portadores do vírus da sida devem usar preservativo durante as relações sexuais, porque são “moralmente obrigadas a não transmitir a doença” e que o faça sabendo que "a sua posição é sustentada pela doutrina da Igreja Católica”.

Observatório climático na ilha branca



A ilha Graciosa vai ter um observatório climático móvel, a partir de Maio. Para medir algumas propriedades das nuvens de baixa altitude e ajudar a melhorar os modelos climáticos actuais.
O observatório móvel, ou Atmospheric Radiation Measurement (ARM) Mobile Facility, é responsabilidade da Unidade de investigação climática do Departamento de Energia norte-americano (DOE), que tem vários instrumentos para recolher dados espalhados pelo mundo. A ilha Graciosa passa, assim, a integrar uma rede de cinco locais móveis de medição.
Os investigadores esperam ficar a saber mais sobre a forma como as nuvens interferem com o aumento da temperatura dos oceanos à superfície, gases com efeito de estufa e propriedades dos aerossóis.

Fonte: Público

27 março 2009

Arnica montana

Desenho de Otto Wilhelm Thomé

Originária das regiões montanhosas do norte da Europa, é há muito usada na cicatrização de ferimentos, devido às suas propriedades regeneradoras de tecidos. Em aplicações mais específicas, é também indicada para combater febres, hemorragias, desinterias, infecções renais, inflamações oculares, problemas circulatórios e cardíacos.
Planta da família das Compostas, a arnica é um arbusto perene, que produz flores abundantes de cor amarelo-ouro ou alaranjado. As pétalas ovaladas e pontiagudas exalam um perfume suave. Os frutos são pardos. As flores e as raízes são as únicas partes da planta que podem ser aproveitadas para fins medicinais e cosméticos.
Nunca se deve fazer chá com as folhas da arnica, pois elas apresentam componentes altamente tóxicos.

José Agustín Goytisolo (1928 - 1999)


Llora conmigo, hermano...

Llora conmigo, hermano.
Era mujer y bella. No tenía
nieve sobre los años.

De ella, de mí, de todo
te separaron. Pero el tiempo
te ha devuelto a su abrazo.

A ella y a ti os pregunto
si es posible que todo lo que amé
sea sólo un engaño.

¿Sabéis que espero, a veces,
vuestra voz, y que tengo
los oídos tapados?
¿Sabéis
que niego el pie de vuestros pasos?

Pero no importa. vivo
sobre las ruinas. Amo.

Decidme, sí, decidme,
- aunque no pueda oírlo,
aunque nunca lo crea -
que nada ha terminado.

Carme Riera e Ramón García Mateos recolheram a poesia de Goytisolo num volume de mais de mil páginas, que a editorial Lumen, de Barcelona publicou. Chama-se Poesía completa e inclui «En tiempos de ignominia» e «La voz y la palabra», poemas que não chegaram a ser incluídos em nenhum livro.

Do prazer de ler


Hoje é dia do teatro. Todos os dias são dias de alguma coisa. Serve de pretexto para um texto ácido de Jorge Silva Melo, «E lá será mais um dia mundial da hipocrisia», publicado na edição de hoje do Público. Que gostamos de ler e de que transcrevemos excertos.

"Hipócritas éramos nós, gente do espectáculo, que tínhamos tantas caras que os demais nem sabiam como nos defrontar, e nos consideravam fugidios, falsos, com esse recurso, por todos e desde sempre invejado, de podermos adaptar-nos a outras circunstâncias, camaleões e dançarinos. (...)

Hoje não seremos nós, gente do teatro, stripteseauses da verdade poética, quem terá várias caras, que andam fechados os teatros, em ruínas, degradados, em perigo ou já foram demolidos - e poucos espectáculos se farão nesta noite.

Mas haverá almoços, discursos e jantares, debates e inquéritos.

E os hipócritas não seremos nós, que há anos (nós e os antes de nós, tantos) pedimos esmola, atenção, diálogo, intervenção, planificação, política aos políticos, certos que estamos de que o teatro não pode estar sujeito ao mercado, é área de intervenção do Estado, coração da língua, a tal língua que só no palco tem corpo e suor - e às vezes essa coisa única, gargalhadas e lágrimas.

Vamos, mais uma vez, fingir que nos amam, que nos respeitam, almoçar, ouvir declarações de amor e pedidos de voto, (...) dar beijos, agradecer e dar abraços, vamos todos fingir.

(...)

Como vamos encarar toda essa gente que vive à nossa custa - funcionários em barda que se ocupam de "cultura" - e nos vai vir abraçar, beijar, cumprimentar, prometer coisas que sabem tão bem que à primeira esquina, aliança política ou campanha eleitoral não irão cumprir? Como vamos encarar os desmaiados salamaleques - e mesmo as desculpas dos que ainda se desculpam... - de tanta gente?

Engolindo para dentro a nossa miséria, a nossa tristeza, calando?

Ou herdando o gesto sincero do Zé Povinho, esse rapaz de Bordalo?"

O outrora agora


Francisco Sá de Miranda (1481-1558) escreveu um soneto em que diz:

Alma, que fica por fazer desde hoje
na vida mais, se a vã minha esperança,
que sempre sigo, que me sempre foge,
já quanto a vista alcança a não alcança?

Fortuna que fará? Roube, despoje,
prometa doutra parte em abastança,
que tem com que me alegre, ou com que anoje?
Tanto tempo há que dei mão à balança.

Chorei dias e noites, chorei anos,
e fui ouvido ao longe, pelo escuro
gritando, acrescentar muito em meus danos.

Agora, que farei? Por amor juro
de tornar a cantar fora de enganos
e, por muito do mal, posto em seguro.

Tantos anos depois, noutras paragens, foi descoberto o que se julga ser a ossada de uma mulher dada como desaparecida há sete anos. Chamava-se Eunice Workman e era americana. Por estes dias, as autoridades foram chamadas à casa onde vivia Eunice Workman, por causa de negócios e impostos. Os trabalhadores contratados para limpar a casa reportaram uma pilha de ossos aparentemente humanos debaixo de um monte de lixo.
A casa estava literalmente apinhada de lixo e de tralhas, do chão até ao tecto. As investigações preliminares indicam que a Eunice deve ter morrido esmagada ou entalada nas pilhas de lixo e tralhas que coleccionava. O seu nome tê-la-á traído. Não era homem de trabalho, mas mulher de colecções.
A fortuna dela foi a sua perdição. A fortuna que sempre é um engano, revelou-se uma companheira pouco fiel e Eunice soçobrou por falta de segurança.

26 março 2009

Enquanto a Europa se agita contra a roubalheira


Os tugas continuam a ter de aturar o remanso lusitano, cheio de vãos de escada e de discursos da treta. A justiça funciona bem (para quem pode), as empresas continuam a facturar à custa do Zé que, se não paga, não é servido (embora esteja farto de saber que é mal servido e paga demasiado caro por serviços de merda).
Nada, claro, que tire o sono a seja quem for que ganhe bem em Portugal. Isto é e sempre foi o reino da pequena vigarice, onde enriquecer é tão natural como a sua sede, ou outro disparate do género.
Aqui ainda se considera que quem não aproveita é tolo e ainda se vive no furor legislativo, que dá trabalho aos licenciados em Direito e inscritos na Ordem dos Advogados.
Enquanto assim for, tudo está bem.
Lá fora, os ventos correm aziagos: «O ataque à casa do ex-presidente do Royal Bank of Scotland foi a última gota de uma onda de protestos que tem varrido a Europa e os EUA. Especialistas dizem que não vai ficar por aqui».

Aguarela


25 março 2009

A mentira


O Ministério da Educação é capaz de gastar milhares só com um indivíduo, mas não hesita em vir a terreiro fazer queixinhas do quanto custam milhares de professores.

O mesmo governo que não se importa de gastar milhões com propaganda, com a banca e com negociatas incomoda-se sobremaneira por gastar trocos com salários. O busílis da questão é que este governo dito socialista detesta quem trabalha e venera quem faz negócios.

Detesta ter que pagar os salários dos professores e inventou uma suposta avaliação para poupar precisamente nisso: nos salários. Como se os professores ganhassem muito.

Curiosamente, não se importa de desperdiçar milhões com políticas educativas que a médio prazo agravarão o fosso entre ricos e pobres e que deixarão à margem milhares de cidadãos mal formados, mas com vários ciclos de ensino completos.

Algo que não parece incomodar nem associações empresariais, nem industriais, nem sindicais. O que importa, sempre, é o umbigo, é a vidinha de cada um e a capacidade que alguns grupos têm de pressionar governo e opinião pública.

A falta de ideias e de visão estratégica deste governo é notória em quase todos os domínios: económico, cultural, educativo, social. A factura será paga, como é da praxe, pelos que são mais numerosos, ou seja, aqueles que ganham pouco e vivem única e exclusivamente do salário. Para os outros será uma festa, pois quanto mais ignorante é uma população, melhores negócios se fazem (desses que pouco contribuem para o enriquecimento do país, mas que permitem a criação de fortunas pessoais).

A ministra da educação e os seus secretários de estado são meros mangas de alpaca de um imenso negócio: vender ignorância, incultura, respeito pelo chefe. Tudo com a complacência de centenas de ressentidos que ainda continuam a atribuir à escola e a alguns professores as razões dos seus desaires.
De resto, tirando meia dúzia de indivíduos que mantêm intacta a lucidez, a maior parte faz o jogo de Sócrates, decalcando-lhe os argumentos e os pontos de vista.

24 março 2009

Sem comentários


O autor da política energética do actual Governo, Oliveira Fernandes, classificou como "uma fraude" a atribuição de incentivos à compra de painéis solares fotovoltaicos como sendo produtores de energia solar.
Oliveira Fernandes acusou a empresa Energie, cuja fábrica na Póvoa de Varzim foi visitada quinta-feira pelo primeiro-ministro, José Sócrates, de estar a fazer "publicidade enganosa", ao referir no seu site que os painéis solares fotovoltaicos têm rendimento superior aos colectores solares.
"O site diz que o sistema deles funciona com sol, céu nublado, chuva e à noite. Vê-se logo que não é solar. É por isso que tenho vergonha deste país", afirmou Oliveira Fernandes, criticando José Sócrates e o ministro da Economia, Manuel Pinho, por se terem associado ao "embuste" da Energie, ao apelarem aos portugueses para que comprem os seus painéis.

Fonte: JN

O que queres ser quando fores grande?


Quero ser primeiro-ministro de Portugal. Para poder dizer frases vazias como esta: "Se queremos competir nas áreas do futuro, a única via é a aposta na Educação."

Não é uma chupeta, mas promete fazer estragos

Chama-se Tato Nano, é fabricado na Índia, onde custa mil e quinhentos euros, e chega à Europa e a Portugal no próximo ano. Aqui, para ser posto à venda quatro vezes mais caro, na versão mais económica, cuja frente é de plástico e não inclui air bags, ar condicionado, rádio, bancos reclináveis ou janelas automáticas.
Por 6 mil euros poder-se-á adquirir um carro que vai contribuir para intoxicar a Índia e o mundo, isto se os indianos se puserem a comprar o dito cujo.
O Nano - palavra que em grego quer dizer 'duende' e em gujarati, a língua nativa da família Tata, é sinónimo de 'pequeno' - promete todas as dores de cabeça da democratização industrial. Ratan Tata, administrador da empresa e considerado o visionário que imaginou o Nano, dizia ontem que teve a ideia de criar o carro quando via "famílias inteiras em duas rodas, com o pai a guiar com um filho ao colo e a mãe atrás com outro agarrado às costas". Com o Nano, quase 200 milhões de indianos pouco afortunados vão poder mudar de meio de transporte.
Mas, como lembrava há dias um articulista do The Washington Post, "dezenas de milhões de indianos a guiar um automóvel é o fim do mundo em termos de poluição". Ou seja, muitos milhões de 'soluções' podem tornar-se um enorme problema.

Fonte. DN

21 março 2009

O cabeça oca

Poesia portuguesa: e isso existe?


É no mínimo curiosa a maneira como o DN aborda a edição de poesia em Portugal. Entrevista o editor menos criterioso da coisa e quase não dá a espaço a outros, cujo catálogo se define precisamente pelo contrário: pelo critério, por uma linha editorial.

O rapaz que se fartou de editar lixo, fê-lo certamente porque não perdeu dinheiro ou há muito a sua empresa estaria falida. Ninguém editou tanto como ele num curto espaço de tempo. E na minha modesta opinião, salvo dois dos livros de poesia que publicou, nada do resto terá leitores daqui a uma década. No entanto ele anda por aí, feliz da vida e opinativo como sempre. Conseguiu a proeza de se tornar uma figura num meio que se caracteriza pela mediocridade e pela incultura.

A poesia portuguesa padece desse mal geral. Se há muitos a rabiscar uns versos, poucos são os que lêem o que se edita poe cá e noutros países e, portanto, poucos são os que percebem qual é o lugar da poesia portuguesa na Europa ou no mundo.

A poesia portuguesa serve - e bem - para gentinha como esse editor se governar, além de ser pasto do que de pior há na natureza humana. O que não impede que haja por cá um punhado de excelentes poemas e um ou outro poeta de primeira água. Mas não têm, ao contrário do que acontece em países como o Reino Unido, os EUA ou Espanha, a divulgação que merecem.

As universidades onde se ministram cursos de Letras estão cheias de gente que parece nutrir um fundo ódio pela poesia e que, concomitantemente, afastam os seus alunos do que é legível, promovendo o gosto pelas elocubrações bacocas e barrocas.

Os jornais estão cheios de gente que detesta ler e adora dinheiro e que confunde arte com saldos bancários. Editores, jornalistas e recenseadores são, salvo as excepções da praxe, bajuladores e incompetentes.

As revistas ditas de livros cumprem funções comerciais e ninguém quer que o precioso espaço seja desperdiçado com produtos invendáveis.

A net é um caldeado de letras. Entre meia dúzia de poemas legíveis tem de se aturar milhares de versos intragáveis.

Restam algumas editoras que, contra todo esse marasmo, vão publicando alguns bons livros: Assírio & Alvim, Averno, &etc, Teatro de Vila Real e Relógio d'Água.

2008 em Fotografia

20 março 2009

Tu, não sei. Eu gosto muito de ler entrevistas


E gostei da de João Botelho, que vem hoje no suplemento do Público. Do Botelho sempre gostei e até lhe perdoava ser benfiquista (isto é para chatear os benfiquistas). Não gostei do filme anterior e pensei que pena, lá perdemos um realizador peculiar. Afinal, voltou e cheio de si.

Vamos lá então ao que interessa, as palavras de JB:

«A Agustina tem uma coisa engraçada. Quando vende os direitos dos livros põe três cláusulas. Se gosta do filme - e quer sempre ver o filme - tem que se pôr "adaptado do romance de Agustina Bessa-Luís"; se gosta assim-assim é "inspirado num romance de Agustina Bessa-Luís"; se não gosta nada, tem que se pôr "a partir de uma ideia de Agustina Bessa-Luís"...

Agustina viu o filme?

Viu, e ficou comovida.

E qual foi a sua sorte?

Ela deixou ficar "adaptado" [sorrisos]. Tenho uma carta que ditou à filha, Mónica, que é maravilhosa e que tem uma frase fantástica: "Finalmente se prova que não há incompatibilidade entre o cinema e a literatura." A minha paixão pelo romance resume-se a uma coisa: a arte é maior que a vida. Para mim, aquilo que me encantou foi a ideia de uma prostituta de Benfica, descoberta pelo Garrett, transformada numa actriz, Emília das Neves, transformada pela Agustina em Emília de Sousa, que por sua vez nunca revelou que era a Emília da Neves. Encontrei uma biografia, ainda do século XIX, intitulada "A Bela Emília", em que há frases dessa biografia que estão transcritas directamente para o romance. Aquela história da pateada é uma história que se passa no Porto, em que ela chega atrasada. Houve, de facto, uma pateada enorme, mandaram-lhe moedas e ela diz: "Se isso é para os pobres podem atirar mais."

(...)

Não há em "A Corte do Norte" demasiada literatura?

A voz, o texto, é tão matéria-prima como o olhar, como a luz. Este filme está marcado por duas fontes de inspiração: o texto da Agustina e a matéria de luz do Caravaggio. Isto serve-me para uma homenagem ao cinema, com a ideia de que a fotografia é anterior ao cinema, do cinema ser composto por vários elementos - isso chama-se matéria, matéria.

O texto é da Agustina, a luz é do Caravaggio, e a música...

... é também matéria, não é para encher chouriços. Tive a sorte de encontrar uma música de Schubert, "Rosamunde", e, é evidente, a "Traviata", do Verdi, que a Sissi ouvia. Mas é sempre assim: ouçam-na, ouçam a música, agora vejam um gesto.

(...)

A história não me interessa nada. O que me interessa é a maneira de escrever da Agustina - não gosto das coisas lineares mas das incongruências em que ela nos faz tropeçar - e a maneira de eu filmar. As histórias são do século XIX. O cinema deve ser maior do que as histórias. É o modo de filmar que me interessa. A arte não se percebe, um quadro não se entende, não é para perceber! E não tenhamos ilusões: a literatura é mais aberta do que o cinema. O cinema fixa coisas. Quando num romance se diz que uma pessoa está vestida com um casaco castanho, com uma gravata manchada de amarelo, com a camisa amarela eu pergunto: quantos castanhos há?

Da insatisfação e da raiva


Primeiro transcrevemos excertos da notícia. À laia de comentário trancrevemos o poema "Atira tu agora este tijolo" de Joaquim Manuel Magalhães, que pertence a uma série intitulada "6 x 14 aos da educação" publicada no livro Os dias, pequenos charcos, Presença, 1981.

«Dois automóveis pertencentes a dois professores foram incendiados esta manhã no parque de estacionamento da Escola EB 2,3 D. Pedro IV, em Mindelo, Vila do Conde.
Os carros, um Mercedes CLK e um classe A da mesma marca, foram regados com combustível e depois ateados com fogo.»

Atira tu agora este tijolo
ao verde parado na esquina.
Dá-me a navalha eu lixo
os detrás daquele Toyota
e depois a capota do Dyane.

Pega na lona do outro lado
não a largues, eu seguro deste,
bate agora com a pedra
deixa os cacos do eseplho nochão
de mais este elevador.

As pedras maiores ficam
para as montras e as janelas
das escolas. Toma o spray,
escreve SEM SAÍDA.

19 março 2009

O 40.º aniversário do The Very Hungry Caterpillar, de Eric Carle


The Very Hungry Caterpillar é um livro de Eric Carle, cuja primeira edição data de 20 de Março de 1969. O livro tem encantado várias gerações e a sua fama estende-se por diversos pontos do globo, estando traduzido em mais de 47 países.

A data assinala-se em várias bibliotecas e com uma edição especial do livro, cujas ilustrações vão agora poder ser vistas em 3D.

O autor, nascido em Syracuse, estado de Nova Iorque, é uma referência no mundo da literatura infantil e tem muitas outras obras publicadas, que podem espreitar aqui.

O cinema é uma mentira - João Botelho dixit

"Este filme salvou-me a vida" diz João Botelho numa entrevista. Depois da tara benfiquista e de um filme francamente medíocre regressa à literatura, agora com as palavras de Agustina Bessa-Luís para passar ao grande ecrã A Corte do Norte.
Aqui fica a amostra.


Andy Warhol, o verdadeiro ávida dólares


A vaidade dos pequenos sempre foi do mesmo calibre da vaidade dos grandes. A vaidade é um grande negócio e Andy Warhol que gostava muito de dólares percebeu isso muito bem e retratou meio mundo. Uma parte dessa vocação está no Grand Palais, em Paris. O Grande Mundo de Andy Warhol faz uma retrospectiva tão exaustiva quanto possível dos seus retratos e, como seria inevitável, com um grãozinho de escândalo à mistura.
Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor, Elvis Presley, Marlon Brando, Mick Jaegger, Jane Fonda e Brigitte Bardot, juntamente com ele próprio, claro.
Pelos inícios da década de 1960, Andy Warhol cobrava 25 mil dólares, preço único. O seu primeiro retrato por encomenda foi feito nesse ano, para a coleccionadora e mecenas da arte pop Ethel Scull - o seu screen test está documentado na série de 36 imagens que Warhol realizou a partir das centenas que lhe fez, com a sua Photomaton (mais tarde, passaria para a Polaroid, mas o processo técnico manteve-se o mesmo: captação, aumento, duplicação e sobre-exposições das imagens, que a seguir passava à tela).

17 março 2009

Enric Duran deixou-se apanhar

Quem é Enric Duran?
É um catalão que pediu emprestado a vários bancos a bela maquia de 492 mil euros. Fê-lo em nome de uma empresa fictícia e com o claro propósito de não pagar a dívida. Pegou em parte do dinheiro e elaborou um jornal gratuito cujo objectivo é propor um plano de acção pós-capitalista para superar a actual crise.
Quem quiser saber mais, pode ler a entrevista que Duran concedeu à "Salada".
Enric Duran, com 33 anos, foi hoje detido na Universidade de Barcelona.


Millard Kaufman (1917-2009)


Criador do míope e milionário Mister Magoo, Millard Kaufman morreu sábado, em Los Angels, com 92 anos.
Mr. Magoo apareceu pela primeira vez em 1949, em Ragtime Bear, fruto da invenção de Kaufman e de John Hubley.
Além de guionista de Mr. Magoo, trabalhou também para outras séries e filmes, e, já tarde, atreveu-se com o romance, estando para breve o aparecimento de um que deixou pronto para publicação pouco antes de morrer.

O papa tem razão

O Papa é sábio. Sabe muito de sexo. E como grande sábio que é, não hesita em dizer que os preservativos não só não resolvem como agravam os problemas.
Todos sabemos que as relações sexuais são feias, animalescas, perigosas e só se devem praticar uma ou duas vezes na vida... para ter filhos. De resto, sempre que houver desejo, deve-se tirar o terço e rezar, rezar muito.
Como diz Bento XVI, a "única via eficaz para lutar contra a epidemia é uma renovação espiritual e humana da sexualidade", unida a um "comportamento humano moral e correcto".
Não podia estar mais de acordo. E todos sabemos que os párocos, prelados, bispos e demais clérigos que caem na tentação da carne o fazem para dar razão ao Papa. O sexo é feio. O sexo é sujo. O sexo devia ser proibido.
A sida é uma praga que resulta de maus hábitos. O hábito de sentir. Do prazer. Dos desejos. E tudo isso é pecado.
Só ainda não consegui perceber é o que leva tantos homossexuais a sentirem-se fascinados pela igreja católica. Talvez sejam as histórias e representações de Cristo, que os excitam sobremaneira.

A Goce em órbita


Não, não é um sopinha de massa a falar e não se trata daquilo que alguns estão a pensar. A Goce é uma sonda (Gravity field and steady-state Ocean Circulation Explorer) da Agência Espacial Europeia (ESA). Lançada hoje para o espaço a partir do norte da Rússia, está em órbita, a 280 quilómetros da Terra.
A Goce vai medir e analisar as pequenas variações na gravidade terrestre a fim de seguir a direcção e a velocidade das correntes oceânicas e assim perceber como é que os oceanos transportam o calor pelo globo. Com esta informação é possível melhorar-se os modelos informáticos que prevêem as alterações climáticas.

Headache: a família, a família


Enxaqueca, cefaleia, dores de cabeça, moedeira, chumbo e mais.
Há dois tipos de enxaqueca, com e sem aura. Com aura é quando envolve distúrbios visuais, auditivos, sensitivos ou motores antes da dor de cabeça se instalar.
Ao que consta, no Sul há menos aura do que no Norte. Talvez por haver mais luz, mais equilíbrio térmico, um outro tipo de alimentação. Sul e Norte da Europa, pois quanto a outros sul e outros norte não sabemos como é.
Um grupo de investigadores do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) e do Hospital de Santo António (HGSA) demonstrou que os familiares directos de pessoas que sofrem de enxaqueca são entre três e quatro vezes mais susceptíveis de ter esta doença.
Ora esta, a família deixa-nos cada uma.

16 março 2009

20 minutos e 45 segundos - vale mesmo a pena ver



Carrega aqui, http://www.storyofstuff.com/international/

D. Carlos, aguarelas



Compadrio?! Isso existe?


Não sei se se recordam dos mini-concursos? Era uma mina para as escolas, para os conselhos directivos, sobretudo os dos lugares mais pequenos. Só lá ficava quem eles queriam. E isso era bom para a escola? O pessoal dos directivos dirá que sim, quem sofreu injustiças com o processo facilmente explicará porque não.
O que o ME quer fazer, acabar com os concursos e colocar na mão das escolas "a autonomia" é regressar a um modelo que favorece o compadrio, a pequena mentira, a corrupção.

Eu acho que só um ministério socialista como este que lá está se atreveria a tal: a maioria absoluta favorece este tipo de dislates. Que aliás vêm na linha daqueles contratos chorudos com Fulano que se fartou de receber e de mandar tirar fotocópias.

Bué da fixe, meu. Só mil?!


A leitura faz mal. A leitura não serve para nada. A leitura devia ser proibida. A melhor maneira de a proibir é magalhanizar tudo. Infantilizar, diminuir, descomplexificar soa bem aos ouvidos burgessos dos tugas. Porque nada como o tuga para acreditar que basta dizer cor para todos saberem se é branco, amarelo, vermelho ou azul...
Artur Anselmo, presidente do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa, veio a terreiro dizer que o rei vai nu. "Nós temos 110 mil palavras dicionarizadas - e não falo nas locuções, que aí iríamos para as 300 mil - e o Português básico está reduzido a menos de mil palavras".
Que fixe, pá. Mil, isso é bué de pouco. Assim dá menos trabalho, pá.
Além da falta de conhecimento, há outras pechas. Desde logo, a afectação. "O verbo 'pôr' está a desaparecer, hoje toda a gente 'mete', diz-se 'meto a mesa' em vez de 'ponho a mesa' e isto é mau. O verbo 'fazer' também está a desaparecer: já ninguém 'faz' perguntas, toda a gente 'coloca' questões", exemplificou o filólogo. Na sua opinião, "os portugueses complicam desnecessariamente uma língua que é uma obra-prima da nossa História" quando "o simples é o contrário do banal - falar com simplicidade, é falar bem, não é falar difícil nem com estereótipos banalizados".
Os Tugas, pobres e semi-analfabetos encolhem os ombros, querem lá saber disso para alguma coisa. Embora haja uns quantos que acham que sim, senhor, toda a gente deveria fazer exercícios ortográficos, pois o mais importante é a ortografia. Já quanto ao resto, juntam-se à maralha e encolhem os ombros.
As faculdades de Letras do país também contribuíram para a coisa: puseram de lado os livros em nome das empresas de fotocopilhagem e esuqeceram-se que sem acervo de leitura e sem conhecimento da história literária não se vai lá. Mas não, o estruturalismo caiu-lhes no regaço e foi um tal embalá-lo que são já milhares os que formados em Letras escrevem e falam com os pés.

15 março 2009

Dor de cotovelo


Eu também sei tirar fotocópias, mas não sou formado em Direito.
Eu também sei atender telefonemas, mas não tenho mestrado em Gestão.
Eu não sou militante do PS nem de qualquer outro partido.
Oh, estou triste, muito triste.
Gostava tanto de ser militante do PS.
Gostava tanto de tirar fotocópias.
Gostava tanto de perceber quem é Maria de Lurdes Rodrigues.