23 março 2009
22 março 2009
21 março 2009
Poesia portuguesa: e isso existe?

É no mínimo curiosa a maneira como o DN aborda a edição de poesia em Portugal. Entrevista o editor menos criterioso da coisa e quase não dá a espaço a outros, cujo catálogo se define precisamente pelo contrário: pelo critério, por uma linha editorial.
O rapaz que se fartou de editar lixo, fê-lo certamente porque não perdeu dinheiro ou há muito a sua empresa estaria falida. Ninguém editou tanto como ele num curto espaço de tempo. E na minha modesta opinião, salvo dois dos livros de poesia que publicou, nada do resto terá leitores daqui a uma década. No entanto ele anda por aí, feliz da vida e opinativo como sempre. Conseguiu a proeza de se tornar uma figura num meio que se caracteriza pela mediocridade e pela incultura.
A poesia portuguesa padece desse mal geral. Se há muitos a rabiscar uns versos, poucos são os que lêem o que se edita poe cá e noutros países e, portanto, poucos são os que percebem qual é o lugar da poesia portuguesa na Europa ou no mundo.
A poesia portuguesa serve - e bem - para gentinha como esse editor se governar, além de ser pasto do que de pior há na natureza humana. O que não impede que haja por cá um punhado de excelentes poemas e um ou outro poeta de primeira água. Mas não têm, ao contrário do que acontece em países como o Reino Unido, os EUA ou Espanha, a divulgação que merecem.
As universidades onde se ministram cursos de Letras estão cheias de gente que parece nutrir um fundo ódio pela poesia e que, concomitantemente, afastam os seus alunos do que é legível, promovendo o gosto pelas elocubrações bacocas e barrocas.
Os jornais estão cheios de gente que detesta ler e adora dinheiro e que confunde arte com saldos bancários. Editores, jornalistas e recenseadores são, salvo as excepções da praxe, bajuladores e incompetentes.
As revistas ditas de livros cumprem funções comerciais e ninguém quer que o precioso espaço seja desperdiçado com produtos invendáveis.
A net é um caldeado de letras. Entre meia dúzia de poemas legíveis tem de se aturar milhares de versos intragáveis.
Restam algumas editoras que, contra todo esse marasmo, vão publicando alguns bons livros: Assírio & Alvim, Averno, &etc, Teatro de Vila Real e Relógio d'Água.
20 março 2009
Tu, não sei. Eu gosto muito de ler entrevistas

E gostei da de João Botelho, que vem hoje no suplemento do Público. Do Botelho sempre gostei e até lhe perdoava ser benfiquista (isto é para chatear os benfiquistas). Não gostei do filme anterior e pensei que pena, lá perdemos um realizador peculiar. Afinal, voltou e cheio de si.
Vamos lá então ao que interessa, as palavras de JB:
«A Agustina tem uma coisa engraçada. Quando vende os direitos dos livros põe três cláusulas. Se gosta do filme - e quer sempre ver o filme - tem que se pôr "adaptado do romance de Agustina Bessa-Luís"; se gosta assim-assim é "inspirado num romance de Agustina Bessa-Luís"; se não gosta nada, tem que se pôr "a partir de uma ideia de Agustina Bessa-Luís"...
Agustina viu o filme?
Viu, e ficou comovida.
E qual foi a sua sorte?
Ela deixou ficar "adaptado" [sorrisos]. Tenho uma carta que ditou à filha, Mónica, que é maravilhosa e que tem uma frase fantástica: "Finalmente se prova que não há incompatibilidade entre o cinema e a literatura." A minha paixão pelo romance resume-se a uma coisa: a arte é maior que a vida. Para mim, aquilo que me encantou foi a ideia de uma prostituta de Benfica, descoberta pelo Garrett, transformada numa actriz, Emília das Neves, transformada pela Agustina em Emília de Sousa, que por sua vez nunca revelou que era a Emília da Neves. Encontrei uma biografia, ainda do século XIX, intitulada "A Bela Emília", em que há frases dessa biografia que estão transcritas directamente para o romance. Aquela história da pateada é uma história que se passa no Porto, em que ela chega atrasada. Houve, de facto, uma pateada enorme, mandaram-lhe moedas e ela diz: "Se isso é para os pobres podem atirar mais."
(...)
Não há em "A Corte do Norte" demasiada literatura?
A voz, o texto, é tão matéria-prima como o olhar, como a luz. Este filme está marcado por duas fontes de inspiração: o texto da Agustina e a matéria de luz do Caravaggio. Isto serve-me para uma homenagem ao cinema, com a ideia de que a fotografia é anterior ao cinema, do cinema ser composto por vários elementos - isso chama-se matéria, matéria.
O texto é da Agustina, a luz é do Caravaggio, e a música...
... é também matéria, não é para encher chouriços. Tive a sorte de encontrar uma música de Schubert, "Rosamunde", e, é evidente, a "Traviata", do Verdi, que a Sissi ouvia. Mas é sempre assim: ouçam-na, ouçam a música, agora vejam um gesto.
(...)
A história não me interessa nada. O que me interessa é a maneira de escrever da Agustina - não gosto das coisas lineares mas das incongruências em que ela nos faz tropeçar - e a maneira de eu filmar. As histórias são do século XIX. O cinema deve ser maior do que as histórias. É o modo de filmar que me interessa. A arte não se percebe, um quadro não se entende, não é para perceber! E não tenhamos ilusões: a literatura é mais aberta do que o cinema. O cinema fixa coisas. Quando num romance se diz que uma pessoa está vestida com um casaco castanho, com uma gravata manchada de amarelo, com a camisa amarela eu pergunto: quantos castanhos há?
Da insatisfação e da raiva

Primeiro transcrevemos excertos da notícia. À laia de comentário trancrevemos o poema "Atira tu agora este tijolo" de Joaquim Manuel Magalhães, que pertence a uma série intitulada "6 x 14 aos da educação" publicada no livro Os dias, pequenos charcos, Presença, 1981.
«Dois automóveis pertencentes a dois professores foram incendiados esta manhã no parque de estacionamento da Escola EB 2,3 D. Pedro IV, em Mindelo, Vila do Conde.
Os carros, um Mercedes CLK e um classe A da mesma marca, foram regados com combustível e depois ateados com fogo.»
Atira tu agora este tijolo
ao verde parado na esquina.
Dá-me a navalha eu lixo
os detrás daquele Toyota
e depois a capota do Dyane.
Pega na lona do outro lado
não a largues, eu seguro deste,
bate agora com a pedra
deixa os cacos do eseplho nochão
de mais este elevador.
As pedras maiores ficam
para as montras e as janelas
das escolas. Toma o spray,
escreve SEM SAÍDA.
19 março 2009
O 40.º aniversário do The Very Hungry Caterpillar, de Eric Carle

The Very Hungry Caterpillar é um livro de Eric Carle, cuja primeira edição data de 20 de Março de 1969. O livro tem encantado várias gerações e a sua fama estende-se por diversos pontos do globo, estando traduzido em mais de 47 países.
A data assinala-se em várias bibliotecas e com uma edição especial do livro, cujas ilustrações vão agora poder ser vistas em 3D.
O autor, nascido em Syracuse, estado de Nova Iorque, é uma referência no mundo da literatura infantil e tem muitas outras obras publicadas, que podem espreitar aqui.
O cinema é uma mentira - João Botelho dixit
"Este filme salvou-me a vida" diz João Botelho numa entrevista. Depois da tara benfiquista e de um filme francamente medíocre regressa à literatura, agora com as palavras de Agustina Bessa-Luís para passar ao grande ecrã A Corte do Norte.
Aqui fica a amostra.
Andy Warhol, o verdadeiro ávida dólares

A vaidade dos pequenos sempre foi do mesmo calibre da vaidade dos grandes. A vaidade é um grande negócio e Andy Warhol que gostava muito de dólares percebeu isso muito bem e retratou meio mundo. Uma parte dessa vocação está no Grand Palais, em Paris. O Grande Mundo de Andy Warhol faz uma retrospectiva tão exaustiva quanto possível dos seus retratos e, como seria inevitável, com um grãozinho de escândalo à mistura.
Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor, Elvis Presley, Marlon Brando, Mick Jaegger, Jane Fonda e Brigitte Bardot, juntamente com ele próprio, claro.
Pelos inícios da década de 1960, Andy Warhol cobrava 25 mil dólares, preço único. O seu primeiro retrato por encomenda foi feito nesse ano, para a coleccionadora e mecenas da arte pop Ethel Scull - o seu screen test está documentado na série de 36 imagens que Warhol realizou a partir das centenas que lhe fez, com a sua Photomaton (mais tarde, passaria para a Polaroid, mas o processo técnico manteve-se o mesmo: captação, aumento, duplicação e sobre-exposições das imagens, que a seguir passava à tela).
17 março 2009
Enric Duran deixou-se apanhar
Quem é Enric Duran?
É um catalão que pediu emprestado a vários bancos a bela maquia de 492 mil euros. Fê-lo em nome de uma empresa fictícia e com o claro propósito de não pagar a dívida. Pegou em parte do dinheiro e elaborou um jornal gratuito cujo objectivo é propor um plano de acção pós-capitalista para superar a actual crise.
Quem quiser saber mais, pode ler a entrevista que Duran concedeu à "Salada".
Enric Duran, com 33 anos, foi hoje detido na Universidade de Barcelona.
Millard Kaufman (1917-2009)

Criador do míope e milionário Mister Magoo, Millard Kaufman morreu sábado, em Los Angels, com 92 anos.
Mr. Magoo apareceu pela primeira vez em 1949, em Ragtime Bear, fruto da invenção de Kaufman e de John Hubley.
Além de guionista de Mr. Magoo, trabalhou também para outras séries e filmes, e, já tarde, atreveu-se com o romance, estando para breve o aparecimento de um que deixou pronto para publicação pouco antes de morrer.
O papa tem razão
O Papa é sábio. Sabe muito de sexo. E como grande sábio que é, não hesita em dizer que os preservativos não só não resolvem como agravam os problemas. Todos sabemos que as relações sexuais são feias, animalescas, perigosas e só se devem praticar uma ou duas vezes na vida... para ter filhos. De resto, sempre que houver desejo, deve-se tirar o terço e rezar, rezar muito.
Como diz Bento XVI, a "única via eficaz para lutar contra a epidemia é uma renovação espiritual e humana da sexualidade", unida a um "comportamento humano moral e correcto".
Não podia estar mais de acordo. E todos sabemos que os párocos, prelados, bispos e demais clérigos que caem na tentação da carne o fazem para dar razão ao Papa. O sexo é feio. O sexo é sujo. O sexo devia ser proibido.
A sida é uma praga que resulta de maus hábitos. O hábito de sentir. Do prazer. Dos desejos. E tudo isso é pecado.
Só ainda não consegui perceber é o que leva tantos homossexuais a sentirem-se fascinados pela igreja católica. Talvez sejam as histórias e representações de Cristo, que os excitam sobremaneira.
A Goce em órbita
Não, não é um sopinha de massa a falar e não se trata daquilo que alguns estão a pensar. A Goce é uma sonda (Gravity field and steady-state Ocean Circulation Explorer) da Agência Espacial Europeia (ESA). Lançada hoje para o espaço a partir do norte da Rússia, está em órbita, a 280 quilómetros da Terra.
A Goce vai medir e analisar as pequenas variações na gravidade terrestre a fim de seguir a direcção e a velocidade das correntes oceânicas e assim perceber como é que os oceanos transportam o calor pelo globo. Com esta informação é possível melhorar-se os modelos informáticos que prevêem as alterações climáticas.
Headache: a família, a família

Enxaqueca, cefaleia, dores de cabeça, moedeira, chumbo e mais.
Há dois tipos de enxaqueca, com e sem aura. Com aura é quando envolve distúrbios visuais, auditivos, sensitivos ou motores antes da dor de cabeça se instalar.
Ao que consta, no Sul há menos aura do que no Norte. Talvez por haver mais luz, mais equilíbrio térmico, um outro tipo de alimentação. Sul e Norte da Europa, pois quanto a outros sul e outros norte não sabemos como é.
Um grupo de investigadores do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) e do Hospital de Santo António (HGSA) demonstrou que os familiares directos de pessoas que sofrem de enxaqueca são entre três e quatro vezes mais susceptíveis de ter esta doença.
Ora esta, a família deixa-nos cada uma.
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