16 dezembro 2008

Catia Chien




E muito mais aqui.

Turismo novo


Aqui na west coast o sun é marbelhoso, o cost de vida mucho acessível. Bom pra finanças do preso, mucho bom. Very very.
Os detidos de Guantámano disseram ao sr. Smith que "não querem outra coisa senão sair dali e ir para Portugal".
Basta entrar em contacto com Amado, Luís. Lá na quinta dele há tendas e cães com fartura. Os prisioneiros vão sentir-se em casa.

Já a gasolina


Tudo na mesma. Os barris continuam a levar a mesma quantidade de produto. Os preços é que caíram a pique. No entanto, o preço do combustível mantém-se pela hora da morte (mais de 200 dos velhos escudos por litro). É fartar vilanagem.

Mas por ora ninguém, a não ser o consumidor, diz nada. Está tudo nos conformes. Dizem.

O pão, o pão


Quando os euros vieram substituir os escudos, os preços começaram a trepar e os arredondamentos foram uma das muitas aldrabices de que se servirem os comerciantes para embolsar dinheiro. Mas os salários (oh os salários) sempre ao mesmo preço e a terem de pagar tudo cada vez mais caro.

O pão é um bom exemplo disso. Parece que agora se começa a levantar um pouco o véu. Pelo menos em Lisboa.

É chatice ou explorer com gripe


Uma falha no Internet Explorer permite tomar controlo de um computador e roubar-lhe as senhas. Os especialistas aconselham os utilizadores a mudarem de navegador até o problema estar resolvido. Navegadores como Firefox, Opera, Chrome ou Safari não têm essa falha de segurança.

A Microsoft disse ter detectado ataques contra o Internet Explorer 7.0, mas que esta vulnerabilidade também está presente nas outras versões e já pediu aos os utilizadores para se manterem atentos, enquanto prepara uma solução de emergência.

O aviso vem de Londres, via BBC.

15 dezembro 2008

Colecção de bactérias


A maior colecção de bactérias em Portugal encontra-se na Universidade de Coimbra e reúne um conjunto raro a nível internacional da estirpe Legionella que é usada por investigadores da China aos EUA.

O Laboratório de Microbiologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) possui bactérias que não existem noutras partes do mundo, nomeadamente estirpes únicas de Legionella isoladas de ambientes naturais (sem intervenção humana).

As cerca de cinco mil estirpes, incluindo mais de duas mil de Legionella, representam mais de 20 anos de colheita e isolamento de micróbios, nos mais diversos locais.

Nesse laboratório há uma bactéria, com o nome científico de Deinococcus geothermalis, que está a ser utilizada para remover urânio solúvel de locais contaminados. Este micróbio isolado em Portugal e em Itália tem a capacidade de transformar o urânio de modo a ser removido do ambiente.
Fonte: Público

A poluição sonora ameaça cetáceos


Segundo os cientistas, o ruído submarino feito pelo homem criou já uma espécie de névoa acústica que leva a uma cacofonía em muitas partes dos mares e oceanos. Algo que afecta sobremaneira os cetáceos e outras espécies.

A poluição é provocada pelos navios, pelas indústrias, pela exploração de petróleo e de gás.

O país devia parar. O homem falou e disse:


O que já toda a gente sabia. Mas, proeza das proezas, ele reconheceu hoje que 2009 será um ano de "tempos difíceis".

Palmas e silêncio, pois quando Sua Excelência o Senhor Engenheiro Primeiro-Ministro da Nação Portuguesa diz algo tão importante isso quer dizer que... não tem nada para dizer, apenas precisa de fazer render o tempo de antena, para contrabalançar outros sinais.

E quando não há nada para dizer, fala-se em proveito próprio, apresentando-se ao país como o messias de (não se riam, por favor) uma «nova cultura política».

Em que consiste a tal nova cultura? É uma cultura «de modernização da administração pública e de combate à burocracia».

Se já se partiram a rir, ainda não viram a melhor parte do discurso: «Depois de termos feito o que fizemos, descobrimos que há ainda muito mais a fazer. Mas o importante é termos a administração pública convencida de que esta é a melhor linha a seguir, não apenas porque reduz custos mas também porque permite uma administração mais amiga do empreendedor, de quem quer correr riscos, e que não gosta dos que querem manter tudo na mesma».

Agora sim, podem tirar a barriga de misérias. Sócrates é muito melhor que qualquer grupo de humoristas.

Semelhanças e dissemelhanças

Na viragem do século XIX para o século XX espalharam-se pelo mundo ocidental os sindicatos e a luta pelas oito horas de trabalho diário, pelo direito à greve, pela assistência na doença e por férias pagas. Paralelamente ideias como a da liberdade, a igualdade e fraternidade chegavam ao conhecimento de uma maioria que era praticamente espezinhada pelos empresários da altura.
As revoluções começaram em finais do século XVIII e estenderam-se até aos inícios do século XX, com a Revolução Bolchevique a marcar o mundo e a definir fronteiras nos pós-guerras. Pelo meio houve tempo para algumas epidemias, para uma crise bolsista e para um ódio aos judeus que vinha em crescendo desde a segunda metade do século XIX.
Os resultados já sabemos quais foram (ou pelo menos temos uma ideia). E o que está a acontecer agora, que nos torna figurantes? Haverá pontos de contacto?
Porque é que, quanto ao aspecto financeiro, o crash tem origem nos EUA? Porque será que as guerras actuais também têm esse país como protagonista?
A eleição de Obama será o começo de algo novo ou apenas o sinal de que algo está a chegar ao fim?
E na velha Europa o que há de novo? O que está a acontecer na Grécia será mais do mesmo (dos antigos sinais de degradação) ou o alerta de um país que forjou a democracia?
E aqui na velha quinta, porque será que o governo tem de dizer aos bancos onde gastar o dinheiro que lhes dá? Será que Sócrates é o digno sucessor do seminarista professor?

14 dezembro 2008

O beijo do adeus com um pouco de humor


Um jornalista iraquiano arremessou os seus sapatos contra o presidente norte-americano, George W. Bush, que se conseguiu desviar, enquanto o jornalista foi retirado do local por seguranças.
«É o beijo do adeus, espécie de cão» foram as palavras proferidas pelo jornalista antes de atirar os sapatos.
O incidente ocorreu após um encontro entre o presidente norte-americano e o primeiro-ministro iraquiano Nouri al-Maliki.
Bush, que visitou de surpresa o Iraque, conseguiu brincar com a situação afirmando que apenas calçava o número dez, disponibilizando-se, de seguida, para responder às questões dos restantes jornalistas.

Três maneiras de dizer não





Uma visita que pode ser muito útil.

13 dezembro 2008

A crise é fixe

Enquanto os sindicatos e os partidos de esquerda reclamam por apoios a quem trabalha, ou seja, aumentos de salário, as associações patronais batem palmas. O governo rosa é o governo dos patrões e da banca.
As associações empresariais, de empreiteiros e as obras públicas vêem com bons olhos as medidas tomadas pelo Governo para combater a crise. Ou seja, esfregam as mãos de contentamento pelos milhões que lhes vão cair na sopa.
A venda de automóveis de luxo vai aumentar e muito no próximo ano. As agências de viagens também vão sair da crise com um sorriso nos lábios. Os importadores de produtos de luxo também podem sorrir sem ter de disfarçar.
Quanto a quem vive do seu salariozinho, é apertar o cinto. E começar a comprar uma corda que a vida será cada vez mais monástica.
A crise é só para os de sempre. Como sempre.

Jeanne Lorioz 2







Jeanne Lorioz 1








Jeanne Lorioz nasceu em 1954. Estudou na École Supérieure des Arts Appliqués de Paris. E, desde 1992, tem trablhado para várias galerias na France, Alemanha, Hplanda e EUA.
O seu universo gira entre a poesia e o humor, entre a provocação e a delicadeza: com formas sempre rotundas. As suas personagens, mesmo vistas de costas, revelam-se sedutoras e facilmente capturam a simpatia do espectador.

Alphonse Allais (1854-1905)


Charles-Alphonse Allais nasceu e morreu no mês de Outubro, com 51 anos e oito dias de diferença. O seu sentido de humor tingia-se muitas vezes com as cores garridas da fantasia, a que chamaram absurdo. Mas Allais era tudo menos surdo. Dizem que é dele esta frase: «A vida quanto mais vazia é, mais pesa». O que mostra bem como era atento aos ruídos do quotidiano. E àqueles que o tornam caricato, com os seus valorzinhos domésticos e pequeninos. Que é coisa que sempre foi abundante pelos tempos fora.

Parece que nasceu vizinho de Satie (que podem ouvir indo ao histórico deste blogue) e que se encontraram algumas vezes para trocar saúdes!

Leiam este conto de Natal, que fomos buscar aqui (obrigado) e brindem também.

Conto de Natal

Começa a fazer-se tarde. A festa está no melhor. Toda a gentinha está excitada, barulhenta e apaixonada. As moças, esgargaladas, entregavam-se todas. Os olhos começam a cerra-se-lhes e os lábios entreabertos deixam ver húmidos tesouros de púrpura e nácar. Os copos tão depressa se enchem como se esvaziam. Voam as canções, ritmadas pelo tilintar dos copos e as gargalhadas das lindas raparigas.
Mas eis que o velho relógio de sala de jantar interrompe o seu tiquetaque monótono e resmungão para furiosamente se pôr a gemer naquele tom que assume sempre que quer dar horas.
É meia-noite! Soam as doze badaladas, lentas, graves, solenes, com aquele tom de censura próprio dos velhos relógios patriarcais. Parecem querer dizer-nos que já soaram muitas vezes em intenção dos nossos antepassados defuntos e que hão-de tornar a soar para os nossos netos, depois de nós termos desaparecido.
Sabedores disso, a malta fala em surdina, após toda a noite de algazarra, enquanto as raparigas acabam com a risada.
Alberico, o mais doido do grupo, ergue então a taça e proclama com cómica gravidade:
-Meus senhores, é meia-noite! São horas de negarmos a existência de Deus!
Truz, truz, truz! Batem à porta.
- Quem é? Não se espera ninguém e os criados foram dispensados!
Truz, truz, truz! Abre-se a porta e vê-se aparecer a barba prateada de um velho muito alto, vestido com uma comprida túnica branca.
-Quem é o senhor?
-Sou Deus - respondeu o velho com enorme simplicidade.
Semelhante declaração deixou toda a malta um tanto incomodada; mas Alberico, que era mesmo homem de sangue-frio, replicou:
-Espero que isso não o impeça de beber um copo com a gente.
Na sua infinita bondade, Deus aceitou a oferta do rapaz e toda a gente se sentiu de novo à vontade. Recomeçámos a beber, a rir e a cantar. Já a cerúlea madrugada tornava pálidas as estrelas quando começámos a ir cada um para seu lado.
Antes de se despedir da gente, Deus concordou, com a melhor das boas disposições, em como de facto não existia.

As faltas dos deputados explicadas às crianças grandes


«As regras do Parlamento português são conhecidas, foram feitas e são mantidas pelos partidos com assento parlamentar, por maioria de razão pelos dois maiores partidos, PS e PSD. E se há deputados, vários deputados até, que não se respeitam a si próprios e ao mandato que receberam dos eleitores, isso acontece porque tal é permitido pelo sistema de funcionamento dos partidos e do Parlamento. Só pode assim ser visto como um acto de cinismo político que os responsáveis actuais ou anteriores pela direcção dos partidos parlamentares venham criticar deputados que faltam a votações, quando são esses dirigentes partidários que são responsáveis pelo que se passa.

(...)A Constituição mantém princípios, como os expressos no artigo 155.º, em que se lê que "os deputados exercem livremente o seu mandato", ou no artigo 159.º, que afirma que "constituem deveres dos deputados: a) comparecer às reuniões do plenário e às das comissões a que pertençam" e "c) participar nas votações". Mas é por acordo político, feito entre os partidos, que se chegou a regras de funcionamento que permitem que o líder da bancada vote e sejam contados todos os votos do respectivo grupo. Ora, a desresponsabilização do deputado do real exercício do seu mandato é obra dos partidos e das direcções parlamentares, para quem é mais fácil gerir o grupo tendo deputados amorfos que se deixam manietar, sem precisar de estar sequer nas votações.

São estes mesmos partidos que têm brincado, há mais de uma década, às revisões de sistema eleitoral. Num faz-de-conta que não engana ninguém. Anunciando aperfeiçoamentos que melhorem a aproximação entre eleitos e eleitores, mas não passando das promessas. Contratando estudos que usam a academia, mas não passam de engodos ao cidadão. Levando ao descrédito absoluto sobre a verdadeira vontade de mudar o que quer que seja.

(...)os dirigentes partidários e suas clientelas não querem que haja de facto individualização dos candidatos a deputados, porque isso traria deputados mais autónomos e a autonomia dos deputados é a ultima coisa que os partidos querem. É por isso que é profundamente cínico ver os actuais e antigos dirigentes partidários e deputados com responsabilidades sobre o sistema dizerem que querem mudar as regras e vociferar contra deputados faltosos. Quando o que de facto lhes interessa é gente que se sente no hemiciclo, mas que seja absentista, de presença e, sobretudo, de pensamento.»


Artigo de São José Almeida, no Público papel de hoje

O senhor engenheiro não deve ter gostado de ouvir o senhor engenheiro

O senhor engenheiro ilustríssimo e digníssimo primeiro-ministro da nação portuguesa não deve ter gostado das palavras do senhor engenheiro patrão e milionário.
Belmiro de Azevedo defendeu, num seminário realizado no Porto, o congelamento de boa parte dos grandes investimentos previstos pelo Governo em infra-estruturas, como o TGV, sustentando que "quem não tem dinheiro não tem vícios". Disse ainda que a actual situação de crise mundial é "uma oportunidade óptima" para o Governo "se desprender de compromissos" relativamente a muitos dos grandes projectos.
Essencial é a aposta no empreendedorismo e em "actividades económicas-chave" onde o país tem "muito potencial", como a fileira da floresta, do mar, do turismo e da agricultura.
E não deixou de comentar a crise banqueira, considerando que "se caíssem dois ou três bancos, como há overbanking, não se notava". De resto, afirmou, face ao "cartel, muitas vezes escondido", formado pelo sistema bancário, "quanto menos [bancos] melhor".
Fonte: Público

Lua cheia


Há 15 anos que a Lua Cheia não estava tão perto da Terra. São 30 mil quilómetros a menos do que o normal. A lua tem uma órbita elíptica à volta da Terra, por isso não está sempre à mesma distância do planeta. Hoje está só a 363.000 quilómetros, por isso apresenta-se aos nossos olhos 14 por cento maior e 30 por cento mais brilhante. Costuma distanciar cerca de 384.405 Km do nosso planeta.

12 dezembro 2008

O jogo dos números

Diz a senhora Fernanda Câncio que ao ler o que lhe escreveram os professores fica «com a sensação de que os que as escreveram e os que nelas se revêem se acham incrivelmente sacrificados e maltratados, e se encaram como missionários sem par no mundo do trabalho. Esta trapalhada, que não chega a ser um argumento, é o caldo de cultura do conflito que opõe a classe (se se pode falar de uma oposição da classe) ao ministério. Um caldo que ignora factos como o de que a comparação entre o tempo total de trabalho, o ratio professor/aluno e o nível salarial dos professores portugueses com os seus congéneres europeus (e não só) é, de acordo com um recente relatório da OCDE sobre educação (Setembro de 2008), muito favorável.»
Os dados da OCDE não são assim genéricos, embora sejam médias. Portugal aparece no último terço da tabela e não no princípio, como a senhora Câncio sugere. Apenas os professores do 1.º ciclo em topo de carreira (16% do total de professores) auferem um salário acima da média da OCDE, já que para os de outros níveis de ensino a coisa muda: aí estão dentro da média. Já durante a progressão estão abaixo da média e são os que demoram mais tempo a chegar ao topo.

Bettie Page (1923-2008)


Morreu a pin up do século XX. Bettie Page conquistou a atenção dos americanos e do Mundo, com poses sensuais em biquíni e “lingerie”de renda, que deixava transparecer muito corpo. Chocou os costumes cosnservadores da década de 1950.

As poses provocatórias, a pouca roupa e o bambolear das longas pernas ou o sensual banho de espuma fizeram sonhar muitos admiradores (masculinos e femininos).

Só foi modelo durante sete anos. E isso bastou para a tornar num dos ícones do século XX. Bettie Page encarnava a mulher independente do pós-guerra, sendo uma Pin Up subversiva. A ver já aqui em baixo.

Os negociantes puseram fim ao negócio

Aqueles que estavam abertos à negociação deixaram-se de tretas e pela primeira vez foram claros: «"está encerrado" o processo de negociações para este ano lectivo, pelo que o Governo aprovará em breve os diplomas que permitirão a aplicação do modelo este ano de forma simplificada. Jorge Pedreira apelou ainda aos sindicatos para aceitarem a "legitimidade democrática do Governo para governar".»
Contra isto, batatas. A dita legitimidade é... nenhuma. Mas para quem sempre tratou os professores como professorzecos, era tempo de mostrar que nunca estiveram interessados em alterar nada. O propósito sempre foi e continua a ser economicista: impedir que os professores sejam pagos condignamente. Mudar o estatuto e a dita "avaliação" é impossível. Os negócios do governo de Sócrates são outros: defender banqueiros e empresários. Tudo o mais é folclore, é trabalhar para a estatística e para que conste. Fazer de conta que se está preocupado com os cidadãos.
O governo é feito por pessoas e como temos visto um meio de passagem para os lugares onde se ganha dinheiro a sério, acenando com migalhas à populaça, para que pavlovianamente se babe, enquanto se fazem fortunas à custa do erário público.
A miséria do nosso país sempre foi a mesma: uma élite política e económica miserável, sem visão, feita de novos-ricos e de medíocres.

O "grátis" da publicidade




A gente vê o anúncio, faz contas e pensa, sim, uma boa escolha. Quando chega a primeira factura olha-se e afinal há ali um conjunto de parcelas que não estavam nem no anúncio, nem no preçário que se pode consultar no sítio online da empresa.

As mentiras não se ficam por aí. Ciclicamente um dos aparelhos dá problemas e é preciso entrar em contacto telefónico. De atendedor em atendedor somos constrangidos a marcar números, a repetir informações, a gastar dinheiro. Porque essas chamadas demoram imenso tempo e saem caríssimas. Além disso há uma espécie de jogo, em que os atendedores testam a paciência do cliente. Quanto a informações técnicas claras e práticas é melhor nem falar, pois aí o enredo dava para uma telenovela de muitos episódios.

O grátis revela-se, como é da praxe, tão ou mais caro do que o que não é grátis.
A qualidade do serviço deixa sempre a desejar e quanto a "ofertas" de canais, a variedade é confrangedora. Muito do mesmo e pouca variedade.

11 dezembro 2008

O fim das borboletas


Teme-se que as mudanças climáticas provoquem grandes alterações no habitat das espécies. A ordem dos Lepidoptera (borboletas) pode ser das primeiras a reagir. As borboletas da Europa podem ter de fugir para Norte por causa do calor.

Segundo Josef Settele, principal autor do Climatic Risk Atlas of European Butterflies, a maioria das espécies vai ter de alterar radicalmente a sua distribuição. A forma como as borboletas mudam vai indicar a possível resposta de muitos outros insectos, que em conjunto totalizam dois terços de todas as espécies.

As borboletas têm vindo a ser ameaçadas por uma fragmentação progressiva das áreas onde vivem e pela introdução de monoculturas. Se forem obrigadas a fugir do seu habitat, ninguém sabe se conseguirão encontrar novos locais para colonizar, até porque muitas alimentam-se de uma única espécie vegetal.O desaparecimento destes insectos pode ter um grande impacte no ecossistema. As borboletas são importantes na cadeia alimentar, são o alimento de morcegos e de aves e são excelentes polinizadores. Se desaparecerem, a polinização pode diminuir, o que afectará o homem.

Os investigadores projectaram dois cenários. O pior, que conta com uma subida da temperatura média da Europa de 4,1 graus em 2080, prevê que 95 por cento da terra que actualmente está ocupada por 70 borboletas diferentes vai tornar -se demasiado quente para estas espécies. O cenário menos radical, com uma subida da temperatura de 2,4 graus, prevê que metade das áreas onde vivem 147 espécies de borboletas vai ficar inabitável.


Fonte: Público

Roubo e parábola


Um homem sem sucesso, este que saiu da cadeia há dias e foi detido a assaltar multibanco. Quiçá um apoiante incondicional das socráticas e marianas teses. Porque para ele as coisas são o que são e um homem tem sempre direitos (deveres não). A escola ensinou-lhe que o esforço era inútil, ao ser compensado em nome do sucesso estatístico. Ensinou-he também que "os lá cima" (os gajos que mandam) se estão nas tintas para pessoas como ele. Mas nem por isso deixam de facilitar os esquemas. De resto, aprendeu que mesmo errado, um homem deve defender os seus pontos de vista, pois isso é sinal de coragem.

10 dezembro 2008

Seis décadas de Direitos Humanos


Faz hoje 60 anos que a ONU aprovava a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Trinta artigos. Celebramos a efeméride transcrevendo alguns dos artigos:


Artigo 18°
Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.

Artigo 19°
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.

Artigo 23°
Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego.
Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.
Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social.
Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses.
Artigo 24°
Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e as férias periódicas pagas.
Artigo 25°
Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.
A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozam da mesma protecção social.
Artigo 26°
Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional dever ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito.
A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos humanos e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das actividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.
Aos pais pertence a prioridade do direito de escholher o género de educação a dar aos filhos.
Artigo 27°
Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam.
Todos têm direito à protecção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria.

Bué de fixe

O mundo está cheio de notícias lindas, bué de lindas. Por um lado é um decano da política portuguesa, homem de muitas caras mas apenas conhecido por Bochechas que fala em... coragem, quando já todos sabemos que é apenas teimosia. Mas no léxico dos decanos as coisas confundem-se (a política é a linguagem dos compromissos e das dependências) e muitos anos de toxicidade dão nisso.
Por outro lado, temos a neófita Lina Mendes que ainda tem mais córagem do que a outra Maria, pois foi capaz de mudar um ítem do enfatuado negócio burocrático a que chamam avaliação e não ter nem da parte da oposição nem dos sindicatos regionais uma resposta capaz. A política é a técnica dos acordos e quem os tem presos cala-se muito bem caladinho, pois as represálias podem ser dolorosas.
E assim vai o mundo dos negócios educativos em Portugal. Que, espera-se, venha a ser alvo de estudos sociológicos pelas futuras gerações. Por ora, umas boas gargalhadas são a melhor resposta. Já que disparates mais disparatados não há.

09 dezembro 2008

O extraordinário país de Sócrates

Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados hoje, o saldo da balança comercial atingiu um valor negativo de 5,776 mil milhões de euros contra os 4,869 mil milhões de euros do terceiro trimestre de 2007.
As importações cresceram 9,6 por cento.
Fantástico. Palmas para Sócrates.

Rai's parta a crise


Transcrevemos do CM: «Nos primeiros seis meses do ano, antes dos efeitos da crise se fazerem sentir de forma severa, os bancos a operar em Portugal lucraram 1,075 mil milhões de euros, de acordo com o boletim da Associação Portuguesa de Bancos. De Janeiro a Junho as instituições ganharam 5,9 milhões de euros por dia.

(...) A Banca nacional aumentou em mais de dois terços as provisões: em Junho do ano passado o valor era de 673 milhões de euros; um ano depois, a verba já ultrapassou os 1,1 mil milhões de euros.
Em resultado da escalada dos juros, também a margem financeira subiu cinco por cento, o equivalente a 139,7 milhões de euros. Já o valor cobrado aos clientes em comissões e serviços subiu 14 por cento, o equivalente a 146,5 milhões de acréscimo neste tipo de receitas.»

Dependências


Há quem precise de álcool para viver. Há quem esteja dependente da heroína ou cocaína ou crack ou afins. Sócrates é viciado em sondagens. O que diz a última sondagem vinda a público? Que Sócrates é o maior. Vai daí o homem mais bem vestido da Europa passou ao ataque. O próprio governo já reconheceu a cagada, mas Sócrates nem sequer olha para as latrinas, aquilo é só de Chanel para cima.

Estar viciado em sondagens tem dessas coisas. E já agora, os nossos parabéns à toilette com que o sr. José Pinto de Sousa aparece no boneco: sem aquelas gravatinhas fica muito mais moderno. Que se há coisa que queira parecer é isso mesmo: moderno.

Depois, atente-se no modo como a notícia aparece: Sua Exa fala aos deputados e a noticiazinha aparece nos jornais pouco depois (o jornal que trouxe a sondagem, também trazia uma entrevista com um especialista nestes negócios que são as notícias). A força do camarada Sócrates faz-se assim de pequenas aparições. Eu já decidi o meu voto: é no partido da rosinha. Gosto muito de meias de liga em tons róseos, cheiram a desinfectante barato... e se há coisa que caracterize o negócio suçalista é esse: fazer de conta, vender a fantasia e pôr aquele ar arrependido de capuchinho cor-de-rosa.

Blogolândia


O blogue "Voo - BPF" é feito por alunos de Vila do Conde, sob orientação de uma professora de Português. Mas não só. O "Voo - BPF" serve também de depósito on-line para os inúmeros trabalhos feitos pelos estudantes da secção portuguesa do Liceu Internacional Saint Germain-en-Laye, em França, e das escolas de Nova Bassano e da Barra do Paraí, no Brasil.

O blogue acaba de receber o terceiro prémio mundial da Microsoft "Educadores Inovadores". O projecto já tinha sido distinguido com o Prémio "Educadores Inovadores", da Microsoft Brasil e vencera a final regional da América Latina. Na Grande Final Mundial da Microsoft, realizada em Hong Kong, conquistou o terceiro lugar.

Grande Oliveira


Manoel de Oliveira tem 100 anos e conserva uma lucidez de fazer inveja a quase todos.

Rui Rio, o presidente da câmara municipal do Porto, queria colher manteiga, aparecendo no retrato ao lado do cineasta. Mas Oliveira disse que não. Recusou a distinção da entrega das chaves da cidade, por considerá-la "um aproveitamento de ocasião" vindo de uma instituição com quem tem tido algumas más experiências.

Disse que soube da proposta da autarquia pelos jornais, e deixou uma resposta clara, também através da imprensa. "Não vou receber coisa nenhuma. Nunca fui consultado para tal. Já tenho recebido tantas ofensas e provocações através do jornal".

Rui Rio, como é do conhecimento público, tudo tem feito para diminuir a vida cultural do Porto. Este oportunismo é típico de figuras como ele. Nada contribuem mas estão sempre à espera de colher louros.

A criação


Nós a pensar que nascer era algo único e afinal não é. Se não acredita, basta clicar sobre a imagem e durante uns minutinhos ver como nasce uma mulher.

O negócio multimilionário dos medicamentos e as suas guerras


A indústria farmacêutica em Portugal preocupa-se demais com a saúde dos portugueses. Tanto que nem quer ouvir falar em genéricos.

A indústria farmacêutica é muita amiga da gente. Os medicamentos em Portugal são baratíssimos, dos mais baratos da Europa. Para quê genéricos?

As margens de lucro das empresas farmacêuticas é mínima. Pobrezinhas. Deviam era aumentar o preço aos remédios.

Como é que essas empresas impedem que os genéricos sejam distribuídos pelo mercado? É muito simples: usam os tribunais portugueses.

O processo de entrada de um genérico implica duas etapas: primeiro é pedida uma autorização de introdução no mercado (AIM) ao Infarmed (que depende do Ministério da Saúde). Depois, é pedida a definição do preço à DGAE (dependente do Ministério da Economia e da Inovação). O que tem sucedido é que, mal o Infarmed concede as AIM, os laboratórios interpõem providências cautelares. E os genéricos não chegam ao mercado porque a DGAE fica a aguardar a decisão dos tribunais.

08 dezembro 2008

A esperança ao poder


A esperança tem rosto. Podia ser uma qualquer Esperanza, mas é apenas uma Alves, Laurinda. Mulher enérgica e cheia de ideias, combativa e que muito tem lutado em prol de um país melhor. Todos conhecemos a acção de Alves, Laurinda. Ela já foi... directora da revista Xis, uma das mais inspiradoras que o país teve. Ainda hoje se fazem teses de douramento pela influência dessa prestigiosa revista. Mas não só. Alves, Laurinda sucedeu a Isabel (a nova grande romancista) à frente do barco (ou seria da nau) da Pais & Filhos, outra revista fulcral no nosso país. E finalmente, Alves, Laurinda é colunista do... Público. E como todos os portugueses sabem, ser colunista no Público é sinal de que se é um génio nacional.
Ora essa mulher, cujo currículum é inspirador para todas as figuras da jet saloice aparece como a grande arma do partido que tem a esperança no nome, o MEP.
Porquê? Porque lhe "fizeram um desafio". Ter-lhe-ão dedicado alguma partida de badminton? Ou seria de swing? Não sabemos. Apenas que Alves, Laurinda aceitou comprometer-se, implicar-se e arriscar. Fê-lo depois de... ter aceitado "ponderar", que se há coisa que alguém faz antes de aceitar ser candidato pelo MEP é ponderar. Ou será que apenas ponderou o desafio que lhe fizeram?
Valerá a pena dizer que desafios desses não se fazem, lançam-se? Coisa de somenos.
Portugal é um país doce. Tão querido, tão Lili Caneças ou tão tardes da Júlia. Portugal Portugal Portugal!

Paisagem do dia


Foto de João Rodrigues

CIA, Vaticano e Wikipédia


Uma nova ferramenta da Wikipédia pôs a nu que a CIA, o Vaticano, o Partido Democrata e entidades comerciais editaram entradas da mais popular enciclopédia on line para defender interesses particulares ou para escamotear ou alterar informação.

A nova ferramenta, desenvolvida por investigadores norte-americanos, permite revelar o endereço IP dos computadores onde são editadas as entradas e assim descobrir a identidade das organizações que o fazem.

Da CIA espera-se tudo, mais não seja por cultura cinematográfica. DE outras agências americanas de informação, que investigam e vasculham a nte, também. Já quanto ao Vaticano e ao Partido Democrata não se esperava que fizessem o mesmo. Mas o tempo é mesmo assim. Mostrando que crenças, nos tempos que correm, só mesmo para os ingénuos. De resto, é o salve-se quem puder. A mentira faz parte do quotidiano, para não dizer que é soberana.
[Fonte: El País]

Porcos e porcarias


Beira interior e Alentejo têm óptimas condições para produzir gado suíno (até espécies com características que as tornam mais procuradas). No entanto, somos importadores de carne. De acordo com o Anuário Pecuário de 2006/2007, Portugal importou em 2005, da Irlanda, cerca de 690 toneladas de carne de suínos (fresca, refrigerada ou congelada). Isto para não falar da que importa de Espanha, que fornece o grosso da carne importada que os portugueses consomem (94 por cento das 142 mil toneladas que no ano passado entraram no país provenientes do estrangeiro).

O primeiro-ministro que, em tempos, foi o responsável pelo ambiente (assunto que lhe deu visibilidade num partido pouco ou nada vocacionado para o assunto) não protege os criadores de gado nacionais? Não os estimula a produzir suínos?

Estas notícias são não só deprimentes como põem a nu as fragilidades de um país que há muito tem vindo a destruir o sector primário. Por falta de visão? Por falta de votos?

Num tempo de crise não seria de repensar a política portuguesa no que respeita à agricultura e à criação de gado?

07 dezembro 2008

Novalis e Gaston Bachelard




«Vivemos ainda do fruto de melhores épocas.» (in Fragmentos)

«O homem mais sensível, mais domesticado pela vida, sonha, em certos momentos, tornar-se indomável. Respeita, admira e ama a força que lhe lança um desafio.» (in Lautréamont)

Tomás de Figueiredo (1902-1970) e Pessoa


«Quem mais não pode, que há-de fazer, que há-de? Lê, vinga-se a ler. E, lendo, imagina. Imaginando, vê. Um homem de imaginação nem a vida o cega.» (in Dicionário Falado)

«Descobri que a leitura é uma forma servil de sonhar. Se tenho de sonhar, porque não sonhar os meus próprios sonhos?» (in Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação)

António Alçada Baptista (1927-2008)


Morreu hoje António Alçada Baptista. Nascera em 1927, a 29 de Janeiro, na Covilhã. Licenciou-se em Direito, esteve ligado ao jornalismo e à edição.

Em 1971 publica o seu primeiro livro de reflexões Peregrinação Interior I. Peregrinação Interior II, seria publicado em 1982.

Seguiram-se O Tempo Nas Palavras (1973), e Conversas Com Marcello Caetano; Os Nós e os Laços (1985); Catarina ou o Sabor da Maçã (1988); Tia Suzana, Meu Amor (1989); O Riso de Deus (1994); A Pesca à Linha - Algumas Memórias (1998), um livro que se assume como uma obra de memórias, recordações, lucidez e ironia, e à qual não é alheio o profundo sentido afectivo que caracteriza a escrita deste autor e A Cor dos Dias (2003).

Frank Zappa - Willie The Pimp

Frank Zappa - Bobby Brown

Frank Zappa - Don't Eat The Yellow Snow

Frank Zappa - Watermelon in easter hay

Stendhal e María Zambrano


«A velhice não é mais que a privação da loucura, a ausência de ilusão e de paixão.» (in Lucien Leuwen)

«As verdades têm os seus precursores que pagaram em alguma prisão de esquecimento o delito de terem visto de longe.» (in A metáfora do coração)

06 dezembro 2008

ESTADO DA EDUCAÇÃO EM PORTUGAL



AO QUE CHEGAMOS...!?!?!...

Sócrates o mais bem vestido mas a farda não faz o monge


Deputados que faltam às votações deram uma má imagem do partido da oposição que pretende suceder ao PS no governo da nação. E a famigerada porcaria da avaliação dos professores voltou a assunto do dia.

Sócrates aproveitou a asneirada para obrigar o ME (Mistério da Educação) a um recuo. E o ME já veio dar o dito por não dito. Nada que não se estivesse à espera, para quem deixou há muito de depositar confiança numa equipa sem ideias nem espinha dorsal (confundir autoritarismo com exercício de poder é confundir plástico com comida a sério).

O folhetim continua. E se na tal reunião de dia 15 o ME não souber recuar, os portugueses vão continuar a ser massacrados com o blá-blá de uma gente que devia ir trabalhar em algo útil, por exemplo num desses bancos a que o governo PS dá dinheiro (CGD, BCP, BPN, BPP). Aí sim, poderiam ser muito úteis a vender ao povo a ideia de que o dinheiro dos contribuintes deve ser usado para sustentar as fortunas de Balsemão e amigos. Porque é gente capaz de dar a cara e fincar os pés por aquilo em que ninguém acredita ou quer.

Stand by

Há algo em todo este processo que cheira mal. O ministério quer a todo o custo salvar a face, embora há muito se tenha percebido que não tem face, apenas lados de uma grotesca máscara. Negociar assim é muito complicado. Mas vamos acreditar no Menino Jesus, mais não seja por estarmos na quadra dele. No entanto, conservemos a desconfiança. O ministério quer evitar formas de luta que mexam com a avaliação dos alunos. E atrasar o processo com mais algumas manobras de diversão. Já todos sabemos que a especialidade da ministra e dos secretários de Estado reside no jogo do faz de conta.
No mesmo dia em que a plataforma desconvoca greves, o ministério vem com mais jogo sujo. A data da reunião é estupenda. Dar-lhe-á mais uns dias de espaço. Depois são as férias de Natal dos alunos. Contas feitas, um mês para apurar novas técnicas de guerrilha institucional - porque se há alguém que tem feito guerra suja é a ministra. A sua formação gauche deixa-a à vontade para usar os estratagemas mais ínvios.
Entretanto nos Açores, os sindicatos ou porque estão comprometidos ou porque não possuem habilidade negocial são exemplarmente manobrados pela nova titular da Secretraria da Educação e nem tugem nem mugem. Lindos meninos.

Erik Satie - Gnossienne Nº 2

Erik Satie - Gnossienne Nº 5

Erik Satie - Gymnopédie Nº 2

Erik Satie - Gymnopédie Nº 3

Erik Satie - Gymnopédie Nº 1

Erik Satie - Gnossienne Nº 3

Erik Satie - Gnossienne Nº 4

Erik Satie - Gnossiennes Nº 1

Agustina e Manoel de Oliveira por Ana Marques Gastão




«Não será por acaso que Manoel de Oliveira vai beber à criação romanesca de Agustina Bessa-Luís, digamos que de forma algo obsessiva, sendo sete ao todo os filmes em que na ficha técnica a escritora de Sibila surge como autora da obra adaptada ou dos diálogos. Francisca (1981); Vale Abraão (1993); O Convento (1985); Party (1996); Inquietude (1998); O Princípio da Incerteza (2000) e Espelho Mágico (2005) demonstram-no.
E porquê? Talvez porque Agustina seja uma criadora de grandes enredos, que recupera a tradição da grande ficção portuguesa do séc. XIX e, de algum modo, a dimensão camiliana. (...)
Se algo se adapta à rodagem cinematográfica na sua obra é, sem dúvida, a ideia de que a narrativa dir-se-ia apenas um dos eixos do romance de Agustina. Talvez essa marginalidade agrade a Oliveira pela sua não menor tendência divagante, já que a romancista se detém em descrições obsessivas e, por meio das suas personagens, transmite, exemplarmente, uma carga de mistério e de realidade própria da sua cosmogonia.

É esse mesmo mistério, o do ser humano, do nascimento, da morte, de Deus, da natureza - nos elementos mais ínfimos ou grandiosos -, que atrai, decerto, Oliveira, bem como o sentimento da terra enquanto "infinito espiritual". São as figuras que Agustina tão bem desenha, habitadas pela fúria, arrastadas além de si próprias, que ambos os criadores delineiam com a mão firme.

A memória, essa, é a chave da criação. O despertar da natureza humana Oliveira arranca-o aos textos de Agustina, a partir da violência das sensações vindas do interior, na lentidão do movimento, numa certa harmonia trágica em que romancista e cineasta interagem. Mas será no contrato humano que as obras melhor se entrelaçam, no trato do desejo, da cobiça e do amor.

A desordem do pensamento da escritora - reconhecida, aliás, por ela própria -, a sua forma caótica de se estender, torna a "vertigem do incomunicável" em Oliveira ainda mais abissal, pois o aforismo invade os romances em detrimento dos diálogos. Na sua impossibilidade de conclusão, texto e imagem reafirmam-se no silêncio que se ergue como uma catedral e nos faz reflectir sobre o tempo e a eternidade.»
in DN