19 janeiro 2009

Educação? Bah! Comida, meus caros, paparoca, isso sim

A «escola pública fica seriamente ameaçada se se continuar por este caminho» - são palavras do presidente da Confap, um homem que preside a uma instituição que é dependente do governo.
Será que o governo começa a reconhecer que a continuar a sua falta de política põe em risco a escola pública?
Será que o governo já percebeu que o sucesso não se faz com números mas com dados palpáveis, os quais apenas podem ser reais se forem valorizados em exame nacional?
Será que o governo quer realmente que a escola pública funcione e não seja apenas uma cantina e um parque de diversões (como parece ser o caso do senhor da Confap)?
Distorcer informações permite pequenos exercícios retóricos que se afastam da realidade. O que o senhor da Confap disse - e que é aquilo que o preocupa - é que quer que os alunos estejam fechados dentro da escola. O que fazem lá dentro interessa-lhe pouco.
Entretenimento muito, quanto ao resto, é deixar andar.

Uma década disto

Entra défice, sai défice, volta défice. E assim vai Portugal dando a sua graça nas páginas de economia.
O que eu gostava de saber era que têm os economistas andado a fazer? Os economistas e os tão amados empresários. É que se o país não sai da cepa torta deve ser por causa de alguém. E não estou a ver quem mais perceba da poda, para além de economistas, gestores, empresários, banqueiros.
Acho que começa a ser tempo de dar nome aos bois. Eu cá nunca percebi que merda de empresários temos que não conseguem exportar sem subsídio, sem apoio do erário. E também nunca percebi porque raio lhes deram tanta garxa nestes últimos 10 anos.

João Aguardela (1969-2009)

Morreu ontem, em Lisboa, o músico João Aguardela, que faria 40 anos em Fevereiro.
Vocalista, líder e fundador dos Sitiados, Aguardela foi também o mentor de projectos como Megafone, Linha da Frente (formado por vocalistas de várias bandas nacionais interpretando textos de poetas portugueses) e A Naifa, o seu mais recente projecto com Luís Varatojo, com três álbuns editados aclamados pela crítica e pelo público.




30 anos a falar do mesmo, do 3º ao 9º ano


Com Alice Vieira percebemos que ensinar foi chão que deu uvas, sobretudo no ensino público, donde tem sido paulatinamente afastado tudo o que cheire a esforço.
E percebemos também que Alice Vieira não gosta muito de professores formados em Escolas Superiores de Educação, pois, diz, «é um susto, desde a língua portuguesa tratada de uma maneira desgraçada, até ao desconhecimento de autores que deviam ter a obrigação de conhecer... Sabem muito bem o eduquês, mas passar além disso, é difícil. Muitos professores com que lido têm uma formação muito, muito, muito deficiente. Eles fazem com cada erro, que eu fico doida!»
Questões que a deixam apreensiva. Tanto que não hesita: «As pessoas não entendem muito bem que o maior investimento que podem fazer é na educação. Se não tivermos gente educada, a saber, capaz, o que é que vai ser de nós? Estamos a fazer uma geração que não se interessa, não sabe nada, mas berra e grita. E isso perturba-me.»
Nós gostamos da entrevista, gostamos até da parte em que realça o abaixamento de nível de exigência, mas foi aí que nos deparámos com algumas incongruências. A senhora vai a escolas há 30 anos sempre para falar do mesmo livro? Que tédio, não lhes parece? O que faz um escritor numa escola? Que vai lá fazer? Há algo que não bate certo. Bárbara Wong devia-lhe ter perguntado porquê esse livro em particular e não outros.

18 janeiro 2009

O novo livro de Thomas Bernhard «Meine Preise»


Thomas Bernhard (1931-1989) continua a flagelar consciências 20 anos depois da sua morte. A publicação, pela Suhrkamp, do inédito «Meine Preise» (Os meus prémios) revela-se um íntimo ajuste de contas de um dos autores europeus mais ferozes da segunda metade do século XX.
"Apenas os incompetentes concedem prémios", disse certa vez este polémico escritor austríaco, que detestava galardões, bem como a cerimónia, a hipocrisia e a arrogância do mundo da cultura.
A sua fama de misantropo iracundo sempre o precedia e ele abusava desse jogo de sedução. Mas por que aceitava prémios, se os odiava tanto? A resposta está neste livro: por dinheiro. "Sou avarento, não tenho carácter, eu mesmo sou um porco". Pois é, o dinheiro fazia-lhe falta, para arranjos domésticos, roupa e outros caprichos.
"Tudo era repugnante, mas o que me dava mais asco era eu mesmo", diz, chateado consigo próprio, por se deixar corromper pelos prémios.
No livro agora vindo a público, passa revista, com o seu habitual humor descarnado, a nove dos muitos prémios que obteve, o primeiro em 1964, com o qual comprou um automóvel desportivo Triumph Herald que espatifou pouco depois na Croácia.
Outro dos episódios a que faz referência é ao seu primeiro prémio austríaco, que recebeu em 1968, o Prémio Estatal de Literatura. Ficou célebre o discurso que proferiu aquando da cerimónia da entrega, ao ter chamado ao Estado um artifício, aos austríacos apáticos, hipócritas e estúpidos.
Conta ainda a sua vida desesperada, a raiar a pobreza, com uma tuberculose crónica antes de a sorte ter mudado com o primeiro romance, em 1963, revelando uma linguagem inovadora e radical.
«Meine Preise», lançado há uma semana, é já uma das obras mais vendidas na Áustria. Que diria desse sucesso o autor?

Justiça e crítica literária: duas opções



A diferença entre um poeta e um prosador pode estar nisto: Teolinda Gersão, ao receber o prémio Literário da Fundação Inês de Castro, disse que, em Portugal, a Justiça enquanto instituição «não serve» e defendeu «o mais urgentemente possível» um amplo debate nacional.
Na mesma cerimónia foi galardoado com o Tributo de Consagração 2008 o poeta António Osório, que está preocupado com... a crítica literária, tendo lamentado que «a crítica literária seja hoje uma coisa que está quase em vias de extinção» e apelando à defesa da poesia.
António Osório como homem de Direito está preocupado com a divulgação da sua obra. Teolinda Gersão, como mulher das letras, está preocupada com a falta de justiça.

17 janeiro 2009

HAND WRITING!!!








Outro poema de Barry Cole

Reported Missing


Can you give me a precise description?
Said the policeman. Her lips, I told him,
Were soft. Could you give me, he said, pencil
Raised, a metaphor? Soft as an open mouth,
I said. Were there any noticeable
Peculiarities? he asked. Her hair hung
Heavily, I said. Any particular
Colour? he said. I told him I could recall
Little but its distinctive scent. What do
You mean, he asked, by distinctive? It had
The smell of woman's hair, I said. Where
Were you? he asked. Closer than I am to
Anyone at present, I said, level
With her mouth, level with her eyes. Her eyes?
He said, what about her eyes? There were two,
I said, both black. It has been established,
He said, that eyes cannot, outside common
Usage, be black; are you implying that
Violence was used? Only the gentle
Hammer blow of her kisses, the scent
Of her breath, the ... Quite, said the policeman,
Standing, but I regret that we know of
No one answering to that description.

Barry Cole (n. 1936)

The Men Are Coming Back!

They say the men are
Coming back. An elder
Reports her daughter, out
For the morning manna,
As having seen short columns
At the foot of the hills.

There is a loosening of
Muscles and dampness
In the palms of some hands.
Inexplicably, the children
Begin to shout. Some of the
Elder women bolt the doors.

How did she know? asks
Someone. Know they are
Men? Instinct, says a
Harridan in yellow lace.
Does it matter? There are
Few moments to defence.

Even as they watch the
Elders scent defeat. Some
Of the younger are spitting
Upon the red cloth cover
Of a book, rubbing the
Dye across their untouched lips.

Outro poema de Roger McGough


The Leader

I wanna be the leader
I wanna be the leader
Can I be the leader?
Can I? I can?
Promise? Promise?
Yippee I'm the leader
I'm the leader

OK what shall we do?

Roger McGough (n. 1937)

My cat and i

Girls are simply the prettiest things
My cat and i believe
And we're always saddened
When it's time for them to leave

We watch them titivating
(that often takes a while)
And though they keep us waiting
My cat and i just smile

We like to see them to the door
Say how sad it couldn't last
Then my cat and i go back inside
And talk about the past.

Os portugueses adoram ler... e escrever


Cada assinante de serviços de telefone móveis em Portugal envia, em média, quatro mensagens escritas (SMS) por dia e 140 por mês. No terceiro trimestre do ano passado foram enviadas mais de seis milhões de mensagens (6.087.640).

O relatório da ANCOM refere que em Julho, Agosto e Setembro de 2008 existiam 14,5 milhões de assinantes do Serviço Telefónico Móvel (STM), mais 1,5 por cento face ao trimestre anterior e de 12,4 por cento em relação ao período homólogo do ano anterior.
O número de mensagens escritas enviadas continua a crescer, o que «estará associado à adesão a tarifários específicos que têm vindo a surgir e que incluem um elevado número de mensagens grátis», lê-se no documento.

O documento refere ainda que se realizaram, nesse terceiro trimestre do ano passado, 1,97 mil milhões de chamadas através de telefones móveis, o que representou um aumento de 7,4 por cento do que no trimestre anterior.
Para os telemóveis foram feitas 1,95 mil milhões de chamadas, sendo que «o tráfego fixo-móvel registou novamente uma descida, acentuando a tendência que se vem registando há alguns anos», segundo a ANACOM.


Fonte: DD

Impérios religiosos: 5 mil anos de conquistas


A história das religiões do mundo e o modo como se alastraram pelo planeta numa animação que dura 90 segundos. Não acredita? Vista o seu fato anti-alérgico e dê um saltinho a este sítio.

16 janeiro 2009

O valor de um automóvel


A humilhação servida em doses diárias cria barris de pólvora. As pequenas provocações são comuns e quase ninguém liga peva, sobretudo se não é vítima.
Não sei se o agressor é vítima ou apenas tem maus fígados. Há gente de todos os feitios. Mas também não é raro assistir a cenas de grande violência envolvendo adolescentes e adultos. Eu assisti a vários casos, várias vezes.
E que tudo cheira a ajuste de contas, cheira.
O homem que esfaqueou um rapaz de 20 anos, disse à polícia, quando foi detido, que a agressão ocorrera porque o aluno e outros colegas "tinham danificado o seu carro pessoal".
O presidente da escola diz que ali são todos ordeiros. Que havia ele de dizer?

15 janeiro 2009

“Entropa” e o barrete checo




A exposição “Entropa”, que assinala a presidência checa da União Europeia, já foi alvo de um protesto formal da Bulgária, pelo modo como está representada na instalação: transformada numa retrete turca, daquelas com um buraco no chão que obrigam a uma incómoda postura de cócoras.
A instalação, patente no átrio da sede do Conselho Europeu, em Bruxelas, foi apresentada como tendo sido coordenada pelo artista plástico checo David Cerny, que se comprometera a convidar artistas de todos os restantes estados membros, a quem caberia a versão crítica do país de cada um. Foi isso que o próprio Cerny disse há dias. Mas ontem soube-se que fez tudo sozinho (ou com a ajuda de um colega), apresentando nomes e biografias falsas de artistas que não existem. Tirando o seu próprio país, os outros países estão representados por pseudónimos de Cerny.
O objectivo era que “Entropa” fosse uma recolha dos estereótipos associados a cada país, para que, ridicularizados, fossem ultrapassados. E de facto, tem havido gargalhadas, perplexidade e indignação, tudo à mistura, como confirmam os que estão em Bruxelas. Mas o poder não gosta muito de humor e o governo checo sente-se embraçado. Os estados membros surgem desmembrados, assim a modos que trabalho de preguiçoso.
Portugal, por exemplo, é retratado pelos contornos do mapa, sobre o qual assentam mais três mapas, esculpidos em carne, alusivos à História colonial portuguesa. Tudo com autoria de uma Carla de Miranda que não existe, claro. A Alemanha está reduzida a um emaranhado de auto-estradas a lembrar uma cruz suástica. A Suécia foi transformada numa caixa de móveis Ikea, onde se esconde um avião de guerra. A Dinamarca mostra-se em Lego, a Holanda inundada, com minaretes de mesquitas fora de água. A Grécia está em fogo e Espanha coberta de betão. A Polónia aprece representada com um grupo de padres na postura dos soldados americanos de Iwo-Jima a plantar a bandeira da homossexualidade e a Itália transformada em campo de futebol. O eurocéptico Reino Unido aparece representado em forma de buraco.
A exposição de tão curioso trabalho artístico custa ao governo checo 50 mil euros. Nada de especial, dirão. Quanto terão pago a Cerny?
Como não podia deixar de ser em tempos modernos como os de agora, "Entropa" já entrou para a enciclopédia.

Salário principesco para guardar um ilhéu


O estado australiano de Queensland oferece «the best job in the world» cujo salário, por 6 meses, ascende a 105.000 dólares. Alojamento e comida garantida, juntamente com passagens.

Em que consiste o trabalho? Em guardar o pequeno ilhéu australiano de Hamilton, na Grande Barreira de Coral (parte das Ilhas Whitsunday, no leste da Austrália), um dos mais desejados paraísos naturais do planeta. Limpar a piscina do complexo turístico e recolher o correio que chega de avião. Além disso, terá de escrever as suas experiências num blogue, publicitando assim o turismo australiano. É para começar em Julho.

Os interessados ainda se podem candidatar no sítio «The best job in the world». Para tal têm de seguir os passos que ali se propõem.

Joe Berardo o mecenas da pátria


Há notícias do arco-da-velha. Por exemplo esta: O empresário e coleccionador Joe Berardo defendeu hoje que "os museus em Portugal deveriam ser todos de entrada gratuita para a população".

Ele diz que fez contas e que daí não vem dinheiro que se veja. Calcula-se que magnata como é esteja a pensar em oferecer à nação o borlix nos museus: Você visita que Joe Berardo paga.

Talvez tudo não passe de um pequeno golpe publicitário para voltar às notícias, quiçá em nome de outros negócios. Ou talvez seja a sua costela insular que, estimulada pelo prémio de Cristiano Ronaldo, o tenha levado a pensar na gratuitidade dos museus.

Até porque como todos sabemos quem paga o museu do senhor é apenas o próprio. Nós, pobres contribuintes não contribuímos com nada.

Ano Internacional da Astronomia


2009, um ano cheio de fenómenos, para contentamento dos astrónomos amadores: o mais longo eclipse solar a 22 de Julho, uma chuva de estrelas em Novembro e uma vista privilegiada para Júpiter em meados de Outubro.
Acreditando que não podemos ser os únicos em 100 milhões de estrelas, os astrónomos esperam não só encontrar provas de vida extraterrestre como respostas para as perguntas:
Como é que as galáxias se formam e evoluem?
Como é que as estrelas e planetas se formam?
Questões que certamente farão parte do Ano Internacional da Astronomia que arrancou hoje, em Paris. Sob a égide da UNESCO e da União Astronómica Internacional, o conjunto das comemorações evoca Galileu e apela à descoberta dos mistérios do universo.
Familiarizar o grande público com o conhecimento do cosmos é a missão estabelecida para o Ano Internacional da Astronomia, que marca no calendário das efemérides os 400 anos da descoberta das luas de Júpiter por Galileu, o primeiro a utilizar um telescópio para observações e a defender, contra todas as teorias vigentes à época, que é a Terra a girar em torno do Sol e não o contrário.
Um dos pontos cimeiros deste ano será o lançamento, previsto para Abril próximo, de dois satélites europeus de observação, o telescópio espacial Hershel e o observatório Planck. Eles ficarão posicionados a 1,5 milhões de quilómetros da Terra e, entre outras missões, farão a observação da formação de estrelas e galáxias e dos campos de radiação cósmica do passado.

14 janeiro 2009

Private protest em lua de mel


Eram uns cromos. Mas não uns cromos quaisquer. John e Yoko. John Lennon e Yoko Ono. Ele era uma estrela no firmamento da pop. Beatle tresmalhado, dera em promover-se com a mulher, transformando a lua de mel num happening. Ela tentaria uma carreira, mas os resultados não foram suficientemente estimulantes para a indústria discográfica.
Durante 7 dias, aqueles cromos mostraram-se ao mundo na cama... contra a guerra. Os resultados foram extraordinários. As guerras diminuíram drasticamente, como todos sabemos.
Bem, foi há 40 anos. E o politicamente correcto bate palmas. Comemoremos com um sorriso. Para os mais novos, podem ver tudo aqui ou aqui.

Eudora Welty (1909-2001)







A Antígona publicou há pouco tempo um livro desta autora norte-americana, “Os Ventos e Outros Contos” (traduzido e prefaciado por Diana Almeida).

Agora prepara-se uma exposição das suas fotos no Museum of the city of New York. Fotos da grande depressão (anos 30).

Escritora e fotógrafa, prestamo-lhes aqui uma pequena homenagem, já que neste 2009 (a 13 de Abril) se comemora o centenário do seu nascimento.