15 abril 2009

Portugal Portugal um país pouco europeu


Portugal tinha em 2006 dois milhões de pobres, conclui um estudo feito por Nuno Alves, do Departamento de Estudos Económicos do Banco de Portugal, dos quais 300 mil eram crianças.E 56 por cento desses pobres tem entre os 15 e os 64 anos.
Os dados revelam que 25 a 30 por cento da população pobre em 2005/2006 exercia regularmente uma profissão e que 40 por cento dos indivíduos com mais de 14 anos sem percurso escolar era pobre.
E agora como será? Que raio se tem andado a fazer? Que porcarias de governo têm calhado na rifa aos portugueses? E os nossos queridos empresários onde estão? Que empreendadorismo é esse que deixa tanta gente na pobreza?

14 abril 2009

Um abeto cresceu dentro do pulmão de um homem


Foi encontrada uma planta, com cinco centímetros, a crescer dentro do pulmão de um paciente na Rússsia.
O homem, Artyom Sidorkin, de 28 anos, consultou o médico porque tinha constantes dores no peito e tosse persistente com sangue. Os médicos suspeitaram de cancro nos pulmões. Mas quando o estavam a operar, para retirar o suposto tumor maligno, verificaram que não se tratava de cancro mas sim de uma pequena árvore a crescer dentro do pulmão. E colocaram a hipótese do paciente ter inalado uma semente de abeto que começou a crescer dentro do seu corpo.
O russo, confrontado com o relatório dos especialistas, nem queria acreditar. Pensou que “estava a delirar” quando lhe disseram que tinha sido encontrada uma árvore num dos pulmões.
A imagem é reveladora.

Fonte: ABC e JN

A pobreza não nos larga


Há muito quem queira resgatar a figura do senhor das botas, que não era gato mas tinha algo de D. Juan, quando a ele se deve parte substancial do nosso atraso em relação à Europa.
É certo que depois do 25 de Abril poderíamos ter-nos desenvolvido mais, mas como, se os nossos empresários são maioritariamente fracos?
Já nos quiseram vender a ideia de que em Portugal há falta de produtividade e de criatividade, no entanto, olhando para os lados verifica-se que não: os tugas trabalham que se fartam quando a isso são obrigados e há bastantes deles a quem bem se pode aplicar a designação de criativos. O que há é poucos empresários capazes de potenciar e de aproveitar a mão-de-obra e a criatividade, pois são centenas os que ainda pensam com a cabeça junto à barriga, ao sexo e ao espelho.
E as associações empresariais também têm a sua quota de responsabilidade, ao não terem desenvolvido campanhas de informação junto dos associados mais fracos. Algo que sai caro ao país.
Não temos os níveis de assistência social doutros países europeus, mas já houve grandes campanhas de intoxicação da opinião pública a favor das seguradoras (ou dos bancos, não é?).
Na saúde estamos onde estamos, ou seja, bastante mal, sobretudo pelo desfazamento entre litoral e interior ou entre centros urbanos e centros rurais. Espanha está muito melhor e teve algumas afinidades connosco.
Na educação andamos a brincar com o fogo, contribuindo para a miséria que nos rodeia. Baixa escolaridade é sempre sinónimo de baixos salários, mas dado o fraco tecido empresarial português há muitos licenciados no desemprego, algo a que as classes baixas são sensíveis, até como desculpa para a fuga da escola. Mas os nossos iluministas do presente acham que é com magalhães que se vai resolver o assunto. Ou tratando os professores como se fossem cães ou algo do género.
Quanto à cultura é melhor nem falarmos, depois de um mandato em que se tentou inverter a situação (com Manuel Maria Carrilho), caímos no descalabro e na indigência: quis-se passar a ideia de que acultura só é "boa" se vender. O que não espanta, pois com Salazar o analfabetismo e a baixa escolarização foram uma constante.
Portugal continua pobre sempre por culpa dos empresários e dirigentes que tem: salvo as excepções da praxe, gente medíocre.

13 abril 2009

O outro lado do Super-Homem por Joe Shuster




"Secret Identity: The Fetish Art of Superman's Co-Creator Joe Shuster" revela o lado obscuro do super-homem. A edição, de Abrams ComicArts, coloca Clark Kent em situações de sado-masoquismo. O autor da proeza é Joe Shuster (na foto), um dos co-criadores do super-herói. Nos anos de 1950 Suster passou dificuldades económicas e dedicou-se a outros públicos: os livros eram publicados como "Nights of Horror"e vendiam-se a três dólares.

Inflação: desceu mas ninguém nota a não ser os da estatística


Os dados mostram algo que os consumidores não sentem: baixa de preços. Os combustíveis continuam caríssimos e os salários baixíssimos. Tal como sempre. Se há 45 anos os combustíveis eram o que eram, diga-se que nem uma centésima parte do tráfego havia.
Curiosamente, há cada vez mais gente a vender a ideia de que a deflação está aí ao virar da esquina. Mas o que se vê, é que se continua a comprar e a vender em abundância. Eu ando pelas ruas e vejo, o pessoal cheio de sacos. Isto para não falar de farmácias e mercearias (super ou hiper) que estão sempre cheias. O preço do leite ou do arroz ou de outros bens de primeira necessidade continua elevado.
Se alguns deixaram de gastar dinheiro com coisas supérfluas, isso só quer dizer que pelo menos por uma vez imperou o bom senso. Deviam os governantes estar satisfeitos com isso, mas pelos vistos não estão.
Os discursos apocalípticos são sempre mais sedutores.
Eu creio que quem produz tem duas escolhas: ou produz muito para vender barato ou produz com qualidade para vender caro. Há alguns pobres que gostam de se endividar para comprar caro e há muitos da classe média que preferem comprar pouco mas bom.
O problema é que ainda há muitos que gostam de comprar muito barato para vender caro e isso é coisa que os portugueses não gostam.
Daqui a ano e mio vamos assistir (quiçá para grande alegria dos que agora se queixam) a uma substancial subida da inflação.
E o poder de compra que os portugueses recuperam por causa da crise vai desaparecer num abrir e fechar de olhos. E isso é que devia incomodar os governantes: o raio da miséria que não há meio de nos deixar.

11 abril 2009

Os tugas gostam mesmo de automóveis


Portugal ainda tem muito para andar. Não só pelo número de estradas construídas, como pelo tipo de automóveis que fazem as pessoas perder a cabeça. Infelizmente, a criatividade nacional continua muito atrasada: música, cinema e os temas do costume. De automóveis, quase nada. Mas é preciso ver que dos milhões de euros apreendidos pela Direcção-Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo (DGAIEC), em 2008, na sequência das diversas actividades antifraude, os automóveis levam a fatiam de leão: mais de 24,5 milhões de euros relativos a 2346 automóveis apreendidos.

Eminem - We Made You

10 abril 2009

Carlito Azevedo


Um poeta sem papas na língua: ver entrevista de Alexandra Lucas Coelho (Ípsilon), "Para entender o mundo vou ler os poetas novos" e esta ligação.
Deixamos aqui um poema e um excerto dessa entrevista, com a devida vénia a Alexandra Lucas Coelho e a Carlito Azevedo.


POEMA INÉDITO DE CARLITO AZEVEDO

O tubo

Parte 1: Paraíso

Foi quando a luz
voltou e vimos
o rosto da jovem
que se picava junto
à mureta do Aterro,
a camiseta salpicada,
a seringa suja.
“Nenhum poema
é mais difícil
do que sua época”,
você disse
em meu ouvido
sem que eu soubesse
se era a ela que se
referia ou se ao livro
que passava das mãos
para o bolso
da jaqueta.
Distinguimos
lá longe
a Ilha Rasa,
calçamos
os tênis
e seguimos
sem atropelo
sentido enseada.

........................................................

Outro dia ouvi um escritor uruguaio a justificar o acto de fumar. Dizia que dos quatro elementos, o nosso corpo é 70 ou 80 por cento de água, a gente pisa na terra, e o ar está por todo o corpo. O fogo é o único elemento que nos repele, é nosso inimigo, e fumar seria o único modo de termos o quarto elemento dentro. Ao fumar você tem o seu próprio fogo e solta fumaça, mantendo a relação. Não recomendo a ninguém que comece a fumar por isso, mas achei muito bom. Não são mais os sacrifícios incas, aztecas de queimar as pessoas com fogo, mas esse fogo quotidiano, comum do cigarro. Porque de certa forma hoje vivemos de relações empobrecidas. Não que antes tenham sido melhores, talvez tenham sido apenas mais assassinas e exageradas, e agora sejam mais medíocres.

É fumador?

Não, nunca fumei.

A relação forte com a imagem também vem de ter querido ser pintor, e isso está na sua poesia desde "As Banhistas" à Vieira da Silva, ao Goya.

Eles são inspiradores, o que eu chamo os "Aliados Substanciais", que é o nome de um livro do René Char só sobre pintores. Quando vejo cadernos com desenhos acho que fica muito mais bonito.

Tem uma poeta francesa que foi ao Brasil e esqueceu a máquina fotográfica e desenhou tudo o que via. Desenhava muito bem. É um dom que sempre invejei. Eu escrevia redacções, poemas, mas tem sempre aquele garoto na escola que sabe desenhar cavalos de forma realista, coisas lindas. Sempre achei que era para aquilo que tinha nascido, mas sem nenhuma habilidade manual.

Você vê um quadro abstracto de Max Ernst, mas aí ele dá um título, "O que as mulheres gritam ao atravessar um rio", e isso é instigador, sempre parece que a partir daí qualquer um pode criar um poema.

Às vezes como professor e director de oficinas literárias eu levo esse título e digo para cada um escrever um poema, e vêm as experiências mais diversas, mais líricas. Parece que a pintura e a música são propiciatórias. Nunca estive no Chile, e tem uma música em que, de cada vez que eu boto, vejo uma rua que tenho a certeza que é no Chile. E o artista plástico, é como se tivesse escolhido o melhor momento que sugira o que aconteceu antes e o que vai acontecer depois. Havia toda uma série de momentos para pintar, mas ele escolheu aquele. Aí, a literatura, que é uma arte temporal, pode-nos dar conta do que veio e virá. Se a Vieira da Silva faz um quadro como "Jogadores de cartas", começamos a imaginar o que pode acontecer depois, o que estão pensando, de onde vieram.

Sempre pensei que eram momentos mágicos, escutar música ou olhar pintura. Mas nunca tive vontade de ser compositor, me parece muito trabalhoso. Para a pintura não tive talento, para a música não tenho paciência.

Que relação tem com outras possibilidades de passar a poesia, como a performance, a videoarte?

Não nasci com essas novas tecnologias.

É um desconforto?

Não, eu adoro. Por exemplo, ainda comprei disco de vinil, depois passei para o CD, mas vejo que agora as pessoas nem compram disco, já baixam as músicas pelo computador, que é uma relação que eu não tenho, a minha é mais artesanal. Mas admiro muitíssimo.

Também já acontece com parte do que faz. O poema "O tubo" só existe online, e eu posso lê-lo como pode alguém em Timor.

Isso é revolucionário e adoro que as novas gerações já dominem isso. Não sei se foi o Caetano que falou que a Internet é uma grande sessão de cartas. No jornal sempre existe aquela secção onde as pessoas vão colocar suas dúvidas, e a Internet é uma sessão mundial de cartas. O que é interessante. Também existe muito ressentimento. No Brasil existe uma série de blogues "Eu odeio". Você pega e coloca tudo o que você odeia: eu odeio a Rede Globo, eu odeio o Roberto Carlos.

Mas há um elemento que eu adoro: digito "poesia peruana contemporânea" e em três segundos tenho uma centena de poetas. Se descobrir um, já é uma descoberta. Mas também não perco muito tempo com o computador, me policio.

Adoro ficção científica e um dos autores que leio é o Stanislaw Lem, o autor de "Solaris". Ele deu uma entrevista a um repórter muito animado com as novas tecnologias que lhe perguntou se estava contente com o facto do mundo estar cumprindo quase tudo o que ele dizia. E ele respondeu que não gostava, não achava o mundo contemporâneo muito interessante. O rapaz falou no computador, na Internet. E o Lem disse: "Eu posso ir a um buscador e escrevo a palavra felicidade, e ele dá-me dois milhões de textos sobre a felicidade. Mas em que é que isso me aproximou da felicidade?" E talvez me tenha afastado, porque vou perder o tempo todo lendo aquilo. Então, eu gosto daquilo, mas é bom também relativizar.

Mantém a mesma relação com os criadores da sua idade? Como é que eles olham para a nova geração? Também dialogam?

Em alguns casos felizmente sim, como o Arnaldo Antunes.

Que é um herói para os novos.

A recepção dele foi exemplar, recebeu-os muito bem, e é visto como um ídolo por eles. Mas boa parte da minha geração, que talvez achasse que a poesia devia terminar neles, recusa-se a ler, ou quando lê acusa. Teve uma reacção muito negativa à chegada dos novos poetas. Toda a revista que aparece entra sempre num sistema de abraços, tapinhas nas costas, parabéns, nenhuma é muito questionada. A "Modo de Usar" teve uma defesa grande de alguns poetas, mas também um ataque dos poetas da minha geração, que é absolutamente incompreensível e eu só posso ler como reacção a algo muito forte. Também fui acusado de abrir muito as portas da "Inimigo Rumor", que já tem 10 anos, a essa poética, convidei-os a editarem a revista, e isso foi tomado como quase uma traição. Foi incrivelmente mal recebido. Vejo isso como sintomático da força dos novos poetas, porque no sistema literário brasileiro quem chega sem incomodar é porque vai repetir o já feito, e todo o mundo fica satisfeito com aquele mínimo logro que já conseguiram: não me incomode que eu não te incomodo, me elogia que eu te elogio, vamos fazer o mesmo. E ninguém sai muito daquela pequena festa nossa. Quando aparece algo que sai fora disso, as reacções são estarnhas. Para mim nada foi melhor que a chegada desses poetas.

Que nomes daria para quem quiser ler o que se está a escrever?

Para usar nomes novos, na área experimental gosto de um poeta como Ricardo Aleixo. Na área mais do verso, do papel, um poeta de Minas - terra do Drummond -, Walter Gam. Se essa expressão poética da indeterminação, criada pela crítica americana Marjorie Perloff faz algums sentido na poesia brasileira, para mim é na poesia do Walter Gam, do informe, como dizia o Bataille. Gosto de Daniela Storto, essa não tem nem livro, é um raro caso de poeta que em vez de estar ansiosa pela estreia preserva o seu ineditismo. Acho que ela só vai querer estrear aos 40 anos, mas faz poemas fabulosos.


09 abril 2009

Portugal adora a investigação

As bolsas são bem o espelho de um país que pouco ou nada liga a quem investiga. Com bolsas dessas mais vale ir trabalhar para as obras. Os montantes são ridículos e há anos que não os actualizam.
Quem precisar de bolsa para um doutoramento recebe a fabulosa quantia de... 980 euros. Tenham dó. Que raio de Estado é este?

08 abril 2009

Um dia de cada vez


Tantas coisas e ao mesmo tempo tanto nada. Quando os sentidos são muito estimulados há como que um curto-circuito e parece que tudo perde a cor e o sabor.
Assim, em tempos de abundância há como que um adormecimento colectivo que, dependendo dos lugares e das circunstâncias, pode despoletar reacções intensas em tempos de carência.
Em termos económicos já todos mais ou menos perceberam que as certezas de há meses se esfarelaram. Em termos de cultura é que ainda se continua a pensar como há meses. As livrarias cheias de lixo, os teatros às moscas...
No entanto, mesmo em Portugal há quem continue a criar e vá, a pouco e pouco, obtendo o reconhecimento que merece. Como acontece com A. M. Pires Cabral que, por viver longe do provincianismo de Lisboa, se viu remetido para um escuro e silencioso lugar, donde foi resgatado pelos que encontraram nas palavras de Joaquim Manuel Magalhães sobre a poesia de Pires Cabral uma ponte para os seus versos e para uma admiração que não tem parado de crescer.
Paralelamente, a sua prosa é premiada com o Grande Prémio DST de Literatura pelo romance Cónego. Que esse prémio faça outros descobrir o fulgor da sua poesia, por exemplo de Arado, de que ontem trancrevemos um poema.

07 abril 2009

Vacas gordas e vacas magras


Os médicos são engraçados. Recebem os delegados de propaganda médica, prescrevem com fartura, viajam a expensas da indústria farmacêutica... mas vêm falar em guerra económica. Claro que é guerra económica. Tão económica como a de prescreverem medicamentos que os clientes pagam e sobram. Ou tão económica como pagar uma consulta e não ter o recibo ou ter que ir a várias consultas, sempre pagas.
O que há muito devia estar estipulado era que os doentes apenas deviam ter os medicamentos de que precisam (a dose certa) e não carteiras que sempre têm pastilhas a mais que para nada servem a não ser para encher os bolsos de farmacêuticos (os das lojas e dos das fábricas) e médicos.
Os médicos, enquanto classe profissional tão preocupada com o zé povo, deveria ter pressionado o governo para acabar com essa roubalheira. Mas só reage agora, como se sentisse fugir do bolso algum contributo para o gasóleo.
É como se de repente as vacas gordas tivessem os dias contados...

A. M. Pires Cabral

Degradação

Toda a gente foi domingo
alguma vez.

Depois nas fezes aparecem
sinais de sangue, ou na urina.
Declaram-se abcessos,
coágulos, tumores.

Passamos então a ser uma sombria,
pesada, intransitiva
segunda-feira.

06 abril 2009

Rafael Bordalo Pinheiro, ceramista



Lisboa pode ver jarras, pratos, bilhas, potes e animais de louça da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro. Para contextualizar os visitantes, a exposição terá presente fotografias e documentos sobre a fábrica que ele criou em 1884 nas Caldas da Rainha e alguns projectos e desenhos originais do humorista e ceramista português.
Pena é que não haja a tradição de criar exposições didácticas e levá-las pelo país, em coordenação com as escolas, de forma a que os portugueses vão conhecendo um pouco do seu património artístico, ao mesmo tempo que aprendem a valorizá-lo.

Sismo de 1980, ilha Terceira

Sismos e Açores


Quando há notícias de sismos fico sempre com a esperança de que as autoridades açorianas deitem as mãos à cabeça e façam o que deviam fazer: simulações, treinos, preparar as novas gerações para um sismo. Mas, nada. O governo de César está há mais de uma década no poder e até agora pouco ou nada fez nesse sentido. Nem depois do sismo do Faial.
As pessoas têm coisas e mais coisas penduradas nas paredes, por cima das camas, nos espaços onde estão mais tempo. Os perigos são enormes, mas ninguém parece preocupar-se.

05 abril 2009

A Pedra da Eloquência


Uma pedra pode não ser apenas uma pedra, é o caso da Pedra de Blarney ou Pedra da Eloquência que se encontra sob uma ameia no Castelo de Blarney, em Cork, na Irlanda. Rezam as muitas lendas que a Pedra concede o dom da eloquência a todo aquele que a beijar. Para beijá-la, o visitante tem de inclinar-se para trás, segurando-se a um corrimão. Nem sempre foi assim, antes era agarrado pelos pés o peregrino que quisesse beijá-la.

Muitas lendas tentam explicar o ritual de beijar a pedra azulada de Blarney. A mais conhecida conta que a Pedra possui poderes mágicos que envolvem uma velha mulher, supostamente uma bruxa, que foi salva de morrer afogada pelo Rei de Munster. A mulher ficou tão agradecida que lhe concedeu o dom da eloquência. O Rei teria apenas de beijar a pedra do topo do Castelo. Com esse gesto não só ganharia o dom da eloquência como passaria a ser querido por todos.

O dia amanheceu com atletismo


Porque correm as pessoas? Para se manterem saudáveis? Para provarem a si próprias que estão em forma? Para vencerem um desafio: o do tempo, o da dificuldade?
Eu cá acho que são poetas. Correm porque gostam de fazer coisas inúteis. Correr por correr é belo e que há de mais inútil que o belo?
Elas correm, às dezenas, umas correm sozinhas, outras em grupo. Quase todas muito sérias, muito compenetradas do seu atlético papel. Como se correndo chegassem a um outro patamar das suas vidas. E correm, correm.
Poderiam ficar em casa a dormir até mais tarde, mas não: correm.
Poderiam estar na net a actualizar blogues, mas não: correm.
Poderiam limpar os aposentos ou preparar um lauto almoço, mas não correm.
Será que são críticos literários? Talvez críticos de arte... Quiçá promotores culturais...
Não, não, não.
Correm, sentem o movimento ritmado dos pés no solo. Sentem os calções e demais equipamento técnico no corpo e sentem-se bem por isso e por correrem, é como se fossem maratonistas de pequeno porte, gigantes à sua maneira, claro.
O dia amanheceu com atletismo em vários pontos do país.
Ah atletas, atletas.

03 abril 2009

Literatura açoriana ou talvez não


Cristóvão de Aguiar, natural (1940) da freguesia do Pico da Pedra, ilha de S. Miguel, rejeitou o rótulo de literatura açoriana, por considerar que ela faz parte da produção literária lusófona, que abrange todos os países de língua portuguesa.
"O título (literatura açoriana) é equívoco, porque pode parecer que é uma literatura separada da literatura portuguesa", afirmou à agência Lusa o escritor, na opinião do qual o conceito foi criado para que alguns escritores locais se pudessem destacar, já que não tinham lugar na literatura portuguesa.
Frisando que também não há literatura transmontana com Miguel Torga ou beirã com Aquilino Ribeiro, Cristóvão de Aguiar considerou que a produção literária nos Açores, ou tendo como pano de fundo os Açores, constitui "um enriquecimento da nossa língua e literatura", mas "não merece perdas de tempo em discussões que não levam a parte nenhuma".
"Há uma maneira muito fácil de fugir a todo esse problema escatológico que é chamar literatura lusófona, onde cabem todos os países de língua oficial portuguesa", defendeu Cristóvão de Aguiar, que conta com mais de 30 títulos publicados.

Fonte: DN

02 abril 2009

Helen Levitt (1913 - 2009)





Helen Levitt (Bensonhurst, 1913 - Manhattan, 2009) cresceu em Brooklyn e desde cedo revelou interesse pela fotografia. Registou os desenhos feitos a giz pelas crianças de rua, fotografando-os a eles e às crianças, o que lhe granjeou fama.
O trabalho que produziu ao longo de quase 50 anos de carreira inspirou-se em Cartier-Bresson e Walker Evans, com quem chegou a colaborar numa série de fotografias captadas nos arredores de Nova Iorque.
As suas primeiras imagens datam de 1936 e o grosso da sua obra guarda cenas do quotidiano de rua de Nova Iorque, particularmente da zona de Manhattan, onde vivia.
A exposição Children: Photographs of Helen Levitt no M.O.M.A., de 1943, lançou a sua reputação como fotógrafa.
Nova Iorque foi o cenário dominante da sua obra e da sua vida. Praticamente só saiu da cidade para ir ao México fotografar homens a beber nas cantinas locais, um trabalho que recolheu no álbum "Helen Levitt: Mexico City" (1997).
A partir da década de 1960 começou a fotografar a acores.

Este governo tão preocupado com o défice...

... esqueceu-se do resto. E agora começa a vir à tona a asneirada.
«O Governo socialista fez aprovar, em 2006, alterações à lei que permitem aos grupos financeiros a isenção total dos rendimentos das suas filiais, refere um relatório de auditoria da Inspecção-Geral de Finanças (IGF). O Ministério das Finanças não quis comentar ao PÚBLICO esta análise.
Em causa está a opção escolhida na adaptação para a lei portuguesa da directiva comunitária para evitar a dupla tributação de rendimentos (90/435/CEE). Ao contrário de noutros países - como é citado pela IGF o caso espanhol - a IGF considera que "o legislador português optou pela solução que, sendo a mais simples do ponto de vista administrativo, propicia o desenvolvimento de mecanismos de planeamento fiscal" abusivo e é "a mais penalizadora para os interesses do Estado".»

Claro que a crise faz levantar véus que doutro modo passariam despercebidos. Andava o pagode a suportar o défice e a banca a anunciar altos dividendos, quando a crise lhes caiu no colo. Primeiro pensaram que se tratava da cinza de algum charuto, depois começaram a ver que era mesmo fogo. E agora já se vê como os socialistas defendem a democracia. Força, força, companheiro Santos.