20 novembro 2008

Grande, robotizada, fechada


Falamos da Livraria Byblos, localizada num edifício nas Amoreiras (Lisboa), com 150 mil títulos, uma área de 3.300 metros quadrados e um sofisticado sistema de identificação por radiofrequência.

A Byblos é uma empresa de Américo Areal, que vendera a editora ASA a Miguel Pais do Amaral e anunciara a entrada no negócio de livraria com pompa e circunstância. Inaugurada em Dezembro de 2007, a Byblos não chega sequer a ter um ano de vida. Fechou.

Dívidas a fornecedores e outros problemas de tesouraria ditaram a sorte da megaloja.

Areal esperava facturar 10 milhões por ano. Pelos vistos não chegou lá.
Porque se investe tanto em tipos de livrarias que já existem?

Grátis? Ou a caminho da ruína?

Por enquanto é cedo, tanto mais que todos os governos têm medo. Gastam-se fortunas em propaganda e o dinheiro não é elástico. Por isso, corta-se onde dói menos: na educação. Porque a gente bem pode pagar colégios e ter o que os outros não têm nem nunca terão.
Escola grátis é escola sem dinheiro. Soa bem encher a boca com integrar, incluir e outros verbos politicamente correctos, mas pagar o que isso custa é que ninguém gosta. Gastam-se fortunas com a inclusão e todo o ensino está a orientar-se para a mediocridade: vale mais um aluno problemático do que cinco bons. Ao aluno problemático dá-se tudo: leis, material, tolerância para lá dos limites do razoável, dinheiro. Os resultados são o que são. Mas qualquer governante gosta de mostrar essa consciência social. O problema é que a pouco e pouco a degradação da escola pública é maior, pois os alunos rapidamente percebem que são reis e senhores de um sistema que, na verdade, se está nas tintas para eles.
Passou-se, em três ou quatro lustros, do oito para o oitenta. Em nome da democracia, dos direitos, da igualdade. Mas e os deveres, a responsabilidade, o esforço?
Integrar sai muito caro e o povo de um país tem de saber quanto custa e decidir se quer ou não que isso seja assim. Os governos não podem, a pretexto dos ares do momento, cortar para "poupar", quando logo a seguir gastam muito mais em propaganda ou a salvar bancos.
Se o Estado quer que a escola seja um imenso parque de entretenimento tem de abrir os cordões à bolsa e pagar aos que vão entreter. Se o Estado quer que os alunos aprendam, conheçam, saibam, tem de se deixar de tangas e dar o nome aos bois.
De resto, onde é que está provado que o homem nasce bom e é o meio que o estraga?

19 novembro 2008

Mammuthus primigenius


Há cerca de 1,6 milhões de anos apareceram os mamutes. Viveram em África, na Europa, na Ásia e na América do Norte, acabando por demandar a norte regiões mais frias. Desaparecerem há dez mil anos.

Os mamutes-lanudos (Mammuthus primigenius) gostavam imenso do frio. Não admira portanto que alguns deles, quando morreram, tenham ficado presos e muito bem conservados no solo gelado da Sibéria. Mesmo o pêlo que os cobria sobreviveu até aos dias de hoje, durante milhares de anos, no permafrost.

Webb Miller e Stephan Schuster, da Universidade Estadual da Pensilvânia, conseguiram agora reconstituir a gigantesca molécula de ADN contida no núcleo das células de mamute – e começar a desvendar os segredos mais íntimos da evolução e da biologia destes mamíferos pré-históricos. É o primeiro genoma de um animal de uma espécie extinta.

Utilizaram como material de base, para extrair o ADN, o pêlo de uma múmia de mamute com 20 mil anos e de outra com 60 mil, ambas da Sibéria. O ADN capilar apresenta duas vantagens em relação ao ADN dos ossos, que é o habitualmente disponível nos restos fósseis: resiste melhor às intempéries, “porque o invólucro do pêlo o protege como uma embalagem de plástico biológico” e resiste melhor à contaminação pelo ADN de bactérias ou fungos, algo que pode fazer com que o ADN sequenciado nem sempre pertença ao animal e torna ainda mais árdua a autenticação dos genes.

Os cientistas conseguiram obter algumas pistas acerca da história deste antigo elefante e dos seus parentes actuais: divergiram há cerca de seis milhões de anos e deram origem a dois grupos há dois milhões de anos, que formaram duas subpopulações na Sibéria. Apenas uma delas sobreviveu até há dez mil anos (a outra ter-se-á extinto há 45 mil). As diferenças genéticas entre os mamutes e os elefantes modernos são mais pequenas do que se pensava. Ao contrário dos humanos e dos chimpanzés, que se separaram mais ou menos na mesma altura e que rapidamente deram origem a espécies diferentes, os mamutes e os elefantes evoluíram de forma mais gradual.

O trabalho agora publicado mostra que é mesmo possível sequenciar o ADN de espécies extintas. A próxima etapa nesta saga será a da sequenciação da totalidade do genoma do homem de Neandertal, extinto há uns 30 mil anos, que Svante Pääbo, do Instituto Max-Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, na Alemanha, espera completar num futuro não muito longínquo (em Agosto, a equipa de Pääbo publicou a sequência do ADN mitocondrial daquele homem primitivo). Aí saber-se-á, finalmente, o que nos separa e nos aproxima desse homem pré-histórico.


Fonte: Público

National Geographic Games


O grupo National Geographic anunciou a criação do National Geographic Games (NGG), que produzirá videojogos orientados para a exploração do mundo e da natureza.

Herod's Lost Tomb é o primeiro jogo e... grátis. Sim, leu bem. Pode descarregá-lo do sítio do National Geographic.

Ainda este mês serão lançados mais jogos: o National Geographic Panda e o National Geographic Africa.

18 novembro 2008

Sapiência e opinião

Quando se avalia para dizer que se avalia ou quando a avalição tem como finalidade limitar o mérito, resta o vazio ou a brincadeira.
O Estado tem escolas mas não sabe como avaliá-las. Porque a política do governo e do partido que o sustenta é omissa quanto à educação.
O assunto parece simples, mas é complicado. Se o governo tem apenas como objectivos poupar nos salários e parecer bem nas estatísticas, é porque não tem uma ideia válida. Limita-se a gerir o vazio, criando mais vazio (de que os magalhães são um bom exemplo).
A questão de fundo continua arredada dos debates: que educação? que escolas? que tipo de ensino?
Se isso fosse claro, avaliar era simples. Assim, continuaremos a fazer de conta que todos sabemos muito bem o que é a educação e a dizer que os professores são uns malandros que não querem ser avaliados. Se lhe juntarmos o ressentimento de quantos, mesmo adultos, continuam a pensar que foi o professor A ou B que lhes tramou a vida, facilmente concluimos que o problema não é a avaliação mas como castigar esses malditos que leccionam. E que inventam tudo: programas, políticas, comportamentos e o resto.
Os professores (que Maria de Lurdes Rodrigues desprezou e a quem apelidou de professorzecos, acreditando, como tantos, que um professor só é gente se é professor universitário) têm vindo a mostrar-se e os resultados estão à vista. São muito melhores do que todos pensavam. Estão muito melhor preparados do que parecia. Sabem o que fazem e o valor que têm.
Pela primeira vez são eles que falam. E como são eles que falam a população pode perceber o que pensam. Até há pouco falavam os sindicatos e gentinha que escreve para jornais e tem espaço na TV que da escola sabe mada. Agora falam os professores e, convenhamos, sabe bem ouvi-los.
São a prova de quem ainda há muita qualidade na escola pública. Se isso não se converte em resultados convém perguntar aos políticos o porquê?
É que são eles quem há décadas produzem leis contraditórias e tentam com remendos de circunstância evitar o debate necessário: que escola? que ensino? que futuro?

A minha amiga Televisão


Os infelizes vêem mais TV, diz um estudo norte-americano. As pessoas felizes lêem mais jornais e socializam-se mais do que as infelizes.
Dizem os cientistas que a televisão é ela mesmo um dos factores que provoca infelicidade e ao mesmo tempo dependência, sobretudo, nos sujeitos mais vulneráveis como os com poucas habilitações, John Robinson explica: "A televisão pode dar aos telespectadores um prazer de curto prazo, mas um mal-estar com o passar do tempo." A mesma opinião é reforçada por Steven Martin que diz: "Actividades de adição produzem momentos breves de prazer, mas a longo prazo infelicidade e arrependimento. As pessoas mais vulneráveis à adição tendem a estar socialmente ou pessoalmente em desvantagem com a televisão a tornar-se um opiáceo."
A crise irá fazer aumentar o consumo de televisão em minutos, segundo previsão da União das Televisões Comerciais Associadas (Uteca). Este organismo constatou uma queda de 9% nos gastos com o ócio - ir ao cinema, jantar fora, ou viajar - e um aumento de 3% no consumo de minutos de televisão.
O mesmo estudo revelou ainda que os jovens são aqueles que menos tempo passam em frente ao televisor - 146 minutos por dia, contra os 314 minutos dos maiores de 65 anos e os 263 minutos da faixa etária dos 45 aos 65 anos.

17 novembro 2008

Aprender

Fala Ron Aharoni, professor de Matemática Pura, que dava aulas na universidade em Israel e que, há oito anos, aceitou o desafio de ensinar ao 1.º ciclo. Autor do livro Aritmética para os Pais (Gradiva), veio a Portugal participar na Conferência Internacional sobre Educação da Fundação Calouste Gulbenkian, este ano dedicada à Matemática.
«Os pais aprenderam melhor do que os filhos?
Sim, aprendemos muito melhor do que eles. Aconteceu algo na educação em todo o mundo... O maior problema é que os professores não ensinam porque lhes foi dito para não ensinarem. No ensino estão os profissionais mais fracos, os que não foram para outras áreas como as tecnologias. E isto é um problema em todo o mundo. Foram poucos os países que tiveram sabedoria para dar salários atraentes aos bons professores. Não sei como é que se resolve este problema, que é grave.
A solução passa por ensinar os professores?
O principal caminho para ensinar os professores é através dos bons manuais escolares. Os manuais que existem vão na direcção errada, porque promovem actividades divertidas e a aprendizagem fica perdida. O problema é que os livros saltam etapas ou seguem teorias modernas.
(...) A verdade é que todos ensinam o que sabem e não o que os outros precisam de saber. Por isso, os académicos ensinaram teorias ou estatística. Também ensinaram actividades divertidas e isso é horrível, porque as crianças não precisam de estar divertidas, elas precisam de compreender e só se o fizerem é que aprendem a gostar. A Matemática não tem que ser divertida, mas compreendida.
(...)
É importante saber a tabuada?
Se cada vez que queremos escrever uma carta tivermos que pensar como é que se juntam as letras... Para a Matemática o raciocínio é o mesmo: é preciso ter automatismos e a tabuada é essencial. Os pais podem ajudar os filhos a aprender, por exemplo, a dizê-la de trás para a frente.
(...) Qualquer actividade em que a criança tenha de se concentrar é boa para desenvolver a capacidade de trabalho que a Matemática exige. Outra coisa muito importante e que sempre ensinei aos meus três filhos é: ser preciso nas formulações, dizer correcta e claramente o que se quer dizer, nunca deixar os outros adivinharem o que se quer dizer, mas usar as palavras certas.
(...)
O Governo português iniciou este ano a distribuição de computadores portáteis às crianças do 1.º ciclo. Concorda?
Não conheço o projecto. Sabemos que o cérebro das crianças é completamente diferente e que trabalha muito rapidamente. Se elas podem aprender com o computador? Todas as tentativas feitas até hoje nesse sentido falharam. Não sei se porque as crianças preferem brincar no computador do que trabalhar... Penso que no 1.º ciclo o contacto com o professor é o mais importante. Muitos pais podem apoiar os filhos nos primeiros anos, mas há-de chegar uma altura em que deixam de conseguir fazê-lo.
E depois, o que é que podem fazer?
Quando eles sabem mais do que nós é bom, faz parte da vida, é sinal de que estão a crescer! Mas os pais também podem investir na sua aprendizagem, como ler um livro ou estudar. Não é difícil!»
Fonte: Público

Aprender a ler


Fala Robert McKee, que o DN considera o 'guru' dos argumentistas e autor da chamada 'bíblia' destes, Story: Substance, Structure, Style and the Principles of Screenwriting.

Vejamos um excerto dessa entrevista que, esperamos, possa ser útil a professores, leccionem ou não língua materna.

«O que significa escrever? Significa que recorremos à nossa imaginação constantemente. Vemos o mundo pelos olhos da nossa personagem, imaginamos que somos essa personagem e escrevemos uma página. A seguir, lemo-la. E o que estamos a fazer ao lê-la? Estamos a criticá-la, a analisar o que redigimos. E a qualidade da nossa crítica baseia-se na nossa técnica, no nosso ofício de escrita, no que sabemos sobre o que significa escrever, estruturar, pensar personagens, cenas, situações, e reescrever e melhorar o que escrevemos. Nós criamos e criticamos, Escrevemos e lemos, para a frente e para trás. Se não temos a técnica, se não dominamos e compreendemos os elementos da arte de contar uma história por escrito, quando fazemos a crítica, estamos apenas a comparar o que escrevemos com o que todos os outros escritores escreveram. Por isso, não será uma crítica, será apenas uma cópia, porque não analisámos criativamente o que escrevemos.

Podemos escrever muito e ser tudo sempre mau, podemos estar sempre a repetir banalidades. Temos sempre que nos afastar do que escrevemos e examinar tudo. É verdade que quanto mais escrevemos, melhores ficamos, se, como disse Norman Mailer, "o escritor for capaz de cheirar a sua própria merda". Isto é, temos que saber quando estamos a escrever porcaria, e sermos capazes de puxar o autoclismo (risos). A autocrítica é a chave (...). Uma das coisas de que nos apercebemos quando escrevemos, é que 90 por cento de tudo o que fazemos não presta.

O talento só não chega, há que ter também o ofício. Uma pessoa pode ter muito talento para escrever, mas se não é capaz de se auto-criticar, de se ajuizar a ela própria, não irá longe. O talento só também não é suficiente na música. Se os meus alunos quisessem ser compositores em vez de argumentistas ou escritores, iriam frequentar uma escola de música. E estudar muito. Porque é que a escrita tem que ser diferente da composição musical?

Vivemos numa era, em todas as artes, em que só se faz arte sobre a arte. A humanidade já explorou até à exaustão as possibilidades de todas as formas artísticas. Todas as artes estão formalmente esgotadas. Para onde vamos agora? Temos que regressar à fonte que é a vida. Uma obra de arte não é uma metáfora sobre outra metáfora. É uma metáfora sobre a vida. A vida é difícil de expressar. Fazer arte sobre a arte é mais fácil. Mas temos que voltar ao concreto da vida, à nossa essência humana. Não é sexy, não é vistoso, não é cool, mas é tudo o que tivemos desde o início, e é tudo o que teremos enquanto seres humanos: as nossas vidas miseráveis. E quanto mais sentido fizermos delas e de nós, melhor. Acho que a nova geração está a ficar farta de tretas e a perceber que o espectáculo da má música, da má literatura, da má pintura, do mau cinema, é banal, superficial, e uma perda de tempo.»

Mickey e companhia



Rato Mickey






Nasceu há 80 anos, no dia 18 de Novembro de 1928. A primeira aparição deu-se em "Steamboat Willie", paródia a um filme de Buster Keaton que dá a conhecer um pequeno roedor, preto, de calções e sapatos. Se a personagem saiu da imaginação de Walt Disney, quem lhe definiu os traços que são hoje reconhecíveis em todo o mundo foi o desenhador norte-americano Ub Iwerks.

Em 1930, dois anos depois da projecção dos primeiros filmes de animação, surgiram as tiras de banda desenhada na imprensa, novamente com desenhos de Iwerks e mais tarde de Floyd Gottfredson, aquele que definiria os traços e a personalidade de Mickey.

Inicialmente, era o próprio Walt Disney quem emprestava a voz ao divertido rato que sempre olhava para a vida pelo lado optimista. Chegou a chamar-se Mortimer Mouse, mas acabou por ficar Mickey Mouse (a mulher de Walt não gostava muito de Mortimer), acabando por se converter na personificação da empresa Disney como máquina de magia e fantasia.

Tem o par de orelhas mais iconográfico da animação mundial e foi, durante anos, um personagem apelativo e rebelde, capaz de seduzir várias gerações.
Em Portugal as histórias do Rato Mickey surgiram pela primeira vez a 21 de Novembro de 1935, numa revista intitulada "Mickey", que custava 1$50 e que durou até finais de 1936.
Nela vinham publicadas em português, com a primeira página, as centrais e última página impressas a cores, as tiras dos jornais norte-americanos com uma diferença temporal de algums meses.

Nos anos 1950, surgiu uma nova publicação - "Rato Mickey" - editada pela Agência Portuguesa de Revistas, mas a verdadeira massificação ocorreu nos anos 1980 através das revistas da Disney provenientes do Brasil.

Simplex

Portugal é um país curioso. Herdeiro da Inquisição e do Estado Novo foi capaz do 25 de Abril e de integrar. Mas parece apostado em regredir ao tempo do maccarthismo e do estalinismo. Quanto mais caça às bruxas e quanto mais burocracia melhor: parece ser o lema de quantos correm pressurosos atrás do vazio e prescindem da sua natureza de sapiens por medo de perder o emprego.
Os tempos não correm de feição à democracia ou à crítica. O medo generaliza-se e vemos pessoas que até há pouco tinham algum sentido de humor completamente intoxicadas, numa correria burocrática que apenas as desgasta e cujos resultados não servem para nada, excepto evitar que os seus próprios salários aumentem (sim, sim: trabalham mais e ganham menos).
Algo que no país da inveja colhe bons dividendos, pois a miséria ainda está muito interiorizada (os telemóveis, nets e demais tecnologias são apenas a máscara que não consegue esconder o que está por detrás dela). No país da miséria as pessoas gostam de se nivelar miseravelmente. Quanto mais pobres todos, mais felizes, pois o mérito irrita a maralha. O único mérito que reconhecem é o do poder mais boçal (o do quero, posso e mando).
Para muitos, educação é sinónimo de ocupação de tempos livres. Por isso, tudo o que cheire a estudo, esforço, empenho, rigor (científico), criatividade cheira mal. O que as pessoas querem é facilidade e promiscuidade. Os anúncios debitam fantasias diária e constantemente e sonhar é que é bom. Sonhar que a vida vai ser um mar de rosas, porque neste momento é um emaranhado de espinhos. Sonhar que tudo cai assim do céu, qual dádiva divina ou qual milagre.
Por isso, doutoramentos ou mestrados não têm qualquer valor. A malta é toda igual, tenha o antigo quinto ano do liceu ou um doutoramento. Olha, olha, o antigo quinto ano do liceu vale mais do que qualquer doutoramento. Naquele tempo é que era. Isto para não falarmos da antiga 4.ª classe, que essa, então, dá logo direito a cátedra universitária.
Um país que desbarata recursos e "capital humano" é um país votado ao fracasso. Mas isso, já todos parecem ter interiorizado com o leite materno ou com o leite em pó. O que importa agora é cumprir outro desígnio: afastarmo-nos cada vez mais dos países mais desenvolvidos. Ficarmos cada vez mais pobres. Criados, empregados de mesa, apanha bolas serão os grandes empregos do futuro (não porque sejam bem pagos, mas porque serão os únicos).

Há um ano


Quem é Albino Almeida? Não sei. Dá a cara pela Confap (espécie de braço direito do ME) e gosta de dar à língua. Fala de tudo menos do que devia falar. Mas quem está preso, só pode mesmo entreter-se com blá-blá.

Há um ano Paulo Guinote deixou no seu blogue o que pensa sobre o assunto Escola versus Família. Em jeito de efeméride transcrevemos uns excertos.

«A Escola a Tempo Inteiro é apresentada como uma grande conquista da acção deste Governo, deste ME, aplaudida pela Confap actual e por diversos opinadores (preo)ocupados com a situação das crianças, cujos pais não conseguem acompanhar devidamente e, por isso, devem ser deixadas mais de 10 horas “nas mãos” (não gosto da expressão por uma multiplicidade de razões) do(a)s professore(a)s.

É um excelente exercício de spin sobre a admissão clara de um fracasso do Estado Social e a demissão de quem representa as “famílias” de efectivamente as defender pela via certa que deveria ser a da “Família a Tempo Inteiro” ou, no mínimo, a “Família a Meio-Tempo”.

Porque parece que as coisas mudaram de lugar e a lógica se retorceu por completo neste país, nestes tempos. Com que então a Escola a Tempo Inteiro é uma grande conquista social? Porquê?

Não seria antes uma conquista ter-se conseguido desenvolver o país para que as “famílias” pudessem dispor de condições para estar perto dos seus filhos todo o tempo possível?

(...) a Escola a Tempo Inteiro é apenas algo que se destina a apaziguar as “famílias” que, cada vez mais, são obrigadas a trabalhar em condições mais precárias e vulneráveis. Que não podem faltar, sob pena de perda do posto de trabalho no final do contrato. Que são obrigadas a cumprir horários incompatíveis com uma vida familiar harmoniosas. Numa altura em que, cada vez mais, as famílias são menos do que nucleares.

A Escola a Tempo Inteiro é um óptimo contributo para todos os empresários e empregadores que defendem a desregulação - pelo abuso - do horário de trabalho dos seus empregados. Se é isso que vai desenvolver o país? Abrindo mais umas dezenas de centros comerciais para as “famílias” tentarem desaguar as frustrações ao fim de semana?

Quem defende as “famílias” deveria defender, em coerência com os seus princípios, que o Estado protegesse a vida das ditas “famílias” a partir da melhoria das suas condições de vida. A defesa da Escola a Tempo Inteiro é a admissão de um fracasso, de uma derrota e não o seu contrário.

Eu, por exemplo, preferia viver num país com horários de trabalho que permitissem que os encarregados de educação dos meus alunos pudessem comparecer na escola num horário de atendimento civilizado e não em reuniões pós-laborais para todos. Gostaria de eu próprio não depender da Escola a Tempo Inteiro se o pudesse evitar.

Mas não. O Portugal Socrático, moderno e tecnológico, é um país falhado, com uma sociedade fragmentada e crescentemente fracturada e desigual.

(...) A Escola a Tempo Inteiro é um projecto de sucesso se assumirmos que entre nós o Estado Social falhou irremediavelmente.

A Família a Tempo Inteiro, isso sim, teria sido uma enorme conquista e a marca do sucesso de um Portugal desenvolvido.»


Um pouco de espanhol para desenferrujar


Fernando Reimers, Catedrático de Educação na Universidade de Harvard e acessor de Barak Obama para a política educativa foi entrevistado pelo El País. Transcrevemos excertos dessa entrevista, por a considerarmos muito pertinente no momento actual.

«La escuela pública como la conocemos es el resultado de las ideas de Rousseau, que planteaba que es el contrato social el que permite la virtud, lo que hace que los seres humanos mejoren, a través de la acción colectiva, en las sociedades en las que viven. Con el tiempo, a medida que las concepciones de ciudadanía van evolucionando también lo hacen las concepciones sobre qué significa leer y en consecuencia sobre la mejor forma de hacerlo. (...)

Hace un siglo o dos se consideraba que aprender a leer era algo que se lograba al adquirir las competencias básicas de decodificación. Actualmente, la codificación de textos simples, si bien tal vez sea suficiente para tomar el autobús o el metro, no lo es para aprender a lo largo de toda la vida o para comprender diversos textos sobre asuntos públicos. Ambas condiciones son esenciales para participar en economías basadas en el conocimiento o en democracias complejas. (...)

uno de los resultados de la globalización es precisamente dar mayores oportunidades a las personas con mayor nivel de preparación.

Pienso que la buena educación es multidimensional. Hay una dimensión de excelencia académica que es muy importante, y hay una dimensión ética, de valores, que también lo es. Educar no es informar, sino desarrollar el talento, y también el carácter de las personas.»

Ser velho em Portugal ou noutro país


Segundo um estudo da Universidade de Leicester (Inglaterra), o lugar onde se vive importa quando se fala de velhice. Um velho em Portugal não tem o mesmo dinamismo que um velho em Espanha ou na França ou na Holanda.

A partir dos 50 anos, notam-se desigualdades substanciais na qualidade de vida, consoante o país donde se é. Assim, os portugueses do sexo masculino só se encontram, em média, em condições físicas para trabalhar até aos 64,9 anos. No caso das mulheres é pior, já que a idade limite em que se encontram em condições de prestar serviço está nos 62,7 anos.

O índice "Anos de Vida Saudável" (HLY, em inglês) fixa a qualidade de vida a partir dos 50 anos e compara-o com o índice de expectativa de vida de cada um dos países da União Europeia.

O estudo pergunta: aos 50 anos de vida, quantos é que ainda podemos contar com saúde? Esse é que é considerado o dado de facto para aquilatar da possibilidade de continuar a trabalhar. E não o aumento do nível médio de esperança de vida.

Viver mais tempo não significa viver melhor.

A partir dos 50, são os dinamarqueses aqueles que vivem melhor, juntamente com os malteses e os italianos.

Os custos do transporte


Quem vende peixe tem muitas despesas. Quem pesca, não. De resto, os pescadores são gente nobre por definição literária. E os comerciantes são o que sempre foram: comerciantes.

O comércio é todo ele muito difícil. Não há actividade mais complicada: comprar a 0,7 e vender a 5. Vocês sabem o preço do litro do gasóleo? E quanto recebem os moços de carga e o motorista? E o aluguer do espaço no mercado?

Os barcos não andam a gasóleo. É o vento que trata disso. Os pescadores não têm despesas nenhumas e ainda por cima bebem mais do que a conta. Mais centésimo menos centésimo é igual.

Coitadinhos dos comerciantes.

16 novembro 2008

A vida inspira-nos


Pensamento pisciano: A luta ansiosa pela felicidade é o que dá infelicidade a muita gente.

Hoje estamos muito felizes, por isso, transcrevemos o que é isso de felicidade.
«A conquista da felicidade vem no aprendizado diário de viver sabendo aceitar e expressar os desejos e sentimentos, construindo os próprios projetos de vida e empenhando-se para realizá-los.
Um sentimento que expressa de alguma forma, satisfação em ter uma necessidade saciada, um projeto realizado.
Compreender essa sensação, é saber individualizar no universo pessoal, pois o que é motivo de felicidade para uns, pode ser de infelicidade para outros. É um sentimento que pode diferenciar em cada instante tendo significados diferentes.
Depende de cada um, sabendo que só conta consigo mesmo para realizar seus desejos, vontades e projetos. A procura do auto conhecimento ajuda na transformação de desejos em vontade e da vontade em projeto de vida. Aprendendo a ser responsável pelas próprias escolhas, assumindo o sofrimento dos erros e fracassos e o gosto das conquistas e vitórias.
A teoria do psicodrama mostra que desenvolvendo respostas criativas e corajosas no sentido de expressar os seus sentimentos e de realizar a sua vontade própria, ajuda na busca dessa sensação. Construindo-se enquanto indivíduo, realizando e sentindo a felicidade.
»

O livro que fazia falta


Carolina Salgado é uma escritora pop mas ocasional. Margarida Rebelo Pinto é uma escritora pop e profissional. Ela escreve muito bem. Ela diz coisas muito diferentes. Ela tem piada. Ela é um must. Já não vende tanto como vendia. Mas explora novas oportunidades de negócio.

A nova história de MRP é para ajudar a Acreditar. Acreditar é o que faz falta. Se acreditássemos mais éramos mais obedientes, logo mais felizes. Margarida explica isso muito bem: «Era uma vez um dragão que não sabia que era dragão e uma princesa que não gostava de ser princesa». Acreditar é não saber quem somos. É pensarmos que somos outrem.

A Princesa Carlota e o seu amigo Dragão Guigui vão mostrar-nos como é importante Acreditar. Carlota é uma princesa moderna que quer viajar e conhecer o mundo antes de se casar, e Guigui é um dragão afastado da sua família que aprende a ser forte graças à sua melhor amiga. Acreditemos, irmãos.

HTTP Error 404 - Político honesto


1 - Entra no Google: http://www.google.pt/
2 - Digita o seguinte: 'político honesto'
3 - Prime em 'Sinto-me com sorte' e não em 'Pesquisa do Google'
4 - Lê a mensagem de erro que dá, com atenção.


Depois esqueça-se disso e leia um pouco um texto de humor. Por exemplo, este: «o partido [PS] neste momento é uma máquina eleitoral, é uma máquina de poder. Deixou de ter uma vida própria e uma vida autónoma, a direcção do partido é o Governo.»

Não é um poema do poeta Alegre. É um desabafo do militante e deputado Manuel.

A gente, pisca como é, não entende. Se o PS é um partido de poder, parece-nos que pretende manter-se no poder. E faz o que pode e sabe para isso. Sócrates não é homem de ideologias, mas de práticas. E julga ele que a maioria dos tugas adora ditadores, mesmo que fale mal deles, mesmo que pareça enfadado. Alguma razão deve ter. Até porque para que a razão esteja do lado dele manobra bem a propaganda, que os jornais servem embalada em credibilidade.

Já o poeta Manuel Alegre (ou o militante ou ex-candidato presidencial) é um homem de ideologia. E aflige-o que o seu partido não lhe dê ouvidos. Os tempos, pelos vistos, não estão de feição alegre. Mas não tardarão a chegar esses ventos. Mais um ano de crise, de desemprego e sobretudo de novo governo americano trarão mudanças. Sócrates vai passar a preocupar-se com isso e Alegre voltará a ser um belo quadro nas paredes das secções do PS.

Os quadros são importantes, mas o que os militantes de topo querem é tratar da vidinha e defender a camisola. Pensar, estudar, aprofundar assuntos não é próprio desta época (algo que o modelo de avaliação dos professores de Sócrates e Maria de Lurdes confirma). O dito "pensamento único", a obediência, o servilismo, a ausência de autonomia e a nula criatividade são os valores de um país inculto, semi-analfabeto e ávido de dinheiro. Sócrates fala-lhes ao coração, Alegre não. Alegre quer ser o político honesto e a populaça não vai em cantigas.

15 novembro 2008

Vais fazer de Pai Natal?


G2.

Outros rótulos





G$.

Rótulo para garrafas de lexívia


De manhã é não, mas à tarde já é sim


Primeiro lemos o seguinte: «A Polícia de Segurança Pública (PSP) deixou de revelar o número de participantes em manifestações por ser uma informação sem “nenhuma mais-valia”, disse o director-nacional da polícia Oliveira Pereira».

Horas depois, já mudaram de opinião: «A manifestação de professores realizada hoje em Lisboa terminou às 17h30, três horas depois de ter começado, estimando a polícia que tenham estado no protesto cerca de sete mil professores, enquanto os organizadores falam em mais de 20 mil participantes.»

Donde se conclui o seguinte:

1.º O Governo deu instruções à PSP para não revelar números. Porque estiveram muito mais de 120 mil pessoas na rua.

2.º O mesmo Governo, convicto de que hoje o número era reduzido, deu instruções para que se avançasse com números. As discrepâncias são evidentes: mais de 18 mil pessoas de diferença entre os da PSP e os da organização.

3.º Nos próximos dias algum manga de alpaca virá a público defender a tese de que os professores já estão maioritariamente do lado do Governo. Quem falar, fa-lo-á sob ordens de Sua Excelência o Senhor Engenheiro e versado em línguas Sócrates, José.

4.º Como pode a população portuguesa confiar numa polícia que mais do que cumprir a lei obedece a ordens directas dos minsitros?

Porque hoje é sábado




Opiniões




Clicar para ler

Sobreviver a ameaças psicológicas subtis


A publicidade feita a bens tão simples como um iogurte generaliza a ideia de que o desempenho sexual de cada um deve ser perfeito, frequente e duradouro, mas a realidade será bem diferente. Apesar de as pessoas não o admitirem. Ou de só o confessarem em inquéritos, com a segurança do anonimato e sob garantia do segredo profissional de médicos ou psicólogos.

As pessoas estão cansadas de ter de cumprir os padrões mediatizados , inclusivé pelo cinema. Assim pensa Stuart Walton, um dos conferencistas de "As Regras da Atracção", na Culturgest.

Na sua opinião, há a tendência para "um espírito de contabilista" quanto à periodicidade dos actos sexuais. "Por que razão tem de ser problema a falta de sexo e a necessidade deste não pode ir e vir como qualquer apetite?"

As inibições do desejo sexual têm muitas origens. Desde falta de intimidade; dificuldades de comunicação entre o casal; tabus sobre a própria sexualidade, como, por exemplo, associações de sexo com pecado, com desobediência ou com punições; problemas no casamento (brigas, desentendimentos quanto ao que cada um espera do relacionamento); problemas hormonais; uso de certas drogas e remédios; doenças como diabetes, colesterol, alcoolismo, tabagismo; ejaculação precoce; disfunção eréctil; vaginismo; disfunção orgásmica.

O desejo, embora latente, esmorece sob pressão. Se para a maioria das pessoas "actividade sexual" significa relação sexual, para outras, sobretudo mulheres, pode simplesmente querer dizer ter o companheiro junto de si, tocar, agarrar, manifestar ternura.

Por isso, há cada vez mais gente a sentir falta de momentos românticos. Há quem viva esse romantismo virtualmente. Cada um escolhe o que mais lhe interessa, mas que tal um passeio por aqui?

Fala Aires Almeida, professor de Filosofia e autor de um manual dessa disciplina


Que o novo modelo de avaliação é inútil e ineficaz já o provou definitivamente, sem o querer, a senhora ministra. Diz ela repetidamente que esta avaliação é absolutamente necessária para a qualidade do ensino e para a melhoria dos resultados. Porém, anunciou com grande pompa ao país que os resultados melhoraram no último ano, o que acabou por ser reforçado com a divulgação dos resultados dos exames nacionais. Só que esta apregoada melhoria da qualidade e dos resultados verificou-se ainda antes de o modelo de avaliação produzir qualquer efeito. Logo, fica provado que a avaliação não é uma condição necessária para a melhoria da qualidade e dos resultados. O que leva então a ministra a dizer que a avaliação é absolutamente necessária?

A obsessão do ministério por controlar tudo e todos até ao mais pequeno detalhe está bem patente no modelo de fichas de avaliação que impõe às escolas e aos professores (parece que a ideia é a de que, entre tanta coisa pedagogicamente inane, sempre há-de haver uns quantos aspectos em que o avaliado vai falhar, de modo a não atrapalhar as escassas cotas disponíveis para progressão na carreira). E o mais irónico é que, quando se encontram incoerências e impasses nas instruções oriundas do ministério, a ministra deixa o problema para as próprias escolas com o argumento de que lhes quer dar autonomia na construção dos seus instrumentos de avaliação. (...)

Mas o pior de tudo é que o modelo de avaliação fabricado na 5 de Outubro não vai permitir distinguir os bons dos maus professores, ao contrário do que a senhora ministra alega. Talvez seja até pior do que a completa ausência de avaliação, premiando arbitrariamente alguns dos maus e castigando cegamente muitos dos bons. (...) o modelo, além de burocrático, como convém ao Big Brother, obedece a uma espécie de pensamento único pedagógico: há um dogma pedagógico subjacente a que todos têm de aderir, tal como se emanasse do Ministério da Verdade orwelliano. Esse dogma é o da pedagogia do eduquês: são os resultados a qualquer preço, é a inovação a martelo, são as “estratégias de ensino-aprendizagem” como se o professor fosse o aprendiz (também o é, mas noutro sentido). Enfim, é a avaliação do portfólio e dossiê do professor para ver se ele tem o seu caderno diário em ordem, infantilizando uma actividade em que, pelo contrário, se exige autonomia e auto-confiança.

(...) É relativamente fácil apurar se o professor soube realmente ensinar e se os alunos conseguiram realmente aprender, independentemente da metodologia usada e das concepções pedagógicas em jogo, desde que os seus alunos realizem no final do percurso exames bem concebidos. E se se ponderarem os resultados dos exames comparando-os com a média de cada disciplina nas respectivas escolas, estamos muito próximos de um sistema de avaliação muito mais justo, simples, eficaz e dignificante para todos. Claro que para isso era preciso haver mais exames, além de melhores programas e de mais formação de professores, coisas que não parecem interessar minimamente a senhora ministra.

(...) quando a senhora ministra afirma totalitariamente que ou se aplica o seu modelo ou não há outro, só pode estar a fazer chantagem, o termo que utiliza para descrever o comportamento dos sindicatos junto dos professores, como se os professores fossem idiotas. A verdade é que neste momento já não são os sindicatos a comandar os professores, mas os professores a empurrar os sindicatos, de tal modo que os próprios sindicatos já não estão em condições de cumprir o acordo assinado há meses com o ministério. (...) Chama-se a isto desobediência civil e foi isso que fizeram em diferentes circunstâncias Gandi, Luther King, Bertrand Russell e muitas das referências cívicas e culturais do nosso mundo. É ilegítimo não cumprir a lei, diz a senhora ministra sem se aperceber que está a ser redundante. Pois é, é ilegítimo não obedecer à senhora ministra, pois foi ela que fez a lei. Mas terá mesmo de ser.

14 novembro 2008

Vinca (Catharanthus roseus)


A Vinca-de-madagascar (Catharanthus roseus), também conhecida por vinca, boa-noite, maria-sem-vergonha e bom-dia, é uma vulgar planta de jardim.
Da família das Apocynaceaecom tem propriedades antioxidantes e pode ser usada como aditivo alimentar ou na cosmética.
Conhecida pelos compostos anticancerígenos, usa-se a infusão das folhas para o tratamento de diabetes, febre, reumatismo, hemorragias, entre outras doenças.

"Crocodilo" - 23 milhões de anos


Foi encontrada numa mina do Estado de Chiapas (México) um âmbar contendo uma lagartixa inteira, com cerca de 10 centímetros. O achado, a que deram o nome de Crocodilo, é invulgar. Trata-se, provavelmente, do maior animal até agora encontrado mumificado em âmbar.

Além da lagartixa, podem ver-se também extintas formigas leptomyrmex a morder o réptil, um grilo, pquenos peixes e restos vegetais.


Fonte: El País

A Verdade


José Sócrates afirmou hoje que a economia nacional vai continuar a resistir aos efeitos da crise internacional, sublinhando que Portugal está fora da lista de países europeus em recessão.

“A nossa economia resiste e continuará a resistir”, afirmou o primeiro-ministro.

Se afirmou é porque é verdade. Tudo o que Sócrates diz é verdade. Disse que não ia subir impostos e não subiu. Disse que ia criar 150 mil empregos e criou. Por isso se diz que vai resistir é porque vai. Até porque Portugal, como todos sabem, é o que é porque Sócrates quer que seja assim.

Sócrates não é só adivinho, é a encarnação do divino. É Deus em pessoa. Alá esteja convosco, José Pinto de Sousa.

Me-me-me



Foto superior: O agente do me infiltrado
Foto inferior: Os alunos à espera de instruções


Os alunos manifestam-se contra as faltas. Porque, claro está, querem agradar aos professores. Aquela ovelha esquisita é um membro do governo, que não obedece às instruções dos professores. Pertence ao me -éé (leia-se ministério da educação ouié).

Telenovela - Ovos podres - Episódio 5

Os professores reunidos antes de pegarem nos fios com que magicamente conduzem os alunos

Para o governo, alunos e professores é tudo a mesma coisa. Nem os alunos têm opinião, nem são gente. Isso de terem associações, de poderem eleger representantes para os órgãos colegiais das escolas não passa de fachada.

Os professores, segundo a douta opinião do governo, também não percebem nada de nada. Devem é estar caladinhos e dizer mée e fazer o que o governo manda.

As opiniões, o sentido crítico são coisas do passado. O vinte e cinco de Abril já foi há muito tempo e este governo socialista parece apostado em recuperar o tempo perdido desde a queda do antigo regime.

Se o governo acha o que acha é porque tem razão. Se os alunos acham o que acham é porque são títeres manobrados pelos professores (há muita maneira de dizer como o governo trabalha, esta é, sem dúvida, uma daquelas que Freud explicaria com um sorriso nos lábios). Se os professores estão contra o modelo de avaliação é porque são comunas, ou seja, maus, irresponsáveis (será que ainda comem criancinhas?).

13 novembro 2008

Sismos: prevenção




A América prepara-se para um grande sismo. Sobretudo a Califórnia. Nos Açores nada. A última vez que a terra tremeu o susto foi grande. Foi em S. Miguel. Nesta ilha o silêncio tem sido a regra. Quando houver algo sério virão os ais e uis da praxe, mas secretarias regionais, protecção civil e escolas que andam a fazer?

O que é o Troop Tube?


É um sítio para militares. Ou, se preferirem, é um sítio criado para que os militares americanos possam mostrar os seus filmes sem embaraçar o governo dos EUA e sem revelar segredos. Porque no Youtube qualquer espião pode meter a unha.

Troop Tube é controlado pelo... Pentágono e fechado a quem não seja americano, militar ou afim do departamento de defesa dos EUA.

A 25 anos luz da Terra


Na constelação de Piscus Austrinus, a dois passos estelares da Terra (25 anos luz), mora o Fomalhaut B, um exoplaneta cujo movimento de translação à volta da sua estrela solar demora 872 anos dos nossos.

Fomalhaut b, como se pode ver na imagem captada pelo telescópio espacial Hubble, possui um imenso anel de pó e escombros. Segundo os cientistas, tem a mesma massa de Júpiter. O nome, de origem árabe (Fom al-Haut), significa boca de peixe.

Até os bispos, meu deus, pedem diálogo

Os bispos apelaram, esta quarta-feira, ao "diálogo" entre os vários parceiros do sector da Educação por forma a serem ultrapassadas as divergências existentes. A contestação à ministra foi um dos assuntos abordados.
De acordo com o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), os bispos "não ficaram alheios" aos últimos acontecimentos, apesar de terem falado "marginalmente" da contestação a Maria de Lurdes Rodrigues.
Relativamente à nota pastoral - que estava a ser preparada há mais de um ano -, o porta-voz da CEP explica que o documento assenta em questões "prementes", admitindo "algumas coincidências" com as problemáticas em discussão. No essencial, a carta transmite uma preocupação quanto ao papel das instituições para um ensino de qualidade. É que "nem sempre as instituições do Estado facilitam o exercício que têm as escolas de educar bem", refere o padre Morujão, dando como exemplos "os sucessivos programas, mal implementados, não convenientemente avaliados".
Fonte: JN

Em que dá o quero, posso e mando


Os secretários de Estado da Educação Valter Lemos e Jorge Pedreira foram recebidos esta tarde com uma chuva de tomates e ovos quando se preparavam para entrar na Escola Secundária D. Dinis, em Chelas, Lisboa.

Segundo diz o Público, agentes do Corpo de Intervenção da PSP foram chamados ao local e o pátio foi evacuado.

É triste ver que estamos a caminhar para um endurecimento de atitudes que mostra à saciedade o quanto a educação é necessária.

O papel de vítima que alguns quererão representar depois do sucedido será a cereja em cima do bolo fétido que se tem cozinhado nos corredores governamentais.

O 'study case' Maria de Lurdes Rodrigues

Diz Manuel António Pina na sua crónica do JN: «Um responsável do SINDEP revelou ao DN, ilustrando o modelo de avaliação da ministra Lurdes Rodrigues, o caso concreto de uma professora com 9 turmas e 193 alunos que vai ter que introduzir manualmente no computador 17 377 registos e fazer 1456 fotocópias, além de participar em algo como 91 reuniões. Contas feitas, a 1 minuto por registo, e visto que a professora é um Usain Bolt informático, e não dorme nem come, nem se coça, nem se assoa, inteiramente entregue à avaliação, são 290 horas, isto é, 12 dias (noites incluídas).
Já 1456 fotocópias a 1 minuto cada (tirar o papel do monte, pô-lo na bandeja da fotocopiadora topo de gama da escola, esperar que saia fotocopiado e colocá-lo noutro monte), levam-lhe mais um 1 dia (noite incluída). E 91 reuniões, também de 1 minuto, mais 91 escassos minutos. Ao todo, a professora fará a coisa em pouco mais de 13 dias (noites incluídas). Qual "pesadelo burocrático" qual quê! No fim ainda lhe sobrarão, se alguém a conseguir trazer do cemitério ou do manicómio, 152 dias para dar aulas, aprovar os 193 alunos e contribuir para as estatísticas da ministra.»

O folhetim do parente pobre


A cultura em Portugal sempre foi vista como coisa de élites, logo como algo excrescente. O Estado, gerido por muitos adeptos dessa visão, sempre teve um papel ambíguo. Por um lado, quis ser europeu (leia-se francês) e criou um ministério para a coisa. Por outro, sempre achou que, àparte entreter uma clientela luxuosa, a cultura não servia para nada. No entanto, de quando em quando, o escândalo cai-lhe no colo e encontra-o de pantufas. O Estado faz de conta que tem dificuldade em descalçar a bota, mas como está de pantufas a retórica sai-he baça e o povo percebe logo que é só fogo de vista.

Fernando Pessoa, como Camões, confunde-se com a pátria. E a pátria, como é tradição, cospe-lhes em cima. Mas quando o assunto money money salta para as parangonas não há bicho careta que não se ponha em bicos de pés a apontar o dedo. O problema é que são dedos de pobre...

A arca, meu deus, a arca... Esse símbolo, esse pedaço heteronímico de Pessoa que oscila entre os 50 e os 100 mil euros (diz a leiloeira). Os símbolos são assim, caros. Ou baratos (depende do lado donde se olha).

Fotografias, manuscritos, correspondência e outros papéis de Fernando Pessoa vão hoje a leilão (21.00, Centro Cultural de Belém) podendo ser comprados por qualquer pessoa. Porém, o comprador chegará ao final da noite sem ter a certeza de que os bens que licitou irão de facto ser seus. Terminada a venda, a leiloeira deverá informar o Estado de todos os bens vendidos, valores envolvidos e identificação dos compradores. E o Estado terá, então, oito dias para exercer o direito de preferência.

O leilão tem sido criticado por vários investigadores. José Barreto, do Instituto de Ciências Sociais, defende que o Estado há muito tinha obrigação legal de inventariar tudo o que estava nas mãos da família e que a leiloeira incorre em ilegalidade ao vender estes materiais sem prévia inventariação. Barreto, que escreveu duas cartas a alertar o ministro da Cultura, acha que os herdeiros de Pessoa "eximiram uma parte importante do espólio ao arrolamento ordenado pelo ministro José Hermano Saraiva". Dado que decorreram 40 anos desde o despacho de Saraiva, a questão tornou-se juridicamente irrelevante. E acresce um detalhe misterioso: é que ninguém sabe onde pára o despacho do então ministro da Educação. A Biblioteca Nacional chegou a pedi-lo ao próprio Saraiva, mas nem este o encontrou.

Mais um alerta, mais uma voz ponderada

O presidente do Conselho das Escolas (órgão consultivo do Ministério da Educação) alertou hoje para o mal-estar que se vive no ensino, em consequência do processo de avaliação de desempenho, sublinhando não ter memória de alguma vez se ter registado um tal "ambiente de tensão".
A situação é preocupante, segundo Álvaro Almeida dos Santos, pois "Um dos factores promotores da aprendizagem é o clima que se vive e quando o clima é fortemente perturbado e boa parte do trabalho e das discussões se esgota na questão da avaliação é porque algo não está bem".
"Sou professor há 25 anos e estou há dez como presidente do conselho executivo. Lembro-me de, há 17 ou 18 anos, ter havido um clima de muita tensão que teve a ver com questões ligadas à carreira docente, mas não com a dimensão actual. Com esta dimensão pública, não me lembro", alertou.

Deitar água na fervura... de Sócrates

Sócrates, já se percebeu, ferve em pouca água. Lida mal com as contrariedades e como não tem argumentos socorre-se do autoritarismo.
Felizmente, o partido dele tem gente melhor formada e capaz de dizer: “Para a esquerda, como nós a entendemos, o diálogo não pode ser encarado como um instrumento ou um obstáculo da governação ou para a governação. O diálogo e a discussão fazem parte do nosso código genético. Governar à esquerda não é só fazer sem discutir, é discutir primeiro para depois fazer bem”.
António José Seguro diz o que diz para recordar o óbvio: “O papel dos professores tem de ser valorizado, deve ser valorizado, porque eles são indispensáveis à concretização de qualquer projecto educativo”.
Que Sócrates ou Maria de Lurdes Rodrigues, inábeis, se tenham dirigido para um beco e de lá urrem e gritem, só mostra como avaliaram mal os sinais que há muito lhes tinham sido fornecidos. São maus governantes e merecem chumbar (reprovar).

12 novembro 2008

Roma Antiga

Passear pelas ruas empedradas do Foro romano, visitar o circo Máximo ou o Coliseu em todo o seu esplendor, tal como eram no ano 320: eis algumas das potencialidades de uma funcionalidade que o Google Earth passa a oferecer.
O modelo utilizado serve-se da gigantesca maqueta (que se encontra no museu da Civiltà Romana) do arquitecto italiano Italo Gismondi (1887-1974). Gismondi reconstruiu, com grande detalhe, a Roma Antiga.
Essa nova funcionalidade do Google Earth permite visualizar 6700 edifícios, onze deles a partir do interior, como é o caso do Tabularium ou do Templo de Vesta.
A visita, como em qualquer museu, é visual e literária. Assim, o visitante dispõe de 250 textos explicativos.

Palas ponham-nas aos teimosos...

Argumentação - Zero.
Retórica - Mais do mesmo.
Autoritarismo - Muito.
Cegueira política - Bastante.
Teimosia (o busílis da questão) - Imensa.
Disponibilidade para negociar - Nenhuma.
E o momento hilariante do disurso: "Eu não estou disponível para esperar mais 30 anos para avaliar os professores."

11 novembro 2008

Seis décadas mais tarde




O beijo de 1945 e o sem beijo de 2008 (agora com 90 primaveras)

E é para ir com pistola ou basta a espada?

Alguém se lembra do que é que este SS fez enquanto ministro da educação? Ele é sempre tão sábio, tão arguto. Cá para mim merece o Nobel da Física, pois vê e explica fenómenos que doutra forma nos passariam despercebidos.

A anedota

Dantes contava-se uma anedota que era mais ou menos assim: O filho chegava à beira do pai e dizia:
- Pai, pai, dá-me vinte escudos.
- Para que queres tu dez escudos? Toma lá dois e meio e dá-me o troco.
O ministério da educação, sempre muito bem intencionado e sempre à procura da melhor solução para o problema que criou vem agora chorar sobre a linda proposta que trazia para a reunião a que faltaram os sindicatos. A proposta do ME fez-me recordar a anedota. Até porque o ME apenas dá um centavo e ainda quer o troco.

Che Guevara e outros ícones pops em livro


«Che foi pouco mais que um aventureiro, um líder egocêntrico que foi elevado à categoria de mito impoluto depois da sua morte.» Quem o afirma é Juan José Sebreli (Buenos Aires, 1930), no livro Comediantes y mártires (Debate), obra em que analisa como quatro destacadas personalidades do século passado foram transformadas em mitos: o cantor de tangos Carlos Gardel, a actriz e política Evita Perón, o futebolista Diego Armando Maradona e Ernesto Che Guevara.

A análise mais contundente é a que dedica a Che, qualificando-o de "idiota político", algo que «não pretende ser um insulto, apenas a descrição objectiva de um determinado comportamento».

«Pode dizer-se que ele foi, à vez, um aventureiro, um santo e um herói, mas não um político».

O ensaio deste «pretigiado intelectual argentino», como o classifica o El País assenta em documentos e na interpretação que deles faz, juntamente com ses. «Se Che não tivesse conhecido Fidel Castro no México, provavelmente teria ido como bolseiro para Paris para estudar medicina, que era o que ele queria.»

Se o livro estiver todo ele assente em argumentos deste tipo, está bom de ver que se dão prémios a livros que só podem ser classificados de idiotas. Mas como os juízos críticos exigem a análise dos documentos, aguardemos para ver realmente do que se trata.

Para já está lançado o isco. Será que a propaganda vai surtir o efeito esperado?

A origem do cabelo


Vamos imaginar um lagarto (Anolis carolinensis) com melena ou um galo (Gallus gallus) com bigodes. Parece algo absurdo, não é? No entanto, um e outro dispõem da estrutura genética necessária para formar a estrutura de proteínas que origina o pêlo.

A descoberta é mais ou menos recente, pois até há pouco julgava-se que apenas os mamíferos possuíam as queratinas necessárias à formação de pêlo.

As queratinas são proteínas fibrosas que fornecem protecção à camada externa da pele, pêlos e unhas (preservam a temperatura do corpo e protegem-no). A queratina representa cerca de 90% da constituição dos fios de cabelo e forma-se a partir de aminoácidos, entre eles a tirosina (responsável por atrair e reter pigmentos) e a cistina(que liga as estruturas que dão forma ao fio). É uma proteína insolúvel, principal constituinte da epiderme, unhas, pêlos, tecidos córneos e esmalte dos dentes. Pode ser obtida nos chifres, cascos, penas e pêlo de vários animais. Por exemplo, do ser humano, que dispõe de 54 genes que permitem a formação das queratinas do pêlo.

Ora investigadores da Universidade Médica de Viena e das universidades italianas de Pádua e Bolonha encontraram esse tipo de proteínas e os genes que contêm a informação para as fabricar tanto em répteis como nas aves.

Há já 330 milhões de anos havia proteínas do pêlo no antepassado comum a mamíferos, répteis e aves. Os dinossauros tinham queratinas duras, que deviam usar para a formação das garras. As queratinas duras apareceram precisamente para isso, formar garras, escamas, unhas e só mais tarde, durante a evolução, deram origem ao pêlo.


Fonte: El Mundo

Tomás Pereira na China


Quem tivesse o privilégio de entrar na Cidade Proibida entre 1673 e 1708 poderia ver Tomás Pereira a confundir-se, nos trajes e na língua, com um chinês. Ele e outros padres jesuítas.
Tomás Pereira (1645-1708) era dos poucos, dos muito poucos, que tinha o privilégio de se aproximar de Kangxi, um dos imperadores mais populares da história chinesa. E porquê? Por causa da música.
A música tinha um papel fundamental na comunicação entre os missionários e as autoridades chinesas. Pereira acabou por escrever o primeiro tratado em chinês sobre música europeia, e ensinava a arte aos filhos do imperador.

E foi com a música que captou a atenção de Kangxi, a quem ensinou também álgebra e aritmética.

O mesmo homem que ensinava matemática ao imperador, construía relógios, redigia tratados sobre budismo, concebia um órgão de proporções descomunais que mandou instalar numa igreja de Pequim, e um carrilhão que, dizia o padre Ferdinand Verbiest (então Administrador do Calendário), atraía as atenções dos populares "que ficavam sobretudo admirados com o prelúdio musical que precedia o bater das horas".

Atraía certamente mais multidões do que qualquer calendário rigoroso ou tratado de geometria, chegando a camadas da população que não eram instruídas para entender as capacidades científicas dos jesuítas.

O padre Tomás Pereira viveu mais de três décadas (1673-1708) perto do imperador, e só a morte os separou. Nunca fez evangelização. Não era um homem do terreno. Concentrava-se a fazer pressão junto de mandarins que depois interviriam a favor dos jesuítas junto do imperador. Sabia a que portas bater para discutir pequenas coisas, pequenos gestos que constroem uma relação pessoal com o imperador, que era difícil de conseguir para um chinês, quanto mais para um ocidental.

O imperador Kangxi é uma figura referencial, um dos melhores imperadores do ponto de vista militar, de carácter. Unificou a China, abriu ao exterior, inovou administrativamente, anulou inimigos externos. Quando se procura o que há de glorioso na China, o seu reinado é extremamente importante. E Tomás Pereira é fundamental para compreender o imperador. Acompanhou-o algumas vezes em expedições. E teve um papel importante no tratado sino-russo de Nerchinsk, de delineamento de fronteiras.

Estima-se que o imperador tenha agradecido a Pereira o seu papel no tratado de Nerchinsk assinando o "Édito da Tolerância", em 1692.
Tomás Pereira morreu na China. Há 300 anos.

De quem é a culpa?, de Anselm Jappe


Está a chegar às livrarias De quem é a culpa?, de Anselm Jappe, editado pela Antígona.

Anselm Jappe nasceu em 1962 na Alemanha, tendo feito os seus estudos em Itália e em França, onde vive actualmente. É autor de As Aventuras da Mercadoria (2006) e de Guy Debord (2008), ambos editados pela Antígona.

De quem é a culpa? aborda «a crise». E tece considerações sobre os actores dessa crise e sobre os modelos de vida que nos têm ocupado os dias.

Uma amostra: «Desta vez, todos os comentadores estão de acordo: o que se está a passar não é uma mera turbulência passageira dos mercados financeiros. Estamos a viver, sem dúvida, uma crise que é considerada a pior desde a Segunda Guerra Mundial, ou desde 1929. Mas de quem é a culpa, e por onde encontrar a saída? A resposta é quase sempre a mesma: a «economia real» está sã, foram os mecanismos corruptos de uma finança que escapou a todo e qualquer controlo que puseram em risco a economia mundial. Sendo assim, a explicação mais expedita, mas também mais propagada, atribui toda a responsabilidade pela crise à «avidez» de um punhado de especuladores que teriam jogado com o dinheiro de todos como se estivessem num casino. Mas reduzir os arcanos da economia capitalista, quando esta funciona mal, às maquinações de uma conspiração maléfica tem uma longa e perigosa tradição. Arranjar, mais uma vez, bodes expiatórios – a «alta finança judaica» ou outra –, oferecendo-os ao julgamento do «povo honesto», constituído pelos trabalhadores e aforradores, seria a pior das saídas possíveis.

(...) Talvez não venhamos a assistir a uma «sexta-feira negra», como em 1929, a um «Dia do Juízo». Mas há boas razões para crer que estamos a viver o fim de uma longa época histórica. A época em que a actividade produtiva e os produtos não servem para satisfazer necessidades, mas para alimentar o ciclo incessante do trabalho que valoriza o capital e do capital que emprega o trabalho. A mercadoria e o trabalho, o dinheiro e a regulação estatal, a concorrência e o mercado: por trás das crises financeiras que há vinte anos se repetem, cada vez mais graves, perfila-se a crise de todas estas categorias. As quais, é sempre bom lembrá-lo, não fazem parte da existência humana em toda a parte e sempre. Apoderaram-se da existência humana ao longo dos últimos séculos e poderão evoluir para algo diferente – algo melhor ou ainda pior. Contudo, não é o tipo de decisão que se tome numa reunião do G8…»

Evidências

Maria de Lurdes Rodrigues faz de conta que ainda não percebeu duas coisas: a primeira é a de que conseguiu unir uma classe desunida. A segunda é a de que os sindicatos foram levados de arrasto em todo este processo.
Os professores não participaram na manifestação de há dias por causa dos sindicatos mas por não estarem de acordo com esta avaliação.
Esse dado fresco e fulgurante inquieta a ministra e talvez inquiete os sindicatos. Mas eles são e continuam a ser os interlocutores do governo. Se agiram mal há meses, como todos se recordam, certamente não o voltarão a fazer agora.
Enquanto não se perceber isto continuar-se-á a bater no ceguinho e os resultados serão péssimos. Para o país, para a ministra, para o governo.
Manuel Alegre, como tantos outros, começa a sentir-se incomodado com tudo isto, pois a função de um ministro num país democrático não é idêntica à de um país onde não há democracia. E quando a quase totalidade dos professores se uniu para dizer não, apenas se pede bom senso e cpacidade de diálogo.

10 novembro 2008

Prenda de Natal para Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues e pandilha


Imagem daqui.
Para uma avalição plena e luxuosa.

Avaliação avaliação ó-ai ó linda


A loucura


Há um tipo de pessoas que mal se vê com poder fica diferente.

Primeiro, aquilo do poder sobe-lhes à cabeça e incha-lhes o cérebro. Dizem baboseiras e têm comportamentos que mais parecem de crianças maleducadas do que de adultos com dois dedos de testa.

Segundo, ficam ceguinhas e surdas. Não vêem nem ouvem o que se passa mesmo à frente dos narizes. O que sempre lhes traz muitos amargos de boca (o poder desaparece depressa).

Terceiro, insistem no erro e, crianças malformadas, sobem o tom, tornando impossível o volte-face. Os ditadores são todos assim, mas a maior parte não morre por cair da cadeira.

Quarto, eram zés-ninguém até lhes terem dado poder. Voltam ao estatuto de nada mal os tiram do poder. Enquanto o têm preenchem o vazio interior com asneiras e uma vaidade que se nota a léguas.

E tudo para quê? Por meia dúzia de anos de uma toxicidade afim da dos alucinogéneos. O poder droga-os e eles, crianças mimadas, consomem-no em doses cada vez maiores até à overdose final.

Neste momento há em Portugal vários ministros atacados pelo vício. E secretários de estado, então, nem se fala. Tão intoxicados estão que já o desespero lhes sai por todos os poros. E é tanto e em tal grau que até se querem mostrar amigos daqueles que têm perseguido e maltratado com afinco.

Qual heroína, qual cocaína, qual ecstasy, o que está a dar mesmo é pertencer ao governo de Sócrates.

Uma vaquinha para mudar as lentes de J. Pedreira


Este senhor é um colosso. Tem mais de 80% dos professores na rua e está preocupado... com um papel. É um burocrata dos quatro costados. Terá feito o curso na ex-URSS?

Nem uma palavrinha diz sobre os professores terem saído de casa para se manifestarem em Lisboa. Isso são trocados. Acontece dia não, dia sim. O que realmente lhe importa é... salvar a face. Não viu (porque não quis) que o seu comportamento tal como o da ministra ia proporcionar algo absolutamente inédito em Portugal: que uma classe profissional até há pouco muito dividida se juntasse com um propósito comum: dizer não às medidas pomposas e absurdas desta avaliação.

Jorge Pedreira ao bom estilo lambe-botas descarta a água do capote e cala (claro, que pode fazer senão consentir?). Mas como a boca tem de gastar saliva e o salário dele é ganho precisamente à custa de blá-blá, vem com ameaças: o ministério vai processar 120 mil professores. Ou seja, vai tentar livrar-se de 120 mil profissionais.

Em qualquer país isso dava lugar a uma gargalhada ensurdecedora. Mas nós aqui, bons samaritanos, fazemos mais: juntamo-nos para que o senhor Pedreira mude de lentes e possa ver o que se passa à sua volta. Eu dou 1 centavo da antiga moeda portuguesa.

Paisagem do dia


Foto de João Rodrigues

Avaliar o que é?


A foto vem daqui, com a devida vénia


O que é que o governo pretende com o modelo de avaliação de professores? Ocupar chefes de redacção bacocos que dependem do governo para um qualquer tachito? Ou avaliar de facto o trabalho que os professores levam a cabo? Se assim é por que estabelecem tectos para excelentes? Isso não mostra logo que o objectivo primeiro, senão único, é limitar a massa salarial? Gente séria entrega-se a esse exercício com sanha de ditador?

Os programas são nacionais, mas a nação é feita de muitos bocados. E a realidade de cada escola é diferente. Se se quer de facto avaliar com rigor tem de se ter isso em conta, não é?

Ou será que o termo avaliar é tomado por muita gente apenas na dimensão de exlusão, de negação? Esse parece ser o entendimento de figuras baças e caricatas como um tal JLP, director de um jornal que nem ler documentos sabe (e ao qual Paulo Guinote responde no seu blogue).

Anos sucessivos de salazarismo e ditadura produziram gentinha que se dá mal com o rigor. O rigor exige tempo e ponderação. Avaliar não é nem nunca foi um mero acto burocrático, embora tenha sido isso que muitos aprenderam (porque aprenderam mal). E quando se fala de escola a ponderação é muito necessária, sob pena de atentados aos direitos constitucionais dos indivíduos. A ministra e o primeiro-ministro porque avaliaram mal o processo vêem-se agora a braços com uma tomada de posição que só tem duas opções: reconhecer o erro, parar esta avaliação e negociar; ou persistir no erro e afundar ainda mais a escola pública.

Que escola hoje?

A escola o que é? Quem a estruturou do modo que está estruturada e porquê? Que se pretende com ela hoje, agora?
Perguntas simples que exigem respostas complexas, senão mesmo diversas teses de doutoramento. Porque a escola leva já alguns anos de existência e sofreu, nesse arco de tempo, várias transformações.
Se a escola reflecte a sociedade que temos, talvez não lhe esteja a corresponder como devia. Para alcançar resultados são frequentes as medidas avulso, o que não só não resolve nada como cria bastantes mais problemas.
Depois de mais de 120 mil professores terem vindo para a rua, a classe política deveria ter acordado para o problema e deveria começar a criar gabinetes de trabalho que reflectissem sobre aquelas questões, chamando à liça professores dos vários níveis de ensino.
A escola como está é foco de muito aborrecimento para todos: alunos, pais, professores, auxiliares.
O problema não é apenas português. Em Espanha dizem que a escola fracassa porque está obsoleta. Em França, na Inglaterra, na Itália, noutros países a sensação é a de que a escola pública tem cada vez mais dificuldade em educar e se limita a ocupar tempo, enquanto se agrava o fosso entre ricos e pobres. Por cá, diz-se que está a perder qualidade.
O país tem de pensar o que quer. Tem de tomar posição. Tem de debater políticas e escolhê-las (votá-las). Para isso é necessário repensar tudo: programas, anos de estudo, turmas, salas de aula, edifícios, formação de professores e de outros técnicos. Depois desse debate é preciso fazer escolhas, definir metas claras e ver como vão ser alcançadas. Avaliar todo o processo, sem fantasmas, sem complexos, sem encenações e ver se se está no caminho certo ou não.
A continuar assim, com a fúria ministerial a querer muito A só porque A é a melhor maneira de poupar dinheiro, não se vai longe. E hipoteca-se o futuro de muitos milhares de alunos que tiveram o azar de nascer há pouco tempo e são obrigados a estar na escola agora.