
05 fevereiro 2009
04 fevereiro 2009
Esponjas com 635 milhões de anos

Vestígios químicos deixados por esponjas há 635 milhões de anos em estratos de sedimentos encontrados em Omã são a prova da vida animal mais antiga da Terra, revelaram hoje cientistas norte-americanos na revista “Nature”.
As esponjas são organismos primitivos que não se deslocam voluntariamente do seu local de fixação. Alimentam-se por filtração, bombeando água através das paredes do seu corpo e retendo as partículas de alimento nas suas células. Não possuem músculos, nem sistema nervoso, nem órgãos internos.
Usando uma análise química dos sedimentos rochosos, datados de há 635 milhões de anos, os cientistas descobriram vestígios de moléculas que só são produzidas por uma classe de esponjas. Isto sugere que as criaturas existiam antes da Idade do Gelo que ocorreu há 630 milhões de anos e que trouxe depois a súbita diversificação de vida multicelular, há 530 milhões de anos. Estas formas simples de vida animal surgiram 200 milhões de anos antes do aparecimento das plantas terrestres, diz Roger Summons, geobiológo do Instituto de Massachusetts que participou na investigação.
Os fósseis de animais mais antigos, encontrados nas rochas, datam de há 580 milhões de anos. Mas os autores deste estudo defendem que os “fósseis moleculares” deverão ser a melhor forma utilizada para compreender a Evolução. “As pessoas que olham para os fósseis nas rochas, normalmente, consideram apenas a imagem visível”, considerou Summons. Mas “isto vem mostrar que esses vestígios não são a única coisa a procurar”.
Titanoboa Cerrejonensis, a cobra de tamanho autocarro

Serpente? Aquilo era mais um colosso. E não espanta que o fosse - é pré-colombiana. Viveu há 60 milhões de anos no que é hoje a Colômbia.
Baptizaram-na como Titanoboa Cerrejonensis pelo tamanho e pelo lugar onde encontraram os restos fósseis: a mina de carvão de Cerrejón. Tinha mais de 13 metros de comprimento e pesava 1,25 toneladas. Vivia com temperaturas que oscilavam entre os 30 a 34 graus celsius (86 a 93 Fahrenheit).
Mais informação aqui.
03 fevereiro 2009
A velha aliança e esses bastardos dos...

Ingleses.
Os gajos são demócratas, liberais e porreiros. Os gajos são dos sindicatos e estão a defender os seus trabalhadores. Os gajos são ingleses. E como ingleses que são, estão-se nas tintas para esses gajos manhosos que lhes vendem álcool e sexo e mais alguma coisa no Algarve. Esses gajos que se fockam. Plim é pròs ingleses e eles é que mandam. Eles, os que moram lá naquela ilha exótica, que ainda tresanda a colonialismo com um cheirinho a chulé proletário.
A normalidade
os seus objectivos normais
seguido por uma horda anormal de imitadores
Claro, claro que sim. Se não é branco, é preto. Ou se calhar é cinzento... Bem, tanto faz. O que importa é que o ministério diz que sim. E se o ministério diz quem somos nós para pôr em dúvida. A frase até tem o seu encanto: "O padrão de normalidade neste momento é [os professores] terem entregue [os objectivos individuais]", afirmou o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, em declarações à Lusa. Logo, o padrão de anormalidade é não o terem feito.
E assim vão as coisas, normais. E quando a normalidade é normal tudo está bem em Portugal.
02 fevereiro 2009
Trineto de canibais ou apenas mero acto reflexo?

Um chavaleco com dez anitos não esteve com meias medidas, viu o braço da stora de Inglês e vai daí arreganhou a dentadura... não para lhe mostrar o lindo dente novo que acabara de romper, mas para fazer uso dos queixos e trilhar a pele e o músculo da senhora.
O puto anda no 5.º ano, numa escola de Faro. E tudo aconteceu numa aula de Estudo Acompanhado. Um dessas áreas que alguém achou por bem introduzir nos currícula da criançada, pois se há coisa de que eles sentiam falta era de quem lhes acompanhasse o estudo. E já começamos a perceber porquê.
Vejamos o relato dos acontecimentos: "É um aluno que tem um historial de desestabilização em várias aulas, que estava a comportar-se mal. Quando pedi para me dar a caderneta para enviar um recado ao encarregado de educação atirou-a contra mim, mas caiu no chão. Depois começou a atirar coisas para o chão e aos pontapés a elas", disse a stora Ana.
Como era uma aula de Estudo Acompanhado, estava no local a directora de turma do aluno, que interveio e pediu ao menor para apanhar os objectos do chão, "um dos quais uma folha de papel que amarrotou e atirou" contra uma colega. Entretanto tocou a campainha para o intervalo e a directora de turma decidiu castigar o aluno, não lhe permitindo sair da sala de aula, tendo ficado vigiado por uma empregada. Quando as docentes saíram, começaram a ouvir barulho causado por pontapés que ele estava a dar nas mesas e cadeiras. "O aluno fugiu depois da sala de aula, mas a directora de turma interceptou-o e agarrou-o por um braço para o levar ao Conselho Executivo. Quando chegou às escadas, agarrou-se ao corrimão e foi aí que achei que devia intervir, retirando-lhe a outra mão do corrimão. Quando se sentiu impotente com os dois braços agarrados, mordeu-me por cima de um casaco de cabedal e ainda hoje tenho uma nódoa roxa no braço". A directora de turma chamou à escola a encarregada de educação, que é representante dos encarregados de educação da turma do filho. "Ela faz muita fé no miúdo, que mente, e acusou-nos de perseguirmos o filho, mas quando entrei na sala e o confrontei, ela percebeu que as coisas eram a sério", acrescentou.
Como se pode verificar: a mãe do chavalo começou logo por pôr em causa aquilo que dizia a stora, pois o que os stores mais fazem é inventar, razão pela qual existem escolas, para todos serem cientistas, inventores ou outros génios.
E assim vai a escola e os papás. Giro, não é?
Canibalismo em Lisboa no ano da graça de 1755

Numa notícia com o apelativo título de O SISMO DE 1755 CONTADO PELOS OSSOS DAS VÍTIMAS, podemos ver as descobertas e/ou ilações dos investigadores. Vejamos algumas dessas histórias que podiam ter sido escritas por Lovecraft, yal como as grafou Pedro Sousa Tavares, no DN: «Durante alguns minutos de terror, o assassino golpeou-lhe repetidamente o crânio, sem a matar, para que falasse. Procurava ouro e prata, ou alimentos escondidos, igualmente valiosos nos dias de anarquia que se seguiram àquela manhã de 1 de Novembro de 1755, dia de Todos os Santos.
Talvez tenham ouvido os seus gritos, antes do golpe na fronte que lhe acabou com a vida aos trinta e poucos anos. Mas, depois do terramoto, das ondas de seis metros que varreram a zona ribeirinha, e das chamas que consumiram grande parte de Lisboa, quem não morrera ou fugira já só pensava na própria sobrevivência.
A história da sua morte violenta teria sido apagada sem rasto. Tal como a de muitos outros crânios com sinais evidentes de agressão, incluindo, num caso, uma marca de bala esférica. Ou ainda a surpreendente revelação de um fémur com cuidadosos cortes de uma grande faca, prova "irrefutável" de que a fome levou alguns ao recurso extremo do canibalismo.»
Local do crime: a Academia de Ciências. Ah, sim, agora (desde 1836) é isso, mas ao tempo era o Convento franciscano de Nossa Senhora de Jesus.
Misturados com terra e restos de animais, encontram-se ali ossos dispersos de centenas ou mesmo milhares de indivíduos. Sepultaras falantes. Diz um dos investigadores: "Sabemos que houve violência, enquanto não foi possível restaurar a ordem, com o recurso a julgamentos sumários e mais de 40 enforcamentos."
Descarnação e canibalismo, juntamente com crânios literalmente rebentados por temperaturas que terão chegado aos mil graus. E mais. Há quem veja no ossário uma janela sobre as doenças, as carências, o quotidiano de toda uma geração que viveu há 250 anos.
Objectos, como cerâmicas, restos de vestuário, amuletos, medalhas e moedas - algumas, de prata, com alterações cloretadas, sugestivas de que os corpos poderão ter estado em contacto com água salgada - têm também revelado importantes pistas sobre a sociedade da época.
01 fevereiro 2009
Martha Rosler, uma artista americana



Martha Rosler nasceu na cidade de Nova Iorque, em 1943. Antes de saber o que queria ser, pensou em roubar bancos, porque queria fazer algo arriscado. Como roubar bancos era demasiado arriscado, tornou-se artista.
Pioneira no uso do vídeo, fez da fronteira entre a arte visual e a arte da linguagem o seu campo de acção. Performance, fotografia, escrita são as áreas de eleição, quase sempre para questionar as estruturas de poder do género.
Enquanto professora, crítica e artista Martha reflectiu sobre a Guerra do Vietname, sobre a ocupação do Chile, sobre a guerra do Iraque e, claro, sobre o papel da mulher na contemporaneidade.
31 janeiro 2009
Para quem gosta de brincar com o futuro


Basta ter uma foto do rosto, descarregá-la no The face of the future, escolher o género e a idade e aguardar.
Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço

Quem já teve que trabalhar com instituições ou empresas sabe como há dois discursos: o da lei e o do que se pode fazer. A lei é a lei e lá está. Aos negócios compete-lhes encontrar maneiras de ir adiante, seja por cima, seja pelo meio, seja sob a lei.
A política é a arte (e manha) de chegar ao poder e o conservar. Para tanto é necessária uma amplitude mental que permita viver em paz consigo mesmo, não obstante a constante necessidade de ser um fora-da-lei.
Ser um fora-da-lei que assalta uma bomba de gasolina ou uma loja e rouba meia dúzia de euros é um grande crime, pois cria insegurança na maralha. Já ser um fora-da-lei que lesa o erário em milhões dá direito a prémio, a estátua, senão mesmo a nome de rua. E ao apreço de uma parte da maralha.
Outrora era assim. Agora é assim. E certamente assim continuará. Embora o amanhã não interesse a ninguém, pois estamos todos muito imbuídos de actualidade, de presente.
Os negócios do senhor Pinto de Sousa são os negócios do senhor Pinto de Sousa. O único senão desse excelentíssimo primeiro-ministro foi ter saltado para os holofotes mascarado de justiceiro. Cortava aos pobres para dar aos ricos. Agora vem a público o seu estatuto de pobre, de pobre que se tornou rico. Que chatice!
A culpa é da oposição. A oposição, cansada de ser o bombo da festa, deu com a língua nos dentes. oposição está bem infiltrada e descobre coisas do arco da velha.
30 janeiro 2009
Olé

Em 2007, realizaram-se em Portugal 27.650 espectáculos ao vivo. 9,8 milhões de pessoas disseram presente!
O teatro é o domínio com maior oferta, com 12012 sessões - 43,4 por cento do total -, logo seguido pela música ligeira (5660) e pela música erudita (2261).
Já em número de espectadores, a música ligeira, com quase seis milhões de espectadores anuais, ultrapassa de longe o teatro, que ainda assim atrai anualmente às salas perto de 1,8 milhões de pessoas, mais do que o triplo das que assistem a concertos de música erudita.
Nas receitas geradas por espectáculos ao vivo, a música ligeira contribui também com a parte de leão, tendo rendido, em 2007, quase 30 milhões de euros. Segue-se o teatro, com 10,5 milhões, e a tauromaquia, que, em apenas 190 sessões, registou quase 300 mil espectadores e rendeu mais de cinco milhões de euros.
E apetece perguntar: Onde está o Wally? Pois é tudo tão óbvio, tão previsível. A única novidade está nas touradas: que se revelam, de longe, a actividade com maior proficiência económica. Cento e noventa espectáculos renderam 5 milhões, enquanto para a música ligeira foram necessários cinco seiscentos e sessenta espectáculos para... 30 milhões.
O título bem podia ser: Tourada rende muito mais do que a música.
Outro dado a ter em conta é o número de visitantes de museus (incluindo zoos, jardins botânicos e aquários) é superior ao do público de espectáculos - em mais cem mil indivíduos. O circuito das galerias de arte também dá cartas: mobilizou quase sete milhões de visitantes.
Assim, se se pensar no dinheiro que as autarquias gastam com espectáculos musicais e o que gastam com museus, verificar-se-á a mentira de muito do que se diz por aí. E fica-se também com uma ideia de quão grunhos são vereadores da cultura e assessoras da área.
29 janeiro 2009
Os fugitivos
A polícia neozelandesa conseguiu capturar dois fugitivos com a ajuda de um poste. Durante a fuga, os prisioneiros esqueceram-se que estavam algemados um ao outro e tentaram passar pelo poste, um ao lado do outro.
Começa a ser demais

E tudo o que é demais enjoa. Fundamentar estudos médicos científicos em inquéritos cheira-me a magia ou a mentira, mais do que a ciência. Porque com inquéritos parece-me pouco provável que se possa despitar um conjunto de variáveis onde estão coisas tão comezinhas como a imagem que cada um tem de si, aquilo que considera relevante ou irrelevante, a percepção que tem de termos científicos e do seu significado, etc.
Não nenhum problema com a asserção: A ansiedade não dificulta uma gravidez por fertilização in vitro. Mas o que leio dá-me vontade de rir. «Uma investigação holandesa arrisca desmontar esta ideia com um trabalho baseado num questionário realizado a 400 mulheres».
Entre esta ciência e as provas da Santa Madre Inquisição parece-me haver algumas semelhanças. Talvez isso queira dizer que a Inquisição era um corpo de investigação científica, que tinha as provas, os conhecimentos, as conclusões logo no princípio. O resto era apenas uma encenação para passar o tempo.
O espírito da lei
As leis são redigidas com certos pressupostos. Os fundamentos que as sustentam podem estar errados (e muitas vezes estão), mas para que se chegue a essa conclusão há que esbarrar contra dezenas de casos caricatos.
Para lá das questões partidárias e das mil maneiras de ganhar a vida á custa do erário público, interessa-nos os impedimentos que a lei coloca a quem está em investigação. É como se investigar fosse uma doença que obrigasse as pessoas a ficar de quarentena.
O legislador, imbuído do lusitano espírito missionário, quis evitar abusos (logo ele, que mora numa casa cheia deles - se calhar por isso mesmo, castigando outros, alivia a sua consciência) e vai daí toca a criar barreiras e a evitar opções. O que acaba por redundar nisto: até os juízes infringem (e de que maneira!). A lei é dura? Não. A lei é feita para manter as maiorias nos seus covis. De resto, a lei é macia e tem muitas frestas por onde passam cáfilas e mais cáfilas.
28 janeiro 2009
The Printed Blog


Chicago e São Francisco vão acordar amanhã com um novo jornal: "The Printed Blog" (O Blogue Impresso). Sim, é isso mesmo, uma selecção de posts passados para papel, com o mesmo formato da net e a mesma aparência gráfica e apenas três ou quatro páginas.
A iniciativa pertence a Joshua Karp, de Chicago, que idealizou um periódico gratuito feito com o material de diferentes blogues e financiado por publicidade local.
Por agora, "The Printed Blog" apenas será editado em Chicago e em São Francisco. Karp espera conseguir ter uma edição em cada grande cidade americana.
Com periodicidade semanal, seleccionará conteúdos de 300 blogues, com quem já foi estabelecido contrato, não só para a reprodução de posts como para poderem beneficiar de uma percentagem da publicidade.
"The Printed Blog" deseja ter sucesso e poder sair diariamente para a rua, podendo mesmo vir a ter várias edições num só dia. Tudo vai depender da adesão dos leitores.
Além da edição em papel, há tambem uma página web, http://www.theprintedblog.com/, na qual poderão os leitores deixar sugestões e recomendar blogues.
"The Printed Blog" deseja ter sucesso e poder sair diariamente para a rua, podendo mesmo vir a ter várias edições num só dia. Tudo vai depender da adesão dos leitores.
Além da edição em papel, há tambem uma página web, http://www.theprintedblog.com/, na qual poderão os leitores deixar sugestões e recomendar blogues.
Aos editores do jornal cabe-lhes escolher os posts que possam chegar a diferentes públicos alvo, estando já no ar a possibilidade de edições específicas por bairros ou outras.
Sexo e dinheiro
Há notícias quase tão disparatadas como as fontes que lhes deram origem. Nos últimos tempos têm sido às dúzias. São estudos quase sempre pontuais, de quem tem que apresentar serviço e arrisca hipóteses que os jornais transformam em conclusões.
Uma das mais recentes é esta: Os homens considerados ricos pelas suas parceiras proporcionam mais prazer às mulheres durante as relações sexuais, concluiu um estudo recém-publicado por dois cientistas da Universidade de Newcastle, em Inglaterra.
Segundo o estudo, a percepção da mulher do nível de riqueza do parceiro influencia a capacidade de atingir o orgasmo. Os cientistas defendem que, quanto maior os rendimentos do parceiro, maior será o prazer das mulheres. (...) Entre vários factores identificados como influenciadores na frequência de orgasmos pelas mulheres, a riqueza do parceiro foi a mais determinante.
Segundo o estudo, a percepção da mulher do nível de riqueza do parceiro influencia a capacidade de atingir o orgasmo. Os cientistas defendem que, quanto maior os rendimentos do parceiro, maior será o prazer das mulheres. (...) Entre vários factores identificados como influenciadores na frequência de orgasmos pelas mulheres, a riqueza do parceiro foi a mais determinante.
Há quem ponha o sol à frente da peneira e faça disso um exercício científico.
A ambição pode sair-te cara mas é tão humana como o amor ou o ódio
La increíble historia del hombre sin sombra é uma curta-metragem de desenho animado, da autoria de José Esteban Alenda.
27 janeiro 2009
Razões

Hoje foi o dilúvio, ficamos com o cérebro empapado de água e os motores recusaram-se a funcionar. Resultado: só agora conseguimos aquecer uma pequena bateria. A luz, débil, não permite ir muito longe e os chamamentos doce do leito (chamar isto à cama sabe mesmo bem) vão-nos resgatar deste banco duro e escanado que temos diante de teclado e monitor.
Como não estamos para rodeos, vamos até Vale disso mesmo e até amanhã camaradas (hum, este termos, não sei se soa bem; por um lado é demasiado carmim, por outro tem qualquer coisa de bolorento, de deslavado, mas, à falta de energia, contentamo-nos com isso).
John Updike e os Açores (brevemente)

Gostava das ilhas, passou por aqui feito velejador, deixou umas coisas escritas sobre isso. Daqui a uns tempos, lá mais para o Verão, contamos transcever alguns desses textos .
Por ora digamos que John Updike nasceu no dia 18 de Março de 1932 e que morreu dia 27 de Janeiro de 2009. Ainda viu Obama como presidente.
26 janeiro 2009
Abandonado 2005

Às vezes este blogue fala de coisas realmente importantes. Como é o caso deste post. Sobre um vinho tinto: o Abandonado 2005.
Robert Parker, crítico norte-americano, atribuiu a este Abandonado 94 pontos (em 100), uma classificação excepcional. Os lugares seguintes do pódio foram para o Dona Maria Alicante Bouschet jb (2004), 93+ e Quinta do Mouro (Miguel Louro) tinto gold label (2005), 93-95.
O mundo vinícola conhece bem Parker. Ele é o autor e editor da publicação bimestral “The Wine Advocate”, que o transformou no crítico de vinhos mais influente do mundo. A ele se deve o sistema de classificação dos 100 pontos. Um crítico escreveu que “com uma nota acima de 90 (em 100 pontos possíveis), o vinho não tem preço; abaixo de 90 não tem compradores”.
Do Abandonado 2005 foram lançadas no mercado apenas “três mil e poucas garrafas”. Segundo Tiago Alves de Sousa, filho do produtor, o vinho apnas deve ser provado a partir de 2015, dez anos depois da colheita.
Qual é o segredo da sua produção? A vinha, com condições muito especiais de disposição, de solo e de clima que dão origem às melhores uvas possíveis. Depois a técnica, saber interpretar bem o que a vinha está a oferecer para o potenciar na adega. Videiras de origem, com 80 anos, que imprimem um carácter e uma personalidade muito próprios ao vinho. Mais do que artifícios na adega, é mesmo a matéria-prima que distingue o Abandonado.
Falta liberdade de voto em Portugal

Paulo Trigo Pereira investigou e concluiu: Portugal é, depois da Holanda e de Israel, o país com menor liberdade de voto.
Chegou a essa conclusão após ter levado a cabo um estudo a 26 países. Paulo Trigo Pereira é economista e pôs o seu trabalho em livro: "O Prisioneiro, o Amante e as Sereias" (Almedina).
Paulo Trigo Pereira serviu-se de determinados modelos para efectuar o seu estudo. Um deles é o índice de liberdade de escolha do cidadão, que foi construído tendo em conta o número de partidos, a dimensão média do círculo eleitoral e os índices de proporcionalidade; mede a liberdade do eleitor, comparativamente com o partido, na escolha dos candidatos. O investigador cita Irlanda e Malta, onde os partidos indicam os nomes dos candidatos, mas os eleitores podem ordená-los por preferência, por exemplo. "Nós só fazemos uma cruz no boletim de voto", diz.
Fonte: Público [papel]
A fome no mundo

Há pouco, falámos dos milhões que estão conectados à net. Agora referimo-nos aos que passam fome. Mais de 963 milhões de pessoas continuam a ter fome ou a passar graves carências alimentares. É um número impressionante.
O mundo é um lugar estranho e mais estranho pode vir a ser, caso não se comecem a acautelar certas coisas. Urge responder à fome no mundo e delinear estratégias para poder alimentar, em 2050, nove mil milhões de pessoas.
A insegurança alimentar e os elevados preços constituem uma ameaça para a prosperidade e segurança nos países em desenvolvimento.
O paraíso fica em Portugal
«Valeu a pena resistir, não desistir, enfrentar as dificuldades. Este é o caminho para o sucesso», afirmou José Sócrates, no encerramento da cerimónia de apresentação do relatório da OCDE sobre política educativa para o primeiro ciclo (2005-2008).
Fazendo rasgados elogios à ministra da Educação, o primeiro-ministro recordou as «dificuldades» e incompreensões que as políticas de Maria de Lurdes Rodrigues tem enfrentado ao longo dos últimos anos, concluindo que «valeu a pena».
«Foram quatro anos de governação difíceis, mas valeu a pena», salientou, felicitando directamente Maria de Lurdes Rodrigues pelos resultados.
«Foram quatro anos de governação difíceis, mas valeu a pena», salientou, felicitando directamente Maria de Lurdes Rodrigues pelos resultados.
«Que pobreza de debate político, que lamentável a atitude dos partidos políticos de dizerem que lá está o Governo a trabalhar para as estatísticas, como se as estatísticas não fossem importantes». E acrescentou, porque as reformas que foram desenvolvidas estão a produzir resultados, o Governo vai continuar no mesmo caminho, já que «a política educativa é um trabalho sem fim».
Comentário: parabéns, José. Continua. Esperemos que os portugueses não se esqueçam de quem é o responsável: tu e o teu governo.
Mais de mil milhões de internautas em todo o mundo

Ao todo são (ou eram, em dezembro de 2008) 1007730000.
A China tem 179 milhões de internautas. Os Estados Unidos da América vêm logo a seguir, com 163 milhões e o Japão com perto de 60 milhões.
Se as coisas forem vistas por continentes, a Ásia domina (416 milhões) e logo a seguir vem a Europa (282 milhões) e só depois a América do Norte (185 milhões).
Mais informações aqui.
25 janeiro 2009
Deixai vir a mim as criancinhas...

O celibato tem sido um dos pontos de honra de uma Igreja que se revela desfasada do tempo, embora continue a possuir bens e poder ainda em quantidade.
Os homens que coordenam a Igreja são... homens. E por muito inteligentes e crentes não deixam de ser o que são: animais, seres humanos. Comem, bebem, urinam, defecam, sentem e possuem em si hormonas como todos os outros seres humanos.
O pior é quando essas hormonas disparam e os pastores desatam em orgias com as ovelhas. Há uns anos na América, na Alemanha, na Austrália e agora no país de Sua Santidade. Que o assunto nada tem de novo ou invulgar já o sabemos há muito. Embora tenham sido necessários muitos anos para se falar disso com alguma naturalidade.
Naturalidade que faz com que as vítimas percebam que mais vergonhoso do que falar é calar. Cerca de 70 ex-alunos surdo-mudos do Colégio Antonio Provolo de Verona, agora homens e mulheres entre os 41 e os 70 anos, decidiram romper décadas de silêncio e revelar que foram vítimas, de forma sistemática, de abusos sexuais e maus tratos por parte de sacerdotes.
Dezenas de casos de sodomia, masturbações forçadas, em grupo ou a sós, golpes, vexações e ameaças. Um inferno de proporções espantosas que durou pelo menos mais de três décadas.
Uma das vítimas relata: "Dos seis aos dez anos fui repetidamente sodomizado por dois padres (diz os nomes), ambos ainda vivos, e por dois irmãos laicos (outros dois nomes: um ainda vivo, o outro não). A violência tinha lugar nos quartos de banho, nos quartos do colégio e, às vezes na Igreja de Santa Maria de Pianto".
E isto supõe-se que seja apenas a ponta de um imenso véu (Almodovar fez um filme sobre o assunto, abordando o que acontecia em Espanha).
O celibato dos prelados, curas e demais clérigos dá nisto: perversões, tentações, discursos de castração.
Fonte: El País
24 janeiro 2009
A família

O caso Freeport traz à baila, uma vez mais, os espaços em branco da política. Uns ingleses tinham milhões para gastar porque queriam ganhar muitos mais. Para conseguirem levar a água ao seu moinho estavam dispostos a gastar bem. E há quem saiba lubrificar portas para que se abram facilmente. A excelente qualidade do lubrificante exige um cliente à altura, pois certos lubrificantes só são acessíveis a determinadas bolsas. Os ingleses pensaram que isso seriam trocos para o que iriam ganhar.
O empreendimento seria feito em zona protegida (uma mais valia para ele - projecto - e uma menos valia para o território português). Foi o próprio Ministério... do Ambiente que encontrou maneira de resolver o problema. Era ministro o senhor engenheiro, o tal que fez um curso fantasma; o tal que adora reformas e avaliações, além de ser um exímio cumpridor da lei.
Nada de novo, portanto. O dinheiro vale sempre mais. Sempre. A cunha, as amizades, a família (a mafia sabe disso como ninguém). O resto é blá blá para enganar papalvos. De vez em quando um ou outro lírico parece querer mostrar ao mundo que pode ser doutra maneira e cria halos de esperança, mas, depois, a realidade volta nua e crua.
23 janeiro 2009
Paul Strand (o fotógrafo) e Mark Strand (o poeta) juntos aqui




Mark Strand
So You Say
It is all in the mind, you say, and has
nothing to do with happiness. The coming of cold,
the coming of heat, the mind has all the time in the world.
You take my arm and say something will happen,
something unusual for which we were always prepared,
like the sun arriving after a day in Asia,
like the moon departing after a night with us.
Lines For Winter
Tell yourself
as it gets cold and gray falls from the air
that you will go on
walking, hearing
the same tune no matter whereyou find yourself –
inside the dome of dark
or under the cracking white
of the moon's gaze in a valley of snow.
Tonight as it gets cold
tell yourself
what you know which is nothing
but the tune your bones play
as you keep going. And you will be able
for once to lie down under the small fire
of winter stars.
And if it happens that you cannot
go on or turn back and you find yourself
where you will be at the end,
tell yourself
in that final flowing of cold through your limbs
that you love what you are.
The Room
It is an old story, the way it happens
sometimes in winter, sometimes not.
The listener falls to sleep,
the doors to the closets of his unhappiness open
and into his room the misfortunes come –
death by daybreak, death by nightfall,
their wooden wings bruising the air,
their shadows the spilled milk the world cries over.
There is a need for surprise endings;
the green field where cows burn like newsprint,
where the farmer sits and stares,
where nothing, when it happens, is never terrible enough.
It is an old story, the way it happens
sometimes in winter, sometimes not.
The listener falls to sleep,
the doors to the closets of his unhappiness open
and into his room the misfortunes come –
death by daybreak, death by nightfall,
their wooden wings bruising the air,
their shadows the spilled milk the world cries over.
There is a need for surprise endings;
the green field where cows burn like newsprint,
where the farmer sits and stares,
where nothing, when it happens, is never terrible enough.
A nação ficou assustada
A nação tremeu. Se o PP tivesse conseguido levar avante a sua moção, o líder da bancada pró-governo assumiria as responsabilidades inerentes a uma derrota parlamentar. O que é que isso quer dizer? Ninguém sabe e também não interessa. O grupo parlamentar pró-governo pouco mais tem feito que defender a sua sobrevivência.
Assim, por 116 contra 113 o PS ficou feliz. E o país, indiferente, continua a fazer contas e a pensar em como tudo isto está muito complicado e os deputados da nação foram felizes para o fim-de-semana.
A reforma, o futuro e tudo cada vez pior
Quando se lhes mete uma coisa na cabeça, as formigas são empenhadas e não descansam enquanto não cumprirem o seu desígnio. Entrevistadas, sempre dizem, votamos contra, votamos contra. Ou: «o Governo não está disponível para regressar ao passado!», «o Governo não está disponível para regressar ao passado!»
E em fundo ouve-se: ordens da abelha-mestra, ordens da abelha-mestra.
A que passado se referem ou de que reforma se trata ainda ninguém percebeu bem, pois os alunos passam todos e agora querem é afastar os professores. Grande reforma, sim, senhor.
Só eu tenho razão, só eu...
A partir de quando deixarão os governantes de ver a realidade para passar a ver apenas uma fantasia qualquer que construíram e lhes obnubila juízo e visão?
Estará Sócrates cego e surdo? Tanta gente e ele ainda a pensar que é apenas uma questão de camisola...
22 janeiro 2009
Ai, ai, milhão milhão
Primeiro vem-se a público dar o mote e diz-se uma atoarda qualquer. Depois, mais suave, vem-se mover outras peças ainda pequenas. O resultado é comovedor. Quem não fica com pena do comendador? Perdão, do senhor? 'Tadinho, endividado e... cheio de acções que não pode vender sob pena de se afundar. Mas aos tubarões, como todos sabem, voltam-lhes a crescer os dentes que caem. E se há coisa que Berardo sabe é nadar. Vejam como flutua.
A justiça é cega... mas só para alguns

O senhor primeiro-ministro tem um modo engraçado de tentar dar a volta ao texto. Que se saiba compete à polícia investigar. A investigação demora tempo. E apareceram dados novos (em Inglaterra querem acabar com Sócrates, é um desígnio nacional, pois os britânicos não perdoam que seja ele e não Brown o mais bem vestido da Europa).
Reparem como ele trata o assunto: o licenciamento do projecto Freeport "foi feito obedecendo a todas as normas e exigências legais". "E eu bem posso falar, porque era ministro do Ambiente. Embora não tivesse participado no licenciamento, o Ministério do Ambiente fê-lo obedecendo a todas as normas e exigências ambientais. Disse-o em 2005 e digo-o agora".
É uma das coisas que gosto em Sócrates, esta frontalidade. Este rapidamente pedir desculpa por... fumar num avião.
Ler ou não ler

Há quem defenda o direito de não ler e há até quem advogue o analfabetismo. Opiniões há-as para todos os gostos.
Outros, mais conformes ao tempo, defendem que se deve ler tudo. Anúncios, legendas, jornais e até receitas de culinária, mas principalmente literatura. E para quê? Para ampliar as capacidades do cérebro, aprender a pensar, a ver com o olhar dos outros e a recriar emoções ou sentimentos. A leitura torna o mundo mais inteligível e as pessoas mais inteligentes. Além disso, está vinculada directamente à educação e à cultura e também ao desenvolvimento social e económico sustentado de qualquer país.
Ponto de vista veiculado por quem preparou o congresso internacional sobre promoção da leitura, a decorrer na Gulbenkian, em Lisboa.
Peter Hunt, professor da Universidade de Cardiff (Reino Unido), especialista em Literatura para a Infância e o primeiro orador no congresso, diz que se quisermos formar leitores que consigam compreender uma linguagem complexa, para que a sua vida seja também mais complexa e interessante, então, provavelmente, estes leitores precisarão de ler ficção, romances - livros.
Já a espanhola Teresa Colomer, acredita que a leitura é uma operação que amplia as capacidades do nosso cérebro. Permite-nos recriar experiências perceptivas, diferentes perspectivas intelectuais e emotivas e dar sentido às situações. Permite-nos dominar as possibilidades da linguagem e essa é a matéria-prima do nosso pensamento. O mundo torna-se mais inteligível (e por conseguinte torna-nos mais inteligentes). É uma forma de desfrutar melhor o nosso tempo de vida.
E há mais, claro. Alguns sonham com criar públicos para a literatura (vá lá saber-se porquê), outros acham que se deve ler porque sim (os argumentos, quiçá da ordem do puético, devem guardá-los para os trabalhos do congresso).
A leitura é assim, dá pano para mangas. Talvez surja um criador que com tanta manga faça um fato completo e um sobretudo.
21 janeiro 2009
Viaggio in Italia: a geometria dos afectos, por Rossellini
20 janeiro 2009
Ei-lo, o 44.º Presidente dos EUA
A ver se Sócrates tomou nota do discurso presidencial
Barack Obama falou e disse:
"Chegou a altura do fim das falsas promessas que durante demasiado tempo dominaram a nossa política."
"Hoje os desafios que nos esperam são muitos."
"Não vão ser resolvidos de modo fácil, nem rápido."
Segredos de um presidente

Jon Favreau, o trunfo na manga. O rapaz que percebeu Obama e com quem Obama sentiu afinidades. É o speechwriter de Barack Obama. Lê os pensamentos de Obama e estrutura-os e passa-os para o papel. Obama trabalha com ele, antes de passar essas palavras às multidões, em frases electrizantes.
Parte do discurso inaugural pertence a Favreu. Passou semanas e semanas a trabalhar nele.
Como é que ele se meteu nisso? Tinha acabado de se formar no College of the Holy Cross, em Worcester (Massachusetts) e Obama estava a ensaiar o discurso da Convenção, nos bastidores, quando Favreau, que fazia parte da equipa do candidato democrata às presidenciais, John Kerry, o interrompeu: havia um problema de ritmo no discurso. "Ele olhou para mim, um bocado confuso, tipo: Quem é este puto?", conta Favreau. O “puto” era já speechwriter de Kerry, por puro acaso. Estava à hora certa no local certo, no momento em que a campanha do democrata estava prestes a implodir. Já havia pouca gente no escritório para além do rapaz que reunia os registos audio das notícias sobre a corrida presidencial quando Kerry precisou de ajuda para os seus discursos. “Eles não podiam dar-se ao luxo de contratar um”, recorda agora o redactor de Obama. “Por isso tornei-me vice-speechwriter, apesar de não ter experiência nenhuma.” A derrota de Kerry em 2004 acabou com os projectos políticos de Favreau. “O meu idealismo e entusiasmo pela política estavam arrumados. Estava grato pela experiência que recebi, mas foi uma experiência tão difícil que, juntamente com a derrota, me fez sentir que estava acabado”, contou à “Newsweek”. Mas não por muito tempo. “Foi preciso o Barack para recuperar isso”.
O encontro com Barack Obama veio pouco depois, quando o seu director de comunicação, Robert Gibbs, o abordou: “Estamos à procura de um speechwriter”, disse-lhe. “Porquê?”, perguntou Favreau. “Se o dia tivesse 48 horas não necessitaríamos de um. Mas ele precisa de trabalhar com alguém.” E foi no primeiro dia de trabalho de Obama como senador (representando o estado de Illionois) que os dois se encontraram para a entrevista, numa cafetaria no Capitol Hill. Favreau estava então desempregado e “falido, a tirar partido de todas as promoções das happy-hours que encontrava em Washington”. Nesse encontro, o senador pôs de lado o seu currículo para lhe perguntar: “O que te fez entrar para a política? O que te interessou?”. Projectos sociais, defesa dos direitos legais dos pensionistas... “E qual a tua teoria para a redacção de discursos?”, perguntou Obama. “Não tenho nenhuma. Mas quando o vi na Convenção, o senhor contou basicamente a história da sua vida do princípio ao fim, e era uma história que se enquadrava na grande narrativa americana. As pessoas aplaudiram não por ter escrito para um aplauso, mas porque tocou em alguma coisa no partido e no país que nunca tinha sido tocada antes. Os democratas não tinham isso há muito tempo”. Obama estava conquistado.
Houve muito trabalho depois disso. Favs, como é conhecido entre os amigos, decorou o discurso de 2004 palavra por palavra, andou sempre com os livros de Obama debaixo do braço, em particular a autobiografia “Dreams from My Father”. E o dono da voz confundiu-se com a voz do dono.
“O que faço é sentar-me com ele durante meia hora. Escrevo tudo o que ele diz. Refaço, escrevo. Ele escreve, refaz. É assim que o produto fica acabado.” Não se pense que tudo o que ouvimos de Obama veio de Favreau. “Quando trabalhamos com o senador Obama, o principal actor do discurso é ele”, diz David Axelrod, o estratega da campanha de Obama, ao ‘New York Times’. “Ele é o melhor speechwriter do grupo e sabe o que quer dizer e geralmente di-lo melhor do que qualquer pessoa diria”.
Viagem de um robot ao interior do cérebro

Cientistas australianos desenvolveram um nanorobot com um diâmetro de 250 nanómetros (a espessura de dois a três cabelos), potencialmente capaz de operar o cérebro, como no filme de ficção científica “Viagem Fantástica”, realizado em 1966.
A dificuldade esteve no desenvolvimento, para tão minúsculo robot, de um motor capaz de “ir contra a corrente” nos vasos sanguíneos. O motor do robot foi baptizado de Proteus, o nome do submarino em miniatura que no filme transporta os médicos e seus auxiliares, reduzidos a um tamanho microscópico, para penetrar na perna de um agente infiltrado da União Soviética e destruir um coágulo no cérebro.
19 janeiro 2009
Edgar Allan Poe - 200 anos do nascimento

Faz hoje 200 anitos que o senhor Poe entrou no planeta Terra. Entrou por Baltimore (USA), filho de um casal de actores. O drama chegou-lhe cedo. Sem pai nem mãe, vai viver com um negociante de tabaco. Se há coisa que dê mau resultado, é essa, vir de uma família de artistas e ser levado à força para uma de negociantes. O caldo azeda. E Poe fez jus à máxima (ou nós é que torcemos tudo para fazer de conta que foi mesmo assim).
Certo certo é que se desentendeu com o padrasto e abandonou os estudos pela carreira das armas. Quando a fúria é grande e não se sabe o que fazer, as armas são uma boa aposta, pois dão cama, comida e algum dinheiro.
Algumas peripécias depois, Poe ensaia-se no circo das letras e os resultados, não sendo nada de extraordinário, abrem-lhe um pouco o horizonte, que ele se encarregaria de fechar, com negrume e um mundo ficcional muito próprio.
Jornais, contos, poemas e alguns afectos temperam-lhe os dias que ele se habitua a rechear com álcool.
A morte anuncia-se num 3 de Outubro do ano de senhor de 1849, quando Edgar leva 4 décadas de muita pancadaria. Foi encontrado nas ruas de Baltimore, com roupas que não eram as suas, em estado de delirium tremens, e levado para o Washington College Hospital. Quatro dias depois, farto de Baltimore e de tudo, despede-se, dizendo: «It's all over now: write Eddy is no more».
E pronto.
Deixou várias histórias, muitas das quais estão traduzidas e ainda circulam pelas livrarias. Boa leitura.
Educação? Bah! Comida, meus caros, paparoca, isso sim
A «escola pública fica seriamente ameaçada se se continuar por este caminho» - são palavras do presidente da Confap, um homem que preside a uma instituição que é dependente do governo.
Será que o governo começa a reconhecer que a continuar a sua falta de política põe em risco a escola pública?
Será que o governo já percebeu que o sucesso não se faz com números mas com dados palpáveis, os quais apenas podem ser reais se forem valorizados em exame nacional?
Será que o governo quer realmente que a escola pública funcione e não seja apenas uma cantina e um parque de diversões (como parece ser o caso do senhor da Confap)?
Distorcer informações permite pequenos exercícios retóricos que se afastam da realidade. O que o senhor da Confap disse - e que é aquilo que o preocupa - é que quer que os alunos estejam fechados dentro da escola. O que fazem lá dentro interessa-lhe pouco.
Entretenimento muito, quanto ao resto, é deixar andar.
Uma década disto
Entra défice, sai défice, volta défice. E assim vai Portugal dando a sua graça nas páginas de economia.
O que eu gostava de saber era que têm os economistas andado a fazer? Os economistas e os tão amados empresários. É que se o país não sai da cepa torta deve ser por causa de alguém. E não estou a ver quem mais perceba da poda, para além de economistas, gestores, empresários, banqueiros.
Acho que começa a ser tempo de dar nome aos bois. Eu cá nunca percebi que merda de empresários temos que não conseguem exportar sem subsídio, sem apoio do erário. E também nunca percebi porque raio lhes deram tanta garxa nestes últimos 10 anos.
João Aguardela (1969-2009)
Morreu ontem, em Lisboa, o músico João Aguardela, que faria 40 anos em Fevereiro.
Vocalista, líder e fundador dos Sitiados, Aguardela foi também o mentor de projectos como Megafone, Linha da Frente (formado por vocalistas de várias bandas nacionais interpretando textos de poetas portugueses) e A Naifa, o seu mais recente projecto com Luís Varatojo, com três álbuns editados aclamados pela crítica e pelo público.
30 anos a falar do mesmo, do 3º ao 9º ano

Com Alice Vieira percebemos que ensinar foi chão que deu uvas, sobretudo no ensino público, donde tem sido paulatinamente afastado tudo o que cheire a esforço.
E percebemos também que Alice Vieira não gosta muito de professores formados em Escolas Superiores de Educação, pois, diz, «é um susto, desde a língua portuguesa tratada de uma maneira desgraçada, até ao desconhecimento de autores que deviam ter a obrigação de conhecer... Sabem muito bem o eduquês, mas passar além disso, é difícil. Muitos professores com que lido têm uma formação muito, muito, muito deficiente. Eles fazem com cada erro, que eu fico doida!»
Questões que a deixam apreensiva. Tanto que não hesita: «As pessoas não entendem muito bem que o maior investimento que podem fazer é na educação. Se não tivermos gente educada, a saber, capaz, o que é que vai ser de nós? Estamos a fazer uma geração que não se interessa, não sabe nada, mas berra e grita. E isso perturba-me.»
Nós gostamos da entrevista, gostamos até da parte em que realça o abaixamento de nível de exigência, mas foi aí que nos deparámos com algumas incongruências. A senhora vai a escolas há 30 anos sempre para falar do mesmo livro? Que tédio, não lhes parece? O que faz um escritor numa escola? Que vai lá fazer? Há algo que não bate certo. Bárbara Wong devia-lhe ter perguntado porquê esse livro em particular e não outros.
18 janeiro 2009
O novo livro de Thomas Bernhard «Meine Preise»

Thomas Bernhard (1931-1989) continua a flagelar consciências 20 anos depois da sua morte. A publicação, pela Suhrkamp, do inédito «Meine Preise» (Os meus prémios) revela-se um íntimo ajuste de contas de um dos autores europeus mais ferozes da segunda metade do século XX.
"Apenas os incompetentes concedem prémios", disse certa vez este polémico escritor austríaco, que detestava galardões, bem como a cerimónia, a hipocrisia e a arrogância do mundo da cultura.
A sua fama de misantropo iracundo sempre o precedia e ele abusava desse jogo de sedução. Mas por que aceitava prémios, se os odiava tanto? A resposta está neste livro: por dinheiro. "Sou avarento, não tenho carácter, eu mesmo sou um porco". Pois é, o dinheiro fazia-lhe falta, para arranjos domésticos, roupa e outros caprichos.
"Tudo era repugnante, mas o que me dava mais asco era eu mesmo", diz, chateado consigo próprio, por se deixar corromper pelos prémios.
No livro agora vindo a público, passa revista, com o seu habitual humor descarnado, a nove dos muitos prémios que obteve, o primeiro em 1964, com o qual comprou um automóvel desportivo Triumph Herald que espatifou pouco depois na Croácia.
Outro dos episódios a que faz referência é ao seu primeiro prémio austríaco, que recebeu em 1968, o Prémio Estatal de Literatura. Ficou célebre o discurso que proferiu aquando da cerimónia da entrega, ao ter chamado ao Estado um artifício, aos austríacos apáticos, hipócritas e estúpidos.
Conta ainda a sua vida desesperada, a raiar a pobreza, com uma tuberculose crónica antes de a sorte ter mudado com o primeiro romance, em 1963, revelando uma linguagem inovadora e radical.
«Meine Preise», lançado há uma semana, é já uma das obras mais vendidas na Áustria. Que diria desse sucesso o autor?
"Apenas os incompetentes concedem prémios", disse certa vez este polémico escritor austríaco, que detestava galardões, bem como a cerimónia, a hipocrisia e a arrogância do mundo da cultura.
A sua fama de misantropo iracundo sempre o precedia e ele abusava desse jogo de sedução. Mas por que aceitava prémios, se os odiava tanto? A resposta está neste livro: por dinheiro. "Sou avarento, não tenho carácter, eu mesmo sou um porco". Pois é, o dinheiro fazia-lhe falta, para arranjos domésticos, roupa e outros caprichos.
"Tudo era repugnante, mas o que me dava mais asco era eu mesmo", diz, chateado consigo próprio, por se deixar corromper pelos prémios.
No livro agora vindo a público, passa revista, com o seu habitual humor descarnado, a nove dos muitos prémios que obteve, o primeiro em 1964, com o qual comprou um automóvel desportivo Triumph Herald que espatifou pouco depois na Croácia.
Outro dos episódios a que faz referência é ao seu primeiro prémio austríaco, que recebeu em 1968, o Prémio Estatal de Literatura. Ficou célebre o discurso que proferiu aquando da cerimónia da entrega, ao ter chamado ao Estado um artifício, aos austríacos apáticos, hipócritas e estúpidos.
Conta ainda a sua vida desesperada, a raiar a pobreza, com uma tuberculose crónica antes de a sorte ter mudado com o primeiro romance, em 1963, revelando uma linguagem inovadora e radical.
«Meine Preise», lançado há uma semana, é já uma das obras mais vendidas na Áustria. Que diria desse sucesso o autor?
Justiça e crítica literária: duas opções


A diferença entre um poeta e um prosador pode estar nisto: Teolinda Gersão, ao receber o prémio Literário da Fundação Inês de Castro, disse que, em Portugal, a Justiça enquanto instituição «não serve» e defendeu «o mais urgentemente possível» um amplo debate nacional.
Na mesma cerimónia foi galardoado com o Tributo de Consagração 2008 o poeta António Osório, que está preocupado com... a crítica literária, tendo lamentado que «a crítica literária seja hoje uma coisa que está quase em vias de extinção» e apelando à defesa da poesia.
António Osório como homem de Direito está preocupado com a divulgação da sua obra. Teolinda Gersão, como mulher das letras, está preocupada com a falta de justiça.
17 janeiro 2009
Outro poema de Barry Cole
Reported Missing
Can you give me a precise description?
Said the policeman. Her lips, I told him,
Were soft. Could you give me, he said, pencil
Raised, a metaphor? Soft as an open mouth,
I said. Were there any noticeable
Peculiarities? he asked. Her hair hung
Heavily, I said. Any particular
Colour? he said. I told him I could recall
Little but its distinctive scent. What do
You mean, he asked, by distinctive? It had
The smell of woman's hair, I said. Where
Were you? he asked. Closer than I am to
Anyone at present, I said, level
With her mouth, level with her eyes. Her eyes?
He said, what about her eyes? There were two,
I said, both black. It has been established,
He said, that eyes cannot, outside common
Usage, be black; are you implying that
Violence was used? Only the gentle
Hammer blow of her kisses, the scent
Of her breath, the ... Quite, said the policeman,
Standing, but I regret that we know of
No one answering to that description.
Can you give me a precise description?
Said the policeman. Her lips, I told him,
Were soft. Could you give me, he said, pencil
Raised, a metaphor? Soft as an open mouth,
I said. Were there any noticeable
Peculiarities? he asked. Her hair hung
Heavily, I said. Any particular
Colour? he said. I told him I could recall
Little but its distinctive scent. What do
You mean, he asked, by distinctive? It had
The smell of woman's hair, I said. Where
Were you? he asked. Closer than I am to
Anyone at present, I said, level
With her mouth, level with her eyes. Her eyes?
He said, what about her eyes? There were two,
I said, both black. It has been established,
He said, that eyes cannot, outside common
Usage, be black; are you implying that
Violence was used? Only the gentle
Hammer blow of her kisses, the scent
Of her breath, the ... Quite, said the policeman,
Standing, but I regret that we know of
No one answering to that description.
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