09 janeiro 2009

Solenodon paradoxus


O pequeno animal tem tanto de pequeno (30 centímetros) quanto de raridade. De linhagem bem antiga, 73 milhões de anos, manteve-a conservada, possuindo características ancestrais como a produção de veneno. Algo raro, já que o solonodonte-do-Haiti (Solenodon paradoxus) é um mamífero. A espécie só existe no Haiti e na República Dominicana.
Com 30 cm de corpo e 15 a 25 de cauda, parece-se com um musaranho, mas tem um focinho alongado, cauda como a das ratazanas e patas sem pêlo. Alimenta-se de invertebrados, répteis, aves e frutos. Alcança grande velocidade, tem hábitos noctívagos e produz veneno que expele com a saliva, servindo-se dos incisivos para a injectar.
Um grupo de investigadores da Durrell Wildlife Conservation Trust (DWCT) do Reino Unido, e do Ornithological Society of Hispaniola, da ilha da Espanhola, esteve na República Dominicana no Verão passado para estudá-lo. Durante um mês puseram armadilhas em vários locais da ilha para conseguir obter indivíduos, medi-los e retirar amostras de ADN.
O solonodonte-do-Haiti assim como o seu parente mais próximo de Cuba, o solonodonte-de-Cuba (que também é venenoso) estão ameaçados. A desflorestação, a introdução de espécies exóticas nas ilhas e a caça, têm desgastado as populações destes insectívoros nocturnos.Os dois mamíferos fazem parte do programa Edge of Existence, da Sociedade Zoológica de Londres (SZL), destinado a conservar os animais em perigo e que ao mesmo tempo são únicos devido à sua história evolutiva. “O registo de fósseis mostra que outros grupos de mamíferos que agora estão extintos também tinham um sistema de injecção de veneno. Isto deveria ser uma característica mais geral, que se perdeu na maioria dos mamíferos modernos”, disse Sam Turvey da SZL.
Podem vê-lo em acção num breve filme indo aqui.

Importa-se de repetir?


- Man, vou limpar a tosse ao gajo e ser eu a estrela da tomada de posse.
- Ai não vais não, que levas com um esguicho de teias e quatro bufardos no focinho.
- Ó mãe, aquele gajo quer-me bater!...
- Ah, mascarado dum raio, sai já daqui senão parto-te as ventas em dois tempos.

CENAS DOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS

O homem aranha tropeça na máquina de repórter e Camaleão vê, na semana seguinte, que afinal o herói foi apenas o Obama. Ainda antes de ser empossado já é um herói super.

Desabafo de um consumidor pobre


Os bancos são generosos. Podem arranjar milhões para socorrer um filho ou um camarada, podem pagar lautos salários e outras mordomias aos chefões, mas não perdoam pequenas dívidas, pois aprenderam que grão a grão enche a galinha o papo. E são os grãos que lhes dão margem para outros voos.

Os bancos podem gastar uns milhares a prometer benesses aos clientes, tudo para garantirem que ali vai parar o salário de mais um... consumidor, de mais uma vítima. Quando, por alguma razão, as pessoas ficam com um saldo negativo nas suas contas bancárias (descoberto bancário), os bancos cobram multas, além das altas taxas de juro com que sobrecarregam o... empréstimo. A agiotagem faz-se assim às claras.

Os bancos adoram os pequenos aforradores, os trabalhadores por conta de outrem, os pequenos proprietários. Adoram emprestar para fazer render o seu pecúnio.

E o que é mais engraçado é que os chefes, grandes ou pequenos, andam por aí de papo inchado, pavoneando-se felizes, porque os pobres coitados dependem das instituições bancárias para tudo: para receber o salário; para o cartão multibanco, para pagarem as despesas correntes. Ou seja, para quase tudo.

Aos pobres coitados sabe-lhes bem ver que há quem tente defender os seus parcos haveres, mesmo que saibam, de intuição e por educação, que os bancos encontrarão novas maneiras de meter a mão nos seus bolsos.

A medida que agora vem à praça pública é curiosa, não acham. O pessoal fica sem chavo e o banco ainda cobra uma taxa, além dos juros. Obrigado, bancos, muito obrigado, como sois generosos.

08 janeiro 2009

Da leptina ao buphenyl e ao ácido tauroursodesoxicólico


Quando, há pouco mais de 13 anos, se descobriu a leptina – hormona produzida pelos tecidos adiposos que regula as reservas de gorduras no organismo e diz ao cérebro para “desligar” o apetite –, pensou-se ter descoberto o caminho para o medicamento-milagre contra a obesidade. Só que o cérebro das pessoas obesas (e dos ratinhos) revelou-se insensível à leptina. Possivelmente por, nas células do hipotálamo (região cerebral onde a leptina actua), a estrutura que fabrica as inúmeras proteínas de que a célula precisa não conseguir “dar conta do recado” e falhar a produção da molécula que supostamente receberia o sinal da leptina.

Pensa-se agora ter descoberto um modo de aliviar essa situação de stress celular: duas substâncias, os chamados Buphenyl (4-PBA) e ácido tauroursodesoxicólico (TUDCA).

Os dois medicamentos, o Buphenyl e o TUDCA já obtiveram sinal verde do Food and Drug Administration, a agência federal de medicamentos e produtos alimentares americanos.
O Buphenyl é prescrito para tratar disfunções do fígado e a fibrose cística. O TUDCA é usado há séculos na medicina chinesa tradicional e aplicado para curar doenças hepáticas.

07 janeiro 2009

Rajini contra Satish ou um caso de sonambulismo


Uma luta desigual. Ele, Satish, acordou com o pénis a arder. Ela, Rajini, foi a responsável. O pénis dele ardeu mesmo enquanto ela ficava a ver no que aquilo dava.

O melhor é copiar a notícia.
«Rajini Narayan, de 44 anos, despejou um líquido inflamável sobre o pénis do marido, Satish de 47 anos, enquanto ele dormia, incendiando-o e ficando a ver como regia o homem.
Segundo o jornal australiano "The Sydney Morning Herald", Narayan confessou o crime dizendo que era uma "esposa ciumenta" e que "o pénis do marido deveria ser só dela". No entanto, aos vizinhos terá confidenciado que estava a sonhar que tinha relações sexuais com o marido e que foi inconscientemente que lhe despejou o líquido.

A casa de Narayan sofreu danos provocados pelo incêndio que se espalhou quando o marido acordou e, apavorado e em chamas, espalhou o fogo na tentativa de fuga.»

Deus e Barcelona



Em Espanha, Deus anda nos anúncios de autocarro (o anúncio começou britânico e tem-se espalhado). Ora dizem: Probablemente, Dios no existe. Deja de preocuparte y goza de la vida (ateus). Ora: Díos si existe. Disfruta de la vida en Cristo (evangélicos).
Madrid poderá também ter autocarros com anúncios teleológicos.

É bonito ver que Deus saiu do limbo e se passeia com a gente. O problema é o Demónio, claro, esse que, segundo o exorcista do post de ontem, anda pelo mundo todo a queimar dinheiro só para chatear o people.

Mais aqui e aqui.

O milagre


A economia vai contrair-se, mas o rendimento disponível das famílias vai ter, em média, um crescimento real. Apenas para os que mantiverem os empregos. E para os que recebem boas reformas. A maioria do povo continuará a vidinha triste de sempre.

A subida de 1,6 por cento representa para os homens do Banco de Portugal uma façanha, pois é o melhor resultado desde 2001. Isto acontece porque, ao mesmo tempo que se registam alguns aumentos nominais dos salários e pensões, a taxa de inflação deverá cair para um por cento, o valor mais baixo desde que o país está em democracia.

O problema das previsões é esse, são previsões. A inflacção sempre é calculada por baixa e acaba sempre por subir. Veremos se as anunciadas baixas são para manter ou se haverá surpresas lá para o segundo trimestre.

Outro problema é se as empresas nacionais terão ou não capacidade de exportação e se o país importará na mesma proporção de anos anteriores. Já vimos há tempos que quanto a produtos de luxo, os portugueses continuam pródigos em compras. Pois a lusa classe possidente sempre pautou a sua vidinha pela ostentação burgessa.

A classe média, depauperada, conseguirá algum desafogo? A ver vamos.

06 janeiro 2009

Rir é bom

Transcrevemos, sem comentários, esta peça de lusitano humor jornalístico, da autoria de João Céu Silva. Quem quiser ler o texto na íntegra, pode ver como a publicidade vende mais travestida de 'jornalismo':
"Literatura. O livro foi uma das prendas preferidas pelos portugueses este Natal. Se os escritores estrangeiros tiveram o comportamento habitual, já os nacionais surpreenderam pelo número excepcional de vendas. É certo que dos pesos-pesados só Miguel Sousa Tavares esteve parcialmente fora do ringue
Mulheres deram taça a Rodrigues dos Santos
Dar e receber um livro no Natal é a troca de presentes preferida dos portugueses. Fazê-la com livros de autores nacionais é a grande moda. O resultado destas duas situações fez com que os autores nacionais tenham sido os recordistas de vendas de livros neste último trimestre, num total muito próximo de um milhão de exemplares.
(...)
É uma mudança de rumo do mercado editorial, que se acentuou em 2008 - acompanhando a tendência internacional - e que tem duas razões: o peso do leitor feminino e a aposta das editoras em dar romances historicamente comerciais e com um mínimo de credibilidade.
Com esta "receita literária", lucram as editoras e os livreiros, ganham os autores e aumenta o seu número, ficam os que lêem mais satisfeitos e o rácio de leitura em português melhora, sem se necessitar de alimentar o debate inócuo de que a literatura light destrói a boa escrita e não atrai novos leitores aos já fiéis ao livro."

Milionário atira-se para debaixo de um comboio


O multimilionário alemão Adolf Merckle suicidou-se depois de perder milhões na Bolsa. Não, não, não é nenhum caso decalcado de 1929, é actual, de ontem.
Merckle era tão-só o quinto milionário da Alemanha e um dos 100 homens mais ricos do planeta, com uma fortuna avaliada em sete mil milhões de euros.
Perdeu 400 milhões na Bolsa e atirou-se para debaixo de um comboio. Tinha 74 anos.
Isto de ser empreiteiro e guloso tem os seus quês. Se calhar não cumpriu a palavra dada a Belzebu.

Fonte: El País

O Demónio é o culpado


O decano mundial dos exorcistas, padre Gabriele Amorth, garantiu que a actual crise económica e financeira existe por culpa do Demónio. Como? Belzebu sugere decisões económicas equivocadas para dividir e empobrecer os países.
Numa entrevista concedida ao sítio católico Pontifex Roma, o sacerdote considera que Satanás está em grande, pois as crises e desordens económicas têm influência na esfera pessoal: criam distanciamento e ruptura, "exactamente o que quer Satanás".
Podia ser uma piada um pouco parva, mas não. Amorth é daquela fibra divina, capaz de entrar na cabeça do Demónio, captar-lhe os pensamentos e traduzi-los para nós, ímpios, incrédulos e pobres humanos.
Amorth é um deus entre os homems. É padre apenas por disfarce.

O fabuloso destino de Portugal nas mãos socráticas


Nós somos todos uns ingratos. Nunca aplaudimos a acção extraordinária de Sócrates. Ele é um cúmulo de empenho e esforço. Como ele próprio diz: “não se lidera assistindo a tudo do lado de fora”. De resto, já sabemos que se estamos onde estamos, enquanto país, é por causa da educação. Sócrates subiu a pulso (com cartões do ministério enviados aos profs.) e isso não lhe parece bem. A educação é fundamental para o sucesso económico do país. Vai daí, este governo quer acabar com esses professores que aprovam alunos que lhes mandam cartões.

Assim que todos forem licenciados à maneira de Sócrates o país vai dar um pulo enorme. Crê-se que ficará colado à Finlândia. O Algarve deixará de ser uma instância de férias de Verão e tornar-se-á uma estância de esqui. A Serra da Estrela perderá o seu lugar de relevo no turismo de inverno e apenas se consolará com a volta a Portugal em bicicleta.

Os portugueses emigrarão em massa para Espanha, que será, finalmente, dona absoluta da Península Ibérica.

E Sócrates será o grande timoneiro dessa aventura maravilhosa. Juntamente com esse grande líder sindical que é João Proença, um homem cheio de receios e de esperanças.

05 janeiro 2009

Um texto curioso e diplomático

A opinião é fácil para uns e extremamente complicada para outros. Sobretudo quando se parte para a apresentação de um ponto de vista começando logo por jogar à defesa.
Um jornalista é um jornalista, na medida em que uma nuvem é uma nuvem. Relata factos (muitos crêem piamente nisso) e de quando em quando opina. Alexandra Lucas Coelho, jornalista do Público, resolveu vir a público (edição papel de hoje) dizendo de sua justiça sobre a atitude criminosa de Israel. Fá-lo com pinças, deixando para a meia dúzia que tem paciência de ler tudo (como os serviços de espionagem israelitas) a sua tese: "fazer da defesa de Israel a origem e a moral de uma semana de bombardeamentos da Faixa de Gaza me parece do domínio da obscenidade. E uma obscenidade que fazemos nossa - nós, os cristãos, os compassivos, que bebemos o sangue de Cristo e tanta culpa carregamos, da Inquisição, do Holocausto, de sermos cúmplices por pensamentos, palavras, actos e omissões."
Os mais pacientes, que foram capazes de ler aquele texto poético, percebe que Alexandra Lucas Coelho tem medo que lhe chamem anti-semita, não sabemos se por querer voltar a casa da amiga que tem em Israel, se por outras razões. Ela diz: "Chegou-se a um ponto - totalitário, intimidatório - do discurso contemporâneo em que qualquer pessoa pode ser insultada como anti-semita por criticar Israel. (...)
Não sou sionista nem anti-sionista. Não sei se um Estado judaico seria o melhor para os judeus, mas hoje Israel existe, pujante, fascinante, e eu aceito-o nas fronteiras internacionalmente reconhecidas. Vivi em Israel, tenho amigos judeus dentro e fora de Israel e não admito que alguém me chame anti-semita."
E depois lá diz que: "Toda a gente sabe que a violência gera violência. Toda a gente sabe que não há solução militar. Toda a gente sabe - está em todos os documentos internacionais assinados por Portugal - que Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental são territórios nas mãos de Israel. Toda a gente sabe que há milhões de refugiados palestinianos há mais tempo do que eu estou viva e ninguém os quer. E é por isso que justificar o bombardeamento de Gaza com a defesa de Israel é tão obsceno - simplesmente porque toda a gente sabe que os palestinianos são os perdedores desta História."
Portanto, o crime de Israel é ser... obsceno. Termo que, como é do conhecimento geral, incomoda sobremaneira as pessoas.
E assim vai a opinião pública. Felizmente, poedemos ir aqui e ver que outras opiniões dispensam as pinças e vão directas ao assunto: a), b), c), d).

Inquérito de site brasileiro é notícia no Público

O Público não quer que o Acordo Ortográfico caia em saco roto. Vai daí divulga um inquérito... online de um jornal brasileiro e atira-se, contente, às percentagens. Se há coisa de que os jornalistas gostam é de percentagens. Deve ser uma propensão para a Matemática ou então um mero prazer pelo jogo, pois se há coisa que a gente gosta é de brincar com números.
E o Público, quando é que adopta o acordo? Isso é que nós gostaríamos de saber. Mas, por enquanto, os de cá olham para o outro lado do Atlântico. Por curiosidade, por curiosidade...

Números

Quase 4 milhões de portugueses auferem pensões de reforma abaixo do salário mínimo (450 euros). Assim vai o fabuloso país de Sócrates. O tal onde os banqueiros e gestores recebem 30 a 100 salários mínimos e, em fazendo asneira, o Estado contribui com milhões.
Para ver mais, aqui.

04 janeiro 2009

Ladrões gourmets


Há ladrões e ladrões. Os desta história eram gourmets. Não sabemos se leitores assíduos do Da literatura e das prosas finas do conaisseur Eduardo Pitta.

Foram ao supermercado e levavam uma listinha com os produtos que queriam desviar. A saber:
Caixas de camarão congelado
Lombos inteiros de carne
Fiambre embalado
Queijos
Vinhos seleccionados
Whiskies velhos
Aguardente velhas
Champagne

Tudo filmado pelo sistema de videovigilância, que captou um assaltante a tirar uma lista do bolso e a verificar os objectos que lhe interessavam.
De luvas calçadas e cara tapada, os assaltantes são jovens, do sexo masculino e usavam calças de ganga descaídas e camisolas largas.
Todos os passos dos indivíduos no interior do supermercado foram registados pelas quatro câmaras de videovigilância. A partir da 1.04 horas da madrugada, e durante cerca de meia hora, agiram com calma e naturalidade.
Começaram pelas bebidas mais caras. Depois de "limparem" a área das bebidas, os homens passaram para a zona do talho e dos congelados. Também ali a escolha foi criteriosa e refinada.
Um dos assaltantes esteve a maior parte do tempo com um pé de cabra na mão. A determinada altura, quando um deles está de costas a colocar várias garrafas de bebida no cesto, o outro aproveita para abrir a caixa registadora e meter ao bolso os trocos que ali se encontravam.
Cerca da 1.25 da madrugada, quando estão quase a dar por terminado o assalto, um dos homens tira do bolso a lista, que já tinha consultado várias vezes.


Fonte: JN

Entrou na esquadra em cuecas e t-shirt


Entrou na esquadra em cuecas e com a t-shirt ensanguentada e disse:

- Acabei com eles. Fiz justiça.

O polícia de turno olhou para ele e... tomou nota da ocorrência.

Setecentos metros é muito metro. Foi o que o homem andou para sair de casa e chegar à esquadra da PSP.

Horácio -assim se chama o herói - saiu a correr de casa, deixando para trás a faca usada nas agressões. Feriu o pai, a madrasta e o irmão com a faca de cozinha e saiu de casa em cuecas, descalço e só com uma t-shirt.

Nesse momento já o pai, José Maria (75 anos), a madrasta, Maria da Conceição (54) e o irmão, José Maria (22) estavam a ser transportados para o Hospital de S. João, no Porto. O casal foi golpeado na cara. O jovem foi esfaqueado na barriga. O agressor foi detido.

Maria da Conceição encontrava-se na cozinha e Horácio gritou:

- São todos uns ladrões!

Depois, puxou da faca e feriu a madrasta na cara, por baixo do olho direito.
Apercebendo-se da situação, o filho, que estava no quarto, tentou socorrê-la, mas também ele provou da fúria de Horácio, sendo golpeado no abdómen. Seguiu-se o pai, que tem problemas de saúde e foi golpeado junto ao lábio.

Vários moradores abordados garantiram, à boa maneira portuguesa, que nada fazia antever um desfecho tão violento, apesar da fama de Horácio.

- Ele sempre teve problemas com droga e já esteve preso. Quando era novo, assaltava casas. Ultimamente, parecia andar mais sossegado e era pouco visto. Só saía de casa à noite - contou uma residente na zona, pedindo para não ser identificada por ter "medo que ele se vingue".

- Não temos conhecimento de problemas naquela família. Não mereciam o que lhes aconteceu - disse outra moradora, que se recorda de ter visto Maria Conceição poucos minutos antes do incidente:

- Chegou a casa com duas embalagens de leite. Dez minutos depois, ouvi os gritos.

Aproveitou para informar que a vítima é "mulher a dias".
Ainda de acordo com informações de conhecidos da família, o septuagenário é "estofador reformado" e o filho de 22 anos "estuda em Viana do Castelo".

Fonte: JN

Outro poema de Hugo Williams


SATURDAY MORNING


Everyone who made love the night before
was walking around with flashing red lights
on top of their heads — a white-haired old gentlemen,
a red-faced schoolboy, a pregnant woman
who smiled at me from across the street
and gave a little secret shrug,
as if the flashing red light on her head
was a small price to pay for what she knew.

Hugo Williams (n. 1942)

The butcher

The butcher carves veal for two.
The cloudy, frail slices fall over his knife.

His face is hurt by the parting sinews
And he looks up with relief, laying it on the scales.

He is a rosy young man with eyelashes
Like a bullock. He always serves me now.

I think he knows about my life. How we prefer
To eat in when is cold. How someone

With a foreign accent can only cook veal.
He writes the price on the grease-proof packet

And hands it to me courteously. His smile
Is the official seal of my marriage.

Outro poema de Brian Patten


A blade of grass


You ask for a poem.
I offer you a blade of grass.
You say it is not good enough.
You ask for a poem.


I say this blade of grass will do.
It has dressed itself in frost,
It is more immediate
Than any image of my making.


You say it is not a poem,
It is a blade of grass and grass
Is not quite good enough.
I offer you a blade of grass.


You are indignant.
You say it is too easy to offer grass.
It is absurd.
Anyone can offer a blade of grass.


You ask for a poem.
And so I write you a tragedy about
How a blade of grass
Becomes more and more difficult to offer,


And about how as you grow older
A blade of grass
Becomes more difficult to accept.

Brian Patten (n. 1946)

Portrait of a Young Girl Raped at a Suburban Party

And after this quick bash in the dark
You will rise and go
Thinking of how empty you have grown
And of whether all the evening's care in front of mirrors
And the younger boys disowned
Led simply to this.

Confined to what you are expected to be
By what you are
Out in the frozen garden
You shiver and vomit -
Frightened, drunk among trees,
You wonder at how those acts that called for tenderness
Were far from tender.

Now you have left your titterings about love
And your childishness behind you
Yet still far from being old
You spew up among flowers
And in the warm stale rooms
The party continues.

It seems you saw some use in moving away
From that group of drunken lives
Yet already ten minutes pregnant
In twenty thousand you might remember
This party
This dull Saturday night
When planets rolled out of your eyes
And splashed down in suburban grasses.