14 março 2009

Bodies Revealed proibido no país do chefe Hugo

Corpos verdadeiros, mas plastificados. Corpos, órgãos e algo mais. Bodies Revealed é uma exposição didáctica e também teatral do corpo humano. Contém 13 corpos e 219 órgãos. Estava em caracas para que os venezuelanos a pudessem ver. Mas não podem. Hugo Chávez, el presidente, não gostou e proibiu.
O chefe disse: A exposição é macabra e só pode ser resultado de "barbárie" por causa da "inmensa descomposición moral que sacude al planeta".
Já sabíamos que havia tremores de terra, o que não sabíamos era porquê. Chávez, o cientista, explicou e nós registamos.



13 março 2009

Na net somos todos lesmas ou caracóis


A net portuguesa tem a particularidade de continuar cara e de estar longe de corresponder às velocidades que pagamos.

No entanto, tem a vantagem óbvia de abrir portas que doutro modo nos estariam vedadas. Há muitos defensores da censura: desde analfabetos, passando por politiquinhos, até governos. O que é natural, a democracia assusta.

Tim Berners-Lee é dado como o pai da coisa (da teia internacional WWW). Há 20 anos criava um sistema sistema que facilitasse a partilha de documentos de pesquisas entre cientistas. Nada de imagens nem de cores, texto e tudo a preto e branco.

O problema que se coloca hoje é o da defesa da privacidade. É fácil entrar nos nossos computadores e sacar dados perigosos. No entanto, por sorte, nem todos somos vítimas de viroses e de ataques. Mas, segundo se diz, todas as empresas do mundo dariam rios de dinheiro para saber os nossos hobbies, os nossos gostos e taras, as nossas doenças, os endereços de e-mail e de casa, do trabalho. A informação é um bem precioso.

Tim Berners-Lee tem sido um paladino dos direitos dos utilizadores da Net, contra o controlo da informação. Esta semana, numa audição no Parlamento, alertou os deputados britânicos para a necessidade de os políticos não permitirem que empresas e até governos vejam o que fazem as pessoas na Web. “Usamos a Internet sem pensar que uma terceira parte pode saber no que é que acabámos de clicar. Mas os endereços das páginas que digitamos revelam muito das nossas vidas. É informação muito sensível”, disse. “Haverá uma grande pressão comercial para divulgar estes dados, por isso, nem deve ser gravada.

A Google tem muita dessa informação e os que usam, como nós, blogues dessa plataforma, ainda revelam mais sobre si. Por enquanto, tais dados são mais ou menos mantidos em segredo, mas, caso isso não seja acautelado internacional e nacionalmente, o futuro pode revelar-se problemático. As anedotas sobre a falta de privacidade já correm por há anos.
Na net somos quase todos lesmas, deixamos um rasto de baba por onde passamos.

12 março 2009

Prodigy Vs Enya

"O Paço da Pena", aguarela assinada pela Rainha D. Amélia

Esta aguarela da Rainha da saudade faz parte do livro "Mes Dessins" (Os meus desenhos), obra em dois volumes, resultado da reunião dos seus desenhos feitos em Portugal que, com a ajuda do Conde de Sabugosa, editou fazendo-os acompanhar de textos de autores portugueses. Obra encadernada a pergaminho com fechos de marfim, cuja venda reverteu a favor das obras de assistência social que criou.

Currículo: 120 prisões

Nome: Michael Peterson
Cognome: Charles Bronson
Ano de nascimento: 1952
Habilidades: Bater, roubar, ameaçar


A morte chega sem aviso prévio


Tinha 17 anos e estava farto dele mesmo. Doía-lhe não ser considerado, não ter amigos, ninguém que olhasse por ele. Consta que gostava de filmes de terror, talvez por encontrar ali algum paliativo para uma estranheza que nunca ninguém lhe soube explicar e que ele também não chegou a perceber.

Mais uma vez repetiu-se a tragédia. Mas quem lê Arno Gruen? Quem? Os nossos jornalistas, ano após ano, repetem a mesma ladainha, a de não haver explicação para o sucedido, quando a explicação a têm sempre diante dos olhos, basta saber lê-la.
No meio da tragédia, registe-se o heroísmo de três professoras que tentaram, com os seus corpos, servir de escudo aos dos seus alunos.

11 março 2009

A distracção dos dólares


Estavam três milhões de dólares falsos em ganda festa, ali pròs lados do parque de estacionamento de um hipermercado de Alfragide, quando chegou a Judite. Judite dirigiu-se à festa que tinha lugar num carro, onde milhares de pranchas já impressas de notas de 100 dólares acendiam brilhos azuliantes nos olhos de dois mânfios e não esteve com meias medidas, foi logo com as botas ou com os punhos ou com as pistolas e pronto, negócio fechado.

O director da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da PJ salientou a alta qualidade do dinheiro apreendido, referindo que a gramagem do papel (denominado papel dinheiro, por servir para fazer notas ou outros títulos fiduciários) é de qualidade, muito próxima daquela que é utilizada quando se faz dinheiro de verdade. De elevada qualidade é também a impressão offset. A afinação da máquina utilizada é quase perfeita, subsistindo apenas um ligeiro desacerto que deixa marcas, as quais poderão ser agora analisadas para apurar eventuais ligações desta rede com outras apreensões já realizadas.

O valor estimado dos dólares falsos rondaria os 600 mil euros.

Ao que a nossa reportagem conseguiu apurar, os dólares tinham-se mascarado no carnaval e ainda não tinham tomado banho, tresandando a álcool do bom. Mas se há coisa que Judite tenha é boas máscaras, nem sentiu o cheiro e acabou logo ali com a marosca.

Campo das Letras


A agricultura portuguesa há muito se evaporou, a troco de subsídios da Comunidade Europeia que, sabendo da inércia histórica dos tugas, não hesitou em dar uns dinheiritos para sossegar a gula dos ditos agricultores.

Uma editora que se chamasse Campo, sem nenhum autor sonante, mas abundante em títulos publicados, presa a ideários um tanto ou quanto datados e sem uma linha editorial clara, só poderia mesmo ter o destino da Campo das Letras: a falência.

Quem edita lixo e faz da edição de lixo um modo de vida, ganha dinheiro, mas pratica a política da terra queimada: destrói a fonte de onde provêm os seus lucros. Grupos como o Leya, que parecem por ora tão apelativos aos patos bravos da literatura tuga, têm mais uns anos de autores "consagrados", mas assim que eles baterem a bota, que fica?

Nos jornais, o espaço dos livros é residual. O número de leitores (e não de consumidores de material impresso) é demasiado pequeno para alimentar manias e taras lusas. A escola continua a afastar os alunos dos livros e os planos nacionais de leitura revelam-se inúteis, pois enquanto o Estado continuar a querer que a escola produza analfabetos que sabem assinar ou rubricar o seu nome não iremos longe.

Semear está na moda, mas só produtos ecológicos (usando bosta de plástico e compostagens que têm a sua graça para entreter meia dúzia de lunáticos).

O livro enquanto objecto de cultura continua acessível apenas a uma elite. A democracia em arte é muito gira, mas só em países que não tiveram de aturar salazares. Nós saímos do analfabetismo puro e duro para o analfabetismo do baby boom e, pelos vistos, segundo a socrática socialista sapiência, devemos ficar muito contentes por haver magalhães com erros, mas muito portugueses.

Francisco Laranjo

A falta de curiosidade e de cultura são responsáveis pelo mau estado da arte.
Quem tem convicções tem que lutar por elas, não tem que ser subserviente ou fazer o que está na moda. Quem quiser ser do seu tempo nem do seu tempo chega a ser!
Os autismos de grupos e guetos que não são, de todo, benéficos para um maior aproveitamento e bem-estar dos artistas, e essa cultura de exigência e qualidade é a que faz mais falta.

Mary Cassatt (1844-1926)





10 março 2009

Flora Danica Tab. MCVII

Jorge Barradas (1894-1971)



Jorge Nicholson Moore Barradas, o “Barradinhas” como era conhecido pelos amigos, nasceu em Lisboa em 1894. Morreu em 1971. Foi um artista gráfico de primeira linha.
Na primeira exposição do Grupo dos Humoristas Portugueses em 1912, Barradas estreia-se com oito desenhos. Tinha então 17 anos e era o mais novo de todos.
Participa em diversas publicações como as revistas ABC e Ilustração, entre muitas outras. Chega mesmo a tomar a iniciativa de fundar o seu próprio jornal humorístico, em colaboração com o escritor Henrique Roldão. A 15 de Agosto de 1919 saía o primeiro número de O Riso da Vitória, que acabaria alguns meses depois. Foi também director artístico do ABC a Rir, cedendo depois o seu lugar a Stuart de Carvalhais.
A maioria das histórias de Barradas tem sempre os mesmos protagonistas, que são os tipos alfacinhas: o mendigo, o bêbedo, o novo-rico, os jovens ardinas, as costureiras, etc. O corpo feminino era o elemento mais representado. A intenção de Barradas era fixar tipos existentes da mulher lisboeta. Eram três os mais comuns: a burguesinha, a mulher popular e a funcionária do Bristol. Os rostos permitem-lhe dar a expressão desejada. Intitula-os muitas vezes como Máscaras, com algum expressionismo. As suas capas da revista ABC revelam o paradigma feminino da modernidade desejado pelas mulheres da sociedade portuguesa dos anos 20, que se esforçavam por se manter ao corrente das modas e dos padrões europeus.
Em 1930, toma a iniciativa de relançar a sua estratégia iconográfica às províncias ultramarinas e de fazer todo o circuito africano, para colher elementos, traçar costumes, registar tipos, algo que havia feito na sua anterior viagem ao Brasil.
Dedicou-se também à cerâmica.

Afastar os espíritos com danças rituais

"Trimery", em Strumica

09 março 2009

Ringa Ringa

A maldição de Shakespeare


Ao tempo a daguerreotipia ainda não fora inventada, tão-pouco a fotografia. Por isso, para se conhecer as fuças de algum ilustre (financeiramente abonado) só através da arte do pincel.
De Shakespeare conhecem-se vários retratos, mas nenhum pintado em vida do autor. Pelo menos até há pouco. É que acaba de ser divulgado um retrato de William, com a linda idade de 46 anos, em fundo azul.
O dito cujo estive a monte entre as muitas pinturas da família Cobbe. O quadro dos Cobbe passou por um exame de raios-X, outro de infravermelhos e um terceiro centrado na antiguidade da madeira utilizada pelo retratista para se conhecer a data em que foi pintado.
Desses estudos concluiu-se que o retrato data de 1610, quando o poeta inglês tinha 46 anos, ou seja, seis antes da sua morte.
Do pintor nada se sabe, ainda que o conservador da Colecção Cobbe, Mark Broch, tenha dito que é possível "que o pintor pusesse o seu nome no marco, embora este tenha desaparecido".
O retrato agora apresentado mostra um Shakespeare com pêra, sem argola na oreja esquerda -adorno que aparece noutros retratos- e com um nariz comprido, tudo em fundo azul, sobre o qual estão inscritas, na parte superior, as palavras Principium amicitias.
As amizades são assim, íntimas e durante séculos esconderam-no muito bem escondido.

Stuart (1887-1961)



Baptizado José Herculano Stuart Torrie d’Almeida Carvalhais, o nosso ilustrador nasce em Março de 1887, em Vila Real de Trás-os-Montes, de pai português e mãe inglesa. Após vários anos em Espanha, regressa a Portugal em 1891. A sua irregular vida escolar termina após passagem pelo Real Instituto de Lisboa (1901-1903).
Além de ilustrador, Stuart foi desenhador, introdutor da banda desenhada em Portugal, fotógrafo, realizador de cinema, actor, decorador, cenógrafo, figurinista e designer gráfico.
Enquanto ilustrador, fez a ponte com a caricatura herdeira de Bordalo Pinheiro, apurada com o conhecimento de trabalhos de Corot, Seurat e Daumier, que lhe permitem ser um cronista perspicaz e cirúrgico.
Os anos 20 marcam o grande sucesso de Stuart. Em 1921, trabalha para o Diário de Lisboa e para o Batalha. Em 1922, desenha para o ABCzinho, reiterando o sucesso das suas peças nos suplementos infantis. Colabora ainda com A Corja, o Espectro, A Choldra e o Diário de Notícias, a revista Ilustração (a cuja fundação está ligado) e com o semanário humorístico Sempre Fixe. Como gráfico, soma encomendas: da ementa do Bristol Club, aos conjuntos de postais ilustrados realizados para a exposição de 1925 dos Mercados, ou à concepção da publicidade da Sassetti. É assim que, em meados da década, é o artista que contabiliza mais capas de livros e de pautas de música – trabalho gráfico em cuja investigação associa o desenho aos tipos de letra a usar e com o qual ganha dois prémios em concursos internacionais, em Itália e Espanha. Cenógrafo e figurinista de teatro (Teatro Nacional e Politeama), desenvolve actividade no cinema (em 1916, trabalha na adaptação a filme das Aventuras do Quim e do Manecas), passa pela aventura da realização (O Condenado, com Mário Huguin) e desdobra-se como actor, decorador, cenógrafo e gráfico.
Levou uma vida na qual o sucesso conviveu com o alcoolismo e a instabilidade financeira. Em termos artísticos, dedicou-se à experimentação de materiais inesperados, como papel de embrulho, tampas de caixotes, fósforos queimados (com que frequentemente traça composições).
Profundo conhecedor do basfond lisboeta, fixa a capital em manchados fundos de café ou vinho. Assim, elegante na ilustração, essencial na caricatura, cada personagem de Stuart detém, na representação, os conceitos que a ela estão associados. Negra e violenta, a miséria, como o vício ou a solidão, é caracterizada em traços rápidos e rugosos, gastos ou recortados, no contraste de preto e branco.

Morre em Lisboa em Março de 1961.

Texto adaptado a partir do de Emília Ferreira

O castigo do pão


Dois homens foram visitar uma idosa. O mais velho levava pão, pois a mulher tinha-o amamentado. A mulher tem 75 anos e é síria. Chama-se Khamisa Mohammed Sawadi e foi castigada pela polícia religiosa por causa disso mesmo, por ter em sua casa dois homens que não eram da sua família.

Castigo? 40 chicotadas, quatro meses de cadeia e deportação da Arábia Saudita, após cumprir as penas. Os homens também foram castigados. Um foi condenado a quatro meses de prisão e 40 chicotadas; o outro foi sentenciado a seis meses de prisão e 60 chicotadas.

A mulher anunciou que vai recorrer da sentença e garantiu que Fahd é mesmo filho de amamentação. Dos homens não se sabe, ainda, se pretendem recorrer do castigo.

A Polícia Religiosa tem o dever de zelar pela forma que as pessoas se vestem, a hora das orações e a segregação sexual, entre outras coisas. Face à lei saudita, que segue o Wahabismo, uma interpretação rigorosa do Islão, as mulheres sofrem muitas restrições ao nível da indumentária, precisam da autorização do marido para viajar e estão proibidas de conduzir.

Os disparates persecutórios que as religiões levam a cabo são terríveis, pois quem deles é vítima encontra-se completamente impotente. Veja o caso de uma rapariga síria de 19 anos, violada por sete homens, que foi condenada a 200 chicotadas e seis meses de cadeia por se ter encontrado com um homem não familiar. Os violadores foram condenados a penas entre 10 meses e cinco anos de cadeia.
Fonte: JN

Porcaria


Desde que começámos a separar lixo, a quantidade de sacos que diariamente iam parar à rua diminuiu substancialmente. Verificamos que o plástico e as embalagens predominam. Já quanto ao papel e ao vidro pouco os usamos.

O problema de separar o lixo é a estética interior da casa: amontoam-se os pequenos sacos das compras carregados de emblagens, pois a recolha selectiva apenas é feita uma vez por semana: cada dia par tem o seu lixo.

Segundo o Público, cada cidadão europeu produziu, em média, 522 quilos de lixo durante o ano de 2007. O português produziu um bocadinho menos, 472 quilos. Mas apesar dos esforços de sensibilização, 42 por cento do lixo europeu continua a ir para o aterro. Apenas 22 por cento é reciclado.

08 março 2009

Primeiro aniversário


Há um ano Pisca de Gente entrava de mansinho na blogosfera. Essa coisa achatada, cheia de arestas e vértices que se tornou tão comum como uma pastilha elástica.
Ao cabo de um ano, impunha-se lavar a cara. De resto, lembramo-nos de alguns versos da Tabacaria, de Álvaro de Campos:


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.


(...)

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei de pensar?

07 março 2009

Sem comentários


Lê-se e não se acredita. "Neste processador podes escrever o texto que quiseres, gravar-lo e continuar-lo mais tarde", lê-se nas instruções do processador de texto - isso mesmo: "gravar-lo e continuar-lo". "Dirije o guindaste e copía o modelo", explicam as instruções de um puzzle - "dirije" com "j" e "copía" com acento no "i". "Quando acabas-te, carrega no botão OK" - "acabas-te", em vez de "acabaste". Tudo isto se pode ler nas instruções dos jogos que vêm instalados de origem no computador "Magalhães", o orgulho do Governo de Sócrates.
Se tem em casa um "Magalhães", confirme: ao iniciar o computador, escolha o ambiente de trabalho Linux (Caixa Mágica 12 Mag). No menu, vá aos jogos - por ironia, estão no ícone "Aprender". Em cada jogo, leia as instruções (o ícone é um ponto de interrogação). Foi isso que fez esta semana o deputado José Paulo Carvalho - o que descobriu deixou-o perplexo.
Os erros são às dezenas (o Expresso encontrou mais de 80, e a certa altura deixámos de contabilizar erros repetidos) e para todos os gostos. Há gralhas evidentes ("attentamente") e erros imperdoáveis. "Encontra-las" e "encontras-te", em vez de "encontra-as" e "encontraste"; "contar-los" em vez de "contá-los"; "caêm" em vez de "caem"; "contéem" em vez de "contêm"; ou ainda a incrível conjugação do verbo fazer - "fês" em vez de "fez". Num jogo somos instruídos a mover "um disco de cada vês", noutro devemos "carregar outra vês no chapéu" (no "Magalhães", "vez" tem relação com o verbo ver). No xadrez, a vez das peças brancas é o "torno dos brancos".
Ao pé destes casos, é quase pecado venial o desprezo por vírgulas e acentos. Há acentos que faltam ("historia", "sitio", "agua"...), outros estão onde não deviam (sobretudo nos advérbios de modo: "básicamente", "fácilmente"), há acentos graves onde deviam ser agudos ("á direita", "ás actividades").
Numa língua aparentada com o português, encontramos frases como esta: "O objectivo do quebra-cabeças é de entrar cifres entre 1 e 9 em cada quadrado da grelha" (nas instruções do sudoku). Ou esta, na explicação do tangram, um quebra-cabeças chinês: "Quando o tangram for dito frequentemente ser antigo, sua existência foi somente verificada em 1800". E ainda esta pérola: "Carrega em qualquer elemento que tem uma zona livre ao lado dele, ele vai ir para ela."
Este português macarrónico está nos computadores pessoais que já foram entregues a mais de 200 mil crianças do primeiro ciclo (ainda estão 150 mil à espera) e até foram oferecidos por Sócrates aos chefes de Estado e de Governo dos 22 países presentes na última cimeira ibero-americana. A 23 de Setembro, ao entregar os primeiros "Magalhães", Sócrates não escondia o orgulho: "O dever de um Governo é proporcionar uma boa educação. Foi por isso que avançámos com este projecto".
O deputado José Paulo Carvalho denuncia estes "erros grosseiros de ortografia, gramática e sintaxe" num requerimento que entregou ontem na Assembleia da República. No documento, a que o Expresso teve acesso, o ex-parlamentar do CDS (actualmente deputado não inscrito) questiona Maria de Lurdes Rodrigues sobre o que chama o "novo idioma oficioso do Ministério da Educação (ME): o 'magalhanês'".
(...)
O tradutor da versão portuguesa do software tem quase as mesmas habilitações que as crianças que utilizam o Magalhães: José Jorge tem a 4ª classe e vive em França desde os 10 anos. "O problema da tradução é que nenhum português de Portugal se dedicou a ela", lamenta o emigrante. José Jorge diz que "ninguém até hoje" reviu a versão que ele criou. O software educativo da GCompris está disponível na net e pode ser actualizado por qualquer cibernauta.


Fonte: Expresso

Que chatice, software com erros ortográficos de... português. Que raio de língua é essa?


Surpresa? Claro que é surpreendente ver como gente que já tem idade para ter juízo se delicia com brinquedos. Mais: que acredita piamente que é com brinquedos que se desenvolve a capacidade de leitura.
Os erros são um modo luso de trabalhar: traduz-se, quiçá com correctores automáticos, do inglês e fazem-se adaptações (as mais evidentes). O resultado é o que se vê.
Já dizer que se ficou surpreendido... Com quê? Com o dinheiro que se gastou num produto que pouco mais faz do que épater le bourgeois? Com o hábito de trabalhar em cima do joelho, mesmo quando está em causa a educação de um país?
São mais de 80 erros, entre os quais "gravar-lo", "puxando-las", "acabas-te", "básicamente", "fês", "caêm", e ainda textos inteiros sem sentido, que teriam como objectivo apresentar as instruções dos jogos, aparecem em vários dos jogos didáticos do Magalhães.
O que são erros? Nada. Isso é um grão de pó num vasto areal, o das asneiradas educativas deste governo de Portugal. Como diz o sr. secretário de Estado: "Uma coisa é certa, não é pelo facto de um programa de jogo didáctico ter erros, que isso diminui, em alguma coisa, a utilidade e a importância do projecto do computador Magalhães". Claro, claro. Se nós admitíssemos facilmente os nossos erros e precipitações o mundo seria um lugar muito mais aprazível e que dispensaria abencerragens como as que dominam o Ministério da Educação. Vá lá que não se lembraram de dizer que era para ver se os alunos e professores estavam atentos...
"Em relação aos computadores já distribuídos, a Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC) produziu um manual de instruções que permitirá que os professores, nas escolas, ou os pais, em casa, possam realizar a desinstalação de imediato". E não é que ficamos todos muito mais sossegados que seja assim?

Caspa, coca-cola e abdominais


Ainda há caspa no mundo? Que estranho? É que desde que me lembro, os anúncios prometem a eliminação da caspa em poucos dias. Se ainda há caspa, talvez seja porque as pessoas não usam os champôs milagrosos que existem há décadas e que ciclicamente ficam melhores (eliminam caspa, cabelo, couro cabeludo, tudo).

Por falar em publicidade, descobri que a coca-cola é óptima para desemtupir os canos. Dantes usava produtos corrosivos ou soda cáustica. Agora, depois de ver o anúncio, já sei que aquilo serve para grelhar sardinhas e desentupir canos.

Aprende-se muita coisa com os anúncios. Para quê suar, fazer exercício ou ter cuidado com o que se come? Há umas maquinetas que fazem exercício por nós e podemos, na praia, mostrar ao mundo como somos parecidos com aquela gente que aparece nos anúncios. Ginásio? Qual ginásio, qual esforço, apenas um simples cinto.

O mundo está cheio de produtos milagrosos. Por isso estranho tanto que ainda existam problemas. Quando olho para as fotos das pizzas congeladas e vejo como comer pizza é romântico, penso se estarei num outro planeta que não o nosso. Afinal, basta olhar para aquilo para ver que são poços de gordura, conservantes e lixo. Se não sabem a plástico, aproximam-se muito.


06 março 2009

Cavalos, cavalinhos, cavalicoques


Foi há cerca de 5500 anos que os povos das estepes do Cazaquistão - a cultura bopai - começaram a domesticar cavalos. Esta prática - que não serviu apenas como forma de transporte, mas também para alimentação, incluindo a utilização do leite - foi documentada por uma equipa internacional de investigadores, que recorreu a novas técnicas de análise para chegar a esta conclusão.

Com este estudo, publicado na revista Science, os cientistas demonstram que a domesticação de cavalos se iniciou um milénio mais cedo do que se pensava. Originária daquela região para lá dos Urais, esta prática só dois mil anos depois começou a ser praticada na Europa.
Fonte: DN

Como é que os empresários de sucesso vêem Sócrates?


O primeiro-ministro, José Sócrates, é "um homem muito cansado" e "está obcecado com o BE e PCP". Uma convicção manifestada pelo presidente da "holding" Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, na apresentação dos resultados da companhia referentes ao exercício de 2008.

"Somos um país pequeno, que não é famoso pela organização" e o esforço por que Portugal teve que passar na ocasião em que ambos foram governantes debilitou-os posteriormente, disse.
Soares dos Santos considerou ainda que Sócrates "está obcecado com o Bloco de Esquerda e com o Partido Comunista", além de estar "mal assessorado" no exercício das suas funções.
Destacou também que "as eleições estão a complicar" e a adiar "remodelações ministeriais" e a desviar o governo do principal problema que "é o desemprego".


Fonte: JN

Kepler: um olho electrónico para espiar o espaço



A anos-luz da Terra, algures na nossa Via Láctea, uma anónima e modesta estrela alberga um pequeno planeta, feito de continentes de pedra, oceanos de água líquida e céus azuis. Tal como a Terra, esse planeta completa uma órbita em torno do seu sol em mais ou menos um ano. Não é nem muito quente nem muito frio: tem a temperatura ideal para o desenvolvimento da vida. Quem sabe, talvez já esteja cheio de vida... O que não daríamos para o ver!
O mais provável é que isso nunca venha a acontecer - mesmo um punhado de anos-luz são milhões de quilómetros a mais para os seres humanos lá chegarem em pessoa. Mas os astrónomos acreditam que é, contudo, possível fazer algo que se aproxima disso: estudar a atmosfera de planetas como este - se é que existem -, determinar se são habitáveis e descobrir eventuais sinais da presença de vida.
É um velho sonho da Humanidade, saber se estamos ou não sozinhos no Universo. O nosso "pontinho azul", como lhe chamava o conhecido astrónomo Carl Sagan, será único, ou haverá muitos outros como ele noutros cantos da Via Láctea e até de outras galáxias? E se houver muitos outros, haverá ou não vida neles? E se houver vida neles, será vida inteligente, consciente, ou apenas vida primitiva?
As respostas poderão vir através do novo telescópio espacial Kepler que a NASA se prepara para lançar para o espaço.
O novo telescópio, baptizado em homenagem a Johannes Kepler (1571-1630), pai da astronomia moderna, pesa uma tonelada e custou 478 milhões de euros. É basicamente composto por uma câmara digital de 95 milhões de pixéis - a mais potente de sempre a ser colocada no espaço - e de um espelho com quase um metro e meio de diâmetro. A abertura do telescópio é quase de um metro.
Colocado em órbita à volta do Sol, seguirá o rasto ao nosso planeta e ficará orientado para uma porção do céu visível do Hemisfério Norte da Terra, na direcção das constelações Cisne e Lira. Ao longo dos três anos (pode chegar aos seis) que deverá durar a sua missão, vai realizar um gigantesco "recenseamento planetário", olhando fixamente e simultaneamente para mais de 100 mil estrelas nessa região da Via Láctea.
Para detectar exoplanetas, o Kepler utilizará o método dito dos trânsitos, que consiste em detectar pequeníssimas flutuações da radiação, "piscadelas" na luz emitida pelas estrelas, devidas à passagem de um planeta à sua frente. O Kepler é um aguçadíssimo olho que o homem atira para o céu.
O Kepler fará observações em contínuo, sem desviar o olho dos seus alvos e sem pestanejar, e enviará para a Terra os dados recolhidos uma vez por semana.

Fonte: Público

Watchmen, o filme

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05 março 2009

Mentiras? Negócios? Trapalhadas? Partidarices?

A Autoridade marítima, nos Açores, foi ignorada pelo governo. Associações ecológicas mantidas à margem. Não há decisão do conselho do governo. Desconhece-se parecer do Laboratório Regional de Engenharia Civil e não há estudo de impacto ambiental.
À primeira vista, choca a relação custo/benefício da obra. Custos não só de investimento como em termos de impacto ambiental para a população que passa o verão na Fajã. Quem ganha, na realidade, com o facto de os terrenos irem triplicar de preço?
O secretário regional do Ambiente e do Mar, Álamo Meneses, assegurou no Parlamento açoriano que as obras na falésia da Fajã do Calhau, na ilha de S. Miguel, “não trouxeram nada de mal ao mundo em termos ambientais”.
Diz Meneses: a obra tem um dono, que é o governo regional e o que se pretende é tão-somente, a “construção de um acesso, com segurança, a um espaço que é utilizado pelo homem desde o povoamento da ilha”.
De resto, como todos sabemos o governo anda a nadar em dinheiro e mais obra menos obra é coisa que não preocupa ninguém. Curiosamente, este mesmo senhor gastou milhões numa escola na Terceira onde faltam funcionários, onde há problemas de gigantismo e de falta de espaço - tudo, claro, com o dinheiro dos contribuintes. Aquilo que se está a passar na Fajã do Calhau é mais uma obra à Meneses: atirar areia para os olhos dos açorianos.

Fajã do Calhau

Haverá quem, num dia vindouro, ao ler o que abaixo se transcreve se comova e pense como foi possível, em pleno século 21, deixar destruir um lugar em nome da gula imobiliária e outra.
Dantes diziam que a fajã era assim: um percurso pedestre pela orla marítima a sudoeste da ilha de S. Miguelleva-nos até ao povoado da Fajã do Calhau, com cerca de 7 km, entre Água Retorta e Faial da Terra.
As fajãs têm origem em costas altas e escarpadas, formando-se, assim, entre arribas e o mar. São áreas em que, normalmente, o solo é fértil, o que faz dele uma atracção das populações, embora com algumas dificuldades quanto ao acesso. Na Fajã do Calhau, para além das explorações de vinha, a pesca constitui uma das principais atracções.
A Fajã do Calhau é um bom local para repousar da caminhada, sendo possível observar espécies de flora dos Açores, como o bracel (Fetusca petrae), a erva leiteira (Euphorbia azorica) e a vidália (Azorina vidali), a faia da terra (Myrica faya) e o incenso (Pittosporum undulatum). Também se podem observar algumas espécies da avifauna dos Açores, como o canário-da-terra (Serinus canaria), o melro negro (Turdus merula azorensis), o milhafre (Buteo buteo rothschildi), a alvéola (Motacilla cinerea patriciae).

Contra o crime ambiental na Fajã do Calhau (S. Miguel)


Hoje foi e é dia "F".


"F" de Fajã do Calhau.

"F" de fora com crimes ambientais desta natureza.

"F" de fartos de pressa e gula financeira.

"F" de fina asneira.

"F" de fantasias de iluminados que tudo vêem através de lentes escuras, muito escuras.

"F" de fancaria, pois quem executa uma obra dessas é abaixo de plástico.


Vejam a cronologia dos acontecimentos aqui.


(Embora tardiamente, não podíamos deixar de nos associar a este repto contra a barbárie).

O perigo é a minha profissão







PHotoBolsillo







Gatunos? Ou empresários de sucesso?


«O PCP pediu uma audição ao presidente da Galp Energia para dar explicações sobre os lucros da energética apresentados ontem, em particular o aumento de quase 200 por cento nos resultados do quarto trimestre do ano passado face ao período homólogo de 2007.»
Coitadinha da Galp, o que são lucros de 200%. O governo garantia há meses que estava tudo sob controlo. E estava. Portugal foi e é um paraíso para esse tipo de negócios. Infelizmente, os salários dos que trabalham para aquela empresa não acompanham os lucros. Há um discurso para os lucros e há um choradinho para os salários. Portugal continua na idade da pedra no que respeita a salários.

04 março 2009

O asteróide DD45


O asteróide DD45, com 30 a 40 metros de diâmetro, passou na segunda-feira a 60 mil quilómetros do sueste do Pacífico, sete vezes mais perto do que a Lua. Uma surpresa para os astrónomos, que não esperavam que passasse tão perto do nosso planeta, referem os média australianos.

O mais recente objecto que se tinha avistado passar tão perto da Terra foi o 2004 FU162, um asteróide de seis metros que passou a mais de 6 mil quilómetros no nosso planeta, em Março de 2004.Nos tempos recentes apenas um asteróide de dimensões semelhantes ao 2009 DD45 colidiu com a Terra. Há cem anos, a 30 de Julho de 1908, o Tunguska atingiu a terra na zona da Sibéria libertando força equivalente a 85 bombas como a de Hiroshima e derrubando 80 milhões de árvores.

03 março 2009

Complex, irritadex, adiadex - não são gauleses, não, é Portugal no seu melhor


O nome, já de si, é meio idiota. Simplex soa a papel higiénico ou algo do género.

Os efeitos da dita desburocratização só se devem fazer sentir para quem está na Assembleia da República, ou para membros do governos ou militantes do PS.

Mesmo uma coisa tão simples como o cartão do cidadão exige mais tempo e papelada que o bilhete de identidade. Isto para não falar da trapalhada que é ter que apresentar um papel para levantar o dito cartão (se isso é desburocratizar vou ali e já venho).

Quanto a serviços da administração pública, a gente entra nas repartições e vê toneladas de papel, impressos para isto e para aquilo e continua a demorar horas para resolver coisas simples.

Tantos anos depois é como se tudo estivesse a começar agora. A voz estridente com que se anuncia o que já foi anunciado tantas vezes, as promessas que se repetem uma e outra vez, a papelada que continua como se fosse surda à retórica do senhor primeiro-ministro.

A morte em massa das baleias


Ontem, o cenário era desolador na praia da pequena ilha de King, no sul da Austrália. Podiam-se ver perto de 200 baleias-piloto e uma dezena de golfinhos a gemer, presos no areal, longe do mar que os ali deixara.

Segundo a imprensa local, pelo menos 48 foram salvas, incluindo uma baleia bebé que teimava em voltar à praia. Para além dessas, cinco golfinhos foram empurrados para a água com vida. A mesma sorte não tiveram outros 140 daqueles mamíferos que morreram na areia.

As autoridades estão agora preocupadas com outras baleias que apareceram perto da ilha. Cerca de 400 baleias - 80 porcento das baleias encalhadas na Austrália - deram à costa na Tasmânia, nos últimos quatro meses.

Dizem os cientistas que os cetáceos se sentem atraídos pelo radar dos grandes navios ou que seguem os líderes enfermos e desorientados por danos auditivos, acabando por morrerem em grupos.

Água e luz: bens essenciais mas demasiado caros


Os bens essenciais custam dinheiro e já são muitos os que não têm euros que cheguem para pagar a luz e a água. Da luz sabe-se pouco que a empresa, quiçá por estratágia comercial, não quer adiantar números (prefere vir alardear que todos devemos milhares à EDP). Adiante. O que se pode ler abaixo é trancrição de uma notícia vinda a público hoje.
Segundo a EPAL, que abastece a água à população do concelho de Lisboa, os avisos de corte emitidos em 2008 representaram quatro por cento do número das facturas, embora só tenham sido executados 0,3 por cento. A empresa revelou à Agência Lusa que, em 2008, emitiu 3.504.469 facturas, 140 mil cartas de aviso (a dar mais um prazo para ser efectuado o pagamento, antes do corte) e efectuou 10.660 cortes de abastecimento. Nos anos anteriores, foram realizados 9.174 (2007) e 8.069 (2006) cortes.

Em Setúbal, são aos milhares os cortes de abastecimento de água por falta de pagamento.

Segundo Natália Nunes, da Deco, viver sem água e electricidade é um cenário "cada vez mais frequente", que resulta, principalmente, de casos em que o desemprego bateu à porta. "São famílias que têm poucos e cada vez menos rendimentos, até que deixam de poder pagar bens como estes", disse, revelando que a Deco, nestes casos, tenta ajudar de modo a que o consumidor consiga pagar faseadamente as dívidas e possa, quanto antes, voltar a ter água e electricidade.

Para Carlos Braga, dirigente do Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), essas "empresas [privadas] só pensam no lucro e não levam em atenção as fragilidades dos cidadãos que, pelos mais variados motivos, podem deixar de honrar os seus compromissos".
Fonte: Público

Contra os altos salários dos gestores


Cavaco Silva e Horst Köhler. Ambos presidentes da república. Ambos eleitos com pequenas margens.

Ex-director-executivo do Fundo Monetário Internacional e ex-presidente do Conselho Directivo do mesmo FMI, Horst Köhler é desde 2004 presidente da Alemanha.

02 março 2009

O congresso do PS

São José Almeida diz (Público, edição papel) e nós registamos:
"(...) características do actual PS que se evidenciaram a quem observou, das bancadas, o desenrolar do espectáculo montado na nave polidesportiva em Espinho. Uma foi a da solidão e da fragilidade do poder de José Sócrates, outra a sede de poder e do medo da perda desse mesmo poder que assola o PS."
"(...) Para lá do elogios ao líder - por vezes tão panegíricos que se tornavam ridículos -, os discursos centravam-se numa questão vital para os delegados que se reuniram em Espinho e que é o real problema que ali os levou: a manutenção e a conquista de poder.
E, se o unanimismo à volta de José Sócrates foi intenso e imenso, o que dele transparecia era um surpreendente medo de perder o poder. Os incessantes e lancinates apelos ao repetir da maioria absoluta, o fervor quase de crença em que não há alternativa à governação iluminada de José Sócrates, uma estranhamente pueril ausência de dúvidas e de interrogações, foram profundamente reveladores de um quase cândido desespero de que, ao longo do ano de 2009, o poder que o PS detém hoje se desfaça entre os dedos, como areia na praia."

Vem aí o "i"

Quando nos mentideros se fala da não publicação do Público senão às sextas, sábados e domingos, e quando o futuro do DN se afigura incerto, eis que surge uma equipa de estrelas a arriscar num novo projecto, "i".
O director do "i" é Martim Avillez Figueiredo. A redcação conta com setenta jornalistas que estão a receber formação para ficarem a saber tudo sobre o jornal em que começam a trabalhar na próxima segunda-feira, dia em que ocupam os lugares na redacção.
Na redacção serão instalados 16 ecrãs de televisão, para que "não escape uma história" à equipa que prepara diariamente o jornal. No rés-do-chão, onde estarão montadas as secretárias e uma sala de reuniões, haverá também um estúdio de gravação e imagem. Segundo o director do "i", cada jornalista receberá um kit composto por um telemóvel (que captará imagens e sons), um tripé e um microfone, "para que cada um produza imagens onde quer que esteja e quando considerar que pode ser uma mais valia". No mesmo espaço, sem divisórias, estarão dispostas as mesas dos redactores, editores e directores do jornal, para que a informação flua mais facilmente entre todos. Numa das paredes será colocado um painel que muda de cor ao longo do dia, assinalando os vários períodos de fecho do jornal e as necessidades de actualização do site. O andar de cima, um espaço "lounge", servirá para "descomprimir do ritmo do andar de baixo". Quanto ao nome do jornal, "não há nenhuma razão especial" que explique a escolha, "a não ser a convicção de que uma marca é o que fez dela".
Há um ijornal no Brasil, mas, que se saiba, este nada terá a ver com esse.

Instrução pública


Dois em cada três agentes da PSP e da GNR não têm o 12º ano de escolaridade.

Os quadros da PSP e a GNR incorporam, no seu conjunto, 49 mil efectivos, dos quais 35 mil têm qualificação escolar inferior ao 12º ano.

Resta dizer que muitos nem sequer o 9.º ano de escolaridade possuem.


Fonte: JN

Resposta a um velho livro de estilo

Ler é, de facto, complicado. A gente escreve 2 e há logo quem se ponha aos gritos a dizer que não são 5. Isso mesmo fez o autor deste blogue emrelação a este post. O autor não leu, tresleu, para concluir o que muito bem quis.
A gente tão intelectualmente honesta que podemos dizer senão que reiteramos os nossos pontos de vista, acrescentando: vai mal um país que em tempos de crise gasta tanto dinheiro a mudar algo sem primeiro conhecer a realidade que pretende alterar; vai mal uma equipa que, estimulada pelos seus tiques académicos, esquece a mundividência da população escolar - que domina muito bem a teconologia, mas domina bastante mal a língua materna, algo que se reflecte, por exemplo, na dificuldade em perceber os enunciados dos exames de matemática. Quanto a textos literários, poderão um dia entusiasmar-se com Equadores e Sei Lá, mas dificilmente com Novelas do Minho, O Primo Basílio, Húmus, Mau Tempo no Canal ou Torre de Barbela.
Relativamente ao Plano Nacional de Leitura, enferma do tique muito gauche de que ler por ler cria leitores. Ou muito me engano ou é apenas o prazer de descobrir e de aprofundar que os cria. A lista é um amontoado de obras (muitas delas bacocas) que em nada ajudarão a criar leitores.
Já agora, aproveitamos para dizer ao sr. Ricardo Nobre que aqui não se pagam comentários que não interessam. E que no século XIX apenas uma minoria endinheirada podia frequentar a escola. Embora tenha sido nesse século que se começou a falar de questões que ainda hoje debatemos: como o saber ler, escrever, contar, pensar.

01 março 2009

Tanta palavra para nada dizer

Há um senhor deputado dos Açores, vice-presidente do grupo parlamentar do PS e Presidente da JS Açores, que gosta muito de opinar. Fá-lo com regularidade nos jornalinhos da Região e hoje também no blogue do Tibério Dinis.
É um orgulho para a Região ver que há deputados assim tão novos e tão seguros das suas opiniões. Algo que mostra bem como aqui, neste Pisca de Gente, nos enganamos: há quem tenha subido na vida apenas por mérito, como é o caso do senhor deputado.
Ora diz o senhor deputado que acha «pertinente falar das Novas Tecnologias como base para estratégias ligadas a uma Nova Economia, a uma cultura de capital de risco e de fomento da livre iniciativa jovem.» E nós, leitores curiosos e ávidos de conhecimento ficámos eufóricos. Finalmente alguém que nos apresenta não uma economia nova, mas, bem à maneira socialista, uma Nova Economia. O segredo está no uso das maiúsculas, pois dizer pão é muito diferente de dizer Pão ou até PÃO.
E o que diz afinal o senhor deputado sobre essa Economia? Vejamos: «No sistema económico actual a chamada Nova Economia, relacionada com as Tecnologias da Informação assume uma importância vital. Tanta que, mundialmente, esta Nova Economia deixa de ser Nova passando a ser um cenário cada vez mais presente e determinante para qualquer modelo de desenvolvimento sustentável futuro.» Como? Importa-se de repetir? Afinal a Nova não é Nova, é apenas uma Economia como outra qualquer? Não, não é bem isso. Pois a economia de que fala o senhor deputado não é uma realidade, é apenas algo virtual, ele chama-lhe «um cenário» (serão resquícios dos bailinhos do Carnaval?).
A frase, rebuscada e confusa, além de evidenciar dotes raros de oratória (o senhor deputado faz um post em que nada diz) engana, pois a Nova Economia não é Nova, é um cenário.
Diz ainda o senhor deputado, que, além de grandes dotes de oratória exibe um elevado conhecimento das potencialidades da língua materna: «Por todo o mundo é visível que as economias mais desenvolvidas têm apresentado uma crescente “leveza”. Esta “perda de peso” das estruturas económicas é um factor comum das economias que se tem vindo a desenvolver acima da média.»
A que é ele se refere? O texto nada diz. Será que para ele crise é sinónimo de leveza? Não, nada disso. Como explica o senhor deputado vice-presidente do grupo parlamentar trata-se de uma «“desmaterialização” da Economia». Uma quê? Que é que quer dizer desmaterialização? Será tirar a matéria economia do discurso do senhor deputado? Será mostrar-nos que de economia nada percebe?
Para não nos acusarem de má-fé, transcrevemos o parágrafo: «Esta “desmaterialização” da Economia, sendo um factor de sucesso nos mais variados sectores económicos revela-se como um importante instrumento para o desenvolvimento de um quadro económico favorável. As Novas Tecnologias de Informação e Comunicação, o Conhecimento ou a Mega Base de Dados que é a Internet e o fluxo de informação que permite são a base desta Nova Economia.»
A desmaterialização da Economia (com letra grande, faz favor) é um factor de sucesso[???] nos nais variados sectores económicos [quais? como?]. E o que é um «quadro económico favorável«? Será como aquele dos cartoons que se inverte para só mostrar resultados positivos?
O senhor deputado, imparável, certamente inspirado, continua: «A possibilidade de ultrapassar, facilmente, as barreiras comunicacionais de uma Região com a localização e disposição geográfica dos Açores utilizando os conceitos e mais valias desta Nova Economia representa a criação de mecanismos para uma fácil e rápida difusão destes novos produtos ultrapassando, também, os custos de transportes que algumas vezes bloqueiam investimentos na Região.»
Saberá o que são barreiras comunicacionais? E de que novos produtos fala? Será que para o nosso douto presidente da JS Açores o virtual é um produto? Assim do género, eu que moro em Lisboa encomendo por e-mail duas toneladas de carne terceirense e o vendedor envia-mas num ficheiro zip?
Para terminar, que este post já vai demasiado longo, reparem como o senhor deputado adora mais valias: «É sabido que o passatempo de muitas crianças, adolescentes e jovens açorianos é navegar na Internet. A utilização deste hábito e desta apetência dos jovens açorianos para o aumento da sensibilidade às mais valias da Nova Economia revela-se estrutural para o Modelo de Desenvolvimento Futuro da nossa Região.»
Eu, ao ler este texto ainda pensei que se tratasse de alguma brincadeira de um aluno do 8.º ano de escolaridade a fazer de conta que sabia do que falava. Mas não, é mesmo do senhor deputado Berto Messias.
Com deputados assim, a Região pode descansar, pois «Estamos na era do Conhecimento. Vivemos “à distância de um click”.»

Porque há tanta gente a acreditar no Pai Natal?


«Os cursos com médias mais altas, como Medicina, são tendencialmente preenchidos por alunos de famílias com mais recursos, revela um estudo na Universidade de Lisboa, que conclui que o acesso ao ensino superior não é “apenas uma questão de mérito”.»

Ou é de mim ou é óbvio. Pensar, ler, estudar exige estímulo, ambiente adequado, algum esforço e isso só é possível quando o meio envolvente cria condições e exige resultados.

Portugal vive muito para as fachadas, para as encenações. É um país, como em tempos disse um pensador, algo esquizofrénico. E muita boa gente julga que a sua vida pode mudar se... acontecer um milagre (por alguma razão somos um dos países que mais dinheiro gasta em jogos do tipo euromilhões). Mas os milagres são-nos por isso mesmo: por serem raros.

Portugal não tem, ao contrário doutros países, uma tradição tão classista como por exemplo o Reino Unido. Mas adopta os mesmos princípios escolares: mediocridade, indiferença, tédio, passatempo. Só que isso destina-se às classes baixas, já que as ricas frequentam outro tipo de escolas.

A educação anda há muito pelas ruas da amargura. Fruto de muitos anos de Salazar, a que se veio juntar uma democratização acelerada do ensino. E como se isso não bastasse, ao caldo de pais analfabetos, famílias desestruturadas, baixos rendimentos, altos consumos de álcool e drogas juntou-se a ideia de que a escola é inclusiva se for uma fachada. Isto é, se fizer com que todos transitem de ano de escolaridade mesmo sem terem adquirido conhecimentos (ou, como agora se gosta de dizer: competências).

A maior parte dos alunos não consegue concentrar-se senão durante mínimas fracções de tempo. Nas aulas, tudo se lhes afigura aborrecido. Os ritmos de estudo resumem-se a alguns minutos nas vésperas de testes. Acresce a dificuldade em distinguir o que é essencial do que é acessório, o não perceber o que é relevante ou axial e que justifica um determinado ponto de vista, ou ainda o transitar de ano sem ter adquirido conhecimentos (relacionar matérias, perceber a complexidade e a interdependência de assuntos, ...).

A maior parte, claro. Os tais que se julgam muito espertos por não serem capazes de executar determinado tipo de raciocínios e de tarefas.

Assim, entre 2003 e 2008, as vagas dos cursos que requerem notas mais elevadas, como Medicina, Belas Artes e Farmácia, foram preenchidas principalmente por alunos com origem em famílias mais favorecidas, cujos pais são “quadros dirigentes e superiores das empresas ou da administração pública, especialistas das profissões científicas e intelectuais, técnicos e profissionais de nível intermédio”.

Sócrates continua a trabalhar para o faz de conta e anunciou hoje ao seu partido que vai conceder bolsas de estudo a alunos entre os 15 e os 18 anos. Que eu saiba essas bolsas existem há muito e sempre deixam de fora alunos das classes médias baixas porque os rendimentos do agregado familiar sempre ultrapassam os plafonds que a lei determina. Ou seja, alguns dos que precisavam mesmo da bolsa não a obtêm. Mas isso que importa? O que interessa é que os títulos das notícias veiculem as boas intenções do PS e de Sócrates. Se isso vai ou não mudar alguma coisa só interessa a meia dúzia (e não é com meia dúzia que se ganham eleições).

Porque é que não conseguimos acreditar nos empresários portugueses?


a) Porque a maioria se alimenta da vaca do orçamento;

b) Porque a maioria nada mais faz do que enriquecer à custa de baixos salários;

c) Porque não têm iniciativa e continuam a pensar à velha maneira aristocrática: fazer o mínimo, roubar ao máximo;

d) Porque sempre que vemos problemas nas empresas (falências fraudolentas ou danosas) quem paga a factura são os que trabalham e nunca os ditos empresários;

e) Porque são afectados, tacanhos e provincianos;

f) Porque, salvo duas ou três excepções, nada criaram que seja internacionalmente representativo, mas auferem vencimentos muito superiores aos dos seus congéneres europeus;

g) Porque depois de milhões mamados com sucessivos orçamentos, Portugal continua a ter os mais baixos índices de produtividade (e quem tiver olhos na cara, percebe que a culpa é dos empresários chico espertos, preguiçosos e perdulários que temos).

Uma nota de rodapé sobre a tão ilustre figura que dá pelo nome de Pedro Ferraz da Costa: que serviços relevantes prestou ele ao país?

Há coisa de meio ano defendia cortes nos salários. Não nos que ele ou os amigos dele auferiam, mas nos já ínfimos salários que quem realmente produz recebe no fim de cada mês. Agora vem com estas atoardas. A que propósito? Certamente no de fazer pela vidinha, ou seja, no de conseguir margem de manobra para algum negócio, a fim de conseguir uns euros mais. Ah, doce "massa crítica" de Portugal...

28 fevereiro 2009

A lógica da batata


"São epifenómenos minoritários [a proibição de umas imagens num computador Magalhães num Carnaval, ou o confisco de uns livros com a "origem do mundo" de Courbet na capa], não revelam qualquer doença social, porque de um modo geral toda a gente os condenou. Naturalmente, sem dúvidas, sem hesitações." José Pacheco Pereira dixit (Público, edição papel de hoje).
Toda a gente condena o racismo. No entanto as anedotas sobre pretos são frequentes e tranversais a faixas etárias e grupos sociais. Seguindo a douta lógica do inquisidor-mor não há racismo em Portugal. Ou há de facto racismo, mas não é aqui, não é nos actos isolados de fulano e beltrano.
Se pensássemos como o inquisidor-mor perceberíamos que também a ele lhe faz espécie a "Origem do Mundo" de Courbet, os pénis de Mapplethorpe ou o casamento de homosseuxuais, entre outras coisas, claro. Os inquisidores são sempre feitos dessa mesma massa: atiram areia para os olhos dos que já estão cegos.

Lindo, tão lindo como um pôr do sol


Há postais de que as pessoas gostam. Há momentos que emocionam as pessoas. Há situações que comovem as pessoas.

Gostar, emocionar, comover: todo o meu ser (mais uma expressão linda linda) reage assim ao belo (lindo lindo) discurso do senhor professor Carlos Reis. Diz o sr. professor que a revalorização dos textos literários, enquanto "repositórios de uma cultura, de uma memória cultural e de um legado estético" e as alterações na linguagem introduzidas pelas tecnologias de informação e comunicação são dois aspectos tidos em conta nos novos programas.

Leitores, limpem as lágrimas. Carlos Reis é de um singeleza tão arrebatadora. Esta preocupação pelo literário e pelas novas tecnologias é absolutamente extraordinária. Quem haveria de se lembrar de algo assim tão lindo lindo salvo um génio como o sr. professor e a respectiva equipa?

Agora, para quantos deixaram de acreditar em Deus mas acreditam em Carlos Reis, o mundo da leccionação fluirá como nunca, pois as alterações metodológicas, didácticas, científicas, sociais e técnicas dos últimos anos que motivaram "reajustamentos" nos programas e, nalguns casos, "alterações substanciais" encarregar-se-ão de mostrar como a língua materna é moderna, gira, bué de fixe.

Não bastava a incapacidade cada vez maior de perceber o que se lê (logo que se saia da disparatada listagem de obras literárias do plano nacional de leitura), fruto das modernices pedagógicas ("metodológicas, didácticas, científicas, sociais e técnicas")... Não, era urgente gastar uns quantos euros com uma equipa que criou e vai distribuir os pozinhos de perlimpimpim... E assim tudo será mágico.

A maior parte dos manuais do ensino básico são elaborados por gente que gosta muito de esquemas, de imagens giríssimas, de perguntas bacocas. Ou seja, gente com a velha escola salazarista de tudo dirigir. Gente que, vê-se logo, nada lê, mas cuja preocupação é como a do senhor professor doutor Carlos Reis - serem modernos, actuais, lindos lindos.

Se julgam que fazemos bluff, folheiem esses manuais. Seja qual for a editora e a equipa redactorial e vejam se não é como dizemos.

Há uns anos houve uma editora, a Raiz, cuja percepção de manual era bem distinta da mediocridade instalada, mas não deve ter tido clientes à altura. Eu, por exemplo, sei de um senhor que é actualmente presidente de um conselho executivo e que se queixava muito da falta de perguntas.

O país, em vez de gastar os tais euros a formar professores como devia, gasta-os em show off, na certeza de que cada equipa que passa pelo Ministério da Educação pode fazer a porcaria que quiser que a culpa será sempre endossada aos que obedecem.

O novo programa é um amontoado de TLEBS que só virá complicar a vida dos alunos - porque as TLEBS enfermam do tique estruturalista que sempre se esquece que só a partir de determinadas idades os alunos são capazes de reflectir sobre a língua. Antes têm que ultrapassar os vícios apreendidos no meio onde vivem e onde se movem. Mas isso que importa, se falar de tecnologias é tão bem e tão in?

27 fevereiro 2009

Em Viana não se pode comer carne nem peixe: para defender os animais



Viana do Castelo é uma cidade e pêras. Acaba de decidir que a realização de qualquer espectáculo tauromáquico no espaço público ou privado do município fica proibido sempre que ele dependa de qualquer autorização a conceder pela autarquia.
O politicamente correcto tem destas coisas: cega.
O PS local acha que assim contribui para (não se riam) "ir de encontro ao perfil de cidade saudável".
De facto, uma cidade não é habitada por pessoas, mas por idiotices e vaidades de certos políticos. Se assim não fosse, não passava pela cabeça daqueles senhores aprovarem medidas que farão a alegria dos fundamentalistas, mas que deixam triste quem gosta de tradições. Viana é o exemplo perfeito de um lugar que assimilou os valores folclóricos do Estado Novo, dos quais muito se orgulha e vende como imagem de marca. No entanto, não gosta do que é genuinamente português, nem defende valores de tolerância e apreço pela diferença. Prefere correr atrás do politicamente correcto. Por isso, em Viana não tardará muito que a autarquia impeça o abate de vacas, porcos, borregos, ovelhas, coelhos, galinhas, além da capatura de peixes, pois ali "o executivo socialista considera que o espírito de cidade moderna e progressista deve estender-se ao respeito pelos direitos dos animais".
Os vianenses que continuarem a comer animais estarão não só a desautorizar essa sumidade cultural que é Defensor Moura, como a impedir que Viana seja moderna e progressista.
É que, como facilmente se percebe, os touros apenas existem para corridas e espectáculos, contribuindo para o enriqueciemnto do país (informação vinda a público há tempos). Já os porcos, vacas, cabritos, frangos, coelhos, perus, etc. existem para alimentar a população.


26 fevereiro 2009

Medo global

Os portugueses depositaram 1,2 mil milhões de euros no banco estatal em Outubro, no pico da crise. Quase cinco vezes mais do que o normal. Um valor equivalente a 1% da riqueza produzida anualmente em Portugal.
Foi este o acréscimo dos depósitos da Caixa Geral de Depósitos (CGD), verificado em Outubro, num montante superior a 1,2 mil milhões de euros. Este dinheiro foi depositado no banco estatal, num fenómeno que tem na base a transferência de dinheiro de outros bancos e canalização de recursos de aplicações de maior risco. Tudo devido às incertezas do mercado financeiro e aos receios de contágio à banca nacional.
A CGD não podia fazer senão o que fez em relação ao negócio das acções, porque, diz: «A posição de 9,58% na Cimpor ao preço de 4,75 euros por acção tem plena justificação por se tratar de um bloco de acções relevante e com um prémio de controlo implícito (inferior ao habitualmente praticado),na medida em que é uma participação financeira “charneira” no controlo accionista da Cimpor. Assim sendo, este lote de acções tem, e teria sempre, um prémio de controlo. E, de acordo com as práticas de mercado, os prémios de controlo variarão entre 25% e 35% sobre o preço médio em bolsa dos últimos 6 meses. No caso presente, considerando a cotação média dos últimos 6 meses da Cimpor (3,78 euros), significa que a transacção dos 9,58% foi efectuada com um prémio de 25%, isto é, no limiar mínimo do intervalo dos prémios de controlo. Em reforço deste princípio, convém sublinhar que foi muito recentemente efectuada uma transacção, com contornos semelhantes, no mercado de valores da Bolsa de Lisboa com um prémio de 36%.»
Ou seja, assim que as coisas melhorarem nos mercados a CGD recupera o dinheiro. Entretanto, para efeitos de contabilidade, o buraco não é tão grande, porque património é sempre património (os aristrocatas que o digam).

Quando o povo discute negócios está o caldo entornado

O povo não deve meter o bedelho nos negócios.
O povo serve para trabalhar e pagar impostos. Sempre assim foi e assim deve continuar.
O povo não tem nada que saber se se gasta muito ou pouco dinheiro a comprar acções acima do preço de mercado. Se o sua excelência o senhor presidente do banco garante que sim quem é que o povo julga que é para pôr isso em questão?
O povo come e cala e mais nada.
O senhor presidente está muito aborrecido com a fuga de informação. O segredo é a alma do negócio. Em não havendo segredo é uma porra bem acabada.
A CGD agiu "em defesa intransigente do interesse público, do accionista, da instituição e dos clientes", disse o senhor presidente Faria de Oliveira. E se ele diz que sim o povo baixa as orelhas, porque é mesmo assim.
O único senão é que a CGD é um banco do Estado, ou seja, do povo. Mas insiste-se: o povo paga, o resto são histórias.

Negócios finos


A Caixa Geral de Depósitos é uma instituição de bem. Como tal faz os negócios que bem entende. Bem ou mal o que eles que lá mandam querem é lucro. Se gastam 30 quando podiam gastar 5 é porque estão a fazer um ganda negócio (grafamos assim para se perceber o gordo que é o negócio).

E como a CGD fez questão de explicar (mas perder tempo com explicações para quê, meu Deus?), comprou acções da Cimpor a Manuel Fino, a um preço 25% superior ao de mercado, para não destabilizar a cimenteira.

Os empresários portuguses são do melhor que há no mundo. Conseguem, por causa da crise, vender acções 25% mais caras ao banco do Estado para que outra empresa não fique prejudicada. Tão amigos que são eles todos. Já eu se for lá pedir meia dúzia de tostões para comprar um bem essencial: uma casa, tenho não só de lhes dar mil e uma garantias como fico a pagar couro e cabelo por causa desse meu pedidozito. Estou a pensar em ir à Conservatória do Registo Civil alterar o meu nome. Estou indeciso entre Manuel Grosso ou Joaquim Sócrates.

Mais um negócio com o alto patrocínio da Comunidade Europeia


Não bastava ter uma colecção (inútil) de cassetes vídeo (VHS), chega-me agora a informação de que mais três anos e deixo de poder ver a RTP Açores. O meu velho receptor não suporta o digital, mas o analógico vai desta para melhor em 2012. E se quiser ver televisão tenho de comprar um novo aparelho. Ora bolas. Para os fabricantes é óptimo, claro. Mas eu, que ganho pouco mais do que o salário mínimo, tenho de desembolsar uns bons centos de euros para poder ver televisão?
Leio a notícia e começo logo a ficar com nervoso miudinho: o jargão técnico tem esse dom, o de me irritar. Que raio, tanto acordo ortográfico, tanta adaptação para virem falar em “switch-off”, "simulcast", “set-top-boxes”, TDT, IPTV...
Eu sei que não há pacóvio que não se babe com siglas e palavrinhas em outra língua que não a nossa, mas não acham que, tendo em conta que somos nós que vamos ter de pagar o negócio, as coisas deveriam ser mais bem explicadas e em linguagem que a gente entenda?
Dizer que com a transição para o sistema digital terrestre "a população passará a ter um conjunto muito significativo de vantagens ao nível da qualidade da imagem e do som, mas também mais canais (com transmissão em alta definição)" soa-me a aldrabice. Ainda há imensos lugares onde a suposta qualidade de imagem é pura mentira (então se for zona raiana, vê-se melhor qualquer canal espanhol que um dos quatro portugueses). Isto para não falar da badalhoqueira que é a programação - excepto uma ou outra série não há informação digna do nome e quanto a entretenimento é melhor nem falar, ao lixo sucede lixo ainda pior.
Para ver telelixo chega-me o velho aparelho. Para quê gastar uma pipa de massa para ter a casa encharcada de publicidade ou de lixo?
Digam-me, que eu sou um bocadinho limitado de entendimento.