23 novembro 2008

Does the Royal Family like Poornography?, de Jasper Joffe





A galeria Sartorial Contemporary, em pleno centro de Londres, acolhe desde 18 de Novembro quadros de membros da família real britânica lado a lado com outros do mesmo artista que mostram cenas de sexo oral e anal.

A exposição de Jasper Joffe leva o título de Does the Royal Family like Poornography?. Das dezoito telas de grande formato, oito retratam membros da família real nas poses a que já estamos habituados, embora as cores sejam acrílicos puros. Os restantes são cenas de sexo.

Diz o artista, «A família real é constantemente fotografada tal como se fotografam os modelos pornográficos, com a diferença de que aparece vestida.» E acrescenta, «Não creio que tenha faltado ao respeito. A família real e a pornografia existem. A única coisa que fiz foi juntá-las. Estou certo de que o príncipe Filipe já viu pornografia, pois serviu na Marinha Real».
Outros quadros de Jasper Joffe podem ser vistos aqui.

Monty Python e a pirataria


Os Monty Python assitiram durante anos à pirataria de que eram alvo os seus sketches humorísticos. Resolveram, por isso, criar eles próprios um canal no YouTube.

Dizem, aos piratas, «sabemos quem sois, sabemos onde viveis e podíamos perseguir-vos de maneiras tão horríveis que nem dizemos. Mas tendo em conta que somos uns tipos extraordinariamente porreiros, encontrámos a melhor maneira de recuperar o que é nosso: criámos o nosso próprio canal no YouTube.»

O governo por VPV


Vasco Pulido Valente diz, na última página do Público de hoje: «Uma pessoa abre o jornal ou liga a televisão e revê, pasmado, a velha propaganda antidemocrática de 1930. Umas vezes, subtil; outras vezes, muito taxativa e franca. Umas vezes, melancólica, outras vezes, quase triunfante. A miséria geral e perspectiva de uma miséria maior, a fraqueza do regime e uma irritação crescente anunciam o caos.»

22 novembro 2008

Paisagem do dia


Foto de João Rodrigues

A esquizóide cruzada de Maria de Lurdes Rodrigues

Os artigos de opinião de São José Almeida, jornalista do Público, são sempre lidos aqui na casa do Pisca. Há neles um olhar fresco, capaz de detectar pontos que ficam obscurecidos entre a propaganda e o frenesim das agências noticiosas.
Excertos do de hoje: «Durante mais de três anos Maria de Lurdes Rodrigues, com absoluto apoio de José Sócrates, foi esticando a corda, forçando a pressão sobre os professores. Sempre com uma táctica de afronta directa. Sempre insistindo na demagogia de que o mau funcionamento da escola era responsabilidade dos professores. Sempre assumindo um tom de insulto de quem considera que os professores são pessoas mal formadas, que estão de má-fé nas escolas, que escolheram ou aceitaram leccionar apenas para fazerem uma carreira fácil (?), relativamente bem remunerada (?) e que permite estar de papo para o ar (?), gozando a vida.
Quando é sabido que o Ministério da Educação é uma mastodôntica estrutura de poder que envia directivas em cascata para as escolas. Quando é sabido que nada se passa numa escola sem que haja autorização, ordens, licença da 5 de Outubro ou da 24 de Julho. Quando é sabido que o Ministério da Educação é uma espécie de Titanic à beira de se afundar, ingovernável e cheio de pequenos poderes autoritários e de tiranetes patéticos, como já afirmei aqui (PÚBLICO 17/06/2006). Maria de Lurdes Rodrigues achou que podia atirar-se aos professores, como se eles fossem a origem de tudo o que corre mal no mundo da educação, como se fossem bandidos, que é preciso admoestar.
Ou seja, Maria de Lurdes Rodrigues elegeu os professores como bodes expiatórios de um sistema de ensino, apontando-os como uma cambada de preguiçosos e calões, aproveitadores dos dinheiros públicos e que se estão nas tintas para os alunos. E assumiu-se a si como a salvadora do sistema, que ia moralizar a classe docente, impor regras, acabar com a balda da escola pública. Ora, ao fim de três anos, a esquizóide cruzada de Maria de Lurdes Rodrigues resultou naquilo que era previsível. Os professores fartaram-se de ser insultados, fartaram-se de ser tratados como párias. E Maria de Lurdes Rodrigues bateu contra a parede.»
(...)
«É pena que Maria de Lurdes Rodrigues dê o dito por não dito e vá abastardando o seu modelo de avaliação, que garantia perfeito, com pequenas alterações tácticas, que não resolvem nada do problema de fundo, só mostram a sua incapacidade para o lugar que ocupa. É pena que o Governo não perceba que não se governa satisfazendo as reivindicações da rua, mas também não se pode governar ignorando o pulsar da rua. É pena que o PS tenha esquecido que é Governo.»
(...)
«Quanto à reforma de José Socrátes e do PS para a educação: qual era mesmo o objectivo? Melhorar a escola pública? Era?»

Pranto pela cidade do Porto


Foi, no século XIX, uma cidade rica em peripécias, em vida, em história e cultura. A pouco e pouco foi perdendo importância, para uma Lisboa cada vez mais centralista. Hoje é uma cidade quase morta.

Gaia e Matosinhos recolheram os centros comerciais, e a cidade para a qual foram feitas muitas promessas (a última teve o nome de Porto 2001) está a perder gente, vida, dinamismo. O actual presidente da câmara, bem como os antecessores, nada fizeram para revitalizar a cidade. As obras da Porto 2001 complicaram a vida à população e aos turistas e muitos deixaram de lá pôr os pés. O comércio foi-se ressentindo. Junte-se ao caldo azedo a migração da população jovem para as periferias ou para outros países e tem-se uma cidade que necessita urgentemente de captar população para o seu interior. Há centenas, senão milhares de casas devolutas. Há gente que gostaria de viver no centro da cidade, mas não pode, quer pelo preço, quer por falta de estacionamento. A vida cultural da cidade esmoreceu. Os cinemas fecharam portas. Os teatros ficaram sem dinheiro, pois para Rui Rio tudo o que não corresponda ao seu gosto de iletrado não serve.

Os comerciantes parece que acordaram agora. Agora que se aproximam as movimentações para as eleições autárquicas. Ainda bem. Já vá vai sendo tempo de o Porto debater a sua situação.

Mulher bate no homem. Homem bate na mulher


Gosto muito de ti, pás, pás! Oh, como gosto de ti, pof, pof! À estalada e ao pontapé nos entendemos.
Ela lembra-se sempre que começamos a namorar há cinco meses e a primeira bofetada foi três dias depois. Ai como eu gosto dela.
Este será o tipo mais recorrente de violência física. Ele bate nela. Mas também há o inverso: ela bate nele.
E o que parece caricato, para não dizer absurdo, é o pão nosso de cada dia. Às vezes, o fim é trágico. Senão, veja-se: Cátia discutiu com o namorado, X. Aquilo foi um filme pegado. Na noite de quarta-feira terá ido a uma festa com o namorado e um grupo de amigos, nas redondezas. No final, por volta das 05.00, pararam numa bomba de gasolina. Cátia estava furiosa. Alguém a viu pontapear o Mercedes do namorado, aos gritos. A certa altura, terá agredido o jovem com uma cabeçada, partindo-lhe um dente. Entre discussões e agressões, o namorado decidiu ir para a viatura. Quando arrancava, Cátia lançou-se para o interior através da janela do condutor. Não se sabe o que se passou dentro do carro. Apenas que mais adiante o carro parou e Cátia saiu. O carro deu a volta para voltar ao posto de gasolina. Cátia atravessou a estrada para ir atrás dele, em direcção ao parque de uma bomba de gasolina, e nesse instante foi colhida por uma carrinha de uma empresa de panificação. Teve morte imediata. O acidente deu-se por volta das 05.30 em Vale Figueira, S. João da Talha, Loures. [in DN]

21 novembro 2008

A cores e a preto e branco


São fotos, senhor. Dois milhões de fotografias da Life, essa revista que durante gerações entreteve o mundo. Totalmente grátis. Muitas das fotos agora disponíveis nunca foram publicadas. As mais antigas remontam a 1860.

Uma parceria Google e Life que dá isto. Mark, Twain, Picasso, Marilyn Monroe, Neil Armstrong. Comboios, aviões, As duas grandes guerras e outros momentos bélicos que marcaram o século XX. A crise de 1929 e as consequências. Missões espaciais norte-americanas. E mais.

A Life saiu para a rua no ano de 1883 e morreu há dois anos.

Europeana, a biblioteca digital da UE


Mais de dois milhões de obras dos 27 Estados-membros da União Europeia num sítio: Europeana. Infelizmente, começou hoje e já está indisponível. Excesso de visitas. Pode ficar com uma ideia indo a outra ligação: aqui.

Acessível, em todas as línguas da UE, a biblioteca multimédia europeia conta com material fornecido por mais de 1000 organizações culturais de toda a Europa, incluindo Museus, como o Louvre de Paris, que forneceram digitalizações de quadros e objectos das suas colecções. Ali se podem consultar livros, mapas, gravações, fotografias, documentos de arquivo, pinturas e filmes do acervo das bibliotecas nacionais e instituições culturais dos 27 Estados-Membros da UE.

Diálogo... de surdos


Dar-se-á o caso de o Governo ter um problema do foro otorrinolaringológico? É que depois de tanto diálogo, depois de tanta reunião ainda não percebeu o que já todos perceberam: que a dita avaliação não avalia nada, pois não passa de devaneio burocrático de um governo de faz de conta.

Educar é uma ciência e uma arte. Arte porque não tem regras fixas, ou seja, cada caso é um caso, cada circunstância é única. Ciência porque tem método, levanta problemas, coloca hipóteses, procura soluções.

Para o governo é uma religião. Ele diz como é (Sócrates é um iluminado e Maria de Lurdes a discípula que segue o mestre) e todos fazem como ele diz.

Curiosamente, o governo apenas diz que a avalição é assim e ponto. Porquê? Porque procura a qualidade do ensino? Não. Se fosse esse o caso saberia que leis fazer. Trata-se tão-só de poupar em salários. Repetimos: poupar em salários. O resto é para inglês ver.

Um governo para agir precisa de ter um programa de acção. Como é do domínio público, este governo deitou o programa que tinha no caixote do lixo e governa ao sabor de interesses e de momentos.

Não tem uma ideia que seja para a educação. Sublinhamos: uma ideia. Nada! A acção do governo, como a de antecessores, limita-se a atrapalhar a vida das escolas com despachos e decretos-lei. E sempre com o olho posto nas estatísticas internacionais, porque os governantes têm ambições, sonham com tachos mais atractivos em países onde se ganha muito mais do que em Portugal.

Já houve debates na sociedade civil por causa do eduquês. Que fez o governo? "Dialogou", ou seja, fez ouvidos de mercador, ignorou pontos de vista e opções. Persistiu no que já tinha. Porque assim é mais fácil, atira-se com a culpa para o lado mais fraco: os professores.

Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues desprezam os professores. Porque... ganham pouco e têm fraca representatividade social, embora tenham nas mãos mais de um milhão de alunos. Desprezam-nos porque os professores nunca fizeram uso desse poder. NUNCA!

Nem agora.

Os professores limitam-se a ter bom senso e a fazer o que podem para que o maior número de alunos alcance bons resultados, para que progridam, para que sejam cidadãos activos. O seu papel é diminuto. As escolas são sempre o reflexo do que as rodeia: política, económica, social e culturalmente. E seja em que domínio for, o país é débil. A classe política é medíocre (o governo aí está para o provar). A maioria dos portugueses têm salários de países de terceiro mundo, para que meia dúzia possa ganhar o que os congéneres dos países ricos não ganham (apenas nos referimos a salários pagos pelo erário público). A sociedade continua a reger-se por valores onde a cunha, a pequena vigarice e a pequena corrupção são sinónimos de sobrevivência. A cultura é o somatório disso tudo.

Que fez o governo, este governo, para mudar isso? Nada. Prometeu muito, mas sempre que o assunto toca nos grandes interesses, cala-se muito bem caladinho e faz de conta que faz (preço dos medicamentos, impostos, benesses de gestores, prazos e custos de obras públicas, acordos com empresas, etc.).

Isto da educação é um circo que lhe dá jeito, embora a conjuntura nem por um momento dê sinal de lhe facilitar a vida. A crise já fez estragos (BPN e o mais que aí está a pôr o nariz de fora), o desemprego aumenta, o consumo baixa, os salários e pensões não sobem...

O que se pedia era que ao menos revelassem inteligência e percebessem que abrir mão da avaliação era um sinal para negociar de outra maneira. Mas não, queimam cartuchos e habilidades para mostrar que não cedem. Não cedem? É só darem-se ao trabalho de ver os anúncios feitos por Sócrates com pompa e circunstância e ver onde param os resultados. Apenas isso.

A Ministra do Simplex

Primeiro enriça (complica). E teima que é assim. Depois vai a cem e tira três para dizer ao mundo que simplificou. Para que a máquina de propaganda do governo passe para a opinião pública a ideia de que a ministra está a facilitar o diálogo.
Talvez seja a proximidade da quadra natalícia. E Maria de Lurdes Rodrigues acredite no Pai Natal e deseje que o país também acredite nisso - afinal somos um dos países que mais gasta no euromilhões.
De resto, na prática continua tudo igual. E à enésima entrevista a nação já sabe quem é MRL, o que pensa, o que diz querer. Aquilo parece uma velha cassete riscada: dá sempre a mesma música e encrava. Ainda hoje ou amanhã assistiremos a mais um choradinho da senhora ministra, sempre tão aberta ao diálogo. Ela fala os outros dizem amém. Caso contrário ela chora e diz que passa muito tempo a dialogar.
Talvez Sócrates, tecnológico como é, deva oferecer aos seus ministros um ipod como prenda de Natal. Pelo menos à sua estimada Ministra da Redução Salarial - que outra coisa não pretende.

20 novembro 2008

Copérnico (1473-1543)




Reconstrução do rosto a partir do cránio encontrado em 2005
e o seu retrato mais conhecido


Quem era? O que fez? Eu, confesso, não faço ideia. Podem ajudar-me?

Pergunto isto porque descobriram na Polónia uns restos de alguém que dizem ser Nicolau Copérnico, um herege que ousou dizer (credo, cruzes, canhoto) que o Sol não andava à volta da Terra.

Parece que é dele a seguinte frase: "O que é na verdade mais belo do que o céu, que, certamente, contém todos os atributos da beleza? Isto é proclamado pelos seus verdadeiros nomes, caelum e mundus, este último significando clareza e ornamento, como a escultura antiga."

Uma ajudinha, por favor? Quem foi?

Dizem que receava os militantes da ignorância, sempre prontos a incinerar cientistas ou vegetais. Dizem ainda que para ele a ciência devia circular apenas entre os iniciados e os amigos. Já que era a água pura que, se derramada no chão onde imperavam os brutos, se tornava lama.

Seria um poeta?



A guerra dos números, à pressa

O Ministério usa as armas que pode. Faz o que fazem todos quanto têm de gerir: tentar levar a água ao seu moinho.
Avaliemos os procedimentos. Um e-mail da Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação (DGRHE), em que se convida os docentes a apresentar os seus objectivos individuais através de uma ferramenta informática criada para tal. Poupa-se papel, logo é ecologicamente bom.
Para que se faz isto? Para que que o processo arranque e o ME disponha dos dados. De resto, garante que "não há nada de ilegal" na possibilidade de os professores preencherem os seus objectivos individuais, um dos primeiros passos do processo de avaliação, numa aplicação electrónica disponível no sítio na Internet da Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação.
A definição de objectivos deixa de ser discutida de forma directa entre avaliado e avaliador. Algo que só devia acontecer, nos termos da legislação em vigor, em entrevista do professor com o seu avaliador, devendo ficar arquivado na escola, no processo respectivo.
Assim, o ME salta por cima da lei e diz que não é ilegal. Insuficiente.
Os professores e educadores sabem que não existe qualquer obrigatoriedade legal de prazo para a entrega dos tais objectivos. Mas nem todos os professores sabem isso e habituados que estão a fazer o que o ME ordena, podem cair na esparrela. Este modo de entender a coisa com armadilhas é pouco dignificante e mostra que o ME não olha a meios para alcançar objectivos. Logo, os professores devem responder na mesma moeda, lutando pelos seus. Se assim for o ME mais uma vez sai derrotado. Mais um insuficiente.
Em resumo: não aprovado.
O governo começa a temer tanta reprovação e... (cenas daos próximos capítulos mais logo).

Educar para a independência

Diz Pedro Lomba na sua crónica do DN: «Só podemos fazer coisas se soubermos primeiro aquilo que existe. Nem sempre sabemos porque obter informação implica custos e é um processo naturalmente desigual. O nosso "conhecimento" depende dos meios que frequentamos, das pessoas que conhecemos ou do que lemos. Além disso, a responsabilidade pessoal não é a virtude mais bem distribuída do mundo, porque supõe uma vontade de fazer escolhas próprias e correr riscos por isso. A sociedade portuguesa já é hostil à concorrência. O espaço é pequeno, os recursos escassos e toda a gente vive no pânico de perder o que já tem. Essa é uma constatação generalizável a quase tudo, até mesmo a "benefícios" que o "sistema" proporciona sem qualquer espécie de justificação. As pessoas que sabiam que a Câmara de Lisboa distribuía casas de graça estavam em óbvia vantagem sobre quaisquer outros potenciais "interessados" e assim se queriam manter.
O mundo de hoje é aberto e o que não existe "cá dentro" pode-se sempre tentar descobrir "lá fora". Os portugueses precisam de interiorizar toda uma nova cultura "internacionalizada" que lhes permita usar tudo o que para aí há de oportunidades e que nem sempre conhecem. O Estado tem aqui uma função imprescindível: garantir por todos os meios que a informação está disponível para todos. A isto chama-se educar para a independência.»

Grande, robotizada, fechada


Falamos da Livraria Byblos, localizada num edifício nas Amoreiras (Lisboa), com 150 mil títulos, uma área de 3.300 metros quadrados e um sofisticado sistema de identificação por radiofrequência.

A Byblos é uma empresa de Américo Areal, que vendera a editora ASA a Miguel Pais do Amaral e anunciara a entrada no negócio de livraria com pompa e circunstância. Inaugurada em Dezembro de 2007, a Byblos não chega sequer a ter um ano de vida. Fechou.

Dívidas a fornecedores e outros problemas de tesouraria ditaram a sorte da megaloja.

Areal esperava facturar 10 milhões por ano. Pelos vistos não chegou lá.
Porque se investe tanto em tipos de livrarias que já existem?

Grátis? Ou a caminho da ruína?

Por enquanto é cedo, tanto mais que todos os governos têm medo. Gastam-se fortunas em propaganda e o dinheiro não é elástico. Por isso, corta-se onde dói menos: na educação. Porque a gente bem pode pagar colégios e ter o que os outros não têm nem nunca terão.
Escola grátis é escola sem dinheiro. Soa bem encher a boca com integrar, incluir e outros verbos politicamente correctos, mas pagar o que isso custa é que ninguém gosta. Gastam-se fortunas com a inclusão e todo o ensino está a orientar-se para a mediocridade: vale mais um aluno problemático do que cinco bons. Ao aluno problemático dá-se tudo: leis, material, tolerância para lá dos limites do razoável, dinheiro. Os resultados são o que são. Mas qualquer governante gosta de mostrar essa consciência social. O problema é que a pouco e pouco a degradação da escola pública é maior, pois os alunos rapidamente percebem que são reis e senhores de um sistema que, na verdade, se está nas tintas para eles.
Passou-se, em três ou quatro lustros, do oito para o oitenta. Em nome da democracia, dos direitos, da igualdade. Mas e os deveres, a responsabilidade, o esforço?
Integrar sai muito caro e o povo de um país tem de saber quanto custa e decidir se quer ou não que isso seja assim. Os governos não podem, a pretexto dos ares do momento, cortar para "poupar", quando logo a seguir gastam muito mais em propaganda ou a salvar bancos.
Se o Estado quer que a escola seja um imenso parque de entretenimento tem de abrir os cordões à bolsa e pagar aos que vão entreter. Se o Estado quer que os alunos aprendam, conheçam, saibam, tem de se deixar de tangas e dar o nome aos bois.
De resto, onde é que está provado que o homem nasce bom e é o meio que o estraga?

19 novembro 2008

Mammuthus primigenius


Há cerca de 1,6 milhões de anos apareceram os mamutes. Viveram em África, na Europa, na Ásia e na América do Norte, acabando por demandar a norte regiões mais frias. Desaparecerem há dez mil anos.

Os mamutes-lanudos (Mammuthus primigenius) gostavam imenso do frio. Não admira portanto que alguns deles, quando morreram, tenham ficado presos e muito bem conservados no solo gelado da Sibéria. Mesmo o pêlo que os cobria sobreviveu até aos dias de hoje, durante milhares de anos, no permafrost.

Webb Miller e Stephan Schuster, da Universidade Estadual da Pensilvânia, conseguiram agora reconstituir a gigantesca molécula de ADN contida no núcleo das células de mamute – e começar a desvendar os segredos mais íntimos da evolução e da biologia destes mamíferos pré-históricos. É o primeiro genoma de um animal de uma espécie extinta.

Utilizaram como material de base, para extrair o ADN, o pêlo de uma múmia de mamute com 20 mil anos e de outra com 60 mil, ambas da Sibéria. O ADN capilar apresenta duas vantagens em relação ao ADN dos ossos, que é o habitualmente disponível nos restos fósseis: resiste melhor às intempéries, “porque o invólucro do pêlo o protege como uma embalagem de plástico biológico” e resiste melhor à contaminação pelo ADN de bactérias ou fungos, algo que pode fazer com que o ADN sequenciado nem sempre pertença ao animal e torna ainda mais árdua a autenticação dos genes.

Os cientistas conseguiram obter algumas pistas acerca da história deste antigo elefante e dos seus parentes actuais: divergiram há cerca de seis milhões de anos e deram origem a dois grupos há dois milhões de anos, que formaram duas subpopulações na Sibéria. Apenas uma delas sobreviveu até há dez mil anos (a outra ter-se-á extinto há 45 mil). As diferenças genéticas entre os mamutes e os elefantes modernos são mais pequenas do que se pensava. Ao contrário dos humanos e dos chimpanzés, que se separaram mais ou menos na mesma altura e que rapidamente deram origem a espécies diferentes, os mamutes e os elefantes evoluíram de forma mais gradual.

O trabalho agora publicado mostra que é mesmo possível sequenciar o ADN de espécies extintas. A próxima etapa nesta saga será a da sequenciação da totalidade do genoma do homem de Neandertal, extinto há uns 30 mil anos, que Svante Pääbo, do Instituto Max-Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, na Alemanha, espera completar num futuro não muito longínquo (em Agosto, a equipa de Pääbo publicou a sequência do ADN mitocondrial daquele homem primitivo). Aí saber-se-á, finalmente, o que nos separa e nos aproxima desse homem pré-histórico.


Fonte: Público

National Geographic Games


O grupo National Geographic anunciou a criação do National Geographic Games (NGG), que produzirá videojogos orientados para a exploração do mundo e da natureza.

Herod's Lost Tomb é o primeiro jogo e... grátis. Sim, leu bem. Pode descarregá-lo do sítio do National Geographic.

Ainda este mês serão lançados mais jogos: o National Geographic Panda e o National Geographic Africa.

18 novembro 2008

Sapiência e opinião

Quando se avalia para dizer que se avalia ou quando a avalição tem como finalidade limitar o mérito, resta o vazio ou a brincadeira.
O Estado tem escolas mas não sabe como avaliá-las. Porque a política do governo e do partido que o sustenta é omissa quanto à educação.
O assunto parece simples, mas é complicado. Se o governo tem apenas como objectivos poupar nos salários e parecer bem nas estatísticas, é porque não tem uma ideia válida. Limita-se a gerir o vazio, criando mais vazio (de que os magalhães são um bom exemplo).
A questão de fundo continua arredada dos debates: que educação? que escolas? que tipo de ensino?
Se isso fosse claro, avaliar era simples. Assim, continuaremos a fazer de conta que todos sabemos muito bem o que é a educação e a dizer que os professores são uns malandros que não querem ser avaliados. Se lhe juntarmos o ressentimento de quantos, mesmo adultos, continuam a pensar que foi o professor A ou B que lhes tramou a vida, facilmente concluimos que o problema não é a avaliação mas como castigar esses malditos que leccionam. E que inventam tudo: programas, políticas, comportamentos e o resto.
Os professores (que Maria de Lurdes Rodrigues desprezou e a quem apelidou de professorzecos, acreditando, como tantos, que um professor só é gente se é professor universitário) têm vindo a mostrar-se e os resultados estão à vista. São muito melhores do que todos pensavam. Estão muito melhor preparados do que parecia. Sabem o que fazem e o valor que têm.
Pela primeira vez são eles que falam. E como são eles que falam a população pode perceber o que pensam. Até há pouco falavam os sindicatos e gentinha que escreve para jornais e tem espaço na TV que da escola sabe mada. Agora falam os professores e, convenhamos, sabe bem ouvi-los.
São a prova de quem ainda há muita qualidade na escola pública. Se isso não se converte em resultados convém perguntar aos políticos o porquê?
É que são eles quem há décadas produzem leis contraditórias e tentam com remendos de circunstância evitar o debate necessário: que escola? que ensino? que futuro?

A minha amiga Televisão


Os infelizes vêem mais TV, diz um estudo norte-americano. As pessoas felizes lêem mais jornais e socializam-se mais do que as infelizes.
Dizem os cientistas que a televisão é ela mesmo um dos factores que provoca infelicidade e ao mesmo tempo dependência, sobretudo, nos sujeitos mais vulneráveis como os com poucas habilitações, John Robinson explica: "A televisão pode dar aos telespectadores um prazer de curto prazo, mas um mal-estar com o passar do tempo." A mesma opinião é reforçada por Steven Martin que diz: "Actividades de adição produzem momentos breves de prazer, mas a longo prazo infelicidade e arrependimento. As pessoas mais vulneráveis à adição tendem a estar socialmente ou pessoalmente em desvantagem com a televisão a tornar-se um opiáceo."
A crise irá fazer aumentar o consumo de televisão em minutos, segundo previsão da União das Televisões Comerciais Associadas (Uteca). Este organismo constatou uma queda de 9% nos gastos com o ócio - ir ao cinema, jantar fora, ou viajar - e um aumento de 3% no consumo de minutos de televisão.
O mesmo estudo revelou ainda que os jovens são aqueles que menos tempo passam em frente ao televisor - 146 minutos por dia, contra os 314 minutos dos maiores de 65 anos e os 263 minutos da faixa etária dos 45 aos 65 anos.

17 novembro 2008

Aprender

Fala Ron Aharoni, professor de Matemática Pura, que dava aulas na universidade em Israel e que, há oito anos, aceitou o desafio de ensinar ao 1.º ciclo. Autor do livro Aritmética para os Pais (Gradiva), veio a Portugal participar na Conferência Internacional sobre Educação da Fundação Calouste Gulbenkian, este ano dedicada à Matemática.
«Os pais aprenderam melhor do que os filhos?
Sim, aprendemos muito melhor do que eles. Aconteceu algo na educação em todo o mundo... O maior problema é que os professores não ensinam porque lhes foi dito para não ensinarem. No ensino estão os profissionais mais fracos, os que não foram para outras áreas como as tecnologias. E isto é um problema em todo o mundo. Foram poucos os países que tiveram sabedoria para dar salários atraentes aos bons professores. Não sei como é que se resolve este problema, que é grave.
A solução passa por ensinar os professores?
O principal caminho para ensinar os professores é através dos bons manuais escolares. Os manuais que existem vão na direcção errada, porque promovem actividades divertidas e a aprendizagem fica perdida. O problema é que os livros saltam etapas ou seguem teorias modernas.
(...) A verdade é que todos ensinam o que sabem e não o que os outros precisam de saber. Por isso, os académicos ensinaram teorias ou estatística. Também ensinaram actividades divertidas e isso é horrível, porque as crianças não precisam de estar divertidas, elas precisam de compreender e só se o fizerem é que aprendem a gostar. A Matemática não tem que ser divertida, mas compreendida.
(...)
É importante saber a tabuada?
Se cada vez que queremos escrever uma carta tivermos que pensar como é que se juntam as letras... Para a Matemática o raciocínio é o mesmo: é preciso ter automatismos e a tabuada é essencial. Os pais podem ajudar os filhos a aprender, por exemplo, a dizê-la de trás para a frente.
(...) Qualquer actividade em que a criança tenha de se concentrar é boa para desenvolver a capacidade de trabalho que a Matemática exige. Outra coisa muito importante e que sempre ensinei aos meus três filhos é: ser preciso nas formulações, dizer correcta e claramente o que se quer dizer, nunca deixar os outros adivinharem o que se quer dizer, mas usar as palavras certas.
(...)
O Governo português iniciou este ano a distribuição de computadores portáteis às crianças do 1.º ciclo. Concorda?
Não conheço o projecto. Sabemos que o cérebro das crianças é completamente diferente e que trabalha muito rapidamente. Se elas podem aprender com o computador? Todas as tentativas feitas até hoje nesse sentido falharam. Não sei se porque as crianças preferem brincar no computador do que trabalhar... Penso que no 1.º ciclo o contacto com o professor é o mais importante. Muitos pais podem apoiar os filhos nos primeiros anos, mas há-de chegar uma altura em que deixam de conseguir fazê-lo.
E depois, o que é que podem fazer?
Quando eles sabem mais do que nós é bom, faz parte da vida, é sinal de que estão a crescer! Mas os pais também podem investir na sua aprendizagem, como ler um livro ou estudar. Não é difícil!»
Fonte: Público

Aprender a ler


Fala Robert McKee, que o DN considera o 'guru' dos argumentistas e autor da chamada 'bíblia' destes, Story: Substance, Structure, Style and the Principles of Screenwriting.

Vejamos um excerto dessa entrevista que, esperamos, possa ser útil a professores, leccionem ou não língua materna.

«O que significa escrever? Significa que recorremos à nossa imaginação constantemente. Vemos o mundo pelos olhos da nossa personagem, imaginamos que somos essa personagem e escrevemos uma página. A seguir, lemo-la. E o que estamos a fazer ao lê-la? Estamos a criticá-la, a analisar o que redigimos. E a qualidade da nossa crítica baseia-se na nossa técnica, no nosso ofício de escrita, no que sabemos sobre o que significa escrever, estruturar, pensar personagens, cenas, situações, e reescrever e melhorar o que escrevemos. Nós criamos e criticamos, Escrevemos e lemos, para a frente e para trás. Se não temos a técnica, se não dominamos e compreendemos os elementos da arte de contar uma história por escrito, quando fazemos a crítica, estamos apenas a comparar o que escrevemos com o que todos os outros escritores escreveram. Por isso, não será uma crítica, será apenas uma cópia, porque não analisámos criativamente o que escrevemos.

Podemos escrever muito e ser tudo sempre mau, podemos estar sempre a repetir banalidades. Temos sempre que nos afastar do que escrevemos e examinar tudo. É verdade que quanto mais escrevemos, melhores ficamos, se, como disse Norman Mailer, "o escritor for capaz de cheirar a sua própria merda". Isto é, temos que saber quando estamos a escrever porcaria, e sermos capazes de puxar o autoclismo (risos). A autocrítica é a chave (...). Uma das coisas de que nos apercebemos quando escrevemos, é que 90 por cento de tudo o que fazemos não presta.

O talento só não chega, há que ter também o ofício. Uma pessoa pode ter muito talento para escrever, mas se não é capaz de se auto-criticar, de se ajuizar a ela própria, não irá longe. O talento só também não é suficiente na música. Se os meus alunos quisessem ser compositores em vez de argumentistas ou escritores, iriam frequentar uma escola de música. E estudar muito. Porque é que a escrita tem que ser diferente da composição musical?

Vivemos numa era, em todas as artes, em que só se faz arte sobre a arte. A humanidade já explorou até à exaustão as possibilidades de todas as formas artísticas. Todas as artes estão formalmente esgotadas. Para onde vamos agora? Temos que regressar à fonte que é a vida. Uma obra de arte não é uma metáfora sobre outra metáfora. É uma metáfora sobre a vida. A vida é difícil de expressar. Fazer arte sobre a arte é mais fácil. Mas temos que voltar ao concreto da vida, à nossa essência humana. Não é sexy, não é vistoso, não é cool, mas é tudo o que tivemos desde o início, e é tudo o que teremos enquanto seres humanos: as nossas vidas miseráveis. E quanto mais sentido fizermos delas e de nós, melhor. Acho que a nova geração está a ficar farta de tretas e a perceber que o espectáculo da má música, da má literatura, da má pintura, do mau cinema, é banal, superficial, e uma perda de tempo.»

Mickey e companhia



Rato Mickey






Nasceu há 80 anos, no dia 18 de Novembro de 1928. A primeira aparição deu-se em "Steamboat Willie", paródia a um filme de Buster Keaton que dá a conhecer um pequeno roedor, preto, de calções e sapatos. Se a personagem saiu da imaginação de Walt Disney, quem lhe definiu os traços que são hoje reconhecíveis em todo o mundo foi o desenhador norte-americano Ub Iwerks.

Em 1930, dois anos depois da projecção dos primeiros filmes de animação, surgiram as tiras de banda desenhada na imprensa, novamente com desenhos de Iwerks e mais tarde de Floyd Gottfredson, aquele que definiria os traços e a personalidade de Mickey.

Inicialmente, era o próprio Walt Disney quem emprestava a voz ao divertido rato que sempre olhava para a vida pelo lado optimista. Chegou a chamar-se Mortimer Mouse, mas acabou por ficar Mickey Mouse (a mulher de Walt não gostava muito de Mortimer), acabando por se converter na personificação da empresa Disney como máquina de magia e fantasia.

Tem o par de orelhas mais iconográfico da animação mundial e foi, durante anos, um personagem apelativo e rebelde, capaz de seduzir várias gerações.
Em Portugal as histórias do Rato Mickey surgiram pela primeira vez a 21 de Novembro de 1935, numa revista intitulada "Mickey", que custava 1$50 e que durou até finais de 1936.
Nela vinham publicadas em português, com a primeira página, as centrais e última página impressas a cores, as tiras dos jornais norte-americanos com uma diferença temporal de algums meses.

Nos anos 1950, surgiu uma nova publicação - "Rato Mickey" - editada pela Agência Portuguesa de Revistas, mas a verdadeira massificação ocorreu nos anos 1980 através das revistas da Disney provenientes do Brasil.

Simplex

Portugal é um país curioso. Herdeiro da Inquisição e do Estado Novo foi capaz do 25 de Abril e de integrar. Mas parece apostado em regredir ao tempo do maccarthismo e do estalinismo. Quanto mais caça às bruxas e quanto mais burocracia melhor: parece ser o lema de quantos correm pressurosos atrás do vazio e prescindem da sua natureza de sapiens por medo de perder o emprego.
Os tempos não correm de feição à democracia ou à crítica. O medo generaliza-se e vemos pessoas que até há pouco tinham algum sentido de humor completamente intoxicadas, numa correria burocrática que apenas as desgasta e cujos resultados não servem para nada, excepto evitar que os seus próprios salários aumentem (sim, sim: trabalham mais e ganham menos).
Algo que no país da inveja colhe bons dividendos, pois a miséria ainda está muito interiorizada (os telemóveis, nets e demais tecnologias são apenas a máscara que não consegue esconder o que está por detrás dela). No país da miséria as pessoas gostam de se nivelar miseravelmente. Quanto mais pobres todos, mais felizes, pois o mérito irrita a maralha. O único mérito que reconhecem é o do poder mais boçal (o do quero, posso e mando).
Para muitos, educação é sinónimo de ocupação de tempos livres. Por isso, tudo o que cheire a estudo, esforço, empenho, rigor (científico), criatividade cheira mal. O que as pessoas querem é facilidade e promiscuidade. Os anúncios debitam fantasias diária e constantemente e sonhar é que é bom. Sonhar que a vida vai ser um mar de rosas, porque neste momento é um emaranhado de espinhos. Sonhar que tudo cai assim do céu, qual dádiva divina ou qual milagre.
Por isso, doutoramentos ou mestrados não têm qualquer valor. A malta é toda igual, tenha o antigo quinto ano do liceu ou um doutoramento. Olha, olha, o antigo quinto ano do liceu vale mais do que qualquer doutoramento. Naquele tempo é que era. Isto para não falarmos da antiga 4.ª classe, que essa, então, dá logo direito a cátedra universitária.
Um país que desbarata recursos e "capital humano" é um país votado ao fracasso. Mas isso, já todos parecem ter interiorizado com o leite materno ou com o leite em pó. O que importa agora é cumprir outro desígnio: afastarmo-nos cada vez mais dos países mais desenvolvidos. Ficarmos cada vez mais pobres. Criados, empregados de mesa, apanha bolas serão os grandes empregos do futuro (não porque sejam bem pagos, mas porque serão os únicos).

Há um ano


Quem é Albino Almeida? Não sei. Dá a cara pela Confap (espécie de braço direito do ME) e gosta de dar à língua. Fala de tudo menos do que devia falar. Mas quem está preso, só pode mesmo entreter-se com blá-blá.

Há um ano Paulo Guinote deixou no seu blogue o que pensa sobre o assunto Escola versus Família. Em jeito de efeméride transcrevemos uns excertos.

«A Escola a Tempo Inteiro é apresentada como uma grande conquista da acção deste Governo, deste ME, aplaudida pela Confap actual e por diversos opinadores (preo)ocupados com a situação das crianças, cujos pais não conseguem acompanhar devidamente e, por isso, devem ser deixadas mais de 10 horas “nas mãos” (não gosto da expressão por uma multiplicidade de razões) do(a)s professore(a)s.

É um excelente exercício de spin sobre a admissão clara de um fracasso do Estado Social e a demissão de quem representa as “famílias” de efectivamente as defender pela via certa que deveria ser a da “Família a Tempo Inteiro” ou, no mínimo, a “Família a Meio-Tempo”.

Porque parece que as coisas mudaram de lugar e a lógica se retorceu por completo neste país, nestes tempos. Com que então a Escola a Tempo Inteiro é uma grande conquista social? Porquê?

Não seria antes uma conquista ter-se conseguido desenvolver o país para que as “famílias” pudessem dispor de condições para estar perto dos seus filhos todo o tempo possível?

(...) a Escola a Tempo Inteiro é apenas algo que se destina a apaziguar as “famílias” que, cada vez mais, são obrigadas a trabalhar em condições mais precárias e vulneráveis. Que não podem faltar, sob pena de perda do posto de trabalho no final do contrato. Que são obrigadas a cumprir horários incompatíveis com uma vida familiar harmoniosas. Numa altura em que, cada vez mais, as famílias são menos do que nucleares.

A Escola a Tempo Inteiro é um óptimo contributo para todos os empresários e empregadores que defendem a desregulação - pelo abuso - do horário de trabalho dos seus empregados. Se é isso que vai desenvolver o país? Abrindo mais umas dezenas de centros comerciais para as “famílias” tentarem desaguar as frustrações ao fim de semana?

Quem defende as “famílias” deveria defender, em coerência com os seus princípios, que o Estado protegesse a vida das ditas “famílias” a partir da melhoria das suas condições de vida. A defesa da Escola a Tempo Inteiro é a admissão de um fracasso, de uma derrota e não o seu contrário.

Eu, por exemplo, preferia viver num país com horários de trabalho que permitissem que os encarregados de educação dos meus alunos pudessem comparecer na escola num horário de atendimento civilizado e não em reuniões pós-laborais para todos. Gostaria de eu próprio não depender da Escola a Tempo Inteiro se o pudesse evitar.

Mas não. O Portugal Socrático, moderno e tecnológico, é um país falhado, com uma sociedade fragmentada e crescentemente fracturada e desigual.

(...) A Escola a Tempo Inteiro é um projecto de sucesso se assumirmos que entre nós o Estado Social falhou irremediavelmente.

A Família a Tempo Inteiro, isso sim, teria sido uma enorme conquista e a marca do sucesso de um Portugal desenvolvido.»


Um pouco de espanhol para desenferrujar


Fernando Reimers, Catedrático de Educação na Universidade de Harvard e acessor de Barak Obama para a política educativa foi entrevistado pelo El País. Transcrevemos excertos dessa entrevista, por a considerarmos muito pertinente no momento actual.

«La escuela pública como la conocemos es el resultado de las ideas de Rousseau, que planteaba que es el contrato social el que permite la virtud, lo que hace que los seres humanos mejoren, a través de la acción colectiva, en las sociedades en las que viven. Con el tiempo, a medida que las concepciones de ciudadanía van evolucionando también lo hacen las concepciones sobre qué significa leer y en consecuencia sobre la mejor forma de hacerlo. (...)

Hace un siglo o dos se consideraba que aprender a leer era algo que se lograba al adquirir las competencias básicas de decodificación. Actualmente, la codificación de textos simples, si bien tal vez sea suficiente para tomar el autobús o el metro, no lo es para aprender a lo largo de toda la vida o para comprender diversos textos sobre asuntos públicos. Ambas condiciones son esenciales para participar en economías basadas en el conocimiento o en democracias complejas. (...)

uno de los resultados de la globalización es precisamente dar mayores oportunidades a las personas con mayor nivel de preparación.

Pienso que la buena educación es multidimensional. Hay una dimensión de excelencia académica que es muy importante, y hay una dimensión ética, de valores, que también lo es. Educar no es informar, sino desarrollar el talento, y también el carácter de las personas.»

Ser velho em Portugal ou noutro país


Segundo um estudo da Universidade de Leicester (Inglaterra), o lugar onde se vive importa quando se fala de velhice. Um velho em Portugal não tem o mesmo dinamismo que um velho em Espanha ou na França ou na Holanda.

A partir dos 50 anos, notam-se desigualdades substanciais na qualidade de vida, consoante o país donde se é. Assim, os portugueses do sexo masculino só se encontram, em média, em condições físicas para trabalhar até aos 64,9 anos. No caso das mulheres é pior, já que a idade limite em que se encontram em condições de prestar serviço está nos 62,7 anos.

O índice "Anos de Vida Saudável" (HLY, em inglês) fixa a qualidade de vida a partir dos 50 anos e compara-o com o índice de expectativa de vida de cada um dos países da União Europeia.

O estudo pergunta: aos 50 anos de vida, quantos é que ainda podemos contar com saúde? Esse é que é considerado o dado de facto para aquilatar da possibilidade de continuar a trabalhar. E não o aumento do nível médio de esperança de vida.

Viver mais tempo não significa viver melhor.

A partir dos 50, são os dinamarqueses aqueles que vivem melhor, juntamente com os malteses e os italianos.

Os custos do transporte


Quem vende peixe tem muitas despesas. Quem pesca, não. De resto, os pescadores são gente nobre por definição literária. E os comerciantes são o que sempre foram: comerciantes.

O comércio é todo ele muito difícil. Não há actividade mais complicada: comprar a 0,7 e vender a 5. Vocês sabem o preço do litro do gasóleo? E quanto recebem os moços de carga e o motorista? E o aluguer do espaço no mercado?

Os barcos não andam a gasóleo. É o vento que trata disso. Os pescadores não têm despesas nenhumas e ainda por cima bebem mais do que a conta. Mais centésimo menos centésimo é igual.

Coitadinhos dos comerciantes.

16 novembro 2008

A vida inspira-nos


Pensamento pisciano: A luta ansiosa pela felicidade é o que dá infelicidade a muita gente.

Hoje estamos muito felizes, por isso, transcrevemos o que é isso de felicidade.
«A conquista da felicidade vem no aprendizado diário de viver sabendo aceitar e expressar os desejos e sentimentos, construindo os próprios projetos de vida e empenhando-se para realizá-los.
Um sentimento que expressa de alguma forma, satisfação em ter uma necessidade saciada, um projeto realizado.
Compreender essa sensação, é saber individualizar no universo pessoal, pois o que é motivo de felicidade para uns, pode ser de infelicidade para outros. É um sentimento que pode diferenciar em cada instante tendo significados diferentes.
Depende de cada um, sabendo que só conta consigo mesmo para realizar seus desejos, vontades e projetos. A procura do auto conhecimento ajuda na transformação de desejos em vontade e da vontade em projeto de vida. Aprendendo a ser responsável pelas próprias escolhas, assumindo o sofrimento dos erros e fracassos e o gosto das conquistas e vitórias.
A teoria do psicodrama mostra que desenvolvendo respostas criativas e corajosas no sentido de expressar os seus sentimentos e de realizar a sua vontade própria, ajuda na busca dessa sensação. Construindo-se enquanto indivíduo, realizando e sentindo a felicidade.
»

O livro que fazia falta


Carolina Salgado é uma escritora pop mas ocasional. Margarida Rebelo Pinto é uma escritora pop e profissional. Ela escreve muito bem. Ela diz coisas muito diferentes. Ela tem piada. Ela é um must. Já não vende tanto como vendia. Mas explora novas oportunidades de negócio.

A nova história de MRP é para ajudar a Acreditar. Acreditar é o que faz falta. Se acreditássemos mais éramos mais obedientes, logo mais felizes. Margarida explica isso muito bem: «Era uma vez um dragão que não sabia que era dragão e uma princesa que não gostava de ser princesa». Acreditar é não saber quem somos. É pensarmos que somos outrem.

A Princesa Carlota e o seu amigo Dragão Guigui vão mostrar-nos como é importante Acreditar. Carlota é uma princesa moderna que quer viajar e conhecer o mundo antes de se casar, e Guigui é um dragão afastado da sua família que aprende a ser forte graças à sua melhor amiga. Acreditemos, irmãos.

HTTP Error 404 - Político honesto


1 - Entra no Google: http://www.google.pt/
2 - Digita o seguinte: 'político honesto'
3 - Prime em 'Sinto-me com sorte' e não em 'Pesquisa do Google'
4 - Lê a mensagem de erro que dá, com atenção.


Depois esqueça-se disso e leia um pouco um texto de humor. Por exemplo, este: «o partido [PS] neste momento é uma máquina eleitoral, é uma máquina de poder. Deixou de ter uma vida própria e uma vida autónoma, a direcção do partido é o Governo.»

Não é um poema do poeta Alegre. É um desabafo do militante e deputado Manuel.

A gente, pisca como é, não entende. Se o PS é um partido de poder, parece-nos que pretende manter-se no poder. E faz o que pode e sabe para isso. Sócrates não é homem de ideologias, mas de práticas. E julga ele que a maioria dos tugas adora ditadores, mesmo que fale mal deles, mesmo que pareça enfadado. Alguma razão deve ter. Até porque para que a razão esteja do lado dele manobra bem a propaganda, que os jornais servem embalada em credibilidade.

Já o poeta Manuel Alegre (ou o militante ou ex-candidato presidencial) é um homem de ideologia. E aflige-o que o seu partido não lhe dê ouvidos. Os tempos, pelos vistos, não estão de feição alegre. Mas não tardarão a chegar esses ventos. Mais um ano de crise, de desemprego e sobretudo de novo governo americano trarão mudanças. Sócrates vai passar a preocupar-se com isso e Alegre voltará a ser um belo quadro nas paredes das secções do PS.

Os quadros são importantes, mas o que os militantes de topo querem é tratar da vidinha e defender a camisola. Pensar, estudar, aprofundar assuntos não é próprio desta época (algo que o modelo de avaliação dos professores de Sócrates e Maria de Lurdes confirma). O dito "pensamento único", a obediência, o servilismo, a ausência de autonomia e a nula criatividade são os valores de um país inculto, semi-analfabeto e ávido de dinheiro. Sócrates fala-lhes ao coração, Alegre não. Alegre quer ser o político honesto e a populaça não vai em cantigas.

15 novembro 2008

Vais fazer de Pai Natal?


G2.

Outros rótulos





G$.

Rótulo para garrafas de lexívia


De manhã é não, mas à tarde já é sim


Primeiro lemos o seguinte: «A Polícia de Segurança Pública (PSP) deixou de revelar o número de participantes em manifestações por ser uma informação sem “nenhuma mais-valia”, disse o director-nacional da polícia Oliveira Pereira».

Horas depois, já mudaram de opinião: «A manifestação de professores realizada hoje em Lisboa terminou às 17h30, três horas depois de ter começado, estimando a polícia que tenham estado no protesto cerca de sete mil professores, enquanto os organizadores falam em mais de 20 mil participantes.»

Donde se conclui o seguinte:

1.º O Governo deu instruções à PSP para não revelar números. Porque estiveram muito mais de 120 mil pessoas na rua.

2.º O mesmo Governo, convicto de que hoje o número era reduzido, deu instruções para que se avançasse com números. As discrepâncias são evidentes: mais de 18 mil pessoas de diferença entre os da PSP e os da organização.

3.º Nos próximos dias algum manga de alpaca virá a público defender a tese de que os professores já estão maioritariamente do lado do Governo. Quem falar, fa-lo-á sob ordens de Sua Excelência o Senhor Engenheiro e versado em línguas Sócrates, José.

4.º Como pode a população portuguesa confiar numa polícia que mais do que cumprir a lei obedece a ordens directas dos minsitros?

Porque hoje é sábado




Opiniões




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Sobreviver a ameaças psicológicas subtis


A publicidade feita a bens tão simples como um iogurte generaliza a ideia de que o desempenho sexual de cada um deve ser perfeito, frequente e duradouro, mas a realidade será bem diferente. Apesar de as pessoas não o admitirem. Ou de só o confessarem em inquéritos, com a segurança do anonimato e sob garantia do segredo profissional de médicos ou psicólogos.

As pessoas estão cansadas de ter de cumprir os padrões mediatizados , inclusivé pelo cinema. Assim pensa Stuart Walton, um dos conferencistas de "As Regras da Atracção", na Culturgest.

Na sua opinião, há a tendência para "um espírito de contabilista" quanto à periodicidade dos actos sexuais. "Por que razão tem de ser problema a falta de sexo e a necessidade deste não pode ir e vir como qualquer apetite?"

As inibições do desejo sexual têm muitas origens. Desde falta de intimidade; dificuldades de comunicação entre o casal; tabus sobre a própria sexualidade, como, por exemplo, associações de sexo com pecado, com desobediência ou com punições; problemas no casamento (brigas, desentendimentos quanto ao que cada um espera do relacionamento); problemas hormonais; uso de certas drogas e remédios; doenças como diabetes, colesterol, alcoolismo, tabagismo; ejaculação precoce; disfunção eréctil; vaginismo; disfunção orgásmica.

O desejo, embora latente, esmorece sob pressão. Se para a maioria das pessoas "actividade sexual" significa relação sexual, para outras, sobretudo mulheres, pode simplesmente querer dizer ter o companheiro junto de si, tocar, agarrar, manifestar ternura.

Por isso, há cada vez mais gente a sentir falta de momentos românticos. Há quem viva esse romantismo virtualmente. Cada um escolhe o que mais lhe interessa, mas que tal um passeio por aqui?

Fala Aires Almeida, professor de Filosofia e autor de um manual dessa disciplina


Que o novo modelo de avaliação é inútil e ineficaz já o provou definitivamente, sem o querer, a senhora ministra. Diz ela repetidamente que esta avaliação é absolutamente necessária para a qualidade do ensino e para a melhoria dos resultados. Porém, anunciou com grande pompa ao país que os resultados melhoraram no último ano, o que acabou por ser reforçado com a divulgação dos resultados dos exames nacionais. Só que esta apregoada melhoria da qualidade e dos resultados verificou-se ainda antes de o modelo de avaliação produzir qualquer efeito. Logo, fica provado que a avaliação não é uma condição necessária para a melhoria da qualidade e dos resultados. O que leva então a ministra a dizer que a avaliação é absolutamente necessária?

A obsessão do ministério por controlar tudo e todos até ao mais pequeno detalhe está bem patente no modelo de fichas de avaliação que impõe às escolas e aos professores (parece que a ideia é a de que, entre tanta coisa pedagogicamente inane, sempre há-de haver uns quantos aspectos em que o avaliado vai falhar, de modo a não atrapalhar as escassas cotas disponíveis para progressão na carreira). E o mais irónico é que, quando se encontram incoerências e impasses nas instruções oriundas do ministério, a ministra deixa o problema para as próprias escolas com o argumento de que lhes quer dar autonomia na construção dos seus instrumentos de avaliação. (...)

Mas o pior de tudo é que o modelo de avaliação fabricado na 5 de Outubro não vai permitir distinguir os bons dos maus professores, ao contrário do que a senhora ministra alega. Talvez seja até pior do que a completa ausência de avaliação, premiando arbitrariamente alguns dos maus e castigando cegamente muitos dos bons. (...) o modelo, além de burocrático, como convém ao Big Brother, obedece a uma espécie de pensamento único pedagógico: há um dogma pedagógico subjacente a que todos têm de aderir, tal como se emanasse do Ministério da Verdade orwelliano. Esse dogma é o da pedagogia do eduquês: são os resultados a qualquer preço, é a inovação a martelo, são as “estratégias de ensino-aprendizagem” como se o professor fosse o aprendiz (também o é, mas noutro sentido). Enfim, é a avaliação do portfólio e dossiê do professor para ver se ele tem o seu caderno diário em ordem, infantilizando uma actividade em que, pelo contrário, se exige autonomia e auto-confiança.

(...) É relativamente fácil apurar se o professor soube realmente ensinar e se os alunos conseguiram realmente aprender, independentemente da metodologia usada e das concepções pedagógicas em jogo, desde que os seus alunos realizem no final do percurso exames bem concebidos. E se se ponderarem os resultados dos exames comparando-os com a média de cada disciplina nas respectivas escolas, estamos muito próximos de um sistema de avaliação muito mais justo, simples, eficaz e dignificante para todos. Claro que para isso era preciso haver mais exames, além de melhores programas e de mais formação de professores, coisas que não parecem interessar minimamente a senhora ministra.

(...) quando a senhora ministra afirma totalitariamente que ou se aplica o seu modelo ou não há outro, só pode estar a fazer chantagem, o termo que utiliza para descrever o comportamento dos sindicatos junto dos professores, como se os professores fossem idiotas. A verdade é que neste momento já não são os sindicatos a comandar os professores, mas os professores a empurrar os sindicatos, de tal modo que os próprios sindicatos já não estão em condições de cumprir o acordo assinado há meses com o ministério. (...) Chama-se a isto desobediência civil e foi isso que fizeram em diferentes circunstâncias Gandi, Luther King, Bertrand Russell e muitas das referências cívicas e culturais do nosso mundo. É ilegítimo não cumprir a lei, diz a senhora ministra sem se aperceber que está a ser redundante. Pois é, é ilegítimo não obedecer à senhora ministra, pois foi ela que fez a lei. Mas terá mesmo de ser.

14 novembro 2008

Vinca (Catharanthus roseus)


A Vinca-de-madagascar (Catharanthus roseus), também conhecida por vinca, boa-noite, maria-sem-vergonha e bom-dia, é uma vulgar planta de jardim.
Da família das Apocynaceaecom tem propriedades antioxidantes e pode ser usada como aditivo alimentar ou na cosmética.
Conhecida pelos compostos anticancerígenos, usa-se a infusão das folhas para o tratamento de diabetes, febre, reumatismo, hemorragias, entre outras doenças.

"Crocodilo" - 23 milhões de anos


Foi encontrada numa mina do Estado de Chiapas (México) um âmbar contendo uma lagartixa inteira, com cerca de 10 centímetros. O achado, a que deram o nome de Crocodilo, é invulgar. Trata-se, provavelmente, do maior animal até agora encontrado mumificado em âmbar.

Além da lagartixa, podem ver-se também extintas formigas leptomyrmex a morder o réptil, um grilo, pquenos peixes e restos vegetais.


Fonte: El País

A Verdade


José Sócrates afirmou hoje que a economia nacional vai continuar a resistir aos efeitos da crise internacional, sublinhando que Portugal está fora da lista de países europeus em recessão.

“A nossa economia resiste e continuará a resistir”, afirmou o primeiro-ministro.

Se afirmou é porque é verdade. Tudo o que Sócrates diz é verdade. Disse que não ia subir impostos e não subiu. Disse que ia criar 150 mil empregos e criou. Por isso se diz que vai resistir é porque vai. Até porque Portugal, como todos sabem, é o que é porque Sócrates quer que seja assim.

Sócrates não é só adivinho, é a encarnação do divino. É Deus em pessoa. Alá esteja convosco, José Pinto de Sousa.

Me-me-me



Foto superior: O agente do me infiltrado
Foto inferior: Os alunos à espera de instruções


Os alunos manifestam-se contra as faltas. Porque, claro está, querem agradar aos professores. Aquela ovelha esquisita é um membro do governo, que não obedece às instruções dos professores. Pertence ao me -éé (leia-se ministério da educação ouié).

Telenovela - Ovos podres - Episódio 5

Os professores reunidos antes de pegarem nos fios com que magicamente conduzem os alunos

Para o governo, alunos e professores é tudo a mesma coisa. Nem os alunos têm opinião, nem são gente. Isso de terem associações, de poderem eleger representantes para os órgãos colegiais das escolas não passa de fachada.

Os professores, segundo a douta opinião do governo, também não percebem nada de nada. Devem é estar caladinhos e dizer mée e fazer o que o governo manda.

As opiniões, o sentido crítico são coisas do passado. O vinte e cinco de Abril já foi há muito tempo e este governo socialista parece apostado em recuperar o tempo perdido desde a queda do antigo regime.

Se o governo acha o que acha é porque tem razão. Se os alunos acham o que acham é porque são títeres manobrados pelos professores (há muita maneira de dizer como o governo trabalha, esta é, sem dúvida, uma daquelas que Freud explicaria com um sorriso nos lábios). Se os professores estão contra o modelo de avaliação é porque são comunas, ou seja, maus, irresponsáveis (será que ainda comem criancinhas?).

13 novembro 2008

Sismos: prevenção




A América prepara-se para um grande sismo. Sobretudo a Califórnia. Nos Açores nada. A última vez que a terra tremeu o susto foi grande. Foi em S. Miguel. Nesta ilha o silêncio tem sido a regra. Quando houver algo sério virão os ais e uis da praxe, mas secretarias regionais, protecção civil e escolas que andam a fazer?

O que é o Troop Tube?


É um sítio para militares. Ou, se preferirem, é um sítio criado para que os militares americanos possam mostrar os seus filmes sem embaraçar o governo dos EUA e sem revelar segredos. Porque no Youtube qualquer espião pode meter a unha.

Troop Tube é controlado pelo... Pentágono e fechado a quem não seja americano, militar ou afim do departamento de defesa dos EUA.

A 25 anos luz da Terra


Na constelação de Piscus Austrinus, a dois passos estelares da Terra (25 anos luz), mora o Fomalhaut B, um exoplaneta cujo movimento de translação à volta da sua estrela solar demora 872 anos dos nossos.

Fomalhaut b, como se pode ver na imagem captada pelo telescópio espacial Hubble, possui um imenso anel de pó e escombros. Segundo os cientistas, tem a mesma massa de Júpiter. O nome, de origem árabe (Fom al-Haut), significa boca de peixe.

Até os bispos, meu deus, pedem diálogo

Os bispos apelaram, esta quarta-feira, ao "diálogo" entre os vários parceiros do sector da Educação por forma a serem ultrapassadas as divergências existentes. A contestação à ministra foi um dos assuntos abordados.
De acordo com o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), os bispos "não ficaram alheios" aos últimos acontecimentos, apesar de terem falado "marginalmente" da contestação a Maria de Lurdes Rodrigues.
Relativamente à nota pastoral - que estava a ser preparada há mais de um ano -, o porta-voz da CEP explica que o documento assenta em questões "prementes", admitindo "algumas coincidências" com as problemáticas em discussão. No essencial, a carta transmite uma preocupação quanto ao papel das instituições para um ensino de qualidade. É que "nem sempre as instituições do Estado facilitam o exercício que têm as escolas de educar bem", refere o padre Morujão, dando como exemplos "os sucessivos programas, mal implementados, não convenientemente avaliados".
Fonte: JN

Em que dá o quero, posso e mando


Os secretários de Estado da Educação Valter Lemos e Jorge Pedreira foram recebidos esta tarde com uma chuva de tomates e ovos quando se preparavam para entrar na Escola Secundária D. Dinis, em Chelas, Lisboa.

Segundo diz o Público, agentes do Corpo de Intervenção da PSP foram chamados ao local e o pátio foi evacuado.

É triste ver que estamos a caminhar para um endurecimento de atitudes que mostra à saciedade o quanto a educação é necessária.

O papel de vítima que alguns quererão representar depois do sucedido será a cereja em cima do bolo fétido que se tem cozinhado nos corredores governamentais.

O 'study case' Maria de Lurdes Rodrigues

Diz Manuel António Pina na sua crónica do JN: «Um responsável do SINDEP revelou ao DN, ilustrando o modelo de avaliação da ministra Lurdes Rodrigues, o caso concreto de uma professora com 9 turmas e 193 alunos que vai ter que introduzir manualmente no computador 17 377 registos e fazer 1456 fotocópias, além de participar em algo como 91 reuniões. Contas feitas, a 1 minuto por registo, e visto que a professora é um Usain Bolt informático, e não dorme nem come, nem se coça, nem se assoa, inteiramente entregue à avaliação, são 290 horas, isto é, 12 dias (noites incluídas).
Já 1456 fotocópias a 1 minuto cada (tirar o papel do monte, pô-lo na bandeja da fotocopiadora topo de gama da escola, esperar que saia fotocopiado e colocá-lo noutro monte), levam-lhe mais um 1 dia (noite incluída). E 91 reuniões, também de 1 minuto, mais 91 escassos minutos. Ao todo, a professora fará a coisa em pouco mais de 13 dias (noites incluídas). Qual "pesadelo burocrático" qual quê! No fim ainda lhe sobrarão, se alguém a conseguir trazer do cemitério ou do manicómio, 152 dias para dar aulas, aprovar os 193 alunos e contribuir para as estatísticas da ministra.»